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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

PRESENTES DE NATAL 2014


Eu sei que estou longe desse blog faz um tempo, mas não pensem que acabou. Fui ali ler um livro bem longo e aos poucos estou retomando o ritmo.

Já que estamos em dezembro, não posso fugir a tradição de todos os anos. Por isso, mais uma vez, organizei uma seleção de presentes para o natal. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2014. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Com essas dicas você não vai fazer feio - pode ter certeza.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.

Boas compras!

Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami com tradução de Eunice Suenaga (Alfaguara Brasil; R$ 39,90). O autor mais aclamado do momento faz sua incursão no tema mais caro do século XXI - o trauma, a identidade e a reparação do passado.

Graça infinita, de David Foster Wallace com tradução de Caetano Galindo (Companhia das Letras; R$ 111,90). Tem quem ache 'chatinho', tem que ache 'genial'; seja como for é uma obra prima não apenas por sua invenção formal, mas também por captar a atmosfera esquizofrênica da sociedade norte-americana e atingir os contornos que atormentam o homem ocidental pós-moderno com doses extras de ironia.

Cantiga de findar, de Julian Hebert com tradução de Miguel Del Castillo (Rocco; R$ 34,50). Na esteira da metaficção o autor compôs um livro que leva ao limite as fronteiras os gêneros literários e o conceito de verdade.

Obras completas de Adolfo Bioy Casares – volume A, de Adolfo Bioy Casares com tradução de Sergio Molina, Rubia Prates Goldoni, Josely Vianna Baptista, Antônio Xerxenesky, Ari Roitman e Paulina Watch (Globo Livros selo Biblioteca Azul; R$ 69,90). Uma coleção completa e caprichada que vai reunir em três volumes a obra do escritor argentino em novas traduções.

Fogo-Fátuo, de Patrícia Melo (Rocco; R$ 29,50). A investigação da morte de um ator em pleno palco serve como pano de fundo para um romance policial explosivo - tal como sugere o título.

Paradiso, de José Lezama Lima com tradução de Olga Savary (Martins Editora; R$ 74,90). Um clássico da literatura latino-americana que estava fora de catálogo e ganha nova tradução. Conta a história da vida de José Cemí, desde o fim do seu paraíso até a dura aprendizagem das coisas.

O réveillon de Max Richter, de Cecilia Giannetti (E-galáxia; R$ 1,98). O selo voltado ao livro digital mais interessante do momento tem um conto que merece ser lido nesse período de festas.

Um homem burro morreu, de Rafael Sperling (Oito e Meio; R$ 35,00). É o livro de contos mais inclassificável que já tivemos notícia. É um desses momentos em que nos lembramos que a literatura também precisa de rebeldia.

Uma rua de Roma, de Patrick Modiano com tradução de Herbert Daniel e Cláudio Mesquita (Rocco; R$ 24,50). Outro livro que estava fora de catálogo, mas foi resgatado pelo prêmio Nobel de Literatura - trabalho superpremiado do autor.

The fantastic jungles of Henri Rousseau, de Michelle Markel com ilustrações de Amanda Hall(Eerdmans Books for Young Readers; $ 12,61 - importado aproximadamente R$ 58,00). A ilustre vida do destemido pintor francês - é para crianças, mas vale para adultos.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

NOTAS #44


Fanfiction japonesa
Haruki Murakami não ganhou o prêmio Nobel de Literatura (nos últimos três anos ele aparece em primeiro na lista dos palpiteiros de plantão), mas figura essa semana nas páginas da revista - übber cool - New Yorker com um conto chamado "Samsa in love". O escritor japonês, capaz de levar milhares de leitores a dormirem em longas filas nas portas das livrarias por causa de 1Q84, promete derreter os corações endurecidos pela tristeza ou rabugice. O conto retoma a personagem da novela A metamorfose, de Franz Kafka e promove uma espécie de sequência: certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, uma criatura encontrou-se em sua cama metamorfoseado em Gregor Samsa. Como o título sugere, Samsa vai reaprender a usar seu corpo humano e cair de amores por uma misteriosa mulher que aparece em sua casa.

"Samsa in love" foi retirado de uma coletânea de contos chamada Ten Selected Love Stories (capa acima), publicada mês passado no Japão pela editora Chuokoron-Shinsha. Curiosamente, Alice Munro também está nesta coletânea que teve seleção e tradução para o japonês feita pelo próprio Murakami.

Moraes, mais uma vez
Falando em páginas de revista, a Piauí publicou na edição desse mês mais um trecho de A travessia de Suez, próximo romance escrito por Reinaldo Moraes. Outro trecho apareceu na edição de julho de 2010. A história do sujeito que morre e descobre que era uma encarnação de Deus deve sair pela Alfaguara no ano que vem.


Revolta literária
O romance L’esprit de l’ivresse, do autor estreante Loïc Merle está causando um pequeno burburinho na recente temporada de lançamentos na França. O livro conta a história de um homem mais velho que ao voltar para casa depois de um dia cansativo de trabalho é preso pela polícia, morre e vira símbolo de uma revolta que terá proporções gigantescas em todo o país - o pano de fundo está concentrado naquela revolta de jovens dos subúrbios franceses que aconteceu em 2005. Para além do enredo vibrando narrado em três diferentes perspectivas, a crítica aponta como qualidades do romance: as frases longas, as belas descrições e o manejo do autor para construir personagens que escapam a mera caricatura sociológica.

Pode entrar facilmente na lista de livros que ecoam a revolta das ruas.

Do barulho
Parece que no futuro o silêncio vai andar a quilômetros de distância dos livros - olha que não estou falando das megalópoles ensurdecedoras ou dos aparelhos de MP3 (reparou como todo mundo prefere ler com um fone acoplado ao ouvido). A empresa Booktrack acaba de lançar um aplicativo para o Google Chrome chamado Booktrack Studio. Nele, você pode adicionar música, som ambiente e até efeitos sonoros mais simples as suas histórias preferidas. Detalhe: os sons ocorrem de acordo com o ritmo de leitura de cada um, pois o som está sincronizado a cada linha ou trecho específico. Promete atender aos anseios dos leitores digitais, sobretudo porque permite... compartilhar.

É interessante! Vale experimentar.

