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quarta-feira, 30 de abril de 2014

NOTAS #46


Celebrando o conto
Idealizado pelo escritor e editor Carlos Henrique Schroeder, o Festival Nacional do Conto está chegando a sua quarta edição. Aquele pensamento de que o gênero não merece respeito caiu de vez por terra quando a academia sueca premiou a escritora Alice Munro com o Nobel de Literatura - pois é, um conto exige que o autor seja um exímio pugilista a fim de derrubar o leitor por nocaute (como ensinou Julio Cortázar). Direta ou indiretamente, esse reconhecimento estará presente nas mesas do evento que nesse ano rende homenagens ao escritor Sérgio Sant’Anna. Também fazem parte da programação Altair Martins, Daniel Pellizari, André Sant’Anna, Fernando Bonassi, Márcia Denser, Noemi Jaffe, Cíntia Moscovitch, Luísa Geisler e outros mais. O festival acontece de 19 a 25 de maio, no Teatro do SESC Prainha, em Florianópolis. Detalhe: é o único evento da América Latina inteiramente dedicado ao gênero




Parabéns, Steinbeck!
Para comemorar os 75 anos do romance As vinhas da Ira, de John Steinbeck o selo Viking Books da editora Penguin (Estados Unidos) vai lançar duas edições especiais em capa dura para colecionadores. A primeira custa em média $30 dólares e tem a ilustração original criada por Elmer Hader, em 1939; a segunda custa $250 dólares, tem tiragem limitada, capa em couro e projeto gráfico com desenhos assinado por Michael Schwab. Paralelo ao lançamento comemorativo, a editora está programando uma série de eventos para celebrar a obra de Steinbeck.




Parabéns, James Joyce!
Outra obra-prima que está completando 75 anos é o "romance" (não sei ao certo como chamar?) Finnegans Wake, de James Joyce. Foi pensando nisso que a editora Folio Society preparou edição especial do livro com ilustrações de John Vernon Lord. No total são doze peças alucinantes que consumiram dezessete anos do artista que estava tentando traduzir em imagens o enredo do livro. A guisa de comemoração, um sujeito chamado Elling Lien que mora no Canadá pegou os primeiros parágrafos dos dez primeiros capítulos de Finnegans Wake, imprimiu, tirou as vogais e prensou o material em cartões que podem ser lidos por aqueles equipamentos usados em caixinhas de música. O trabalho resultou em suaves canções de ninar para embalar o nosso sono. Bela homenagem!

Sangue Latino
Demomou um pouco, mas a revista McSweeney's publicou por completo uma série de entrevistas com os treze escritores latino-americanos que participaram da sua última edição com histórias policiais. Cada um respondeu a cinco perguntas falando sobre o processo de criação da história, o lugar onde ela está ambientada, livros ou filmes de seus países que exploram bem o gênero e outras coisas mais. Os brasileiros que estão na edição e responderam as perguntas são Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho, Carol Bensimon e o mezzo-mexicano-mezzo-brasileiro Juan Pablo Villalobos.

Atualização: Daniel Galera foi o editor convidado para selecionar as treze histórias que estão nessa edição da revista McSweeney's. A Companhia das Letras deve traduzir e publicar essas histórias no Brasil.



Broches Literários
Não sei se você sabe, mas o seu clássico preferido da literatura universal virou broche e você pode carregá-lo para onde quiser. Uma artista inglesa chamada Sarah Pounder criou para a loja House of Ismay uma coleção de broches baseada nas histórias de Herman Melville, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, entre outros. As peças são feitas em madeira e recebem revestimento de páginas dos livros originais. O resultado é muito bacana!


Jogatina
Amantes do baralho e da literatura já tem um produto para alimentar o seu vício. O designer Pedro Baptista criou uma linha de baralho ilustrada com versos do poeta Fernando Pessoa e seus heterônimos. O charme fica por conta da fonte em estilo máquina de escrever sobre os fotogramas quase abstratos em cor branco e cinza que traduzem em parte a atmosfera presente na obra do poeta português. O baralho tem edição limitada a 5.500 maços sendo: 3.500 em português, 1.000 em inglês e 1.000 em espanhol. Se você ficou interessado, pode comprar na loja Apenas Livros, em Lisboa.

