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terça-feira, 29 de abril de 2014

POLA OLOIXARAC ADERE AO #NAOVAITERCOPA


O título desse texto soa como uma manchete do The piauí Herald, mas não, eu explico. Duas semanas atrás, a escritora argentina Pola Oloixarac esteve no Brasil para participar do seminário "Brasil, América Latina e África: novas realidades, novos escritores" na II Bienal do Livro e da Leitura, em Brasília. 

Sua passagem foi mais tranquila e não teve tanta repercussão quanto na FLIP, em 2011. Para quem não lembra, naquela edição, Pola era muito esperada pela plateia (por várias razões: ela é uma das revelações da literatura argentina recente; seu romance As teorias selvagens é bastante engenhoso e cheio de humor; foi eleita musa da edição etc.), mas acabou "ofuscada" pelo escritor português Valter Hugo Mãe que tomou de assalto o posto de "muso".

Voltando a 2014, Pola ouviu durante a Bienal a insatisfação de muitos brasileiros na figura do escritor João Paulo Cuenca (seu companheiro de mesa no seminário), saiu dali com muitas ideias na cabeça e escreveu um artigo de opinião sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil que foi publicado no suplemento do New York Times - no International Weekly e traduzido no encarte da Folha de SP. Nele, ela arrola direitinho todos os argumentos do movimento #NaoVaiTerCopa adotando um tom bem menos inflamado do que o dinamarquês Mikkel Keldorf Jensen. Ela cita os protestos contra a corrupção, a indignação dos brasileiros com o desperdício de dinheiro público, o caso do metrô de São Paulo, a "nova classe C" reivindicando saúde e educação, a eleição que o PT vai enfrentar em outubro, os 50 anos do Golpe Militar, o caso das UPPs, a Mídia Ninja, a forte repressão policial as liberdades individuais e a criminalização dos protestos (como também acontece na Argentina e Venezuela).

Curiosamente, o artigo parece depois de Pola declarar que seu próximo romance, ainda sem nome ou data prevista para publicação, terá algumas cidades brasileiras como cenário e trará uma raça superior de jogadores de futebol fruto do cruzamento sexual entre brasileiros e argentinos. Ironia ou não, resta saber se Pola vai mudar o enredo depois de encarar a Copa do Mundo e o País do Futebol com outros olhos.

No mais, só o tempo dirá se o fósforo que Pola riscou servira para incendiar o coro dos descontentes. Nessa altura do campeonato dificilmente alguma coisa não vai mudar o rumo da Copa, afinal, como disse o Demétrio Magnoli, "#VaiTerCopa - infelizmente".

*Foto: @LuizMotta/Reprodução Twitter


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terça-feira, 29 de outubro de 2013

DE VOLTA PARA O PASSADO


J.J. Abrams, diretor de Lost e Star Trek, escreveu um livro de ficção. Na verdade, o livro foi escrito 'a quatro mãos'. Quem escreveu mesmo - no sentido estrito do termo - foi Doug Dorst e, pelo que apurei, Abrams colaborou na elaboração do enredo usando toda sua experiência em narrativas cinematográficas. 

O livro chama S. e conta duas histórias cruzadas: a primeira está nas páginas do livro propriamente dito e chama Ship of Theseus escrita por um misterioso autor de nome V.M. Straka; a segunda acontece em anotações feitas nas margens desse livro por dois leitores chamados Jennifer e Eric. O relacionamento deles também extrapola os limites do livro e acontece por meio de cartas, recortes de jornal, fotografias, cartões postais, mapas e bússolas. Ufa! Como a explicação ficou um pouco confusa, recomendo que você assista esse trailer para compreender tudinho.

Em reportagem para o New York Times, Abrams disse que não publicou o livro com intenção de transformá-lo em filme. A ideia era fazer aquilo que só um livro pode fazer e celebrar todo o potencial de objeto físico. Por isso, S. tem um tratamento especial: vêm em capa dura num estojo selado por um adesivo que o leitor precisa rasgar, as páginas são amareladas (para dar aquele aspecto de livro antigo), as anotações dos leitores são todas feitas à mão em cores variadas e tem os complementos que falei antes (cartas, recortes de jornal, fotografias etc.). Os entusiastas daqueles livros transmídia devem estar lamentando - embora o livro tenha recebido um bom projeto de marketing na internet com o trailer e o mistério envolvendo sua divulgação.