*Imagem: reprodução.

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (3): PORTUGAL X BRASIL

Desde que comecei o blog peguei uma bela ideia emprestada e todos os anos faço uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras. Para não perder a tradição faço uma nova rodada nesse ano. Vale lembrar que tamanha diferença entre as capas portuguesas e brasileiras não deve causar muito espanto, afinal cada país tem uma cultura visual muito particular e algo atrai os portugueses pode não atrair os brasileiros - evidentemente. O exercício de olhar as capas lado a lado serve para especular sobre o trabalho do capista na hora de resolver o problema de dar uma cara para um livro e vendê-lo para o leitor.

Digo de antemão que não sou especialista no assunto, portanto estou comentando sem muito compromisso. A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fique à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.



1Q84, de Haruki Murakami
É difícil encontrar uma imagem que sintetize a epopeia onírica tão característica desse escritor japonês. Os portugueses optaram por uma capa limpa com uma brincadeira envolvendo o título do livro e uma linha vermelha cortando a brancura do fundo. Nós optamos pelas cores e pelo grafismo que lembra a bandeira do Japão - respeitando a clássica moldura das capas da Alfaguara. As duas não chegam perto da escolha certeira do design norte-americano Chip Kidd (ele optou por usar dois rostos japoneses por baixo do título do romance e deu uma cara para as suas personagens principais), mas foram não deixam de ser boas soluções. Empate.


A confissão da leoa, de Mia Couto
Não tem como fugir das garras dessa leoa, por isso ela aparece nas duas capas. Na versão portuguesa ela é selvagem e ameaçadora frente ao pequeno caçador. A cor amarela é uma marca das capas do selo Caminho, mas não deixa de lembrar o sol tropical de Moçambique. A versão brasileira tem a silhueta misteriosa da leoa, quase fictícia frente ao realismo da fotografia dos meninos pobres. Capta mais a atmosfera do romance. Ponto pra gente.



Laços de família, de Clarice Lispector
Demorou um pouco, mas a fama internacional de Clarice Lispector chegou a Portugal. Isso não quer dizer que ela não era conhecida por lá. Sua redescoberta promoveu uma série de reedições pela Quetzal. A foto da jovem Clarice é linda, mas não deixa de conferir ao livro um ar de biografia. Sendo assim, a capa brasileira ganha pontos por criar uma ilustração que resume alguns contos do livro.



Nada a dizer, de Elvira Vigna
Tem como não se render a bela imobilidade tediosa do casal que está na edição brasileira? Tudo se encaixa perfeitamente: o vazio que cerca o desenho, o equilíbrio das cores etc. No entanto, a edição portuguesa não fica atrás com essa fotografia em preto e branco, o olho fechado e o braço que cobre a boca (a cena muda, como alguns diriam). Empate técnico.


On the road - Pé na estrada, de Jack Kerouac
As duas reedições aproveitaram o lançamento do filme de Walter Salles baseado no livro de Jack Kerouac. A versão brasileira seguiu colada ao cartaz oficial do filme - é uma escolha muito comum para ligar um produto ao outro. Em termos de beleza para os olhos funciona como cartaz, não sei como capa de livro. A fotografia da versão portuguesa tem os inseparaveis amigos beatniks (Kerouac e Cassady - acho que o Burroughs também aparece ao fundo) e pareceu mais clássica. Ponto para os portugueses. Não tem como não sentir certo sorriso ao pensar no título Pela estrada a fora.


Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo
Não tem muito que falar da capa portuguesa. A ideia pode até ser boa, mas a realização é ruim. Ponto para a capa brasileira com a fotografia do ônibus em movimento.



Axilas e outras histórias indecorosas, de Rubem Fonseca
A capa brasileira é muito elegante. Passeia entre o sublime e o grotesco, tal qual o título do livro sugere. A capa portuguesa parece mais literal. Só que não deixa de ser bonita com essa cor meio dourada e a ilustração chapada da moça em preto - cena do crime? Outro empate - desculpe.



Serena, de Ian McEwan
A história é igual, mas os títulos são diferentes. Não estranhe. É uma questão de tradução. Seja como for, a nossa capa é a melhor de todas as capas que eu já vi (incluindo as edições em inglês). Ela tem a propriedade de não revelar o rosto, de estar bem contextualizada no tempo e no lugar - uma maravilha. Já a capa portuguesa é meio duvidosa. Mais um ponto pra gente.

*Imagens: divulgação e reprodução.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

UMA LONGA TEMPORADA DE PRÊMIOS


"Ao vencedor, as batatas". Quincas Borba, de Machado de Assis.
Todos devem estar malucos, afinal prêmios literários estão rendendo mais discussões do que religião, política e futebol juntos! A polêmica mais recente está acontecendo em torno do Prêmio Jabuti e a nota baixa do misterioso jurado "C" (na verdade, a identidade secreta dele foi revelada nessa semana numa reportagem da Folha de SP) que tirou Ana Maria Machado da competição. Como uma coisa puxa a outra, todo mundo relembrou o episódio do ano passado envolvendo Chico Buarque e Edney Silvestre. Pelo jeito a reformulação das regras não surtiu o efeito esperado e complicou ainda mais a premiação. Nem preciso dizer que o caso está estragando o prestígio e a reputação de um prêmio tradicional das letras nacionais. 

Teve até comentário de José Serra, candidato a Prefeitura de SP. Ao saber que o livro A privataria tucana estava na final do prêmio Jabuti – categoria Reportagem - disse: “Era só o que faltava. Depois da aparente fraude de um dos jurados, tudo é possível”.

O pessoal "do contra" está gritando pelas ruas o seguinte bordão: "esse é o país que vai receber a Copa".

***

Felizmente, as discussões não estão restritas aos prêmios nacionais. Desde que ganhou o Nobel de Literatura, não tem um dia em que o chinês Mo Yan não abra os jornais e não veja seu nome relacionado a comentários ora elogiosos, ora maldosos. 

