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segunda-feira, 9 de maio de 2016

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (5): PORTUGAL X BRASIL

Eu sei que estou demorando para aparecer com atualizações por aqui, mas como diz um amigo meu: “devagar se vai ao longe”. Ele também tem outras máximas como: “devagar e sempre”, “a pressa é inimiga da perfeição”, “apressado como cru” etc. Por isso, não se preocupe porque em algum momento eu vou voltar com alguma novidade. Fique de olho!

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Como já faço há vários anos, achei que seria divertido comparar as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras - é o quinto ano da brincadeira. A capa é elemento muito importante para quem gosta de livros. Ela tem uma grande influência sobre o leitor porque funciona como uma porta de entrada para aquele universo que vamos acompanhar por algum tempo. Conheço muitas pessoas que compram livros pela capa - elas realmente existem e não há nada de errado com isso. Nem mesmo os livros digitais conseguiram abolir a capa, uma vez que essas imagens circulam pela internet e estão gritando nas estantes das livrarias online.

Quero lembrar que não sou especialista no assunto e estou comentando as capas descompromissadamente - com certa dose de humor, senão ninguém aguenta. Cada país tem a sua própria cultura visual e cada leitor tem uma preferência na hora de escolher um livro pela capa. As observações servem como um exercício especulativo sobre o trabalho do capista (ou da editora) na hora de dar uma "cara" ao livro.

A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.


Submissão, de Michel Houellebecq
As duas edições tem capas diferentes, apesar de terem sido publicados pela mesma editora. O que reforça aquela conversa de que cada pais tem uma cultura visual própria. Acho curioso que a edição brasileira abriu mão dessa “moldura” que é uma marca característica das capas da Alfaguara - os portugueses mantiveram a “moldura”, por exemplo. Com isso, optamos por explorar todo o espaço disponível com esse fundo preto sobreposto pelo mapa da França envolto nesses desenhos arabescos. Acho muito bonito esse dourado que salta aos olhos. Os portugueses foram mais tradicionais: ficaram com a “moldura” e incluíram a Torre Eiffel - um ícone, o maior símbolo visual da França. Interessante que os arabescos estão nas duas capas envolvendo a França (seja pelo mapa, seja pela torre). Nesse caso, acho que temos um empate técnico.


Vá, coloque um vigia (Brasil) / Vai e põe uma sentinela (Portugal), de Harper Lee
Os portugueses não quiseram arriscar e escolheram a mesma capa da edição norte-americana - fazendo apenas as alterações necessárias. É uma capa bonita. Nós seguimos uma ideia parecida - reparem na árvore, nas cores -, mas numa versão mais limpa. Não é ruim. O que me incomoda um pouco é o excesso de informação que acaba poluindo o visual - o título em inglês, por exemplo. Ponto para os portugueses - ainda que a ideia não seja original


A resistência, de Julián Fuks
Outro exemplo de um livro publicado pela mesma editora em dois países diferentes, com capas diferentes. Algumas pessoas podem dizer que a mudança é mínima, já que a ideia de arquivo com fotos e textos está nas duas capas. Ainda que pequena, a alteração para mostrar que os portugueses preferem algo mais clássico. A seleção de fotos, a disposição delas, os escritos e o papelão com a fonte que imita máquina de escrever dão ares antigos. A nossa é mais concentrada nas fotografias (elas quase não aparecem por inteiro) e a capa fica mais “moderninha”. Ponto para a nossa edição.


Um outro amor (Brasil) / Um homem apaixonado (Portugal), de Karl Ove Knausgård
Parece que os portugueses optaram por fazer todo o projeto gráfico da série “Minha luta” com retratos do autor. A edição portuguesa do volume anterior - A morte do pai - tem essa mesma fotografia, esse mesmo enquadramento. Eu fico pensando se isso não confunde o leitor a ponto de fazê-lo crer que a história do livro é totalmente verídica. A edição brasileira é muito mais sugestiva. Ponto brasileiro.


A ilha da infância, de Karl Ove Knausgård
Eu quis colocar o terceiro volume da série “Minha luta” para dizer o seguinte: ao passo que os outros dois volumes - A morte do pai e Um outro amor - optaram pelo rosto do autor (com aquele enquadramento que mostra apenas uma parte), esse volume mostra o rosto inteiro. Como se o autor assumisse o projeto de contar a sua vida por inteiro, finalmente. O retrato é muito bem realizado, mas acho menos sugestivo. Vejam que a edição brasileira também tem uma figura humana, mas ela não tem relação com a figura do autor. Bem mais sugestivo. Ponto brasileiro outra vez.