Vai revolucionar a literatura? Certamente não. É um livro de mistério, aventura e ação que promete aos leitores (e fãs de J.J. Abrams) muitos momentos de entretenimento para juntar as peças do quebra cabeça para decifrar o enigma por trás das histórias.

A dupla de autores acerta em cheio ao criar um livro com todas essas características em plena era dos livros digitais. S. vai ganhar uma versão digital com material na internet, mas a experiência física só com o livro mesmo.

Também acho curioso o fato das duas histórias ocorrendo em paralelo e ao mesmo tempo. Cabe ao leitor, tal qual uma câmera cinematográfica, escolher o que focar em cada momento. Nisso entra a experiência de Abrams como escritor/diretor. Volto a dizer, não é a primeira vez que alguém faz isso na literatura (o que é novo hoje em dia, né?). A diferença, dessa vez, está na grife de um celebrado diretor de Hollywood que sabe a maneira correta de contar histórias para o seu público.

Tem tudo para entrar em todas as listas de 'mais vendidos'. As editoras brasileiras devem estar de olho (um comentário em forma de cochicho: considerando o peso da marca J.J. Abrams os direitos de publicação vão custar uma pequena fortuna), mas vai dar um pequeno trabalho traduzir o livro, criar as fontes, imprimir com essas características vintage e produzir o material extra.

Vamos acompanhar! 

*Imagem: reprodução.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

BRASIL, PAÍS RICO É PAÍS COM ESCRITORES



Um assunto que está dominando as rodas de conversa nessa manhã é a notícia sobre a futura versão online do New York Times em português. O grupo que comanda o jornal está de olho no "bom" momento econômico do país e na ascensão da nova classe média - segundo uma pesquisa do Ibope NetRatings, o Brasil é o 5º país mais conectado do mundo com 83,4 milhões de usuários na internet (nosso tempo médio de navegação e gastos com compras online só aumentam); tudo isso nos torna um atraente mercado consumidor. A expansão internacional da marca não é novidade já que o jornal também vai ganhar uma versão online em chinês.

Parece que um terço do conteúdo será produzido aqui mesmo - com jornalistas brasileiros -, o restante será traduzido do inglês. Puxando a sardinha para a nossa brasa, resta saber se o suplemento 'Sunday Book Review' vai ganhar tradução na íntegra ou separadamente. Afinal, não seria de todo mau ler as resenhas críticas em português.

***

Na semana passada, João Pombeiro, diretor da revista literária LER, esteve no Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro para comemorar os 25 anos da revista. Aproveitando a ocasião, João anunciou que a LER vai ganhar uma versão digital a partir de novembro. Facilitando bastante a vida dos leitores brasileiros na hora comprar exemplares.

A edição desse mês tem Rubem Fonseca na capa com perfil assinado por pelos jornalistas brasileiros Tiago Petrik, Malu Porto e João Gabriel Lima.

***

O inverso também é verdade. Durante a Feira de Frankfurt, a Fundação Biblioteca Nacional junto com outros patrocinadores lançou o primeiro número da revista Machado de Assis - Literatura Brasileira em tradução. É uma revista voltada para a divulgação da literatura brasileira no exterior. Trechos de livros e contos dos autores selecionados para a edição foram traduzidos para o inglês e espanhol. Entre eles estão Alberto Mussa, Andréa del Fuego, Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron, Luiz Ruffato, Paloma Vidal, Rubens Figueiredo e André de Leones. A revista é digital e conta com um blog que divulga notícias em inglês do nosso mercado literário.

Aliás, acompanhei pelos jornais as notícias da Feira. Pelo visto, editoras do mundo inteiro ficaram bastante entusiasmadas com a nossa literatura. Parece que nesse ano as rodadas de negociações foram bastante lucrativas para as editoras brasileiras. Segundo informações do Estadão, foram negociados algo em torno de "US$ 195 mil, entre venda de livro impressos e de direitos autorais de obras brasileiras".

Agora você imagine no ano que vem, quando seremos o país convidado de honra da Feira?

