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quarta-feira, 23 de julho de 2014

NOTAS #48

Teve Copa
Acompanhei durante o mês de junho e julho as partidas disputadíssimas da Copa do Mundo de Literatura e não avisei nada do resultado final - justamente o que mais interessa. Para sanar essa falta gravíssima, digna de um cartão vermelho e uma ducha fria para refletir, venho aqui anunciar que o grande campeão foi Noturno do Chile, de Roberto Bolaño. Foi uma goleada espetacular: 17 pontos para o livro do Bolaño contra 9 pontos para Rostos na multidão, de Valeria Luiselli (México). No caminho, o campeão deixou para trás Hermann Koch (Holanda), Chico Buarque (Brasil), Elena Ferrante (Itália) e W.G. Sebald (Alemanha).

Particularmente, acho Noturno do Chile um primor. Recomendo como porta de entrada para aquelas pessoas que querem se aventurar na obra do chileno e não sabem muito bem por onde começar.

***

Como vocês viram, o Chico Buarque (representando o Brasil) foi derrotado pelo campeão e caiu na segunda rodada. Uma pena! Mais sorte para a gente da próxima vez.

***

A Copa do Mundo de Literatura vai deixar tanta saudade quanto a Copa do Mundo de Futebol. Eu não consigo parar de pensar numa Copa de Literatura Brasileira. Ainda mais com tanto livrão despencando nas nossas prateleiras.



Falando nisso...
Dois lançamentos bastante aguardados estão chegando as nossas livrarias: Luzes de emergência se acenderão automaticamente, de Luisa Geisler e A vez de morrer, de Simone Campos.



Otra Língua
Além dos alemães, os latino-americanos fizeram o maior sucesso nessa Copa do Mundo. A gente podia aproveitar essa 'buena onda' para conhecer um pouco da literatura feita pelos nossos vizinhos em boas traduções para o português. Um bom caminho é a Coleção Otra Língua da Editora Rocco, organizada por Joca Reiners Terron - um cara que entende muito do assunto. Já falei dessa coleção no ano passado, mas oito novos títulos serão lançados até o final do ano. Os dois primeiros são Hotéis, de Maximiliano Barrientos (traduzido por Joca Reiners) e Um homem morto a pontapés, de Pablo Palacio (traduzido por Jorge Wolff). Depois vem A internacional Argentina, de Copi (traduzido por Carlito Azevedo), O boxeador polaco, de Eduardo Halfon (traduzido por Lui Fagundes), Prosas apátridas, de Julio Ramón Ribeyro (traduzido por Angélica Freitas), Canção de Morrer, de Julián Herbert (traduzido por Miguel Del Castillo), Um Ano, de Juan Emar (traduzido por Pablo Cardellino) e A sinagoga dos iconoclastas, de J. Rodolfo Wilcock (traduzido por Davi Pessoa). Tem até vídeo promocional, olha que bacana: http://youtu.be/DBY0E4tWnps



No corpo
Quem acompanha este blog de longa data deve saber da paixão escondida por literatura e tautagem. Pois bem, o pessoal do Litographs (é gringo - dos Estados Unidos) resolveu fazer um financiamento coletivo com uma ideia bem bacana para quem gosta de tatuagem, mas tem medo de fazer uma definitiva: uma coleção de tatuagens literárias temporárias (daquelas tipo decalque que saem quando você toma banho). Tem tatuagens inspiradas em Jack London, James Joyce, Herman Hesse, Victor Hugo e outros mais. Detalhe: os primeiros 2.500 apoiados do projeto vão receber um trecho único de Alice no país das maravilhas para tatuar (temporariamente), fotografar e juntos formar a maior tatuagem literária de todos os tempos. O livro estará todo escrito no corpo dessas pessoas. Mais informações aqui: http://tinyurl.com/k94ujk4




Bancos Parade
Lembra da Cow Parade? Aquela exposição com estátuas de vacas em tamanho real decoradas por artistas plásticos famosos. Então, durante todo o verão a cidade de Londres vai receber uma exposição semelhante só que dessa vez as estrelas serão bancos, ao invés de vacas. Melhor do que isso: bancos decorados por artistas plásticos tendo como inspiração clássicos da literatura. Parece que são 50 bancos (portanto, 50 livros diferentes) espalhados pela cidade. Tem Charles Dickens, Nick Hornby, P.G. Wodehouse, Virginia Woolf, George Orwell (na foto), Jane Austen e outras mais. Para admirar, sentar e ler. Alguém pode aproveitar essa retomada do espaço público das nossas cidades e fazer uma coisa parecida.

*Imagens: divulgação.


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quarta-feira, 27 de março de 2013

PHILIP K. DICK GANHA NOVO PROJETO GRÁFICO


A editora Aleph continua com seu projeto de relançar a obra do escritor Philip K. Dick por ocasião dos 20 anos de sua morte completados em março do ano passado. Até o momento saíram cinco livros: O homem do castelo alto, Ubik, Os três estigmas de Palmer Eldritch, Realidades adaptadas e Fluam, minhas lágrimas, disse o policial. Todos tem um projeto gráfico originalíssimo - grafismos que lembram Op Art, ruídos e tem uma textura quase hipnótica. Cada exemplar vem acompanhado de um adesivo que o leitor pode colar onde bem entender e customizar sua capa (dependendo do que você fizer, ninguém no mundo terá uma edição com a mesma capa).

O projeto gráfico é de Pedro Inoue, da revista Adbusters.

Toda essa movimentação são uma ótima oportunidade para jogar luz sobre Philip K. Dick e aproximar sua obra da geração de leitores mais novos. Vale lembrar que Roberto Bolaño um admirador de Ubik e no livro de ensaios Entre paréntesis define Dick como uma mistura de "Thoreau com a morte do sonho americano".

P.S.: a Aleph também publicou o livro Valis (de 2004) que ainda não passou pela reformulação gráfica.






*Imagem: divulgação

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

APOSTAS PARA 2012 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS

Falar de novos lançamento é uma boa maneira de dar boas-vindas ao ano que acabou de começar. Na era da internet parece que o tempo urge e as pessoas ficam ansiosas por qualquer novidade. Que atire a primeira pedra aquele sujeito que acabou de voltar da praia e não procurou o assunto "lançamentos 2012" no Google.

Nossas editoras (que não costumavam comentar muito o assunto) divulgaram muitas informações para deleite dos leitores. Por isso, estou listando abaixo os livros que vão aparecer nas prateleiras das livrarias antes do que você pensa. Assim a gente dá o pontapé inicial nesse ano que está com uma preguiça danada de começar. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Lembrando que são lançamentos previstos. As editoras podem alterar as datas.

Se alguém descobrir ou lembrar de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, me mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.


INTRÍNSECA
A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan (capa com ilustrações de Rafael Coutinho)
The art of fielding, de Chad Harbach

L&PM
Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf (com tradução de Denise Bottman)
Jack Kerouac and Allen Ginsberg: The Letters, com organização de Bill Morgan e David Stanford.