A amiga genial, de Elena Ferrante
Talvez os portugueses não gostem mesmo de alusão, sugestão etc. eles devem gostar mais de substantivos concretos, do que abstratos. Brincadeiras à parte, eles optaram por uma foto que também foi usada na edição australiano do livro - com a diferença de que usaram uma “moldura“ que enquadra o rosto da garota no centro da capa. Não me agrada tanto. Seja como for é uma capa bonita - o fundo branco ficou elegante. A nossa edição tem essa ilustração das mulheres trajando maios, tomando sol e com chapéus que escondem o rosto. Fora o colorido alegre. Bem mais interessante, um pouco menos dramático. Ponto para a nossa edição.


Uma aventura secreta do Marquês de Bradomin, de Teresa Veiga
Aqui nós temos uma partida bem difícil. A edição brasileira é artística: o fundo branco, a montagem com os livros, a fonte manuscrita etc. Muito bom! Seja como for, é difícil resistir aos encantos dessa ilustração que caracteriza tanto as edições da Tinta da China. É minimalista, é quase ingênuo, quase naïf, mas é lindo. Acho que nesse caso é empate.


Pureza (Brasil) / Purity (Portugal), de Jonathan Franzen
O grafismo da edição portuguesa remete ao sol - as linhas, a cor - e tem a ver com a história do livro. O resultado final, me parece deixar a desejar. A nossa edição, em contrapartida, é um desbunde. É uma fotografia, com uma cor alucinante, as nuvem rarefeitas… e tem esse sol que fica escondido pela letra “u”. Fora a composição do título em sílabas que vão esmaecendo. É muita pureza, com o perdão do trocadilho. Ponto para o Brasil.


Primeiros contos (Brasil) / Primeiras histórias (Portugal), de Truman Capote
Eis outro julgamento difícil. O papel pardo, a fonte de máquina de escrever e o retrato do autor ainda jovem envolto na moldura conversam perfeitamente. Sintetiza uma ideia, um conceito. Já a edição brasileira ganha pela liberdade (e coragem) de colocar uma bela foto do autor inteira - sem cortes. Causam a mesma impressão de um autor ainda jovem, ainda em formação, trajando sandálias. A disposição do título também é elegante, com essa cor verde. Pode ser empate, né!?

*Capas: divulgação


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (4): PORTUGAL X BRASIL

Se você acompanha esse blog desde o começo deve saber que todos os anos faço uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras. Nem preciso dizer que virou tradição, pois será o quinto ano da brincadeira.

Vale lembrar que não sou especialista no assunto e estou comentando as capas descompromissadamente - com certa dose de humor, senão ninguém aguenta. Cada país tem a sua própria cultura visual e cada consumidor tem uma preferência na hora de escolher um livro pela capa. As observações servem como um exercício especulativo sobre o trabalho do capista (ou da editora) na hora de dar uma "cara" ao livro.

A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.



A graça infinita (Brasil) / A piada infinita (Portugal), de David Foster Wallace
A edição portuguesa saiu em 2012 e a nossa no final do ano passado. Lá, eles optaram por uma imagem de TV em estilo vintage. Imagino que pegaram carona num ensaio do autor em que ele expõe uma longa teoria sobre certos traços da ficção pós-moderna pensando na quantidade de horas diárias que ficamos em frente a TV. Não foi uma ideia ruim. Seja como for, nada é páreo para a capa e o projeto gráfico de Alceu Chiesorin Nunes, Nik Neves e Elisa Braga que dispensa explicações. Ponto para Brasil por unanimidade do júri!



Acqua Toffana, de Patricia Melo
Faz um tempo que os livros dela estão saindo por uma nova editora aqui no Brasil e ganhando um novo projeto gráfico. Esse livro especificamente ganhou uma capa mais abstrata que não diz muita coisa. Já a edição portuguesa vem com esse quarto de rosto de mulher - conta um pouco sobre o enredo do livro (muito pouco). Ficou elegante. Ponto para os portugueses.



Dora Bruder, de Patrick Modiano
O Nobel de Literatura do ano passado também está em reedição com novo projeto gráfico. Dito isso, parece um pouco injusto avaliar a capa brasileira isoladamente porque ela faz parte de um conjunto de três livros - quando colocados, um ao lado do outro, formam o nome do autor. Infelizmente, estou comentando capas individualmente. Por isso, a edição portuguesa me parece mais charmosa com esse retrato em branco e preto estampado. Alguns podem alegar que estraga a imaginação do leitor ao dar um rosto à personagem. Acho que não. Ponto deles.