Simpática Introspecção
O escritor sul-africano J.M. Coetzee esteve em Buenos Aires para participar da Feira do Livro e  cumpriu uma extensa agenda de eventos. Tantas aparições públicas parecem algo pouco comum para um autor que é famoso pela reclusão e aversão à entrevistas. Pode ser que os argentinos tenham conquistado Coetzee - se não estou enganado é a terceira vez que ele está no país para divulgar a sua obra. Durante sua estádia, ele leu trechos do romance A infância de Jesus, na livraria Eterna Cadencia; esteve junto com o Paul Auster lendo trechos do livro Here and Now que reúne a correspondência de ambos entre os anos de 2008 e 2011; e proferiu uma conferência no Malba sobre "A ideia de uma biblioteca pessoal" com direito a responder perguntas da escritora Anna Kazumi Stahl. Coetzee encerrou sua passagem por Buenos Aires depois de autografar livros na Feira do Livro novamente. Dali ele seguiu para o Uruguai onde dará uma conferência no Teatro Solís, em Montevideu no dia 5 de maio. Bem que ele poderia aproveitar a passagem pela América do Sul e fazer uma visita ao Brasil, né?

*Imagens: reprodução.
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

NOTAS #42

Lendo Coetzee
O escritor sul-africano J.M. Coetzee vem ao Brasil para fazer duas conferências com o tema "censura". O evento, batizado de "Lendo Coetzee", será realizado no dia 15 em Curitiba e no dia 18 de abril em Porto Alegre. Como de costume, não haverá mediadores e nem perguntas da plateia - quem não lembra da participação dele na FLIP, em 2007?

Por ocasião da conferência, a Companhia das Letras vai publicar A infância de Jesus - romance que Coetzee acaba de publicar e conta a história de um homem e um menino que imigram para uma terra nova. O livro teve boa recepção crítica na Inglaterra e na Austrália. Um trecho do romance está disponível aqui

Fã e admiradores também aguardam com expectativa pela biografia do escritor que será lançada no segundo semestre desse ano. Coetzee concedeu a J.C. Kannemeyer (um famoso biógrafo de escritores africanos que faleceu em 2011) acesso ao seus arquivos pessoais e manuscritos.

No vídeo abaixo, o próprio Coetzee lê um trecho de A infância de Jesus em conferência na Universidade da Cidade do Cabo.





Grandes Encontros
A organização da FLIP confirmou a presença do escritor Aleksandar Hemon, autor dos livros Amor e obstáculo e O projeto Lazarus (ambos lançados pela editora Rocco). Ele nasceu na Bósnia e se mudou para os Estados Unidos, em 1992. Teve uma indicação ao National Book Award, recebeu o prêmio de melhor ficção da revista New Yorker e conquistou muitos outros prêmios. Desde 2010, Hemon também edita a revista anual Best European Fiction que divulga jovens escritores europeus nos Estados Unidos.

Entre tantos escritores de toda a Europa, a revista já publicou textos de Dulce Maria Cardoso, A.S. Byatt, Jean-Philippe Toussaint, Valter Hugo Mãe, Hilary Mantel, Gonçalo M. Tavares, Ingo Schulze, Marie Darrieussecq e Clemens Meyer.

Curiosamente, a edição 2013 da revista tem prefácio assinado por John Banville - outro escritor que já confirmou presença na FLIP, em julho. É bem provável que os dois marquem um encontro pelas ruas de Paraty para tomar uma cachaça.



