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domingo, 8 de junho de 2014

FUTEBOL E LITERATURA: "BRASIL" X "CROÁCIA" ANTES DA COPA


Na sexta-feira terminou o Festival Europeu do Conto e parece que a partida de futebol amador entre o “Brasil” e a “Croácia” teve mesmo participação de João Paulo Cuenca e João Anzanello Carrascoza. O time do “Brasil” era formado por uma mistura de escritores convidados do festival e o time da “Croácia” era formado por artistas da banda croata Pips, chips & Videoclips. O resultado foi 6 a 4 para o “Brasil”. Será que teve gol do Cuenca ou do Carrascoza?

Imagem: Festival Europeu do Conto/Reprodução.
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terça-feira, 20 de maio de 2014

BRASIL SERÁ HOMENAGEADO NO FESTIVAL EUROPEU DO CONTO

O país do futebol mostra ao país das boas cervejas um pouco da sua literatura.


Uma semana antes do Brasil enfrentar a Croácia no jogo de abertura da Copa do Mundo, as cidades de Zagreb e Šibenik (que fica no litoral sul da Croácia e foi abençoada pela natureza com uma paisagem deslumbrante) vão receber o Brasil como país homenageado da 13ª edição do Festival Europeu do Conto. Em outras edições foram homenageados Irlanda, Escócia, Catalunha, Holanda e País de Gales. O que motivou o convite dos organizadores ao Brasil foi a exposição constante da literatura brasileira em grandes eventos literários recentes como as Feiras de Frankfurt, Guadalajara e Berlim.

Os escritores Ana Paula Maia, João Anzanello Carrascoza, João Paulo Cuenca e Paula Parisot serão os representantes da nossa literatura. O processo para seleção desses autores foi um pouco longo. Os organizadores do festival pediram uma pequena lista com sugestões a Paula Parisot (organizadora a antologia internacional La invención de la realidad. Antología de cuentos brasileños lançada na Feira de Guadalajara do ano passado) e Sophie Lewis - da agência literária AndOtherStories - que vive no Rio de Janeiro. A partir dali, eles afinaram a seleção buscando informações, recomendações, lendo um pouco da obra de cada autor em antologias, artigos e reportagens até escolherem os quatro brasileiros. Outros 20 escritores de diferentes nacionalidades completam a programação, entre eles o austríaco Robert Menasse, o britânico Jon McGregor e o norte-americano David Vann cujo romance A ilha Caribou acaba de ser publicado pela editora Record.

É interessante notar que nenhum dos quatro autores brasileiros tem livros publicados na Croácia. "A literatura brasileira não é muito conhecida por aqui. Nos últimos 20 anos, e com mais intensidade recentemente, a maioria dos escritores que foram traduzidos são de gerações mais velhas como Raduan Nassar, Rubem Fonseca, Jorge Amado e Clarice Lispector. Nós estamos convidados jovens autores contemporâneos", conta por e-mail Roman Simić, diretor de criação do festival. A participação dos brasileiros pode despertar o interesse de editores locais e consequentemente a tradução de suas obras no país.

A popularidade do gênero, a grande tradição contística e a paixão são os ingredientes principais que motivam a realização do festival todos os anos. “Nós acreditamos que o conto pode construir um universo inteiro em poucas páginas. O conto tem tudo o que um leitor precisa: é rápido, diversificado, pode comunicar tudo e costuma ser escrito por amor, não por dinheiro”, diz Roman. Uma qualidade do gênero que ele ressalta é a sua integridade “não é possível fingir ou enganar um leitor quando você lê ou ouve um conto. Você cumpre ou não cumpre a tarefa proposta, ao contrário do que pode acontecer na leitura de fragmentos de romances (o trecho pode ser bom, mas o restante pode falhar como um todo)”, conclui.

Quando pergunto se o Prêmio Nobel de Literatura concedido a Alice Munro no ano passado modificou a maneira como os leitores encaram o conto, ele responde “muitos escritores, além de Alice Munro, já demostraram a importância do gênero. O ofício de escrever contos não é uma ‘etapa’ para se tornar escritor. O conto requer diferentes habilidades e talentos únicos”. Para Roman, o problema quanto ao reconhecimento do gênero não está nos autores e leitores “acho que eles gostam; para eles tudo funciona”, mas no mercado literário: “editoras e livreiros não são apaixonado por contos, porque eles acreditam que não vende como gostariam. É um círculo vicioso: como poderia vender se eles não investem?”.

