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quinta-feira, 26 de março de 2015

REVISTAS LITERÁRIAS DA TEMPORADA

Faz tempo que não apareço aqui e faz tempo que não falo de revistas literárias - esse objeto em extinção, dizem as más línguas. Pois bem, vou celebrar a quantidade de boas publicações que brindam os nossos olhos e mentes enquanto essa morte anunciada não chega. Abaixo tem um apanhado geral das revistas mais conhecidas (nacionais e gringas). Se por acaso eu esqueci de mencionar alguma, por favor, escrevam nos comentários que faço correções e atualizações. Se você publica alguma revista do gênero fique a vontade para comentar também.

Agora corra para às livrarias, bancas ou lojas virtuais para comprar um exemplar.


SERROTE #19
A revista brasileira de ensaismo publicou um novo número com o mesmo capricho de sempre. Já na abertura, Silviano Santiago assina um ensaio fantástico chamado Grafias de vida - a morte em que trata a respeito do fato e da ficção na construção de personagens reais ou imaginadas. John Jeremiah Sullivan escreve um ensaio para falar sobre o gênero ensaio. Antônio Xerxenesky fala sobre a metafísica de Miami Vice. Luigi Amara escreve sobre perucas e Charles Baudelaire envia uma carta a Richard Wagner. Imperdível!



JANDIQUE #7
Revista voltada para ficção e novos escritores está a todo vapor. Seu número mais recente tem textos de Newton Sampaio, Dione Carlos, João Lucas Dusi, Victor Augusto Iannuzzi Corrêa, Victor Hugo Turezo, Douglas Cardoso, Marcos Pamplona, Otavio Linhares e Ottavio Lourenço. Para completar tem uma entrevista com André Viana, autor do livro O doente (um trecho do livro está no fanzine Casmurros #4). As ilustrações da revistas ficaram a cargo de Theo Szczepanski.



ARTE E LETRA: ESTÓRIAS Y
Outra revista para quem gosta muito de ficção. O último número saiu no ano passado, mas merece atenção. Tem textos de Teresa de La Parra, Luci Collin, Flávio Izhaki, Mariana Ianelli e outros mais.


MAPA #3
A terceira edição dessa revista saiu no ano passado. De lá pra cá, os editores deram uma pausa. Seja como for, o número tem tantos textos interessantes que você pode ler tudo sem pressa até que chegue o novo número. Tem, por exemplo, Ana Resende, André Gordirro, Jennifer Egan, Anne Enright, Antônio Xerxenesky, Guilherme Gontijo Flores, Luís Henrique Pellanda, Jeffrey Eugenides e outros mais.


PARIS REVIEW #212
A revista literária mais famosa do mundo celebra a primavera. Os textos de ficção são de autores que não são conhecidos por aqui. Vale para descobrir coisas novas e para se esbaldar nas entrevistas definitivas com Lydia Davis, Hilary Mantel e Elena Ferrante (de quem vamos ouvir falar muito nesse ano, pois L'amica geniale é tido como um lançamento muito esperado para esse ano).


MC SWEENEY'S #48
Não é a revista mais antiga, mas é a mais inventiva. Cada número é tão surpreendente que mantém a gente naquela expectativa de como será o próximo. Pois bem, em sua nova edição a Mc Sweeney's vem em dose dupla (isso mesmo - são duas revistas em uma) com visual delirante e muita originalidade. O primeiro volume tem textos da escritora mexicana Valeria Luiselli (o romance Rostos na multidão saiu aqui pela Alfaguara), Téa Obreht (autora do romance A noiva do tigre que saiu pela Leya) e Dave Eggers que dispensa apresentações. O segundo outro volume inclui 6 histórias de autores croatas todos inéditos por aqui.


RASCUNHO #179
Não é propriamente uma revista. É um jornal. Sempre vale mencionar porque é um dos jornais literários de maior atividade no Brasil - ainda bem que ele existe. O cardápio tem tudo aquilo que a gente gosta entrevistas, resenhas críticas, ensaios, artigos e muito mais.


GRANTA #30
Outra revista que dispensa muitos comentários pela sua fama, prestígio e longevidade. Apesar de sua internacionalização a Granta inglesa (a primeira de todas) continua voltando seu olhar para a literatura do mundo, de outros países, de outros territórios não necessariamente europeu, anglófono e ocidental. A nova edição é dedicada a Índia e tem um amplo painel da ficção produzida por lá - não conheço nenhum dos autores presentes no número e tenho a impressão de que também não são conhecidos por aqui. Vale a pena dar uma olhada enquanto uma nova edição da versão brasileira da revista não chega.

