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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NOTAS #30


Capa de revista
Para começar nada melhor do que uma daquelas divertidíssimas listas organizadas pelo blog Flavorwire. A gente vive reparando em capas de livros, mas dessa vez eles resolveram comentar as capas da Paris Review. A lista conta com 30 capas da revista que segundo o blog são as melhores de todos os tempos. A Paris Review foi fundada em 1953 e virou referência no assunto por publicar a nata da ficção e da poesia mundial. Isso sem mencionar as suas famosas entrevistas sabiamente batizadas de "The art of fiction" (ou "A arte da ficção" em tradução literal). A lista com as capas está disponível em http://tinyurl.com/5wpyo8g

Ocupem as bibliotecas
A revolução não será televisionada. Melhor dizer de outra forma: a revolução não será apenas televisionada, como ganhará as manchetes dos jornais, as capas de revistas, o twitter, o tumblr, os blogs, o facebook e todas as redes sociais. Melhor ainda é saber que a revolução tem até uma biblioteca com mais de 1400 títulos. É que os manifestantes do movimento "Ocupe Wall Street" em Nova York estão montando uma biblioteca, recebendo doações de livros e autores envolvidos com a causa. Além dos livros de filosofia, política e ciências sociais, o acervo conta com obras de ficção de Virginia Woolf, Margaret Atwood, Toni Morrison, Ernest Hemingway, Henry James e muitas outras coisas mais. É possível consultar o acervo em http://tinyurl.com/3goa4cz [via Galleycat]

Amado russinho
A editora Cosac Naify está com tudo pronto para o lançamento da nova tradução de Guerra e paz, de Liev Tolstói feita por Rubens Figueiredo. É um dos livros mais aguardados do ano (ou pelo menos dos últimos dois anos quando surgiram as primeiras notícias a respeito). A editora promete em seu blog "posts com informações exclusivas e promoções". Publiquei na primeira edição do fanzine um trecho da tradução (download por aqui). Para acalmar nossa ansiedade tem um pequeno trecho de apresentação do livro escrito pelo tradutor. O trecho está disponível em http://tinyurl.com/6jmpld5

Ficção áudio eletrônica
O projeto EletroFicção coordenado por Luís Henrique Pellanda e Rodrigo Stradiotto tem novo episódio. A escritora Ana Paula Maia foi convidada para ler trechos do seu romance Carvão animal - lançado pela editora Record. A música dá contornos assustadores a tensão do texto. Para ouvir é só acessar http://tinyurl.com/6xd8pfk

Novo Neuman
Deve ser publicado nessa semana o novo livro de Andrés Neuman - autor convidado para a FLIP desse ano. São nove contos reunidos com o título de Hacerse el muerto que saem pela editora espanhola Páginas de Espuma. Para promover o lançamento, o autor preparou um vídeo curto baseado no conto "El fusilado" que está no livro. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/6grcswm

*Imagem: divulgação/reprodução.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ANDRÉS NEUMAN - O BATUTA

A série Prefácios da Rádio Batuta que iria ao ar semanalmente todos os domingos andou atrasando um pouco as atualizações. Uma pena, pois a ideia é bastante original e o conteúdo de altíssimo nível. Eu nunca tive muita coragem de encarar Os sertões, de Euclides da Cunha, mas confesso que fiquei muito tentado depois de ouvir Alexei Bueno comentando o catatau barroco científico - para usar um termo da academia. Há outros programas tão encantadores quanto.

De qualquer forma, quero chamar atenção para o programa mais recente com a participação do escritor argentino Andrés Neuman. Ele foi um dos primeiros nomes a pintar na lista de autores convidados da FLIP desse ano. Embora tenha publicado quatro romances, livros de contos, poesias e ensaio, Neuman tem apenas um romance publicado em português - O viajante do século (Alfaguara). O jovem escritor carrega consigo uma bagagem invejável: importantes prêmios literários na Espanha, a seleção da revista Granta como um dos melhores escritores de língua espanhola e elogios de ninguém menos que Roberto Bolaño.