NW, de Zadie Smith
A capa portuguesa é um tanto desastrosa na escolha da tipografia e das cores - acho que nisso todos estão de acordo. Não sei dizer ao certo, mas quando vi pensei naqueles livros chatos de negócios e empreendimentos. Os ícones no rodapé também não dizem muita coisa. A nossa capa é melhor por várias razões: a sobriedade da cor preta, o recorte, o mapa, o minimalismo. Desculpem, mas esse é nosso.



A morte do pai - Minha luta 1, de Karl Ove Knausgård
Para avaliar as capas desse livro é preciso saber um pouco do enredo: o autor relembra os anos de sua infância e juventude na tentativa de decifrar a história do seu pai. No percurso ele rompe um pouco das fronteiras que separam os gêneros ficção, ensaio, biografia e memória. Por essa razão, a escolha de um retrato do autor para compor a capa da edição portuguesa parece um tanto redutiva, inadequada. A escolha da casinha isolada sob um céu chumbo é muito mais apropriada. Transmite simbolicamente a atmosfera do livro. Ponto pra gente.



Os luminares, de Eleanor Catton
A capa da edição brasileira é bem interessante porque joga com figuras do zodíaco, mapas astrais e constelações - elementos fundamentais para o enredo do livro. O contraste entre o fundo azul e o branco das linhas também ficou charmoso. No entanto, a edição portuguesa ganha pontos pela composição com as fases da lua, o rosto da pintura e o fundo branco. Esse é deles.



Forma de voltar a casa (Brasil) / Maneiras de voltar para casa (Portugal), de Alejandro Zambra
A comparação dessas duas capas tem um cheiro de covardia. Os portugueses optaram por uma foto muito poética e a cor do título também ficou muito bonita. Difícil não se render. Mas como desconsiderar a beleza originalíssima da edição brasileira? A cor, o fundo com grafismos, a tipografia… nesse caso é empate.



Habitante irreal, de Paulo Scott
Desenhos e ilustrações podem ter certo apelo para alguns leitores. Nisso a capa da edição portuguesa vai bem: mantém a identidade visual da editora e as cores são chamativas. Porém, não consigo decifrar a ligação da fogueira e da coruja com o enredo. A nossa capa é mais certeira. O fundo branco é muito elegante e o boneco do índio sem cabeça e em posição de luta parece flutuar no tempo e no espaço. Tudo a ver com o livro. Ponto nosso!



A paixão, de Almeida Faria
Outra avaliação bastante complicada. Estamos diante de dois estilos muito diferentes e muito específicos. A edição brasileira aponta para o moderno com a fotografia do vilarejo. A edição portuguesa aponta para o clássico com o desenho das três figuras humanas. Cada um com seu estilo. Empate técnico novamente.



A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joel Dicker
A pintura de Edward Hooper que estampa a capa da edição brasileira é muito charmosa. Traduz o clima da pequenina e pacata cidade do interior dos Estados Unidos onde a história acontece. Já a capa da edição portuguesa tem uma bela fotografia de Gregory Crewdson. Como não pensar na misteriosa Nola Kellergan e seu momento dramático? Pode ser empate, né?

*Imagens: divulgação. 
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

BIENAL DO... LIVRO?


A Bienal do Livro começou na semana passada, termina no domingo e eu não fui. Nem vou. Lembro que a última Bienal (em 2012) terminou com uma repercussão negativa nos jornais e nos blogs - apesar dos bons números de público e de vendas, é verdade - e o que eu disse naquela ocasião parece que continua valendo: livros sem desconto atrativo, programação cultural nem tão literária assim, falta de lançamentos etc.

A verdade é que eu não sou mais o público-alvo da Bienal. Uma reportagem da Ilustrada pintou o evento como um grande festival de rock: tem debates, peças, filmes, shows... e até livros. Não é à toa que o cartaz diz assim "Diversão, cultura e interatividade. Tudo junto e misturado". Parece que o evento perdeu relevância com uma parcela do público e para se manter vivo encontrou seu filão nos jovens (o público infantil também tem espaço garantido). Será que para ler ou sentir atração pela leitura o jovem precisa de vários artifícios e não apenas de um... livro?

Vejam, isso não é um problema. Não quero parecer apocalíptico ou derrotista. Quando mais o público infantil e jovem ler, melhor: com mais leitores o mercado editorial fica saudável e a educação ganha um aliado fundamental. Nem preciso destacar os benefícios da leitura (sim! eles existem, acredite!). Todo mundo sabe de cor essa ladainha. E quem gosta de livros mais "literários" (vamos chamar assim) já tem muitas outras maneiras de encontrar novidades, conseguir descontos, pensar e debater a respeito dos livros que lê.

Quando o balanço dessa Bienal sair na segunda-feira, tenho certeza que os números de visitantes serão bons - de vendas é um problema dependendo de quem vê.