Diga-me com quem andas...
A coleção Má Companhia não seria tão "má" enquanto um livro de William Burroughs não entrasse para a turma - que já tem muita gente da pesada: Reinaldo Moraes, Marçal Aquino, Joca Reiners Terron e Pietro Aretino. Pois bem, a coleção acaba de lançar Junky - Drogado, livro que Burroughs escreveu em 1949 e só conseguiu publicar em 1953 depois de muitas tentativas frustradas. Caso você não saiba, o livro tem altos teores de sexo, violência e drogas como o próprio título sugere. Nem preciso dizer que foi um sucesso de vendas. A nova edição tem introdução de Allen Ginsberg e tradução de Reinaldo Moraes - a mesma tradução que ele fez para uma edição publicada pela Brasiliense, em 1984. Almoço nu, o livro mais famoso de Burroughs, também será lançado pela Má Companhia.

...que te direi quem és
Reinaldo Moraes está preparando um novo romance - ainda sem título. Parece que a história será narrada por um espírito desencarnado. Deve sair no primeiro semestre do ano que vem, se tudo der certo.


Novo romance
O escritor Eduardo Baszczyn está de volta com novo romance, Cuidado com pessoas como eu. O final de um relacionamento impõe é o ponto de partida para uma situação insólita: uma mulher trancada num apartamento e um homem que não para de bater na porta. Baszczyn foi finalista do Prêmio SP de Literatura e um dos 20 escritores brasileiros com menos de 40 anos - segundo uma lista proposta por este blog em 2010.

Para matar a curiosidade tem um trecho desse romance aqui.

***

Quem também está de volta é o escritor Alejandro Zambra. A Cosac Naify está lançando A vida privada das árvores com tradução de Josely Vianna Baptista. Conta a história de um professor de literatura chamado Julián que espera por sua mulher Verônica. O problema é que ela nunca chega. É tão curtinho quanto Bonsai - tem 96 páginas.

Perfis Literários
O site Isto não é um cachimbo - Perfis literários está de volta com novidades. O perfilado do mês é ninguém menos que o escritor André Sant'anna ao som de So you wanna be a rock and roll star, de Patti Smith e com boas quantidades de amendoim japonês e whisky sem gelo. O site também ganhou um blog com textos diários sobre literatura e entretenimento.

***

Foi lá que eu descobri que André Sant'anna vai lançar um novo livro de contos chamado Irrealidades. Como aperitivo, para entrar no clima, o blog liberou um conto “O povo estava todo lá”.

*Imagens: divulgação.


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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NOTAS #29


Escritores de papel
Vi na Ilustríssima e não pude resistir. O livro Literary Greats Paper Dolls, de Tim Foley tem cerca de 30 escritores de língua inglesa para você recortar e colar neles roupinhas de seus famosos personagens. Tem Arthur Conan Doyle vestido de Sherlock Holmes, Agatha Christie como Miss Marple, Charles Dickens em fantasma do natal passado e outros tantos. A ideia é bastante original e não deixa de ser muito divertida. Bem que alguma editora podia se animar e fazer uma versão nacional. Já pensou José de Alencar vestido como Peri? Algumas imagens do livro de Tim Foley estão disponíveis aqui.

Não é para qualquer um
A notícia mais comentada na semana passada foi o anúncio de que o escritor George R.R. Martin é o mais novo integrante do clube "escritores que venderam 1 milhão de livros digitais no Kindle". Se não estou enganado, a Amazon está considerando o total de vendas dos cinco livros da série As crônicas de gelo e fogo. James Patterson, Charlaine Harris, Stieg Larsson e Suzanne Collins também atingiram seu milhão de vendas no Kindle por causa da publicação de séries. Só que chegar a esse número não é para qualquer um, mesmo escrevendo séries. Stephenie Meyer e sua saga Crepúsculo, por exemplo, não conseguiu.