*Imagem: © Frankfurter Buchmesse / divulgação
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

LISTAS: BAD SEX FICTION E O MELHOR DE 2011 PELO NY TIMES

Comentei nas notas #32, no começo da semana, sobre o Bad Sex in Fiction Award organizado pela revista Literary Review. O Guardian adiantou alguns dos indicados ao prêmio desse ano. Pois bem, no dia seguinte saiu a lista completa. Além de Haruki Murakami e Stephen King, estão entre os finalistas:

On Canaan’s Side, de Sebastian Barry
The Final Testament of the Holy Bible, de James Frey
Parallel Stories, de Péter Nádas
Ed King, de David Guterson
The Land of Painted Caves, de Jean M Auel
The Affair, de Lee Child
Dead Europe, de Christos Tsiolkas
Outside the Ordinary World, de Dori Ostermiller
Everything Beautiful Began After, de Simon Van Booy
The Great Night, de Chris Adrian

Como falei, ganha o prêmio o autor que escrever a pior cena de sexo num romance lançado durante o ano. Tom Wolfe, Norman Mailer e Jonathan Littell são alguns autores que tem o troféu na estante de casa.

***

Outro assunto das notas #32 eram as listas de melhores livros de ficção de 2011. O New York Times acabou de publicar a sua. A lista completa está aqui, mas adianto alguns livros que certamente vão ser assunto para a gente no próximo ano.

The Angel Esmeralda: Nine Stories, de Don DeLillo
The art of Fielding, de Chad Harbach
Changó's Beads and Two-Tone Shoes, de William Kennedy
The Cat’s Table, de Michael Ondaatje
11.22.63, de Stephen King
The Free World, de David Bezmozgis
The Marriage Plot, de Jeffrey Eugenides
1Q84, de Haruki Murakami
Open City, de Teju Cole
The Pale King: An Unfinished Novel, de David Foster Wallace
Parallel Stories, de Peter Nadas
The Sense of an Ending, de Julian Barnes
Stone Arabia, de Dana Spiotta
Cenas da vida na aldeia, de Amós Oz (publicado pela Companhia das Letras em 2009)
A mulher do tigre, de Téa Obreht (publicado pela Leya em 2011)

Um balanço do melhor do ano na ficção nacional deve sair em breve.

*Imagem: reprodução Google.
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quinta-feira, 24 de março de 2011

LORIN STEIN É UM FANFARRÃO?

Desde que assumiu o comando da Paris Review no ano passado, Lorin Stein está recuperando o glamour que andava um pouco sumido da revista. Dizer uma coisa dessas da maior revista de literatura do mundo (e uma das mais prestigiadas também) pode parecer uma heresia. Porém, basta ver o frisson que Stein tem causado em torno da revista a cada movimentação que ele faz. Todo mundo está com os olhos voltados para a revista a fim de saber qual será a próxima surpresa que ela vai trazer.

A surpresa fundamental, na minha opinião, é a ligação com a internet. O site da revista foi totalmente reformulado, ficou com um estilo bem atraente e ganhou blog, tumblr e twitter - será que tem facebook também? Além disso, alguns textos do extenso arquivo foram abertos na íntegra para consulta dos leitores. No mês passado a revista anunciou que vai publicar em partes o romance póstumo de Roberto Bolaño.

Posso estar enganado, mas a gente quase nunca ouvia falar de mudanças que chamassem tanto atenção enquanto Philip Gourevitch era editor - ele ocupou o cargo de 2005 até o começo do ano passado. Dizem os críticos que Gourevitch enfatizava demais os textos de não-ficção e publicava muita fotografia - atitudes que desagradavam os leitores mais antigos da revista e interessados em literatura.

Lorin Stein tem apenas 37 anos. Ele é visto por muitos como uma espécie de reencarnação de George Plimpton - o lendário fundador e editor da Paris Review. Stein carrega a experiência de ter trabalhado numa das editoras mais influentes de Nova York: a Farrar, Straus and Giroux. Foi ocupando o cargo de editor que ele entrou em contato com figuras importantes do meio literário e acabou se tornando uma pessoa querida entre escritores, editores e agentes. Evidentemente, ele não vive apenas de prestígio e provou que tem talento de sobra para poder ocupar essas posições.

Stein também sabe aliar, como poucos, suas tarefas de editor a sua imagem social. Ele tem um estilo muito peculiar, participa de festas, comparece a eventos, concede entrevistas e vive cercado de gente jovem com quem certamente pretende trabalhar algum dia. O gesto acaba funcionando para o bem e para o mal: recupera o charme da revista e faz as pessoas pensarem que a vida de editor é uma diversão. Quem trabalha em editoras sabe que nada disso acontece. Há muito mais trabalho pesado do que badalação.