*Imagens: divulgação.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014

REVISTAS LITERÁRIAS PARA TODOS

Faz tempo que eu não recomendo revistas literárias por aqui e acho bem oportuno fazê-lo nesse momento, pois elas vivem uma fase interessante tendo que reinventar-se quando todo mundo só fala na crise vertiginosa que assola o mercado. É sintomático que seja assim. Não dizem que quando uma coisa morre é que ela ganha importância.


SILVA #4
Eu bem que tentei, mas não descobri nada a respeito do quarto número do SILVA (eu tenho os três anteriores). Só sei que tem uma ficção do Ricardo Lísias e uma resenha de Victor da Rosa sobre Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Para quem não conhece, o SILVA é um pequeno fanzine artesanal organizado pelo Lísias com distribuição gratuíta - o lema é "se dobra, mas não se vende". 


Jandique 
A revista organizada pela editora Encrenca, de Curitiba, completa seu primeiro ano de vida e coloca na rua sua quinta edição. Seu foco é a literatura curitibana e dessa vez as páginas são ocupadas com textos de Valêncio Xavier, Marcelo Sandmann, Vanessa C. Rodrigues, Luiz Felipe Leprevost, Daniel Zanella, entre outros. O destaque é a entrevista com  Caetano W. Galindo


Paris Review
A revista literária mais glamourosa do gênero vai publicar uma nova edição especialíssima com trechos de um romance recém-descoberto de Roberto Bolaño, textos de ficção de Lydia Davis e entrevistas com Cormac McCarthy e Thomas Pynchon (como vocês sabem ele é recluso, avesso a fotos, aparições e badalações). O portolio fotográfico é assinado por Salman Rushdie - que aderiu a moda dos 'selfies'.


Arte & Letra 
Voltada para a ficção e tradução de autores inéditos em português chega a edição "X". Tem textos de Julio Cortázar, Caetano W. Galindo, Suzana Montoro, Ivana Arruda Leite, Peter Panter, Luiz Ruffato e muitos outros.


McSweeney's 
Dave Eggers e sua equipe de editores não se cansam de fazer a revista literária trimestral mais inventiva do momento - existe desde 1998. Cada número parece único. Sua nova edição (de número 46) é totalmente dedicada a América Latina e reúne 13 histórias de crime com autores de dez países diferentes. Entre os Tem Alejandro Zambra, Santiago Roncagliolo, Juan Pablo Villalobos (praticamente brasileiro morando em Campinas e falando um português fluente), Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho e Carol Bensimon.


Revista Mapa 
É mais jovem de todas as revistas dessa lista e chega ao seu segundo número. Também vem de Curitiba e publica apenas ensaios, resenhas e artigos voltados ao universo literário em diagramação jovem e cheia de ilustrações bacanas. Os editores firmaram uma parceria estrangeira e publicam com exclusividade textos do New York Times e The New York Review of Books. Para termos uma ideia, esse número tem Margaret Atwood, Joyce Carol Oates, Mohsin Hamid, Zoë Heller, Vanessa C. Rodrigues, Luís Henrique Pellanda e muito mais. Tudo gratuíto.


Serrote 
Embora seja dedicada ao ensaio (esse gênero que acomoda todos os assuntos do mundo - para entender melhor vale ler "O ensaio e sua prosa", de Max Bense que está nessa edição) e as artes, essa charmosa revista também publica textos de ficção. Em seu novo número tem textos de W.H. Auden, Delmore Schwartz e Lou Reed. Destaque também para o ensaio de anotações visuais de Antonio Dias.


Granta (inglesa) 
Fechando a lista, a revista literária mais antiga ainda em atividade de que se tem notícia. Apesar de ter estendido seus domínios pelo mundo abrindo edições em línguas estrangeiras, a revista inglesa original não perde sua força. Se não estou enganado, o número que deve sair nas próximas semanas no Reino Unido será o primeiro sem o antigo editor, John Freeman. Será dedicado inteiramente ao Japão (e vai sair quase concomitantemente a versão japonesa da Granta) tem Adam Johnson, Tao Lin, David Mitchell, Ruth Ozeki e muito mais.

Bom, por enquanto é só. Se vc tiver algum fanzine ou revista do gênero e quiser divulgar por aqui, por favor, entre em contato.

*Imagem: reprodução de capas das revistas.
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

DUAS REVISTAS


Amanhã chega às livrarias a nova edição da revista Serrote. A capa tem uma pintura feita por Jacob Lawrence que faz parte de uma série de pinturas chamada "Migração" retratando a migração dos afro-americanos do sul rural para o norte urbano dos Estados Unidos. A edição tem textos de Alejandro Zambra falando de computadores, Adam Gopnik comentando o estilo de Gertrude Stein, Milton Hatoum sobre Graciliano Ramos (ensaio lido na abertura da última FLIP), Julian Barnes sobre artes visuais e Alberto Manguel sobre cartas de amor.

