Mostrando postagens com marcador james joyce. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador james joyce. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de abril de 2014

NOTAS #46


Celebrando o conto
Idealizado pelo escritor e editor Carlos Henrique Schroeder, o Festival Nacional do Conto está chegando a sua quarta edição. Aquele pensamento de que o gênero não merece respeito caiu de vez por terra quando a academia sueca premiou a escritora Alice Munro com o Nobel de Literatura - pois é, um conto exige que o autor seja um exímio pugilista a fim de derrubar o leitor por nocaute (como ensinou Julio Cortázar). Direta ou indiretamente, esse reconhecimento estará presente nas mesas do evento que nesse ano rende homenagens ao escritor Sérgio Sant’Anna. Também fazem parte da programação Altair Martins, Daniel Pellizari, André Sant’Anna, Fernando Bonassi, Márcia Denser, Noemi Jaffe, Cíntia Moscovitch, Luísa Geisler e outros mais. O festival acontece de 19 a 25 de maio, no Teatro do SESC Prainha, em Florianópolis. Detalhe: é o único evento da América Latina inteiramente dedicado ao gênero




Parabéns, Steinbeck!
Para comemorar os 75 anos do romance As vinhas da Ira, de John Steinbeck o selo Viking Books da editora Penguin (Estados Unidos) vai lançar duas edições especiais em capa dura para colecionadores. A primeira custa em média $30 dólares e tem a ilustração original criada por Elmer Hader, em 1939; a segunda custa $250 dólares, tem tiragem limitada, capa em couro e projeto gráfico com desenhos assinado por Michael Schwab. Paralelo ao lançamento comemorativo, a editora está programando uma série de eventos para celebrar a obra de Steinbeck.




Parabéns, James Joyce!
Outra obra-prima que está completando 75 anos é o "romance" (não sei ao certo como chamar?) Finnegans Wake, de James Joyce. Foi pensando nisso que a editora Folio Society preparou edição especial do livro com ilustrações de John Vernon Lord. No total são doze peças alucinantes que consumiram dezessete anos do artista que estava tentando traduzir em imagens o enredo do livro. A guisa de comemoração, um sujeito chamado Elling Lien que mora no Canadá pegou os primeiros parágrafos dos dez primeiros capítulos de Finnegans Wake, imprimiu, tirou as vogais e prensou o material em cartões que podem ser lidos por aqueles equipamentos usados em caixinhas de música. O trabalho resultou em suaves canções de ninar para embalar o nosso sono. Bela homenagem!

Sangue Latino
Demomou um pouco, mas a revista McSweeney's publicou por completo uma série de entrevistas com os treze escritores latino-americanos que participaram da sua última edição com histórias policiais. Cada um respondeu a cinco perguntas falando sobre o processo de criação da história, o lugar onde ela está ambientada, livros ou filmes de seus países que exploram bem o gênero e outras coisas mais. Os brasileiros que estão na edição e responderam as perguntas são Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho, Carol Bensimon e o mezzo-mexicano-mezzo-brasileiro Juan Pablo Villalobos.

Atualização: Daniel Galera foi o editor convidado para selecionar as treze histórias que estão nessa edição da revista McSweeney's. A Companhia das Letras deve traduzir e publicar essas histórias no Brasil.



Broches Literários
Não sei se você sabe, mas o seu clássico preferido da literatura universal virou broche e você pode carregá-lo para onde quiser. Uma artista inglesa chamada Sarah Pounder criou para a loja House of Ismay uma coleção de broches baseada nas histórias de Herman Melville, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, entre outros. As peças são feitas em madeira e recebem revestimento de páginas dos livros originais. O resultado é muito bacana!


Jogatina
Amantes do baralho e da literatura já tem um produto para alimentar o seu vício. O designer Pedro Baptista criou uma linha de baralho ilustrada com versos do poeta Fernando Pessoa e seus heterônimos. O charme fica por conta da fonte em estilo máquina de escrever sobre os fotogramas quase abstratos em cor branco e cinza que traduzem em parte a atmosfera presente na obra do poeta português. O baralho tem edição limitada a 5.500 maços sendo: 3.500 em português, 1.000 em inglês e 1.000 em espanhol. Se você ficou interessado, pode comprar na loja Apenas Livros, em Lisboa.