Quem quiser saber mais sobre essa figura pode ler o perfil publicado pelo New York Times.

***

Como falo muito na Paris Review quero recomendar a reedição (com novo projeto gráfico) do Volume 1 - As entrevistas da Paris Review. Acabou de sair pela Companhia das Letras. Tem entrevistas imperdíveis de William Faulkner, Ernest Hemingway, Louis-Ferdinand Céline, Jorge Luís Borges, Ian McEwan, Paul Auster e Javier Marías, para citar alguns. O blog EM ALFA, do Ronaldo Bressane publicou alguns trechos sensacionais que servem como aperitivo.

*imagem: reprodução.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

TOM SAWYER E HUCKLEBERRY FINN "CENSURADOS"


Por conta do centenário de morte do escritor Mark Twain, a editora norte-americana NewSouth Books vai lançar uma nova edição dos clássicos As aventuras de Tom Sawyer e As aventuras de Huckleberry Finn. O gesto que deveria ser comemorativo está envolto numa enorme polêmica porque a editora vai substituir as palavras "nigger" (negro) e "injun" (índio) que aparecem nos livros de Twain.

Em inglês as duas palavras são usadas de maneira racista e bastante ofensiva. Por isso, a editora, com base numa sugestão de um especialista em Mark Twain, pretende fazer essas modificações para evitar a repulsa de escolas que queiram adotar o livro. A medida repercutiu em diversos jornais norte-americanos e ingleses - também circularam notícias na Folha e no Prosa&Verso.

O caso não deixa de lembrar a mesma polêmica que aconteceu por aqui no ano passado envolvendo o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato. Por aqui a maior parte das manifestações foi contra a decisão de censurar Lobato, alegando que as escolas e os professores deveriam orientar os estudantes sobre os trechos da obra considerados racistas. Por fim, Caçadas de Pedrinho deve ser publicado com notas de rodapé comentando os trechos.

Nos Estados Unidos a discussão ainda vai render muitos debates calorosos, afinal Mark Twain é uma das maiores instituições literárias norte-americanas. Para se ter uma ideia, no ano passado o primeiro volume de sua autobiografia entrou quase que instantaneamente para a lista dos mais vendidos antes mesmo de ter sido publicado.

O New York Times tem uma reportagem comentando a censura a obra de Twain e dizendo que a maior parte das manifestações até o momento são contrárias a modificação (saiu uma tradução da reportagem na Ilustrada - disponível somente para assinantes).

Provavelmente 2011 será um ano em que vamos ouvir falar muito sobre Mark Twain.

*imagem: reprodução do Google.
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A ALEGRIA DAS LISTAS


Semanas atrás o New York Times publicou um ensaio falando sobre a alegria das listas. O texto faz uma brincadeira criando uma lista de poetas e escritores que interrompem a nossa leitura para nos obrigar a ler listas, catálogos, enumerações, e tudo o mais. Tem autores de todos vários momentos da história da literatura: os clássicos e os modernos. Lembra a ideia por trás do livro A vertigem das listas, de Umberto Eco.

O assunto ganha corpo, sobretudo nessa época, perto do fim do ano. Há listas por todos os lados: o melhor romance, o melhor conto, o melhor autor, a melhor capa e assim por diante. Entra ano e saí ano, coisa tome proporções enormes. Mas a verdade é que nós adoramos listas. A lista exerce um imenso poder de sedução porque ela define aquilo que não conseguimos compreender, citando Umberto Eco novamente. Também não deixo de pensar que uma lista pode servir como um filtro para aquelas pessoas que estiveram ocupadas o ano inteiro com outros assuntos e precisam de um lugar que concentre essa informação - gesto que combina muito com o nosso tempo. Além disso, as listas são instrutivas, divertidas, multiformes, perigosas, confusas e às vezes definitivas.

Para se ter uma ideia, praticamente todos os jornais e revistas americanas já definiram os livros do ano. Nem preciso dizer que Freedom, de Jonathan Franzen esteve em todas essas listas. O romance The imperfectionists, de Tom Rachman também foi bastante citado.

Por aqui, o assunto também já está circulando com força. A eleição do melhor do ano organizada pelo Todoprosa, de Sérgio Rodrigues terminou na sexta-feira. Ganhou O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca, na categoria nacional, e 2666, de Roberto Bolaño, na categoria estrangeira.

