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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (3): PORTUGAL X BRASIL

Desde que comecei o blog peguei uma bela ideia emprestada e todos os anos faço uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras. Para não perder a tradição faço uma nova rodada nesse ano. Vale lembrar que tamanha diferença entre as capas portuguesas e brasileiras não deve causar muito espanto, afinal cada país tem uma cultura visual muito particular e algo atrai os portugueses pode não atrair os brasileiros - evidentemente. O exercício de olhar as capas lado a lado serve para especular sobre o trabalho do capista na hora de resolver o problema de dar uma cara para um livro e vendê-lo para o leitor.

Digo de antemão que não sou especialista no assunto, portanto estou comentando sem muito compromisso. A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fique à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.



1Q84, de Haruki Murakami
É difícil encontrar uma imagem que sintetize a epopeia onírica tão característica desse escritor japonês. Os portugueses optaram por uma capa limpa com uma brincadeira envolvendo o título do livro e uma linha vermelha cortando a brancura do fundo. Nós optamos pelas cores e pelo grafismo que lembra a bandeira do Japão - respeitando a clássica moldura das capas da Alfaguara. As duas não chegam perto da escolha certeira do design norte-americano Chip Kidd (ele optou por usar dois rostos japoneses por baixo do título do romance e deu uma cara para as suas personagens principais), mas foram não deixam de ser boas soluções. Empate.


A confissão da leoa, de Mia Couto
Não tem como fugir das garras dessa leoa, por isso ela aparece nas duas capas. Na versão portuguesa ela é selvagem e ameaçadora frente ao pequeno caçador. A cor amarela é uma marca das capas do selo Caminho, mas não deixa de lembrar o sol tropical de Moçambique. A versão brasileira tem a silhueta misteriosa da leoa, quase fictícia frente ao realismo da fotografia dos meninos pobres. Capta mais a atmosfera do romance. Ponto pra gente.



Laços de família, de Clarice Lispector
Demorou um pouco, mas a fama internacional de Clarice Lispector chegou a Portugal. Isso não quer dizer que ela não era conhecida por lá. Sua redescoberta promoveu uma série de reedições pela Quetzal. A foto da jovem Clarice é linda, mas não deixa de conferir ao livro um ar de biografia. Sendo assim, a capa brasileira ganha pontos por criar uma ilustração que resume alguns contos do livro.



Nada a dizer, de Elvira Vigna
Tem como não se render a bela imobilidade tediosa do casal que está na edição brasileira? Tudo se encaixa perfeitamente: o vazio que cerca o desenho, o equilíbrio das cores etc. No entanto, a edição portuguesa não fica atrás com essa fotografia em preto e branco, o olho fechado e o braço que cobre a boca (a cena muda, como alguns diriam). Empate técnico.


On the road - Pé na estrada, de Jack Kerouac
As duas reedições aproveitaram o lançamento do filme de Walter Salles baseado no livro de Jack Kerouac. A versão brasileira seguiu colada ao cartaz oficial do filme - é uma escolha muito comum para ligar um produto ao outro. Em termos de beleza para os olhos funciona como cartaz, não sei como capa de livro. A fotografia da versão portuguesa tem os inseparaveis amigos beatniks (Kerouac e Cassady - acho que o Burroughs também aparece ao fundo) e pareceu mais clássica. Ponto para os portugueses. Não tem como não sentir certo sorriso ao pensar no título Pela estrada a fora.


Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo
Não tem muito que falar da capa portuguesa. A ideia pode até ser boa, mas a realização é ruim. Ponto para a capa brasileira com a fotografia do ônibus em movimento.



Axilas e outras histórias indecorosas, de Rubem Fonseca
A capa brasileira é muito elegante. Passeia entre o sublime e o grotesco, tal qual o título do livro sugere. A capa portuguesa parece mais literal. Só que não deixa de ser bonita com essa cor meio dourada e a ilustração chapada da moça em preto - cena do crime? Outro empate - desculpe.



Serena, de Ian McEwan
A história é igual, mas os títulos são diferentes. Não estranhe. É uma questão de tradução. Seja como for, a nossa capa é a melhor de todas as capas que eu já vi (incluindo as edições em inglês). Ela tem a propriedade de não revelar o rosto, de estar bem contextualizada no tempo e no lugar - uma maravilha. Já a capa portuguesa é meio duvidosa. Mais um ponto pra gente.

*Imagens: divulgação e reprodução.
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quarta-feira, 14 de março de 2012

DOCUMENTÁRIO E FICÇÃO: É TUDO VERDADE!

Na semana que vem começa o festival É Tudo Verdade dedicado ao cinema documentário. Daí você pode estar se perguntando: o que isso tem haver com prosa de ficção? Muita coisa. Ou melhor, três coisas: um documentário sobre Macedonio Fernández, outro sobre Jean-Claude Carrière e outro sobre Carolyn Cassady - a mulher de Neal Cassady e amante do escritor Jack Kerouac.

