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quinta-feira, 8 de maio de 2014

PYNCHON EM PÚBLICO 2014 (#PYNCHONINPUBLIC2014)



"Um grito atravessa o céu. Já aconteceu antes, mas nada que se compare com esta vez."

Hoje é dia de comemorar mundialmente o aniversário do escritor mais recluso dos Estados Unidos: Thomas Pynchon. Ele está completando 77 anos com 8 livros monumentais na bagagem (felizmente, quase todos já foram publicados no Brasil). O mais recente, Bleeding Edge está nos planos de futuros lançamentos da Companhia das Letras ainda sem data prevista.  

Para entrar na dança o blog Pynchon in Public Day pede que os leitores coloquem o nome de Pynchon em circulação espalhando evidências públicas de que sua obra está entre nós. Vale tudo: desde colocar o trecho de algum livro, um vídeo, desenho ou uma foto no seu blog, Facebook, Twitter, Instagram ou qualquer rede social de sua preferência até organizar debates, encontros e rodas de leitura. O importância é espalhar Pynchon e seu universo por aí. A celebração já dura nove anos.

Na foto acima, tem a insígnia "W.A.S.T.E." junto ao clássico O arco-íris da gravidade.

Replicando o lema dos organizadores: "É simples, é inevitável e já começou".

*Foto: Rafael R.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

PYNCHON EM PÚBLICO 2013



Hoje é dia de comemorar mundialmente a figura de Thomas Pynchon - o escritor mais recluso dos Estados Unidos (lugar que ele ocupa solitariamente desde a morte de J.D. Salinger). Quem inventou a ideia foi o blog Pynchon in Public Day. A celebração já dura oito anos.

Vale colocar no seu blog, Facebook, Twitter, Instagram ou qualquer outra rede social alguma foto, texto ou vídeo com qualquer coisa relacionada a Pynchon e seu universo.

Na foto acima, tem a insígnia W.A.S.T.E. sobre o a cidade de SP e capinhas de todas as edições publicadas no Brasil.

Replicando o lema dos organizadores: "É simples, é inevitável e já começou".

*Foto, concepção e montagem: Rafael R. e Tatiana Mello.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

ESPERANDO POR THOMAS PYNCHON



Adivinhem quem está de volta? Vou dar uma dica para facilitar: é o autor mais recluso e por isso mesmo o mais "pop" da literatura norte-americana. Ainda não adivinhou? Então te conto: é Thomas Pynchon - ele mesmo. Qualquer pequeno movimento que o enciclopédico escritor faz gera o maior burburinho, sobretudo na internet. Impressionante! Já imaginou se ele resolve anunciar que vai dar uma volta no bairro onde mora? Tenho certeza que muita gente ia formar um acampamento nas imediações do lugar só para fazer uma fotografia.

Pois bem, Pynchon vai publicar um novo romance com lançamento previsto para setembro, nos Estados Unidos. A notícia foi confirmada na segunda-feira pela editora dele. O livro vai se chamar Bleeding Edge e será ambientado no "Silicon Alley" (região de Nova Iorque dominada por empresas de internet e tecnologia) no período entre a crise promovida pela bolha especulativa da internet (no final dos anos 90) e os atentados terroristas do 11 de setembro.

O último livro publicado por Pynchon foi Vício inerente, em 2009. Uma versão cinematográfica desse livro já entrou em fase de pré-produção. Deve ficar pronto em 2014 e, como já foi dito, terá Joaquin Phoenix no elenco e Paul Thomas Anderson no roteiro e direção.

O projeto Pynchon in Public Day, dia em que pessoas do mundo inteiro enviam fotos e vídeos delas mesmas lendo qualquer livro de Pynchon num lugar público e sem nenhuma vergonha, vai ter motivos de sobra para comemorar. A próxima acontece em 8 de maio.

***


A ocasião também poderia ser uma oportunidade para resgatar V., O leilão do lote 49 e Vineland - três romances de Pynchon que andam fora de catálogo aqui no Brasil. O primeiro foi publicado em 1988 pela editora Paz e Terra e os outros dois pela Companhia das Letras em 1991 e 1993, respectivamente. Só é possível encontrá-los em sebos e com preços especiais.

Para se ter uma ideia, no site Estante Virtual o livro O leilão do lote 49 tem apenas três únicos exemplares com preços variando de R$ 100,00 a R$ 129,90. Livro raríssimo. Quem sabe?

*Imagem: reprodução do Google.

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domingo, 11 de novembro de 2012

REVISTA LER


Falando em literatura portuguesa...

De olho no mercado internacional de falantes de português, a revista portuguesa LER acaba de lançar sua versão digital. O primeiro número tem Alberto Manguel na capa e deliciosas reportagens sobre roubos literários, J.K. Rowling, Thomas Pynchon e muito mais. Disponível para compra na Bertrand Livreiros e na livraria virtual Wook pelo preço de 5,00€.