Simpática Introspecção
O escritor sul-africano J.M. Coetzee esteve em Buenos Aires para participar da Feira do Livro e  cumpriu uma extensa agenda de eventos. Tantas aparições públicas parecem algo pouco comum para um autor que é famoso pela reclusão e aversão à entrevistas. Pode ser que os argentinos tenham conquistado Coetzee - se não estou enganado é a terceira vez que ele está no país para divulgar a sua obra. Durante sua estádia, ele leu trechos do romance A infância de Jesus, na livraria Eterna Cadencia; esteve junto com o Paul Auster lendo trechos do livro Here and Now que reúne a correspondência de ambos entre os anos de 2008 e 2011; e proferiu uma conferência no Malba sobre "A ideia de uma biblioteca pessoal" com direito a responder perguntas da escritora Anna Kazumi Stahl. Coetzee encerrou sua passagem por Buenos Aires depois de autografar livros na Feira do Livro novamente. Dali ele seguiu para o Uruguai onde dará uma conferência no Teatro Solís, em Montevideu no dia 5 de maio. Bem que ele poderia aproveitar a passagem pela América do Sul e fazer uma visita ao Brasil, né?

*Imagens: reprodução.
Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PERDIDO NA TRADUÇÃO



No final do ano passado, uma editora chinesa publicou uma nova tradução de Finnegan's Wake, o romance-experimento de James Joyce. Não demorou nem um mês e o livro entrou na lista de mais vendidos com a tiragem inicial de 8.000 exemplares totalmente esgotada. A editora imprimiu uma nova tiragem para suprir a demanda e de olho no sucesso ainda lançou uma edição especial e limitada em capa dura com alguns mimos para o leitor. A imprensa internacional tentou encontrar alguma explicação para o fenômeno e descobriu que a editora do livro investiu pesado em publicidade. Também contribuiu o interesse dos leitores chineses por livros da vanguarda européia que foram banidos durante o regime comunista. Em 1994, uma edição de Ulysses também virou bestseller e vendeu mais de 85.000 cópias.


Teve gente especulando que o segredo do sucesso pode estar escondido na tradução de Dai Congrong que levou oito anos para verter em mandarim o romance tido como intraduzível - a titulo de comparação, a versão francesa levou 30 anos, a versão alemã 19 anos e a versão brasileira feita por Donaldo Schüler levou 4 anos. Numa entrevista Dai Congrong disse que não seria fiel ao intuito original do livro se tivesse feito uma tradução de fácil compreensão e traduziu palavra por palavra de acordo com seu entendimento.


Tenho certeza que os literatos inveterados estão morrendo de curiosidade para saber como ficou o trecho inicial do romance. Veja o trecho original:
"riverrun, past Eve and Adam’s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs."
Alguém arrisca uma versão para o mandarim?

*Imagem: reprodução do Google.

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 20 de junho de 2012

COMO FINGIR QUE VOCÊ LEU JAMES JOYCE

Se estivesse vivo, James Joyce,um dos escritores mais enaltecidos e influentes do século 20, teria completado em fevereiro 130 anos. Joyce é um daqueles autores que causam culpa. Você sabe que você deveria ter lido pelo menos uma de suas obras importantes, mas as coisas – a vida, os romancistas contemporâneos, a dificuldade de sua prosa – vão ficando no caminho. Então você deixa de lado e sempre que seu nome reaparece você tem de admitir que nunca leu ou apenas acena com a cabeça tendo um olhar vidrado na cara esperando que ninguém questione você. Entendemos como você se sente e para ajudá-lo num dia certamente preenchido com conversas nos cafés centradas em Joyce (imaginamos), reunimos um guia prático para fingir que você leu grandes obras do autor. Leia até ficar escolado e prepare-se para arrasar no seu próximo evento literário.



Dublinenses (1914)

O que você precisa saber: primeira livro em prosa publicado por Joyce. É uma coleção de 15 contos que retrata a vida da classe média irlandesa em Dublin, no início do século 20. As histórias são todas muito naturalistas, as cenas habilmente descritas, com muita atenção dada à geografia da cidade. As histórias são dispostos em uma trajetória solta que vão dos contos sobre a infância aos contos sobre a juventude, culminando na mais famosa história de Joyce, Os mortos.

O que falar: você sempre pode falar sobre o amor de Joyce pela epifania como artifício literário – em cada uma dessas histórias, as personagens são construídas para um supremo, mas muitas vezes doloroso momento de compreensão ou consciência que muda a forma como elas vêem a si mesmas ou seu mundo. Por exemplo, em Os mortos, quando Gretta ouve a música que a leva a uma saudade de seu amor de infância, Michael Furey. Sua pequena epifania desencadeia uma epifania ainda maior em seu marido, Gabriel. Ele basicamente se senta e pensa na sua esposa, na morte, no amor, nele mesmo, no isolamento e toda sorte de coisas pelo restante da história. Depois, você pode fazer a transição compartilhando algumas de suas próprias epifanias pessoais com os seus impressionados parceiros de conversa, que provavelmente vão fazer a mesma coisa.

