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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA: O QUE TEVE EM 2015

Vocês notaram que eu estive muito ausente do Casmurros ao longo desse ano - já expliquei num texto anterior. Pois bem, a guisa de retrospectiva compilei as coisas mais importantes que aconteceram. Vai que você (assim como eu) também esteve fora e quer saber dos fatos que marcaram o ano.

> O RETORNO


Harper Lee publicou um novo romance quase 55 anos depois de praticamente abandonar a literatura. O livro inédito se chama Vá, coloque um vigia e chegou as nossas livrarias pela editora José Olympio com tradução Beatriz Horta. É uma continuação do clássico O sol é para todos e, ao contrário do que você pode imaginar, não decepciona. Valeu a espera.

Fernando Bonassi também é outro retorno notório. Ele andava sumido da prosa de ficção, parece que estava envolvido com outros trabalhos (ele também é roteirista e dramaturgo), mas reapareceu esse ano com o romance Luxúria.

> O APARECIMENTO


Precisamos saudar a chegada de O pai morto, de Donald Barthelme com tradução Daniel Pellizzari - o lançamento é da Rocco e foi pouco comentado. O escritor norte-americano falecido em 1989, aos 58 anos, ainda era inédito no Brasil. Ele foi aclamado pela crítica anglófona como um autor de estilo pós-moderno e tinha Machado de Assis, Gabriel García Márquez e François Rabelais como influências confessas. Tomara que a editora aposte nas traduções dos contos - o file mignon da obra de Barthelme.

> O FIM
Impossível não falar no fechamento da Cosac Naify. A notícia é triste porque era uma editora preocupada em publicar inéditos, novos, antigos, boas traduções e edições bem acabadas. Uma pena! Não sou especialista no assunto, mas tomara que não seja sinal de uma crise do setor de negócios do livro. A boa notícia é que o catálogo será absorvido por outras editoras.


Também chega ao fim a revista Arte & Letra: Estórias, publicada pela editora curitibana Arte & Letra. Ela cumpria uma função muito interessante de publicar autores brasileiros em começo de carreira, traduzir autores estrangeiros inéditos no país e colocar em circulação autores do passado que andavam meio esquecidos. As edições eram caprichadas. O último número - com a letra Z - saiu esse mês e tem Almeida Faria, Marta Brunet, Selva Almada, Rogério Pereira e outros. Vai fazer falta!

> O COMEÇO
Para compensar as perdas, temos os ganhos. A editora Carambaia abriu as portas em 2015 focada em publicar "obras esquecidas ou nunca traduzidas de autores em domínio público" - os clássicos da literatura sejam famosos ou obscuros. As tiragens são pequenas, as edições têm projeto gráfico primoroso e a venda é apenas pela internet. Notem que é uma editora muita específica para um público muito específico. Vida longa!

Já abriu as portas, em esquema reduzido, a Patuscada Livraria, Bar e Café - deve começar com força mesmo no ano que vem. A empreitada é do Eduardo Lacerda, editor Patuá. Como o próprio nome já diz vai ser uma livraria e um espaço para celebrar a literatura através de eventos, palestras, espaço de leitura e ponto de encontro para tomar uma bebida. Vida longa (2)!


Outra novidade é a revista digital Peixe-elétrico, empreitada do Tiago Ferro, do Ricardo Lísias e da Mika Matsuzake. A revista sai a cada dois meses e fica à venda nos sites da amazon, apple, google play, kobo, livraria cultura e saraiva. Já está no terceiro número com textos de fôlego. Vida longa (3)!

> EFEMÉRIDES
Sem nenhuma sombra de dúvida, a efeméride mais importante desse ano foi o centenário de nascimento do semiólogo francês Roland Barthes celebrado em 12 de novembro. Ele nunca escreveu um livro de ficção, mas via no texto literário uma espécie de zona livre do "fascismo" do significado - na semiologia tudo é concebido como um sistema de significação seja uma imagem, um gesto, um som, um objeto etc. Em seus últimos anos de vida começou a esboçar algumas ideias para um romance batizado de Vita nova. Infelizmente o projeto foi interrompido pela sua morte abrupta. Seja como for, ele produziu uma obra fundamental para iluminar a sociedade do século XX e XXI, sobretudo se considerarmos todo o conflito linguistico e discursivo que permeia a política, a cultura e a sociedade atual.

Outro fato importante foram os 70 anos de morte do escritor Mário de Andrade o que tecnicamente coloca toda a sua obra em domínio público. Vieram reedições de livros que estavam sumidos, a escolha para ser o autor homenageado da FLIP e até uma carta inédita endereçada a Manuel Bandeira em que ele falava a respeito da sua homossexualidade.


Vale lembrar os cem anos de publicação de A metamorfose, de Franz Kafka. Aquela famosa novela em que depois de uma noite de sonhos intranquilos um caixeiro viajante chamado Gregor Samsa encontra-se "em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso".

Também fez aniversário de 40 anos o romance Lavoura arcaica, de Raduan Nassar - publicado originalmente em 1975.