*Imagem: reprodução capa LER.
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terça-feira, 22 de maio de 2012

LIVRO COM TRILHA SONORA


Tem gente que desliga tudo quando vai ler um livro: rádio, TV, MP3 Player, computador, celular etc. É importante estar no mais absoluto silêncio para se concentrar, entender o que está lendo e aos poucos adentrar aquele universo. O menor barulho distraí. Da maneira como estou falando não consigo esconder que me enquadro nessa categoria, sobretudo quando vou ler romances mais elaborados - literariamente falando. Caretice ou não é uma maneira. Já para ler revista, jornal ou livrinhos mais "leves" nada me incomoda. Posso estar até no show do Sonic Youth ouvindo aquela longa versão de "Diamond Sea" sem nenhum problema.

No entanto, estou pensando seriamente em abrir uma exceção depois que vi a trilha sonora sugerida por Alejandro Zambra para
Bonsai (para quem não viu, a trilha saiu na revista sãopaulo - que acompanha a Folha de SP aos domingos). Só tem música boa. Vai do étnico ao pop, do calmo ao agitado e do alto a baixo.

"La Jardinera", Violeta Parra
"Penas", Sandro (na versão de Aterciopelados)
"Rubí", Babasónicos
"How Could I Be Such a Fool", Frank Zappa
"Wave of Mutilation", Pixies
"A Night in", Tindersticks
"El Rey y Yo", Los Ángeles Negros
"You Can't Always Get What You Want", The Rolling Stones
"Standing in the Doorway", Bob Dylan
"So Like Candy", Elvis Costello
"A Man Needs a Maid", Neil Young
"Pink Moon", Nick Drake
"My Sharona", The Kinks
"I Didn't Know What Time It Was", Ella Fitzgerald
"50 Ways to Leave Your Lover", Paul Simon
"Superficies de Placer", Virus

***
Ainda não li Bonsai e nem preciso mentir que li, pois como adiantou a Raquel Cozer "dá para matar em uma hora e meia, se tanto" por conta das suas 96 páginas. Está na minha fila de leitura e estou pensando seriamente em passá-lo na frente de outros tantos que pretendo ler em algum momento. Zambra tem sido altamente recomendado por muita gente. Deve ser reflexo da FLIP, mas o nome dele já tinha aparecido naquela lista dos melhores jovens escritores em língua espanhola que saiu na Granta (essa edição também foi publicada aqui no Brasil no ano passado). Antes disso, em 2007, ele tinha sido eleito um dos 39 melhores escritores com menos de 39 anos. Ou seja, o chileno é mesmo um fenômeno. Prometo que eu volto ao assunto depois de ler Bonsai.
***

A visita do tempo cruel, de Jennifer Egan também pede uma trilha sonora. Não tinha como ser diferente considerando que as personagens principais estão diretamente envolvidas com música. Bennie Salazar teve uma banda na adolescência e depois tornou-se dono de uma gravadora. Muitas bandas dos anos 80 devem ter servido de inspiração para Egan. Para facilitar a vida, a Intrínseca montou uma trilha sonora bem legal:
"The Passenger", Iggy Pop
"Seventh World", ­The Sleepers
"Too Drunk to Fuck", Dead Kennedys
"Alive", Pearl Jam
"My Generation", The Who
"Search and Destroy", The Stooges
"Take Her Where the Boys Are", Eye Protection
"Kimberly", Patti Smith
"Ever", Flipper
"Six Pack", Black Flag
"I Just Want Some Skank", Circle Jerks
"No More Heroes", The Stranglers
"Media Control", The Nuns"Mercenaries", Negative Trend
"Frustration", Crime
"The American in Me", The Avengers
"Lexicon Devil", The Germs
"Heart of Glass", Blondie

***


Falando em Jennifer Egan, a Intrínseca promete para o mês que vem o lançamento de O torreão (tradução para The Keep, terceiro romance da autora que saiu nos Estados Unidos em 2006). A editora repetiu a decisão acertadíssima de chamar Rafael Coutinho para ilustrar a capa.

***

Finalizando as trilhas sonoras, A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides tem na epígrafe um trecho de "Once in a lifetime", do Talking Heads. Sempre que eu ouço essa música me lembro do livro Menino de lugar nenhum, de David Mitchell quando o garoto Jason Taylor deixa de lado a vergonha, entra na pista de dança e avista a menina que ele está afim. Tem um trecho no tumblr.

Não dá para esquecer também trilha que Thomas Pynchon (ele mesmo) fez para Vício inerente.

***

É, definitivamente a gente está bem de literatura e música.

*Imagem: Zambra/reprodução blog da Cosac Naify; as demais divulgação.

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terça-feira, 8 de maio de 2012

UM DIA PARA THOMAS PYNCHON


Ainda pouco falei de Thomas Pynchon - um escritor ao mesmo tempo tão cultuado e tão impopular. Porém, preciso começar a rever meus conceitos. Hoje ele completa 75 anos e para comemorar um site nos Estados Unidos chamado Pynchon in a Public Day está com uma campanha muito bacana: documentar a leitura de qualquer livro de Thomas Pynchon em lugares públicos. Vale foto, texto, mapa e vídeo - vale tudo! Depois coloca no twitter com o hashtag #Pynchon2012 ou manda para @Pynchoninpublic.