Retrato do artista quando jovem (1916)

O que você precisa saber: Retrato do artista quando jovem é um romance semi-autobiográfico que exemplifica um “Künstlerroman” – isto é, uma história sobre o crescimento de um artista à maturidade. Tem Stephen Dedalus, que vai surgir mais tarde, em Ulysses, como um substituto tanto para Joyce quanto para o artesão mais astuto da mitologia grega, Dédalo, quando ele começa a se rebelar contra o país e a religião que sempre conheceu e, finalmente, parte para prosseguir a sua vida como artista. De longe, o "mais fácil" dos romances de Joyce, a complexidade da linguagem aumenta à medida que Dedalus cresce, mas nunca se torna tão selvagem quanto a maneira como Joyce vai adentrar em obras futuras.

O que falar: esse romance é famoso pela seu uso de fluxo de consciência, que permite ao leitor experimentar a maturação da mente de Dedalus, juntamente com o personagem, que é algo que você pode falar enquanto assente balançando a cabeça apreciativamente. Você também pode usar o texto como um ponto de partida para falar se os artistas são mais suscetíveis a serem figuras solitárias ou comunitários – no final do livro, Dedalus entra em reclusão para trabalhar com sua arte, virando as costas para tudo o que sabe, mas em alguns aspectos o faz a fim de promover a própria voz e consciência do mundo que ele está deixando. Discuta!


Ulysses (1922)

O que você precisa saber: este é o maior – afinal, ninguém realmente espera que você tenha lido Finnegans Wake. Baseado na Odisséia, de Homero, este romance é a figura chave do movimento modernista e uma meditação em constante mudança sobre a consciência humana. Nele, Joyce usa quase todas as técnicas literárias de seu arsenal – fluxo de consciência, prosa experimental, gemidos dignos de trocadilhos – relacionados a uma narrativa relativamente simples: dois homens, o publicitário judeu Leopold Bloom e o aspirante a escritor Stephen Dedalus (que nós já conhecemos antes), vagando em Dublin por um dia (16 de junho de 1904, para ser mais preciso), participando de várias atividades mundanas. O romance tem 18 capítulos, cada um relacionado a uma hora do dia, começando por volta de 8:00 e terminando após duas horas da manhã seguinte e cada capítulo tem um estilo literário diferente.

O que falar: Joyce uma vez disse que esse romance iria alcançar a imortalidade, porque ele tinha colocado "tantos enigmas e quebra-cabeças que o livro manterá os professores ocupados durante séculos discutindo sobre o que eu quis dizer", por isso, se você for rápido com os pés você pode pular fora e ver o que os outros livros tem. Se não, todo mundo adora uma boa piada sobre masturbação e a cena de masturbação em Ulysses é um excepcionalmente eloquente - Bloom observa Gerty McDowell fazendo poses sensuais na praia (o que pode ou não ser parcialmente sua imaginação) e seu clímax ecoa em literais fogos de artifício. Há muito "O!". Você também pode expressar o seu entusiasmo em relação ao próximo Bloomsday (só porque tira a atenção real do romance que você está discutindo). Acontece todo 16 de junho. Como no romance, entendeu?


Finnegans Wake / Finnicius Revem (1939)

O que você precisa saber: este texto notoriamente obscuro e difícil é uma confusão de sonho, a contrapartida noturna para o dia de Ulysses. Joyce chamou o trabalho, seu último antes de morrer, de um "experimento de interpretação ‘da noite escura da alma’", e ele é preenchido com estrutura e linguagem altamente experimental. Incluindo as palavras que apenas soam como as palavras que ele quer dizer, absurdos e trocadilhos multilíngues.

O que falar: é difícil falar desse livro até mesmo para as pessoas que realmente o leram. Dito isto, você não precisa ter lido muito para ser capaz de dizer alguma coisa – uma vez que o livro é cíclico, começando no meio de uma frase e terminando no meio da mesma frase. Você pode mergulhar nele e sair sem realmente perder muito. Não há uma coerência real no enredo e as coisas vão em forma de sonho meio-compreendidas, por isso sugerimos abrir o livro aleatoriamente e escolher uma frase favorita para memorizar e repetir – nós gostamos desta: “But all they are all there scraping along to sneeze out a likelihood that will solve and salve life’s robulous rebus…” Confie, todo mundo vai ficar impressionado.

Este texto foi publicada originalmente no blog Flavorwire em 2 de fevereiro de 2012. Reprodução e tradução para o português com permissão do blog.