***

> PRÊMIOS
O ano também foi de prêmios literários - muita gente diz que não dá à mínima, mas sempre tenta descobrir quem ganhou o quê. Vamos a eles:

Bad sex in fiction
Se você acompanha o Casmurros já deve saber que o bad sex premia as cenas mais constrangedoras de sexo da literatura. O ganhador do ano foi List of the lost, de Morrissey - a incursão do cantor e compositor inglês na prosa de ficção (ainda inédito em português). O livro é sobre uma equipe de revezamento de corrida que nos anos de 1970, em Boston, acidentalmente mata um demônio que amaldiçoa todos. A maioria das resenhas foi negativa, portanto, o livro era um forte candidato ao prêmio. O trecho sexual apontado pelos jurados é o seguinte:

‘At this, Eliza and Ezra rolled together into the one giggling snowball of full-figured copulation, screaming and shouting as they playfully bit and pulled at each other in a dangerous and clamorous rollercoaster coil of sexually violent rotation with Eliza’s breasts barrel-rolled across Ezra’s howling mouth and the pained frenzy of his bulbous salutation extenuating his excitement as it whacked and smacked its way into every muscle of Eliza’s body except for the otherwise central zone.’

Nobel
A vencedora foi a bielorrussa Svetlana Alexievich. Ela é autora de livros de não-ficção (grandes reportagens com tratamento quase literário). A decisão da Academia Sueca teve motivações não só políticas considerando que a Rússia está no centro do debate político mundial, mas também estéticas já que a não-ficção tem ganhado papel de destaque ante a ficção.

Man Booker Prize
O prêmio inglês foi para A brief history of Seven Killings, de Marlon James. É a primeira vez em que um autor de jamaicano ganha esse prêmio. O livro conta a história de uma tentativa de assassinato de Bob Marley, em 1976, na Jamaica e as consequências desse evento na guerra de combate ao crack, em 1980, em Nova York e na política jamaicana dos anos 90

National Book Award
O prêmio de ficção foi para Fortune Smiles: stories, de Adam Johnson. Para quem não lembra, ele é o autor de Jun Do (The orphan master's son), livro que ganhou o Pulitzer, em 2013

Pulitzer
O ganhador foi Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr que antes mesmo de ser premiado já estava nas nossas livrarias - saiu pela Intrinseca com tradução de Maria Carmelita Dias.

Prêmios literários franceses: Goncourt, Renaudot, Médicis e Zorba
As instituições francesas resolveram premiar autores pouco conhecidos foram do mundo francófono. Os vencedores dos prêmios Renaudot, Médicis e Zorba respectivamente foram: D'après une histoire vraie, de Delphine de Vigan; Titus n'aimait pas Bérénice, de Nathalie Azoulai e La terre sous les ongles, de Alexandre Civico. Exceção ao Goncourt que premiou La Boussole, de Mathias Énard - ele tem um livro publicado no Brasil pela L&PM

Prêmio José Saramago
O ganhador desse ano foi As primeiras coisas, de Bruno Vieira Amaral. É o romance de estreia desse jovem autor português - ele tem apenas 37 anos. A imprensa portuguesa fez críticas muito boas a respeito. Alguém para ficarmos de olho.

Oceanos (antigo Portugal Telecom)
Pelo que entendi, o prêmio foi remodelado e no total são quatro premiados - independente de serem livros de prosa ou poesia. Nesse ano, os três primeiros foram de prosa Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago; Por escrito, de Elvira Vigna e A primeira história do mundo, de Alberto Mussa

Apca
Associação Paulista de Críticos de Artes escolheu o romance O senhor agora vai mudar o corpo, de Raimundo Carrero e o livro de contos Jeito de matar lagartas, de Antonio Carlos Viana

Fundação Biblioteca Nacional
Os premiados foram o romance Turismo para cegos, de Tércia Montenegro e o livro de contos Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues

Jabuti
Parece que nesse ano correu tudo bem, não houve nenhum problema, nenhuma polêmica e os vencedores foram Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende e o livro de conto Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues que já tinha levado o prêmio Fundação Biblioteca Nacional

SP de Literatura
O vencedor na categoria melhor livro do ano foi Tempo de espalhar pedras, de Estevão Azevedo. Já na categoria autor estreante com mais de 40 anos o vencedor foi Nossa terra – vida e morte de uma santa suicida, de Micheliny Verunschk e na categoria autor estreante com menos de 40 anos o vencedor foi Enquanto deus não está olhando, de Débora Ferraz.



Sesc de Literatura
Os vencedores desse ano foram Antes que seque, de Marta Barcellos e Desterro, de Sheyla Smanioto

***

A caixa de comentários permanece aberta para quem quiser relembrar outros acontecimentos desse ano. Prometo que volto a qualquer momento, antes de 2016 chegar.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R. 
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

APOSTAS PARA 2015 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS

Entra ano, saí ano e a melhor maneira de começar os trabalhos com o pé direito é falando da previsão de lançamentos de livros das editoras nacionais e estrangeiras. Afinal, ano bom é ano com muita novidade. Aposto que você ainda está na praia u voltou ao trabalho com preguiça, mas procurou o termo "lançamentos de ficção 2015" no Google.

As nossas editoras não costumam divulgar o cronograma de lançamentos do ano com muita antecedência. Por isso, estou listando abaixo um apanhado de livros que consegui apurar aqui e acolá. Tem o nome da editora e do autor - em alguns casos consta o título em português ou o título original já que a tradução deve estar em andamento. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Senti falta (e vocês também vão perceber) de listar lançamentos dos selos digitais que ganham mais espaço a cada ano. Alõ, editores!