ALFAGUARA
1Q84, de Haruki Murakami (com tradução de Lica Hashimoto previsto para o segundo semestre)
O novo romance ainda sem título de Ronaldo Correia de Brito
O céu dos suicidas, de Ricardo Lisias
Reedição das obras completas de Mário Quintana

GLOBO
Novas obras de Herta Müller
Anatomía de un instante, de Javier Cercas
As mil e uma noites - volume 4 (com tradução de Mamede Mustafá Jarouche)
Comédia Humana, de Honoré Balzac (serão lançados os primeiros quatro volumes com tradução de Paulo Rónai)

OBJETIVA
Vida e destino, de Vassily Grossman

AMARYLIS
Contos, de Ivan Búnin

ROCCO
The sense of an ending, de Julian Barnes

RECORD
Os imperfeccionistas, de Tom Rachman
O mapa e o território, de Michel Houellebecq
Parrot and Olivier in America, de Peter Carey

EDITH (selo de Marcelino Freire)
Guia de Ruas Sem Saída, de Joca Reiners Terron com desenhos de André Ducci

COMPANHIA DAS LETRAS
Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
Novos romances de Carola Saavedra, Carlos de Britto e Mello, Zulmira Ribeiro Tavares, Cecilia Giannetti (provavelmente pela série Amores Expressos), Elvira Vigna Luiz Alfredo Garcia-Roza e Noemi Jaffe.
Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño
Receitas para mulheres tristes, de Hector Abad
Os enamoramentos, de Javier Marías
A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides (com direito a versão de bolso de As virgens suicidas - tradução de Daniel Pelizzarri)
Contra o dia, de Thomas Pynchon
As coisas, de Georges Perec
Livro, de José Luis Peixoto
Sunset Park, de Paul Auster
Fora do tempo, de David Grossman
A casa do silêncio, de Orhan Pamuk
O legado de Humboldt, de Saul Bellow
Miguel Street, de V.S. Naipaul
Histórias abensonhadas, de Mia Couto
Ulysses, de James Joyce
Ligações perigosas, de Choderlos de Laclos
Open city, de Teju Cole
Mr. Peanut, de Adam Ross
The great house, de Nicole Krauss
O homem é um grande faisão, de Herta Müller
The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell (com tradução de Daniel Galera)
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
Strong Motion, de Jonathan Franzen
Focus, de Arthur Miller
HHhH, de Laurent Binet
Senhora, de José de Alencar
Clara dos Anjos, de Lima Barreto

Os quadrinhos de Angeli, Laerte, Lourenço Mutarelli, Caco Galhardo, Gustavo Duarte e Rafael Campos Rocha, Angélica Freitas e Odyr Bernardi, Ronaldo Bressane e Fábio Cobiaco, Vanessa Barbara e Fido Nesti, e Emilio Fraia e DW Ribatski

Reedição das obras completas de Carlos Drummond de Andrade (homenageado da FLIP 2012)

BENVIRÁ
Pássaros na boca, de Samanta Schweblin (ela estará em abril na Bienal do Livro de Brasília)

EDITORA 34
Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov
Novelas, de Nikolai Leskov
O adolescente, de Fiódor Dostoiévski (com tradução de Paulo Bezerra)
Oblomov, de Ivan Goncharóv
Meu companheiro de estrada e outros contos, de Máximo Górki (com tradução de Boris Schnaiderman)
Contos de Canterbury, de Geoffrey Chaucer(com tradução de Paulo Vizioli)

COSAC NAIFY
A brincadeira favorita, de Leonard Cohen
Lojas de Canela e Sanatório, de Bruno Schulz (livro em que aparece a novela Rua dos Crocodilos que serviu de base para o livro-objeto Tree of codes, de Jonathan Safran Foer)
Cães heróis, de Mario Bellatin

ILUMINURAS
Pomas, um tostão cada, de James Joyce (com tradução de Alípio Correia da Franca Neto)
O Gato e o diabo, de James Joyce (com tradução de Dirce Waltrick do Amarante)
De santos e sábios, de James Joyce (um livro de ensaios com traduções de Dirce Waltrick, Sergio Medeiros, Caetano Galindo e André Cechinel)
Stephen herói, de James Joyce (com tradução de Alípio Correia da Franca Neto)

BERTRAND BRASIL
The Finkler Question, de Howard Jacobson

EDITORA NOVA FRONTEIRA
The long song, de Andrea Levy


NA GRINGA ANGLÓFONA
The Map and the Territory, de Michel Houellebecq
Distrust That Particular Flavor, de William Gibson
What We Talk About When We Talk About Anne Frank, de Nathan Englander
Varamo, de Cesar Aira
Gods Without Men, de Hari Kunzru
The New Republic, de Lionel Shriver
Hot Pink, de Adam Levin
The Secret of Evil, de Roberto Bolaño
The Hunger Angel, de Herta Muller
Waiting for Sunrise, de William Boyd
Home, de Toni Morrison
The Newlyweds, de Nell Freudenberger
The Chemistry of Tears, de Peter Carey
Railsea, de China Mieville
The Lower River, de Paul Theroux
Lionel Asbo: The State of England, de Martin Amis
No Time Like the Present, de Nadine Gordimer
Umbrella, de Will Self
NW, de Zadie Smith
Zoo Time, de Howard Jacobson

*imagem: capa de A visita cruel do tempo e The secret evil/reprodução.

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

A HORA DE CLARICE (2)

Tem muita gente que gosta de Clarice Lispector, mas também tem muita gente que não gosta - em parte pelo grande culto que os leitores, críticos e estudantes dedicam a sua figura seminal dentro da literatura brasileira, em parte por aquela quantidade enorme de spams, e-mails, cartinhas de namorado(a) e correntes apócrifas que circulam na internet. Vale a máxima "quem nunca recebeu uma mensagem de tipo?". Um pouco da mesma aversão deve acontecer em maior ou menor medida com Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Rubem Fonseca e Luis Fernando Veríssimo que costumam lotar nossas caixas de mensagens, mural do Facebook e tudo o mais.

Para quem gosta tudo certo. Para quem não gosta um aviso: estamos às vésperas da primeira comemoração do dia "A hora de Clarice" (próximo dia 10 de dezembro, data em que ela nasceu). Portanto, ela será um assunto bastante presente. Já falei disso por aqui.

A antipatia à Clarice Lispector também existe por causa da enorme influência que ela exerceu nos escritores que vieram depois dela. Sempre dizem: "Clarice matou uma geração de escritores". Ainda hoje a gente escuta um pouco daquela voz narrativa - lembro, por exemplo, do livro que avaliei para o Gauchão de Literatura 2011; Clarice era ao mesmo tempo enredo e forma de um dos livros.

***

Para dar mais brilho as comemorações uma notícia muito bacana: a charmosa revista Paris Review incluiu na sua edição de inverno dois contos de Clarice Lispector. A escritora figura ao lado de Paul Murray, Adam Wilson e Roberto Bolaño (com a quarta e última parte do romance O terceiro Reich - que a gente já está lendo desde o começo do ano). A edição ainda tem uma entrevista com Jeffrey Eugenides, o escritor mais comentado do ano na imprensa anglófona por conta de The Marriage Plot depois de Haruki Murakami. Aliás, um comentário à parte: em se tratando de Paris Review deve ser uma entrevista matadora.

*Imagem: reprodução daqui.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

NOTAS #32

Capas
Alguns leitores ainda não eram nem nascidos quando esses livros foram lançados (nem mesmo eu, para falar a verdade). Portanto, imagino que todos devem ter muita curiosidade em saber como foi a capa da primeira edição de Alice no país das maravilhas, Anna Karenina, Mrs Dalloway, O som e a fúria, Trópico de câncer, Ulysses, O almoço nu e alguns outros mais. Pois o Flavorwire fez uma lista bem legal com a capa da primeira edição de 20 livros bem conhecidos (os que citei antes estão entre eles). A capa acima é do livro Laranja mecânica, de Anthony Burgess em 1962. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/7nuedct

Os melhores de 2011
Já começou na imprensa anglófona mais uma temporada para eleger os melhores lançamentos de ficção do ano. É a chance daquele leitor que passou o ano inteiro metido em recuperar as leituras atrasadas do ano passado saber o que vale a pena ler no ano que vem - ou até o final desse ano, quem sabe. Certamente quase todas as listas gringas serão unânimes quanto aos livros The Marriage Plot, de Jeffrey Eugenides; A Visit From the Goon Squad, de Jennifer Egan; The Pale King, de David Foster Wallace; 1Q84, de Haruki Murakami e A mulher do tigre, de Téa Obreht, para citar alguns.