Do lado maldoso, teve gente dizendo que a Academia Sueca favoreceu Mo Yan porque um dos jurados do prêmio é tradutor dos seus livros. Liao Yiwu, escritor chinês, acusou o ganhador do Nobel de trabalhar a serviço do regime chinês. O artista Ai Weiwei (que aderiu ao estilo "Gangnam Style") lamentou muito a escolha e as editoras chinesas que estavam na Feira de Frankfurt praticamente ignoraram o laureado. Para piorar a situação Mo Yan virou alvo de uma disputa internacional entre agentes literários o que deve atrasar a tradução de seus romances pelo mundo afora - incluindo o Brasil. Por enquanto podermos recorrer a tradução de Peito grande, ancas largas que saiu pela editora Ulisseia e teve reimpressão.

Do lado elogioso, rolou uma notícia dizendo que a China vive uma verdadeira "Mo-mania" e a tiragem do seu livro Our Jing Ke esgotou instantes após o lançamento. Furor semelhante ao que ocorreu no Japão com Murakami no lançamento de 1Q84.

O pessoal "da teoria da conspiração" está gritando pelas ruas que Mo Yan está sendo vítima da maldição rogada pelos murakamistas japoneses que ficaram desapontados com a vitória do concorrente chinês. Aliás, dizem que a obra Murakami não despertou paixões na China.

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Se palpite ganhasse prêmio, os apostadores da Ladbrokes estariam milionários. Quem colocou dinheiro em Haruki Murakami e Will Self ficou no prejuízo - atitude muito perdoável, afinal acerta em cheio o nome do escritor premiado é como ganhar na MegaSena. Mo Yan ficou com o Nobel e Hilary Mantel com o Booker Prize. Ninguém acreditava que a organização do Booker fosse premiar uma autora já premiada num curto espaço de tempo (Wolf Hall foi publicado em 2009) - acho que nem a própria Mantel acreditava nisso. Antes dela, só Peter Carey e J.M. Coetzee. Por fim, a falsa ideia não se cumpriu e o Booker acabou nas mãos dela.

No discurso de agradecimento, Mantel mandou avisar que está escrevendo mais um livro para compor uma trilogia sobre a história de Thomas Cromwell - o primeiro foi Wolf Hall, seguido por Bring Up The Bodies (será publicado pela editora Record, em abril) e o último será o nome de The Mirror And The Light.

O pessoal da "especulação" está gritando pelas ruas que não importa quando publique o livro, o terceiro Booker Prize é dela.

***

Outro mistério que parece distante de qualquer solução é a recusa de Javier Marías ao Prêmio Nacional de Narrativas, concedido pelo governo da Espanha. Pelo que dizem, ele não quis o prêmio no valor de 20 mil porque não quer ligações com instituições do governo espanhol. O que será que aconteceu? Marías ganhou o prêmio pelo romance Os enamoramentos.

O pessoal do "deixa disso" anda dizendo que o gesto é uma resposta política ao delicado momento que a Espanha enfrente diante da crise econômica que assola a Europa.

***

E você está enganado se pensa que a polêmica do Jabuti está perto do fim. A lista oficial com o nome dos jurados e os grandes vencedores do prêmio livro do ano serão anunciados numa cerimônia, em 28 de novembro. Caso não apareça nenhuma outra polêmica.

Novembro encerra essa longa temporada de prêmios. Teremos o anúncio do ganhador do Prêmio Cunhambebe de literatura estrangeira e dos ganhadores do Prêmio Portugal Telecom - aliás, achei bacana a iniciativa dos organizadores de criar book trailers para os livros finalistas; se não vale para alavancar as vendas, vale como divulgação do livro e na pior das hipóteses como boa descontração. Aqui tem os book trailers da categoria romance.

*Imagem: reprodução de uma ilustração de D.G.Davis.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

NOTAS #39

Favorito ao Nobel
A editora Alfaguara divulgou a capa definitiva do livro
1Q84, de Haruki Murakami cujo primeiro volume (com 450 páginas) deve chegar ás livrarias brasileiras em novembro. Os outros dois volumes terão lançamento em 2013.

Man Booker Prize 2012
A shortlist do Man Booker Prize foi anunciada. Entre os seis concorrentes estão os estreantes Jeet Thayil com Narcopolis e Alison Moore com The Lighthouse; os veteranos Deborah Levy com Swimming Home, Will Self com Umbrella e Tan Twan Eng com The Garden of Evening Mists; e a ganhadora do prêmio em 2009, Hilary Mantel com Bring up the Bodies.

A crítica inglesa considera que Hilary Mantel é a favorita dentre os finalistas - ela está quase com o caneco na mão porque também lidera o ranking de apostas da casa Ladbrokes. As únicas coisas que podem estragar sua festa são Will Self (outro forte candidato que está praticamente empatados com Mantel no painel da Ladbrokes) e o fato de ter ganhado o prêmio recentemente.


Campeão de vendas
No dia 15 de setembro chega às livrarias Cinquenta tons mais escuros, o segundo livro da trilogia escrita pela autora inglesa E.L. James. Parece que 90% da tiragem inicial de 350 mil exemplares já foi comprada pelos leitores na pré-venda. A ansiedade é tão grande que muitas leitores estão recorrendo a traduções piratas que estão espalhadas na internet - a maioria delas deve ter sido feita pelo Google Tradutor e tem muitos problemas. As mulheres estão desesperadas.

A Intrínseca liberou as 30 primeiras páginas como aperitivo - para acalmar os ânimos.

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A trilogia vai virar filme, mas por enquanto nenhuma data prevista para lançamento foi anunciada.

A literatura vai ao teatro...
No SESC Belenzinho, em São Paulo, a Sutil Companhia de Teatro está em cartaz com a peça O livro de itens do paciente Estevão inspirada no livro O paciente Steve, de Sam Lipsyte. Conta a história de Steve, um homem que foi diagnosticado com uma doença incurável e sem nome. A peça fica em cartaz até 21/10 com apresentações sextas e sábados, às 18h e domingo, às 17 h. Já o livro está fora de catálogo, mas disponível em sebos - foi publicado em 2003 pela Editora Globo.