Vale lembrar que são previsões e as editoras podem alterar os cronogramas - assim como pode pintar uma nova onda, tipo "romances com vampiros, zumbis e anjos", "pornô S&M soft" etc. e lançamentos jorrem aos montes. Tudo pode acontecer.

Entre os nacionais destaco o livro de contos do escritor Ricardo Lísias que sempre merece bastante atenção. Na gringa, fico com Tom McCarthy que está fazendo um trabalho esplendoroso com a prosa de ficção e ainda permanece inédito por aqui.

Se alguém descobrir ou souber de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.




-> ALFAGUARA
Concentração e outros contos, de Ricardo Lísias
Maior que o mundo, de Reinaldo Moraes
As reputações, de Juan Gabriel Vásquez
Um grão de trigo, de Ngugi wa Thiong'o
Soumission, de Michel Houllebecq
Avenida bonita, de Peter Buwalda

-> BIBLIOTECA AZUL (Globo Livros)
L'amica geniale, de Elena Ferrante
Harvest, de Jim Crace (também haverá reedição de Being dead e Quarentine)
Tetralogio Rabbit, de John Updike (reedição)
Obras completas de Adolfo Bioy Casares – volume B e C
To rise again at a decent hour, de Joshua Ferris

-> INTRÍNSECA
Nós, de David Nicholls
Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr
Summerhouse with swimming pool, de Herman Koch

-> COSAC NAIFY
Não há lugar para a lógica em Kassel, de Enrique Vila-Matas
Em alto mar, de Toine Heijmans
Absalão, Absalão!, de William Faulkner

-> BERTRAND BRASIL
The good lord bird, de James McBride
The snow queen, de Michael Cunnighan
Zoo time, de Howard Jacobson
Hah, de Birgül Oguz

-> ROCCO
Um ano na selva, de Suzanne Collins
Abaixo do paraíso, de André de Leones

-> EDITORA 34
A educação sentimental, de Gustave Flaubert
Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov
A escavação, de Andrei Platónov
Os sete enforcados, de Leonid Andrêiev
O adolescente, de Fiódor Dostoiévski
Sátántangó, de László Krasznahorkai
Carmen, de Prosper Mérimée

-> RADIO LONDRES
Atocha, de Ben Lerner
Viva a música!, de Andrés Caicedo
Stoner, de John Williams
A vida em espiral, de Abasse Ndione
Minotauro, de Benjamin Tammuz
Joe Speedboat, de Tommy Wieringa
Está tudo tranquilo lá em cima e Dez gansos brancos, de Gerbrand Bakker
Tirza, de Arnon Grunberg

-> FARO
Espero que sirvam cerveja no inferno, de Tucker Max

-> FOZ 
A rainha ginga, de José Eduardo Agualusa

-> COMPANHIA DAS LETRAS
Rãs, de Mo Yan
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
A hologram for the king, de Dave Eggers
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
Os mil outonos de Jacob de Zoet, de David Mitchell
Cloud Atlas, de David Mitchell
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
City on fire, de Garth Risk Hallberg (sai em setembro, nos Estados Unidos)
Compilação de histórias policiais The Latin American Crime Issue, da revista McSweeney's - entre os autores Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho e Carol Bensimon
Não preciso mais de você, de Arthur Miller
How to be both, de Ali Smith
Biografia involuntária dos amantes, de João Tordo
I racconti e O gattopardo, de Tomasi di Lampedusa
As mudanças e os choques, de Martin Wolf
A era da ambição, de Evan Osnos
Nora Webster, de Colm Tóibín
A zona de interesse, de Martin Amis
Funny Girl, de Nick Hornby
Can’t and won’t, de Lydia Davis
A ilha da infância, de Karl Ove Knausgaard
Os judeus e as palavras, de Amós Oz e Fania Oz-Salzberger
O livro da gramática interior, de David Grossman
A casa assombrada, de John Boyne
A imortalidade, de Milan Kundera
Restinga, de Miguel Del Castillo

Eu não preciso mais de você, de Arthur Miller

-> ESTAÇÃO LIBERDADE
Don segundo sombra, de Ricardo Güiraldes
Humanidade perdida, de Osamu Dazai
Adeus, Tsugumi, de Banana Yoshimoto
O vento leste, de Otohiko Kaga
Medeia, de Christa Wolf
No país do cervo branco, de Chen Zhongshi
Da vida de um inútil, de Joseph von Eichendorff
Divã ocidental-oriental, de J. W. Goethe
Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister, de J. W. Goethe

Natan, o sábio, de G. E. Lessing

-> HEDRA
Antologia do conto holandês (1839-1937), 16 contos de 16 autores

-> RECORD
Remissão da pena, Flores da ruína e Primavera de cão, de Patrick Modiano
Luxúria, de Fernando Bonassi
The wolf in white van, de John Darnielle

-> CARAMBAIA
Homens em guerra, de Andreas Latzko 
Soldados rasos, de Frederic Manning 
Juncos ao vento, de italiana Grazia Deledda

-> MUNDARÉU
O fogo, de Henri Barbusse
Uma juventude na Alemanha, de Ernst Toller

-> GRUA LIVROS
A última tentação de Cristo, de Nikos Kazantzakis 




GRINGOS (considerando o mercado editorial norte-americano e de língua inglesa)

Amnesia, de Peter Carey
The First Bad Man, de Miranda July
Lucky Alan: And Other Stories, de Jonathan Lethem
Satin Island, de Tom McCarthy
Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances, de Neil Gaiman
The Buried Giant, de Kazuo Ishiguro
Ashes in My Mouth, Sand in My Shoes e I Refuse, de Per Petterson
The Last Word, de Hanif Kureishi
God Help the Child, de Toni Morrison
The Making of Zombie Wars, de Aleksandr Hemon
Purity, de Jonathan Franzen

*Imagens: divulgação.