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Vale lembrar que todos estes livros já têm previsão de lançamento em terras brasileiras. A Companhia das Letras deve lançar The Marriage Plot no primeiro semestre de 2012 e The Pale King - ainda sem data prevista. A Visit From The Goon Squad sai pela Intrínseca provavelmente no ano que vem. 1Q84 também deve chegar no ano que vem pela Alfaguara. A mulher do tigre foi publicado pela Leya Brasil com tradução de Santiago Nazarian.

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Nas listas que vi até agora fiquei surpreso com a menção a There but for me, de Ali Smith e O mapa e o território, de Michel Houellebecq (que a editora Record prometeu para esse ano, mas deve ficar para o ano que vem).

Bolaño HTML5
A nova edição da revista Granta (me refiro a inglesa mesmo, pois a revista está ganhando edições no mundo inteiro) com o tema "Horror" publicou o conto El Hijo del Coronel, de Roberto Bolaño - em inglês ficou The Colonel’s Son. A história de uma menina mordida por um zumbi ganhou uma versão em HTML5 com desenhos de Owen Freeman e dos web designers do escritório Jocabola. A animação percorreu a internet instantes depois de ter sido postada na página da revista. É realmente alucinante! Está disponível em http://tinyurl.com/cbeo2lc

Entrevista Sebald
O escritor alemão W.G. Sebald faleceu em 14 de dezembro de 2001 vítima de um acidente de carro. Dias antes do incidente, Sebald concedeu uma entrevista para a rádio KCRW (por conta do lançamento em inglês de Austerlitz) em que fala de suas influências literárias e sobre questões pertinentes a sua obra. A entrevista em inglês está disponível em http://tinyurl.com/6gkayu9

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Na edição #2 do fanzine Casmurros há um ensaio de Rick Poynor sobre algo que sempre me intrigou nos livros de Sebald: as fotografias. O ensaio chama "W.G. Sebald: escrevendo com imagens". O fanzine está disponível para download aqui.

Ruim de livro
Há dezenove anos o suplemento británico Literary Review entrega um prêmio literário que desperta o riso dos mais atirados e rubores no rosto dos mais pudicos: o Bad Sex in Fiction Award. Ganha o prêmio o autor que escrever a pior cena de sexo num romance lançado durante o ano. O jornal Guardian adiantou que entre os indicados desse ano estão Stephen King com uma cena de 11.22.63, Haruki Murakami com o badalado 1Q84. Mais nomes devem surgir até a entrega do prêmio em 6 de dezembro.

*Imagem reprodução.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ANDRÉS NEUMAN - O BATUTA

A série Prefácios da Rádio Batuta que iria ao ar semanalmente todos os domingos andou atrasando um pouco as atualizações. Uma pena, pois a ideia é bastante original e o conteúdo de altíssimo nível. Eu nunca tive muita coragem de encarar Os sertões, de Euclides da Cunha, mas confesso que fiquei muito tentado depois de ouvir Alexei Bueno comentando o catatau barroco científico - para usar um termo da academia. Há outros programas tão encantadores quanto.

De qualquer forma, quero chamar atenção para o programa mais recente com a participação do escritor argentino Andrés Neuman. Ele foi um dos primeiros nomes a pintar na lista de autores convidados da FLIP desse ano. Embora tenha publicado quatro romances, livros de contos, poesias e ensaio, Neuman tem apenas um romance publicado em português - O viajante do século (Alfaguara). O jovem escritor carrega consigo uma bagagem invejável: importantes prêmios literários na Espanha, a seleção da revista Granta como um dos melhores escritores de língua espanhola e elogios de ninguém menos que Roberto Bolaño.

No programa, não por acaso, ele fala sobre Os detetives selvagens. Neuman teve uma relação próxima com Roberto Bolaño. Os dois falavam constantemente por telefone, trocavam e-mails, cartas e Neuman chegou a encontrá-lo pessoalmente uma única vez. Tenho a impressão que Neuman quis desmistificar a figura de Bolaño como um escritor pobre, drogado, maldito, doente e condenado a morte. Da pequena convivência, ele lembra que Bolaño era muito divertido, extremamente culto (um leitor autodidata voraz), muito falante (as conversas por telefone poderiam durar três, quatro horas), um homem de extremos que podia ser doce ou rude quando queria. E num momento muito particular, Neuman fala da casa de Bolaño que era totalmente organizada enquanto o escritório de trabalho era como uma cova - ele tinha um 386 sem conexão com a internet. Não quero falar muito para não criar novas auras em torno da bolañomania que dominam o mundo.

Além do aspecto pessoal, Neuman conta a sua maneira de enxergar a obra de Bolaño. Ressalta suas qualidades literárias (superiores a qualquer modismo); fala sobre o rompimento com o nacionalismo (Bolaño é chileno, mas vive na Espanha e escreve um romance que se passa no México - suas personagens sempre buscam algo que não está em nenhum lugar); e diz que na tentativa de superar a literatura de Borges, Bolaño cria uma literatura borgeana com corpo, com sexo.

Neuman veio com Michael Sledge para participar da mesa "Viagens literárias" na FLIP - uma única mesa. O clima foi descontraído e bem humorado, mas confesso que com o programa acabamos ganhando duas mesas.

***

Quero aproveitar para comentar o romance O viajante do século. Li logo depois da FLIP. Fiquei intrigado com os elogios de Bolaño ("Um talento iluminado. A literatura do século XXI pertencerá a Neuman e a alguns poucos de seus irmãos de sangue.") - qualquer comentário sobre Neuman vinha colado a esses elogios.

O romance é grandioso. Neuman lida o tempo todo com zonas de fronteira: Wandernburgo é uma cidade imaginária que fica nos confins perdidos da Alemanha; os prédios e as ruas mudam de lugar todas as noite; é um romance, mas trata de poesia, de política, de filosofia, ensaios e literatura; cronologicamente a história acontece no século XIX, mas tem um olhar do século XX; Hans e o realejeiro são metáforas para viajante (em movimento) e do morador (sempre fixo) - há muitos outros opostos que se misturam.

Gosto muito da maneira como o autor explora o tema do viajante - figura central na cultura contemporânea. Grandes populações constantemente se deslocam em busca de melhores condições de vida. Há estrangeiros espalhados por todas as partes do mundo, sobretudo em paises desenvolvidos. O viajante (como Hans) é alguém que parte em busca de aventuras, em busca de dar sentido para algo que não sabe ao certo qual é. Acho que essa ansiedade de uma vida de aventura ronda a cabeça de muita gente que conheço. Tem também o fato de chegar num lugar em que ninguém sabe nada sobre o seu passado e você tem a chance de recomeçar sua história do zero.

Enfim, são apenas algumas observações. O romance tem muito mais coisas e abre várias possibilidades de leitura. Quem ficou curioso pode assistir o vídeo de Neuman no programa Entrelinhas.

*Imagem: flip.org
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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O QUE TEM PORTO ALEGRE?



Porto Alegre é um lugar que intriga a gente que não é de lá. Você já reparou na quantidade de escritores gaúchos que aparecem todos os meses? Nunca estive na cidade, mas sei que eles têm uma cena literária bastante sólida apoiada pelos congressos, feiras de livro, prêmios literários, editoras, fanzines, blogs e bares da cidade (o elemento mais importante).