***

De fato George R.R. Martin é um escritor de sucesso. Vejo diariamente pessoas circulando nas ruas com algum dos volumes de As crônicas de gelo e fogo embaixo do braço (sobretudo no metrô e ônibus). Parte do sucesso pode ser atribuída à adaptação para a TV exibida no canal HBO. Seja como for são livros de fantasia e aventura que estão satisfazendo o gosto dos leitores cansados de tanto realismo. O tamanho também não assusta ninguém - cada volume tem no mínimo 500 páginas. E teve gente dizendo que no futuro as pessoas só iam ler histórias curtas!

Piglia esgotado
Os ingressos para ver Ricardo Piglia em São Paulo esgotaram muito rapidamente no mesmo dia em que começaram a ser distribuídos (acho que foi algo em torno de três ou quatro horas, não consegui calcular). O escritor argentino fará uma conferência sobre "Romance e tradução". Nem tive chance de garantir um lugar. Como consolo, estou recomendando um vídeo com Piglia e outros escritores debatendo o papel do ciberespaço na literatura e na crítica - durante a feira do livro em Madri. Daqui ele segue para o RJ.


FILBA
Segundo disseram a participação dos brasileiros na FILBA não foi cercada de muita curiosidade por parte dos nossos hermanos - exceto quando o assunto era Clarice Lispector. A grande estrela do festival foi mesmo o escritor J.M. Coetzee. Os principais jornais argentinos abusaram de muitos adjetivos para dizer que a conferência de encerramento com a presença do escritor foi brilhante. Tentei encontrar algum vídeo da apresentação, mas parece que o festival não teve transmissão de vídeos na internet. Acabei reencontrando um vídeo antigo de Coetzee em conversa com Peter Sacks. Ele até sorri!

O poder das capas
Antonio Candido, em depoimento pessoal sobre Graciliano Ramos, disse que ficou impressionado quando viu a capa da primeira edição de Caetés - achou diferente. Emendou falando sobre a importância das novas capas dos livros naquela época, difundindo o modernismo com suas estéticas cubista, surrealista etc. Um célebre capista do período foi Santa Rosa. Pelas mãos dele passaram livros de Jorge Amado, José Lins do Rego, Lucio Cardoso, Mario de Andrade, Graciliano Ramos e muitos outros.

***

Falando em capa tenho mais duas coisas para comentar. A primeira é um post da semana passada sobre a tradição dos poloneses no campo do designe gráfico. Descobri um link com capas bem legais de edições polonesas das décadas de 70 e 80. A segunda é uma lista daquelas que só o Flavorwire consegue fazer com 20 capas de clássicos da literatura reinventadas e infelizmente nunca publicadas. A mais bonita na minha opinião é Franny & Zooey, de J.D. Salinger por Nan Lawson (acima).

Polêmicas
Para fechar as notas duas polêmicas: a propaganda da Caixa Econômica com Machado de Assis e o Prêmio Jabuti desclassificando obras de sua lista de concorrentes ao prêmio.

*Imagem: J.M. Coetzee reproduzido do Página 12; capas de livro reprodução/divulgação.
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domingo, 9 de janeiro de 2011

NOTAS #14


Mosqueteiros ilustrados
A editora Zahar lançou no final do ano passado uma edição caprichada do livro Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas. A tradução, apresentação e notas explicativas foram feitas pelos escritores André Telles e Rodrigo Lacerda - eles também são os responsáveis pela tradução premiada de O conde de Monte Cristo, outro livro de Dumas. O livro inclui ainda mais de 100 ilustrações originais. De fato, trata-se da edição definitiva do romance.

Domínio público
Alguns escritores famosos estão entrando em domínio público em 2011. Entre eles, Walter Benjamin, o pensador mais importante do século passado, e os escritores Mikhail Bulgakov e F. Scott Fitzgerald. Vale lembrar que não são todos os textos que serão enquadrados nessa categoria. Tem de ficar atento ao ano de publicação da obra.