Para descontrair, haverá uma partida de futebol amador entre Brasil e Croácia batizada de “abertura antes da abertura” - em alusão ao jogo da Copa do Mundo. O time do “Brasil” será formado por escritores internacionais e o time da “Croácia” será formado por artistas da banda croata Pips, chips & Videoclips. Roman espera que os escritores brasileiros (João Paulo Cuenca e João Anzanello Carrascoza) liderem o time do Brasil. Resta saber se Cuenca (flamenguista inveterado) e Carrascoza são tão bons em futebol, quanto em literatura? Protejam suas canelas.

O festival acontece de 1 a 6 de junho e a partida de futebol será no dia 2, às 13h (horário croata).




*Fotos: edições anteriores do Festival Europeu do Conto/Reprodução.
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

A LITERATURA BRASILEIRA NO MUNDO, JOÃO PAULO CUENCA E UMA PERGUNTA



De fato há um crescente interesse de outros países pela literatura contemporânea feita no Brasil. Lembrei da história surreal contada por Benjamin Moser na Ilustríssima sobre uma viagem a Tbilisi, capital da Geórgia, carregando livros brasileiros para estudantes de português naquele país - veja só uma coisa dessas. Depois teve a Feira de Frankfurt e toda aquela atenção voltada aos programas de incentivo para divulgação da nossa literatura no mundo. Nesse meio tempo também teve a FILBA em Buenos Aires com uma parte da programação dedicada aos brasileiros. E agora me deparo com esse vídeo em que o escritor João Paulo Cuenca fala para espanhóis sobre a nossa literatura!

Cuenca comenta a boa fase de jovens escritores no Brasil, a má vontade da academia para o contemporâneo, a falta de um jovem crítico interessante e a mania dos estrangeiros de buscar em nossa literatura apenas aspectos folclóricos. Concordo com tudo o que ele disse e fiquei com uma questão na cabeça: a crítica.

Crise ou apatia da crítica (mesmo da jovem crítica) me parece algo universal. Todo mundo está tentando encontrar uma maneira de tornar a crítica relevante para o grande público. Mas confesso que vendo o vídeo pensei nessa longa discussão que muita gente acha chata. Fiquei pensando onde será que está a nossa Zadie Smith, o nosso Geoff Dyer, a nossa Michiko Kakutani, o nosso James Woods etc? Será que essa figura ainda está em formação? Será que a internet é um meio fértil para esse trabalho? Vai ver ele/ela está bem embaixo do nosso nariz e a gente nem sabe.

P.S.: Alguém sabe se na França, na Espanha, na Alemanha ou na Geórgia alguém se preocupa com esse tipo de coisa? Devo estar redondamente enganado, mas não senti esse clima na Argentina.

(Voltando ao JP Cuenca: ele foi convidado para participar do Festival Vivamérica, na Espanha. A mesa tinha o curioso tema de "Rapsodas, escribidores y ventrílocuos". A ideia era discutir novas formas de literatura que existem entre o legado da tradição e as tecnologias do futuro. Quem quiser pode assistir a palestra na íntegra aqui. Cuenca fala de Changeman, Jaspion, Ultraman, bonecos em geral, bonecas japonesas e muitas outras coisas mais. É bem divertido e dura apenas 20 minutos).
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terça-feira, 31 de maio de 2011

NOTAS #26


Gêneros literários
Daniela Comani, uma artista plástica italiana radicada na Alemanha, costuma investigar em seu trabalho questões ligadas ao gênero feminino. Seu objetivo é mostrar que as mulheres não ocupam a história mundial do século XX e muito menos o cânone literário ocidental. Na série de trabalhos New Publications, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura inglesa, espanhola, francesa, alemã e italiana e mudou o gênero de seus títulos. Assim, a capa de Os irmãos Karamozov ganha o título de As irmãs Karamozov; Madame Bovary vira Monsieur Bovary; e Dom Quixote se transforma em Dona Quixote. Não deixa de ser curioso e provocativo. A mostra está em exibição na Charlie James Gallery em Los Angeles.

