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quarta-feira, 11 de julho de 2012

BALANÇO OU O QUE EU VI DA FLIP 2012

Juro! Eu estava escrevendo um balanço sobre "o que eu vi da FLIP" (ainda dá tempo?) e começaria o texto dizendo que o escritor Francisco Dantas foi o que melhor sintetizou o espírito dessa edição ao dizer que não podemos exigir dos escritores muita desenvoltura diante de uma platéia e um microfone. Só que o Ubiratan Brasil, do Estadão, teve a mesma ideia e correu na minha frente. Uma pena! Seja como for, resolvi eleger o texto do Bira (ouvi um monte de gente chamando ele assim) a melhor análise da FLIP. Inclusive, assinaria embaixo do título da reportagem - "FLIP mantém desafio de balancear fama e intimismo".

Entendo que o público, muitas vezes, espera uma tremenda performance por parte dos escritores convidados. Acontece que alguns conseguem e outros não. Resta a pergunta: será que isso realmente torna a Festa mais desinteressante - para não dizer monótona?

Do que eu vi, achei a mesa com Gary Shteyngart e Hanif Kureishi muito bem humorada (do jeito que deveria ser e que o público queria que fosse, me parece). Em contrapartida, Jonathan Franzen... bem, Jonathan Franzen não agradou todo mundo, mas entendo as razões dele.

Não deixo de achar graça nos mediadores que ao começo de quase todas as mesas diziam "estamos diante do maior autor..." ou "estamos diante de grandes autores...". Ok, a gente sabe que eles são importantes do contrário não estariam por ali, certo?

Outro assunto que dominou todas as mesas foi o dilema da pátria: devemos pertencer ou não pertencer a este lugar, eis a questão? Fique claro que não estou falando com ironia - o assunto rendeu boas discussões e demonstrou como boa literatura pode surgir desses deslocamentos. A literatura (ou o gesto de escrever um livro) como forma de terapia também me pareceu meio dominante. Muitos escritores falaram a respeito.

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Agora mudando um pouco para a cobertura da FLIP pelos jornais.

Como tudo na vida, um festival (seja literário ou não) sempre é uma experiência muito particular. Cada participante tem um modo muito distinto de ver as coisas. Quem esteve em Paraty pensou uma coisa, quem viu a transmissão das mesas pela internet pensou outra e quem acompanhou pelos jornais (ou pela internet nos blogs, Twitter, Facebook e afins) pensou outra completamente diferente. Fica difícil achar um discurso central que atenda todas as percepções.

Por isso, acho estranho alguém afirmar que a FLIP foi monótona, que um defeito foi mesas unindo escritores com afinidades (cheias de elogios mútuos), erros e mais erros e tudo o mais. Li um monte de gente dizendo essas coisas. Fiquei com a impressão de que a imprensa sempre espera conflitos nas mesas para criar um fato jornalístico e ter notícia (ter sobre o que falar). Afinal, se um escritor só fala das qualidades do outro não tem muito como atrair atenção de todo mundo. Ao lado de Jennifer Egan, Ian McEwan até fez uma piada sobre isso dizendo "Não seria muito mais divertido se odiássemos o trabalho um do outro?".

Entendo que a ideia de mesas conjuntas pressupõe um deba

te, mas tenho a impressão que uma parte da platéia está mais interessada em ver o escritor falando sobre qualquer coisa do que debatendo assuntos propriamente (cof!) literários. Valter Hugo Mãe, para citar um caso, falou sobre o desejo de ter filhos, sobre a alegria dos brasileiros, leu carta e conquistou a platéia. Não houve debate, discussão ou polêmica e desconheço uma pessoa que não tenha gostado (quer dizer, teve gente que não gostou só que ele tinha uma platéia inteira a seu favor).

Discursos políticos e "conflitos" (não propriamente por discordância ou saia justa entre autores) estiveram presentes na mesa com Adonis e Amin Maalouf (não vi, estou me baseando no texto do Bira e nas coisas que li) e na mesa com Zoé Valdés e Dany Laferrière (vi e achei bastante política a postura dela ao falar francês - ela é cubana - e a força do discurso dele falando sobre a ditadura haitiana). Evidentemente, nenhum deles atirou fogo na tenda dos autores. O gesto político foi sutil, mas perceptível.

Para não me extender muito, deixo o caso do Jonathan Franzen para um outro momento.

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Parece meio anacrônico fazer um texto sobre a FLIP - agora que a Festa já acabou e outra edição só no ano que vem. No entanto, estive na FLIP e queria muito ter feito uma cobertura um pouco "em tempo real". Infelizmente, faço o blog sozinho e conseguir acesso a internet em Paraty é meio complicado. Também fiquei avesso a ideia de escrever sobre as mesmas coisas que os jornais estavam publicando. Além disso, tem a transmissão ao vivo das mesas pela internet e teve até transcrição que o blog da Companhia das Letras com todo (ou quase todo) diálogo dos autores da editora (trabalho da Diana Passy).

Pensando em pautas, me deu vontade de escrever sobre tudo o que não é propriamente literatura. Tipo, o sanduíche que Jennifer Egan não comeu; o passeio anônimo de Gary Shteyngart pela beira do canal; Ian McEwan esbanjando seu humor inglês e Teju Cole com um olhar muito curioso por tudo. Para não dizer dos escritores brasileiros (alguns até com nome na lista da Granta) que estavam circulando bem à vontade pela Praça da Matriz. Ah! Teve a história da camisa engomada do Francisco Dantas... fica pra próxima.

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Não posso deixar de falar do telão que deu problema em vários momentos e da tradução meio sofrida - Vila Matas leu em espanhol um poema de Fernando Pessoa (na mesa de cabeceira que eu vi do telão, ali bem na areia da praia) e houve uma "tradução" para o português que diferia muito do poema original; imagina a versão que Ian McEwan não estava ouvindo? Tudo bem, a culpa não é dos tradutores e nem da organização porque não é possível prever o que determinado autor vai ler naquele momento. Alguém tem alguma solução?

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Devo voltar ao assunto FLIP uma ou duas vezes mais - prometo!

*Imagem: exposição "os leitores"/André Conti - peguei do flickr da FLIP.

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terça-feira, 26 de junho de 2012

JONATHAN FRANZEN E GARY SHTEYNGART NA SERAFINA

Não sei se todo mundo já sabe, mas Jonathan Franzen estampou a capa da última edição da revista Serafina - que circula junto com a Folha de SP. A reportagem é bacana: tem quatro páginas com as caras e bocas do Franzen, um certo ressentimento com Madonna, os escritores que o influenciaram, o caso Oprah Winfrey, trechos de As correções e Liberdade e uma arte com pássaros que ele quer ver no Brasil - depois da FLIP, Franzen segue numa viagem de um pouco mais de uma semana para observar pássaros no Pantanal e na Bahia. Finalizando tem um comentário de Patrícia Campos Mello sobre a obra do escritor.

A reportagem, sem as "artes" e fotos, está disponível aqui.

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Uma coisa me deixou curioso nisso tudo. Num certo momento, Franzen confessa seu vício por seriados de TV, comenta que o gênero televisivo acabou virando um primo dos romances (no melhor estilo folhetim) e fala da adaptação de As correções para uma minissérie do canal HBO. A notícia circula nos jornais desde o ano passado. A série teria Chris Cooper, Dianne Wiest, Ewan McGregor, Maggie Gyllenhaal e Bruce Norris nos papéis principais, o próprio Franzen como roteirista e Noah Baumbach como diretor. No entanto, em maio desse ano a HBO anunciou que iria desistir da adaptação por causa da complexidade narrativa do romance. Funciona nas páginas do livro, mas não funciona na TV.

(A notícia apareceu primeiro no Deadline Hollywood e também vi no Omelete).

A reportagem da Serafina diz que o seriado está programado para 2014. Será que ainda existe uma chance - alguém confirma?