Se vc está sem ideia do que fazer, não tem problema. O site tem uma lista de sugestões.

Tire seus livros das estantes e mãos à obra!

*Imagem: reprodução de um episódio dos Simpsons com dublagem do próprio - segundo dizem.

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

PARA ENTENDER THOMAS PYNCHON

"Um grito atravessa o céu .
Isso já aconteceu antes, mas nada que se compare com esta vez."
O arco-íris da gravidade.

“Agora, reduzir todo o cordame!”
“Ânimo... com jeito... muito bem! Preparar para zarpar!”
“Cidade dos Ventos, lá vamos nós!”
Contra o dia.



Acabou de sair pela Companhia das Letras Contra o dia, escrito por Thomas Pynchon em 2006. Fui até uma livraria conferir um exemplar de perto, afinal não existe e-book nenhum páreo para a experiência material de ter um livro como esse nas mãos. Ainda mais quando a gente se dá conta de que ele tem impressionantes 1088 páginas que pesam exatamente 141700 kg (não tive como pesar o exemplar na livraria, peguei a informação no site). É uma espécie de monolito (como aquele do filme 2001 - Uma odisséia no espaço) no meio das estantes. Não só pelo tamanho, mas pelo significado que ninguém consegue explicar por mais que se tente.

Nesse caso, cabe ao leitor se aventurar pelo árduo universo pynchoniano a fim de arrancar ou construir algum sentido. Para não atravessar sozinho esse deserto, preparei uma compilação com as resenhas de Contra o dia que eu consegui encontrar nas revitas e nos jornais - parece que nos blogs foi meio ignorado, apesar de Pynchon ter uma verdadeira legião de fãs na internet.

A nova conspiração de Pynchon - Revista Época
O que Groucho Marx tem a ver com Faroeste? - Revista Bravo! (resenha assinada por Antônio Xerxenesky - um fanático por Pynchon, sobretudo por Contra o dia)
Paródias Arquitetônicas - Estadão
Homem difícil - Folha de SP (via Conteúdo Livre)

Tem também uma nota na revista Veja - apenas disponível na edição digital no site.

***

Ainda não li Contra o dia porque ainda nem comprei (cof!). Perdi uma promoção de lançamento com desconto de 20%, fato que lamentei imensamente para o vendedor da livraria. Como ele não me deu o desconto e a promoção ainda não tem previsão de retorno, resolvi esperar.

Seja como for, sei do mito em torno de Thomas Pynchon e acho muito curioso que um dos mais importantes escritores norte-americanos do século XX seja ao mesmo tempo tão cultuado e tão impopular. Não é algo gratuito, existem algumas explicações para o fato: os livros são herméticos, tem muitas referências obscuras, enredos complexos e repletos de "exercícios" de linguagem. Há um Pynchon mais simples, claro! Como aponta Xerxenesky V. (1963), Vineland (1990) e Vício inerente (2009) são mais palatáveis - os dois primeiros estão esgotados e o último acabou de sair também pela Cia das Letras.

A tradução foi feita por Paulo Henriques Britto que, segundo li, manteve contato direto com Pynchon para sanar algumas eventuais dúvidas de tradução. Acho importante comentar isso porque Pynchon não é muito dado a aparições públicas, nunca concede entrevistas e vive escondido por Nova York. Guardadas as devidas proporções, é quase um Dalton Trevisan flanando por Curitiba.

Se bem que ele flerta com o universo pop. Dizem que dublou a si mesmo num episódio dos Simpsons e também dublou o trailer de Vício inerente.

***

Contra o dia parece que está páreo a páreo com O arco-íris da gravidade (em tamanho e em complexidade). Aliás, André de Leones e Xerxenesky organizaram um programa da Rádio Batura (IMS) comentando O arco-íris. O mesmo livro será analisado em agosto num curso ministrado por Ricardo Lísias só com romances longos. Quem ficou interessado em Pynchon e quer saber mais sobre o cara pode ficar de olho no programa e no curso.

Tem um trecho de Contra o dia disponível aqui.

*Imagem: divulgação.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A PLAYLIST DE THOMAS PYNCHON

Quem diria que Thomas Pynchon, o escritor mais cultuado e recluso do mundo, poderia algum dia atacar de "dj"? Pelo menos é o que está escrito na página de Vício Inerente no site da Amazon.com. Até onde sei essa notícia está rolando desde o ano passado, mas foi só agora que topei com ela. Na internet circulam outras playlists com até 300 faixas, vai saber.

A playlist "oficialmente" organizada por Mr. Pynchon tem 42 faixas e inclui Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Pink Floyd, Stan Getz & Astrud Gilberto e outras bandas mais. A seleção é tão boa que a gente poderia tranquilamente fazer uma festa inteira com ela. Alguém se anima a organizar?