Listas
O site Flavorwire (sempre com as listas das dez melhores coisas relacionadas à literatura) pediu a revista literária One Story (especializada em publicar contos) que escolhesse os dez maiores contos de todos os tempos. Na votação da equipe vários nomes foram citados e a editora da revista escolheu os clássicos - tudo segundo uma ordem bem particular, pessoal e aleatória. É fato que a nomeação é discutível, mas tem o mérito de mostrar uma reunião de contos não tão citados. Entre eles, “Para Esmé, com amor e sordidez”, de JD Salinger; “Os mortos”, de James Joyce; “Um senhor muito velho com umas asas enormes”, de Gabriel Garcia Marquez; “É difícil encontrar um homem bom”, de Flannery O’Connor; e “Catedral”, de Raymond Carver. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/3lrnta5

Áudio Huxley
Entre 1956 e 1957 a rádio americana CBS organizou uma série experimental de leituras dramáticas. Na estréia do programa nada menos do que uma adaptação em duas partes do clássico romance de ficção científica Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. A peça que tem introdução e narração do próprio Huxley reapareceu na internet. O programa está disponível em duas partes: parte 1 e parte 2. [via openculture]

140 caracteres
No ano passado Jeff Howe criou no twitter um enorme clube do livro chamado "One Book, One Twitter". A experiência foi muito bem sucedida e teve cerca de 12 mil pessoas ao redor do mundo lendo Deuses americanos, de Neil Gaiman. Para tristeza de muitos, tudo terminou subitamente da mesma forma como começou - afinal, na internet as coisas às vezes são um pouco efêmeras. No entanto, Howe com a ajuda da revista The Atlantic recuperou a ideia. Dessa vez, o clube do livro foi rebatizado de "1book140" e vai ter um livro por mês comentado por seus seguidores. Dia primeiro de junho começam as leituras e discussões em torno de O assassino Cego, de Margaret Atwood - o primeiro livro escolhido pelos quase 5 mil seguidores. Quem quiser se aventurar só precisa seguir o perfil http://twitter.com/1book140 .




Moby Dick em imagens
Os desenhos incríveis de Matt Kish para cada páginas de Moby Dick serão publicados em livro. O ilustrador e artista plástico americano gosta tanto do romance de Herman Melville que em agosto de 2009 decidiu criar uma ilustração para cada página do livro. Ele fazia apenas um desenho por dia e postava o material num blog da internet. A longa jornada terminou em janeiro desse ano. O livro Moby-Dick in pictures: one drawing for every page vai sair pela editora Tin House em outubro numa edição caprichada que além dos desenhos inclui trechos do monumental romance da baleia. Os desenhos estão disponíveis em http://tinyurl.com/yajkgzu

34 leituras íntimas
A editora 34 em parceria com a Casa de Francisca realiza amanhã a quinta edição da série 34 leituras íntimas. Dessa vez, os escritores João Paulo Cuenca e Chico Mattoso vão ler trechos selecionados de obras com o tema Leituras de deformação. Quem estiver por lá vai ouvir histórias de outros escritores que revolucionaram a vida e a maneira de fazer literatura de Cuenca e Mattoso. Em outras edições o evento já reuniu Antonio Prata, Humberto Werneck, Verônica Stigger, Leandro Sarmatz, Beatriz Bracher, Noemi Jaffe, Fabrício Corsaletti e Fabiano Calixto. É importante reservar seu lugar com antecedência pois a Casa de Francisca é um pequeno café-teatro que costuma lotar. O endereço é Rua José Maria Lisboa, 190 - São Paulo.

A notícia Franzen da semana
Na semana em que Jonathan Franzen é assunto em diversos jornais e revistas, nada melhor do que reavivar a notícia Franzen da semana (para quem não se lembra, isso foi uma brincadeira que fiz no ano passado, quando Franzen estava fazendo um sucesso enorme nos Estados Unidos e na Europa). O Gotham Writers' Workshop perguntou a ele quais os conselhos para enfrentar o terrível bloqueio criativo. Franzen não titubeou e contou alguns macetes: "A certa altura, muitas vezes depois de meses de fracasso e frustração, eu sou forçado a parar e proceder a uma auto-análise através de anotações e conversa com amigos confiáveis". A conversa toda está disponível em http://tinyurl.com/3wcuwoh

*imagens: reprodução.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011

BRASILEIRO QUE NEM EU - QUE NEM QUEM?

Amanhã, a TV Cultura exibe o primeiro episódio da série Amores Expressos. O programa tem 16 documentários com duração de 22 minutos cada e será exibido semanalmente sempre às quintas-feiras, às 23h15, com reprise no Sábado, às 21h45. A estréia terá o escritor Antonio Prata na cidade de Xangai, na China.

Para quem não conhece, o projeto Amores Expressos foi criado pelo produtor Rodrigo Teixeira - com curadoria do escritor João Paulo Cuenca. Escritores brasileiros de diversas gerações viajaram para várias cidades do mundo. Cada um deles tinha de escrever uma história de amor inspirada na cidade em que estava.