Seja como for, fica sempre esse sentimento de que os eventos de livros tem cada vez menos... livros. É culpa do nosso romantismo purista em torno do mais "literário", do livro físico, do livro que é apenas livro mesmo. A coisa fica pior quando a gente se dá conta de que os... livros mais "literários" tem cada vez menos importância: são menos lidos, vendem menos e vão perdendo a relevância. 

Parece um contrassenso que o público adulto que consome o mais "literário" seja ignorado por um evento do tamanho da Bienal. Podia haver uma Bienal Paralela que contemplasse essa turma. Pior ainda é pensar que a Bienal poderia se reinventar num mundo carente de reinvenção. sonho com o dia em que a Bienal tenha a ousadia de tomar de assalto a cidade de São Paulo, saí dos domínios do Anhembi e ocupe as ruas promovendo eventos sérios e diversos sobre... livros e leitura.

Simples assim.

*Foto: retirei do Google.
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (4): PORTUGAL X BRASIL

Se você acompanha esse blog desde o começa deve saber que todos os anos faço uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras. Virou tradição. Por isso, vamos aos costumes.

Lembrando que não sou especialista no assunto e estou comentando descompromissadamente. Cada país tem a sua próprio cultura visual e cada consumidor tem uma preferência na hora de escolher um livro pela capa. As observações servem como um exercício especulativo sobre o trabalho do capista (ou da editora) na hora de dar uma "cara" para o livro.

A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.


Vida querida, de Alice Munro
Começamos com uma ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura (não tem quem não se espante ao perceber, ainda hoje, que a Academia Sueca resolveu premiar uma escritora de... contos) que merece todas as pompas e honrarias. Uma pena que os portugueses não deram o tratamento necessário. Tá certo que essas folhas vermelhas 'simbolizam' a experiência acumulada ao longo dos anos da vida, mas o resultado ficou muito simplistas e acho que passaria despercebido pelas vitrines. Em contrapartida, as moças praticando saltos ornamentais da capa brasileira apontam para o risco, audácia e ousadia. Fora a cor deliciosa para os olhos. Ponto pra gente!


O sermão sobre a queda de Roma, de Jérôme Ferrari
Eu entendo a boa intenção dos portugueses ao colocar essa foto da família em escadinha - tem um pouco a ver com o enredo do livro e com a ideia de declínio. Já a capa brasileira, por mais que tenha optado por dar um corte fechado no dorso da estátua, sintetiza tudo o que precisa dizer de maneira clara e objetiva. Desculpem, mas esse ponto é nosso outra vez.


Diário da queda, de Michel Laub
Muito bem, a capa brasileira é muito bonita e forte (sem mencionar esse tom cinza que é o tom que o narrador imprime em seu relato). No entanto, não há como não se render aos encantos desse boneco segurando com força na barra para não cair. Ponto para os portugueses.


A arte do jogo, de Chad Harbach
Os portugueses optaram por essa mistura de cores que conduzem o nosso olhar para a bola de beisebol. Ficou divertido e deu movimento. Já a capa brasileira preferiu não arriscar e optou por seguir o mesmo visual da edição norte-americana. Pela ousadia, acho que os portugueses merecem levar esse ponto.


É assim que você a perde, de Junot Díaz
Eis uma escolha bem difícil, pois a fotografia da capa portuguesa emoldurada pelo branco tem apelos poéticos que hipnotizam. A edição brasileira também não deixa por menos usando essa letra orgânica, de cor vermelha (tipo sangue) e com ares muito atuais (lembram grafites, lambe-lambes etc). Acho que deu empate técnico.


Mudanças, de Mo Yan
Outro Prêmio Nobel de Literatura. Seria injusto dizer que a capa da edição portuguesa não tem o seu valor. Ela é minimalista na medida certa - não comete exageros e nem peca pelo excesso. Só que a capa da edição brasileira parece mais requintada (tal qual um Prêmio Nobel merece) e a editora cuidou com muito capricho do visual do livro como um todo. Ponto pra gente.


Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera
O nadador sem nome e portador de uma doença rara que o faz esquecer da fisionomia das pessoa ganhou um rosto (ainda que escondido em penumbra) na edição portuguesa. Inclusive, ele tem até um biotipo bem jovem e europeu - na minha leitura imaginava alguém com rosto e corpo mais velho, não sei dizer ao certo o motivo. Não deixa de ser uma foto bonita que deve funcionar muito bem para os leitores de lá. Aqui, a capa teve três cores diferentes, a letra orgânica, um "desenho" que lembra uma mancha e riscos que lembram os pêlos de uma barba (ensopada de sangue, claro!). Alguém disse 'empate'?