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No Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, Marco Nanini está em cartaz com a peça A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento baseada num livro homônimo de Georges Perec. Tudo o que precisa ser dito sobre o enredo está no título. Numa entrevista para o jornal Folha de SP, o ator disse que teve vontade levar o texto ao teatro por causa do seu caráter experimental - tal qual um manual de anti-ajuda o leitor espera dicas práticas para conseguir um aumento de salário, mas é surpreendido pelos pensamentos obsessivos da personagem que chega a montar um organograma prevendo todas as situações possíveis e imagináveis entre "sim" e "não". A peça fica em cartaz até 28/10 com apresentações de sexta a domingo, às 19h. O livro está disponível nas livrarias - foi lançado pela Companhia das Letras em 2010 e tem tradução magnífica de Bernardo Carvalho.

Bom momento para celebrar os 30 anos sem Georges Perec.

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No Teatro Novelas Curitibanas, em Curitiba, o grupo Teatro de Breque está em cartaz com o espetáculo Em breve nos cinemas livremente inspirado em estruturas narrativas e temas da obra de David Foster Wallace. A peça fica em cartaz até 14/10 com apresentações de quinta a domingo, às 20h. Por enquanto, o único livro de David Foster Wallace disponível em português é Breves entrevistas com homens hediondos - foi lançado pela Companhia das Letras em 2005 e tem tradução de José Rubens Siqueira.

... e ao cinema
Em outubro estreia nos Estados Unidos Cloud Atlas, um filme dirigido pelos irmãos Wachowski e por Tom Tykwer (o diretor do filme Corra, Lola, corra) baseado no ambicioso romance de David Mitchell. O livro é composto de seis histórias interligadas que numa espiral vertiginosa através do tempo e espaço vão do século XIX ao futuro apocalíptico. Mitchell é tido pelos críticos anglófanos como um dos melhores escritores de sua geração por causa do seu experimentalismo formal e temático - como um camaleão, ele muda bruscamente seu estilo de um livro para outro. O único romance de Mitchell disponível em português é Menino de lugar nenhum publicado em 2008 pela Companhia das Letras com tradução de Daniel Pellizzari. Também estava previsto para esse ano a tradução de Os mil outonos de Jacob de Zoet, assinada por Daniel Galera - pela Cia das Letras.

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Cloud Atlas continua fora dos planos de tradução das editoras daqui. Quem quiser pode recorrer a tradução portuguesa de Helena Ramos e Artur Ramos que saiu pela editora Dom Quixote (um selo do grupo português Leya), em 2007. O livro recebeu o simpático título de Atlas das nuvens.

*Imagens: divulgação.

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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MURAKAMI FAVORITO AO PRÊMIO NOBEL

Se tem uma coisa que deixa a gente animado nessa época do ano é especular sobre o provável ganhador do prêmio Nobel de Literatura. O anúncio chega a ser tão esperado quanto aquele peru de Natal da sua tia ou aquele show de final-de-ano do Roberto Carlos. Adivinhar o nome do ganhador é tão difícil quanto acertar os números da Mega-sena - a Academia Sueca gosta muito de surpreender. No ano passado, muita gente dava como certa a vitória de Adonis, poeta e ensaísta sírio. No fim, o prêmio ficou em casa, pois quem acabou levando foi Tomas Tranströmer, poeta sueco.

Para esquentar os motores, a famosa casa de apostas Ladbrokes já está aceitando palpites. O lugar é um termômetro certeiro. Por enquanto, quem está na frente é o escritor japonês Haruki Murakami, seguido pelo chinês Mo Yan (inédito por aqui), pelo holandês Cees Nooteboom, pelo albanês Ismail Kadare e pelo sírio Adonis.

Figuram na lista, um tanto desacreditados, nomes como Philip Roth, Cormac McCarthy (eterna promessa), Chinua Achebe, Thomas Pynchon, Umberto Eco, Don DeLillo e Joyce Carol Oates. Lá atrás ainda aparecem o português Antonio Lobo Antunes e o brasileiro Ferreira Gullar - empatado com Jonathan Franzen, Per Petterson, Jonathan Littell, Paul Auster.

O anúncio será feito em outubro.

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Enquanto o Nobel não chega, ficamos de olho no Prêmio SP de Literatura cujo os ganhadores serão anunciados em setembro. Como no ano passado, a organização do prêmio vai promover encontros com os finalistas: três na capital e quatro no interior do Estado. O primeiro bate-papo em SP (capital) acontece nesse domingo (26/08) na Biblioteca de São Paulo com Edmar Monteiro Filho, Eliane Brum e Suzana Montoro. O próximo será em 01/09 com Domingos Pellegrini, Paulo Scott e Silvio Lancellotti. O último será em 09/09 com Chico Lopes, Luiz Ruffato e Tatiana Salem Levy. Em todos os encontros a mediação será de Adriana Couto.

Uma pena que não existe um equivalente a Ladbrokes para o Prêmio SP de Literatura. Alguém está a fim de compartilhar/especular os ganhadores?

***ATUALIZAÇÃO: informalmente diga pra mim, nos comentários, qual o seu palpite para os ganhadores do Prêmio SP de Literatura - na categoria veterano e estreante. Não precisa ficar com medo, ninguém está vendo o seu voto (é tudo confidencial).

Se você não sabe, os finalistas estão aqui.

* Imagem: reprodução da Wikipédia.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOTAS #38

Jantar fictício
Já imaginou se a gente conseguisse fotografar as refeições das nossas personagens favoritas? Foi pensando nisso que Dinah Fried montou a série Fictitious Dishes retratando refeições dos romances O apanhador no campo de centeio (foto acima), Oliver Twist, Alice no país das maravilhas, Os homens que não amavam as mulheres e Moby Dick. Nem preciso dizer que o prato do Oliver Twist é o mais simples, né?

Ficção para homens
Foi se o tempo em que romances e contos eram mania das "senhouras". Não se engane: ficção também é coisa para homem. Se alguém ainda tinha alguma dúvida, a revista Esquire responde com três novas histórias assinadas por Stephen King e Joe Hill (respectivamente, pai e filho), Lee Child e Column McCann - foram publicadas na edição do mês passado. Tem de ser muito macho!

***

Falando nisso, o novo romance de Column McCann está pronto, mas deve chegar às livrarias norte-americanas somente em 2013. O livro chamado Transatlantic usa a história de três pessoas reais para criar uma obra de ficção: um escravo negro que parte dos Estados Unidos rumo a Irlanda em busca de democracia e liberdade, em 1845; dois jovens pilotos de avião deixam a Primeira Guerra Mundial para protagonizar o primeiro vôo transatlântico entre Newfoundland e o oeste da Irlanda, em 1919; e um senador americano que viaja para a Irlanda em busca de paz, em 1998.