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A revista também tem uma entrevista com Gary Shteyngart, outro escritor convidado da FLIP. O morador do Gramercy Park, bairro caro e super cobiçado de Nova York, conta que está trabalhando num livro novo, "sobre a vida como imigrante nos EUA", e para o trailer promocional sonha em se "vestir de bebê e ter Isabella Rossellini, como minha mãe, cantando uma canção de ninar". Ele já teve James Franco e Paul Giamatti no trailer de Uma história de amor real e supertriste - ganhou até um prêmio por isso.

(Falei sobre os tais vídeos e sobre Uma história de amor real... que comecei a ler nessa semana e estou nas primeiras páginas - para saber mais, clica nos links. Tem até um trecho do livro.)

*Imagem: reprodução da capa da Serafina.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

UMA CONVERSA COM ELIF BATUMAN

Não existe muitas gente situada entre o universo da academia e do jornalismo com tanta facilidade e bom humor como Elif Batuman. Uma escritora turco-americano que recentemente ganhou fama narrando suas aventuras como doutorando em Literatura Comparada na Universidade de Stanford em seu primeiro livro, Os possessos - Aventuras com os livros russos e seus leitores. O livro é uma coletânea de ensaios sobre viagem, leitura, conferências acadêmicas, problemas de relacionamento e a antiga União Soviética. Ela continua escrevendo artigos prolificamente para revistas – no ano passado sua assinatura apareceu na London Review of Books, Paris Review, New Yorker, n +1 e New York Times, para citar algumas. Eu comecei a ficar de olho nos seus textos depois de ler Os possessos que me fez gargalhar tantas vezes que acabei tendo de ler em voz alta para quem estava a minha volta. Nas mãos de Batuman parece quase natural que uma conferência sobre Isaac Bábel pode deixar você rindo e chorando.

Deixando o humor de lado, é revigorante ter alguém jovem, inteligente e divertido que está chamando a atenção simplesmente por escrever sobre o quanto gosta de livros. Os possessos conclui: “Se eu pudesse recomeçar hoje, escolheria novamente a literatura. Se as respostas existem no mundo ou no universo, eu continuo achando que esse é o lugar onde nós vamos encontrá-las”. Depois de terminar Os possessos fiquei quase convencida a correr para um doutorado em literatura e imagino que eu não seja a única.

Eu tive sorte o suficiente de passar algum tempo com Batuman na Universidade de Koç, nos arredores de Istambul, onde ela é atualmente uma escritora em residência. Nós conversamos sobre seus planos para o próximo livro, seus pensamentos sobre a ficção contemporânea e o que é exatamente tão engraçado na academia.

No que você está trabalhando?

Pela primeira vez eu tenho um contrato com a New Yorker – ao invés de ser freelancer. É diferente porque eles me ajudam propondo idéias, ao invés de me jogar ou forçar algo. O último texto que escrevi para eles era sobre a fanática cultura do futebol, que não é uma história que eu teria proposto por minha própria conta. Foi interessante fazer algo assim, algo fora de minha zona de conforto e também fora da minha zona de interesse. Mas é uma cultura complicada e alguma coisa nisso sempre vai ser interessante se você se forçar a descobrir alguma coisa a mais.

Eu não tenho tido tempo para começar um outro livro. Tenho algumas idéias que gostaria de explorar. Até o momento de conseguir contrato para o primeiro livro, cerca de metade dos meus ensaios já tinham sido publicados. Eu não tive a experiência de sentar e escrever um livro a partir do zero. Quero brincar mais com ficção e não-ficção. Na verdade, eu queria que Os possessos fosse ficção para que eu pudesse tomar mais liberdades. Mas como é baseado em coisas verdadeiras havia muita pressão para que fosse não-ficção e quando é o seu primeiro livro você tem de fazer o que lhe dizem para fazer.

Você tem planos mais concretos para o próximo livro?

Bom, eu estive pensando sobre como muitos dos escritores que eu conheço são incrivelmente bons escrevendo e-mail e muitas vezes eu acho seus e-mails mais atraentes do que as coisas que eles escrevem nos livros. Está ligado a essa coisa que eu citei sobre Tchekhov em Os possessos, sobre como todo mundo tem duas vidas uma aberta, conhecida por todos, e outra desconhecida, acontecendo em segredo. O e-mail é um tipo de vida desconhecida enquanto os textos publicados são a vida conhecida. Isso é algo que eu tentei fazer em Os possessos, especialmente no capítulo "Palácio de gelo". Eu aproveitei o texto que escrevi para a New Yorker e tentei completá-lo com a dimensão humana que não tinha aparecido na revista. Eu quero resgatar algumas das coisas que escrevi e preencher com a história pessoal que as contextualiza. Do contrário, você tem uma jornalista nova-iorquina, uma diletante profissional, que está apenas indo de coisa em coisa e nenhuma delas está ligada as outras. Quando você tem sorte o suficiente para gostar do seu trabalho é uma parte enorme do seu pensamento. E uma das coisas que eu gosto no romance clássico é que ele mostra todas as camadas de pensamento que as pessoas têm; seus trabalhos, casamentos, amigos e os pensamentos sobre política está tudo entrelaçado. Mas eu quero escrever mais sobre sexo neste próximo livro; acho que sexo é um problema muito grande que as pessoas não conhecem o suficiente. E eu não fui capaz de fazer isso em Os possessos porque era não-ficção.

Então um livro de ficção vai expor mais sobre sua vida pessoal?

Sim. É tão estranho para mim que a primeira maneira pela qual você classifica um escritor ou um livro seja ficção contra não-ficção. Como podem ser essas as categorias mais importantes? Não faz nenhum sentido. É muito claro que, como em Um milhão de pedacinhos, se você escreve um livro de ficção e o chama de não-ficção existem todos os tipos de problemas. Mas qual é o problema se você escreve um livro não-ficção e o chama de ficção? Isso era o que os romancistas faziam até 75 ou 100 anos atrás. Hoje é como se você esperasse a ficção para inventar tudo isso que algumas pessoas fazem. Por exemplo, eu acho que Jonathan Franzen realmente tira todas aquelas coisas da cabeça, o que é incrível. Mas esse não é o tipo de escritor que eu sou, não é um bom aproveitamento do meu tempo para inventar coisas.

Falando em Jonathan Franzen, você escreveu um artigo na London Review of Books um tempo atrás que era muito crítico sobre a ficção contemporânea. Mas você também disse em entrevistas que você gosta de Franzen, bem como de outros escritores, e recentemente escreveu um artigo muito elogioso sobre o novo livro de Jennifer Egan, A visita cruel do tempo. Você consegue definir o que esses escritores estão fazendo que supere o que você vê como armadilhas da ficção contemporânea em geral?

Liberdade não tem muitas das características que eu associo com oficina de ficção. Ele manteve um pequeno número de personagens e entrou nessas personagens completamente. Não houve criação exagerada de nostalgia a partir do nada. O diálogo era muito bom e não havia um grande número de personagens menores para acompanhar. Era sobre como conciliar o sexo com algum tipo de vida diária – uma questão sobre a qual tenho pensado bastante. Um monte de pensamento e angústia entra no pensamento por esse problema. Você encontra angústia no que eu penso como oficina de ficção, mas há uma suposição de que todos já compartilham essa angústia e sabem o que é e é realmente irônico. Mas ele realmente fez o trabalho de campo e mostrou o que é tão terrível em todas as coisas.