No programa, não por acaso, ele fala sobre Os detetives selvagens. Neuman teve uma relação próxima com Roberto Bolaño. Os dois falavam constantemente por telefone, trocavam e-mails, cartas e Neuman chegou a encontrá-lo pessoalmente uma única vez. Tenho a impressão que Neuman quis desmistificar a figura de Bolaño como um escritor pobre, drogado, maldito, doente e condenado a morte. Da pequena convivência, ele lembra que Bolaño era muito divertido, extremamente culto (um leitor autodidata voraz), muito falante (as conversas por telefone poderiam durar três, quatro horas), um homem de extremos que podia ser doce ou rude quando queria. E num momento muito particular, Neuman fala da casa de Bolaño que era totalmente organizada enquanto o escritório de trabalho era como uma cova - ele tinha um 386 sem conexão com a internet. Não quero falar muito para não criar novas auras em torno da bolañomania que dominam o mundo.

Além do aspecto pessoal, Neuman conta a sua maneira de enxergar a obra de Bolaño. Ressalta suas qualidades literárias (superiores a qualquer modismo); fala sobre o rompimento com o nacionalismo (Bolaño é chileno, mas vive na Espanha e escreve um romance que se passa no México - suas personagens sempre buscam algo que não está em nenhum lugar); e diz que na tentativa de superar a literatura de Borges, Bolaño cria uma literatura borgeana com corpo, com sexo.

Neuman veio com Michael Sledge para participar da mesa "Viagens literárias" na FLIP - uma única mesa. O clima foi descontraído e bem humorado, mas confesso que com o programa acabamos ganhando duas mesas.

***

Quero aproveitar para comentar o romance O viajante do século. Li logo depois da FLIP. Fiquei intrigado com os elogios de Bolaño ("Um talento iluminado. A literatura do século XXI pertencerá a Neuman e a alguns poucos de seus irmãos de sangue.") - qualquer comentário sobre Neuman vinha colado a esses elogios.

O romance é grandioso. Neuman lida o tempo todo com zonas de fronteira: Wandernburgo é uma cidade imaginária que fica nos confins perdidos da Alemanha; os prédios e as ruas mudam de lugar todas as noite; é um romance, mas trata de poesia, de política, de filosofia, ensaios e literatura; cronologicamente a história acontece no século XIX, mas tem um olhar do século XX; Hans e o realejeiro são metáforas para viajante (em movimento) e do morador (sempre fixo) - há muitos outros opostos que se misturam.

Gosto muito da maneira como o autor explora o tema do viajante - figura central na cultura contemporânea. Grandes populações constantemente se deslocam em busca de melhores condições de vida. Há estrangeiros espalhados por todas as partes do mundo, sobretudo em paises desenvolvidos. O viajante (como Hans) é alguém que parte em busca de aventuras, em busca de dar sentido para algo que não sabe ao certo qual é. Acho que essa ansiedade de uma vida de aventura ronda a cabeça de muita gente que conheço. Tem também o fato de chegar num lugar em que ninguém sabe nada sobre o seu passado e você tem a chance de recomeçar sua história do zero.

Enfim, são apenas algumas observações. O romance tem muito mais coisas e abre várias possibilidades de leitura. Quem ficou curioso pode assistir o vídeo de Neuman no programa Entrelinhas.

*Imagem: flip.org
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domingo, 29 de maio de 2011

SANTIAGO RONCAGLIOLO PARA O MUNDO

Santiago Roncagliolo, escritor peruano radicado na Espanha, ganhou o Independent Foreign Fiction Prize por seu romance Abril vermelho. Concorrem ao prêmio autores de ficção que foram traduzidos para o inglês e tenham sido publicados no Reino Unido durante 2010 - lá, saiu pela editora Atlantic Books com tradução de Edith Grossman. O prêmio é concedido tanto para o escritor quanto para o tradutor do livro.

Abril vermelho foi publicado em 2006 e no mesmo ano faturou o Prêmio Alfaguara. Na época Roncagliolo foi considerado o autor mais jovem a receber o prêmio. Com o Independent Foreign Fiction Prize o resultado é semelhante, já que ele tem apenas 36 anos. Detalhe, entre outros, ele estava concorrendo com Orhan Pamuk e Per Petterson - dois autores bastante conhecidos de crítica e público.