De uma certa forma, McCann repete uma experiência que está presente em Deixe o grande mundo girar - transformando em ficção a história real do artista francês Philippe Petit caminhando por um cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Enquanto o artista se apresenta várias histórias brotam e convergem para um ponto de vista único. Afinal, como o próprio McCann gosta de afirmar "uma história são todas as história".

Edição limitada
1Q84, de Haruki Murakami fez muito sucesso nos países em que foi publicado. Nada que se compare ao lançamento no Japão, com as filas enormes e leitores dormindo na porta das livrarias - digamos que na Europa e nos Estados Unidos o frisson foi um pouco menor. Pois bem, se você é fã do escritor japonês é bom correr logo. Acaba de sair uma edição limitada e autografada de apenas 111 exemplares de 1Q84. Os três volumes recebem papel e tipografia especial. Ah! O texto está em inglês.

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No Brasil, 1Q84 deve chegar no segundo semestre - em edição normal mesmo.

Serrote 11
Acaba de chegar às livrarias a nova número da Serrote, revista de ensaismo publicada pelo Instituto Moreira Salles. A capa e o ensaio visual fazem parte da série Cabinet, feita pela americana Roni Horn. Tem ainda um um ensaio exclusivo do colombiano Héctor Abad sobre Joseph Roth; um perfil da escritora Marguerite Duras assinado por Enrique Vila-Matas; Brian Boyd falando sobre Machado de Assis e Vladimir Nabokov; Susan Sontag descrevendo seu encontro com o escritor Thomas Mann e Harold Pinter falando da primeira noite em que viu Samuel Beckett e muitas outras coisas mais.

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As duas belas surpresas ficam por conta do perfil de Michael Jackson assinado por John Jeremiah Sullivan, sensacão do ensaísmo americano, e o jovem jornalista Karl Marx na visão de Christopher Hitchens.

Foster Wallace em terras portuguesas
Uma notícia envolvendo David Foster Wallace está agitando a temporada de lançamentos literários em Portugal. Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho, estão empenhados na árdua tarefa de traduzir Infinite Jest - na versão portuguesa o livro receberá o carinhoso título de A piada infinita. O livro tem previsão de lançamento em novembro pela editora Quetzal e irá inaugura uma série de traduções da obra de Foster Wallace em Portugal (até agora nenhum de seus livros tinha sido publicado no país).

Salvato Telles Menezes (o pai) tem no currículo traduções dos livros V., de Thomas Pynchon e Cidades da noite vermelha, de William Burroughs (foi publicado no Brasil com o título Cidades da noite escarlate). Já Vasco Menezes (o filho) traduziu obras de Chuck Palahniuk e Por um fio, de Thomas McGuane (inédito no Brasil).

As mais de mil páginas foram traduzida apenas na Espanha (La broma infinita) e na Alemanha (Unendlicher Spaß) - por lá, o trabalho levou quatro anos.

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No Brasil, Infinite jest será publicado pela Companhia das Letras com tradução de Caetano Waldrigues Galindo (que traduziu Ulysses e muitas coisas mais). Ainda não tem previsão de lançamento, mas não deve sair antes de 2013.

*Imagens: Dinah Fried/reprodução; The Curved House/reprodução e capas do livros/divulgação.

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quinta-feira, 15 de março de 2012

KYUNG-SOOK SHIN GANHA O MAN ASIAN LITERARY PRIZE

A escritora sul-coreana Kyung-Sook Shin foi a ganhadora do The Man Asian Literary Prize pelo livro Por favor, cuide da mamãe (recém-lançado em português pela Intrínseca com tradução de Flávia Rössler). Ela desbancou o favoritismo de 1Q84, de Haruki Murakami e se torna a primeira mulher e primeira sul-coreana a ganhar o prêmio. O anúncio foi feito ontem num jantar em Hong Kong.

De acordo com o release: Por favor, cuide da mamãe é uma história comovente de uma família em busca da mãe, que desaparece uma tarde em meio às multidões do metrô em Seul. O livro oferece ao leitor uma visão contemporânea sobre a vida em família na Coréia do Sul e já vendeu sozinho cerca de 2 milhões de cópias naquele país - que tem uma população de pouco menos de 50 milhões de habitantes.

Atualização: a Maria Fernanda Rodrigues, do Estadão, deu um furo de reportagem com uma notícia bacana. Kyung-Sook Shin vem ao Brasil em abril para participar da Bienal Brasil do Livro, em Brasília. A Ásia fica do outro lado do mundo, a gente nunca pensa que um livro publicado naquela região tenha muitas chances de ganhar tradução em português. Ganhar um prêmio como esse coloca o livro em evidência e deixa a gente mais próximo dele. Só que nesse caso a gente pode não só ler o livro ganhador, mas também vamos ver a autora de perto. Tudo num curto espaço de tempo.

*Imagens: Intrínseca/divulgação.

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

A HORA DE CLARICE (2)

Tem muita gente que gosta de Clarice Lispector, mas também tem muita gente que não gosta - em parte pelo grande culto que os leitores, críticos e estudantes dedicam a sua figura seminal dentro da literatura brasileira, em parte por aquela quantidade enorme de spams, e-mails, cartinhas de namorado(a) e correntes apócrifas que circulam na internet. Vale a máxima "quem nunca recebeu uma mensagem de tipo?". Um pouco da mesma aversão deve acontecer em maior ou menor medida com Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Rubem Fonseca e Luis Fernando Veríssimo que costumam lotar nossas caixas de mensagens, mural do Facebook e tudo o mais.

Para quem gosta tudo certo. Para quem não gosta um aviso: estamos às vésperas da primeira comemoração do dia "A hora de Clarice" (próximo dia 10 de dezembro, data em que ela nasceu). Portanto, ela será um assunto bastante presente. Já falei disso por aqui.