O livro de Jennifer Egan tinha um monte de características do que eu normalmente considero como oficina de ficção ou contos da New Yorker e demorei um pouco para entrar no livro. O enredo sempre introduz aqueles personagens com nomes estúpidos e idiossincrasias estúpidas. Eles estão vivendo aquela vida deprimente e sem sentido que não parece que estão sendo investigados. De repente, de alguma maneira estas pequenas histórias, onde as falhas das personagens seriam tão próximas do que elas são no ser humano, se reúnem e ressoam de uma forma muito brilhante. De certa forma eu acho que é um livro muito mais interessante e formalmente radical do que Liberdade. Será interessante ver o que ela vai fazer em seguida. As pessoas tem feito romance através de contos ou um ciclo de contos faz algum tempo, não foi ela que inventou isso. Mas acho que ela fez algo realmente diferente com isso. Ela começou escrevendo uma história sobre o tempo, para escrever um livro de contos no estilo de Proust e foi o que ela fez . Há algo afirmativo em ver uma grande ambição bem executada e bem sucedida.

Seu livro tem um monte de ensaios muito engraçados sobre conferências acadêmicas, como "Babel na Califórnia". Você acha possível encontrar uma grande quantidade de comédia numa bolsa de estudo em literatura russa ou você consegue esse mesmo tipo de história em qualquer disciplina?

Eu me pergunto muito sobre isso. Não tenho certeza porque não passei muito tempo em outras disciplinas. Meu palpite é que você pode encontrar histórias engraçadas em qualquer disciplina. Mas muito do que me atraiu para a literatura russa era que uma mesma coisa é engraçado e triste ao mesmo tempo. Não é como Dickens, onde algumas coisas são coisas incrivelmente engraçadas e outras melodramáticas, trágicas. As coisas são engraçadas desta maneira melancólica. Você vira o objeto e vê o lado engraçado disso. As pessoas que vão estudar literatura russa estão particularmente sintonizadas com isso, então acho que é possível que coisas especialmente engraçadas aconteçam.

Mas no meu conhecimento todos os acadêmicos são muito engraçados. Eles são todos marginalizados da vida real de alguma maneira e todos são conscientes disso. Eles são muito auto-reflexivos e onde há auto-reflexão e amplitude de leitura tende a haver humor. Não é uma regra fixa. Você encontra muitos acadêmicos sem humor, especialmente em outros países e nas gerações mais velhas. Mas os acadêmicos americanos têm um bom senso de humor e não são tão inibidos. Se querem fazer algo louco eles seguem em frente e fazem.

Mas a academia literária é engraçada, especialmente o estudos do romance. O romance tem tudo a ver com essa disjunção cômica entre os livros e a realidade. Como você poderia ter um emprego que incorpora isso senão sendo um estudante do romance? Você está no mundo como pessoa, mas seu trabalho é estudar. É uma situação muito cômica, mas também triste. Como o romance russo é triste e engraçado ao mesmo tempo.

Em Os possessos você descreve um aluno simplesmente como alguém que estudou "narradores não confiáveis". Descrever as pessoas só dessa forma, por algo muito específico a que elas tem dedicado suas vidas a estudar, é muito engraçado - e também trágico.

Sim, isso ainda é perfeitamente verdade. Até que você pensa em colocá-los nesses termos é perfeitamente normal. Todo mundo tem uma especialidade. Mas quando você pensa em responder à pergunta "O que você faz da vida?" Uma resposta do tipo "Eu estudo esta doença das células brancas do sangue" ou "eu estudo narração inverossímil" é muito engraçada.

Um cara numa mesa sobre Dostoievski em que eu estive recentemente falava sobre como você não pode acreditar no que diz o homem subterrâneo de Dostoievski porque ele é a única pessoa a que você tem acesso e você não sabe se aquilo é verdade ou não. De repente alguém na platéia disse: "Claro! Desse ponto de vista é muito semelhante a Erasmo, porque você não pode dizer o que é a verdade!" Foi como se eles descobrissem a narração inverossímil ali mesmo na frente dos meus olhos. Foi completamente estranho. Toda a cultura literária na Turquia é estranha porque todo mundo é assim generalista.

Como tem sido viver em Istambul? O que você tem pensado e escrito sobre a cidade?

Eu não sinto como se estivesse vivendo em Istambul porque estou neste escritório o tempo todo. Eu trabalho aqui até tarde, perco o ônibus e depois vou a pé para casa por essa floresta por 25 minutos. Eu me sinto mais como se estivesse vivendo no país dos esquilos do que no país do povo turco. Não vou muito ao centro da cidade. Quando terminar minha residência eu quero mudar para o centro de algum lugar. Eu tenho alguns amigos e pessoas que conheço que estão na cena literária e parece que coisas interessantes estão acontecendo. E mesmo que coisas interessantes não estejam acontecendo, as pessoas pensam que coisas interessantes estão acontecendo. Na Rússia, as pessoas pensam que o tempo bom ficou para trás. Jornalistas estão sendo tratados como lixo, o clima está ficando feio, muito feio e o buraco entre ricos e pobres é cada vez maior. Comparado com isso, a Turquia parece ser um lugar onde as pessoas ainda são otimistas com literatura e cultura e gostaria de saber sobre o que eles estão otimistas.

Você tem algum conselho para alguém que quer ser escritor?

Para mim, [escrever] é desativar o censor que diz que você está escrevendo algo ruim, portanto pare de escrever. É como ir ao ginásio. Uma vez que você ir para o ginásio você nunca lamenta que você foi para lá. Uma vez que você senta e escreve, mesmo que você diga que o que você está escrevendo é ruim e não o está levando a lugar nenhum, o ato cognitivo de mexer em frases está fazendo de você um escritor melhor. Você só tem que lembrar disso e não se censurar. Ao escrever não-ficção teve um monte de vezes que imaginei várias vozes de pessoas irritantes na minha cabeça que ficariam ofendidas ou irritadas porque eu tinha escrito isso ou aquilo. Aprender a desligar isso era útil num sentido amplo. Você tem que ter certeza que é só você e a tela do computador e que outras pessoas só vão entrar naquilo mais tarde.

O outro lado disso é que também é muito útil pensar em seu texto como algo que você está contando para alguém. Um dos meus livros favoritos que li recentemente é Gilead, de Marilynne Robinson, porque foi escrito em forma de cartas. Isso me fez lembrar de um livro para crianças que eu li e reli, em Nova York, quando estava visitando minha mãe, From The Mixed up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler, de EL Konigsburg. É escrito pela Senhora Basil E. Frankweiler, dela para o seu procurador, nomeando as disposições que têm de ser feitas em sua vontade. Mas na verdade é a história dos netos do procurador que fugiram de casa para ficar no Metropolitan Museum a fim de resolverem um mistério artístico. Foi escrito para uma pessoa muito particular, da mesma maneira que Gilead é escrito para uma pessoa muito particular. Eu acho que é uma convenção arbitrária para escrever para o público. Mesmo quando você tem um livro que é escrito em primeira pessoa, quem está realmente escrevendo para o público? Eu pensei que isso estava restaurando um componente muito importante perdido da escrita, escrever para uma pessoa específica. Tenho pensado mais nisso. É algo que meu editor me disse quando estava trabalhando em Os possessos. Ele disse: "Eu acho que você deveria escrever isso para minha mãe. Minha mãe ama esse livro, mas ela não sabe que adora. Se você continuar usando palavras como ‘sobre-determinada’, ela nunca vai saber que adora”. Tratava-se de tirar o jargão sem retirar a teoria ou deixar estúpido. Foi algo realmente útil.

Atualmente a literatura russa ocupa uma grande parte da sua vida, cultura e escrita. Você acha que nunca vai se cansar de literatura russa?

Sim! Claro que acho que vou. Quando você escreve e promove um livro, você não é especialista em nada exceto em ter escrito aquele livro. No meu caso era um livro muito pequeno e idiossincrático que não tinha um conhecimento enciclopédico de muito coisa, mas os livros têm que torná-lo um especialista em alguma coisa. Você entra neste circuito de festivais e eu estava em todos esses painéis sobre a Rússia com Sheila Fitzpatrick, Pavel Basinski e essas feras dos estudos eslavos. Sendo assim, imagino que o meu próximo livro não vai ter muito a ver com literatura russa e depois haverá outra fresta para me encaixar. Não acho que eu vá fundo como uma especialista em literatura russa por muito mais tempo.