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Também saiu na gringa a nova edição da Granta com tema "After the War". Tem ficção de Yiyun Li e Paul Auster e ensaios assinados por Hari Kunzru e Herta Müller.

*Imagens: divulgação.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

NAS BANCAS DE REVISTA


Nessa semana, o caderno Link (do Estadão) publicou a tradução de um artigo instigante chamado "Profetas digitais" assinado por Steven Poole. Em resumo, o jornalista fala sobre os cibergurus e suas tantas teorias que até agora não deram em nada. Pior do que isso é saber que toda essa revolução tem como único objetivo beneficiar as grandes empresas de tecnologia e seu antigo modelo capitalista com nova roupagem. Assim, o tão falado fim da mídia e do sistema editorial como o conhecemos está tão distante da gente quanto os canais de Marte. Recomendo a leitura!

Embalado por esse espírito provocativo, fiz um giro pelas revistas literárias que vão agitar a temporada e que estão disponíveis nas bancas de revista e livrarias bem próximas da sua casa. De preferência em versão impressa.

O fim do verão...


A revista serrote promete manter o clima da estação e esquentar os seus neurônios. O novo número tem um texto inédito de Paulo Ronái sobre o escritor Honoré de Balzac; tem um ensaio do professor de literatura Michael Wood e do escritor Colm Tóibín sobre a maneira como as famílias de Marcel Proust e John Cheever tiveram influência na construção de suas obras; tem também um ensaio de Thomas Mann sobre a existência, um verbete do alfabeto serrote assinado por Emílio Fraia e muito mais. A revista circula com duas capas diferentes que juntas formam a capa de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald desenhada por Eugênio Hirsch, designer austríaco que fez inúmeras capas de livros para a editora Civilização Brasileira.


Em breve, Curitiba deverá se tornar a capital das revista literárias. Acaba de surgir a revista Jandique que pretende divulgar nomes inéditos e consagrados da literatura paranaense. O primeiro número tem textos de ficção assinados por Manoel Carlos Karam, Luiz Felipe Leprevost, Assionara Souza, Alexandre França, Fabiano Vianna e Eduardo Capistrano. Já a veterana Arte e Letra: Estórias chega a vigésima edição batizada com a letra "T". Tem contos de Thomas Wolfe, Roberto Arlt, Miguel de Unamuno, Vinicius Jatobá, Luisa Geisler, Vanessa C. Rodrigues e muitos outros. O jornal Rascunho segue robusto na edição de março tem entrevista com Xico Sá, ensaio sobre Cormac McCarthy, mais ficção inédita de Vinicius Jatobá e Luiz Ruffato e muitas resenhas.

... e o começo da primavera


Enquanto isso, nos Estados Unidos e na Europa, a primavera promete ser animada. A revista Paris Review comemora 60 anos trazendo na capa uma bela foto de George Plimpton - fundador da lendária revista. Além das entrevistas, ensaios e textos de ficção haverá um baile de primavera que promete agitar a noite literária de Nova York. Aos interessados um aviso: o ingresso para a festa custa a módica quantia de $600,00.

A Granta (versão inglesa) também está com novo número. O tema é "Betrayal" - tem um texto de ficção de Ben Marcus, autor de The Flame Alphabet um dos melhores romances do ano passado segundo a crítica norte-americana.

Falando nisso, Portugal finalmente terá sua versão da revista Granta. O primeiro número será lançado em maio pela editora Tinta-da-China e terá como tema o "eu". O nome dos escritores que vão participar dessa edição corre em segredo. Por enquanto, o organizador da revista confirmou que haverá textos de oito escritores portugueses vivos e um escritor já falecido. O lançamento dá continuidade a estratégia da Granta de ampliar os domínios de sua marca para além do território da língua inglesa. No Brasil, a revista foi lançada em 2007. O último número foi publicado em novembro do ano passado com o tema "Medidas extremas".

*Imagem: divulgação.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOTAS #38

Jantar fictício
Já imaginou se a gente conseguisse fotografar as refeições das nossas personagens favoritas? Foi pensando nisso que Dinah Fried montou a série Fictitious Dishes retratando refeições dos romances O apanhador no campo de centeio (foto acima), Oliver Twist, Alice no país das maravilhas, Os homens que não amavam as mulheres e Moby Dick. Nem preciso dizer que o prato do Oliver Twist é o mais simples, né?