Na página da Amazon tem o seguinte texto falando sobre a playlist:
Larry "Doc" Sportello é um detetive particular que vê o mundo através de uma névoa pegajosa de droga, animado pela música de uma época cujas marcas registradas eram paz, amor e revolução. Enquanto o estranho caso de Doc cresce estranhamente, sua trilha sonora dos anos 60 - que varia de surf, pop e rock psicodélico a instrumentais misteriosos - pega o ritmo. Ouça algumas das músicas que você vai escutar em Vício inerente - a playlist que se segue foi feito exclusivamente para Amazon.com, por cortesia de Thomas Pynchon.
As faixas são:

Bamboo - Johnny and the Hurricanes
Bang Bang - The Bonzo Dog Band
Bootleg Tape - Elephant's Memory
Can't Buy Me Love - The Beatles
Desafinado - Stan Getz & Astrud Gilberto, with Charlie Byrd
Elusive Butterfly - Bob Lind
Fly Me to the Moon - Frank Sinatra
Full Moon in Pisces - Lark
God Only Knows - The Beach Boys
The Greatest Hits of Tommy James and The Shondells

Happy Trails to You - Roy Rogers
Help Me, Rhonda - The Beach Boys
Here Come the Hodads - The Marketts
The Ice Caps - Tiny Tim
Interstellar Overdrive - Pink Floyd
It Never Entered My Mind - Andrea Marcovicci
Just the Lasagna (Semi-Bossa Nova) - Carmine & the Cal-Zones
Long Trip Out - Spotted Dick
Motion by the Ocean - The Boards
People Are Strange (When You're a Stranger) - The Doors
Pipeline - The Chantays
Quentin's Theme (Theme Song from "Dark Shadows") - Charles Randolph Grean Sounde
Rembetissa - Roza Eskenazi
Repossess Man - Droolin’ Floyd Womack
Skyful of Hearts - Larry "Doc" Sportello
Something Happened to Me Yesterday - The Rolling Stones
Something in the Air - Thunderclap Newman
Soul Gidget - Meatball Flag
Stranger in Love - The Spaniels
Sugar Sugar - The Archies
Super Market - Fapardokly
Surfin' Bird - The Trashmen
Telstar - The Tornados
Tequila - The Champs

Theme Song from The Big Valley - Beer
There's No Business Like Show Business - Ethel Merman
Vincebus Eruptum - Blue Cheer
Volare - Domenico Modugno
Wabash Cannonball - Roy Acuff & His Crazy Tennesseans
Wipeout - The Surfaris
Wouldn't It Be Nice - The Beach Boys
Yummy Yummy Yummy - Ohio Express


Vício inerente foi o último romance escrito por Pynchon e foi lançado em agosto de 2009 nos Estados Unidos. Também saiu por aqui em novembro do ano passado pela Companhia das Letras. Tem um trecho do romance disponível aqui.

O livro conta a história de um "detetive particular chamado Doc Sportello (...) que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário". Tudo se passa na Califórnia dos anos 70 em pleno declínio da contracultura "flower power". Tem Charles Manson, tem hippies, surfistas, traficantes, contrabandistas, bandas de rock, prostitutas e muitas drogas. Lembro que até rolou um vídeo promocional com dublagem do próprio Thomas Pynchon.

O livro ainda pode virar filme pelas mãos do diretor Paul Thomas Anderson.

*imagem: reprodução Google imagem / capa - divulgação.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

THOMAS PYNCHON VAI AO CINEMA


O mundo está realmente mudado, para você ter uma ideia até um livro de Thomas Pynchon poderá ser adaptado ao cinema. O escritor mais recluso do mundo é conhecido por criar romances gigantescos e tão elaborados que são um verdadeiro universo em si mesmo - vide O arco-íris da gravidade, Mason & Dixon e Against the day (que será lançado no ano que vem pela Companhia das Letras com o título de Contra o dia). Quando a invenção não ataca a linguagem, ataca o enredo da história de modo que o livro sempre acaba se tornando um material bem difícil de ser 'traduzido'. Tanto que o site The Huffington Post incluiu O arco-íris da gravidade na lista dos 15 romances que jamais poderão virar filme.

O boato surgiu graças a New York Magazine. Segundo o pessoal da revista apurou, o diretor Paul Thomas Anderson está com vontade de adaptar Vício inerente - o último romance que Pynchon escreveu. Para quem não se lembra, Thomas Anderson é o diretor de "Magnólia", "Embriagado de amor" e "Sangue negro". Parece que o diretor já escreveu o argumento e está trabalhando num roteiro. Ainda segundo especulação da NY Magazine, o filme seria estrelado pelo ator Robert Downey Jr. ou por Philip Seymour Hoffman.

Vício inerente conta a história de um "detetive particular Doc Sportello (...) que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário". Tudo se passa na Califórnia dos anos 70 em pleno declínio da contracultura "flower power". Tem Charles Manson, tem hippies, surfistas, traficantes, contrabandistas, bandas de rock, prostitutas e muitas drogas. O livro pode virar filme, justamente por ser uma história de detetives um pouco clássica, um pouco moderna. Tem um trecho do romance disponível aqui.

Embora seja avesso às fotos e entrevistas, Thomas Pynchon vive circulando por Nova York, cidade onde mora desde os anos 70. Dizem às lendas que ele sempre conversa por telefone com gente do show business por quem tem certa simpatia. Ele até dublou o vídeo promocional de Vício inerente, fazendo o papel da personagem Doc Sportello - a mesma coisa aconteceu com a participação dele nos Simpson, dublando ele mesmo.

