Mostrando postagens com marcador el pais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador el pais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

UMA CRÍTICA EQUILIBRADA (2)

Na semana passada o caderno Babelia convidou alguns renomados críticos de diversos países para pensar sobre a possibilidade de construir uma crítica literária equilibrada em tempos de internet. Por mais complexa que seja a questão, o caderno acabou propondo uma saída com dez itens que devem ajudar a crítica literária a sobreviver tanto na mídia impressa, quanto digital.

Tom semelhante deve pautar o II Seminário Internacional de Crítica Literária que acontece essa semana no Itaú Cultural. Os convidados são de altíssimo nível e os temas das mesas prometem boas discussões. Tomara que saíam dali boas ideias e propostas.

Esquentando e antecipando um pouco o debate, a coluna Painel das Letras, da Ilustrada, conversou com umas das convidadas do seminário, Marjorie Perloff - crítica literária, ensaísta e professora. Em breves linhas ela recomendou: "use menos jargão, evite disputas acadêmicas que não interessam ao leitor, invista em revisões de texto, para escapar do "vale tudo" da blogosfera". Pode parecer uma conclusão óbvia, mas não é.

A coluna ainda conversou rapidamente com outros dois convidados. Vale a pena dar uma olhada rápida - disponível aqui.

*Imagem: reprodução.
Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

UMA CRÍTICA EQUILIBRADA

Defender a crítica acadêmica é algo fora de moda. O negócio é malhá-la até onde a gente consegue. Indo na contra-mão desse corolário contemporâneo, o caderno Babelia, do jornal espanhol El País, trouxe uma reportagem especial interessantíssima chamada "Radiografía de la crítica literaria". Vinte críticos literários (misturando gente da Europa e dos Estados Unidos) foram convidados a fazer uma avaliação da crítica na era da internet e apontar sugestões para que tanto a crítica, quanto a obra e seus autores continuem tendo importância.

A discussão é extensa, complexa e está bem longe do seu fim, de modo que não consigo resumí-la aqui em alguns parágrafos. Os convidados traram de temas centrais como a função da crítica, seu estado atual, sua perda de influência e poder, suas virtudes, defeitos e desafios. Recomendo aos que se interessam pelo assunto que acessem a reportagem para tomar contato com essas ideias - disponível em

A tentativa do jornal tem o seu mérito por ser equilibrada, deixando de lado as visões apocalípticas ou integradas sobre a internet e o futuro da crítica. Sobretudo quando ao fim, a reportagem propõe dez regras para uma crítica literária equilibrada:
1. Situar o autor, dizer quem é ele e o que o livro representa na sobre sua obra.
2. Localizar o livro e julgá-lo pela perspectiva de uma longa tradição literária.
3. Fundamentar com argumentos e exemplos para que o leitor compreenda e avalie.
4. Informar, educar e entreter.
5. Pouca sinopse e enredo.
6. Informar sobre o estilo, o significado e simbolismo do livro.
7. Dizer o que pensa o autor sobre o tema do livro.
8. Dizer o que o crítico pensa sobre o que o autor do livro disse sobre o assunto do livro.
9. Nem bater nem babar, uma opinião ponderada e uma fundamentação comprovada são mais convincentes que uma explosão.
10. Proibir adjetivos publicitários, quem deve concluí-los é o leitor.
Estamos tão imersos na confusão desse momento que fica difícil fazer uma avaliação autocrítica. Eliminar a lógica desse sistema exige muito esforço e renúncia por parte de muita gente, mas quem está realmente disposto a pagar o preço?

***

Também sobrou para a internet na coluna de Daniel Piza para o Caderno 2. Pode parecer ranzinza, mas ele tem um pouco de razão:
Quando houve o surgimento da moda dos blogs, muitos articulistas, principalmente os mais jovens, saudaram a chegada de uma linguagem e tecnologia que iria combater a mídia "mainstream", com estilo mais autoral, atitude mais independente, interação mais democrática. Rodo por alguns blogs, sobretudo de moda, e vejo exatamente o contrário: escrita primária, comprometimento publicitário, busca da audiência pela audiência. Já os twitters, já chamados imprecisamente de microblogs, parecem confirmar cada vez mais a impressão de José Saramago: são grunhidos virtuais. Alguns de música postam um vídeo e só acrescentam a expressão "uau" ou "uhu" ou "ooôôoo". Isso que é argumento.
*Imagem: reprodução do caderno Babelia.
Share/Save/Bookmark

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O REI ESTÁ PÁLIDO


Os espanhóis são mesmo muito rápidos no gatilho. Eles já estão lançando uma tradução para The pale king, romance póstumo de David Foster Wallace, quando nem bem o livro foi digerido pelos falantes de língua inglesa (já existem edições nos Estados Unidos e Reino Unido). Não sou conhecedor do mercado editorial espanhol, mas só ouço falar bem - dizem que é um dos mais prósperos da Europa. Por isso não espanta a notícia de que eles vão ler Foster Wallace junto com os povos do outro lado do Canal da Mancha, do oceano Atlântico e terras que falam inglês.