Os melhores de 2010 – parte 1
Parece que já faz tanto tempo, mas na verdade não faz. Por isso, muita gente ainda está falando sobre os melhores livros de 2010. Vamos perdoar, afinal foi o fim de uma década e estamos na era da velocidade - tem notícia que passa e a gente nem consegue degustar. A revista portuguesa LER, por exemplo, convocou seus leitores para uma votação. Entre os escolhidos tem: Uma viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares; O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa; Submundo, de Don DeLillo e Livro, de José Luís Peixoto.

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O El País, por meio do caderno Babelia, também divulgou sua lista. Exceto Blanco nocturno, de Ricardo Piglia os demais livros também apareceram na lista da revista LER e a de muitos outros jornais. Fiquei impressionado com Verão, de J. M. Coetzee que está em todas as listas que vi circulando pela internet. A lista do El País está disponível em http://tinyurl.com/y9vhzbj

Os melhores de 2010 - parte 2
Outro que divulgou sua lista de 2010 para literatura estrangeira traduzida no Brasil foi João Paulo Cuenca no programa Estúdio i, da Globo news. Cuenca gostou de 2666, de Roberto Bolaño; A verdadeira vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov; Doutor Pasavento, de Henrique Vila-Matas; A morte de Bunny Mumro, de Nick Cave; e Uma mulher, de Peter Esterházy. Um vídeo do programa está disponível em http://tinyurl.com/28evzca

A literatura vai ao cinema
O jornal LA Times organizou uma lista com filmes que estão ligados ou foram inspirados pelo universo da literatura. Até agora foram 29 filmes - os critérios de seleção estão no link abaixo. A lista serve para aqueles dias chuvosos das férias em que você já cansou de ler livros. Tem Uma janela para o amor, baseado num romance de E.M. Forster; O céu que nos protege, baseado num romance de Paul Bowles; Short cuts - cenas da vida, adaptação de alguns contos de Raymond Carver; Razão e sensibilidade, baseado em livro de Jane Austen - a escritora do momento; Trainspotting - sem limites, baseado num livro homônimo de Irving Welsh. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/2c3pxqr

Paixão pela literatura
O ator James Franco está realmente envolvido com literatura. No ano passado ele publicou um livro de contos que recebeu diversos elogios e ainda estrelou um filme em que vive a história do poeta beatnick Allen Ginsberg - o filme deve estrear em breve no Brasil. Nessa semana o ator anunciou que ainda esse ano vai dirigir uma versão para o cinema do romance Enquanto agonizo, de William Faulkner e para o ano que vem pretende dirigir o romance Meridiano de sangue, de Cormac McCarthy.

Relançamento
A editora Companhia das Letras promete publicar em 2011 uma nova edição do livro Os escritores - as históricas entrevistas da Paris Review. O livro foi publicado pela primeira vez em 1988/1989 em dois volume e conta com as melhores entrevistas de escritores concedidas à revista de literatura mais importante do mundo. Tem E. M. Forster, Louis-Ferdinand Céline, Jorge Luis Borges, William Faulkner, Saul Bellow, John Cheever, Gore Vidal, Milan Kundera, William Burroughs, Vladimir Nabokov, Ernest Hemingway, Anthony Burgess, Jack Kerouac, Gabriel García Márquez, Philip Roth, entre outros.

***

Desde o ano passado, a Paris Review conta com um novo editor, Lorin Stein, que está dando novos ares à revista e modificando um pouco seu perfil. O site da revista, por exemplo, ganhou um blog, um tumblr e um twitter. Além disso, algumas entrevistas do arquivo tiveram seu acesso liberado para os leitores.
*imagem: reprodução do site da editora Zahar.

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O ROMANCE NA PRIMEIRA DÉCADA

Na última semana de 2010, pouco antes de encerrarmos a primeira década dos anos 2000, o Estadão, por meio do Caderno 2, preparou uma série de reportagens que serviram como um balanço das artes nos últimos dez anos. Achei o trabalho bastante primoroso e queria ter comentado por aqui bem antes do ano terminar, mas infelizmente não foi possível. Por isso, faço agora.