Os possessos - Aventuras com os livros russos e seus leitores
Elif Batuman
Editora Leya
344 páginas











Esta conversa foi publicada originalmente no blog Full Stop em 14 de dezembro de 2011. Reprodução e tradução para o português com permissão do blog.

*Imagens: retrato de Elif Batuman reprodução e capa do livro divulgação.
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domingo, 18 de março de 2012

FLIP 2012 ATÉ AGORA...


Faltam pouco mais de três meses para o início da décima edição da FLIP e até agora temos 14 nomes confirmados - ou seja, estamos chegando a metade da programação oficial considerando a média de 30 convidados por ano. Na mesa de abertura teremos Silviano Santiago falando sobre Carlos Drummond de Andrade - o poeta mineiro que será o grande homenageado.

Por causa dos dez anos da FLIP, a organização está convidando escritores que já estiveram em edições passadas. Com isso voltam Ian McEwan (veio em 2004), Enrique Vila-Matas (veio em 2005 e também esteve por aqui ano passado no Congresso da revista CULT) e o gaúcho Luis Fernando Veríssimo (segundo informação do jornal O Globo ele esteve na FLIP em 2003, 2004, 2005 e 2008).

Se a FLIP pretende chamar um grande nome de cada edição passada quero fazer uma sugestão: poderíamos ter a escritora Toni Morrison, de 2006 (ela vai lançar novo romance nesse ano); César Aira, de 2007 - já que J.M. Coetzee não vem; e Michel Laub, de 2008 (autor de um dos melhores romances do ano passado).

Vem pela primeira vez o espanhol Javier Cercas, a cubana Zoé Valdés, os norte-americanos Jennifer Egan, Jonathan Franzen e Teju Cole (apesar de ter nascido nos Estados Unidos foi criado na Nigéria), o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio e o poeta sírio - e sempre candidato ao Prêmio Nobel - Adonis. Da parte dos críticos vem Richard Sennett, Stephen Jay Greenblatt e James Shapiro, os dois últimos são especialistas em Shakespeare. Na semana passada, a Companhia das Letras confirmou a participação do português José Luis Peixoto na programação paralela da Festa.

Nos últimos dez anos, o crescimento em todo o Brasil das feiras literárias, congressos, eventos e lançamentos com a participação de escritores diluíram um pouco o impacto da programação da FLIP na opinião pública. Isso não quer dizer que a Festa esteja se tornando irrelevante. Pelo contrário, a FLIP ajudou a construir o nosso "mercado" de eventos literários de grande porte (pelo que me lembro, antes a gente só tinha a Bienal do Livro) e continua sendo a maior do setor. Somente um evento de prestígio internacional como a FLIP pode trazer alguns medalhões da literatura mundial como o poeta Adonis e o escritor Jonathan Franzen, para citar dois convidados desse ano. Não é aleatória a escolha da revista Granta de anunciar seu número especial com os melhores jovens escritores brasileiros durante a Festa. Também não podemos desprezar a enorme movimentação nas vendas de livros. Um escritor convidado para a FLIP certamente vende muito bem - ainda mais quando sua participação comove a platéia.

Lembro de ter lido em algum lugar que os organizadores da FLIP, Liz Calder e Mauro Munhoz, tem planos de expandi-la para Campinas, Porto Feliz e até para a Inglaterra. O que lembra muito Hay Festival, evento que inspirou a FLIP e tem ramificações em várias partes do mundo. Enquanto a expansão não acontece alguns autores convidados ficam no Brasil e participam de lançamentos ou palestras em São Paulo e no Rio.

Mais nomes internacionais devem aparecer em breve. Os nomes nacionais costumam ser anunciados por último. Espero que eles apareçam aos montes. Vamos cruzar os dedos.

*Imagem: reprodução do Flickr da FLIP.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (2): PORTUGAL X BRASIL

No ano passado peguei uma bela ideia emprestada e fiz uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições brasileiras e portuguesas. Para não perder a tradição e pensando em quanto isso seria divertido, faço uma nova rodada da brincadeira. Tamanha diferença entre as capas portuguesas e brasileiras não deve causar muito espanto, afinal cada país tem uma cultura visual muito particular e algo atrai os portugueses pode não atrair os brasileiros, evidentemente. O exercício de olhar as capas lado a lado servem para especularmos sobre o trabalho do capista na hora de resolver o problema de como dar um rosto a um livro e vendê-lo para o leitor.

Digo de antemão que não sou especialista no assunto, portanto estou comentando sem muito compromisso. A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem a vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado direito.
A grande arte, de Rubem Fonseca
Na reedição desse grande clássico contemporâneo os dois capistas pensaram na mesma coisa: uma faca. Não é à toa, já que esse elemento traduz bem o enredo do livro. Os portugueses optaram por uma singela ilustração que transpassa a capa e vai a contracapa, ao passo que a edição brasileira escolheu um raio-x dilacerante - para dizer o mínimo. Ponto para as duas.

a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe
A capa da Alfaguara portuguesa é bonita, mantém a identidade da marca e tem humor. No entanto, é difícil não se render aos encantos abstratos (querendo ser figurativos) de Lourenço Mutarelli e ao projeto gráfico caprichado da Cosac Naify. Como explica Paulo Chagas no blog da editora "o procedimento remetia aos papéis marmorizados das partes internas de antigas encadernações. Era como se a capa tivesse sido virada do avesso".

A noiva do tigre (A mulher do tigre, em Portugal), de Téa Obreht
Enquanto os portugueses "preferiram" a mesma capa dos norte-americanos, nós criamos um desenho de cores marcantes. Só que a edição portuguesa tem uma certa vantagem de não entregar tudo logo de cara. O tigre pela metade guarda o mistério entre ameaça e ajuda. O tigre da capa brasileira parece mansinho.

Os imperfeccionistas, de Tom Rachman
Um caso curioso de repetição. Tanto a edição portuguesa quanto a edição brasileira optaram pela mesma capa da edição americana. Se não estou enganado a mesma coisa aconteceu na Inglaterra, no Canadá, na Espanha e na Alemanha. Pobreza de ideias? Não sei dizer. Mas qual é o problema de reproduzir uma capa bem limpa e elegante como essa. Nem preciso dizer que o jornal ali diz tudo.

Liberdade, de Jonathan Franzen
Os portugueses seguiram colados a escolha da capa britânica e colocaram um imenso "L" gráfico com o detalhe pequeno da pena. No entanto, nos saímos melhor traduzindo a ideia de "liberdade" ao contrapor uma cerca (em estilo tipicamente americano, mas ao mesmo tempo universal) com um céu cheio de nuvens. Inclusive, acho nossa capa infinitamente superior a da edição norte-americana. Alguma coisa me incomoda naquele pássaro azul e naquelas letras meio de lado.

Livro, de José Luis Peixoto
O carinho de bebê na capa da edição portuguesa revela o ponto de partida do romance, nada que comprometa as surpresas que você vai encontrar no romance. Só que a capa brasileira com letras formando os desenhos dos azulejos portugueses é bem mais interessante - tem até textura por conta do relevo da impressão. Além disso, traduz bem a forma da segunda parte do livro. É bem metonímico o negócio. Nossa diferença cultural me leva a pensar será que em Portugal essa capa faria sentido?

*Tem uma curiosidade a respeito da edição portuguesa: a mesma imagem de capa foi usada no livro Tu ne jugeras point, de Armel Job (um escritor belga). Foi pura coincidência como está explicado aqui.
Os malaquias, de Andréa del Fuego
As duas capas são bonitas. Trabalham com a ideia de família. De qualquer forma, prefiro a capa brasileira: é mais clara e as sombras na parede mantém o segredo sobre a fisionomia das personagens.