Ficção para homens
Foi se o tempo em que romances e contos eram mania das "senhouras". Não se engane: ficção também é coisa para homem. Se alguém ainda tinha alguma dúvida, a revista Esquire responde com três novas histórias assinadas por Stephen King e Joe Hill (respectivamente, pai e filho), Lee Child e Column McCann - foram publicadas na edição do mês passado. Tem de ser muito macho!

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Falando nisso, o novo romance de Column McCann está pronto, mas deve chegar às livrarias norte-americanas somente em 2013. O livro chamado Transatlantic usa a história de três pessoas reais para criar uma obra de ficção: um escravo negro que parte dos Estados Unidos rumo a Irlanda em busca de democracia e liberdade, em 1845; dois jovens pilotos de avião deixam a Primeira Guerra Mundial para protagonizar o primeiro vôo transatlântico entre Newfoundland e o oeste da Irlanda, em 1919; e um senador americano que viaja para a Irlanda em busca de paz, em 1998.

De uma certa forma, McCann repete uma experiência que está presente em Deixe o grande mundo girar - transformando em ficção a história real do artista francês Philippe Petit caminhando por um cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Enquanto o artista se apresenta várias histórias brotam e convergem para um ponto de vista único. Afinal, como o próprio McCann gosta de afirmar "uma história são todas as história".

Edição limitada
1Q84, de Haruki Murakami fez muito sucesso nos países em que foi publicado. Nada que se compare ao lançamento no Japão, com as filas enormes e leitores dormindo na porta das livrarias - digamos que na Europa e nos Estados Unidos o frisson foi um pouco menor. Pois bem, se você é fã do escritor japonês é bom correr logo. Acaba de sair uma edição limitada e autografada de apenas 111 exemplares de 1Q84. Os três volumes recebem papel e tipografia especial. Ah! O texto está em inglês.

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No Brasil, 1Q84 deve chegar no segundo semestre - em edição normal mesmo.

Serrote 11
Acaba de chegar às livrarias a nova número da Serrote, revista de ensaismo publicada pelo Instituto Moreira Salles. A capa e o ensaio visual fazem parte da série Cabinet, feita pela americana Roni Horn. Tem ainda um um ensaio exclusivo do colombiano Héctor Abad sobre Joseph Roth; um perfil da escritora Marguerite Duras assinado por Enrique Vila-Matas; Brian Boyd falando sobre Machado de Assis e Vladimir Nabokov; Susan Sontag descrevendo seu encontro com o escritor Thomas Mann e Harold Pinter falando da primeira noite em que viu Samuel Beckett e muitas outras coisas mais.

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As duas belas surpresas ficam por conta do perfil de Michael Jackson assinado por John Jeremiah Sullivan, sensacão do ensaísmo americano, e o jovem jornalista Karl Marx na visão de Christopher Hitchens.

Foster Wallace em terras portuguesas
Uma notícia envolvendo David Foster Wallace está agitando a temporada de lançamentos literários em Portugal. Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho, estão empenhados na árdua tarefa de traduzir Infinite Jest - na versão portuguesa o livro receberá o carinhoso título de A piada infinita. O livro tem previsão de lançamento em novembro pela editora Quetzal e irá inaugura uma série de traduções da obra de Foster Wallace em Portugal (até agora nenhum de seus livros tinha sido publicado no país).

Salvato Telles Menezes (o pai) tem no currículo traduções dos livros V., de Thomas Pynchon e Cidades da noite vermelha, de William Burroughs (foi publicado no Brasil com o título Cidades da noite escarlate). Já Vasco Menezes (o filho) traduziu obras de Chuck Palahniuk e Por um fio, de Thomas McGuane (inédito no Brasil).

As mais de mil páginas foram traduzida apenas na Espanha (La broma infinita) e na Alemanha (Unendlicher Spaß) - por lá, o trabalho levou quatro anos.

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No Brasil, Infinite jest será publicado pela Companhia das Letras com tradução de Caetano Waldrigues Galindo (que traduziu Ulysses e muitas coisas mais). Ainda não tem previsão de lançamento, mas não deve sair antes de 2013.

*Imagens: Dinah Fried/reprodução; The Curved House/reprodução e capas do livros/divulgação.

