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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O QUE TEM PORTO ALEGRE?



Porto Alegre é um lugar que intriga a gente que não é de lá. Você já reparou na quantidade de escritores gaúchos que aparecem todos os meses? Nunca estive na cidade, mas sei que eles têm uma cena literária bastante sólida apoiada pelos congressos, feiras de livro, prêmios literários, editoras, fanzines, blogs e bares da cidade (o elemento mais importante).

Os gaúchos têm tantos escritores que pegaram o modelo da Copa de Literatura e fizeram um campeonato regional só deles. O Gauchão de Literatura vai para a segunda edição com quarenta e oito concorrentes, todos com romances que foram publicados em 2009 ou 2010. É tanta gente que o torneio é dividido em três fases e começa no dia 4 de julho com previsão de terminar só em dezembro.

Não contentes, lá mesmo em Porto Alegre, o pessoal do StudioClio criou um projeto um pouco similar chamado Sport Club Literatura. Funciona assim: uma vez por mês todo mundo se reúne para assistir um jogo com duas disputas - uma histórica "denominada Coliseu (com clássicos e épicos da literatura) e uma pelada chamada Com-ca versus Sem-ca (com jogos mais alternativos, modernos, com ou sem critérios)". A diferença é que no Sport Club Literatura as partidas são ao vivo com a presença da torcida, de dois julgadores e um mediador. Ah! Os autores envolvidos na disputa não são necessariamente gaúchos.

O primeiro jogo acontece na próxima terça-feira (21 de junho) - tem de comprar ingresso para assistir. Na disputa da série Coliseu: Orgulho e preconceito, de Jane Austen enfrenta Middlemarch, de George Elliot com os juízes Milton Ribeiro e Joana Bosak. Na pelada vai ter um duelo de gigantes: 2666, de Roberto Bolaño e Liberdade, de Jonathan Franzen. Os juízes serão Antônio Xerxenesky e Carlos André Moreira.

Até deu vontade de comprar uma passagem para Porto Alegre, né?

*imagem: reprodução da Wikipédia.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

É O MUNDO LITERÁRIO FEMININO

Que me perdoem os rapazes leitores desse blog, mas há uma discussão urgente em torno do feminino abalando os pilares literários. E o negócio está ficando sério demais para ser simplesmente deixado de lado.

Olha para trás, parece que tudo começou com a exposição New Publications da artista plástica Daniela Comani numa galeria de arte em Los Angeles. A fim de criticar a ausência feminina no cânone literário ocidental, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura ocidental e mudou o gênero de seus títulos - de masculino para feminino e vice-versa.

Logo depois, em tom de celebração a questão feminina, a revista Granta lançou uma edição com o tema "The F Word" ("A palavra F", em tradução literal) mostrando como o feminismo continua tentando romper o poderoso domínio masculino no mundo. Na autoria dos textos mulheres (e somente mulheres) de diversas partes do mundo olhando para a questão feminina. Entre elas Lydia Davis, A.S. Byatt e Téa Obreht num texto de introdução a um ensaio fotográfico de Clarisse d’Arcimoles. Se não estou enganado é a primeira vez que a revista se dedica ao tema. De quebra o site da Granta disponibiliza mais conteúdos: um podcast entre Sigrid Rausing, editora da revista, e duas escritoras, Rachel Cusk e Taiye Selasi; um post sobre as "bíblias do feminismo" no mundo com direito a discussão no twitter protagonizado pelos leitores (leitoras!) dizendo quais são suas "bíblias" particulares; tem ainda o prefácio de Helen Dunmore para uma nova edição do romance Rumo ao farol, de Virgína Woolf que está saindo na Inglaterra - ninguém melhor do Woolf para corroar esse tema.

Curiosamente, a revista Esquire (publicação voltada ao público masculino) divulgou em seu site uma lista com 75 livros que todos os homens deveriam ler. Nenhuma novidade, listas surgem a toda momento e escolhem os temas mais diversos. A seleção inclusive tem um mérito particular por incluir medalhões da literatura: Dostoiévski, Tolstói, John Le Carré, Raymond Carver, Jorge Luís Borges, John Steibeck, Cormac McCarthy, James Joyce, Philip Roth, John Updike, Ernest Hemingway, William Faulkner, Saul Bellow, Charles Bukowski, Joseph Conrad, F. Scott Fitzgerald, Salman Rushdie, Kingsley Amis, Vladimir Nabokov, Don DeLillo e tantos outros. Porém, o que poderia ser uma lista à toa causou uma grande indignação feminina por citar apenas uma única escritora: Flannery O'Connor. Como em tempos de internet todas as notícias se espalham com facilidade não faltaram manifestações nas redes sociais contrárias a Esquire. A revista Joyland, por exemplo, fez uma lista com 250 livros escritos por mulheres que todos os homens deveriam ler. Pode ser que a revista não tenha feito de propósito, vai saber.