Outra vida, de Rodrigo Lacerda
A nossa capa guarda algo de estático, nostálgico, triste. Sensação que as personagens do livro devem experimentar na pele, pois é sobre uma viagem de volta que trata o enredo. A capa portuguesa tem movimento, trânsito e mudança que ganham ares de tristeza graças aos guarda-chuvas abertos. Por mais colorido que sejam não deixa de ser triste.

Pornopopéia, de Reinaldo Moraes
A capa brasileira não revela nada. Parece que é uma foto de Reinaldo Moraes lendo alguma coisa. Serve para destacar o nome do livro em grandes letras vermelhas em cadência divertida. Em contrapartida a capa portuguesa leva a melhor com a brincadeira visual das formas femininas. Pode parecer clichê usar a "natureza" para retratar coisas mais picantes, mas considerando o enredo a imagem tem tudo a ver. Ponto para eles!

Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre
A nossa edição é mais bonita. A "limpeza" de informações valoriza a foto no alto. ficou elegante. Já a capa portuguesa vai bem quando recupera elementos do enredo e vai mal quando coloca o título grande em vermelho. Parece que pesou um pouco, embora lembre o jogo de fechar os olhos alertando para abri-los. Será isso?

*Imagens: divulgação e reprodução.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E-BOOKS... CARREGANDO...


"O grande Gatsby foi atualizado pela última vez em 1924. Você não precisa de nova atualização, não é?" - Jonathan Franzen

Não tem jeito, todo mundo anda cansado das polêmicas envolvendo e-books, mas é quase impossível fugir do assunto. Ainda mais quando uma pessoa como Jonathan Franzen, o autor mais comentado dos últimos tempos, resolve entrar na briga. Para resumir a notícia: Franzen disse durante uma coletiva de imprensa no Hay Festival em Cartagena que os e-books estão corrompendo a sensação de permanência que os livros impressos carregam desde a sua invenção. Um livro impresso não muda. É o registro de um tempo, de um pensamento, de uma vontade e permanece com a forma que o seu autor lhe deu. Em contrapartida os e-books são fluídos. Lendo numa tela temos a sensação de que podemos deletar uma parte, mudar algo e mover tudo.

Detalhes curiosos e importantes: Franzen trabalha num computador sem conexão com a internet, a personagem Walter Berglund do seu romance Liberdade expressa uma ideia semelhante em relação à internet "All the real things, the authentic things, the honest things, are dying off" e seus livros ganharam versões em e-book.

O pensamento parece ingênuo, reacionário e apocalíptico - como muito defensores dos e-books vão dizer -, no entanto ele toca num ponto aparentemente inédito no debate: quem realmente vai garantir a permanência intacta de um livro eletrônico ao longo dos anos? Alguém poderia apagar ou alterar um livro por interesse próprio? Alguma corporação lucraria com isso?

Quando a Wikipédia surgiu muita gente reclamava de censura e controle na edição dos verbetes. A briga de Robert Darnton para digitalização do acervo da Biblioteca da Universidade de Harvard não é à toa. Estudos sobre os efeitos da internet em nossa memória pipocam por todos os lados - que o diga Nicholas Carr (A Geração Superficial / Editora Agir). Em tempos de SOPA, PIPA, caça a pirataria, Wikileaks, compartilhamento de dados e o escambau todo cuidado é pouco.

Voltando a Jonathan Franzen, penso no escritor Tom Rachman. Se ele estiver certo, Franzen (contra e-books), Zadie Smith (contra o Facebook), Jonathan Safran Foer (junto com seu irmão Joshua Foer contra a desmemoria da internet) e muita gente acima dos 30 anos serão os primeiros integrantes da geração que Rachman batizou como “românticos offline” - artigo muito interessante publicado pelo caderno Link, do Estadão.

(Um parêntese se me permitem. Tom Rachman também está numa matéria chamada "Internet imperfeita", publicada pelo Link. Ele fala mais detidamente sobre os "românticos offline", a reação que a hiperconectividade deve gerar em breve, a banalidade do Facebook e outras coisas mais. Vale lembrar que seu romance de estréia, Os imperfeccionistas, acaba de ser publicado em português pela editora Record).

Independente da força dos argumentos contra ou a favor, não existe uma conclusão definitiva sobre os e-books. Escritores, editores, livreiros e leitores estão no mesmo barco sem saber direito como se comportar em relação ao monólito que surgiu nos últimos anos. Parece mesmo que o fim dessa história vai ficar para depois. Enquanto isso debatemos e especulamos.

Ah! Jonathan Franzen estará na próxima edição da FLIP, em julho.

***

Em tempo, quero reproduzir uma nota sobre um futuro negro reservado ao e-book e publicada na coluna Painel das Letras, da Ilustrada/Folha de SP.
Pesquisa com editores americanos divulgada no Digital Book World, nesta semana em Nova York, mostrou um baque na empolgação com o e-book: só 28% creem que suas empresas melhorarão com a transição para o digital - eram 51% em 2011.
Aguardem cenas dos próximos capítulos.

*Imagem: reprodução do Twitter 'Emperor Franzen'

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

NOTAS #34

Watt
O Harry Ransom Center na Universidade do Texas disponibilizou na internet um manuscrito desconhecido de Watt, segundo romance de Samuel Beckett. Escrito durante a Segunda Guerra, entre 1940 e 1945, o manuscrito é composto por 945 páginas divididas em seis cadernos e folhas soltas. Tem rabiscos, desenhos e muitas anotações. Watt foi publicado apenas em 1953 pela Olympia Press apesar de ter sido concluído no final da Guerra.

Leitura de areia
As férias estão chegando ao fim, mas ainda dá tempo de aproveitar os últimos dias de praia para tirar o atraso da leitura. Foi pensando nisso que a revista VIP preparou uma seleção bem bacana de livros "fáceis de acompanhar". Tem A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson em edição caprichada da Record; A gente se acostuma com o fim do mundo, de Martin Page em tradução para o português de Bernardo Ajzenberg; Ficção de polpa: Crime!, reunindo contos de vários autores que saiu pela Não Editora e muitas outras coisas. Tem até e-books para os mais tecnológicos. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/7qbu8ao

Lispector em Portugal
Continuando a boa fase internacional, a obra da escritora Clarice Lispector acaba de ser adquirida em Portugal pela editora Relógio d'Água. Até 2018, a editora promete reeditar os livros de Clarice e lançar outras obras de ficção, os livros infanto-juvenis e demais compilações de textos.

Ficção árabe e asiática
O mundo árabe vive um momento de grandes mudanças desde o ano passado com a explosão de movimentos sociais organizados exigindo o fim da corrupção e da tirania em seus regimes políticos. É nesse importante contexto que vai acontecer a quinta edição do International Prize for Arabic Fiction. Bem distante do exotismo a ficção contemporânea produzida nesses países reflete sobre questões de identidade pessoal, do exílio e das transformações políticas. Nesse ano concorrem ao prêmio The vagrant, de Jabbour Douaihy e The druze of Belgrade, de Rabee Jaber (ambos do Líbano); Embrace on Brooklyn Bridge, de Ezzedine Choukri Fishere e The Unemployed, de Nasser Iraq (ambos do Egito); The Women of al-Basatin, de Habib Selmi (da Tunísia); e Toy of Fire, de Bashir Mufti (da Argélia).

O vencedor será anunciado em 27 de março.

***

A região compreendida pelo sul e leste da Ásia também passa por um bom momento na ficção. O tradicional Man Asian Literary Prize teve dificuldades para escolher cinco concorrentes na edição desse ano. Tanto que a organização do prêmio decidiu incluir sete livros na lista final para revolver o problema. A decepção foi a ausência de 1Q84, de Haruki Murakami - um fênomeno de vendas e sucesso de crítica, merecia ao menos uma indicação. Concorrem ao prêmio The wandering falcon, de Jamil Ahmad (Paquistão); Rebirth, de Jahnavi Barua, The sly company of people who care, de Rahul Bhattacharya e River of smoke, de Amitav Ghosh (os três da Índia); Please look after mom, de Kyung-Sook Shin (Coréia do Sul); Dream of Ding Village, de Yan Lianke (China); e The lake, de Banana Yoshimoto (Japão).