*Imagem: divulgação.
Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 23 de março de 2012

REVISTA ARTE E LETRA: ESTÓRIAS P

Nessa semana está chegando às livrarias a edição "P" da Arte & Letra: Estórias - revista mensal de Curitiba que publica traduções e ficção inédita de autores renomados. Matemática não é o meu forte, por isso me corrijam se eu estiver errado: pelas minhas contas a revista tem apenas dois anos e melhora a cada nova edição. Melhor ainda é saber que os editores não privilegiam textos muito populares e arriscam publicando textos que merecem uma nova atenção - não chega a ser a ficção "lado b" dos escritores, mas bem que poderia ser. Aproveitando que as obras de James Joyce e Virgínia Woolf entraram em domínio público, a edição tem os contos Uma pequena nuvem, de Joyce (tradução de Adriano Scandolara) e Craftmanship, de Woolf (tradução de Gustavo Delaqua). Curiosamente, tanto um quanto o outro nasceram em 1882 e estariam completando 130 anos nesse ano. Outro destaque é Tarde da noite, da escritora espanhola Rosa Monteiro (tradução de Iara Tizzot) e A múmia egípcia, do russo Mikhail Bulgákov (tradução de Gabriela Soares).

Tem também Edward McPherson, Evgueni Zamiatin, Giovanna Rivero, Hanif Kureishi, Hjalmar Soderberg, Louis Pergaud, Luana Azzolin, Muriel Spark e Paulo Venturelli.

Arte e Letra: Estórias P
Preço: R$ 20,50

*Imagem: divulgação.
Share/Save/Bookmark

sábado, 14 de janeiro de 2012

COMEMORAÇÕES LITERÁRIAS EM 2012

Dando continuidade à "série" de textos com coisas sobre as quais vamos falar bastante em 2012, chego ao tema comemorações. Listo os autores de ficção em prosa cuja obra promete ser bastante comentada em torno de datas especiais. O ano promete!

Se você sentiu falta de alguém, por favor, deixe um recado nos comentários, mande um e-mail ou um tweet.

Charles Dickens
Um clássico sempre merece uma comemoração. Ainda mais quando se trata dos duzentos anos de nascimento de Charles Dickens. Por isso, ao longo desse ano tire um livro qualquer de Dickens de sua estante, vá a uma livraria comprar alguma reedição ou veja algum filme inspirado em sua obra. Ótima oportunidade para ler Dickens no original, em inglês, ou presentear um amigo com uma caixa contendo seus melhores romances.

Philip K. Dick
Em março completamos vinte anos sem Philip K. Dick. Ele foi um dos maiores escritores de ficção-científica do século passado. Apesar da extensa obra (36 romances e 5 coletâneas de contos) não teve o devido reconhecimento em vida. Ele morreu no mesmo ano em que o filme Blade Runner - o caçador de andróides (baseado no seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep?) foi lançado. Seus livros também inspiraram filmes como O vingador do futuro e Minority report - a nova lei. Uma nova versão de O vingador do futuro estrelando Colin Farrell e Jessica Biel será lançada no Estados Unidos em agosto desse ano. O escritor Roberto Bolaño era um grande admirador de Ubik - lançado em português recentemente pela editora Aleph.

Bram Stoker
As comemorações em torno dos cem anos de morte de Bram Stoker, autor de Drácula, tiveram início no ano passado durante a Feira de Frakfurt. Editores ingleses anunciaram que um bisneto de Stoker encontrou um caderno de notas que pertenceu ao famoso bisavô. O livro será lançado na Inglaterra em abril com o título de The Lost Journals of Bram Stoker. A Bram Stoker Estate está programando uma série de conferências e eventos comemorativos nos Estados Unidos.

Jorge Amado, Lúcio Cardoso e Nelson Rodrigues
O que esses três escritores brasileiros tem em comum? Nada, exceto o fato de terem nascido no Brasil em agosto de 1912. As comemorações do centenário de nascimento dos três serão marcadas por reedições e lançamentos inéditos - certamente devem acontecer eventos comemorativos. A obra de Jorge Amado já tem sido reeditada pela Companhia das Letras desde 2008. Para esse ano estão programados um romance, um livro de memórias e um volume com sua correspondência particular. A editora Nova Fronteira ainda não divulgou seus planos para as comemorações em torno de Nelson Rodrigues, assim como a Civilização Brasileira com Lúcio Cardoso.

***

Outros dois nomes que deverão ser bastante comentados nesse ano são Virginia Woolf e James Joyce. Tudo porque a obra dos dois escritores de língua inglesa entra em domínio público. Não vão faltar motivos para comemorar o Bloomsday em junho - sobretudo com o lançamento de Ulysses pela Penguin-Companhia das Letras e Stephen herói pela Iluminuras. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf ganhará tradução de Denise Bottman e saí pela L&PM.

*Imagem: montagem sobre reprodução de fotos disponíveis na Wikipédia.

Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 17 de junho de 2011

BLOOMSDAY: JAMES JOYCE TECNOLÓGICO


Será que ainda dá tempo de comemorar o Bloomsday? Sei que me atrasei para as comemorações, mas me sinto na obrigação de não deixar passar a data em branco. Afinal, acho curioso o fato de Ulisses - um dos livros mais importantes da literatura moderna - ser um romance bastante celebrado, mas pouco lido.