A infância de jesus, de J.M. Coetzee
A capa da edição portuguesa não diz muita coisa porque preferiu destacar o nome do autor e usar apenas duas pequenas ilustrações (silhuetas) das personagens principais do enredo. Será que uma imagem moderna de Jesus poderia causar polêmica? Nesse aspecto, a edição brasileira foi mais audaciosa e colocou esse menino ostentando um estiloso óculos escuro e uma capa (de super-herói?). Ponto pra gente!

Obs.: as edições australiana e alemã tem a mesma capa


A chave de casa, de Tatiana Salem Levy
Não sei se o costume de deixar a chave de casa embaixo do tapete é universal. Acredito que sim - é um gesto comum de personagens em livros e filmes do mundo ocidental. A capa brasileira aposta nisso. É uma boa sacada e ficou bem visualmente. A capa portuguesa tem um apelo poético com esse azul melancólico e esse vento que balança o coqueiro a contra-luz. Acho que vale um empate.


Os transparentes, de Ondjaki
A capa brasileira só seria mais transparente se fosse feita totalmente em acrílico (sei lá como chama aquele papel). Lembra aquela brincadeira de raspar a tinta da superfície para ver o que está escrito por baixo. Achei tudo muito acertado. No entanto, a capa portuguesa é mais quente (graças ao vermelho que toma o fundo inteiro) e a ilustração que parece um prédio visto sem as paredes é incrível. Ponto para os portugueses.


O testamento de Maria, de Colm Toibin
Parece que a fim de evitar polêmicas (a personagem do livro também faz referência ao catolicismo) a editora optou apenas pelo título em fundo branco. Perdeu a oportunidade de recorrer ao vasto e rico repertório de representações de Maria nas artes plásticas. A edição brasileira seguiu por esse caminho e ganhou muito mais pontos com a imensa cruz branca que ocupa tudo de ponta a ponta. Ponto pra gente!


Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos
A capa portuguesa tem qualquer coisa meio "tex-mex", não? Parece inspirada nos cartazes do velho oeste norte-americano. A capa brasileira é muito mais interessante porque parece mais tipicamente mexicana (para não dizer, mais autêntica). Ponto pra gente.

*Imagens: divulgação e reprodução.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PRESENTES DE NATAL - 2012


Não posso fugir a tradição de todos os anos. Por isso, organizei uma seleção de presentes para o natal. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2012. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Pode ter certeza que com essas dicas você não vai fazer feio.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.




1Q84, de Haruki Murakami, traduzido por Lica Hashimoto (Alfaguara Brasil; R$ 49,90). A saga surrealista de Aomame e Tengo num mundo repleto de referências a cultura pop. 

Mar azul, de Paloma Vidal (Editora Rocco; R$29,50). A fratura entre a leitura e a escrita e a impossibilidade de contar uma história que alguém nos conta.

A comédia humana - v. 1, de Honoré de Balzac, traduzido por Vidal de Oliveira (Biblioteca azul; R$ 74,90). Toda a obra de Balzac reunida em 17 volumes distribuída entre romances, novelas e contos. Um verdadeiro painel da vida moderna. 

Oblómov, de Ivan Goncharov, traduzido por Rubens Figueiredo (Cosac Naify; R$ 119,90). Não existe um mal contemporâneo maior do que a preguiça. 

Dom Quixote - 2 volumes, de Miguel de Cervantes, traduzido por Ernani Ssó (Penguin Companhia; R$ 79,00). Um clássico que nasceu a partir de uma paródia das famosas novelas de cavalaria.

A confissão da leoa, de Mia Couto (Companhia das Letras; R$ 39,50). Uma história de amor em meio a riqueza dos mitos e lendas de um lugar que está nos confins da África

Composition n.º 1, de Marc Saporta (Visual Editions; $29,20 - importado R$ 115,70). Um livro dos anos 60 em que vale aquela máxima "a ordem das páginas não altera o produto".

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera (Companhia das Letras; R$ 39,50). Um segredo do passado põe em marcha o destino de um homem rumo a natureza selvagem.

Foras da lei..., vários autores, traduzido por Heloisa Jahn (Cosac Naify; R$ 49,90). O estranhamento das coisas do mundo visto e ilustrado pelo olhar de renomados escritores.

Pagando por sexo, de Chester Brown, traduzido por Marcelo Brandão Cipolla (WMF Martins Fontes; R$ 47,00). Se não pagar é amor. Se pagar é sexo. Por algumas páginas, deixem de lado suas fantasias e tomem um banho de realidade.