El rey pálido chega quinta-feira às livrarias espanholas pela Mondadori com tradução de Javier Calvo. A capa tem o mesmo projeto da edição norte-americana. Para comemorar o lançamento, o blog Papeles Perdidos (do jornal El País) publicou com exclusividade o primeiro capítulo da tradução. O trecho está disponível nesse link.

A editora explica um pouco da história do livro:
Os funcionários do Centro Regional de Investigação da Receita Federal em Peoria, Illinois, parecem bastante normais para o trainee recém-chegado David Foster Wallace. Mas a medida que ele mergulha em uma rotina tão enfadonha e repetitiva que os novos funcionários tem de receber treinamento de sobrevivência ao tédio, ele descobre a extraordinária variedade de personalidades atraídas para este chamado estranho. E ele chega num momento em que forças dentro da Receita Federal estão conspirando para eliminar até mesmo o pouco de humanidade e dignidade que o trabalho ainda tem. No seu estilo característico, cheio de citações, notas de rodapé e interrupções do autor na história, David Foster Wallace reflete sobre o tédio e felicidade.
***

Por aqui, a gente conta apenas com a tradução feita por José Rubens Siqueira para coletânea de contos Breves entrevistas com homens hediondos. No entanto, no meio do ano a Companhia das Letras anunciou que vai lançar não só The pale king, como também uma coletânea de não ficção e Infinite jest - o monolito de Foster Wallace. Por enquanto, os três ainda não têm data prevista de lançamento. Seja como for todo mundo está comemorando e cruzando os dedos em busca de notícias. Afinal Foster Wallace tem uma verdadeira legião de fãs, assim como Thomas Pynchon, J.G. Ballard e outros tantos mais.

Detalhe: David Foster Wallace não tem nenhuma tradução em Portugal.

*Imagem: reprodução da capa da edição espanhola.

Share/Save/Bookmark

domingo, 18 de setembro de 2011

ANDRÉS BARBA E OUTROS ESCRITORES NA SOMBRA


O caderno Babelia, do jornal El País, traz em sua capa uma lista de escritores espanhóis admirados por seu pares, com boa trajetória desde a primeira publicação, reconhecimento de crítica, prêmios na bagagem e relativo sucesso internacional, mas que ainda não se tornaram um sucesso entre os leitores espanhóis.

A história parece mais comum do que a gente imagina. Sobretudo se pensarmos em tempos de super produção de livros, crescimento vertiginoso de editoras (e selos) e do aparecimento de escritores de boa qualidade. Tudo se complica! A reportagem tenta encontrar razões para explicar o fenômeno, só que no fim prevalece o imponderável.

No blog Painel das Letras, Josélia Aguiar fez um levantamento e descobriu que dos autores citados na reportagem apenas Andrés Trapiello tem livros publicados no Brasil. Buscando mais informações por aqui, descobri que o livro Bingo!, de Esther Tusquets saiu em Portugal e por aqui pelo selo Minotauro - do grupo Almedina. Aliás, esse selo tem uma coleção inteiramente dedicada a escritores espanhóis.

Andrés Barba ganhou tradução para o português por causa de um conto publicado na antologia da Granta com os melhores jovens escritores em espanhol - lançada aqui pelo selo Alfaguara. Barba já esteve no Brasil participando de um encontro de escritores brasileiros e espanhóis no Instituto Cervantes - junto com ele estavam Luis Magrinyá, Marcos Giralt e Marta Sanz, todos apareceram na lista do Bebelia. Tem até entrevista de Barba para um programa de TV em Minas Gerais (junto com Marta Sanz).

Sobre Andrés Barba, descobri uma curiosidade: entre os escritores que o influenciaram está Clarice Lispector. Uma crônica escrita por ela serviu como inspiração para que ele escrevesse o livro As mãos pequenas - também publicado pelo selo Minotauro, dentro da coleção de escritores espanhóis (portanto, pode ser que em breve esse livro apareça em nossas livrarias).

Quem ficou curioso, pode ler o conto publicado pela Granta (em inglês - The coming flood) aqui.

*Imagem: selo Minotauro.