Verdade seja dita: Ulisses é um osso duro de roer. Além das suas mais de 900 páginas, James Joyce resolveu "brincar" com a literatura, a crítica e os leitores. Meteu lá no seu romance os neologismos, mexeu na sintaxe, colocou as citações nos devidos lugares, criou diversas intertextualidades, mandou as categorias literárias darem um passeio (tempo e espaço se diluem, por exemplo), usou e abusou do fluxo de consciência - dizem até que ele esgotou todas as possibilidades de monólogo interior que qualquer sujeito poderia imaginar. No entanto, decifrar esse criptograma também é realmente prazeroso.

Ulisses não é um romance que você lê e depois abandona. Ele exige tempo, paciência, dedicação e releituras (porque não?). E o Bloomsday não é comemorado à toa. É uma chance de voltar pelo menos uma vez no ano ao romance que detonou as convenções formais do romance. Talvez seja mais fácil encarar o desafio deixando de lado a obsessão de entender totalmente o livro logo na primeira leitura. Até porque, no caso de Ulisses, vale aquela máxima "cada nova leitura sempre será uma primeira leitura".

Não se deixe abater! Tudo o que você precisa saber sobre o enredo do romance é: "nele, intercalam-se as trajetórias de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, pelas ruas de Dublin ao longo de um único dia, 16 de junho de 1904. Sua estrutura e referências remetem à Odisséia, épico de Homero sobre as peripécias de Ulisses (Odisseu, para os gregos) em sua jornada de volta a Ítaca" (retirado do release da Alfaguara). No mais tenha em mente que Ulisses é um conjunto de experiências vividas pelo homem moderno. Embora isso pareça querer dizer nada, quer dizer muito.

Findo comentário, sigo para uma miscelânea de coisas que encontrei na internet sobre Ulisses, de James Joyce. Feliz Bloomsday atrasado!

***

Traduções para o português
A primeira tradução de Ulisses no Brasil chegou pelas mãos de Antônio Houaiss em 1966 - boatos dão conta de que ele levou quase dez anos traduzindo. Quase quarenta anos depois, Bernardina da Silva Pinheiro fez uma nova versão - foram sete anos de trabalho. No próximo ano a Companhia das Letras, através do selo Penguin-Companhia, promete uma nova tradução assinada por Caetano Galindo.

O blog do IMS fez quatro perguntas a Caetano Galindo sobre a missão de traduzir um romance de James Joyce.

Segundo a Wikipédia, a primeira tradução do livro em Portugal foi lançada em 1983 por meio de uma adaptação da tradução feita por Houaiss. Porém, João Palma-Ferreira publicou uma tradução portuguesa em 1989.

Usando o twitter
Ontem, durante o #Bloomsday, um grupo de fãs (com participação de gente do mundo inteiro) criou um perfil no twitter para tentar adaptar a obra para a "econômica" rede social. A organização do chamado "twitaço" começou no blog 11ysses.wordpress.com. Eles passaram 24 horas publicando os trechos no perfil @11ysses e agora pedem uma avaliação dos leitores. Os comentários devem ser feitos no próprio twitter.

Quadrinhos
Robert Berry e Josh Levitas, da Throwaway Horse LLC, fizeram uma adaptação do romance para os quadrinhos - Ulysses “Seen”. É possível ler no computador, no celular e também no iPad. Ainda tem um guia de leitura para ajudar. (As duas imagens lá em cima forma retiradas do site)

Nas ondas do rádio
A rádio WBAI de Nova York transmitiu pela internet por sete horas consecutivas uma leitura de Ulisses com direito a participação de atores de Nova York, Los Angeles, Londres e Dublin. Não encontrei o arquivo no site da rádio. Mais informações aqui.

Podcast
O escritor Frank Delaney criou na internet um podcast na internet chamado Re:Joyce. A cada semana, ele desconstrói uma frase do livro durante cinco minutos. Só o primeiro capítulo levou um ano para ser destrinchado. Imagine quanto tempo mais ele levará até terminar o livro inteiro? Os episódios estão disponíveis aqui.


Códigos de barra
Está pensando que esses quadrados aqui em cima não servem para nada? Engano seu! O pessoal da Books2Barcodes converteu Ulisses para o formato código de barras 2D. Você pega o seu celular (devidamente equipado com um aplicativo de digitalização de código de barras) coloca diante desses códigos e voilà. É no mínimo um jeito diferente de ler Ulisses.

Desenho
Para finalizar, Ricardo Humberto fez uma ilustração bem bacana de James Joyce para o jornal Rascunho. O resultado pode ser conferido aqui.