Os diretores Tadeu Jungle e Estela Renner foram companheiros na empreitada e produziram 16 documentários captando as impressões e o processo de criação de cada escritor - esses, por sua vez, tinham câmeras digitais e máquinas fotográficas para registrar tudo o que acontecia e ainda mantinham um blog com textos e comentários.

A experiência aconteceu em 2007, resultando primeiro numa coleção de livros e agora nessa série de documentários para TV. Desde 2008, os livros estão sendo lançados pela Companhia das Letras. Já saíram: Cordilheira, de Daniel Galera (Buenos Aires), Estive em Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato (Lisboa), O filho da mãe, de Bernardo Carvalho (São Petesburgo), O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca (Tóquio) e Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron (Cairo).

Na próxima semana ocorre o lançamento do romance Nunca vai embora, de Chico Mattoso (Havana). No mês que vem a editora publica O livro de Praga, de Sergio Sant’Anna (Praga).

O deslocamento de território propõe uma questão interessante: será que o escritor brasileiro consegue produzir literatura brasileira no estrangeiro - ou num lugar que lhe é estrangeiro? É fato que a gente consome literatura estrangeira diretamente na fonte, sem filtros. Só que fazemos isso olhando do lado de cá. A mudança para outros lugares pode afetar esse processo? Estamos construindo obras mais universais e menos locais? Só quando a série estiver completa teremos um plano geral.

Até agora a experiência tem rendido bons frutos e diversos elogios da crítica. O filho da mãe, por exemplo, foi finalista de prêmios importantes de literatura e está na semifinal da Copa de Literatura. Do fundo do poço... ganhou o Prêmio Machado de Assis no ano passado. O único final feliz... foi muito bem comentado. Esqueci mais algum?

Da série, li apenas O filho da mãe e O único final feliz... ambos assimilam muito bem o nacional e o estrangeiro. O Brasil é um país nem tão distante. As histórias de amor parecem tão sufocantes quanto a própria experiência de ser estrangeiro. E no final parece que sempre existe um acidente para tornar a história feliz.

*Atualização*: esqueci de dizer que Cordilheira, de Daniel Galera também ganhou o Prêmio Machado de Assis e foi finalista do Prêmio Jabuti. Valeu, Diana!


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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

JULGANDO LIVROS PELA CAPA: PORTUGAL X BRASIL

O site The Millions faz uma brincadeira interessante comparando a capa de livros em edições americanas e inglesas. Pegando a ideia emprestada, entrei na brincadeira escolhendo alguns autores brasileiros e portugueses para comparar o designer de capa de cada um. Imagino que as duas questões que sempre atormentam o trabalho de quem faz a capa são: resumir o enredo do livro numa única imagem e conquistar a atenção do leitor para aquele produto. Por isso, a brincadeira tem um resultado curioso quando percebemos que o que nos fisga nas livrarias é bem diferente daquilo que fisga nossos "patrícios d'além mar".

Como não sou especialista no assunto, estou comentando de maneira bem prosaica - no melhor estilo inexperiente sem compromisso. Alguns livros ainda estão na minha fila de leitura, portanto não posso comentar sobre a relação do conteúdo com a capa.

As capas das edições brasileiras estão do lado direito. Os comentários estão abertos quem quiser pode participar.



Leite derramado, Chico Buarque.
Sei que a edição brasileira saiu com duas capas diferentes: uma branca com título em preto e outra laranja com o título em branco. As duas versões ficaram limpas e sóbrias, embora a laranja chame mais atenção e seja a mais conhecida. Já a edição portuguesa escolheu uma imagem que diz muito a respeito do enredo do livro.


Estive em Lisboa e lembrei de você, Luiz Ruffato.
Enquanto a edição portuguesa optou por uma foto da cidade, nossa edição optou pelo galo português que é muito mais simbólico. Soa carinhosa a pequena adaptação no título para "...lembrei-me de ti".

A arte de produzir efeito sem causa, Lourenço Mutarelli.
As duas editoras optaram pela mesma imagem na capa. A diferença está apenas no formato: em Portugal é quadrado e mais longo, enquanto no Brasil as bordas são arredondadas e o livro um pouco menor. Comentário a parte: o projeto gráfico do pessoal do Máquina Estúdio (no Brasil) é realmente espetacular.


Caim, José Saramago.
Enquanto a edição brasileira optou por uma imagem abstrata, a portuguesa preferiu uma figura bíblica. E esse furo na testa da figura tem uma força simbólica muito forte.


Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, António Lobo Antunes.
Aqui tem uma questão de identidade visual. Praticamente todos os livros da Alfaguara no Brasil tem essa espécie de moldura. O cavalo do título aparece na singela figura de um cavalinho de pau na mão de uma menina. Já a edição portuguesa optou pela força desse cavalo furioso, trotando.


O remorso de baltazar serapião, Valter Hugo Mãe.
Ficou bonita a imagem dessa cabeça com um mapa antigo. Lembra mesmo uma posição de remorso. A edição brasileira também ganhou uma identidade bem nacional com esse desenho que lembra uma serigrafia. E diz muito sobre a história, imagino.


Mãos de cavalo, Daniel Galera.
Resolvi mencionar essas duas capas não para falar de beleza. Mas achei bem curioso que a capa portuguesa seja mais literal na imagem.


O único final feliz para uma história de amor é um acidente, João Paulo Cuenca.
A edição brasileira é bastante elaborada e cheia de informações visuais que lembrar elementos da cultura visual japonesa. Pelo menos é o que me parece. Os portugueses optaram pelo minimalismo das cores da bandeira japonesa e pelo desenho da boneca, personagem do romance. Bem curioso também.

*imagens: divulgação, reprodução.

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domingo, 9 de janeiro de 2011

NOTAS #14


Mosqueteiros ilustrados
A editora Zahar lançou no final do ano passado uma edição caprichada do livro Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas. A tradução, apresentação e notas explicativas foram feitas pelos escritores André Telles e Rodrigo Lacerda - eles também são os responsáveis pela tradução premiada de O conde de Monte Cristo, outro livro de Dumas. O livro inclui ainda mais de 100 ilustrações originais. De fato, trata-se da edição definitiva do romance.

Domínio público
Alguns escritores famosos estão entrando em domínio público em 2011. Entre eles, Walter Benjamin, o pensador mais importante do século passado, e os escritores Mikhail Bulgakov e F. Scott Fitzgerald. Vale lembrar que não são todos os textos que serão enquadrados nessa categoria. Tem de ficar atento ao ano de publicação da obra.

Os melhores de 2010 – parte 1
Parece que já faz tanto tempo, mas na verdade não faz. Por isso, muita gente ainda está falando sobre os melhores livros de 2010. Vamos perdoar, afinal foi o fim de uma década e estamos na era da velocidade - tem notícia que passa e a gente nem consegue degustar. A revista portuguesa LER, por exemplo, convocou seus leitores para uma votação. Entre os escolhidos tem: Uma viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares; O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa; Submundo, de Don DeLillo e Livro, de José Luís Peixoto.

***

O El País, por meio do caderno Babelia, também divulgou sua lista. Exceto Blanco nocturno, de Ricardo Piglia os demais livros também apareceram na lista da revista LER e a de muitos outros jornais. Fiquei impressionado com Verão, de J. M. Coetzee que está em todas as listas que vi circulando pela internet. A lista do El País está disponível em http://tinyurl.com/y9vhzbj

Os melhores de 2010 - parte 2
Outro que divulgou sua lista de 2010 para literatura estrangeira traduzida no Brasil foi João Paulo Cuenca no programa Estúdio i, da Globo news. Cuenca gostou de 2666, de Roberto Bolaño; A verdadeira vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov; Doutor Pasavento, de Henrique Vila-Matas; A morte de Bunny Mumro, de Nick Cave; e Uma mulher, de Peter Esterházy. Um vídeo do programa está disponível em http://tinyurl.com/28evzca

A literatura vai ao cinema
O jornal LA Times organizou uma lista com filmes que estão ligados ou foram inspirados pelo universo da literatura. Até agora foram 29 filmes - os critérios de seleção estão no link abaixo. A lista serve para aqueles dias chuvosos das férias em que você já cansou de ler livros. Tem Uma janela para o amor, baseado num romance de E.M. Forster; O céu que nos protege, baseado num romance de Paul Bowles; Short cuts - cenas da vida, adaptação de alguns contos de Raymond Carver; Razão e sensibilidade, baseado em livro de Jane Austen - a escritora do momento; Trainspotting - sem limites, baseado num livro homônimo de Irving Welsh. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/2c3pxqr

Paixão pela literatura
O ator James Franco está realmente envolvido com literatura. No ano passado ele publicou um livro de contos que recebeu diversos elogios e ainda estrelou um filme em que vive a história do poeta beatnick Allen Ginsberg - o filme deve estrear em breve no Brasil. Nessa semana o ator anunciou que ainda esse ano vai dirigir uma versão para o cinema do romance Enquanto agonizo, de William Faulkner e para o ano que vem pretende dirigir o romance Meridiano de sangue, de Cormac McCarthy.