Os gaúchos têm tantos escritores que pegaram o modelo da Copa de Literatura e fizeram um campeonato regional só deles. O Gauchão de Literatura vai para a segunda edição com quarenta e oito concorrentes, todos com romances que foram publicados em 2009 ou 2010. É tanta gente que o torneio é dividido em três fases e começa no dia 4 de julho com previsão de terminar só em dezembro.

Não contentes, lá mesmo em Porto Alegre, o pessoal do StudioClio criou um projeto um pouco similar chamado Sport Club Literatura. Funciona assim: uma vez por mês todo mundo se reúne para assistir um jogo com duas disputas - uma histórica "denominada Coliseu (com clássicos e épicos da literatura) e uma pelada chamada Com-ca versus Sem-ca (com jogos mais alternativos, modernos, com ou sem critérios)". A diferença é que no Sport Club Literatura as partidas são ao vivo com a presença da torcida, de dois julgadores e um mediador. Ah! Os autores envolvidos na disputa não são necessariamente gaúchos.

O primeiro jogo acontece na próxima terça-feira (21 de junho) - tem de comprar ingresso para assistir. Na disputa da série Coliseu: Orgulho e preconceito, de Jane Austen enfrenta Middlemarch, de George Elliot com os juízes Milton Ribeiro e Joana Bosak. Na pelada vai ter um duelo de gigantes: 2666, de Roberto Bolaño e Liberdade, de Jonathan Franzen. Os juízes serão Antônio Xerxenesky e Carlos André Moreira.

Até deu vontade de comprar uma passagem para Porto Alegre, né?

*imagem: reprodução da Wikipédia.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

ENTÃO, VOCÊ QUER SER CRÍTICO LITERÁRIO? (1)


Os argumentos de Alcir Pécora em relação a crise da literatura contemporânea brasileira (e em certa medida mundial, por que não?) causaram um pequeno beco sem saída. Quem não responde aos argumentos do crítico parece que atesta o fato de que vivemos um momento de conformação total. Por outro lado, quem responde acaba contribuindo para a tal inflação da "bolha de produção simbólica de hoje". O impasse vale mais para a internet - blogs e redes sociais - pois me parece que foi aqui que o falatório ganhou mais corpo. Nos jornais e revistas, apenas o Prosa & Verso e a coluna Painel das Letras, da Ilustrada, tocaram no assunto.

Seja como for, o debate da série Desentendimento e o artigo no Prosa & Verso serviram para reafirmar, reforçar e trazer à baila algumas ideias que incomodam muita gente e circulam soltas no meio acadêmico, nas críticas de jornal/revista e nas mesas dos botequins. Qualquer pessoa que lida com literatura vive as voltas com essas ideias - ou pelo menos deveriam viver. Não gostaria que o debate esfriasse porque dele podem brotar novas ideias e bons argumentos.

Na falta de conseguir articular um texto longo, montei uma colcha de retalhos de reflexões alheias que servem como diálogo para a situação apontada por Pécora. Não quero definir ou encerrar o assunto, acho difícil alguém fazer isso. Os textos nem sempre são reações diretas a série Desentendimento ou ao artigo. Fui catando por aí o que me parecia significativo, mais interessante. Será que também vou contribuir para a "inflação simbólica das narrativas"?

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Sobre a inflação simbólica das narrativas

A tal "inflação simbólica das narrativas" é uma manifestação da era da internet. A invenção dos blogs e redes sociais foi aos poucos detonando a importância vertical da figura do crítico e causou uma horizontalização nos discursos, conversas, comentários, opiniões, etc. (peguei a ideia emprestada do Alexandre Matias, editor do caderno Link do Estadão).

As ferramentas de comunicação abriram portas para que todas as pessoas pudessem manifestar a sua voz - independente de terem algo importante a dizer. Consequentemente ficamos fissurados em buscar, compartilhar e opinar sobre tudo o que nos cerca. É por isso que postamos em blogs e redes sociais as nossas conversas privadas e as nossas ações, antes mesmo delas acontecerem de fato.

Não podemos impedir. É um processo sem volta que está causando uma série de transformações na leitura/produção de literatura. Somente com o tempo vamos saber analisar se essas mudanças são boas ou ruins e para onde elas estão nos levando. Nesse momento, precisamos aprender a conviver com elas. Tem gente acompanhando de perto e discutindo tudo isso em congressos, encontros, simpósios, palestras, livros e também na internet.

Até aproveito para comentar a falta de debates destinados ao assunto "literatura e internet" nesses congressos de cultura digital. Se não me engano, só na última edição da Campus Party aconteceu uma mesa, meio tímida, dedicada ao tema.

Acho interessante um post do escritor Michel Laub que aborda, ainda que de forma breve, a interação entre a literatura e a internet - Três (possíveis) motivos para a internet mudar a literatura. Pode ser que algumas direções estejam apontadas ali.

***

Maior / Menor

A bronca do Álcir Pécora também tem razão de ser. Todo mundo (leitores, escritores, editores, críticos e livreiros) está esperando por um escritor que seja o novo Guimarães Rosa ou a nova Clarice Lispector. Alguém que ponha a literatura em risco e mostre o inesperado. É saudável para a nossa literatura que esse nível de exigência exista e tenha o seu lugar garantido. É isso que permite elevar a qualidade da nossa produção literária. No entanto, não podemos desprezar o lugar da experimentação, nem negar a possibilidade de erro de um escritor em formação, nem impedir que os defeitos da nossa literatura apareçam.

Reconhecemos o lugar periférico da literatura brasileira no mundo. Portanto, exigir dos nossos escritores que sejam excelentes e que apresentem soluções originais o tempo todo, acaba gerando uma espécie de esterilização da criação - ao menos essa é a impressão que isso me causa. Parece que a crítica quer matar aquilo que precisa existir a fim de proporcionar o aparecimento do novo Guimarães Rosa ou da nova Clarice Lispector. O que leva tempo.

No entanto, o fato de garantir a existência de uma literatura "menor" (mediana ou ruim) não quer dizer que o novo, o instigante e o arriscado vá surgir dali. Dizendo de outra maneira, a existência de literaturas "menores" garante saúde ao mercado editorial e pode servir de trampolim para o aparecimento de algo "maior".

A ideia não é minha, achei num texto bem interessante do escritor Antonio Xerxenesky - Pelo luxo de uma literatura do tipo “menor”. Além de muito argumentos certeiros, há um comentário de Roberto Bolaño que ilumina a nossa falta de espaço para a literatura "mediana":

“Escritores que cultivaram o gênero fantástico, no sentido mais restrito do termo, temos muito pouco, para não dizer nenhum, entre outras coisas porque o subdesenvolvimento não permite a literatura de gênero. O subdesenvolvimento só permite a obra maior. A obra menor é, na paisagem monótona ou apocalíptica, um luxo inalcançável. Claro, isso não significa que nossa literatura esteja repleta de obras maiores, muito pelo contrário, mas sim que o impulso inicial só permite essas expectativas, que logo a mesma realidade que as propiciou se encarrega de frustrar de diferentes modos.”
Embora a fala de Bolaño seja dirigida a literatura de gênero, ela pode também ser estendida para a literatura (me refiro, especificamente, a prosa de ficção) como um todo.

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O assunto é longo e enfadonho. Vou encerrar por aqui, mas continuo amanhã. Pretendo falar sobre cegueira voluntária em relação ao passado, crítica e irrelevância da ficção.