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O NOVO VALTER HUGO MÃE

Notícia da coluna de Mônica Bergamo no caderno Ilustrada, da Folha de SP:

A CABECEIRA
Ney Matogrosso recebeu os originais do próximo livro do escritor Valter Hugo Mãe. A pedido do autor, leu "Desumanização", que será lançado pela Cosac Naify, e escreveu: "A leitura provoca um turbilhão, uma vertigem de imagens pelas quais o leitor fica possuído. Inquietante, tenso e ao mesmo tempo ingênuo e puro". A frase será impressa na cinta que embala o livro.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

APOSTAS PARA 2014 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS

O ano pode ser novo, mas a tradição é antiga. A melhor maneira de começar o ano é falando da previsão de lançamentos das editoras nacionais e estrangeiras (por que não?). Afinal, ano bom é ano com muita novidade. Aposto que você acabou de voltar da praia e procurou o termo "lançamentos de ficção 2014" no Google.

Ano novo dificuldade velha. Todo mundo sabe que nossas editoras não costumam divulgar o cronograma de lançamentos do ano com muita antecedência. Por isso, estou listando abaixo um apanhado de livros que consegui apurar aqui e acolá. Tem o nome da editora e do autor - em alguns casos consta o título em português ou o título original já que a tradução deve estar em andamento. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Vale lembrar que são previsões e as editoras podem alterar os cronogramas - assim como pode pintar uma nova onda, tipo "romances com vampiros, zumbis e anjos", "pornô leve para mulheres" etc. e lançamentos jorrem aos montes. Tudo pode acontecer.

Entre os lançamentos nacionais destaco a tradução de Infinite Jest, de David Foster Wallace que ficou nas mãos de Caetano Galindo e deve finalmente chegar às livrarias em bom português brasileiro (vamos falar muito do Foster Wallace). Na gringa, além de Lydia Davis e W.G. Sebald, fico com Hilda Hilst que deve tomar os anglófonos de assalto e arrebatar corações gelados.

Se alguém descobrir ou souber de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.



-> COMPANHIA DAS LETRAS
Infinite Jest, de David Foster Wallace
A Hologram For The King, de Dave Eggers
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
Os mil outonos de Jacob de Zoet, de David Mitchell
Cloud Atlas, de David Mitchell
NW, de Zadie Smith
Middlesex, de Jeffrey Eugenides
Finn's Hotel, de James Joyce
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
Telegraph Avenue, de Michael Chabon
Esta valsa é minha, de Zelda Fitzgerald
Há garotos zigue-zague, de David Grossman
Um outro amor, de Karl Ove Knausgård
Tenth of December, de George Saunders
City on Fire, de Garth Risk Hallberg
Dias perfeitos, de Raphael Montes
Novos romances de Simone Campos e Chico Buarque (ainda sem título)
Lionel Asbo, de Martin Amis
Prosa, de Elizabeth Bishop
Milagre em Joaseiro, de Ralph Della Cava
Bom dia, camaradas, de Ondjaki
Entre amigos, de Amós Oz
Semíramis, de Ana Miranda
O caminho de ida, de Ricardo Piglia
O Brasil é bom, de André Sant’Anna
A tristeza do samurai, de Víctor del Árbol
A casa cai, de Marcelo Backes

-> GLOBO LIVROS (selo Biblioteca Azul)
Selected stories, de Alice Munro
Fugitiva, de Alice Munro
The View of Castle Rock, de Alice Munro
The Luminaries, de Eleanor Catton
The Lowland, de Jhumpa Lahiri
Tetralogio Rabbit, de John Updike (reedição)
Harvest, de Jim Crace (também haverá reedição de Being Dead e Quarentine)
We Need New Names, de NoViolet Bulawayo
Someone, de Alice McDermott
A redoma de vidro, de Sylvia Plath

-> INTRÍNSECA
A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joel Dicker

-> COSAC NAIFY
Mary Poppins, de P. L. Travers
O doente, de André Vianna 
Uns contos, de Ettore Bottini
Você vai voltar para mim e outros contos, de Bernardo Kucinski
K., de Bernardo Kucinski (reedição)
Formas de voltar para casa, de Alejandro Zambra
A desumanização, de Valter Hugo Mãe
Um, dois e já, de Inés Bortagaray
O fundo do céu, de Rodrigo Fresán
Primavera da pontuação, de Vitor Ramil

-> RECORD
L'Extraordinaire Voyage du Fakir qui Etait Resté Coincé dans une Armoire Ikea, de Romain Puértolas (em português deve chamar A extraordinária viagem do faquir que ficou preso dentro de um armário Ikea)
O professor, de Cristovão Tezza

-> ROCCO
O regresso, de Lúcia Bettencourt
Fogo-fátuo (título provisório), de Patrícia Melo
Os hungareses, de Suzana Montoro (reedição)
As mil mortes de César, de Max Mallmann
Chamado selvagem, de Jack London
F para Wells, de Antônio Xerxenesky

-> BERTRAND BRASIL
The Good Lord Bird, de James McBride
Reedição em novo projeto gráfico das obras de Ernest Hemingway: Adeus às armas, Por quem os sinos dobram, O sol também se levanta e Jardim do Éden.