O vencedor será anunciado em 15 de março.

Encontro de gigantes
Quando dois grandes escritores se encontram a conversa pode ser sobre qualquer assunto. De amenidades a questões profundamente filosóficas. E quando Henry Miller encontra Anaïs Nin? Um vídeo mostra a conversa dos dois em torno de sonhos e morte... http://tinyurl.com/8xt6o7a

Bad boys e bad girls da literatura
Ao contrário do que muita gente pensa nem só de bons mocinhos vive a literatura. Há também os garotos malvados (ou bad boys, se você preferir). O blog Flavorwire com suas divertidas listas escolheu dez escritores que provocam um verdadeiro reboliço no mundo literário e sempre dão o que falar. Entre outros, a lista tem o hors concours Michel Houellebecq, a família Kingsley e Martin Amis, Norman Mailer, Salman Rushdie e quem diria até Jonathan Franzen. A lista completa está em... http://tinyurl.com/6pxlrmf

***

As mulheres também não ficam atrás. O mesmo Flavorwire preparou uma lista com as mulheres más da literatura. Tem Alice Walker, Sylvia Plath, Simone de Beauvoir e outras mais... http://tinyurl.com/73s3ob8

*Imagem: reprodução do Harry Ransom Center.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FRANZEN E O URSINHO PUFF

Ontem, Jonathan Franzen fez aniversário. Para a data não passar em branco o PEN American Center disponibilizou em seu podcast uma palestra de Franzen sobre o tema "O que deu errado?". Detalhe: a apresentação foi feita por Salman Rushdie. O áudio está disponível nesse link.

***

Outro que está fazendo aniversário é o Ursinho Puff. Para celebrar os 90 anos do ursinho mais amado do mundo, resgatei dos arquivos do blog um post com uma história surreal: Puff vs. Alien. Tudo no melhor estilo mashup literário sci-fi.

*Imagem: Jonathan Franzen / www.pen.org
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segunda-feira, 20 de junho de 2011

O QUE TEM PORTO ALEGRE?



Porto Alegre é um lugar que intriga a gente que não é de lá. Você já reparou na quantidade de escritores gaúchos que aparecem todos os meses? Nunca estive na cidade, mas sei que eles têm uma cena literária bastante sólida apoiada pelos congressos, feiras de livro, prêmios literários, editoras, fanzines, blogs e bares da cidade (o elemento mais importante).

Os gaúchos têm tantos escritores que pegaram o modelo da Copa de Literatura e fizeram um campeonato regional só deles. O Gauchão de Literatura vai para a segunda edição com quarenta e oito concorrentes, todos com romances que foram publicados em 2009 ou 2010. É tanta gente que o torneio é dividido em três fases e começa no dia 4 de julho com previsão de terminar só em dezembro.

Não contentes, lá mesmo em Porto Alegre, o pessoal do StudioClio criou um projeto um pouco similar chamado Sport Club Literatura. Funciona assim: uma vez por mês todo mundo se reúne para assistir um jogo com duas disputas - uma histórica "denominada Coliseu (com clássicos e épicos da literatura) e uma pelada chamada Com-ca versus Sem-ca (com jogos mais alternativos, modernos, com ou sem critérios)". A diferença é que no Sport Club Literatura as partidas são ao vivo com a presença da torcida, de dois julgadores e um mediador. Ah! Os autores envolvidos na disputa não são necessariamente gaúchos.

O primeiro jogo acontece na próxima terça-feira (21 de junho) - tem de comprar ingresso para assistir. Na disputa da série Coliseu: Orgulho e preconceito, de Jane Austen enfrenta Middlemarch, de George Elliot com os juízes Milton Ribeiro e Joana Bosak. Na pelada vai ter um duelo de gigantes: 2666, de Roberto Bolaño e Liberdade, de Jonathan Franzen. Os juízes serão Antônio Xerxenesky e Carlos André Moreira.

Até deu vontade de comprar uma passagem para Porto Alegre, né?

*imagem: reprodução da Wikipédia.

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domingo, 5 de junho de 2011

JONATHAN FRANZEN NA REVISTA VEJA



A revista Veja da semana passada tinha resenha de Jerônimo Teixeira para Liberdade, de Jonathan Franzen. Ocupando três página, o texto opta por revelar o forte caráter político do livro e aponta alguns pontos fracos. Tem ainda uma entrevista com o autor.

*imagem: reprodução.
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terça-feira, 31 de maio de 2011

NOTAS #26


Gêneros literários
Daniela Comani, uma artista plástica italiana radicada na Alemanha, costuma investigar em seu trabalho questões ligadas ao gênero feminino. Seu objetivo é mostrar que as mulheres não ocupam a história mundial do século XX e muito menos o cânone literário ocidental. Na série de trabalhos New Publications, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura inglesa, espanhola, francesa, alemã e italiana e mudou o gênero de seus títulos. Assim, a capa de Os irmãos Karamozov ganha o título de As irmãs Karamozov; Madame Bovary vira Monsieur Bovary; e Dom Quixote se transforma em Dona Quixote. Não deixa de ser curioso e provocativo. A mostra está em exibição na Charlie James Gallery em Los Angeles.

Listas
O site Flavorwire (sempre com as listas das dez melhores coisas relacionadas à literatura) pediu a revista literária One Story (especializada em publicar contos) que escolhesse os dez maiores contos de todos os tempos. Na votação da equipe vários nomes foram citados e a editora da revista escolheu os clássicos - tudo segundo uma ordem bem particular, pessoal e aleatória. É fato que a nomeação é discutível, mas tem o mérito de mostrar uma reunião de contos não tão citados. Entre eles, “Para Esmé, com amor e sordidez”, de JD Salinger; “Os mortos”, de James Joyce; “Um senhor muito velho com umas asas enormes”, de Gabriel Garcia Marquez; “É difícil encontrar um homem bom”, de Flannery O’Connor; e “Catedral”, de Raymond Carver. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/3lrnta5

Áudio Huxley
Entre 1956 e 1957 a rádio americana CBS organizou uma série experimental de leituras dramáticas. Na estréia do programa nada menos do que uma adaptação em duas partes do clássico romance de ficção científica Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. A peça que tem introdução e narração do próprio Huxley reapareceu na internet. O programa está disponível em duas partes: parte 1 e parte 2. [via openculture]

140 caracteres
No ano passado Jeff Howe criou no twitter um enorme clube do livro chamado "One Book, One Twitter". A experiência foi muito bem sucedida e teve cerca de 12 mil pessoas ao redor do mundo lendo Deuses americanos, de Neil Gaiman. Para tristeza de muitos, tudo terminou subitamente da mesma forma como começou - afinal, na internet as coisas às vezes são um pouco efêmeras. No entanto, Howe com a ajuda da revista The Atlantic recuperou a ideia. Dessa vez, o clube do livro foi rebatizado de "1book140" e vai ter um livro por mês comentado por seus seguidores. Dia primeiro de junho começam as leituras e discussões em torno de O assassino Cego, de Margaret Atwood - o primeiro livro escolhido pelos quase 5 mil seguidores. Quem quiser se aventurar só precisa seguir o perfil http://twitter.com/1book140 .