*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

NOTAS #24



Futuro lançamento
Quarto, de Emma Donoghue chegará em breve as livrarias brasileiras. O livro será lançado pela editora Verus com tradução de Vera Ribeiro. No ano passado o romance esteve em quase todas as listas de melhores de 2010 e chegou a ser finalista do Man Booker Prize. O romance conta uma história estranha e bastante original: um menino de 5 anos vive num quarto com sua mãe desde que nasceu. Donoghue já confessou em entrevistas algumas de suas influências: Michael Cunningham, Dave Eggers, David Foster Wallace, Alice Munro, Philip Pullman e Jane Austen. Acima a capa da edição brasileira.

ABC da literatura
O caderno Babelia do jornal espanhol El país publicou um abecedário dos últimos 70 anos de literatura na Espanha. O texto faz uma espécie de brincadeira com a publicação do sétimo volume do projeto História da literatura espanhola, organizado por Jordi Gracia e Domingo Ródenas. O volume tem como subtítulo "Perda e recuperação da modernidade: 1939-2010". No abecedário verbetes como boom, censura, exílio, gerações, Juan Ramón Jiménez e vanguarda ajudam o leitor a compreender um pouco da história recente da literatura daquele país. O texto está disponível em http://tinyurl.com/6f6cahq

Segredos revelados
O jornal inglês Guardian colocou alguns escritores bastante conhecidos na parede e perguntou: o que faz um escritor? De onde vem as ideias? Você tem uma rotina? Como você começa a escrever um romance? Lápis ou computador? Dor ou prazer? Assim escritores como Ian McEwan, Hilary Mantel, Howard Jacobson, PD James, entre outros, revelaram o segredo de seu ofício. O artigo completo está disponível em http://tinyurl.com/5uy86uc

Lusofonia

De maio a dezembro, o Centro Nacional de Cultura em Portugal retoma o ciclo de palestras Balanço literário da década no mundo lusófono. As mesas tratam de temas como o romance brasileiro, a literatura na África lusófona, o acordo ortográfico, o mundo editorial e questões de tradução. O evento é organizado em parceria com a PNETLiteratura. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/3ghan32

Bolañomania
O podcast de ficção da revista New Yorker de março teve uma história de Roberto Bolaño. O escritor peruano, Daniel Alarcón leu o conto Gómez Palacio - publicado pela revista New Yorker em agosto de 2005, mas consta originalmente no livro Putas assassinas. Antes e depois de ler a história, Alarcón fala sobre seu contato com o obra de Bolaño e comenta as impressões que o conto lhe causa. A leitura de Alarcón está disponível em http://tinyurl.com/3d295ll e o conto em inglês está disponível em http://tinyurl.com/28drxx



Jovem escritora
A editora Nova Fronteira lançou o primeiro livro de contos da escritora Yiyun Li, Tempo de boas preces. São dez histórias que revelam o assustador destino de milhões de chineses. O livro vem de uma boa trajetória, recebeu o PEN/Hemingway Award (ganhou também outras prêmios) e teve duas histórias adaptadas para o cinema. Não foi à toa que Yiyun Li entrou para a lista dos 20 escritores com menos de 40 anos da revista New Yorker.

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Da mesma autora, a Nova Fronteira publicou o romance Os excluídos, que ganhou uma capa diferente em sua segunda edição (foto acima). Para saber mais sobre Yiyun Li recomendo reportagem e entrevista concedia à Raquel Cozer - disponível em http://tinyurl.com/3lbypgt

*imagem: reprodução.
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quinta-feira, 24 de março de 2011

LORIN STEIN É UM FANFARRÃO?

Desde que assumiu o comando da Paris Review no ano passado, Lorin Stein está recuperando o glamour que andava um pouco sumido da revista. Dizer uma coisa dessas da maior revista de literatura do mundo (e uma das mais prestigiadas também) pode parecer uma heresia. Porém, basta ver o frisson que Stein tem causado em torno da revista a cada movimentação que ele faz. Todo mundo está com os olhos voltados para a revista a fim de saber qual será a próxima surpresa que ela vai trazer.

A surpresa fundamental, na minha opinião, é a ligação com a internet. O site da revista foi totalmente reformulado, ficou com um estilo bem atraente e ganhou blog, tumblr e twitter - será que tem facebook também? Além disso, alguns textos do extenso arquivo foram abertos na íntegra para consulta dos leitores. No mês passado a revista anunciou que vai publicar em partes o romance póstumo de Roberto Bolaño.

Posso estar enganado, mas a gente quase nunca ouvia falar de mudanças que chamassem tanto atenção enquanto Philip Gourevitch era editor - ele ocupou o cargo de 2005 até o começo do ano passado. Dizem os críticos que Gourevitch enfatizava demais os textos de não-ficção e publicava muita fotografia - atitudes que desagradavam os leitores mais antigos da revista e interessados em literatura.

Lorin Stein tem apenas 37 anos. Ele é visto por muitos como uma espécie de reencarnação de George Plimpton - o lendário fundador e editor da Paris Review. Stein carrega a experiência de ter trabalhado numa das editoras mais influentes de Nova York: a Farrar, Straus and Giroux. Foi ocupando o cargo de editor que ele entrou em contato com figuras importantes do meio literário e acabou se tornando uma pessoa querida entre escritores, editores e agentes. Evidentemente, ele não vive apenas de prestígio e provou que tem talento de sobra para poder ocupar essas posições.

Stein também sabe aliar, como poucos, suas tarefas de editor a sua imagem social. Ele tem um estilo muito peculiar, participa de festas, comparece a eventos, concede entrevistas e vive cercado de gente jovem com quem certamente pretende trabalhar algum dia. O gesto acaba funcionando para o bem e para o mal: recupera o charme da revista e faz as pessoas pensarem que a vida de editor é uma diversão. Quem trabalha em editoras sabe que nada disso acontece. Há muito mais trabalho pesado do que badalação.

Quem quiser saber mais sobre essa figura pode ler o perfil publicado pelo New York Times.

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Como falo muito na Paris Review quero recomendar a reedição (com novo projeto gráfico) do Volume 1 - As entrevistas da Paris Review. Acabou de sair pela Companhia das Letras. Tem entrevistas imperdíveis de William Faulkner, Ernest Hemingway, Louis-Ferdinand Céline, Jorge Luís Borges, Ian McEwan, Paul Auster e Javier Marías, para citar alguns. O blog EM ALFA, do Ronaldo Bressane publicou alguns trechos sensacionais que servem como aperitivo.

*imagem: reprodução.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

UM ANO INTEIRO COM BOLAÑO


Os norte-americanos terão de esperar pelo menos um ano para ler por completo O terceiro Reich, romance perdido de Roberto Bolaño - o escritor mais celebrado no momento nos Estados Unidos. O motivo de tanta espera tem uma justificativa interessante: a aclamada revista The Paris Review vai publicar o romance em quatro partes ao longo de um ano. A manobra faz parte dos planos de Lorin Stein para renovar o espírito da revista. Desde que Stein assumiu a Paris Review, ele já promoveu diversas mudanças e sua experiência como editor da FSG (Farrar, Straus and Giroux) tem contado muito.

Faz mais ou menos 40 anos que a Paris Review não publicava um romance em série, como desse tipo. Isso me fez pensar em certa nostalgia dos folhetins do século XIX, mas entendo que não deixa de ser uma tacada certeira para manter os leitores ligados na revista. Para tornar essa primeira edição com o romance de Bolaño mais caprichada, cada parte será ilustrada com desenhos de Leanne Shapton. O romance deverá ganhar uma edição em livro depois que tiver sido publicado integralmente pela revista.