-> ALFAGUARA
Emilio Fraia (seu primeiro romance solo ainda sem título)
Luzes de emergência se acenderão automaticamente, de Luisa Geisler (título provisório)
À noite andamos em círculos, de Daniel Alarcón
O senhor das moscas, de William Golding
A casa redonda, de Louise Erdrich
O descolorido Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami
O bom soldado Svejk, de Jaroslav Hasek
Quarenta dias, de Maria Valéria

O país dos cegos e outras histórias, de H.G. Wells

-> EDITORA 34
Carmen, de Prosper Mérimée
A educação sentimental, de Gustave Flaubert

-> AMARYLIS
O bebê de Rosemary, de Ira Levin
Contos escolhidos, de Ivan Bunin

-> ILUMINURAS
Contos de amor de loucura e de morte, de Horacio Quiroga
Os desterrados, de Horacio Quiroga

-> LEYA
O tímido e as mulheres, de Pepetela

-> L&PM
Before I Burn, de Gaute Heivoll
Livros póstumos de Jack Kerouac: O mar é meu irmão, Pic e Some of the Dharma

-> RESERVA LITERÁRIA (coleção da Edusp e da Com-Arte)
Iluminados, de Ranulfo Prata
O feiticeiro, de Xavier Marques

-> BATEIA
Apenas o vento, de Vinicius Jatobá

-> ARTE & LETRA
O beijo de Schiller, de Cezar Tridapalli

-> PATUÁ
Nossa Teresa, de Micheliny Verunschk

-> HEDRA
A casa do fim mundo, de William Hope Hodgson
Caixa com a obra de Antonio Vieira
Diários de Adão e Eva e outras sátiras bíblicas, de Mark Twain
A raposa sombria ― uma lenda islandesa, de Sjón

-> NÃO EDITORA
Loja de conveniências, de Guilherme Smee

-> DUBLINENSE
Tarantata, de Cintia Lacroix

GRINGOS



Little Failure, de Gary Shteyngart
Orfeo, de Richard Powers
Leaving the Sea, de Ben Marcus
A Place in the Country, de W.G. Sebald (ensaios/ficção)
Bark, de Lorrie Moore
Kinder Than Solitude, de Yiyun Li
Every Day Is a Thief, de Teju Cole
The Brunists’ Day of Wrath, de Robert Coover
All Our Names, de Dinaw Mengestu
Falling Out of Time, de David Grossman
Sleep Donation, de Karen Russell
Can’t and Won’t, de Lydia Davis
Frog Music, de Emma Donoghue
The Snow Queen, de Michael Cunningham
Another Great Day at Sea: Life Aboard the USS George H.W. Bush, de Geoff Dyer
The Vacationers, de Emma Straub
To Rise Again at a Decent Hour, de Joshua Ferris
The Rise and Fall of Great Powers, de Tom Rachman
Last Stories and Other Stories, de William T. Vollmann
Colorless Tsukuru Tazaki and His Years of Pilgrimage, de Haruki Murakami
With My Dog Eyes, de Hilda Hilst (tradução de Com os meus olhos de cão)

*Imagem: reprodução.


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quarta-feira, 29 de maio de 2013

WILLIAM FAULKNER PARA AS PISTAS DE DANÇA


Ao contrário do que muita gente pode imaginar a literatura nunca foi restrita ao mundo da academia e seus iniciados. Quantos filmes, programas de TV, jogos de tabuleiro, videogames e bandas de rock and roll já não foram influenciados pelas histórias impressas nas páginas de um livro? Não deixo de fora os experimentos linguísticos que também tem seu espaço reservado na cultura pop, vide o caso de Thomas Pynchon, Jack Kerouac, José Agrippino de Paula, J.G. Ballard, Raymond Queneau, Anthony Burgess etc. Portanto, não causa nenhum espanto a notícia dos romances chegando ao universo da dance music. Além de dançar ou fazer dançar, os djs também estudam literatura (e falam nisso o tempo todo).

Estou tomando como exemplo dessa tendência o músico e produtor Nicolas Jaar que esteve em São Paulo na semana passada como convidado da festa de 13 anos do clube D_Edge. Suas composições quase minimalistas passeiam livremente entre a house music, o tecno, o hip hop, o jazz e as canções pop e resultam numa mistura muito original de gêneros musicais. Dizem que Cat Power, cantora indie, e Scout LaRue, filha dos casal Bruce Willis e Demi Morre, ficaram encantadas pela música do rapaz. Ele tem fama de arrastar uma multidão de fãs do sexo feminino por onde passa.