Também na sexta-feira, o jornal O Globo começou uma votação pela internet para escolher os seus melhores de 2010. A categoria “melhor livro" mistura ficção e não ficção. Tem Roberto Bolaño, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Ian McEwan e outros. Os internautas podem votar aqui.

Com um projeto mais ambicioso, o programa Espaço Aberto da Globonews quer eleger os melhores livros da primeira década do novo milênio. Um júri composto por André Seffrin, Claufe Rodrigues, Edney Silvestre, Flávio Carneiro, Heloisa Buarque de Hollanda, Humberto Werneck, Livia Garcia-Roza, Lúcia Riff, Luciana Savaget e Ricardo Costa escolheu livros de prosa e poesia. Os escolhidos serão anunciados no último programa do ano, dia 31/12. Internautas também podem ajudar votando aqui.

Só que nem tudo é festa, a coluna de Daniel Piza no Estadão disse o seguinte sobre os melhores livros do ano: "É isso aí: poucas e boas reedições, releituras e, para quebrar a modorra, ensaios científicos. Mas é melhor viver disso do que de falsas novidades e velhas picaretagens".

*imagem: reprodução Google.

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Atualização: A revista Bravo! também montou uma lista com os melhores livros nacionais da década e liberou os cinco primeiros colocados no site. Quem quiser acompanhar as listas internacionais pode ficar de olho aqui.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TUDO SOBRE MARIO VARGAS LLOSA

O ganhador do prêmio Nobel de Literatura foi o escritor peruano Mario Vargas Llosa. A Academia Sueca surpreendeu mais uma vez pois ninguém esperava que um escritor latino-americano pudesse ganhar o prêmio. A casa de apostas Ladbrokes também errou feio, os nomes mais cotados eram Ngugi wa Thiong'o, Cormac McCarthy e Haruki Marukami - nenhum ganhou. Se não me engano, o nome de Vargas Llosa nem aparecia na lista de apostadores. Ninguém esperava, nem mesmo o próprio escritor. Mais tarde, ele confessou em entrevista coletiva que não acreditou quando recebeu a notícia. Achou que se tratava de um trote por telefone.

De qualquer forma, a escolha da Academia foi certeira. Vargas Llosa é um escritor conhecido mundialmente, mesmo por aqueles que nunca leram os seus livros. Nós compartilhamos um pouco da felicidade do país premiado já que ganhou um latino-americano. Nos reconhecemos nele. Tem aquele ar de "estamos em casa".

A internet foi mais uma vez o melhor meio para acompanhar a cobertura dessa premiação. Depois do anúncio - transmitido ao vivo pelo site da organização do Prêmio Nobel - todos os blogs, revistas, jornais e outros sites já estavam replicando a informação e escrevendo comentários. O nome de Vargas Llosa chegou a ser o primeiro da lista dos trending topics do twitter mundial.

Se vocês esteve desconectado, não leu os jornais, não ligou a TV e quer saber mais sobre o escritor peruano, recorra à internet. Para facilitar compilei alguns links que são interessantes:

Muitas informações podem ser encontradas na Folha de SP e no Estadão. Os dois jornais prepararam um especial bem completo tanto na versão impressa quanto no site. Do Estadão eu recomendo dois links importantes: a entrevista que Vargas Llosa concedeu ao Sabático - antes de ser anunciado como ganhador do Nobel - e um infográfico com a trajetória de vida dele. O New York Times cobriu a entrevista coletiva que ele concedeu, depois do pronunciamento da Academia Sueca. Outros jornais também deram a mesma notícia. Há também uma entrevista para a Paris Review e um texto do escritor William Boyd sobre Vargas Llosa no Guardian.

Aliás, o mesmo Guardian fez uma lista com os romances essenciais de Vargas Llosa:

A cidade e os cachorros (1963), Tia Julia e o escrevinhador (1977), A guerra do fim do mundo (1981), A festa do bode (2000) e Travessuras da menina má (2006). Todos foram publicados no Brasil pela editora Alfaguara - exceto A festa do bode que está fora de catálogo.

Claro, tem muito mais coisas espalhadas pelo Google.

*imagem: reprodução do Guardian.