A antipatia à Clarice Lispector também existe por causa da enorme influência que ela exerceu nos escritores que vieram depois dela. Sempre dizem: "Clarice matou uma geração de escritores". Ainda hoje a gente escuta um pouco daquela voz narrativa - lembro, por exemplo, do livro que avaliei para o Gauchão de Literatura 2011; Clarice era ao mesmo tempo enredo e forma de um dos livros.

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Para dar mais brilho as comemorações uma notícia muito bacana: a charmosa revista Paris Review incluiu na sua edição de inverno dois contos de Clarice Lispector. A escritora figura ao lado de Paul Murray, Adam Wilson e Roberto Bolaño (com a quarta e última parte do romance O terceiro Reich - que a gente já está lendo desde o começo do ano). A edição ainda tem uma entrevista com Jeffrey Eugenides, o escritor mais comentado do ano na imprensa anglófona por conta de The Marriage Plot depois de Haruki Murakami. Aliás, um comentário à parte: em se tratando de Paris Review deve ser uma entrevista matadora.

*Imagem: reprodução daqui.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

NOTAS #32

Capas
Alguns leitores ainda não eram nem nascidos quando esses livros foram lançados (nem mesmo eu, para falar a verdade). Portanto, imagino que todos devem ter muita curiosidade em saber como foi a capa da primeira edição de Alice no país das maravilhas, Anna Karenina, Mrs Dalloway, O som e a fúria, Trópico de câncer, Ulysses, O almoço nu e alguns outros mais. Pois o Flavorwire fez uma lista bem legal com a capa da primeira edição de 20 livros bem conhecidos (os que citei antes estão entre eles). A capa acima é do livro Laranja mecânica, de Anthony Burgess em 1962. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/7nuedct

Os melhores de 2011
Já começou na imprensa anglófona mais uma temporada para eleger os melhores lançamentos de ficção do ano. É a chance daquele leitor que passou o ano inteiro metido em recuperar as leituras atrasadas do ano passado saber o que vale a pena ler no ano que vem - ou até o final desse ano, quem sabe. Certamente quase todas as listas gringas serão unânimes quanto aos livros The Marriage Plot, de Jeffrey Eugenides; A Visit From the Goon Squad, de Jennifer Egan; The Pale King, de David Foster Wallace; 1Q84, de Haruki Murakami e A mulher do tigre, de Téa Obreht, para citar alguns.

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Vale lembrar que todos estes livros já têm previsão de lançamento em terras brasileiras. A Companhia das Letras deve lançar The Marriage Plot no primeiro semestre de 2012 e The Pale King - ainda sem data prevista. A Visit From The Goon Squad sai pela Intrínseca provavelmente no ano que vem. 1Q84 também deve chegar no ano que vem pela Alfaguara. A mulher do tigre foi publicado pela Leya Brasil com tradução de Santiago Nazarian.

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Nas listas que vi até agora fiquei surpreso com a menção a There but for me, de Ali Smith e O mapa e o território, de Michel Houellebecq (que a editora Record prometeu para esse ano, mas deve ficar para o ano que vem).

Bolaño HTML5
A nova edição da revista Granta (me refiro a inglesa mesmo, pois a revista está ganhando edições no mundo inteiro) com o tema "Horror" publicou o conto El Hijo del Coronel, de Roberto Bolaño - em inglês ficou The Colonel’s Son. A história de uma menina mordida por um zumbi ganhou uma versão em HTML5 com desenhos de Owen Freeman e dos web designers do escritório Jocabola. A animação percorreu a internet instantes depois de ter sido postada na página da revista. É realmente alucinante! Está disponível em http://tinyurl.com/cbeo2lc

Entrevista Sebald
O escritor alemão W.G. Sebald faleceu em 14 de dezembro de 2001 vítima de um acidente de carro. Dias antes do incidente, Sebald concedeu uma entrevista para a rádio KCRW (por conta do lançamento em inglês de Austerlitz) em que fala de suas influências literárias e sobre questões pertinentes a sua obra. A entrevista em inglês está disponível em http://tinyurl.com/6gkayu9

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Na edição #2 do fanzine Casmurros há um ensaio de Rick Poynor sobre algo que sempre me intrigou nos livros de Sebald: as fotografias. O ensaio chama "W.G. Sebald: escrevendo com imagens". O fanzine está disponível para download aqui.

Ruim de livro
Há dezenove anos o suplemento británico Literary Review entrega um prêmio literário que desperta o riso dos mais atirados e rubores no rosto dos mais pudicos: o Bad Sex in Fiction Award. Ganha o prêmio o autor que escrever a pior cena de sexo num romance lançado durante o ano. O jornal Guardian adiantou que entre os indicados desse ano estão Stephen King com uma cena de 11.22.63, Haruki Murakami com o badalado 1Q84. Mais nomes devem surgir até a entrega do prêmio em 6 de dezembro.

*Imagem reprodução.
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domingo, 23 de outubro de 2011

1Q84 - HARUKI MURAKAMI


Haruki Murakami não tem no Brasil tantos fãs quanto tem no Japão. Para se ter uma ideia os dois primeiros volumes do romance 1Q84 venderam juntos mais de 2 milhões de exemplares. Sem mencionar o fato do livro quase ter esgotado antes mesmo de chegar às livrarias. Não encontrei os números de venda do terceiro volume, mas não deve ter sido nem um pouco diferente. Foi algo estrondoso que a gente jamais veria por aqui - em se tratando de Murakami, claro.

Seja como for, conheço bastante gente que gosta de Murakami e recomenda vivamente a leitura dos seus romances. Todos estão contando os dias até a chegada de 1Q84 em terras brasileiras - e babando na chuva de notícias da imprensa anglófona por conta do lançamento em inglês. A editora Alfaguara prevê lançar os dois primeiros volumes só em 2012. Os mais afoitos e não leitores de japonês anteciparam a leitura recorrendo as edições da Espanha, Alemanha, França e agora da Inglaterra e Estados Unidos.

Parece que em todos esses países (exceto nos Estados Unidos que tem lançamento do livro na terça-feira) o romance fez muito sucesso e a tiragem inicial não foi suficiente. Na Inglaterra as livrarias ficaram abertas até tarde aguardando os primeiros minutos da esperada data de lançamento. Teve uma série de eventos programados. Nos Estados Unidos o fenômeno deve se repetir.

