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segunda-feira, 1 de julho de 2013

OS ESCRITORES ESTÃO CHEGANDO


Nessa semana vai ser difícil fugir da FLIP. Por isso, não estranhe se uma enxurrada de textos ligados ao assunto pintarem por aqui. Vem comigo que no caminho eu te explico.

Começo falando sobre o escritor Michel Houellebecq que pela segunda vez cancelou sua participação na Festa alegando motivos pessoais. Na minha opinião, a participação dele fazia mais sentido na edição de 2011 quando tinha ganhado o Prix Goncourt por O mapa e o território. Seja como for, não deixa de ser uma pena! Seria interessante ver como se comporta ao vivo um escritor premiado que desperta amor e ódio por onde passa. As chances de um convite para outras edições devem diminuir depois disso.

Para os interessados nos eventos paralelos a programação principal vale ficar de olho na FlipMais, Casa Folha e Casa do IMS. Embora tímida, a FlipMais reserva duas boas mesas sobre tradução literária (um assunto que merece muita atenção): "O autor e seu tradutor" terá Michel Laub, Dominique Nédellec, Ronaldo Wrobel e Vincenzo Barca, respectivamente autores e seus tradutores, conversando sobre a tradução de suas obras para outras línguas; "Traduzir Flaubert" com Lydia Davis e Samuel Titan Jr. tradutores de Gustave Flaubert. A Casa Folha terá bons momentos com o cartunista Laerte, o poeta Ferreira Gullar e o norueguês Karl Ove Knausgård. A Casa do IMS terá um espaço reservado para os amantes da prosa de ficção com encontros abertos ao público para a gravação de programação da Rádio Batuta:

No dia 4 de julho, Bráulio Tavares fala sobre o escritor José Agrippino de Paula e Milton Hatoum conversa sobre A linha de sombra, de Joseph Conrad. No dia 5 de julho, Paulo Scott conversa sobre A náusea, de Jean-Paul Sartre, Lila Azam Zanganeh fala sobre Ada ou Ardor, de Vladimir Nabokov (o livro está fora de catálogo e merece uma reedição - alô, Alfaguara) e Adriana Calcanhotto fala sobre o escritor Mario Quintana. No dia 6 de julho, Daniel Galera conversa sobre A travessia, de Cormac McCarthy, Nelson Pereira dos Santos sala sobre a cachorra Baleia - do livro Vidas secas, de Graciliano Ramos - e Zuca Sardan e Chico Alvim falam sobre as personagens de seus livros. Todas as conversas serão disponibilizadas no site www.radiobatuta.com.br.

De sobra, a Casa do IMS ainda recebe uma exposição do fotógrafo David Drew Zingg e lançamento de uma coleção de DVDs com os filmes baseados na obra de Graciliano Ramos: Vidas secas, Memórias do cárcere e São Bernardo.

A editora Rocco também contará com uma casa, mas não terá uma programação
especial. Segundo a coluna Babel, do Estadão, a editora Record também terá uma casa na Flip - sem uma programação especial divulgada.

*Imagem: reprodução do Twitter da FLIP.
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segunda-feira, 30 de abril de 2012

PARA ENTENDER THOMAS PYNCHON

"Um grito atravessa o céu .
Isso já aconteceu antes, mas nada que se compare com esta vez."
O arco-íris da gravidade.

“Agora, reduzir todo o cordame!”
“Ânimo... com jeito... muito bem! Preparar para zarpar!”
“Cidade dos Ventos, lá vamos nós!”
Contra o dia.



Acabou de sair pela Companhia das Letras Contra o dia, escrito por Thomas Pynchon em 2006. Fui até uma livraria conferir um exemplar de perto, afinal não existe e-book nenhum páreo para a experiência material de ter um livro como esse nas mãos. Ainda mais quando a gente se dá conta de que ele tem impressionantes 1088 páginas que pesam exatamente 141700 kg (não tive como pesar o exemplar na livraria, peguei a informação no site). É uma espécie de monolito (como aquele do filme 2001 - Uma odisséia no espaço) no meio das estantes. Não só pelo tamanho, mas pelo significado que ninguém consegue explicar por mais que se tente.

Nesse caso, cabe ao leitor se aventurar pelo árduo universo pynchoniano a fim de arrancar ou construir algum sentido. Para não atravessar sozinho esse deserto, preparei uma compilação com as resenhas de Contra o dia que eu consegui encontrar nas revitas e nos jornais - parece que nos blogs foi meio ignorado, apesar de Pynchon ter uma verdadeira legião de fãs na internet.