Nós já estamos lendo O terceiro Reich faz tempo - o romance foi publicado na íntegra em janeiro desse ano pela Companhia das Letras. Para sentir um pouco o estilo de Bolaño, reproduzo abaixo um trecho do começo do romance com tradução de Eduardo Brandão:

Pela janela entra o rumor do mar mesclado com os risos dos últimos noctâmbulos, um ruído que talvez seja o dos garçons recolhendo as mesas do terraço, de vez em quando um carro que circula com lentidão pelo Passeio Marítimo e zumbidos apagados e inidentificáveis que proveem dos outros quartos do hotel. Ingeborg dorme; seu rosto parece o de um anjo cujo sono nada perturba; na mesinha de cabeceira há um copo de leite que ela não provou e que agora deve estar morno, e junto do seu travesseiro, meio coberto pelo lençol, um livro do detetive Florian Linden do qual leu apenas um par de páginas antes de adormecer. Comigo acontece exatamente o contrário: o calor e o cansaço tiram meu sono. Geralmente durmo bem, entre sete e oito horas por dia, embora muito raras vezes me deite cansado. Pelas manhãs acordo fresco como uma alface e com uma energia que não decai ao cabo de oito ou dez horas de atividade. Que me lembre, foi sempre assim; faz parte da minha natureza. Ninguém me inculcou isso, simplesmente sou assim e com isso não quero dizer que seja melhor ou pior que os outros; a própria Ingeborg, por exemplo, sábado e domingo não se levanta antes do meio-dia, e durante a semana só uma segunda xícara de café e um cigarro conseguem acordá-la totalmente e empurrá-la para o trabalho. Esta noite, porém, o cansaço e o calor tiram meu sono. Também a vontade de escrever, de registrar os acontecimentos do dia, me impede de ir para a cama e apagar a luz.
Tem mais um pouco do primeiro capítulo aqui.

*imagem e texto: reprodução.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

BOLAÑOMANIA - OUTRO ROMANCE PÓSTUMO

Para alegria de muitos e desespero de alguns poucos a Bolañomania não deve acabar tão cedo. A editora espanhola Anagrama está publicando um romance que o escritor chileno deixou inacabado, Los sinsabores del verdadero polícia. Segundo dizem, o enredo é povoado de todos os temas favoritos de Bolaño e tem aquela estrutura labiríntica capaz de deixar os leitores com uma pulga atrás da orelha. Também reaparecem personagens presentes em outros livros como A estrela distante, Os detetives selvagens e 2666.

Bolaño vinha trabalhando em Los sinsabores del verdadero polícia desde os anos 80 e considerava que esse seria um de seus melhores livros. Em entrevista a agência EFE disse que o litro teria oitocentas mil páginas - certamente uma brincadeira. A edição da Anagrama tem apenas 328 páginas, com direito a prefácio.

Los sinsabores... será o quarto livro póstumo de Bolaño. Antes dele, a Anagrama já publicou 2666, O terceiro Reich e um volume de poesias chamado La universidad desconocida. Vale lembrar que 2666 foi considerado um dos melhores romances lançados no Brasil no ano passado por muitos jornais, revistas e blogs. O terceiro Reich será lançado no Brasil ainda esse mês pela Companhia das Letras.

Nos Estados Unidos acabou deve sair ainda esse ano Between parentheses (Entre paréntesis) uma coletânea de textos teóricos do escritor classificada como interessantíssima. Existem rumores de que Bolaño deixou um outro romance incompleto, Diorama. Ainda não existe previsão para publicação desse livro pela Anagrama.

O caso me faz lembrar um artigo li no jornal outro dia e que não me lembro exatamente onde saiu. O autor do texto levantava uma questão interessante: até que ponto vale a pena publicar obras inacabadas de autores que já morreram? Será que não seria melhor conhecer apenas aquilo que o escritor quis publicar? A publicação de obras inacabadas, rascunhos e procedimentos de trabalho não seriam uma maneira dos herdeiros explorarem economicamente o nome dos falecidos?

O que pensar?

*imagem: reprodução Anagrama.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O ROMANCE NA PRIMEIRA DÉCADA

Na última semana de 2010, pouco antes de encerrarmos a primeira década dos anos 2000, o Estadão, por meio do Caderno 2, preparou uma série de reportagens que serviram como um balanço das artes nos últimos dez anos. Achei o trabalho bastante primoroso e queria ter comentado por aqui bem antes do ano terminar, mas infelizmente não foi possível. Por isso, faço agora.

Na parte dedicada a literatura, especialmente a prosa de ficção, Antonio Gonçalves Filho destaca os atentados do 11 de Setembro de 2001 como o ponto de partida inicial para a transformação do romance como o conhecemos - "Abc do terror" e "Coetzee brilha no ano da autoficção". Ao invés de decretar sua morte, o jornalista diz que o romance abraçou o tema da culpa e do terror político por meio da experiência pessoal dos indivíduos:


"A politização da literatura e o revisionismo histórico marcaram definitivamente a primeira década do século, assim como a incorporação da experiência pessoal num romance de natureza autobiográfica disfarçada - a que se deu o nome de bioficção, ou autoficção, com o preferem outros".
A partir dessas afirmações surgem os escritores importantes que justificam essas três tendências que o romance contemporâneo vem seguindo: terror, culpa e autoficção/bioficção. Homem em queda, de Don Delillo seria o livro que inaugura o caminho do terror. O romance fala sobre uma personagem que sobreviveu ao ataque das Torres Gêmeas, mas não consegue retornar a vida como ela era antes do incidente. A tendência segue caminho com A estrada, de Cormac McCarthy - igualmente apocalíptico e desesperançoso.

A questão da culpa e da autoficção/bioficção aparecem em As benevolentes, de Jonathan Littel - segundo Antonio Gonçalves é o melhor romance da década; Reparação, de Ian McEwan - também apontado igualmente por muitos críticos como o romance da década -; dois livros de J. M. Coetzee - Diário de um ano ruim e Verão; e Neve de Orhan Pamuk.

Eu acrescentaria a lista de culpa e autoficção/bioficção os livros do alemão W. G. Sebald - são uma experiência única e diferentes de tudo o que a gente pode imaginar -, do espanhol Javier Marías - tão grandioso quanto Sebald, aliás, uma de suas influências -, dos argentinos Ricardo Piglia e César Aira - fazem uma brincadeira entre a história de verdade e a ficção - e o chileno Roberto Bolaño - que também faz ficção usando um pouco da história latina.

O interessante da reportagem é apontar com consistência um caminho que está passando bem diante dos nossos olhos. Tem a ver com aquilo que falei num outro post de querer pegar o novo e puxá-lo pelo rabo. Certamente o romance está trilhando diversos caminhos, mas esse parece ser um dos mais instigantes no momento.

*imagem: reprodução do Estadão.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A ALEGRIA DAS LISTAS


Semanas atrás o New York Times publicou um ensaio falando sobre a alegria das listas. O texto faz uma brincadeira criando uma lista de poetas e escritores que interrompem a nossa leitura para nos obrigar a ler listas, catálogos, enumerações, e tudo o mais. Tem autores de todos vários momentos da história da literatura: os clássicos e os modernos. Lembra a ideia por trás do livro A vertigem das listas, de Umberto Eco.

O assunto ganha corpo, sobretudo nessa época, perto do fim do ano. Há listas por todos os lados: o melhor romance, o melhor conto, o melhor autor, a melhor capa e assim por diante. Entra ano e saí ano, coisa tome proporções enormes. Mas a verdade é que nós adoramos listas. A lista exerce um imenso poder de sedução porque ela define aquilo que não conseguimos compreender, citando Umberto Eco novamente. Também não deixo de pensar que uma lista pode servir como um filtro para aquelas pessoas que estiveram ocupadas o ano inteiro com outros assuntos e precisam de um lugar que concentre essa informação - gesto que combina muito com o nosso tempo. Além disso, as listas são instrutivas, divertidas, multiformes, perigosas, confusas e às vezes definitivas.