Apesar de jovem, Roncagliolo pode ser considerado um veterano. Já publicou cinco romances e um livro de contos - sem considerar as obras infanto-juvenis. Também publicou ensaios, obras de não-ficção e teatro, além de contribuir com o jornal El País e outros jornais da América Latina. Lê muito bem inglês, francês, português, catalão e espanhol. No ano passado figurou na edição da revista Granta Os melhores jovens escritores em espanhol ao lado de Andrés Barba, Andrés Neuman e Pola Oloixarac. O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, confessou que é leitor de Roncagliolo.

Por aqui, a Alfaguara Brasil publicou Abril vermelho em 2007 (infelizmente não consegui achar o nome do tradutor).

***

Em tempo, a Alfaguara Brasil (que publica uma versão da revista Granta em português) lança na próxima semana a edição com Os melhores jovens escritores em espanhol. Eu comentei aqui quando o lançamento aconteceu na Espanha. Nela constam nomes de jovens escritores que estão levando a literatura hispânica para novos rumos. Dois autores da lista, Andrés Neuman e Pola Oloixarac, vão estar na FLIP desse ano.

A edição teve bastante êxito na Inglaterra e nos Estados Unidos, contribuíndo bastante para que europeus e norte-americanos ficassem de olho na literatura dos nosso hermanos hispânicos. Junte isso com a feira do livro de Frankfurt que homenageou a Argentina no ano passado e podemos tirar uma boa lição para a nossa particapação em 2013. Me lembro de uma entrevista dos editores da revista aqui do Brasil comentando os planos de lançar em 2012 uma edição com o tema Os melhores jovens escritores brasileiros.

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Quem quiser, pode ler em inglês o conto Stars and stripes, de Santiago Roncagliolo que está liberado no site da revista Granta. Tem também uma breve entrevista com ele e um comentário de apresentação de Nell Freudenberger. Ele confessou que os cinco escritores que ele admira no momento são: Bertrand Rusell, Philip Roth, Yasunari Kawabata, Michel Houellebecq e William Shakespeare.

*imagem: divulgação.
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sábado, 26 de fevereiro de 2011

ÚLTIMAS DA FLIP 2011


Se você não leu as últimas notícias sobre a FLIP é bom saber que novos convidados já foram anunciados. Evidentemente, a informação vai depender de quando foi a última vez que você buscou alguma notícia a respeito. Por isso, uma pequena retrospectiva se faz necessária. Até agora já foram confirmadas na Festa Literária as presenças de David Remnick, Andrés Neuman, Valter Hugo Mãe, Pola Oloixarac, Joe Sacco, Franco Moretti e Emmanuel Carrère.

Essa semana a organização anunciou a participação do diretor de cinema Claude Lanmann - com direito a entrevista polêmica dele para a Ilustrada. O diretor falou que não gosta das criações do arquiteto Oscar Niemeyer.

Nesse final de semana, os cadernos de cultura confirmam a presença de João Ubaldo Ribeiro - o primeiro escritor brasileiro a figurar na lista de convidados. O momento é bastante oportuno pois Ubaldo acaba de completar 70 anos e promete ser uma das presenças mais divertidas da festa. Em entrevista a Ilustrada ele diz que já superou o episódio que ocorreu em 2004 - quando ele foi convidado pela organização da FLIP e depois declinou. A entrevista feita por Daniel Benevides na integra está aqui.

Alguns boatos dão conta de que a FLIP está negociando a presença do diretor de cinema Bernardo Bertolucci e do escritor e teórico Umberto Eco. James Ellroy também está nessa lista das negociações, mas por enquanto não foi confirmado.

A programação está começando a esquentar, não é?

*imagem: via Wikipédia.

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

JA ELEGERAM A MUSA DA FLIP 2011


Estamos apenas no primeiro dia de fevereiro e as notícias em torno dos autores convidados da FLIP 2011 não para de pipocar. Depois de anunciar a presença do argentino Andrés Neuman, do norteamericano David Remnick e do português Valter Hugo Mãe, a organização da festa literária confirmou a presença da argentina Pola Olaixarac.

Aliás, Pola Olaixarac já foi eleita a musa dessa edição por muita gente - basta dar uma olhadinha na foto acima para perceber o motivo de tanta euforia. Aí daquele ou daquela que discordar! Pelo menos por enquanto. Ela é autora do romance As teorias selvagens, que será lançado pela Benvirá - um selo da editora Saraiva. O livro recebeu elogios de Ricardo Piglia, vejam só. Pola também já publicou contos, faz tradução e também escreve artigos para a mídia argentina.