Moby Dick em imagens
Os desenhos incríveis de Matt Kish para cada páginas de Moby Dick serão publicados em livro. O ilustrador e artista plástico americano gosta tanto do romance de Herman Melville que em agosto de 2009 decidiu criar uma ilustração para cada página do livro. Ele fazia apenas um desenho por dia e postava o material num blog da internet. A longa jornada terminou em janeiro desse ano. O livro Moby-Dick in pictures: one drawing for every page vai sair pela editora Tin House em outubro numa edição caprichada que além dos desenhos inclui trechos do monumental romance da baleia. Os desenhos estão disponíveis em http://tinyurl.com/yajkgzu

34 leituras íntimas
A editora 34 em parceria com a Casa de Francisca realiza amanhã a quinta edição da série 34 leituras íntimas. Dessa vez, os escritores João Paulo Cuenca e Chico Mattoso vão ler trechos selecionados de obras com o tema Leituras de deformação. Quem estiver por lá vai ouvir histórias de outros escritores que revolucionaram a vida e a maneira de fazer literatura de Cuenca e Mattoso. Em outras edições o evento já reuniu Antonio Prata, Humberto Werneck, Verônica Stigger, Leandro Sarmatz, Beatriz Bracher, Noemi Jaffe, Fabrício Corsaletti e Fabiano Calixto. É importante reservar seu lugar com antecedência pois a Casa de Francisca é um pequeno café-teatro que costuma lotar. O endereço é Rua José Maria Lisboa, 190 - São Paulo.

A notícia Franzen da semana
Na semana em que Jonathan Franzen é assunto em diversos jornais e revistas, nada melhor do que reavivar a notícia Franzen da semana (para quem não se lembra, isso foi uma brincadeira que fiz no ano passado, quando Franzen estava fazendo um sucesso enorme nos Estados Unidos e na Europa). O Gotham Writers' Workshop perguntou a ele quais os conselhos para enfrentar o terrível bloqueio criativo. Franzen não titubeou e contou alguns macetes: "A certa altura, muitas vezes depois de meses de fracasso e frustração, eu sou forçado a parar e proceder a uma auto-análise através de anotações e conversa com amigos confiáveis". A conversa toda está disponível em http://tinyurl.com/3wcuwoh

*imagens: reprodução.
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

JONATHAN FRANZEN VEM A FLIP EM 2012

Vou confessar que estava esperando a presença do Jonathan Franzen na FLIP quando vi a notícia de que Liberdade seria publicado pela Companhia das Letras. No entanto, quando vi a programação oficial o nome dele não estava lá. Até fiz uma torcida, pensei em criar um hashtag "#vemfranzen". Quem sabe até já estava preparando um post especial para o momento do anúncio tal anúncio. Mas não foi dessa vez.

Esforços não faltaram. A Ilustrada de hoje tem uma entrevista com Jonathan Franzen e confirma a presença dele na FLIP do ano que vem - revela até as tentativas da Companhias das Letras para trazê-lo. Parece que ele não pode vir por incompatibilidade de agenda. Um pena! Seria um lançamento em grande estilo para Liberdade, um prestígio para a FLIP e nós teríamos a chance de ver um escritor em seu grande momento. Como todo mundo sabe, no ao passado ele foi eleito pela TIME como o grande romancista americano. As resenhas aqui no Brasil também não me deixam mentir.

Não tem problema. Guardamos o nosso entusiasmo para o próximo ano!

*imagem: reprodução.
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terça-feira, 24 de maio de 2011

JONATHAN FRANZEN NA REVISTA ÉPOCA


A revista Época dessa semana tem um belo artigo assinado por Luís Antônio Giron sobre Liberdade, de Jonathan Franzen - disponível no site apenas para assinantes da revista. Ocupando praticamente cinco páginas da revista com belas fotos e uma rica galeria de escritores que serviram de inspiração para Franzen, o artigo repassa a trajetória astronômica do romance nos Estados Unidos e explica porque Franzen é considerado um dos maiores romancistas da atualidade - entre as razões está o fato de "dar vida a um gênero dado como agonizante após décadas de experimentação, trangressão e desgaste".

***

Em tempo, Liberdade chega às livrarias essa semana.

*imagens: reprodução da revista Época.
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domingo, 15 de maio de 2011

JONATHAN FRANZEN NA GQ



A edição brasileira da revista QG tem um artigo curtinho escrito por Chuck Klosterman falando sobre Jonathan Franzen. O encontro deles aconteceu num trem quando Klosterman foi entrevistar Franzen na ocasião do lançamento de Liberdade. O artigo é um pouco raso, quase não toca em assuntos propriamente literários: fala de fama, da capa da Time e fica mais centrado na figura do escritor mais badalado dos últimos anos - um pouco menos que Roberto Bolaño, eu diria.

Klosterman diz que Franzen "é um pouco arrogante. Mas não intragável" e que ele não curte "nem um pouco" fazer turnês para lançamento de livros.

Acho que o momento mais curioso é quando Franzen revela seu gosto musical. Ainda jovem ele ouvia Moody Blues, Grateful Dead e Talking Heads, mas hoje só ouve música na academia. Figuram no seu playlist, segundo o artigo, Jackson 5, M.I.A., Grace Jones, Rolling Stones, Steely Dan e Mission of Burma.

***

Por ocasião do lançamento de Liberdade, a Companhia das Letras vai relançar As correções em edição econômica. Esse livro não causou o mesmo burburinho, exceto pela comentada recusa de Franzen em aparecer no book club da apresentadora Oprah Winfrey. De qualquer forma é uma obra-prima e teve diversos elogios mais "contidos" de crítica e público.

A capa dessa edição econômica é bem bonita. Não dá vontade de trocar a edição de 2003?

*imagem: reprodução.

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terça-feira, 19 de abril de 2011

JONATHAN FRANZEN ESTÁ CHEGANDO

Aos poucos estão surgindo mais notícias sobre a chegada do romance que abalou a mídia norte-americana. Liberdade, de Jonathan Franzen tem previsão de lançamento em 26 de maio pela Companhia das Letras. Em Portugal o romance será lançado na próxima segunda-feira - mais detalhes da edição portuguesa aqui.

A Livraria da Folha postou um pequeno trecho inédito do romance com tradução feita por Sergio Flaksman. No site também tem um comentário sobre a trajetória do livro lá nos Estados Unidos. Vou reproduzir aqui o parágrafo inicial para quem está curioso:


"Uma coisa ótima do jovem Walter era o quanto ele torcia para Patty vencer. Enquanto Eliza antes só demonstrava pequenos respingos insatisfatórios de parcialidade a seu favor, Walter lhe dedicava abundantes infusões de hostilidade contra qualquer um (seus pais, seus irmãos) que a deixassem aborrecida. E como ele era tão intelectualmente honesto em outros aspectos da vida, tinha uma credibilidade impecável quando criticava sua família e se alistava nos planos questionáveis que ela formulava para lidar com isso. Podia não ser exatamente o que ela queria num homem, mas era insuperável em sua dedicação, provendo Patty do apoio furibundo que, naquela época, ela precisava mais ainda que de amor".
A capa (imagem acima) foi criada por Elisa v. Randow. Uma simpática cerca bem ao estilo americano. Gostei porque fugiu a imagem ruim da edição americana (aquela do passarinho) e foi bem além daquela letra grande na edição inglesa e portuguesa (que não ficou ruim, mas acho que a nossa é bem melhor).

*imagem: reprodução.
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NOTAS #23


Biblioteca particular
A foto no alto mostra um dos livros da biblioteca particular de David Foster Wallace. É o romance Players, de Don Delillo repleto de anotações de toda a sorte e com uma letra miúda. O livro é parte do arquivo do escritor que está no Harry Ransom Center, na Universidade do Texas, Estados Unidos.

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Na semana passada, Foster Wallace voltou a ser o centro das atenções por conta do lançamento de The pale king - romance que ele deixou inacabado. Além das resenhas críticas em importantes jornais e revistas, Wallace ganhou um curioso ensaio assinado por Jonathan Franzen na revista New Yorker (os dois eram amigos e o ensaio fala sobre o amor). A revista disponibilizou temporariamente o ensaio no Facebook para quem desse um "curtir".