Na parte dedicada a literatura, especialmente a prosa de ficção, Antonio Gonçalves Filho destaca os atentados do 11 de Setembro de 2001 como o ponto de partida inicial para a transformação do romance como o conhecemos - "Abc do terror" e "Coetzee brilha no ano da autoficção". Ao invés de decretar sua morte, o jornalista diz que o romance abraçou o tema da culpa e do terror político por meio da experiência pessoal dos indivíduos:


"A politização da literatura e o revisionismo histórico marcaram definitivamente a primeira década do século, assim como a incorporação da experiência pessoal num romance de natureza autobiográfica disfarçada - a que se deu o nome de bioficção, ou autoficção, com o preferem outros".
A partir dessas afirmações surgem os escritores importantes que justificam essas três tendências que o romance contemporâneo vem seguindo: terror, culpa e autoficção/bioficção. Homem em queda, de Don Delillo seria o livro que inaugura o caminho do terror. O romance fala sobre uma personagem que sobreviveu ao ataque das Torres Gêmeas, mas não consegue retornar a vida como ela era antes do incidente. A tendência segue caminho com A estrada, de Cormac McCarthy - igualmente apocalíptico e desesperançoso.

A questão da culpa e da autoficção/bioficção aparecem em As benevolentes, de Jonathan Littel - segundo Antonio Gonçalves é o melhor romance da década; Reparação, de Ian McEwan - também apontado igualmente por muitos críticos como o romance da década -; dois livros de J. M. Coetzee - Diário de um ano ruim e Verão; e Neve de Orhan Pamuk.

Eu acrescentaria a lista de culpa e autoficção/bioficção os livros do alemão W. G. Sebald - são uma experiência única e diferentes de tudo o que a gente pode imaginar -, do espanhol Javier Marías - tão grandioso quanto Sebald, aliás, uma de suas influências -, dos argentinos Ricardo Piglia e César Aira - fazem uma brincadeira entre a história de verdade e a ficção - e o chileno Roberto Bolaño - que também faz ficção usando um pouco da história latina.

O interessante da reportagem é apontar com consistência um caminho que está passando bem diante dos nossos olhos. Tem a ver com aquilo que falei num outro post de querer pegar o novo e puxá-lo pelo rabo. Certamente o romance está trilhando diversos caminhos, mas esse parece ser um dos mais instigantes no momento.

*imagem: reprodução do Estadão.

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

OUTRAS REVISTAS DE LITERATURA

Nada melhor do que uma revista literária para atualizar a gente sobre tudo o que anda rolando e passa um pouco despercebido pela grande imprensa. Temos pelo menos três lançamentos para ficar de olho:

A revista paranaense está na edição #21 e tem 52 páginas recheadas de literatura. Entre os destaques estão poemas inéditos de Wilson Bueno, conto inédito de João Gilberto Noll, entrevista com a crítica norte-americana Marjorie Perloff, poemas do espanhol Leopoldo María Panero, aforismos de Franz Kafka, traduzidos por Silveira de Souza e um ensaio de Jair Ferreira dos Santos. A Coyote é publicada pela Kan Editora e tem edição dos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. A distribuição pelo Brasil ficou a cargo da editora Iluminuras.

Feita em terras cariocas, a revista lançou na semana passada seu primeiro número com o tema "Espelhos". Tem textos de escritores não muito conhecidos e traduções de Sylvia Plath, feitas por Marina Della Valle. O projeto gráfico é bem caprichado e a tiragem é de 500 exemplares numerados - para colecionar.

A revista foi criada pela área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana da USP. Traz contos, ensaios, traduções e resenhas num jeitão bem acadêmico. Os destaques do número são: o conto Margens secas da cidade, de Milton Hatoum; um ensaio sobre as traduções de Haroldo de Campos para escritores hispano-americanos; um ensaio em espanhol de Carlos Espinosa Domínguez sobre Machado de Assis; e a resenha para o livro Cadernos de infância, de Norah Lange.