Building stories, de Chris Ware (Jonathan Cape; $30 - importado R$ 144,70). Histórias da vida inteira reinventadas num livro em diversos formatos.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

APOSTAS PARA 2012 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS

Falar de novos lançamento é uma boa maneira de dar boas-vindas ao ano que acabou de começar. Na era da internet parece que o tempo urge e as pessoas ficam ansiosas por qualquer novidade. Que atire a primeira pedra aquele sujeito que acabou de voltar da praia e não procurou o assunto "lançamentos 2012" no Google.

Nossas editoras (que não costumavam comentar muito o assunto) divulgaram muitas informações para deleite dos leitores. Por isso, estou listando abaixo os livros que vão aparecer nas prateleiras das livrarias antes do que você pensa. Assim a gente dá o pontapé inicial nesse ano que está com uma preguiça danada de começar. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Lembrando que são lançamentos previstos. As editoras podem alterar as datas.

Se alguém descobrir ou lembrar de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, me mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.


INTRÍNSECA
A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan (capa com ilustrações de Rafael Coutinho)
The art of fielding, de Chad Harbach

L&PM
Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf (com tradução de Denise Bottman)
Jack Kerouac and Allen Ginsberg: The Letters, com organização de Bill Morgan e David Stanford.

ALFAGUARA
1Q84, de Haruki Murakami (com tradução de Lica Hashimoto previsto para o segundo semestre)
O novo romance ainda sem título de Ronaldo Correia de Brito
O céu dos suicidas, de Ricardo Lisias
Reedição das obras completas de Mário Quintana

GLOBO
Novas obras de Herta Müller
Anatomía de un instante, de Javier Cercas
As mil e uma noites - volume 4 (com tradução de Mamede Mustafá Jarouche)
Comédia Humana, de Honoré Balzac (serão lançados os primeiros quatro volumes com tradução de Paulo Rónai)

OBJETIVA
Vida e destino, de Vassily Grossman

AMARYLIS
Contos, de Ivan Búnin

ROCCO
The sense of an ending, de Julian Barnes

RECORD
Os imperfeccionistas, de Tom Rachman
O mapa e o território, de Michel Houellebecq
Parrot and Olivier in America, de Peter Carey

EDITH (selo de Marcelino Freire)
Guia de Ruas Sem Saída, de Joca Reiners Terron com desenhos de André Ducci

COMPANHIA DAS LETRAS
Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
Novos romances de Carola Saavedra, Carlos de Britto e Mello, Zulmira Ribeiro Tavares, Cecilia Giannetti (provavelmente pela série Amores Expressos), Elvira Vigna Luiz Alfredo Garcia-Roza e Noemi Jaffe.
Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño
Receitas para mulheres tristes, de Hector Abad
Os enamoramentos, de Javier Marías
A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides (com direito a versão de bolso de As virgens suicidas - tradução de Daniel Pelizzarri)
Contra o dia, de Thomas Pynchon
As coisas, de Georges Perec
Livro, de José Luis Peixoto
Sunset Park, de Paul Auster
Fora do tempo, de David Grossman
A casa do silêncio, de Orhan Pamuk
O legado de Humboldt, de Saul Bellow
Miguel Street, de V.S. Naipaul
Histórias abensonhadas, de Mia Couto
Ulysses, de James Joyce
Ligações perigosas, de Choderlos de Laclos
Open city, de Teju Cole
Mr. Peanut, de Adam Ross
The great house, de Nicole Krauss
O homem é um grande faisão, de Herta Müller
The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell (com tradução de Daniel Galera)
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
Strong Motion, de Jonathan Franzen
Focus, de Arthur Miller
HHhH, de Laurent Binet
Senhora, de José de Alencar
Clara dos Anjos, de Lima Barreto

Os quadrinhos de Angeli, Laerte, Lourenço Mutarelli, Caco Galhardo, Gustavo Duarte e Rafael Campos Rocha, Angélica Freitas e Odyr Bernardi, Ronaldo Bressane e Fábio Cobiaco, Vanessa Barbara e Fido Nesti, e Emilio Fraia e DW Ribatski

Reedição das obras completas de Carlos Drummond de Andrade (homenageado da FLIP 2012)

BENVIRÁ
Pássaros na boca, de Samanta Schweblin (ela estará em abril na Bienal do Livro de Brasília)

EDITORA 34
Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov
Novelas, de Nikolai Leskov
O adolescente, de Fiódor Dostoiévski (com tradução de Paulo Bezerra)
Oblomov, de Ivan Goncharóv
Meu companheiro de estrada e outros contos, de Máximo Górki (com tradução de Boris Schnaiderman)
Contos de Canterbury, de Geoffrey Chaucer(com tradução de Paulo Vizioli)

COSAC NAIFY
A brincadeira favorita, de Leonard Cohen
Lojas de Canela e Sanatório, de Bruno Schulz (livro em que aparece a novela Rua dos Crocodilos que serviu de base para o livro-objeto Tree of codes, de Jonathan Safran Foer)
Cães heróis, de Mario Bellatin