Mais sorte tem os nossos amigos portugueses. A editora Casa das Letras (um selo da editora Leya, em Portugal) lança uma versão em português do primeiro volume no dia 8 de novembro. A tarefa de verter o longuíssimo romance de Murakami para o português (de Portugal) ficará a cargo de Maria João Lourenço, tradutora da maioria obras do autor em Portugal. Ela até escreveu um texto comentando as dificuldades num blog português dedicado ao escritor - A angústia da tradutora diante dos caracteres chineses.

(Aqui no Brasil Murakami não tem um tradutor, mas muitos. Numa pesquisinha rápida, cada edição lançada pela Alfaguara tem um tradutor diferente: Lica Hashimoto, Leiko Gotoda, Ana Luiza Dantas Borges e Jefferson José Teixeira. Não sei quem ficou com 1Q84).

Diferente do que acontece com os países falantes do espanhol, a gente não tem o costume de recorrer aos lançamentos em português de Portugal. Pelo menos essa é uma impressão que tenho, posso estar enganado. Deve ser porque somos realidades editoriais bastante diferentes. Enfim, quem quiser ler o Murakami antes e sem muito esforço já tem um caminho.

É difícil falar do livro sem ter lido, mas o blog do Ronaldo Bressane explica direitinho tudo sobre a história e a estrutura do enredo - inspirados em O Cravo Bem-Temperado, de Bach e no romance 1984, de George Orwell. Tem até um trecho que o próprio Bressane traduziu - corre lá pra ver.

*Imagem: capas de Murakami pelo mundo / reprodução.

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quarta-feira, 23 de março de 2011

TERREMOTO NO JAPÃO


O terremoto no Japão foi o principal tema da revista New Yorker dessa semana. Na capa uma ilustração criada por Christoph Niemann e batizada de "Dark spring" mostra o galho de uma cerejeira sobre um fundo preto. Achei o tributo muito bonito.

Entre os artigos que analisam as consequências do terremoto há um texto comovente do escritor Kenzaburo Oe. O autor fala sobre a recorrente ameaça nuclear presente na história recente do Japão: Hiroshima, Nagasaki, os teste atômicos no atol de Bikini e o estrago provocado pelo tsunami na usina de Fukushima.

Para completar ainda republicou U.F.O. in Kushiro, de Haruki Murakami - esse conto já tinha sido publicado pela revista em 2001, mas os editores da revista decidiram publicá-lo novamente nesse número dedicado ao Japão. A história faz parte do livro After the quake (inédito no Brasil) composto por seis contos relacionados ao terremoto que assolou a cidade japonesa de Köbe em 1995. É bem interessante observar olhar da ficção de Murakami para o sofrimento que seu país enfrentava naquele momento. Somente o amor e os acontecimentos surreais são capazes de ajudar na reconstrução daquilo que foi perdido. De alguma forma, uma coisa acaba ecoando a outra na ficção ainda que sejam dois incidentes distantes no tempo.

No site da New Yorker U.F.O in Kushiro está disponível somente para assinantes. No entanto, encontrei a história aqui - acredito que esteja completa.

*imagens: reprodução.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

MUTARELLI E MURAKAMI NO CINEMA


Já que no final de semana teremos a cerimônia de entrega do Oscar, com diversos livros que foram adaptados ao cinema, nada mais justo do que comentar aqui outros livros que viraram filme e terão estréia em breve.

O primeiro deles é Natimorto, filme de Paulo Machine com Simone Spoladore e Lourenço Mutarelli - o escritor, ele mesmo, mas na versão ator. Veja você que situação curiosa, pois Lourenço Mutarelli escreveu o livro no qual o filme foi baseado, contribuiu com a elaboração do roteiro e ainda atuou. Natimorto foi exibido em alguns festivais e deve estrear no início de abril. Já é o segundo livro do Mutarelli que vira filme, o primeiro foi o aclamado O cheiro do ralo, de 2006. O vídeo está nesse link.

Norwegian Wood é a outra adaptação esperada para esse ano e muito comentada também. O filme é baseado no livro escrito por Haruki Murakami. No Japão ele é um escritor de muito sucesso - basta lembrar que os leitores fizeram fila nas portas das livrarias para comprar o último livro que ele lançou. Para a turma que não gosta de escritores que fazem sucesso um recado: Murakami é um escritor de qualidades excepcionais. A leitura de Norwegian Wood é repleta de contornos dramáticos e intensos. A julgar pelo trailer, o diretor Tran Anh Hùng conseguiu captar bem as imagens do enredo - vamos esperar para ver. O trailer oficial do filme que tem trilha sonora de Jonny Greenwood - guitarrista do Radiohead está nesse link.

*via Metropolis e Word&Film.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

COMPETIÇÃO PELO PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA

Na próxima quinta-feira será anunciado o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Muita gente considera esse o prêmio mais importante de todos, sobretudo pela enorme tradição e prestígio que ele carrega. Além do reconhecimento e da quantia em dinheiro, o ganhador terá projeção mundial de sua obra - caso ainda não seja conhecido.

A especulação e a expectativa em torno do nome desse anúncio é grande. A cada semana as opiniões mudam na Ladbrokes, uma famosa casa de apostas em Londres. O primeiro nome da lista nesse momento é do escritor queniano Ngugi wa Thiong'o, seguido pelo americano Cormac McCarthy e pelo japonês Haruki Marukami. Na semana passada, o poeta sueco Tomas Tranströmer era o nome mais cotado, mas curiosamente perdeu força. Outros nomes como Alice Munro e Philip Roth também constam nas apostas, mas com menores chances. Uma coisa é fato: o prêmio costuma ser sempre uma surpresa.

Em meio ao burburinho, o jornal Los Angeles Times publicou um artigo muito bom que é também uma provocação: "Literature as a competitive sport" (em tradução livre: "A literatura como uma competição esportiva"). Entre muitas coisas interessantes, o autor do artigo, David L. Ulin, defende que os prêmios literários criam "uma espécie de cortina de fumaça, que nos distrai da real discussão sobre a literatura em favor de um quadro competitivo". Em outras palavras, o prêmio acaba se tornando um fetiche que atesta o valor de um determinado escritor-campeão ou da sociedade que ele representa. Como quem diz, tal escritor merece porque é americano, ou latino-americano, ou europeu, ou africano, etc.