Quem sabe Thomas Pynchon não se anime e resolva fazer uma participação especial no filme. Mesmo que seja como figurante.

*imagem: reprodução do Google sobre a participação de Thomas Pynchon no desenho Os Simpsons.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

NOTAS #4


Moby Dick ilustrada
Matt Kish, um sujeito que não é artista plástico e não tem nenhuma formação na área, está criando desenhos para cada uma das 552 páginas do romance Moby Dick, de Herman Melville. Kish se inspirou em Zak Smith que fez a mesma coisa com O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon. O trabalho é todo manual e os desenhos são feitos com diversos materiais como tinta acrílica, caneta esferográfica, papel, fotos, spray, etc. Kish deu início a tarefa em Agosto de 2009 e pretende terminar tudo em Maio de 2011. Há uma enorme expectativa para os momentos finais do livro. Quem quiser conferir pode acessar em http://tinyurl.com/yajbwwt

Toda nudez será permitida
Escritores tem manias bastante curiosas na hora de escrever seus livros. Alguns métodos renderiam histórias tão boas quanto as que eles criam. Por exemplo: escrever sem nenhuma roupa. Entre os adeptos dessa prática estão autores renomados como Victor Hugo, Ernest Hemingway, D.H. Lawrence, Benjamin Franklin e Agatha Christie. Não existem barreiras para a imaginação quando tudo o que resta são um papel em branco e uma caneta na mão.

Salman Rushdie vai ao cinema
O livro Os filhos da meia-noite, de Salman Rushdie finalmente vai virar filme. O realismo fantástico e o estilo de escrita do autor eram considerados as maiores barreiras para uma boa adaptação ao cinema. Por isso, desde 2008, Rushdie estava trabalhando com a diretora de cinema Deepa Mehta na tentativa de criar um roteiro para seu premiado romance. Na semana passada, Rushdie anunciou que está satisfeito com o resultado final e que os produtores já podem seguir para as próximas etapas.

Trilha sonora dos escritores
A temporada de Jonathan Franzen na Inglaterra continua rendendo notícias. Dessa vez, Franzen confessou ao jornal Irish Times três canções que o fazem chorar: "Casimir Pulaski Day", do Sufjan Stevens, "John Riley", do Byrds e "Somewhere Over the Rainbow", na versão de Israel Kamakawiwo'ole. A trilha calminha tem a cara do badalado autor.

*

Aqui no Brasil, o escritor Daniel Galera contou ao Caderno 2, do Estadão, a sua trilha sonora preferida. Entre o rock and roll "Oh, my lord" - Nick Cave and the Bad Seeds, existe espaço para o blues "Get yourself together" - Lonnie Johnson e para os anos 80 com "Compassion" - Prince e "The best" - Tina Turner. O lado brasileiro foi puxado por "Como se fosse" - Fagner, "Reprise" - Zé do Bêlo e "Bê-a-bá" - Raimundos.

Sugar Kane em memória
Fragments, um livro com poemas, anotações e cartas escritas por Marilyn Monroe está chegando as livrarias dos Estados Unidos e da Europa. O material inédito acompanha fotos raras de momentos íntimos da atriz e revelam a mulher por trás do mito. Se engana quem achava Marilyn uma pessoa alheia a grande literatura. Segundo o livro, seus romances preferidos eram O agente secreto, de Joseph Conrad; Madame Bovary, de Gustave Flaubert; O inominável, de Samuel Beckett; A queda, de Albert Camus; On the road, de Jack Kerouac; Tortilla Flat e Once there was a war, de John Steinbeck; Adeus às armas e O sol também se levanta, de Ernest Hemingway.

Sucesso em risco
O irmão do escritor Stieg Larsson confirmou a existência de um quarto livro da série Millenium que é um sucesso de vendas no mundo inteito. Segundo contou, o livro estava quase terminado quando o escritor foi vítima de uma parada cardíaca. Porém, se depender da disputa judicial envolvendo a família Larsson e Eva Gabrielsson, a companheira do autor, o livro corre o risco de jamais ser publicado.

Exposição sobre Charles Bukowski
Charles Bukowski, morto em 1994, ganhou uma exposição na The Huntington Library na California. É uma das maiores exposições já realizadas sobre Bukowski nos Estados Unidos. Apesar de sua obra estar envolta em temas polêmicos, os organizadores da exposição destacaram a importância da obra do velho safado e a colocaram em pé de igualdade com a melhor tradição da literatura norte-americana. O acervo da exposição inclui fotos, cartas, manuscritos e edições estrangeiras de Bukowski.

*imagem: reprodução de um desenho de Matt Kish.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

NOTAS #2


Kindle para internet
A Amazon está fazendo testes de uma nova ferramenta chamada "Kindle for the Web" - literalmente, Kindle para Internet. O serviço permite que as pessoas possam compartilhar em blogs e redes sociais trechos de livros que estão lendo ou querem recomendar. O Youtube, por exemplo, trabalha com o mesmo princípio quando o usuário quer "incorporar" um vídeo no blog. Por enquanto, só usuários cadastrados no site da Amazon podem usar a ferramenta.