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domingo, 15 de agosto de 2010

MAIS UM POUCO DE JONATHAN FRANZEN

Jonathan Franzen está realmente vivendo um bom momento, independente da aparente crise instaurada na literatura dos Estados Unidos. Freedom, seu novo romance, recebeu críticas positivas do jornal New York Times e da revista New York. O livro será lançado no final desse mês nos Estados Unidos. Porém, dois trechos inéditos já apareceram na revista New Yorker: Good Neighbors e Agreeable.

Freedom conta a história da família Berglund formada pelo casal Patty e Walter Berglund e o filho adolescente, Joey. Eles parecem constituir aquele tipo de família ideal, até o momento em que as coisas começam a mudar sem nenhum motivo aparente. O filho se muda de casa, o marido arruma um emprego estranho, um antigo amigo do marido reaparece e a mulher já não é mais quem costumava ser. O romance serve como uma grande metáfora dos nossos tempos, com pessoas lutando para aprender a viver num mundo tão confuso.

Não foi à toa que a revista Time estampou Franzen na capa com as seguintes palavras: "O grande escritor americano - Ele não é o mais rico ou o mais famoso. Suas personagens não solucionam mistérios, não tem poderes mágicos ou vivem no futuro. Porém em seu novo romance, Jonathan Franzen nos mostra a maneira como nós vivemos hoje". Uma crítica velada aos fenômenos literários que estão dominando a lista de livros mais vendidos.

Enquanto Freedom não chega, podemos ler em português As correções (foi publicado pela Companhia das Letras, com tradução de Sérgio Flaksman). Esse romance ganhou diversos prêmios da crítica e rendeu a Franzen comparações com o melhor de John Updike, Thomas Mann e Don Delillo. O livro também se concentra sobre um núcleo familiar: os Lambert. Enid sente que já cumpriu seu papel de mãe e esposa; Alfred é uma aposentado que está sofrendo as consequência do mal de Parkinson; Gary, Chip e Denise, os três filhos do casal, vivem suas próprias tragédias pessoais espalhados pelos Estados Unidos. Um retrato bastante interessante da família americana nos anos 90.

Aproveitando que Jonathan Franzen está na moda, quero reproduzir aqui dez regras pessoais que ele usa quando vai escrever um livro. O artigo original saiu no Guardian (Ten rules for writing fiction) e revela as regras seguidas por diversos escritores. A tradução é minha e foi feita literalmente:
1. O leitor é um amigo, não um adversário, não um espectador.

2. Ficção não é uma aventura pessoal de um autor para o assustador ou o desconhecido não vale a pena escrever por nada a não ser pelo dinheiro.

3. Nunca use a palavra "então" como uma conjunção - nós temos "e" para este fim. Substituir "então" é a preguiçosa ou a desatenta não-solução do escritor para o problema de muitos "es" na página.

4. Escreva na terceira pessoa a menos que uma voz muito distinta em primeira pessoa se ofereça irresistivelmente.

5. Quando a informação se torna livre e universalmente acessível, uma volumosa pesquisa para um romance é desvalorizada junto com ele.

6. A mais pura ficção autobiográfia requer pura invenção. Ninguém nunca escreveu uma história mais autobiográfica do que "A Metamorfose".

7. Você vê mais ainda reunindo do que perseguindo depois.

8. É duvidoso que qualquer pessoa com uma conexão à internet em seu local de trabalho está escrevendo boa ficção.

9. Verbos interessantes raramente são muito interessantes.

10. Você tem que amar antes que você possa ser implacável.

*imagem: reprodução do site da Cia das Letras.
P.S: A Companhia das Letras também publicou um outro livro de Franzen, chamado A zona de desconforto - no entanto, eu quis privilegiar apenas as obras de ficção do autor.

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sábado, 31 de julho de 2010

A AUTOBIOGRAFIA DE MARK TWAIN

O ano de 2010 marca o centenário da morte de Mark Twain, "o primeiro escritor verdadeiramente americano" nas palavras de William Faulkner. Para comemorar e também reavivar o interesse pela obra do escritor, a University of California Press vai publicar em Novembro a autobiografia de Mark Twain.

Para ele vale aquele dito popular "um grande escritor tem uma grande biografia", o livro é inédito e será publicado integralmente em três volumes. O interessante é que essa autobiografia foi ditada por Twain quatro anos antes de sua morte. Os ditados foram anotados por um estenógrafo. Como justificativa ele "argumentou que falar suas lembranças e opiniões, ao invés de escrevê-las, permitiu-lhe adotar um tom mais natural, coloquial e franco" - segundo artigo do New York Times.