Relançamento
A editora Companhia das Letras promete publicar em 2011 uma nova edição do livro Os escritores - as históricas entrevistas da Paris Review. O livro foi publicado pela primeira vez em 1988/1989 em dois volume e conta com as melhores entrevistas de escritores concedidas à revista de literatura mais importante do mundo. Tem E. M. Forster, Louis-Ferdinand Céline, Jorge Luis Borges, William Faulkner, Saul Bellow, John Cheever, Gore Vidal, Milan Kundera, William Burroughs, Vladimir Nabokov, Ernest Hemingway, Anthony Burgess, Jack Kerouac, Gabriel García Márquez, Philip Roth, entre outros.

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Desde o ano passado, a Paris Review conta com um novo editor, Lorin Stein, que está dando novos ares à revista e modificando um pouco seu perfil. O site da revista, por exemplo, ganhou um blog, um tumblr e um twitter. Além disso, algumas entrevistas do arquivo tiveram seu acesso liberado para os leitores.
*imagem: reprodução do site da editora Zahar.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A ALEGRIA DAS LISTAS


Semanas atrás o New York Times publicou um ensaio falando sobre a alegria das listas. O texto faz uma brincadeira criando uma lista de poetas e escritores que interrompem a nossa leitura para nos obrigar a ler listas, catálogos, enumerações, e tudo o mais. Tem autores de todos vários momentos da história da literatura: os clássicos e os modernos. Lembra a ideia por trás do livro A vertigem das listas, de Umberto Eco.

O assunto ganha corpo, sobretudo nessa época, perto do fim do ano. Há listas por todos os lados: o melhor romance, o melhor conto, o melhor autor, a melhor capa e assim por diante. Entra ano e saí ano, coisa tome proporções enormes. Mas a verdade é que nós adoramos listas. A lista exerce um imenso poder de sedução porque ela define aquilo que não conseguimos compreender, citando Umberto Eco novamente. Também não deixo de pensar que uma lista pode servir como um filtro para aquelas pessoas que estiveram ocupadas o ano inteiro com outros assuntos e precisam de um lugar que concentre essa informação - gesto que combina muito com o nosso tempo. Além disso, as listas são instrutivas, divertidas, multiformes, perigosas, confusas e às vezes definitivas.

Para se ter uma ideia, praticamente todos os jornais e revistas americanas já definiram os livros do ano. Nem preciso dizer que Freedom, de Jonathan Franzen esteve em todas essas listas. O romance The imperfectionists, de Tom Rachman também foi bastante citado.

Por aqui, o assunto também já está circulando com força. A eleição do melhor do ano organizada pelo Todoprosa, de Sérgio Rodrigues terminou na sexta-feira. Ganhou O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca, na categoria nacional, e 2666, de Roberto Bolaño, na categoria estrangeira.

Também na sexta-feira, o jornal O Globo começou uma votação pela internet para escolher os seus melhores de 2010. A categoria “melhor livro" mistura ficção e não ficção. Tem Roberto Bolaño, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Ian McEwan e outros. Os internautas podem votar aqui.

Com um projeto mais ambicioso, o programa Espaço Aberto da Globonews quer eleger os melhores livros da primeira década do novo milênio. Um júri composto por André Seffrin, Claufe Rodrigues, Edney Silvestre, Flávio Carneiro, Heloisa Buarque de Hollanda, Humberto Werneck, Livia Garcia-Roza, Lúcia Riff, Luciana Savaget e Ricardo Costa escolheu livros de prosa e poesia. Os escolhidos serão anunciados no último programa do ano, dia 31/12. Internautas também podem ajudar votando aqui.

Só que nem tudo é festa, a coluna de Daniel Piza no Estadão disse o seguinte sobre os melhores livros do ano: "É isso aí: poucas e boas reedições, releituras e, para quebrar a modorra, ensaios científicos. Mas é melhor viver disso do que de falsas novidades e velhas picaretagens".

*imagem: reprodução Google.