***

Já Harry Ransom Center organizou um leitura de The pale king na data de seu lançamento. Paralelamente ao evento havia uma exposição com itens do arquivo do escritor, incluindo um livro que Foster Wallace usou para pesquisa enquanto se preparava para escrever The Pale King.

Trecho inédito
A Ilustríssima deu um presente para os leitores do escritor Ricardo Piglia. O caderno trouxe uma entrevista com o autor e publicou em primeira mão um trecho da tradução de Alvo noturno, romance que será lançado em agosto pela Companhia das Letras. Infelizmente, o site do jornal não menciona o nome do tradutor. Para os que desejam um aperitivo o trecho está disponível em http://tinyurl.com/3g2kvse

Atualização: a tradutora do trecho publicado pela Ilustríssima é Heloisa Jahn.

Dada
A notícia não deve ser tão nova, mas é de extrema importância. O site Ubuweb disponibilizou em seu acervo virtual os três primeiros números da revista Dada - idealizada por Tristan Tzara e ligada ao movimento Dadaísta. Há desenhos, pinturas, poemas e textos assinados pelos artistas do grupo vanguardista, incluindo o famoso Manifesto Dada de 1918. As edições estão disponíveis em http://tinyurl.com/7fpkvm

Parabéns, Beckett
Na semana passada o aniversário de Samuel Beckett foi comemorado com entusiasmo. O The New York Review os Books liberou um artigo escrito por Colm Tóibin chamado Happy Birthday, Sam! - publicado originalmente em 2006. Junto com o artigo havia uma série de ótimas ilustrações assinadas por David Levin. O texto está disponível em http://tinyurl.com/3bktxh2 e as ilustrações em http://tinyurl.com/3sz59pq

Literatura norte-americana
Dois lançamentos da literatura norte-americana devem aparecer em breve nas prateleiras das livrarias brasileiras. Segundo a coluna Painel das Letras publicada na Ilustrada, o romance Room, de Emma Donoghue teve os direitos adquiridos pela Editora Verus; e The tiger's wife, de Tea Obreht foi adquirido pela Leya Brasil. Os dois romances foram recebidos com boas críticas pela imprensa dos Estados Unidos, sendo Room um dos melhores do ano passado e The tiger's wife um dos mais aguardados desse ano.

Entendimento?
Desdobrando um pouco o debate da série Desentendimento, O Instituto Moreira Salles fez quatro perguntas ao escritor Bernardo Carvalho. O escritor foi citado no debate "como um exemplo de autor que não se encaixa no perfil de ‘literatura nacional’". As perguntas e respostas estão disponíveis em http://tinyurl.com/43uv842

*imagem: reprodução.
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terça-feira, 5 de abril de 2011

A MULHER QUE VENCEU FRANZEN

O romance A visit from the goon squad, de Jennifer Egan venceu o Tournament of Books 2011. A notícia é bem curiosa, pois ela venceu o favoritismo de Jonathan Franzen e seu aclamado romance, Freedom. A disputa foi bem acirrada e a decisão deve ter sido bem difícil para os dezessete jurados, imagino. O placar ficou assim: A visit from the goon squad 9 x 8 Freedom.

Com bem noticiou o LA Times, Jennifer Egan também ganhou o National Book Critics Circle Awards em março desse ano. Detalhe: ela estava disputando o prêmio com David Grossman, Paul Murray, Hans Keilson e Jonathan Franzen - outra vez.


Jennifer Egan nasceu em 1962, nos Estados Unidos. Ela já publicou nas revistas New Yorker, Harper's e New York Times magazine. Publicou um livro de contos e quatro romances. Se não estou enganado, The invisible circus ganhou tradução para o português e saiu pela editora Record com o título de Uma história a três - pegando carona na versão cinematográfica do livro.


*imagem: reprodução do NY Times.


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sexta-feira, 1 de abril de 2011

NOTAS #22



Jack Kerouac
No mês passado, o blog americano Vol.1 Brooklyn fez um card estampando Jack Kerouac. O card foi feito para comemorar o aniversário do escritor beatnik que nasceu em 12 de março de 1922 e se estivesse vivo iria completar 89 anos. Além do desenho o card tem um trecho de Visões de Cody.

O rei está pálido
Desde janeiro The pale king, de David Foster Wallace está sendo considerado por muitos como o lançamento do ano no mercado editorial americano. O livro está em pré-venda na Amazon e todo mundo está desesperado atrás de uma cópia para ler antes. Três resenhas de peso pintaram na imprensa essa semana para aumentar as expectativas em torno do livro. No New York Times, "Maximized Revenue, Minimized Existence" por Michiko Kakutani; na revista GQ, "Too Much Information" por John Jeremiah Sullivan; e na revista TIME, "Unfinished Business" por Lev Grossman - o mesmo que escreveu o perfil de Jonathan Franzen como o melhor romancista americano. O lançamento acontece em 15 de abril, nos Estados Unidos.

Resenhas
Logo depois de "a resenha está morta, mas juro que não fui eu", topei com uma fala do escritor Martins Amis. Ela está na contracapa do livro Como funciona a ficção, do crítico da revista New Yorker:
"Não presto atenção nem levo a sério as resenhas literárias. Não se aprende nada com elas. Mas o que o crítico James Wood diz me interessa."
Evidentemente, a frase foi inserida para promover o livro. No entanto, espécie de ato falho, serve como mais um ponto de reflexão sobre a 'arte' (vamos chamar assim) de fazer resenhas.



Liberdade, liberdade
Os portugueses já estão contando as horas para o lançamento do romance Liberdade, de Jonathan Franzen. Não custa lembrar que esse foi o romance mais comentado do ano passado. O livro tem previsão de lançamento em 18 de abril e já está em pré-venda em algumas lojas. Saí pela editora Dom Quixote. A capa segue o mesmo designer elegante da edição inglesa - bem melhor que a capa americana. No Brasil, Liberdade será publicado em maio pela Companhia das Letras.

Ouça um bom conselho
O jornalista Michael Gove escreveu um artigo para o Telegraph dizendo que as crianças deveriam ler 50 livros por ano. Bastou uma semana para que Iain Hollingshead, outro jornalista do Telegraph, fizesse uma lista com 50 livros que as crianças não devem ler antes de morrer. Entre os escolhidos somente clássicos da literatura: Ulisses, 1984, O grande Gatsby, Orgulho e preconceito etc. Num estilo bem satírico, o jornalista explica porque cada um desses livros deve ser afastado das crianças. Sobre Crime e castigo, por exemplo, ele diz "um conto de angústia mental e intensos dilemas morais. Felizmente, é mais curto do que Guerra e paz". A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/4jbduhu

Conto coletivo
O jornal português Público convidou o escritor Gonçalo M. Tavares para dar início a construção de um conto coletivo. Batizada de Conto Público a experiência contou com a participação de 26 leitores e foi finalizada no mês passado com direito a publicação na revista que acompanha o jornal. A experiência colaborativa está ficando cada vez mais frequente - já vi muitas outras acontecendo. Embora a história pudesse caminhar para um lugar sem volta, Gonçalo M. Tavares ajudou na edição e participou em momentos pontuais. O resultado pode ser conferido em http://tinyurl.com/3rfu2lq

*imagem: reprodução.
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domingo, 13 de março de 2011

SERROTE #7

A revista Serrote #7 chega amanhã as livrarias. Tem bastante coisa interessante: um ensaio de Geoff Dyer, a entrevista de Jonathan Frazen para a revista The Paris Review (na época do lançamento de Freedom, nos Estados Unidos e Inglaterra), fotos reveladoras do cotidiano de James Joyce feitas por Gisèle Freund, texto de Thomas Bernhard e um verbete assinado por Noemi Jaffe. Tem outras coisas também, estou destacando os assuntos ligados à literatura, ficção etc.

Um texto de Marcelo Coelho que está na edição foi publicado no caderno Ilustríssima - somente para assinantes do jornal.

*imagem: reprodução.

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