ILUMINURAS
Pomas, um tostão cada, de James Joyce (com tradução de Alípio Correia da Franca Neto)
O Gato e o diabo, de James Joyce (com tradução de Dirce Waltrick do Amarante)
De santos e sábios, de James Joyce (um livro de ensaios com traduções de Dirce Waltrick, Sergio Medeiros, Caetano Galindo e André Cechinel)
Stephen herói, de James Joyce (com tradução de Alípio Correia da Franca Neto)

BERTRAND BRASIL
The Finkler Question, de Howard Jacobson

EDITORA NOVA FRONTEIRA
The long song, de Andrea Levy


NA GRINGA ANGLÓFONA
The Map and the Territory, de Michel Houellebecq
Distrust That Particular Flavor, de William Gibson
What We Talk About When We Talk About Anne Frank, de Nathan Englander
Varamo, de Cesar Aira
Gods Without Men, de Hari Kunzru
The New Republic, de Lionel Shriver
Hot Pink, de Adam Levin
The Secret of Evil, de Roberto Bolaño
The Hunger Angel, de Herta Muller
Waiting for Sunrise, de William Boyd
Home, de Toni Morrison
The Newlyweds, de Nell Freudenberger
The Chemistry of Tears, de Peter Carey
Railsea, de China Mieville
The Lower River, de Paul Theroux
Lionel Asbo: The State of England, de Martin Amis
No Time Like the Present, de Nadine Gordimer
Umbrella, de Will Self
NW, de Zadie Smith
Zoo Time, de Howard Jacobson

*imagem: capa de A visita cruel do tempo e The secret evil/reprodução.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

PRESENTES DE NATAL - 2011

Organizei Uma seleção de ideias de presentes para pais, avós, filhos, namorados, amigos e demais conhecidos. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2011. A intenção é ajudar na hora das compras, da correria, do amigo secreto e tudo o mais.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.

1. Guerra e paz, de Liev Tolstói, traduzido do russo por Rubens Figueiredo (Cosac Naify; R$198,00). A batalha e a derrota de Napoleão na Rússia em tons monumentais.

2. Quarto, de Emma Donoghue, traduzido do inglês por Vera Ribeiro (Verus Editora; R$34,90). Um pequeno cômodo que é ao mesmo tempo um universo inteiro e uma prisão.

3. Tudo destruído, tudo queimado, de Wells Tower, traduzido do inglês por Adriana Lisboa (Rocco; R$39,50). Nove histórias sobre a nossa inútil tentativa de buscar um pouco de paz na vida.

4. Aventuras de Alice no subterrâneo, de Lewis Carroll, traduzido do inglês por Adriana Peliano e Miriam Ávila (Scipione; R$39,90). Primorosa recriação em detalhes do manuscrito que a pequena Alice Lidell recebeu de presente.

5. Liberdade, de Jonathan Franzen, traduzido do inglês por Sergio Flaksman (Companhia das Letras; R$ 46,50). A típica família norte-americana de classe média em ruínas.

6. Pale fire - a poem in four cantos by John Sade, de Vladimir Nabokov (Gingko Press; $22,77 - importado R$86,50). O livro de Nabokov transformado numa edição com visual impressionante.

7. A noiva do tigre, de Tea Obreht, traduzido do inglês por Santiago Nazarian (Leya Brasil; R$34,90). Uma jovem médica em missão de paz num país da península Balcânica busca histórias contadas por seu avô.

8. Habitante irreal, de Paulo Scott (Alfaguara Brasil; R$ 39,90). Desilusões políticas e infelicidade levam o protagonista a um encontro transformador.

9. Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente, de Lourenço Mutarelli (Companhia das Letras; R$44,50). Acontecimentos insólitos na vida de um simples aposentado da Companhia Telefônica.

10. Diário da queda, de Michel Laub (Companhia das Letras; R$38,50). Um acidente numa festa de aniversário com consequências trágicas.

11. Tempo de boas preces, de Yiyun Li, traduzido do inglês por Fernanda Abreu (Nova Fronteira; R$34,90). Histórias sobre filhos da pátria chinesa tentando buscar uma saída capaz de mudar seus destinos.

12. Tree of codes, de Jonathan Sanfran Foer (Visual Editions; $23,81 - importado R$108,90). Uma novela de Bruno Schulz recriada cortando palavras de todas as suas páginas.