Em outro momento, o Book Bench da New Yorker, sem querer, também tocou no assunto literatura feminina. Elizabeth Minkel escreveu um post - Bad Romance? - comentando uma pesquisa sobre os danos que os romances podem causar as mulheres (víciam, por exemplo). Ela até toca na polêmica envolvendo a escritora Jennifer Egan, recém-ganhadora do prêmio Pulitzer. Numa entrevista ao Wall Street Journal, Egan falou contra o gênero Chick-Lit.

O caso V.S. Naipaul
Para encerrar o assunto, essa semana V.S. Naipaul, escritor renomado e ganhador do prêmio Nobel, atacou a literatura feita por mulheres. Segundo reportagem do Guardian, quando perguntado se poderia haver alguma escritora que se igualasse a ele a resposta foi "eu acho que não". Ele citou Jane Austen dizendo "não posso compartilhar suas ambições sentimentais" e ainda disse "eu leio um texto e em um ou dois parágrafos consigo saber se foi escrito por uma mulher ou não". O jornal lembra que Naipaul sempre diz coisas que ganham repercussão citando a desavença entre ele e Paul Theroux que foi dissipada nessa mesma semana.

Em forma de brincadeira, o Guardian criou um jogo em que os leitores são convidados a descobrir se o trecho foi escrito por um homem ou uma mulher. Seria muito engraçado ver o desempenho de Naipaul. Será que ele teria mais acertos do que erros?

No Brasil
Entre nós, brasileiros, a literatura feita por mulheres também sofre do mesmo mal. Quem quiser entender mais sobre o assunto pode recorrer ao artigo Feminismo e literatura no Brasil, de Constância Lima Duarte que foi publicado pela revista Estudos Avançados. Tem também o clássico livro A literatura feminina no Brasil contemporâneo, de Nelly Novaes Coelho.

À guisa de conclusão listo algumas escritoras brasileiras que todos os homens deveriam ler: Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Marina Colassanti, Hilda Hilst, Carola Saavedra, Verônica Stigger, Andréa Del Fuego, Cecília Giannetti, Tatiana Salem Levy, Carol Bensimon, Lívia Sganzerla Jappe e Vanessa Bárbara.

Alguém sugere mais alguma?

*imagens: reprodução.

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sábado, 27 de novembro de 2010

NOTAS #10


Arte ou obsessão?
Alfred Hitchcock tinha fama de ser um sujeito muito detalhista e meticuloso. Antes mesmo de começar qualquer filme, ele costumava pensar e avaliar muito as coisas que pretendia fazer. Prova disso são os arquivos contendo os vários storyboards para filmes como Os pássaros, Um corpo que cai, Psicose, etc. Juntos esses "estudos" poderiam resultar num belo graphic novel. Será que alguém já pensou em publicá-los em forma de livro? Alguns trabalhos podem ser visto em http://tinyurl.com/39osuom

Listas
Um blog na internet fez uma compilação com os 50 personagens mais odiados na história da literatura. Os organizadores avisaram que a lista resultou de conversas num fórum de discussão online. Os cinco primeiros são: o casal da saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer; o patriarcar Cholly Breedlove - O olho mais azul, de Toni Morrison; o adolescente Holden Caulfield - O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger; a heroína Scarlett O’Hara - E o vento levou..., de Margaret Mitchell; e o terrível Iago - Otelo, de William Shakespeare. Também tem espaço para as personagens de F. Scott Fitzgerald, Vladimir Nabokov, Oscar Wilde e Jane Austen. A lista está disponível em http://tinyurl.com/2ejwpkl

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Continuando as listas, o jornal Huffington Post escolheu 8 livros que jamais conseguiriam virar um filme. Entre eles estão: Extremamente alto & incrivelmente perto, de Jonathan Sanfran Foer; Maus - A Historia De Um Sobrevivente, de Art Spiegelman e Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.

Mais uma vez
F. Scott Fitzgerald caiu novamente nas graças dos diretores de cinema. Depois da adaptação bem sucedida de O curioso caso de Benjamin Button, produtores americanos anunciaram uma nova versão para O grande Gatsby. O romance mais conhecido de Fitzgerald chegará as telas pelas mãos do diretor Baz Luhrmann, tendo o ator Leonardo DiCaprio como Jay Gatsby e Carey Mulligan como Daisy Buchanan. Vale lembrar e assistir a famosa versão de 1974 dirigida por Jack Clayton, com Robert Redford e Mia Farrow no elenco. Detalhe: o roteiro foi assinado por Francis Ford Coppola e pelo próprio Fitzgerald.