*Imagem: reprodução - créditos no post.
Share/Save/Bookmark

domingo, 13 de março de 2011

SERROTE #7

A revista Serrote #7 chega amanhã as livrarias. Tem bastante coisa interessante: um ensaio de Geoff Dyer, a entrevista de Jonathan Frazen para a revista The Paris Review (na época do lançamento de Freedom, nos Estados Unidos e Inglaterra), fotos reveladoras do cotidiano de James Joyce feitas por Gisèle Freund, texto de Thomas Bernhard e um verbete assinado por Noemi Jaffe. Tem outras coisas também, estou destacando os assuntos ligados à literatura, ficção etc.

Um texto de Marcelo Coelho que está na edição foi publicado no caderno Ilustríssima - somente para assinantes do jornal.

*imagem: reprodução.

Share/Save/Bookmark

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NOTAS #18


Quem não rabisca?
Caro leitor, não pense que você é a única criatura no mundo que faz algumas anotações e rabiscos nos seus livros. Muito pelo contrário, essa prática tão antiga é adotada por grandes escritores da literatura universal. O site Flavorwire, sempre eles, conseguiram descobrir rabiscos feitos por David Foster Wallace, Vladimir Nabokov, Samuel Beckett, Mark Twain, Kurt Vonnegut, Jorge Luís Borges, etc. Os rabiscos acima pertecem a Franz Kafka e tem uma cara de que ele estava pensando em O processo. Os demais rabiscos estão disponíveis em http://tinyurl.com/4rbk8td

Moraes na moral
Não tem jeito mesmo, esse ano só vai dar Reinaldo Moraes - até falei disso por aqui. O sucesso é tanto que os festivais literários terão de ser obrigados a chamar Moraes para apresentações. Pornopopéia está fazendo tanto sucesso que possivelmente será adaptado para o cinema. Segundo informações dos jornais, o produtor Rodrigo Teixeira comprou os direitos do livro e Arthur Fontes, da Conspiração Filmes, será o provável diretor.

***

A coluna Babel, do Estadão, também divulgou uma notícia de que a editora Quetzal também comprou os direitos de Pornopopéia para uma futura edição em Portugal. Lembro que João Ubaldo Ribeiro causou um pequeno reboliço no lançamento de A casa dos budas ditosos por conta do teor do livro. Será que algo parecido pode acontecer com Moraes?

Preferidos
No blog da coluna Painel das Letras, da Folha de SP, o escritor Cristovão Tezza confessou dez livros que marcaram sua vida. Entre os eleitos estão Angústia, de Graciliano Ramos; O estrangeiro, de Albert Camus; Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez; Luz em agosto, de William Faulkner e Desonra, de J. M. Coetzee. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/48oyswn

Brigas literárias
Você sabia das divergências entre Albert Camus e Jean-Paul Sartre? E que Wallace Stevens
falava mal de Ernest Hemingway? E da briga entre Mario Vargas Llosa e Gabriel García Márquez? Pois o The Huffington Post pediu a ajuda de seus leitores para comentar os combates literários favoritos de cada um. Pois é, escritores também podem ter um dia de fúria. Outra desavenças estão disponíveis em http://tinyurl.com/6hpr8e7

Beatnikmaniacos
No melhor estilo de "tudo o que você queria saber sobre...", o site Flavorwire revelou 97 curiosidades sobre o escritor William S. Burroughs. Por exemplo, Burroughs manuseou uma arma de fogo pela primeira vez quando tinha apenas 8 anos. Já que era um garoto precoce ele descobriu o estilo de vida da contracultura aos 13 anos, depois de ler You can’t win, a autobiografia de Jack Black. Foi nessa idade também que ele começou o seu longo caminho pelas portas da percepção. A lista inteira está disponível em http://tinyurl.com/6zxt7jp

Moby Dick 24 horas
Leitores entusiasmados, amantes da boa literatura e fãs do livro Moby Dick, de Herman Melville, se reuniram na semana passada em Portland, nos Estados Unidos, para uma maratona de leitura de 24 horas ininterruptas do livro. O encontro começou na sala de leitura do Powell's Books. Para o desafio foram recrutados 135 candidatos, sendo um para cada capítulo do livro. A leitura foi gravada e o áudio será vendido para arrecadar dinheiro para o IPRC - Independent Publishing Resource Center. No ano passado uma iniciativa bem semelhante aconteceu, também nos Estados Unidos, para comemorar o centenário de morte de Liev Tolstói. Será que a gente conseguia fazer algo semelhante no Brasil?

Alguém lendo
Um momento raro, mas salvo graças a internet. Trata-se do escritor James Joyce lendo um trecho de Finnegan's Wake - considerada a experiência mais radical do autor de Ulisses. Como todo mundo sabe, Finnegan's Wake é um livro bem difícil de traduzir para outras línguas, ainda que as traduções existam. A leitura de Joyce pode guiar o ritmo daqueles que pretender encarar o desafio de ler o original. O áudio está disponível em James Joyce MP3.