Ulin chama atenção para algo que ninguém percebe: essa busca por prêmios é resultado de um processo totalmente subjetivo, bem diferente dos esportes. Para os membros da Academia Sueca deve ser tão difícil escolher um livro, quando é para nós. Simplesmente porque "admiramos livros diferentes em momentos diferentes da vida, por diferentes razões". Daí a ideia de promover uma discussão sobre a literatura ser mais importante do que um prêmio em si.

É evidente que os prêmios literários representam um significativo aumento na venda de livros do autor premiado. E como explica Ulin, os leitores enxergam nisso uma espécie de porto seguro para o qual podem recorrer quando estão perdidos em meio ao fluxo voraz de informação da nossa sociedade.

Acho os argumentos interessantes porque fazem eco em certas ideias que circulam em nosso país. Há muita gente querendo que algum dia um escritor brasileiro ganhe o prêmio Nobel de Literatura, como se isso servisse para atestar a qualidade do que nós escrevemos. Tal perseguição faz a gente esquecer de discutir outras coisas mais importantes como melhorar a educação para termos mais leitores, mais escritores, mais pensadores, mais críticos, etc.

Isso não é um privilégio do nosso país, está em toda parte do mundo e o artigo do Los Angeles Times é a maior prova. Também não estou ignorando o peso do Prêmio Nobel ou dizendo que nossa literatura não mereça nenhum prêmio literário, mas essa busca não deve ser um fim almejado custe o que custar, como nas competições esportivas.

*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

NOTAS #2


Kindle para internet
A Amazon está fazendo testes de uma nova ferramenta chamada "Kindle for the Web" - literalmente, Kindle para Internet. O serviço permite que as pessoas possam compartilhar em blogs e redes sociais trechos de livros que estão lendo ou querem recomendar. O Youtube, por exemplo, trabalha com o mesmo princípio quando o usuário quer "incorporar" um vídeo no blog. Por enquanto, só usuários cadastrados no site da Amazon podem usar a ferramenta.

Pynchonmania
O escritor Thomas Pynchon vai tomar conta das nossas estantes nos próximos meses. A Companhia das Letras vai publicar em novembro "Vício inerente", romance escrito no ano passado pelo consagrado autor de "O arco-íris da gravidade". No Youtube está circulando um vídeo que segundo contam foi narrado por Thomas Pynchon em carne e osso. No ano que vem a Companhia também promete lançar "Contra o dia", escrito em 2006 e que tem mais de 1100 páginas na versão em inglês. O vídeo de "Vício inerente" está disponível em http://tinyurl.com/krj8ap

Manuscritos raros
A Biblioteca Britânica está digitalizando aos poucos seu acervo com mais de mil raros manuscritos gregos. O resultado do trabalho está disponível gratuitamente na internet e pode ser consultado em http://www.bl.uk/manuscripts. Há fábulas de Esopo, salmos, entre outros.

Reminiscências
O escritor Kazuo Ishiguro revelou alguns de seus livros favoritos para os leitores do book club da apresentadora Oprah Winfrey. Não é difícil perceber uma pequena influência que essas leituras exerceram na obra de Ishiguro. Ele mesmo justifica suas escolhas. Por exemplo, a maneira de conduzir uma narrativa em primeira pessoa está em Charlotte Bronté; o humor sem nenhum compromisso com as coisas difíceis da vida está em P.G. Wodehouse; as lembranças de casa e o medo de que a realidade traía a nossa memória vem de Homero. Cormac McCarthy e David Mitchell são as curiosidades da lista. McCarthy foi escolhido por causa do fascínio que velho oeste americano e seus caubóis exercem em nosso imaginário; já a força imaginativa de Mitchell fez Ishiguro perceber que estava realmente ficando mais velho.

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Os livros escolhidos foram: "Villete", de Charlotte Bronté; "Então tá, Jeeves", de P.G. Wodehouse; "Meridiano de sangue", de Cormac McCarthy; "Ghostwritten", de David Mitchell; "South of the Border, West of the Sun", de Haruki Murakami; "A odisséia", de Homero.

Lado B
Os livros de Shel Silverstein já comoveram inúmeras crianças e adultos com suas histórias poéticas e suas inconfundíveis ilustrações. Shel também era um compositor de mão cheia e tinha uma banda de rock and roll cujo disco mais conhecido é Freakin' At The Freakers Ball. Estão circulando na internet algumas histórias bem interessantes por trás da gravação desse disco. A melhor delas diz respeito as canções que nunca foram lançadas como: "Fuck'Em", "I love my right hand" e "I am not a fag". Como os títulos sugerem são canções politicamente incorretas até mesmo para os anos 70 e que revelam um certo humor negro do cartunista. Algumas dessas canções estão disponíveis no YouTube em http://tinyurl.com/2g746bj e http://tinyurl.com/3c6q53

*imagem: reprodução desse site.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ROMANCE DE HARUKI MURAKAMI INSPIROU REVISTA CHINESA

A edição de Agosto da revista Men's Health China tem um editoral de fotos inspiradas no romance "1Q84", de Haruki Murakami. Algumas imagens podem ser vistas aqui. As informações foram retiradas do blog chinês Danwei (via Galleycat). Há uma nítida inspiração na linguagem do cinema, dos quadrinhos, sem dizer a cara fashion pop. Afinal, trata-se de uma livre inspiração no romance.

O nome do romance tem uma clara referência ao clássico "1984", de George Orwell. Porém, o escritor japonês disse em entrevista que seu romance é diferente porque olha para o passado.

Para quem não se lembra, os dois primeiros volumes de "1Q84" foram um sucesso antes mesmo do lançamento. Parece que no Japão o livro já vendeu mais de 2 milhões de exemplares, encabeçando a lista dos livros mais vendidos do país em 2009. O terceiro volume foi lançado esse ano. Não encontrei notícia sobre a previsão de lançamento desse romance com seus três volumes em português.

Por aqui, a editora Alfaguara está lançando esse ano outro livro de Murakami, "Do Que Eu Falo Quando Falo De Corrida" - uma espécie de ensaio em que o escritor fala sobre a prática da corrida em sua vida.

*imagem: reprodução do blog Danwei.


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