Fora das pistas, Nicolas estuda Literatura Comparada na Universidade de Brown e sua tese de conclusão de curso será um tanto 'pretensiosa': vai tecer relações entre o romance Absalão, Absalão!, de William Faulkner, textos de Sigmund Freud, Jacques Derrida e Hayden White. Numa das tantas entrevistas, ele disse que o romance de Faulkner lembrava as composições musicais de Ricardo Villalobos (produtor e dj de tecno) pela maneira como a forma interfere no conteúdo - existem repetições, recorrência de temas, mudanças bruscas de tempo e sua experiência de expansão ao infinito, alternância de foco narrativo etc. Ou seja, a forma se dobra sobre o conteúdo e importa mais a maneira como se conta do que aquilo que se conta propriamente (estou simplificando as coisas porque o romance de Faulkner é incapaz de ser reduzido a meros detalhes, pois nele cabem muitos observações e interpretações; é importante dizer que para além da forma, o livro também conta uma história que tem recorrência com histórias que estão na bíblia).

Para dar conta de escrever a tese, Nicolas carrega livros na mala e só faz viagens internacionais quando está com tempo livre na Universidade. Ele considera que seu trabalho com música ficará cada vez melhor se continuar estudando. Tomara que ele não largue a literatura nunca mais!

***

Aos interessados em Absalão, Absalão! vale um aviso. O romance está fora de catálogo e disponível apenas em sebos. A última edição saiu pela Nova Fronteira, em 1981 com tradução de Sônia Régis. Virou um artigo raro e pode custar mais de R$ 200,00 dependendo do lugar em que você vai comprar.

Em 2010, a Cosac Naify anunciou que estava trabalhando numa nova edição com tradução de Celso Mauro Paciornik. Ainda não saiu e não pintou nas especulações sobre lançamentos de 2013. Vamos acompanhar.

Um trechinho dessa tradução saiu na revista Cult.

***

Enquanto isso, a editora Benvirá está relançando os romances não tão conhecidos do autor. Algo comparado ao Lado B, de Faulkner - estou dizendo sem o menor juízo de valor. Já saíram O intruso (com tradução de Leonardo Fróes), Lance mortal, Os invictos e a Triologia Snopes - A mansão, O povoado e A cidade (todos com tradução de Wladir Dupont).

*Imagem: Samantha Casolari para Port-Magazine/www.port-magazine.com
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

APOSTAS PARA 2013 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS


O ano pode ser novo, mas a tradição é antiga. A melhor maneira de começar o ano é falando da previsão de lançamentos das editoras nacionais e estrangeiras (por que não?). Afinal, ano bom é ano com muita novidade. Aposto que você acabou de voltar da praia e procurou o termo "lançamentos 2013" no Google.

Ano novo dificuldade velha. Todo mundo sabe que nossas editoras não costumam divulgar o cronograma de lançamentos do ano com muita antecedência. Por isso, estou listando abaixo um apanhado de livros que consegui apurar aqui e acolá. Tem o nome da editora e do autor - em alguns casos consta o título em português ou o título original já que a tradução deve estar em andamento. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Vale lembrar que são lançamentos previstos e as editoras podem alterar os cronogramas - assim como pode pintar uma nova onda, tipo "pornô para mulheres", e lançamentos interessante jorrem aos montes. Tudo pode acontecer.

Se alguém descobrir ou souber de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.




-> COMPANHIA DAS LETRAS
As agruras do verdadeiro tira, de Roberto Bolaño
Meu coração de pedra pomes, de Juliana Frank
A tristeza extraordinária do leopardo-das-neves, de Joca Reiners Terron
A Hologram For The King, de Dave Eggers
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
Campo em Branco, de Emilio Fraia e DW Ribatski
Digam a Satã que o recado foi entendido, Daniel Pellizzari (romance da coleção Amores Expressos)
Alta fidelidade, de Nick Hornby
Febre de bola, de Nick Hornby
Os mil outonos de Jacob de Zoet, de David Mitchell
NW, de Zadie Smith
Middlesex, de Jeffrey Eugenides
Infinite Jest, de David Foster Wallace
Finn's Hotel, de James Joyce
O homem é um grande faisão no mundo, de Herta Müller
O professor do desejo, de Philip Roth
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
O escolhido foi você, de Miranda July
A cidade, o inquisidor e os ordinários, de Carlos de Brito e Mello
Amilcar Bettega Barbosa (romance da coleção Amores Expressos)
Desde que te amo sempre, de Cecília Gianetti (romance da coleção Amores Expressos)
Telegraph Avenue, de Michael Chabon**

Novos romances de Bernardo Carvalho, Tony Bellotto, Andrea del Fuego, J. P. Cuenca, Luiz Ruffato, Marcelo Backes, Michel Laub, Paulo Scott, Rodrigo Lacerda e Simone Campos.

Chico Buarque também promete um novo romance - pode ser que saia nesse ano.