Para se ter uma ideia, praticamente todos os jornais e revistas americanas já definiram os livros do ano. Nem preciso dizer que Freedom, de Jonathan Franzen esteve em todas essas listas. O romance The imperfectionists, de Tom Rachman também foi bastante citado.

Por aqui, o assunto também já está circulando com força. A eleição do melhor do ano organizada pelo Todoprosa, de Sérgio Rodrigues terminou na sexta-feira. Ganhou O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca, na categoria nacional, e 2666, de Roberto Bolaño, na categoria estrangeira.

Também na sexta-feira, o jornal O Globo começou uma votação pela internet para escolher os seus melhores de 2010. A categoria “melhor livro" mistura ficção e não ficção. Tem Roberto Bolaño, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Ian McEwan e outros. Os internautas podem votar aqui.

Com um projeto mais ambicioso, o programa Espaço Aberto da Globonews quer eleger os melhores livros da primeira década do novo milênio. Um júri composto por André Seffrin, Claufe Rodrigues, Edney Silvestre, Flávio Carneiro, Heloisa Buarque de Hollanda, Humberto Werneck, Livia Garcia-Roza, Lúcia Riff, Luciana Savaget e Ricardo Costa escolheu livros de prosa e poesia. Os escolhidos serão anunciados no último programa do ano, dia 31/12. Internautas também podem ajudar votando aqui.

Só que nem tudo é festa, a coluna de Daniel Piza no Estadão disse o seguinte sobre os melhores livros do ano: "É isso aí: poucas e boas reedições, releituras e, para quebrar a modorra, ensaios científicos. Mas é melhor viver disso do que de falsas novidades e velhas picaretagens".

*imagem: reprodução Google.

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Atualização: A revista Bravo! também montou uma lista com os melhores livros nacionais da década e liberou os cinco primeiros colocados no site. Quem quiser acompanhar as listas internacionais pode ficar de olho aqui.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SERROTE NAS LIVRARIAS


Calma, caro leitor. Não se trata de uma dose tripla da revista Serrote, mas bem que poderia. É que a sexta edição está tão boa que precisou de três capas diferentes - todas assinadas por Felipe Cohen.

Só para você ter uma ideia: tem um artigo do escritor Alberto Manguel; tem Roberto Bolaño escrevendo sobre As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain; tem um ensaio impressionante de Henri Focillon - “Elogio da mão”; tem Armando Freitas Filho escrevendo sobre a expressão mais usada por João Cabral de Melo Neto - “Compreende?”; tem David Foster Wallace no Alfabeto; tem Maurice Blanchot falando sobre a morte; tem Rodolfo Walsh na seção "Carta aberta" e tem muitas outras coisas.

A melhor notícia é que a Serrote é quadrimestral. Assim, dá tempo de ler tudo até sair o próximo número.

*imagem: reprodução.
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sábado, 20 de novembro de 2010

NOTAS #9


Ilustre Quixote
O pintor Jean de Bosschère fez desenhos impressionantes para uma edição do livro Dom Quixote de La Mancha datada de 1922. Nas mãos de Bosschère o cavaleiro de Cervantes ganhe uma aura espiritualista e obscura, bem ao do estilo do pintor. Quixote também foi ilustrado por outros pintores como Gustave Doré, Albert Dubout e Salvador Dali. Os desenhos de Bosschère estão disponíveis em http://tinyurl.com/2facvad

Mano Kerouac
Num período paranóico Jack Kerouac iria trazer a prosa espontânea das ruas dos Estados Unidos para dentro de seu mítico romance On the road. Cinquenta e três anos mais tarde Mike Lacher, escritor e designer, decidiu que a linguagem do romance precisava de uma atualização. Por isso, ele criou o tumblr On the bro'd. A ideia é simples: reescrever cada sentença de On the road na linguagem dos brothers. O resultado pode ser conferido em http://onthebrod.tumblr.com/

Pinguim danado
A editora Penguin está lançando uma caixa contendo 100 postcards diferentes com algumas de suas capas clássicas. A coleção é parte das comemorações dos seus 75 anos da editora. Tem desde as primeiras capas com duas faixas laranjas até edições mais modernas. Nem é preciso lembrar que o designer das capas da Penguin fizeram história e causam inveja no mundo todo. Como dizem, a Penguin sabe renovar um clássico.

Livros do ano
Sérgio Rodrigues do blog Todoprosa está organizando uma votação dos livros do ano lançados no Brasil. No total a lista dos concorrentes contará com dez autores brasileiros e dez autores estrangeiros. Os internautas e leitores podem indicar livros de sua preferência, sempre justificando a escolha com bons argumentos. Sérgio já deu pistas de que 2666, de Roberto Bolaño estará na lista. A votação começa em dezembro.

Manuscritos ameaçados
O Victoria and Albert Museum em Londres está em busca de doações para salvar os manuscritos de três romances de Charles Dickens. Entre as raridades estão David Copperfield e Um conto de duas cidades. Os manuscritos tem mais de 150 anos e estão bastante desgastados. Segundo o museu, a última restauração desses manuscritos foi feita nos anos 60.

A notícia Franzen da semana
Jonathan Franzen leu um trecho de seu badalado romance Freedom no 92nd Street Y, em Nova York. Ele subiu ao palco carregando uma valise, parecia um pouco tímido no começo e leu com rapidez os primeiros parágrafos. Depois ele foi acalmando e deu mais espaço para risada do público nos trechos irônicos. Ele dividiu a noite com a escritora Lorrie Moore, ambos responderam a perguntas enviadas pelo público logo após a leitura. Mais solto, Franzen fez graça e divertiu a platéia. Um trecho da leitura está disponível em http://tinyurl.com/234op6t

*imagem: reprodução do livro Dom Quixote.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

NOTAS #6


Finnegans wake ilustrado
Depois de O arco-íris da gravidade e Moby Dick, agora é a vez de Finngans wake, de James Joyce ganhar uma versão ilustrada. O autor da tarefa é Stephen Crowe, um designer gráfico que vive na França e diz ter uma relação de amor e ódio com James Joyce. Seguindo o estilo "um desenho por página", Stephen não sabe quanto tempo vai levar para completar as 668 páginas - dependendo da edição. Ele espera ao menos despertar o interesse de novos leitores pela obra. Escrito em 1939, Finnegans wake é um dos livros mais radicais da história da literatura. James Joyce escreveu um livro em que todas as palavras se fundem e se transformam criando significados múltiplos. As ilustrações estão em http://wakeinprogress.blogspot.com/

Documentário
Um documentário sobre a vida do escritor Roberto Bolaño exibido pela RTVE da Espanha está na internet na versão integral. Com o título de Roberto Bolaño: El último maldito, o documentário relata os últimos anos de vida de Bolaño na Espanha e mostra também a diferença entre a vida que ele teve e a vida dos famosos escritores latino-americanos dos anos 60 e 70. O vídeo está em http://tinyurl.com/28dzv7a

Concursos
O blog Todoprosa lançou um consurso: usar o twitter para criar microcontos com "alguma densidade literária". Qualquer pessoa pode participar desde que o microconto seja inédito. O primeiro colocado vai ganhar um livro autografado do Sérgio Rodrigues. O prazo final para enviar os textos é sexta-feira, dia 29/10. As regras completas estão em http://tinyurl.com/32k8s7l

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A editora Shakespeare and Company também lançou um concurso chamado The Paris Literary Prize. O concurso vai premiar uma novela inédita escrita por um autor que nunca tenha publicado um livro. O prêmio será no valor de 10,000€ e um final de semana em Paris, na França. As inscrições podem ser feitas até dia 1 de Dezembro, 2011. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/28wt4rv

Torre de Babel
Mais um grupo editorial português vai chegar ao mercado brasileiro. O grupo editorial Babel anunciou essa semana que deve abrir uma editora no país para publicar livros da cultura portuguesa. Os planos saem do papel até o final desse ano. Em Portugal, a Babel cuida de nove selos diferentes apesar de não ser um grande grupo: Arcádia, Athena, Ática, Centauro, Pi, Guimarães, K4, Ulisseia e Verbo. Para quem não se lembra, no final do ano passado a maior empresa editorial portuguesa, o grupo Leya, chegou ao Brasil cheio de planos.