A nova conspiração de Pynchon - Revista Época
O que Groucho Marx tem a ver com Faroeste? - Revista Bravo! (resenha assinada por Antônio Xerxenesky - um fanático por Pynchon, sobretudo por Contra o dia)
Paródias Arquitetônicas - Estadão
Homem difícil - Folha de SP (via Conteúdo Livre)

Tem também uma nota na revista Veja - apenas disponível na edição digital no site.

***

Ainda não li Contra o dia porque ainda nem comprei (cof!). Perdi uma promoção de lançamento com desconto de 20%, fato que lamentei imensamente para o vendedor da livraria. Como ele não me deu o desconto e a promoção ainda não tem previsão de retorno, resolvi esperar.

Seja como for, sei do mito em torno de Thomas Pynchon e acho muito curioso que um dos mais importantes escritores norte-americanos do século XX seja ao mesmo tempo tão cultuado e tão impopular. Não é algo gratuito, existem algumas explicações para o fato: os livros são herméticos, tem muitas referências obscuras, enredos complexos e repletos de "exercícios" de linguagem. Há um Pynchon mais simples, claro! Como aponta Xerxenesky V. (1963), Vineland (1990) e Vício inerente (2009) são mais palatáveis - os dois primeiros estão esgotados e o último acabou de sair também pela Cia das Letras.

A tradução foi feita por Paulo Henriques Britto que, segundo li, manteve contato direto com Pynchon para sanar algumas eventuais dúvidas de tradução. Acho importante comentar isso porque Pynchon não é muito dado a aparições públicas, nunca concede entrevistas e vive escondido por Nova York. Guardadas as devidas proporções, é quase um Dalton Trevisan flanando por Curitiba.

Se bem que ele flerta com o universo pop. Dizem que dublou a si mesmo num episódio dos Simpsons e também dublou o trailer de Vício inerente.

***

Contra o dia parece que está páreo a páreo com O arco-íris da gravidade (em tamanho e em complexidade). Aliás, André de Leones e Xerxenesky organizaram um programa da Rádio Batura (IMS) comentando O arco-íris. O mesmo livro será analisado em agosto num curso ministrado por Ricardo Lísias só com romances longos. Quem ficou interessado em Pynchon e quer saber mais sobre o cara pode ficar de olho no programa e no curso.

Tem um trecho de Contra o dia disponível aqui.

*Imagem: divulgação.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ANDRÉS NEUMAN - O BATUTA

A série Prefácios da Rádio Batuta que iria ao ar semanalmente todos os domingos andou atrasando um pouco as atualizações. Uma pena, pois a ideia é bastante original e o conteúdo de altíssimo nível. Eu nunca tive muita coragem de encarar Os sertões, de Euclides da Cunha, mas confesso que fiquei muito tentado depois de ouvir Alexei Bueno comentando o catatau barroco científico - para usar um termo da academia. Há outros programas tão encantadores quanto.

De qualquer forma, quero chamar atenção para o programa mais recente com a participação do escritor argentino Andrés Neuman. Ele foi um dos primeiros nomes a pintar na lista de autores convidados da FLIP desse ano. Embora tenha publicado quatro romances, livros de contos, poesias e ensaio, Neuman tem apenas um romance publicado em português - O viajante do século (Alfaguara). O jovem escritor carrega consigo uma bagagem invejável: importantes prêmios literários na Espanha, a seleção da revista Granta como um dos melhores escritores de língua espanhola e elogios de ninguém menos que Roberto Bolaño.

No programa, não por acaso, ele fala sobre Os detetives selvagens. Neuman teve uma relação próxima com Roberto Bolaño. Os dois falavam constantemente por telefone, trocavam e-mails, cartas e Neuman chegou a encontrá-lo pessoalmente uma única vez. Tenho a impressão que Neuman quis desmistificar a figura de Bolaño como um escritor pobre, drogado, maldito, doente e condenado a morte. Da pequena convivência, ele lembra que Bolaño era muito divertido, extremamente culto (um leitor autodidata voraz), muito falante (as conversas por telefone poderiam durar três, quatro horas), um homem de extremos que podia ser doce ou rude quando queria. E num momento muito particular, Neuman fala da casa de Bolaño que era totalmente organizada enquanto o escritório de trabalho era como uma cova - ele tinha um 386 sem conexão com a internet. Não quero falar muito para não criar novas auras em torno da bolañomania que dominam o mundo.