*imagem: reprodução do site Flavorwire.
Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

NOTAS #6


Finnegans wake ilustrado
Depois de O arco-íris da gravidade e Moby Dick, agora é a vez de Finngans wake, de James Joyce ganhar uma versão ilustrada. O autor da tarefa é Stephen Crowe, um designer gráfico que vive na França e diz ter uma relação de amor e ódio com James Joyce. Seguindo o estilo "um desenho por página", Stephen não sabe quanto tempo vai levar para completar as 668 páginas - dependendo da edição. Ele espera ao menos despertar o interesse de novos leitores pela obra. Escrito em 1939, Finnegans wake é um dos livros mais radicais da história da literatura. James Joyce escreveu um livro em que todas as palavras se fundem e se transformam criando significados múltiplos. As ilustrações estão em http://wakeinprogress.blogspot.com/

Documentário
Um documentário sobre a vida do escritor Roberto Bolaño exibido pela RTVE da Espanha está na internet na versão integral. Com o título de Roberto Bolaño: El último maldito, o documentário relata os últimos anos de vida de Bolaño na Espanha e mostra também a diferença entre a vida que ele teve e a vida dos famosos escritores latino-americanos dos anos 60 e 70. O vídeo está em http://tinyurl.com/28dzv7a

Concursos
O blog Todoprosa lançou um consurso: usar o twitter para criar microcontos com "alguma densidade literária". Qualquer pessoa pode participar desde que o microconto seja inédito. O primeiro colocado vai ganhar um livro autografado do Sérgio Rodrigues. O prazo final para enviar os textos é sexta-feira, dia 29/10. As regras completas estão em http://tinyurl.com/32k8s7l

*

A editora Shakespeare and Company também lançou um concurso chamado The Paris Literary Prize. O concurso vai premiar uma novela inédita escrita por um autor que nunca tenha publicado um livro. O prêmio será no valor de 10,000€ e um final de semana em Paris, na França. As inscrições podem ser feitas até dia 1 de Dezembro, 2011. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/28wt4rv

Torre de Babel
Mais um grupo editorial português vai chegar ao mercado brasileiro. O grupo editorial Babel anunciou essa semana que deve abrir uma editora no país para publicar livros da cultura portuguesa. Os planos saem do papel até o final desse ano. Em Portugal, a Babel cuida de nove selos diferentes apesar de não ser um grande grupo: Arcádia, Athena, Ática, Centauro, Pi, Guimarães, K4, Ulisseia e Verbo. Para quem não se lembra, no final do ano passado a maior empresa editorial portuguesa, o grupo Leya, chegou ao Brasil cheio de planos.

Web Biblioteca
O centro cultural Casa Fernando Pessoa está disponibilizando na internet a biblioteca particular do poeta Fernando Pessoa. Os leitores poderão pesquisar cerca de 1142 volumes a qualquer momento sem nenhuma despesa. Além de obras raras e manuscritos, a equipe do acervo digital também preservou as anotações nos livros que foram feitas pelo próprio poeta. O acervo pode ser consultado em http://tinyurl.com/2blm6tu

Notícia Jonathan Franzen da semana
O aclamado escritor Jonathan Franzen visitou a Casa Branca na manhã da última segunda-feira. Sobre o encontro com Barack Obama, seu fã declarado, Franzen disse apenas a seguinte palavra "agradável".

*imagem: reprodução do site wakeinprogress.blogspot.com

Share/Save/Bookmark

domingo, 17 de outubro de 2010

SEXO, LITERATURA E PLAYBOY

Se a Playboy americana tem Madame Bovary, a Playboy brasileira tem muito mais. Joca Reiners Terron compartilhou com a gente nada menos do que 25 trepadas literárias que ele selecionou para a revista. A seleção inclui James Joyce, Julio Cortázar, Hilda Hilst, Raduan Nassar, Vladimir Nabokov, Dalton Trevisan e muitos outros. Claro que tem Marquês de Sade, D.H. Lawrence e George Bataille. Emma Bovary certamente ficaria com as faces coradas.

*imagem: pintura de Eugène Delacroix / reprodução.

Share/Save/Bookmark

domingo, 26 de setembro de 2010

LIVROS QUE AJUDAM CLÁSSICOS DA MÚSICA

Depois de ver esse post relacionando O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon com o disco Amnesiac do Radiohead e Os detetives selvagens, de Roberto Bolaño com o disco In Casino Out da banda At the Drive-In fiquei com vontade de fazer algo parecido. Mas procurando ideias na internet encontrei na Raquel Cozer um blog com tudo pronto - Classics Rock!