Jane Austen Zumbi
Além de ser mestre nas artes marciais, Elizabeth Bennet do romance Orgulho, preconceito e zumbis tem um perfil no Facebook. A brincadeira faz parte de uma campanha de marketing da editora Quirk Books. A ideia é gerar publicidade boca-a-boca em torno do lançamento de Pride and prejudice and zombies: Dreadfully ever after - previsto para março do ano que vem. O livro será uma sequência de Pride and prejudice and zombies: Dawn of the Dreadfuls, de Steven Hockensmith. A Quirk ainda criou um perfil de Mr. Darcy no Twitter, um blog para Mrs. Bennett e prevê mais ações na internet.

Larsson em quadrinhos
Definitivamente, o sucesso em torno do escritor Stieg Larsson não tem hora para acabar. Dessa vez, a vida do escritor será transformada em quadrinhos com roteiro de Guillaume Lebeau e desenhos de Frédéric Rébéna. O livro tem previsão de lançamento em 2011 pela editora Dupuis.

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O Wall Street Journal também encontrou um e-mail de Siteg Larsson conversando sobre romances policiais. O texto está disponível em http://tinyurl.com/22ph9sa

Os livros favoritos de Salman Rushdie
Por ocasião do lançamento de Luka e o fogo da vida nos Estados Unidos, o Wall Street Journal perguntou a Salman Rushdie seus livro de fantasia preferidos. Sem pestanejar, o autor citou cinco livros que não são apenas para adolescentes: Aventuras de Alice no pais das maravilhas / Alice através do espelho, de Lewis Caroll; Peter Pan, de J.M. Barrie; O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien; A bússola de ouro, de Philip Pullman; e O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon.

A notícia Franzen da semana
O romance Freedom, de Jonathan Franzen já está sendo mais assimilado e tem recebido algumas críticas negativas. Para alguns o "hype" em torno de Franzen foi um pouco excessivo. A revista inglesa Literary Review, por exemplo, incluiu o romance na lista de indicados ao Bad Sex in Fiction Award - em tradução livre, significa algo como "Prêmio para o sexo ruim na ficção". O vencedor do prêmio será anunciado em 29 de novembro.

*imagens: reprodução Wikipedia e perfil de Elizabeth Bennet.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

OS CURIOSOS MANUSCRITOS DE JANE AUSTEN

Uma tese curiosa está no ar e deve mexer um pouco com a impressão que todos temos da escritora inglesa Jane Austen. Seria ela uma escritora experimental e a frente do seu tempo?

Tudo começou com o projeto Jane Austen fiction manuscripts. Uma equipe de especialistas recolheu e disponibilizou na internet mais de 1000 manuscritos que pertenceram à escritora. Durante a analise dos manuscritos a professora e diretora do projeto, Kathryn Sutherland, constatou que não havia neles a maneira precisa e elegante tão comum aos romances de Jane Austen. Pelo contrário, havia nos manuscritos muitas rasuras, diversas inserções, borrões e alguns problemas de gramática e ortografia.

O desvio fez com que a professora pensasse na hipótese de que Jane Austen estivesse criando algo experimental ao tentar aproximar seu texto do modo como as pessoas conversam na vida real. Alguns trechos têm pontuação irregular, as frases são corridas e as falas das personagens não são divididas em parágrafos específicos para cada uma delas. Na versão impressa dos livros tudo isso foi modificado e colocado na forma mais convencional. Os textos finais bem acabados de Jane Austen foram obra do editor William Gifford.

É difícil pensar até que ponto essas observações podem tornar Jane Austen uma escritora experimental ou não. Pode ser que essa maneira "diferente" de escrever fosse parte do temperamento da autora e não uma intenção previamente planejada. Um estilo de escrita sem pontuação e frases com estrutura modificada só chegaria aos romances no século XX - pense em James Joyce, William Faulkner ou José Saramago. Os problemas de gramática e ortografia também não diminuem a obra que ela deixou - obra que vem sendo especialmente celebrada nos últimos anos. Talento e fôlego para a empreitada Jane Austen tinha de sobra.

Os manuscritos estão disponíveis na internet no site do projeto Jane Austen fiction manuscripts.

*imagem: reprodução do site Jane Austen fiction manuscripts.

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terça-feira, 27 de julho de 2010

O CLUBE DA LUTA DE JANE AUSTEN

Um vídeo que já está se tornando viral na internet. É o Clube da Luta de Jane Austen. Baseado na ideia de Orgulho e Preconceito e Zumbis, em que as irmãs Bennett são verdadeiras mestres das artes marciais, o vídeo mostra famosas personagens dos romances de Jane Austen organizando um clube da luta - encabeçados por Elizabeth, de Orgulho e Preconceito. O mais engraçado é que o vídeo imita o filme Clube da Luta, de David Fincher, e lembra os filmes de Quentin Tarantino. (via Telegraph).


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