Quem quiser se antecipar e conhecer o trabalho da musa pode ler em inglês o conto Conditions for the revolution, que foi publicado na edição da revista Granta com autores de língua espanhola. Na mesma edição também tem uma entrevista com ela.

Outros outros nomes tidos como certos para FLIP, mas que ainda não confirmados pela organização são: o escritor norteamericano James Ellroy e o quadrinista Joe Sacco.

Vamos aguardar mais notícias!

*imagem: divulgação.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

OSWALD NA FLIP

Achei bem acertada a decisão da FLIP de escolher Oswald de Andrade como autor homenageado dessa edição. Além de ser um dos autores mais importantes da primeira fase do nosso modernismo, Oswald também transitou muito bem entre a prosa e a poesia. Com isso, a FLIP retorna ao caminho da literatura e deixa a academia, assunto que causou muitas discussões no ano passado com a homenagem a Gilberto Freire. A escolha também antecipa as comemorações da Semana de 22 que em breve vai completar 90 anos.

Oswald de Andrade teve as ideias mais radicais para a renovação das nossas artes. Contra uma literatura atrasada, copiada da Europa, propôs um modelo de mastigação da cultura estrangeira misturada as nossas verdadeiras tradições. Foi o responsável por introduzir no Brasil a prosa experimental com livros antológicos como Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande. Suas ideias influenciaram gerações inteiras de escritores e continuam influenciando até hoje. Não deixo de enxergar no Brasil escritores que trilham o mesmo caminho experimental aberto pelo "Oswaldo", como Mario de Andrade costumava chamá-lo.

Também acho a escolha oportuna para ter mesas que discutam novos caminhos para a prosa: retornar ao romance do século XIX, abraçar o experimentalismo do século XX ou mergulhar na autoficção/bioficção?

A FLIP também anunciou dois convidados: o escritor argentino Andrés Neuman e David Remnick, editor da revista New Yorker. A editora Alfaguara anunciou que pretende lançar no Brasil em março o romance O viajante do século, de Andrés Neuman. Ele é apontado pela crítica especializada como um dos autores mais promissores de sua geração - esteve inclusive na seleção da revista Granta sobre jovens escritores de língua espanhola. Já David Remnick é o autor do livro A ponte, uma biografia de Barack Obama. Seus livros O rei do mundo e Dentro da floresta também já foram publicados no Brasil - todos pela Companhia das Letras.

*imagem: reprodução Wikipedia.
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

GRANTA EM PORTUGUÊS


Robert Feith e Marcelo Ferroni, editores da versão em português da revista Granta, conversaram com Ollie Brock da Granta inglesa. Os editores brasileiros falam sobre o processo de seleção e mistura de textos publicados pela edição inglesa e textos inéditos escritos por autores brasileiros.

Sobre os autores que não são tão conhecidos no mundo anglófono falam de Luiz Vilela, Ricardo Lisias, Rodrigo Lacerda e Reinaldo Moraes que compõe a sexta edição da versão brasileira da revista cujo tema é Sexo.

Os editores ainda disseram que nesse momento estão trabalhando na tradução de textos que foram publicados na Granta especial com "Os melhores jovens escritores da língua espanhola" e devem sair por aqui em junho. Vale lembrar Andrés Neuman, um dos convidados anunciados pela FLIP 2011, participou dessa edição especial. Neuman ainda não tem nenhum livro publicado no Brasil - certamente, com a vinda dele a FLIP, as editoras já devem estar trabalhando para mudar isso.

Achei bem interessante saber que eles também já começaram a trabalhar numa edição especial com Os melhores jovens escritores brasileiros que pretendem lançar em 2012. O especial pode render a primeira parceria entre a versão brasileira e inglesa, como aconteceu com a versão espanhola. Não custa lembrar que seremos o país convidado de honra da Feira de Frankfurt em 2013. Uma edição da Granta inglesa com o tema Brasil serviria como um esquenta. Escritores fiquem de olho.

A Granta em português é publicada por aqui pela editora Alfaguara. A entrevista na íntegra está aqui.

*imagem: reprodução Google.

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