Mark Twain na verdade se chamava Samuel Langhorne Clemens e existem várias versões para explicar o uso desse pseudônimo. Além de escritor, ele trabalhou numa gráfica, foi correspondete de viagem, piloto no Rio Missisipi, minerador, inventor, professor e jornalista. Seus livros mais conhecidos são As aventuras de Huckleberry Finn e As aventuras de Tom Sawyer.

*imagem: reprodução do Wikipedia.

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domingo, 27 de junho de 2010

O ARQUIVO QUE REVELA O TRABALHO DE JOHN UPDIKE

Mais de um ano depois da morte de John Updike, temos a notícia de que ele deixou um imenso arquivo de todo o seu trabalho. O jornal New York Times publicou um imenso artigo falando sobre o assunto na semana passada - o texto também foi publicado no Caderno2 do Estadão.

Que atire a primeira pedra quem nunca quis saber o que se passa na cabeça de um escritor. Como ainda não inventaram uma máquina capaz de fazer isso, a chance é recorrer aos vestigios que ele deixa sobre o seu método de trabalho. Os críticos que já tiveram acesso ao arquivo dizem que ele contém "as chaves do universo literário de Updike". Há cartas, manuscritos, pesquisas para os romances, etc.

A notícia chega quase ao mesmo tempo em que a Companhia das Letras lançando dois livro do escritor americano: As bruxas de Eastwick (em edição de bolso) e As viúvas de Eastwick - continuação do primeiro romance. Ambos foram livro de muito sucesso, sobretudo depois do filme homônimo com Jack Nicholson, Cher, Susan Sarandon e Michelle Pfiffer nos papéis principais.

John Updike escreveu bastante: mais de 20 romances, poesia, crítica literária e crítica sobre arte. Além de ter escrito para revistas e jornais americanos. Ele publicou em média quase1 livro por ano, ao longo de toda a sua carreira, inclusive vários deles foram premiados. Seu tema preferido era a vida da classe média americana moradora dos subúrbios e pequenas cidades do interior. Por ter escrito por um longo período, Updike construiu um verdadeiro retrato dessa sociedade no século XX - chegou até mesmo a tratar do terrorismo do 11 de Setembro em O terrorista, lançado aqui em 2007.

Quem sabe essa notítica não motive o relançamento da famosa tetralogia do Coelho?

*imagem: reprodução de um vídeo no site do New York Times.

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

QUEM SÃO OS 20 JOVENS ESCRITORES MAIS IMPORTANTES DO MOMENTO

E o New York Times divulgou a lista dos 20 escritores com menos de 40 anos que estarão na edição especial da revista New Yorker. "Temos 10 homens e 10 mulheres, satíricos e modernos, de Miami e Etiopia e Peru e Chicago. E nenhum deles nasceu antes de 1970", diz o jornal. Só o tempo poderá dizer se eles são mesmo os escritores mais importantes desses últimos 40 anos. A verdade é que a lista serve como um parametrô para ficarmos de olho na ficção produzida atualmente.

Os escolhidos são: Chimamanda Ngozi Adichie, 32; Chris Adrian, 39; Daniel Alarcón, 33; David Bezmozgis, 37; Sarah Shun-lien Bynum, 38; Joshua Ferris, 35; Jonathan Safran Foer, 33; Nell Freudenberger, 35; Rivka Galchen, 34; Nicole Krauss, 35; Yiyun Li, 37; Dinaw Mengestu, 31; Philipp Meyer, 36; C. E. Morgan, 33; Téa Obreht, 24; Z Z Packer, 37; Karen Russell, 28; Salvatore Scibona, 35; Gary Shteyngart, 37; and Wells Tower, 37.

Achei bacana o que o editor da revista New Yorker, David Remniock, disse sobre esses 20 escritores: "Se eles tivessem muito em comum, seria muito chato. (...) Este não é um agrupamento estético. O grupo é um grupo de promessa, enorme promessa. Há pessoas ali que são muito convencionais em suas abordagens narrativas, e há pessoas que têm uma grande ênfase na voz. Há pessoas que estão de alguma forma trazendo a você as notícias de uma outra cultura". (tradução livre)

A edição especial da New Yorker deve chegar as bancas na semana que vem.
*imagem: reprodução da capa "Future of American Writing" da New Yorker de 1999 - a última edição a fazer esse concurso.

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