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segunda-feira, 12 de março de 2012

REVISTA SERROTE #10

A Serrote, revista de ensaios do IMS, chega às livrarias nessa semana com sua décima edição. O número vem caprichado pelo ensaio visual Ficção nas coisas, de Waltercio Caldas e acompanha um caderno do Alfabeto Serrote totalmente dedicado a letra "D". No que diz respeito a prosa de ficção tem uma lista de privilégios escrita por Stendhal, um ensaio do crítico norte-americano Lee Siegel sobre o escritor John Updike (nesse mês ele completaria 80 anos, se estivesse vivo), uma entrevista de Pier Paolo Pasolini com o poeta Ezra Pound, um ensaio do crítico catalão Eloy Fernández Porta sobre as complexas relações entre arte e literatura e a cultura de massa, e um trecho de Isto não é um romance, de David Markson - ficção experimental inédita em português.

Completam a edição: o ensaio vencedor do Prêmio Serrote de ensaismo assinado por Luciano Gatti sobre o escritor alemão W.G. Sebald. Aliás, os três ensaios vencedores do prêmio estão disponíveis para leitura aqui. Sebald também aparece na Serrote #10 com um projeto chamado Não-contado sobre o artista Jan Peter Tripp.

O lançamento da revista será amanhã no IMS-RJ às 20h. Haverá um bate-papo entre o crítico de arte Luiz Camillo Osório e Waltercio Caldas.

*Imagem: reprodução.
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sábado, 12 de novembro de 2011

TRÊS REVISTAS E OUTRAS MAIS

Para aproveitar o feriado prolongado, um apanhado de revistas com muitos textos:


Serrote
Já está nas praças a edição #9 da revista de ensaios Serrote. Além do conteúdo de primeira (com textos de Cynthia Ozick, William Hazlitt, Sylvia Molloy, Rem Koolhaas, Bernardo Carvalho, Ronaldo Brito, William Faulkner, Paulo Mendes Campos, Julio Cortázar e muitos outros) a edição vem com projeto gráfico e visual caprichados. Coisas que nenhum iPad ou Kindle do mundo poderiam fazer. Tem até bonecas desenhadas e confeccionadas por Zelda Fitzgerald que você pode destacar, se quiser.


Granta
A edição #8 da versão brasileira da revista Granta tem o tema "Trabalho". Tem textos de Julian Barnes (o recém ganhador do Man Booker Prize), Marcello Fois, Aleksandar Hemon, Bruno Bandido, Doris Lessing, João Anzanello Carrascoza, José Luiz Passos, Mario Sabino, Michela Murgia, V.V. Ganeshananthan e Yiyun Li, e ainda um ensaio fotográfico de Walter Carvalho. As três pérolas da edição são o trecho do romance inédito de Bernardo de Carvalho previsto para 2012, um conto de Colum McAnn e um texto de Salman Rushdie sobre a preguiça.


Electric Literature
A bacanuda revista de ficção norte-americana chega a edição #6. Tem textos de Nathan Englander, Mary Otis, Matt Sumell, Steve Edwards e Marc Basch. Dá para ler em papel, iPhone, iPad, Kindle e até em PDF (tem de pagar, evidentemente). A belezura fica por conta de um vídeo baseado no conto "The Reader", de Nathan Englander (reproduzido abaixo).



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Vale lembrar que além dessas revistas ainda tem a nova edição da Granta inglesa com tema "Horror" (cheia de gente bacana escrevendo) e a Piauí (com muitos textos interessantes de Ricardo Lísias e outros mais).

*Imagens: reprodução.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

CAPA FETICHE

É um clichê dizer que a gente compra livros por causa da capa. Mas a verdade precisa ser dita: uma capa bonita causa um inevitável desejo de compra. Não conheço ninguém que nunca tenha comprado um livro por causa da capa - ao menos uma vez na vida. Concordo com o Peter Mendelsund quando ele diz que a capa de um livro é a cara (o rosto) dele. É como ele se apresenta pra gente.

Num mundo em que o livro impresso tem sua morte anunciado, projetos gráficos mais orgânicos ganharam uma importância nunca vista antes.

Acho que rola a mesma coisa com capa de revista, de disco (ainda existem discos?) e primeira página de jornal. Olhando nas bancas percebi uma tendência nas revistas de criar capas diferentes para a mesma edição - quem não lembra daquela capa múltipla da revista Superinteressante ou mesmo das três capas da revista Serrote.

Daí li na Coluna de Babel (da Raquel Cozer) uma notícia que parece pegar carona nessa ideia: a Editora 34 lança em agosto uma edição do romance O duplo, de Dostoievski com três versões de capa. O objetivo foi destacar "as ilustrações do expressionista austríaco Alfred Kubin – 26 delas foram publicadas originalmente na edição alemã de 1933 e são agora reproduzidas no interior da edição".