O segredo do lago, de Arnaldur Indridason**
A morte do inimigo, de Hans Keilson**
Memorial do amor & Vacina de sapo, de Zélia Gattai**
A paz dura pouco, de Chinua Achebe**
As virgens suicidas, de Jeffrey Eugenides**
O jantar errado, de Ismail Kadare**
Corpos estranhos, de Cynthia Ozick**
Um encontro, de Milan Kundera**
O jardim secreto, de Frances Hodgson Burnett**
Beira-mar, de Pedro Nava**
Nocilla dream, de Agustín Mallo**
Do que a gente fala quando fala de Anne Frank, de Nathan Englander**
Junky, de William S. Burroughs**
Território da emoção, de Moacyr Scliar**
O amor acaba, de Paulo Mendes Campos**
O mais estranho dos países, de Paulo Mendes Campos**
Nova antologia pessoal, de Jorge Luis Borges**
Os anjos bons da nossa natureza, de Steven Pinker**
Livro geral, de Alexandre Barbosa de Souza**
Morte em Pemberley, de P. D. James**

Novas edições pela Penguin-Companhia ou Companhia de Bolso:
Contos de amor, de James Joyce**
O ateneu, de Raul Pompéia**
Sábado, de Ian McEwan**
Senhora, de José de Alencar**
Ilíada, de Homero**
O complexo de Portnoy, de Philip Roth**


-> INTRÍNSECA
Clarões e sombras, de Letícia Wierzchowski
The art of fielding, de Chad Harbach

-> ROCCO
Swimming Home, de Deborah Levy
Back to blood, de Tom Wolfe
Terra de casas vazias, de André de Leones

-> CULTURA E BARBÁRIE
Delírio de Damasco, de Verônica Stigger

-> AUTÊNTICA
Tinta, de Fernando Trías de Bes

-> RECORD
Só o pó, de Marcelino Freire
Bring up the bodies, de Hilary Mantel
This is how I lose her, de Junot Diaz
Altair Martins (novo romance)**

-> COSAC NAIFY
Pessoas que passam pelos sonhos, de Cadão Volpato
Mudança, de Mo Yan
O apocalipse dos trabalhadores, de Valter Hugo Mãe
O lugar sem limites, de José Donoso
A vida secreta das árvores, de Alejandro Zambra
A vida descalço, de Alan Pauls**

-> ESTAÇÃO LIBERDADE
No país do cervo branco, de Chen Zhongshi

-> ALFAGUARA
1Q84 (partes 2 e 3), de Haruki Murakami
Emilio Fraia (seu primeiro romance solo)

-> OBJETIVA
Novembro de 63, de Stephen King

-> NOSSA CULTURA
Gods Without Men, de Hari Kunzru

GRINGOS



The Childhood of Jesus, de J.M. Coetzee
Tenth of December, de George Saunders
Umbrella, de Will Self
My Brother’s Book, de Maurice Sendak
How Literature Saved My Life, de David Shields
The Fun Parts, de Sam Lipsyte
All That Is, de James Salter
Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie
Transatlantic, de Colum McCann
The Hare, de César Aira
Taipei, de Tao Lin
Enon, de Paul Harding
Dissident Gardens, de Jonathan Lethem
Bleeding Edge, de Thomas Pynchon (não tem data certa, mas pode ser para esse ano)
Your Name Here, de Helen DeWitt
Escape from the Children’s Hospital, de Jonathan Safran Foer

**ATUALIZAÇÕES

*Imagens: reprodução
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PRESENTES DE NATAL - 2012


Não posso fugir a tradição de todos os anos. Por isso, organizei uma seleção de presentes para o natal. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2012. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Pode ter certeza que com essas dicas você não vai fazer feio.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.




1Q84, de Haruki Murakami, traduzido por Lica Hashimoto (Alfaguara Brasil; R$ 49,90). A saga surrealista de Aomame e Tengo num mundo repleto de referências a cultura pop. 

Mar azul, de Paloma Vidal (Editora Rocco; R$29,50). A fratura entre a leitura e a escrita e a impossibilidade de contar uma história que alguém nos conta.

A comédia humana - v. 1, de Honoré de Balzac, traduzido por Vidal de Oliveira (Biblioteca azul; R$ 74,90). Toda a obra de Balzac reunida em 17 volumes distribuída entre romances, novelas e contos. Um verdadeiro painel da vida moderna. 

Oblómov, de Ivan Goncharov, traduzido por Rubens Figueiredo (Cosac Naify; R$ 119,90). Não existe um mal contemporâneo maior do que a preguiça. 

Dom Quixote - 2 volumes, de Miguel de Cervantes, traduzido por Ernani Ssó (Penguin Companhia; R$ 79,00). Um clássico que nasceu a partir de uma paródia das famosas novelas de cavalaria.

A confissão da leoa, de Mia Couto (Companhia das Letras; R$ 39,50). Uma história de amor em meio a riqueza dos mitos e lendas de um lugar que está nos confins da África

Composition n.º 1, de Marc Saporta (Visual Editions; $29,20 - importado R$ 115,70). Um livro dos anos 60 em que vale aquela máxima "a ordem das páginas não altera o produto".

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera (Companhia das Letras; R$ 39,50). Um segredo do passado põe em marcha o destino de um homem rumo a natureza selvagem.

Foras da lei..., vários autores, traduzido por Heloisa Jahn (Cosac Naify; R$ 49,90). O estranhamento das coisas do mundo visto e ilustrado pelo olhar de renomados escritores.