Web Biblioteca
O centro cultural Casa Fernando Pessoa está disponibilizando na internet a biblioteca particular do poeta Fernando Pessoa. Os leitores poderão pesquisar cerca de 1142 volumes a qualquer momento sem nenhuma despesa. Além de obras raras e manuscritos, a equipe do acervo digital também preservou as anotações nos livros que foram feitas pelo próprio poeta. O acervo pode ser consultado em http://tinyurl.com/2blm6tu

Notícia Jonathan Franzen da semana
O aclamado escritor Jonathan Franzen visitou a Casa Branca na manhã da última segunda-feira. Sobre o encontro com Barack Obama, seu fã declarado, Franzen disse apenas a seguinte palavra "agradável".

*imagem: reprodução do site wakeinprogress.blogspot.com

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domingo, 26 de setembro de 2010

LIVROS QUE AJUDAM CLÁSSICOS DA MÚSICA

Depois de ver esse post relacionando O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon com o disco Amnesiac do Radiohead e Os detetives selvagens, de Roberto Bolaño com o disco In Casino Out da banda At the Drive-In fiquei com vontade de fazer algo parecido. Mas procurando ideias na internet encontrei na Raquel Cozer um blog com tudo pronto - Classics Rock!

O blog já existe desde 2008. Tem uma lista enorme de livros e autores que serviram de inspiração para bandas e músicos comporem suas canções. Numa pesquisa rápido encontrei 1984, de George Orwell com Diamond Dogs do David Bowie; Lolita, de Vladimir Nabokov com Police; O senhor dos anéis, de JRR Tolkien com II do Led Zeppelin; etc. Impressiona também a quantidade de bandas que se inspirou em O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger e Ulisses, de James Joyce.

Será que tem um desses com livros brasileiros, né?

*Imagem: reprodução do google images.

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sábado, 25 de setembro de 2010

JAVIER MARIAS E OS ROMANCES LONGOS

A Companhia das Letras está lançando o terceiro e último volume do romance Seu rosto amanhã - veneno, sombra e adeus, de Javier Marias, um escritor espanhol da maior importância. W.G. Sebald, J.M. Coetzee, Roberto Bolaño, Salman Rushdie e Ricardo Piglia estão entre os seus maiores admiradores. Porém, como bem aponta a resenha de Jonas Lopes para a Bravo!, Marias é um sucesso mundial pouco lido e pouco comentado no Brasil.

Aproveito para fazer um "mea culpa": tomei conhecimento dele dois anos atrás por meio de resenhas, mas até hoje ainda não li nenhum de seus livros. Juro que Coração tão branco esta na minha fila de próximas leituras.

Javier Marias já foi traduzido para muitos idiomas e ganhou inúmeros prêmios. É tido como um dos mais importantes escritores vivos da literatura espanhola. Seu sucesso vem da grande qualidade narrativa de seus livros.

Reproduzo aqui um trecho da resenha de Jonas Lopes sobre o método narrativo do escritor. O método é constituído de inúmeras digressões, frases muito longas, contração/expansão do tempo e parece a peça fundamental para entender a sedução que o romance exerce sobre nós, os leitores: "A magia de ler Marías (...) está na capacidade de promover digressões, no turbilhão inescapável de idéias. (...) Até onde contar - falar, relatar, narrar, sobretudo confiar - pode ser arriscado? Ao contarmos o que quer que seja, arriscamo-nos à traição. Perdemos o controle sobre nossas vidas, de certo modo, abandonando na mão de outro - um amigo, um amor, o leitor do livro - uma responsabilidade essencial".

De maneira bem resumida, Seu rosto amanhã conta a história de um ex-professor de Oxford que tem o dom de prever o que vai acontecer com uma pessoa observando o rosto dela. Ele acaba sendo recrutado por grupos de espiões para descobrir traídores em potencial. Ao longo dos três volumes essa história vai se modificando um pouco.

Gostei de saber uma história bastante curiosa sobre esse livro. O romance foi dividido em três volumes porque o autor não gosta de livros muito longos - reunindo os três volumes o romance fica com aproximadamente 1400 páginas. É um enorme catatau, sem dúvida.

Mas aqui cabe uma digressão da minha parte: pelo que ando lendo em diversos lugares (veja aqui), os romances mais longos estão de fato na moda. Quer exemplos? Para citar os nossos contemporâneos: As correções, do aclamado Jonathan Franzen tem 584 páginas e parece que Freedom não fica atrás; Do Roberto Bolaño, 2666 tem 856 páginas e Os detetives selvagens tem 624 páginas; Do Thomas Pynchon, Mason & Dixon tem 846 páginas e O arco-íris da gravidade tem 786 páginas; Submundo, de Don Dellilo tem 736 páginas. Apenas por curiosidade, alguns antigos e outros nem tanto: Ulisses, de James Joyce tem 912 páginas; Moby Dick, de Herman Melville tem 656 páginas; Grandes esperanças, de Charles Dickes tem 536 páginas; Anna Karienina, de Tolstói tem 816 páginas. Isso porque nem mencinei Dostoievski, Günter Grass, Haruki Murakami, Thomas Mann e Marcel Proust - Em busca do tempo perdido tem 7 volumes.

Tudo isso parece um contracenso se pensarmos que estamos em plena era do twitter e seus famigerados 140 caracteres. A tendência ainda nega a tão falada superficialidade de informações no mundo contemporâneo. Não é qualquer escritor que tem fôlego para manter romances tão longos e dentre os citados, todos fazem parte de um cânone moderno/pós-moderno. Também não se engane pensando que você nunca vai encontrar gente de gerações mais novas com um desses longos romances nas mãos. Muitos desses escritores são bastante comentados na internet.

O capricho, vou chamar assim, de Javier Marias se explica pelo seu gosto por livros não tão longos. Porém, os editores já podem avisar Marias que ele não deve ter nada mais a temer.

*imagem: divulgação.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

#CLUBE2666: LENDO ROBERTO BOLAÑO NO TWITTER

No twitter está acontecendo uma espécie de leitura coletiva do livro 2666, de Roberto Bolaño. A iniciativa é surpreendente por dois motivos: primeiro pelo grande interesse nessa obra tão comentada do autor chileno; e segundo pela mobilização das pessoas em organizar a leitura no twitter. Sinceramente, não me lembro de ter ouvido mobilização parecida no Brasil em se tratando de literratura.

Os comentários são interessantes e instigam a gente a participar e compartilhar. O único problema é que por ser espontâneo não é possível acompanhar os comentários por capítulos ou tópicos. Os participantes vão escrevendo a medida que vão lendo. Detalhe: a edição brasileira do livro tem quase 900 páginas, dividida em cinco partes.

Não consegui descobrir quem começou, mas parece que surgiu de uma vontade dos leitores em improvisar esse "clube do livro". Tomara que a inicitiva renda frutos e que seja o começo de uma comunidade de leitores na internet.

Se você se interessou e quer acompanhar, basta procurar pelo hashtag #clube2666 no twitter.

Imagem: divulgação

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