Capas diferentes para um mesmo livro já tinham aparecido no Brasil para a famosa série de entrevistas da revista Paris Review - que saiu aqui pela Companhia das Letras. Na primeira edição as capas foram personalizadas por Marco Mariutti e Clovis França. Já a nova edição (que foi lançada esse ano) ganhou projeto ultratecnológico assinado por Flávia Castanheira. Nenhuma capa desse livro é igual a outra - coisa impressionante!


Para finalizar, descobri num post do Almir de Freitas que a editora Vintage Books está lançando novas edições de livros de Oliver Sacks. O projeto gráfico ficou a cargo de Cardon Webb - um designer descolado de Nova York. O detalhe mais impressioante é que as diferentes imagens de capa das seis edições em conjunto formam uma única figura. Como se fosse um quebra-cabeça enorme. Aqui acontece o inverso dos casos que citei antes, a capa foi pensada como um conjunto, uma coleção.

Pensando aqui com meus botões, acho que a ideia não foi inventada agora. Certamente deve haver outros exemplos de gente que criou essas capas seriais antes - alguém se lembra de algum (escreve aqui nos comentários que eu faço uma atualização depois)? Agora fico me perguntando se isso pode virar tendências nas capas das edições brasileiras. Evidentemente é um recurso que precisa ser usado com cautela e em ocasiões especiais. Em demasia pode cansar.

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Atualização: uma pessoa anônima e o Mauro Siqueira lembraram da série de capas para a coleção Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell. O Samir Machado conta mais coisas sobre essas capas no blog Sobrecapas. Abaixo a imagem:

Alguém lembra de mais alguma?

*imagens: reprodução.

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sábado, 25 de junho de 2011

O VERÃO DOS GRINGOS


Na semana passada, o caderno Ilustríssima publicou um "Diário de Londres" assinado por Vaguinaldo Marinheiro - correspondente da Folha de SP em Londres. Ele comecava o texto falando sobre a chegada do verão na Inglaterra. O verão tem mesmo um poder transformador em todos os países temperados do hemisfério norte. Por lá, as altas temperaturas são celebradas com festivais de música, apresentações ao ar livre e muita leitura. O jornais e revistas são os melhores termômetros para saber o que está acontecendo com a literatura de lá.

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A edição de verão da revista Paris Review tem a segunda parte do romance O terceiro Reich, de Roberto Bolaño, ficção de Jonathan Lethem (The empty room - disponível no site da revista) e entrevista com William Gibson - um dos papas da ficção científica. O editor, Lorin Stein, continua com seu projeto de renovar o espírito da revista com o lançamento da versão para iPad e e-readers.

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O jornal inglês Guardian, publicou uma reportagem com alguns escritores contando qual foi a melhor leitura de férias da vida deles. AS Byatt, por exemplo, contou da inesquecível experiência de ler todos os volumes de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust - detalhe, em francês. Jonathan Coe relembra a leitura de Narciso e Goldmund, de Hermann Hesse. Para Jennifer Egan foi A história secreta, de Dona Tartt e Jonathan Franzen recordou Gente independente, de Halldôr Laxness. Tem ainda William Gibson, John Gray, David Lodge, Will Self, Colm Tóibín e outros.

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A New Yorker também publicou sua clássica edição dupla de ficção. Turbinada com textos de autores como George Saunders, Jhumpa Lahiri, Jeffrey Eugenides, Vladimir Nabokov, Jennifer Egan, Téa Obreth, Junot Díaz e Salvatore Scibona - (os links são para os textos que estão disponíveis para leitura no site).

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Aproveitando essa edição dupla da New Yorker, o time do Book Bench perguntou para os escritores que figuram na edição quais os livros que eles pretendem ler durante a temporada.

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Nós moramos num país tropical e não estejamos no verão. No entanto, tivemos o lançamento da edição nº 08 da revista Serrote. Tem ensaio de Orhan Pamuk (Sérgio Rodrigues comentou no Todoprosa), ficção de Lydia Davis inspirada em Flaubert, ensaio de Juliet Litman sobre as consequencias do 11 de setembro na literatura norte-americana, prefacio do romance Museu de sombras, de Gesualdo Bufalino, texto de Raul Pompéia e muitas coisas mais.

*imagem: reprodução.

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

GEOFF DYER - ESCRITOR E ENSAISTA



Preparando a próxima edição do fanzine, tive uma vontade enorme de incluir um artigo escrito por Geoff Dyer. "Não custa nada tentar", pensei. Seria bom ao mesmo tempo para o fanzine, para quem gosta do escritor e para aqueles que vão descobri-lo. Só que infelizmente, não consegui o artigo. Uma pena!