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 18 de julho de 2011

LITERATURA E DESENHO

Li outro dia no caderno Babelia (do jornal El País) uma notícia a respeito da paixão de Franz Kafka por desenhos. Parece que tudo começou quando Kafka ainda era um estudante universitário. Ele tinha o habito de fazer desenhos nas margens dos cadernos e manuscritos. É um pouco difícil, para não dizer impossível, não observar certas similaridades entre os desenhos e a obra literária dele: o traço duro, certa "estranheza" das formas, desespero, angústia etc. (estou tomando algumas liberdades de interpretação). Essa face não tão conhecida do escritor mais importante do século passado ganhou as páginas de um livro que está saindo na Espanha pela editora Sexto Piso - Dibujos.

Kafka não está sozinho. A reportagem do Babelia relembra que escritores como Goethe, Victor Hugo, William Blake, Lewis Carroll, García Lorca, Dino Buzzati e Bruno Schulz também faziam desenhos.

Na semana passada, descobri que mais uma escritora vai se juntar a essa galeria. A editora americana Fantagraphics Books vai publicar em dezembro alguns cartuns criados pela escritora Flannery O'Connor. A maioria foi feita na época em que ela estava no colegial e os assuntos giram em torno desse universo.

Mais desenhos dela estão aqui.

*imagens: reprodução.
Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 29 de abril de 2011

NOTAS #24



Futuro lançamento
Quarto, de Emma Donoghue chegará em breve as livrarias brasileiras. O livro será lançado pela editora Verus com tradução de Vera Ribeiro. No ano passado o romance esteve em quase todas as listas de melhores de 2010 e chegou a ser finalista do Man Booker Prize. O romance conta uma história estranha e bastante original: um menino de 5 anos vive num quarto com sua mãe desde que nasceu. Donoghue já confessou em entrevistas algumas de suas influências: Michael Cunningham, Dave Eggers, David Foster Wallace, Alice Munro, Philip Pullman e Jane Austen. Acima a capa da edição brasileira.

ABC da literatura
O caderno Babelia do jornal espanhol El país publicou um abecedário dos últimos 70 anos de literatura na Espanha. O texto faz uma espécie de brincadeira com a publicação do sétimo volume do projeto História da literatura espanhola, organizado por Jordi Gracia e Domingo Ródenas. O volume tem como subtítulo "Perda e recuperação da modernidade: 1939-2010". No abecedário verbetes como boom, censura, exílio, gerações, Juan Ramón Jiménez e vanguarda ajudam o leitor a compreender um pouco da história recente da literatura daquele país. O texto está disponível em http://tinyurl.com/6f6cahq

Segredos revelados
O jornal inglês Guardian colocou alguns escritores bastante conhecidos na parede e perguntou: o que faz um escritor? De onde vem as ideias? Você tem uma rotina? Como você começa a escrever um romance? Lápis ou computador? Dor ou prazer? Assim escritores como Ian McEwan, Hilary Mantel, Howard Jacobson, PD James, entre outros, revelaram o segredo de seu ofício. O artigo completo está disponível em http://tinyurl.com/5uy86uc

Lusofonia

De maio a dezembro, o Centro Nacional de Cultura em Portugal retoma o ciclo de palestras Balanço literário da década no mundo lusófono. As mesas tratam de temas como o romance brasileiro, a literatura na África lusófona, o acordo ortográfico, o mundo editorial e questões de tradução. O evento é organizado em parceria com a PNETLiteratura. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/3ghan32

Bolañomania
O podcast de ficção da revista New Yorker de março teve uma história de Roberto Bolaño. O escritor peruano, Daniel Alarcón leu o conto Gómez Palacio - publicado pela revista New Yorker em agosto de 2005, mas consta originalmente no livro Putas assassinas. Antes e depois de ler a história, Alarcón fala sobre seu contato com o obra de Bolaño e comenta as impressões que o conto lhe causa. A leitura de Alarcón está disponível em http://tinyurl.com/3d295ll e o conto em inglês está disponível em http://tinyurl.com/28drxx



Jovem escritora
A editora Nova Fronteira lançou o primeiro livro de contos da escritora Yiyun Li, Tempo de boas preces. São dez histórias que revelam o assustador destino de milhões de chineses. O livro vem de uma boa trajetória, recebeu o PEN/Hemingway Award (ganhou também outras prêmios) e teve duas histórias adaptadas para o cinema. Não foi à toa que Yiyun Li entrou para a lista dos 20 escritores com menos de 40 anos da revista New Yorker.

***

Da mesma autora, a Nova Fronteira publicou o romance Os excluídos, que ganhou uma capa diferente em sua segunda edição (foto acima). Para saber mais sobre Yiyun Li recomendo reportagem e entrevista concedia à Raquel Cozer - disponível em http://tinyurl.com/3lbypgt

*imagem: reprodução.
Share/Save/Bookmark