Pynchonmania
O escritor Thomas Pynchon vai tomar conta das nossas estantes nos próximos meses. A Companhia das Letras vai publicar em novembro "Vício inerente", romance escrito no ano passado pelo consagrado autor de "O arco-íris da gravidade". No Youtube está circulando um vídeo que segundo contam foi narrado por Thomas Pynchon em carne e osso. No ano que vem a Companhia também promete lançar "Contra o dia", escrito em 2006 e que tem mais de 1100 páginas na versão em inglês. O vídeo de "Vício inerente" está disponível em http://tinyurl.com/krj8ap

Manuscritos raros
A Biblioteca Britânica está digitalizando aos poucos seu acervo com mais de mil raros manuscritos gregos. O resultado do trabalho está disponível gratuitamente na internet e pode ser consultado em http://www.bl.uk/manuscripts. Há fábulas de Esopo, salmos, entre outros.

Reminiscências
O escritor Kazuo Ishiguro revelou alguns de seus livros favoritos para os leitores do book club da apresentadora Oprah Winfrey. Não é difícil perceber uma pequena influência que essas leituras exerceram na obra de Ishiguro. Ele mesmo justifica suas escolhas. Por exemplo, a maneira de conduzir uma narrativa em primeira pessoa está em Charlotte Bronté; o humor sem nenhum compromisso com as coisas difíceis da vida está em P.G. Wodehouse; as lembranças de casa e o medo de que a realidade traía a nossa memória vem de Homero. Cormac McCarthy e David Mitchell são as curiosidades da lista. McCarthy foi escolhido por causa do fascínio que velho oeste americano e seus caubóis exercem em nosso imaginário; já a força imaginativa de Mitchell fez Ishiguro perceber que estava realmente ficando mais velho.

*

Os livros escolhidos foram: "Villete", de Charlotte Bronté; "Então tá, Jeeves", de P.G. Wodehouse; "Meridiano de sangue", de Cormac McCarthy; "Ghostwritten", de David Mitchell; "South of the Border, West of the Sun", de Haruki Murakami; "A odisséia", de Homero.

Lado B
Os livros de Shel Silverstein já comoveram inúmeras crianças e adultos com suas histórias poéticas e suas inconfundíveis ilustrações. Shel também era um compositor de mão cheia e tinha uma banda de rock and roll cujo disco mais conhecido é Freakin' At The Freakers Ball. Estão circulando na internet algumas histórias bem interessantes por trás da gravação desse disco. A melhor delas diz respeito as canções que nunca foram lançadas como: "Fuck'Em", "I love my right hand" e "I am not a fag". Como os títulos sugerem são canções politicamente incorretas até mesmo para os anos 70 e que revelam um certo humor negro do cartunista. Algumas dessas canções estão disponíveis no YouTube em http://tinyurl.com/2g746bj e http://tinyurl.com/3c6q53

*imagem: reprodução desse site.

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domingo, 26 de setembro de 2010

LIVROS QUE AJUDAM CLÁSSICOS DA MÚSICA

Depois de ver esse post relacionando O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon com o disco Amnesiac do Radiohead e Os detetives selvagens, de Roberto Bolaño com o disco In Casino Out da banda At the Drive-In fiquei com vontade de fazer algo parecido. Mas procurando ideias na internet encontrei na Raquel Cozer um blog com tudo pronto - Classics Rock!

O blog já existe desde 2008. Tem uma lista enorme de livros e autores que serviram de inspiração para bandas e músicos comporem suas canções. Numa pesquisa rápido encontrei 1984, de George Orwell com Diamond Dogs do David Bowie; Lolita, de Vladimir Nabokov com Police; O senhor dos anéis, de JRR Tolkien com II do Led Zeppelin; etc. Impressiona também a quantidade de bandas que se inspirou em O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger e Ulisses, de James Joyce.

Será que tem um desses com livros brasileiros, né?

*Imagem: reprodução do google images.

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sábado, 25 de setembro de 2010

JAVIER MARIAS E OS ROMANCES LONGOS

A Companhia das Letras está lançando o terceiro e último volume do romance Seu rosto amanhã - veneno, sombra e adeus, de Javier Marias, um escritor espanhol da maior importância. W.G. Sebald, J.M. Coetzee, Roberto Bolaño, Salman Rushdie e Ricardo Piglia estão entre os seus maiores admiradores. Porém, como bem aponta a resenha de Jonas Lopes para a Bravo!, Marias é um sucesso mundial pouco lido e pouco comentado no Brasil.

Aproveito para fazer um "mea culpa": tomei conhecimento dele dois anos atrás por meio de resenhas, mas até hoje ainda não li nenhum de seus livros. Juro que Coração tão branco esta na minha fila de próximas leituras.

Javier Marias já foi traduzido para muitos idiomas e ganhou inúmeros prêmios. É tido como um dos mais importantes escritores vivos da literatura espanhola. Seu sucesso vem da grande qualidade narrativa de seus livros.