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Atualização: A revista Bravo! também montou uma lista com os melhores livros nacionais da década e liberou os cinco primeiros colocados no site. Quem quiser acompanhar as listas internacionais pode ficar de olho aqui.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

NOTAS #8


Contos de fadas
Livros de contos de fadas sem ilustrações são muito sem graça. Quanto mais caprichada a ilustração, mais vamos gostar do livro. Pensando nisso, uma pessoa apaixonada por contos de fadas criou um Flickr para reunir ilustrações de livros bem antigos. A coleção conta com desenhos do principal trio de ilustradores do começo do século XX: Edmund Dulac, Arthur Rackham e Charles Robinson. Mais imagens estão disponíveis em http://tinyurl.com/y9srzkv

Nobel sem descanso
Mario Vargas Llosa mal ganhou o prêmio Nobel de Literatura e já retornou ao trabalho. Ele foi convidado pela Universidade de Princenton para ministrar um curso sobre técnicas do romance e outro sobre o escritor argentino Jorge Luis Borges. Vargas Llosa ainda lançou essa semana um novo romance, El sueño del celta. Ainda inédito no Brasil, esse livro tem previsão de lançamento em 2011 pela editora Alfaguara.

Autorretrato de Borges
O americano Burt Britton, co-fundador da lendária livraria New York Books & Company, conheceu de perto muitos escritores e outras figuras ilustres. Para cada um deles Britton fazia um pedido curioso: desenhar um autorretrato. A brincadeira ficou tão série que acabou virando uma coleção particular muito cobiçada - inclusive toda a coleção foi a leilão no ano passado e arrecadou lances altíssimos. Entre os escritores que se autorretrataram estão: Maurice Sendak, Margaret Atwood, Saul Bellow, Jorge Luis Borges, Roald Dahl, Allen Ginsberg, Stephen King, Cormac McCarthy, Norman Mailer, John Updike, Tom Wolfe e muitos outros. Uma parte desses desenhos pode ser vista em http://tinyurl.com/3x2zxeg

Nos bastidores
Dois autores do universo da prosa de ficção estão por trás do especial Afinal, o que querem as mulheres?: João Paulo Cuenca e Cecília Giannetti. Ambos escreveram o roteiro do seriado e contaram com a coautoria de Michel Melamed e do diretor Luiz Fernando Carvalho. Em entrevista os dois disseram da diferença entre escrever um livro solitariamente e de escrever para a TV em parceria com mais pessoas. Com duração de seis episódios e exibição semanal, o seriado vai ao ar na TV Globo.

Escolha editorial da Amazon
A megaloja Amazon fez a sua tradicional lista de melhores livros lançados no ano. Na categoria ficção os dez livros escolhidos são: Matterhorn, de Karl Marlantes; Freedom, de Jonathan Franzen; A mulher foge, de David Grossman; The Imperfectionists, de Tom Rachman; Major Pettigrew's Last Stand, de Helen Simonson; The Hand That First Held Mine, de Maggie O'Farrell ; Skippy Dies, de Paul Murray; One Day, de David Nicholls; Memory Wall, de Anthony Doerr e The Lonely Polygamist, de Brady Udall.

Honra ao mérito
Toni Morrison recebeu na França a Ordem Nacional da Legião de Honra - a maior condecoração de honra concedida pelo governo francês. Durante a cerimônia de entrega na semana passada Frederico Mitterrand, o ministro da cultura, disse que Morrison "incorpora a melhor parte da América, o que fundamenta o amor à liberdade nos sonhos mais intensos". Além de ser unanimidade de crítica como uma das melhores escritoras de seu tempo, Morrison também já ganhou o Prêmio Pulitzer e foi a primeira mulher negra a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura.

A noticia Franzen da semana

O jornal britânico Guardian disponibilizou o vídeo de uma entrevista com Jonathan Franzen. Sarfraz Manzoor, colaborador do jornal, pergunta ao escritor sobre o novo romance - Freedom, sobre a amizade com David Foster Wallace e sobre a política nos Estados Unidos. É interessante observar os óculos que foram cobiçados por uma dupla de malucos numa festa na Inglaterra e a imensa calma de Franzen ao responder as perguntas. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/2wjg5ql

*imagem: reprodução.


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O LEITOR ESCOLHE QUEM LEVA O PRÊMIO


Nem só de prêmios internacionais com votos de um seleto grupo de críticos especializados vive a literatura. No Brasil, temos dois prêmios em vista em que qualquer leitor poderá ajudar na escolha do vencedor.

Até domingo, dia 31 de outubro, está aberta a votação do 'júri popular' para dezesseis categorias do Prêmio Jabuti 2010. O público pode escolher apenas um dos 3 vencedores de cada categoria que foram anunciados em 1 de outubro desse ano. Os mais votados receberão em novembro uma placa de premiação. O chamado 'Voto popular' é uma das novidades que a organização do prêmio preparou. Para votar, é só fazer um pequeno cadastro no site do prêmio e clicar nas suas escolhas.