Geoff Dyer esteve recentemente no Brasil para o lançamento da última edição da revista Serrote que publicou seu ensaio “Sobre ser filho único”. Naquela semana, ele fez uma palestra no Centro Cultural do Instituto Moreira Salles sobre um assunto do qual ele tem grande domínio: o ensaio pessoal. Partindo da experiência pioneira de Montaigne, Dyer falou sobre a natureza do ensaio. Um gênero ao mesmo tempo sedutor e perigoso por conta de sua aparente liberdade. Sem definir ou limitar nada, falando de maneira bastante clara, pausada e objetiva. Coloquei a primeira parte acima, mas nesse link é possível assistir a palestra inteira - aliás, recomendo! Depois de assistir, vocês vão entender a delícia que é um ensaio escrito por ele.

“Sobre ser filho único” está na edição da Serrote e na coletânea de ensaios publicada em 2010 na Inglaterra com o título Working the room e no mês passado nos Estados Unidos com o título Otherwise known as the human condition. Se não me engano, alguns desses ensaios foram publicados esparsadamente em jornais e revistas. Em seu blog, a revista Paris Review definiu o livro como "um curioso armário de opiniões que variam entre fotografia, arte e literatura, combinados com a abordagem experimental de Dyer para tópicos tão amplos como incursões no mundo estrangeiro, e sua busca pela combinação perfeita de cappuccino com donut".

Tanto talento tem grandes admiradores, como a escritora Zadie Smith. Ambos são ingleses e vivem refletindo e escrevendo ótimos textos críticos de toda natureza - ensaios, porque não. Numa conferência sobre escrever resenhas para revistas, Zadie Smith falou sobre ele:

"Geoff é reveladoramente direto, sem deixar faltar nenhum tipo de complexidade intelectual. Ele diz exatamente o que ele quer dizer, o mais diretamente possível. E os resultados são impressionantes para mim, e também uma espécie de... a única coisa que invejo no Geoff, e desejo esperançosamente, quando eu ficar um pouco mais velha, é apenas a variedade de seus interesses".

No Brasil, se não me fala a pesquisa, só foram publicados três livros dele: Ioga para quem não esta nem aí, O instante contínuo e Jeff em Veneza, morte em Varanasi. A obra dele compreende algo em torno de doze livros - fora o restante.

Quem ficou interessado e quer saber mais tem de ler: O olhar errante de Geoff Dyer um perfil escrito por James Wood e publicado no blog do IMS; a reportagem e entrevista de Raquel Cozer na época do lançamento de Jeff em Veneza, morte em Varanasi; a entrevista para o blog da revista Paris Review sobre Otherwise known as the human condition.

*vídeo: reprodução.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

DOIS ITENS PARA PENSAR NO FINAL DE SEMANA


O blog do Instituto Moreira Salles tem uma seção bem interessante chamada "Desentendimento". Nela dois convidados debatem opiniões diferentes sobre um assunto comum. Na seção desse mês Beatriz Rezende e Alcir Pécora falaram sobre a literatura brasileira contemporânea com mediação de Paulo Roberto Pires. Salvo uma perda de foco na discussão aqui e ali, o vídeo serve como um painel em menor escala de dilemas que a gente vira e mexe enfrenta na vida, nas conversas de botequim e nos congressos acadêmicos. Recomendo ver inteiro - aqui.

Assistindo ao vídeo a gente tem a impressão de que não existe salvação para aqueles que gostariam de se tornar escritores ou críticos literários. A crise que atinge as artes contemporâneas parece tão real que chega a nos imobilizar. No entanto, não podemos ser tão apocalípticos assim! Há boa literatura no mundo e há boa literatura no Brasil.

Me parece que o debate acerta em cheio quando diz que a própria academia está matando a literatura, que a crítica se encontra fora do eixo e que não temos público leitor - conclusões não tão inéditas, mas comentadas com conhecimento de causa.

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Do outro lado e num outro momento, Antônio Xerxenesky escreveu um texto que resume bem a cobrança imposta aos escritores nacionais: "ser "o novo Guimarães Rosa", "a nova Clarice Lispector", mais do que produzir uma ficção fantástica despretensiosa e divertida". Tenho cá pra mim que mesmo que esse sujeito apareça, vamos sempre querer mais. Uma perseguição parecida acontece em outras áreas: queremos ganhar o Oscar, o Prêmio Nobel etc.

Mais do que Guimarães Rosa e Clarice Lispector, a gente precisa romper com essa fixação para colocar a academia nos eixos e criar melhores condições para que novos leitores apareçam no pedaço.

Questões para a gente pensar no final de semana.