Reproduzo aqui um trecho da resenha de Jonas Lopes sobre o método narrativo do escritor. O método é constituído de inúmeras digressões, frases muito longas, contração/expansão do tempo e parece a peça fundamental para entender a sedução que o romance exerce sobre nós, os leitores: "A magia de ler Marías (...) está na capacidade de promover digressões, no turbilhão inescapável de idéias. (...) Até onde contar - falar, relatar, narrar, sobretudo confiar - pode ser arriscado? Ao contarmos o que quer que seja, arriscamo-nos à traição. Perdemos o controle sobre nossas vidas, de certo modo, abandonando na mão de outro - um amigo, um amor, o leitor do livro - uma responsabilidade essencial".

De maneira bem resumida, Seu rosto amanhã conta a história de um ex-professor de Oxford que tem o dom de prever o que vai acontecer com uma pessoa observando o rosto dela. Ele acaba sendo recrutado por grupos de espiões para descobrir traídores em potencial. Ao longo dos três volumes essa história vai se modificando um pouco.

Gostei de saber uma história bastante curiosa sobre esse livro. O romance foi dividido em três volumes porque o autor não gosta de livros muito longos - reunindo os três volumes o romance fica com aproximadamente 1400 páginas. É um enorme catatau, sem dúvida.

Mas aqui cabe uma digressão da minha parte: pelo que ando lendo em diversos lugares (veja aqui), os romances mais longos estão de fato na moda. Quer exemplos? Para citar os nossos contemporâneos: As correções, do aclamado Jonathan Franzen tem 584 páginas e parece que Freedom não fica atrás; Do Roberto Bolaño, 2666 tem 856 páginas e Os detetives selvagens tem 624 páginas; Do Thomas Pynchon, Mason & Dixon tem 846 páginas e O arco-íris da gravidade tem 786 páginas; Submundo, de Don Dellilo tem 736 páginas. Apenas por curiosidade, alguns antigos e outros nem tanto: Ulisses, de James Joyce tem 912 páginas; Moby Dick, de Herman Melville tem 656 páginas; Grandes esperanças, de Charles Dickes tem 536 páginas; Anna Karienina, de Tolstói tem 816 páginas. Isso porque nem mencinei Dostoievski, Günter Grass, Haruki Murakami, Thomas Mann e Marcel Proust - Em busca do tempo perdido tem 7 volumes.

Tudo isso parece um contracenso se pensarmos que estamos em plena era do twitter e seus famigerados 140 caracteres. A tendência ainda nega a tão falada superficialidade de informações no mundo contemporâneo. Não é qualquer escritor que tem fôlego para manter romances tão longos e dentre os citados, todos fazem parte de um cânone moderno/pós-moderno. Também não se engane pensando que você nunca vai encontrar gente de gerações mais novas com um desses longos romances nas mãos. Muitos desses escritores são bastante comentados na internet.

O capricho, vou chamar assim, de Javier Marias se explica pelo seu gosto por livros não tão longos. Porém, os editores já podem avisar Marias que ele não deve ter nada mais a temer.

*imagem: divulgação.

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

NOTAS #1

Joseph Conrad em Graphic Novel
A editora inglesa Self Made Hero está lançando uma graphic novel para Coração das trevas (imagem), de Joseph Conrad, ilustrado com desenhos feitos à lapis pela artista queniana Catherine Anyango. O texto foi adaptado por David Zane Mairowitz. Considerado a obra-prima de Conrad, esse romance narra a viagem de Marlowe pelas selvas africanas em busca de um comprador de marfim chamado Kurtz. A graphic novel ainda inclui trechos do diário do congo escrito por Joseph Conrad.

Criador e criatura
Em 1975, William Burroughs não só assistiu a um show do Led Zeppelin como também entrevistou Jimmy Page e escreveu um longo artigo sobre tudo o que viu. Aliás, muita gente atribui a Burroughs a invenção da palavra 'heavy metal' que teria aparecido pela primeira vez em seu romance, Almoço nu. O artigo entitulado "Rock Magic: Jimmy Page, Led Zeppelin, And a search for the elusive Stairway to Heaven" foi publicado numa revista underground, chamada Crawdaddy e reapareceu na internet. Embora tenha gostado do show, Burroughs ficou imensamente preocupado com os riscos de que algum acidente pudesse acontecer a qualquer momento. O artigo pode ser lido na integra em http://bit.ly/55ElJh

Troca de colunistas
A escritora Zadie Smith vai assinar a coluna "New Books" da revista americana Harper's. Ela vai ocupar o lugar de Benjamin Moser que continuará contribuindo com a revista. Além de ser uma escritora reconhecida internacionalmente, Smith já demonstrou seu poder crítico escrevendo ensaios de fôlego para revistas como The New York Review of Books, por exemplo. A primeira coluna assinada por ela deve ser publicada em Março do ano que vem.

Cartas de Oscar Wilde
Uma coleção de cartas escritas por Oscar Wilde vão a leilão na Inglaterra em 24 de Setembro próximo. A descoberta dessa correspondência está causando interesse em muita gente por causa de seu conteúdo. São cartas de Wilde endereçadas com bastante afeto a Alsager Vian, seu colega e editor da Society Magazines em 1887. As cartas foram escritas anos antes de Oscar Wilde ter sido condenado por atentado violento ao pudor e ter sido submetido a dois anos de trabalhos forçados.