*Imagens: Renata Ueda / capas: divulgação.
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sábado, 17 de setembro de 2011

MIL CAPAS POLONESAS

Não sou um profundo conhecedor da história do design gráfico, mas sei que os poloneses são verdadeiros gênios no assunto. Motivados pela herança cultural que carregavam e pelo contexto político do país (sempre envolvido em disputas territoriais, invasões, guerras e regimes comunistas totalitários), os artistas poloneses criaram um estilo único de comunicação visual que continua a influenciar as novas gerações de designers gráficos. Parece até que existe um esforço por parte dos artistas poloneses contemporâneos para que a tradição não acabe.

Um dos exemplos mais conhecidos da escola polonesa são os cartazes. A história toda começa no final século XIX, mas tem seu grande momento logo após o final da Segunda Guerra Mundial - tendo seu desdobramento ao longo das décadas seguintes. Em "The legacy of Polish Poster Design", um artigo da Smashing Magazine, tem uma explicação bem interessante explicando algumas razões que levaram os poloneses a se dedicarem aos cartazes:

"Três observações importantes devem ser feitas. Primeiro, naquele momento o cartaz era basicamente a única forma permitida de expressão artística individual. Em segundo lugar, o Estado não estava preocupado muito com a forma como os cartazes pareciam. Terceiro, o fato de que a indústria era controlada pelo Estado acabou por ser uma bênção disfarçada: ao trabalhar fora das restrições comerciais de uma economia capitalista, os artistas poderiam expressar plenamente seu potencial. Eles não tinham outra escolha senão tornar-se designers profissionais de cartazes e é por isso que eles se dedicaram tão completamente a esta arte". (tradução livre feita por mim)
Os interessados nessa história podem saber um pouco mais nesse blog (em português). O Google Images está cheio de exemplos dos cartazes - a maioria de filmes.

Do cartaz para a capa dos livros (ou outros campos de atuação do design gráfico) foi apenas uma questão de tempo. Uma parte específica dessa história foi resgatada no recente livro 1000 Polish Book Covers - publicado no ano passado pela editora 40000 Painters Publishing. Os trabalhos foram selecionados por Aleksandra e Daniel Mizienliński que são designers gráficos e criadores do Hipopotam Studio. Imagino que os dois devem ter tido um trabalhão para chegar ao resultado final. Só que deve ter valido muito a pena, pois a tiragem foi totalmente vendida.

Abaixo uma galeria com algumas páginas do livro:



*Imagens: 40000 Painters Publishing/divulgação.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

FICÇÃO "NUM TEMPO DE CATÁSTROFES" - 9/11

Domingo os atentados que aconteceram em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos completam dez anos. Acho que todo mundo se lembra do que estava fazendo naquele dia e naquele exato momento. Como muita gente, lembro de ter visto na TV o instante em que o segundo avião bateu numa das torres. Não demorou muito e as torres despencaram. Foi um negócio chocante e inacreditável.

O maior atentado terrorista da história marcou o início do século XXI e mudou muita coisa não só na sociedade americana como no mundo todo. A ficção também foi afetada. Muitos romances norte-americanos escritos após o 11 de setembro procuraram refletir a imensidão daqueles eventos na vida do cidadão comum. O jornalista Antonio Gonçalves Filho (do Estadão), num balanço sobre o romance da primeira década desse século, resumiu o clima geral da literatura a partir desses eventos - recomendo da leitura do artigo. Para ele, o romance abraçou o tema da culpa e do terror político por meio da experiência pessoal dos indivíduos. No mesmo artigo, Antônio fala que os romances emblemáticos de "um tempo de catástrofes" são Homem em queda, de Don DeLillo e A estrada, de Cormac McCarthy.

Os jornais e revistas estão lançando uma série de reportagens especiais em torno do tema. A New Yorker, por exemplo, preparou um número especial com textos de Colum McCann, Zadie Smith, Jonathan Sanfran Foer, Elif Batuman e ficção de novos escritores sobre o mundo pós-ataques. A Ilustrada e o Estadão tem reportagens e listas de livros com as transformações sofridas pela indústria cultural.

Pensando especificamente sobre a ficção, a revista Granta (edição inglesa) vai publicar um número especial chamado "Dez anos depois". A edição tem um olhar multifacetado sobre o que aconteceu e trás histórias de gente ao redor do mundo sobre a vida após a queda das torres. Num podcast sobre o lançamento da revista, John Freeman recomendou cinco romances que tratam do evento:

Homem em queda, de Don DeLillo
Extremamente alto & incrivelmente perto, de Jonathan Sanfran Foer
Os filhos do imperador, de Claire Messud
Complo contra a América, de Philip Roth
Terrorista, de John Updike
Indendiário, de Chris Cleave

Vocês lembram de mais romances emblemáticos sobre o 11 de setembro?

*Imagem: reprodução da capa da Granta.
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