Na categoria 'Contos e Crônicas' os três concorrentes são: Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), de José Rezende Jr.; A máquina de revelar destinos não cumpridos, de Vário do Andaraí; e Paulicéia dilacerada, de Mário Chamie. Já na categoria 'Romance' os concorrentes são: Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre; Leite derramado, de Chico Buarque; e Os espiões, de Luis Fernando Veríssimo.

Também tem início essa semana a votação de 'júri popular' para a categoria Literatura do 4° Prêmio QUEM, organizado pela revista QUEM Acontece. A seleção dos sete finalistas dessa categoria foi feita pelos críticos Rinaldo Gama, Heloísa Buarque de Hollanda e Sérgio Rodrigues - eles podiam indicar obras tanto em prosa como em poesia, publicadas ao longo de 2010.

Dentre os finalistas estão: Andréa del Fuego, que lançou Os malaquias; Dalton Trevisan, que lançou Desgracida; João Paulo Cuenca, que lançou O único final feliz para uma história de amor é um acidente; Ronaldo Correia de Brito, que lançou Retratos imorais; e o escritor português José Saramago - In memorian.

Façam suas apostas!

*Imagem: reprodução.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NOTAS #5


Zadie Smith pop
Zadie Smith, além de ser uma escritora talentosa, está se tornando também uma das mais populares de sua geração. O blog Londonist, por exemplo, mapeou e fotografou alguns lugares de Londres que aparecem no livro de estréia da autora, Dentes brancos. Além disso, o designer Henrik Kubel criou uma fonte baseada na capa da edição americana do romance Sobre a beleza. A fonte foi batizada de "Zadie".

Missão cumprida
Pelo visto a tarefa dos 36 escritores diferentes que se reuniram para escrever um romance em 6 dias foi bem sucedida. O desafio de cada um deles era escrever por duas horas e entregar o material para o próximo autor que iria continuar a história. A maratona foi totalmente voltada para a internet, com transmissão ao vivo pelo site e cobertura através de Facebook e Twitter. O resultado final já está disponível na internet no site http://www.thenovellive.org/

Larsson guerrilheiro
Segundo informações do jornal Telegraph, Stieg Larsson passou um ano treinando guerrilheiras na África. Eram mulheres que faziam parte de um grupo marxista que lutava pela libertação e independência da Eritréia, na Etiópia. Quem divulgou essa passagem da vida de Larsson foi um amigo íntimo, João Henrique Holmberg. Todo o episódio se passou antes de Larsson se tornar o famoso ator da trilogia Millenium.

Estréia na internet
Mais escritores estão aderindo ao mundo da internet. Só nessa semana foram três: o escritor veterano Milton Hatoum, a estreante Lívia Sganzerla Jappe e a escritora internacional Isabel Allende - o blog é escrito por uma assistente, mas parece que a pedido de Isabel.

Livros preferidos
A semana não pode ser completa sem qualquer notícia envolvendo o escritor Jonathan Franzen. Depois de ser escolhido oficialmente pelo book club da apresentadora Oprah Winfrey, Franzen confessou suas leituras preferidas. Ele não quis economizar e citou 27 livros, entre eles: Seize the day, de Saul Bellow; O céu que nos protege, de Paul Bowles; Ruído branco, de Don Delillo; The Hamlet, de William Faulkner; Desesperados, de Paula Fox; Something happened, de Joseph Heller; Song of Solomon, de Toni Morrison; Uma questão pessoal, de Kenzaburo Oe; todos os livros de Alice Munro; Os filhos da meia-noite, de Salman Rushdie; The familiy Moskat, de Isaac Bashevis Singer. Parece engraçado dizer isso, mas de alguma maneira a obra de Franzen tem semelhanças com esses escritores.

Mais trilha sonora
Depois de Daniel Galera, foi a vez João Paulo Cuenca dizer qual a sua trilha musical preferida para o Caderno2, do Estadão. A trilha vai do soft eletrônico "Odessa - Caribou" ao rock alternativo com as canções "Shelter - The XX", "Metal heart - Cat Power" e "These are my twisted words - Radiohead". Ele também não deixou de fora o clássico "The köln concert - Keith Jarret" e a canção mais cortante "Girl from the north country - Bob Dylan.

A próxima geração
Em passagem pelo Brasil, o Nobel Mario Vargas confessou que acompanha a atual literatura peruana nas obras de Daniel Alarcón e Santiago Roncagliolo. Os dois jovens escritores já são bastante conhecidos e estiveram nas listas da revista New Yorker e Granta, respectivamente.


*imagem: reprodução Telegraph


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