Além do aspecto pessoal, Neuman conta a sua maneira de enxergar a obra de Bolaño. Ressalta suas qualidades literárias (superiores a qualquer modismo); fala sobre o rompimento com o nacionalismo (Bolaño é chileno, mas vive na Espanha e escreve um romance que se passa no México - suas personagens sempre buscam algo que não está em nenhum lugar); e diz que na tentativa de superar a literatura de Borges, Bolaño cria uma literatura borgeana com corpo, com sexo.

Neuman veio com Michael Sledge para participar da mesa "Viagens literárias" na FLIP - uma única mesa. O clima foi descontraído e bem humorado, mas confesso que com o programa acabamos ganhando duas mesas.

***

Quero aproveitar para comentar o romance O viajante do século. Li logo depois da FLIP. Fiquei intrigado com os elogios de Bolaño ("Um talento iluminado. A literatura do século XXI pertencerá a Neuman e a alguns poucos de seus irmãos de sangue.") - qualquer comentário sobre Neuman vinha colado a esses elogios.

O romance é grandioso. Neuman lida o tempo todo com zonas de fronteira: Wandernburgo é uma cidade imaginária que fica nos confins perdidos da Alemanha; os prédios e as ruas mudam de lugar todas as noite; é um romance, mas trata de poesia, de política, de filosofia, ensaios e literatura; cronologicamente a história acontece no século XIX, mas tem um olhar do século XX; Hans e o realejeiro são metáforas para viajante (em movimento) e do morador (sempre fixo) - há muitos outros opostos que se misturam.

Gosto muito da maneira como o autor explora o tema do viajante - figura central na cultura contemporânea. Grandes populações constantemente se deslocam em busca de melhores condições de vida. Há estrangeiros espalhados por todas as partes do mundo, sobretudo em paises desenvolvidos. O viajante (como Hans) é alguém que parte em busca de aventuras, em busca de dar sentido para algo que não sabe ao certo qual é. Acho que essa ansiedade de uma vida de aventura ronda a cabeça de muita gente que conheço. Tem também o fato de chegar num lugar em que ninguém sabe nada sobre o seu passado e você tem a chance de recomeçar sua história do zero.

Enfim, são apenas algumas observações. O romance tem muito mais coisas e abre várias possibilidades de leitura. Quem ficou curioso pode assistir o vídeo de Neuman no programa Entrelinhas.

*Imagem: flip.org
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terça-feira, 19 de julho de 2011

RÁDIO LITERATURA

No programa Amores Expressos de 28/4 o cronista e escritor Antônio Prata disse um negócio interessante: "a banalização da literatura seria maravilhosa se a literatura fosse uma coisa acessível a todos e o escritor fosse igual a um arquiteto ou engenheiro". Evidentemente a frase está fora do contexto original, mas significa exatamente o que precisa significar. Afinal, seria muito bom se a literatura deixasse de ser uma coisa sagrada, intocável e inacessível como parece para muita gente.

Daí a importância de ideias simples que possam levar a literatura para as multidões, sem muita mistificação e mantendo compromisso com a qualidade - evitando desvios desnecessários e abordagens mirabolantes.

A longa introdução foi para dizer que no último domingo a Rádio Batuta do Instituto Moreira Salles estreou uma série de programas chamada "Prefácios". Coordenada por Francisco Bosco e com apresentação de Flávio Moura, a série pretende convidar autores para conversar sobre seus livros preferidos ou livros que gostariam de prefaciar algum dia. Até o momento foram gravados 13 programas que serão disponibilizados um a cada domingo no site da rádio.

O primeiro programa contou com a presença de valter hugo mãe falando sobre A metamorfose, de Franz Kafka. (Detalhe: o programa foi gravado em Paraty durante a FLIP e logo após a sua arrebatadora participação na mesa "Pontos de fuga", com a escritora Pola Oloixarac). valter hugo mãe fala da influência de Kafka na sua obra e destrincha alguns pontos que considera importantes na novela.

A agenda para os próximos programas é essa: 24/7 - João Ubaldo Ribeiro; 31/7 - Milton Hatoum; 7/8 - Paulo Henriques Britto; 14/8 - Andrés Neuman; 21/8 - Bernardo Carvalho; 28/8 - Alexei Bueno e 4/9 - Rodrigo Lacerda.

[via Caderno 2]

*imagem: reprodução Google.
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