Pagando por sexo, de Chester Brown, traduzido por Marcelo Brandão Cipolla (WMF Martins Fontes; R$ 47,00). Se não pagar é amor. Se pagar é sexo. Por algumas páginas, deixem de lado suas fantasias e tomem um banho de realidade.

Building stories, de Chris Ware (Jonathan Cape; $30 - importado R$ 144,70). Histórias da vida inteira reinventadas num livro em diversos formatos.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

VIDA LONGA AO CACHALOTE


"Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer."
Ítalo Calvino

Moby Dick está fazendo aniversário. Até o Google entrou na onda de comemorações com aquela tradicional brincadeira com seu logotipo. Desde setembro, no melhor estilo folhetim, o projeto mobydickbigread.com está criando uma espécie de audiobook na internet com pessoas lendo capítulos do livro que ficam disponíveis no SoundCloud, no iTunes e no Facebook. Contribuíram com a leitura Tilda Swinton, Matthew Barney e David Cameron, entre outros.

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Bendito seja o dia em que uma baleia atacou um barco pesqueiro no meio do oceano Pacífico, em novembro de 1820. Quer dizer, o incidente verídico propriamente dito foi horrível - segundo dizem, o barco afundou e a tripulação ficou à deriva por três meses, tendo de praticar até canibalismo para sobreviver -, mas nos deixou de herança um clássico da literatura universal: Moby Dick, ou a baleia.

A tarefa foi possível graças ao talento do jovem Herman Melville (com 32 anos na época da publicação do romance). Sua experiência de vida contava com uma longa viagem pelo Pacífico, cinco livros publicados, um casamento e a amizade de Nathaniel Hawthorne (renomado autor de A letra escarlate). Tanta maturidade permitiu a Melville enxergar a força simbólica daquele ataque revolto da natureza contra a ação humana e fazê-lo explodir em diversos temas complexos: a hierarquia das classes sociais, a polaridade entre o bem e o mal, as dúvidas sobre a existência de Deus, a obsessão humana etc. 

O romance foi publicado pela primeira vez em três volumes, na Inglaterra em 18 de outubro de 1851. Curiosamente, Moby Dick não fez muito sucesso naquele ano, quase foi esquecido e ficou relegado a um pequeno circulo de leitores em Nova York. Os verdadeiros responsáveis pela revisão do livro foram os críticos e escritores modernistas do começo do século 20 - especialmente Carl Van Doren, D. H. Lawrence e F. O. Matthiessen.

***

Desde então, Moby Dick faz parte do imaginário popular e ganhou inúmeras adaptações para teatro, cinema, programas de rádio e TV, além de versões para quadrinhos. A aventura mais recente é Moby-Dick in Pictures: One Drawing for Every Page, de Matt Kish. O cara criou um blog onde publicava um desenho para cada página do romance. A repercussão foi tão grande que acabou virando livro.

Aliás, ele publicou no blog uma compilação com diversos trabalhos artísticos inspirados em Melville e sua obra prima.

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No Brasil, a edição definitiva do romance Moby Dick que foi lançada pela Cosac Naify. Tem tradução primorosa de Alexandre Barbosa de Souza e Irene Hirsch, uma série de notas explicativas, glossário náutico e fortuna crítica.

*Imagem: Moby Dick as Jaws by unknown/reprodução do Spudd64.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PRÊMIO SP DE LITERATURA - 2012

Capa dos livros premiados
Em setembro, enquanto eu estava fora, a organização do Prêmio SP de Literatura divulgou os vencedores nas categorias autor e autor estreante: o primeiro foi para o livro Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós e o segundo foi para Os hungareses, de Suzana Montoro. Por incrível que parece, o júri premiou autores e livros com "jeitões" muito parecidos.

Bartolomeu Campos de Queirós publicou mais de quarenta livros e dedicou-se quase exclusivamente à literatura infanto-juvenil. Apesar da obra extensa, Vermelho amargo foi seu primeiro romance voltado ao público adulto (infelizmente, ele faleceu em 16 de janeiro desse ano). Guardadas as devidas proporções, algo semelhante aconteceu com Suzana Montoro já que ela publicou dois livros infanto-juvenis, antes de lançar o romance Os hungareses. Se não me engano, Suzana também tem um livro de contos chamado Exilados que saiu pela WS Editor, em 2003, e está fora de catálogo.

Os enredos também se parecem porque abordam a trajetória de duas famílias e as dificuldades que cada uma delas enfrenta a sua maneira. No romance de Bartolomeu, o narrador fica concentrado nas mazelas surgidas no núcleo familiar após a insuperável perda da mãe. Já o romance de Suzana Montoro conta a saga de uma família húngara para sobreviver à guerra e recomeçar a vida num país completamente diferente (detalhe: ela não é e não tem descendência hungara, mas entrevistou muitos imigrantes daquele país e visitou as cidades em que eles viveram).

Dá para ler os dois livros rapidinho: Vermelho amargo tem 72 páginas e Os hungareses tem 192 páginas. Você vai levar no máximo dois dias para ler cada um deles no trajeto de ida e volta do trabalho usando metrô, por exemplo.

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Em tempo, desculpem a longa ausência. Resolvi esticar as férias por mais duas semanas e  esqueci de deixar um recado. Seja como for, quero avisar que estou recuperando a forma antiga.

*Imagem: divulgação.
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