*imagem: reprodução.
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domingo, 13 de março de 2011

SERROTE #7

A revista Serrote #7 chega amanhã as livrarias. Tem bastante coisa interessante: um ensaio de Geoff Dyer, a entrevista de Jonathan Frazen para a revista The Paris Review (na época do lançamento de Freedom, nos Estados Unidos e Inglaterra), fotos reveladoras do cotidiano de James Joyce feitas por Gisèle Freund, texto de Thomas Bernhard e um verbete assinado por Noemi Jaffe. Tem outras coisas também, estou destacando os assuntos ligados à literatura, ficção etc.

Um texto de Marcelo Coelho que está na edição foi publicado no caderno Ilustríssima - somente para assinantes do jornal.

*imagem: reprodução.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SERROTE NAS LIVRARIAS


Calma, caro leitor. Não se trata de uma dose tripla da revista Serrote, mas bem que poderia. É que a sexta edição está tão boa que precisou de três capas diferentes - todas assinadas por Felipe Cohen.

Só para você ter uma ideia: tem um artigo do escritor Alberto Manguel; tem Roberto Bolaño escrevendo sobre As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain; tem um ensaio impressionante de Henri Focillon - “Elogio da mão”; tem Armando Freitas Filho escrevendo sobre a expressão mais usada por João Cabral de Melo Neto - “Compreende?”; tem David Foster Wallace no Alfabeto; tem Maurice Blanchot falando sobre a morte; tem Rodolfo Walsh na seção "Carta aberta" e tem muitas outras coisas.

A melhor notícia é que a Serrote é quadrimestral. Assim, dá tempo de ler tudo até sair o próximo número.

*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

A LITERATURA NOS VIDEOGAMES: O CASO GRANDE GATSBY

Você já imaginou que algum dia o seu livro preferido poderia ter uma versão para o vídeogame? Pois foi exatamente isso que aconteceu com O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. A empresa Big Fish Games desenvolveu um jogo para PC a partir da história do livro. Eu não fiz o download para teste e nem joguei uma partida, mas segundo o Los Angeles Times a tal versão ficou a desejar. O problema não é a fidelidade em relação a história original, mas a falta de dinâmica do jogo. Tudo o que o jogador tem de fazer é clicar e acumular pontos em cenários bastante estáticos. Por fim, você apenas acompanha a história sem adentrar aquele universo.

Um dos grandes atrativos dos videogames atuais é justamente dar ao jogador a possibilidade de vencer obstáculos, construir narrativas e participar totalmente da história que está sendo apresentada. Qualquer um que já passou os olhos em jogos do Playstation, Xbox, Wii e afins sabe que os vídeogames estão chegando a um nível de realismo e interatividade incríveis. E o casamento entre literatura e vídeogame tem todas as chances de render bons frutos - vide, por exemplo, o ensaio Virando o jogo, de Daniel Galera para a revista Serrote.

Essa semana, Salman Rushdie também tocou no assunto ao falar sobre seu novo livro Luka e o Fogo da Vida - que será lançado na FLIP. Luka, o protagonista do livro, tem de roubar o fogo da vida na Montanha do Conhecimento para salvar seu pai do sono da morte.

Seguindo o embalo, o blog Flavorwire fez uma lista com dez clássicos da literatura que poderiam render bons jogos. Entre eles: A revolução dos bichos, de George Orwell; Pé na estrada, de Jack Kerouac; Emma, de Jane Austin; As bruxas de Salem, de Arthur Miller e O sol é para todos, de Harper Lee. Claro que uma experiência não deve substituir a outra, mas pode servir como um verdadeiro complemento e atrativo para as pessoas que são altamente envolvidas com o universo do vídeogame.

Imagine o dia em que lançarem o jogo de Ulisses, de James Joyce?

*imagem: reprodução do site bigfishgames.com
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quinta-feira, 29 de abril de 2010

NÃO ESQUECEMOS O DIA MUNDIAL DO LIVRO

A QUESTÃO DOS LIVROS - Passado, presente e futuro
De Robert Darnton
Tradução de Daniel Pellizzari
Companhia das Letras

Sexta-feira passada (23/04) foi o Dia Mundial do Livro. Não esquecemos a data, embora a notícia e a comemoração estejam aparecendo atrasadas por aqui. Para uma data tão especial, recomendamos a leitura de A QUESTÃO DOS LIVROS - Passado, presente e futuro, de Robert Darnton. O livro é uma reunião de artigo escritos por Darnton sobre o futuro do livro na era digital.

A revista Serrote #1 também publicou um ensaio do Darton sobre o assunto.

Ainda vamos falar muito sobre Robert Darnton por aqui. Ele será uma das principais atrações da próxima FLIP que acontece de 4 a 8 de Agosto.

foto: divulgação

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