A intimidade de Roland Barthes
O diário escrito por Roland Barthes em 1977, logo após a morte de sua mãe, será publicado pela editora Hill and Wang. Mourning diary conta com 330 anotações que mostram as reflexões subjetivas e o estado de tristeza em que o grande semiótico da cultura francesa se encontrava naquele momento. A revista New Yorker divulgou algumas imagens do diário em http://nyr.kr/ds6HZW

Uma tarefa nada fácil
O arco-íris da gravidade, cultuado romance de Thomas Pynchon, foi ilustrado pelo artista plástico Zak Smith. Usando muitas pinturas e fotos experimentais, ele conta que tentou traduzir literalmente os trechos do livro em imagens página por página. O resultado final do trabalho foi exposto no Whitney Museum em Nova York e faz parte do acervo permanente do Walker Art Center na cidade americana de Minneapolis. As ilustrações também estão disponíveis na internet em http://bit.ly/L1m9F

Paris Review na era da internet
O editor Lorin Stein está cumprindo a sua promessa de renovar a revista Paris Review. A edição de outono é o primeiro número sob seu comando e está recheada de ares franceses: Michel Houellebecq é um dos entrevistados e Lydia Davis escreveu um artigo sobre Flaubert. De olho na internet Stein também reformulou inteiramente o site da revista. Além do novo visual, o site conta com um blog diário e grande parte do conteúdo impresso está disponível - incluindo, por exemplo, a entrevista de E. M. Foster para a edição nº 1.

*Imagem: reprodução.
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domingo, 19 de setembro de 2010

DAVID FOSTER WALLACE


Tristan Tzara termina sua receita para um poema dadaísta com a seguinte frase: "E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público". Subvertendo alguns dos seus sentidos, a frase se encaixa muito bem com a obra do escritor americano David Foster Wallace. Seus livros são altamente originais e recheados de momentos sensíveis, mas são imcompreendidos graças ao forte caráter experimental*.

Sucesso de crítica, David Foster Wallace era tido como um promessa para a literatura do século XXI. Infelizmente ele cometeu suicídio em 2008 depois de um período longo de depressão profunda. Deixou uma obra composta por romances monumentais, livros de contos e artigos escritos para jornais e revista americanas. Infinite Jest, publicado em 1996, chegou a ser comparado ao Ulisses, de James Joyce. No Brasil, Breves entrevistas com homens hediondos foi seu único livro publicado.

Ao que parece, Foster Wallace tinha certa preocupação em dar continuidade a tradição de ficcionistas americanos que o precediam. Leitor de Thomas Pynchon e Don Delillo, ele tentava arranjar uma maneira de soar original e encontrar uma voz própria. A tarefa era difícil, esses autores transformaram radicalmente a ficção americana e a levaram a lugares nunca antes visitados. A saída encontrada por Foster Wallace foi descontruir a linguagem e atacar a estrutura da narrativa.

Isso explica porque sua ficção é repleta de lacunas, espaços em branco, palavras inventadas, frases bem longas, pontuação irregular, muitas intervenções, fórmulas matemáticas, diálogos imensos, etc. A metalinguagem e as enormes notas de rodapé também são marcas de seu estilo. Os temas giram em torno da classe média americana, mas de uma maneira mais sarcáticas e cheia de humor negro. Suas personagens sempre sofrem de algum tipo de psicose ou vivem as voltas com certas obsessões. Elas são capazes de falar por páginas e mais páginas sobre um mesmo assunto. Sexo, drogas e pervesão aparecem a todo o momento.

Porém, também existe espaço para a beleza, a alegria e o humor. As situações insólitas das histórias causam gargalhadas. Muitos críticos chegam a dizer que Foster Wallace tomou emprestado a classe média de Updike e a levou para o lado obscuro, ironico e sarcástico da vida. Atrás do caos aparente existe a sensibilidade de um escritor que está nos mostrando aos mesmo tempo a força e a fraqueza humana.

O experimentalismo em excesso às vezes pode afastar o leitor menos desavisado. De fato, em certos momentos o enredo parece não sair do lugar ou o assunto fica por demais árido - como é o caso de Datum centurio e Adult World (II), ambos de Breve entrevistas com homens hediondos.

Essa semana duas notícias devem colocar o nome de Foster Wallace em evidência novamente: o arquivo do escritor que está sob os cuidados do Harry Ransom Center, Universidade do Texas foi aberto ao público; e Pale King, um romance inacabado, terá publicação no ano que vem. Alguns trechos desse romance foram publicados na revista New Yorker: Good people, Wiggle room e All that.

Tomara que novas traduções de Foster Wallace apareçam no Brasil. Tive notícia de que dois livros de não ficção devem estar a caminho.

* Me refiro as modificações radicais da linguagem e das estruturas narrativas. Também quero deixar claro que não estou exaltando o "experimentalismo" em detrimento de outros modos de expressão.

**imagem: reprodução da NY Mag.

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