***

Em tempo também está saindo mais uma edição do Rascunho. Tem Adriana Lisboa, Beatriz Bracher, trecho do romance inédito de Andreï Makine (traduzido por Celso Mauro Paciornik), resenha para Verão, de J. M. Coetzee, texto de José Castello sobre Júlio Cortázar e muitas coisas mais.


*imagens: reprodução.

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terça-feira, 6 de julho de 2010

TATUAGEM LITERÁRIA COM A PENGUIN BOOKS

Livros serviriam de fonte de inspiração para tatuagens? A editora Penguin, dos Estados Unidos, resolveu apostar na ideia e criou uma nova coleção para comemorar os seus 75 anos. A coleção recebeu o nome de Penguin Ink. Seis títulos foram reeditados e tiveram suas capas desenhadas por famosos tatuadores americanos. São eles:

Money, de Martin Amis - ilustração de Bert Krak; Waiting for the Barbarians, de J. M. Coetzee - ilustração de C. C. Askew; The Bone People, de Keri Hulme - ilustração de Pepa Heller; The Broom of the System, de David Foster Wallace - ilustração de Duke Riley; Bridget Jones's Diary, de Helen Fielding - ilustração de Tara McPherson; From Russia with Love, de Ian Fleming - ilustração de Chris Garver.

Sem dúvida, a aproximação da literatura com as tatuagens já existe desde que essa prática começou a virar moda. Muita gente tatua no corpo títulos ou trechos inteiros dos livros que mais gosta. Há também os casos em que os desenhos tatuados foram inspirados em clássicos da literatura.

Parece que pela primeira vez, uma editora serviu-se do tema para criar uma coleção de livros. Com isso, a editora acaba causando certo fetiche por esses livros que são verdadeiras edições de colecionadores. Os leitores inveterados certamente compram essas edições por causa desse tratamento. Novos leitores também podem ser atraídos pela capa chamativa.

O editor da coleção em entrevista para o site Publishing Perspectives disse que "a ideia era baseada principalmente num conceito estético, e a brincadeira era juntar isso com títulos do nosso catálogo (...) esses livros se instalaram na cultura da mesma maneira que tatuagem moderna, por isso senti a coisa certa a fazer era emparelhar os tatuadores que nós gostamos com os livros contemporâneos do nosso catálogo".

Guardadas as devidas proporções da realidade editorial de cada país, a Penguin deve estar nos ensinando um caminho a ser seguido no mercado ameaçado pela chegada dos e-books. A receita não é nova, mas faz muito sentido.
*imagem reproduzida do site da editora.

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domingo, 20 de junho de 2010

FUTEBOL COMBINA COM LITERATURA NA ÁFRICA DO SUL


Em época de Copa do Mundo, as atenções ficam todas voltadas para os televisores e as transmissões dos jogos. Tudo em Tvs de alta definição, tecnologia 3D, etc. Com as partidas encerradas é hora de se dedicar a leitura - coisa que apreciamos bastante. E o que nos reserva a literatura da África do Sul, país sede do mundial de futebol? Eu não tenho notícias sobre a produção literária mais recente deles. Mas, conheço dois nomes importantes da literatura mundial que nasceram naquele país: Nadine Gordimer e J. M. Coetzee. Ambos são ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura - Nadine Gordimer em 1991 e J. M. Coetzee em 2003.

Diferente do espetáculo proporcionado pelo futebol mundial, a literatura de ambos aponta para os problemas sociais vividos pela África do Sul desde a época do apartheid. Sem muito panfletarismo, a obra dos dois rompe a fronteiras da África e acaba revelando questões enfretadas pelo homem universalmente. Melhor ainda é saber que a literatura deles fica melhor a cada nova obra. Coetzee, por exemplo, acaba de lançar um novo romance bastante elogiado pela critica. Tanto um quanto outro também se tornaram referência para os novos escritores.

Muitos romances de Gordimer e Coetzee já ganharam tradução para português.

* imagem: http://nobelprize.org


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