O blog já existe desde 2008. Tem uma lista enorme de livros e autores que serviram de inspiração para bandas e músicos comporem suas canções. Numa pesquisa rápido encontrei 1984, de George Orwell com Diamond Dogs do David Bowie; Lolita, de Vladimir Nabokov com Police; O senhor dos anéis, de JRR Tolkien com II do Led Zeppelin; etc. Impressiona também a quantidade de bandas que se inspirou em O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger e Ulisses, de James Joyce.

Será que tem um desses com livros brasileiros, né?

*Imagem: reprodução do google images.

Share/Save/Bookmark

sábado, 25 de setembro de 2010

JAVIER MARIAS E OS ROMANCES LONGOS

A Companhia das Letras está lançando o terceiro e último volume do romance Seu rosto amanhã - veneno, sombra e adeus, de Javier Marias, um escritor espanhol da maior importância. W.G. Sebald, J.M. Coetzee, Roberto Bolaño, Salman Rushdie e Ricardo Piglia estão entre os seus maiores admiradores. Porém, como bem aponta a resenha de Jonas Lopes para a Bravo!, Marias é um sucesso mundial pouco lido e pouco comentado no Brasil.

Aproveito para fazer um "mea culpa": tomei conhecimento dele dois anos atrás por meio de resenhas, mas até hoje ainda não li nenhum de seus livros. Juro que Coração tão branco esta na minha fila de próximas leituras.

Javier Marias já foi traduzido para muitos idiomas e ganhou inúmeros prêmios. É tido como um dos mais importantes escritores vivos da literatura espanhola. Seu sucesso vem da grande qualidade narrativa de seus livros.

Reproduzo aqui um trecho da resenha de Jonas Lopes sobre o método narrativo do escritor. O método é constituído de inúmeras digressões, frases muito longas, contração/expansão do tempo e parece a peça fundamental para entender a sedução que o romance exerce sobre nós, os leitores: "A magia de ler Marías (...) está na capacidade de promover digressões, no turbilhão inescapável de idéias. (...) Até onde contar - falar, relatar, narrar, sobretudo confiar - pode ser arriscado? Ao contarmos o que quer que seja, arriscamo-nos à traição. Perdemos o controle sobre nossas vidas, de certo modo, abandonando na mão de outro - um amigo, um amor, o leitor do livro - uma responsabilidade essencial".

De maneira bem resumida, Seu rosto amanhã conta a história de um ex-professor de Oxford que tem o dom de prever o que vai acontecer com uma pessoa observando o rosto dela. Ele acaba sendo recrutado por grupos de espiões para descobrir traídores em potencial. Ao longo dos três volumes essa história vai se modificando um pouco.

Gostei de saber uma história bastante curiosa sobre esse livro. O romance foi dividido em três volumes porque o autor não gosta de livros muito longos - reunindo os três volumes o romance fica com aproximadamente 1400 páginas. É um enorme catatau, sem dúvida.

Mas aqui cabe uma digressão da minha parte: pelo que ando lendo em diversos lugares (veja aqui), os romances mais longos estão de fato na moda. Quer exemplos? Para citar os nossos contemporâneos: As correções, do aclamado Jonathan Franzen tem 584 páginas e parece que Freedom não fica atrás; Do Roberto Bolaño, 2666 tem 856 páginas e Os detetives selvagens tem 624 páginas; Do Thomas Pynchon, Mason & Dixon tem 846 páginas e O arco-íris da gravidade tem 786 páginas; Submundo, de Don Dellilo tem 736 páginas. Apenas por curiosidade, alguns antigos e outros nem tanto: Ulisses, de James Joyce tem 912 páginas; Moby Dick, de Herman Melville tem 656 páginas; Grandes esperanças, de Charles Dickes tem 536 páginas; Anna Karienina, de Tolstói tem 816 páginas. Isso porque nem mencinei Dostoievski, Günter Grass, Haruki Murakami, Thomas Mann e Marcel Proust - Em busca do tempo perdido tem 7 volumes.

Tudo isso parece um contracenso se pensarmos que estamos em plena era do twitter e seus famigerados 140 caracteres. A tendência ainda nega a tão falada superficialidade de informações no mundo contemporâneo. Não é qualquer escritor que tem fôlego para manter romances tão longos e dentre os citados, todos fazem parte de um cânone moderno/pós-moderno. Também não se engane pensando que você nunca vai encontrar gente de gerações mais novas com um desses longos romances nas mãos. Muitos desses escritores são bastante comentados na internet.

O capricho, vou chamar assim, de Javier Marias se explica pelo seu gosto por livros não tão longos. Porém, os editores já podem avisar Marias que ele não deve ter nada mais a temer.

*imagem: divulgação.

Share/Save/Bookmark