Macedonio Fernández é um documentário lançado em 1995 e dirigido pelo argentino Andrés Di Tella (diretor que ganhará uma retrospectiva no festival). O grande escritor Ricardo Piglia passeia por Buenos Aires para reconstruir a figura mítica de Macedonio Fernández - autor que continua exercendo até os dias atuais uma grande influência na literatura argentina. Não soa exagerada a afirmação de que para entendermos Jorge Luis Borges e Júlio Cortázar precisamos ler Macedonio Fernández. Recentemente a Cosac Naify publicou Museu do romance da eterna, livro inédito no Brasil com tradução de Gênese Andrade. Leitura altamente recomendada para quem deseja se aventurar no universo desse escritor.


O escritor e roteirista Jean-Claude Carrière também vira tema do documentário Carrière 250 Metros, dirigido por Juan Carlos Rulfo (filho do escritor Juan Rulfo). No filme Carrière refaz o percurso de sua vida pessoal que o leva a uma viagem em busca do diretor de teatro Peter Brook, o cineasta Milos Forman e o garçom de um hotel mexicano em que se hospedou com Luis Buñuel.


Para encerrar com chave de ouro os filmes ligados a prosa de ficção, o festival apresenta o documentário Com Amor, Carolyn, dirigido por Maria Ramstrom e Malin Korkeasalo. Jack Kerouac eternizou Neal Cassady, o muso inspirador de toda a geração Beat, na lendária personagem de Dean Moriarty. Entre o mito e a realidade estava Carolyn Cassady, a mulher que conviveu de perto com vários ícones fundamentais daquele movimento. Tudo o que ela tem para contar está bem distante da história que aparece em On the road - pé na estrada (lançado pela LPM com tradução de Eduardo Bueno). O documentário serve de aquecimento para o filme On the road, dirigido por Walter Salles com previsão de estréia em junho.

Vale a pena ver o trailer do documentário Com Amor, Carolyn com imagens incríveis de Neal Cassady dançando alucinado. Na semana passada também começou a circular na internet o trailer do filme On the road.

O festival É Tudo Verdade rola em São Paulo e Rio de Janeiro entre os dias 22 de março a 01 de abril. Em Brasília, de 10 a 15 de abril. Em Belo Horizonte, em maio. Detalhe: todas as sessões são gratuitas.

P.S.: não posso deixar de mencionar que também haverá exibição do vídeo Consideração do Poema, de Gustavo Rosa de Moura, Eucanaã Ferraz e Flávio Rosa de Moura que foi feito em comemoração do Dia D, dedicado a obra poética de Carlos Drummond de Andrade. Naquela época o vídeo circulou na internet, no youtube etc.

***

ATUALIZAÇÃO: se você ficou bastante interessado em assistir um desses documentários fique atento para os dias e horários de exibição. Por enquanto, só temos informações de São Paulo e do Rio de Janeiro. Logo mais deve sair as datas da itinerância programada para Belo Horizonte e Brasília. Não custa lembrar que a programação está sujeita a alterações.

Com Amor, Carolyn
Dir. Maria Ramstrom e Malin Korkeasalo

São Paulo
Dia 30/03 - Cinesesc, 17h
Dia 31/03 - CCBB, 19h

Rio de Janeiro
Dia 28/03 - CCBB, 10:30h
Dia 30/03 - CCBB, 18:30h

Macedonio Fernández
Dir. Andrés di Tella

São Paulo
Dia 23/03 - CCBB, 17h
Dia 28/03 - CCBB, 11h

Rio de Janeiro
Dia 29/03 - CCBB, 14:30h
Dia 01/04 - CCBB, 10:30h

Carrière 250 Metros
Dir. Juan Carlos Rulfo

São Paulo
Dia 24/03 - Cinemateca, 16h
Dia 01/04 - Cinesesc, 15h

Rio de Janeiro
Dia 26/03 - Espaço Itaú de Cinema Botafogo, 17h
Dia 01/04 - Oi Futuro Ipanema, 20h

Consideração do Poema
Dir. Gustavo Rosa de Moura, Eucanaã Ferraz e Flávio Rosa de Moura

São Paulo
Dia 28/03 - Cinesesc, 19h
Dia 30/03 - MIS, 14h

Rio de Janeiro
Dia 29/03 - Espaço Itaú de Cinema Botafogo, 19h
Dia 01/04 - Instituto Moreira Salles, 18h

*Imagens: divulgação Cosac Naify / reprodução internet e divulgação do filme.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ESCREVA UM LIVRO EM SEMANAS...


... e arque com as consequências!

A edição deste mês da hiperconectada revista WIRED foi toda pensada em torno do tema "#RIOT" (ou 'motim', em bom português). Aparte toda a mobilização da revista em demonstrar que as redes sociais alimentam as "revoltas" sociais, há uma pequena página perdida dedicada a literatura. Não fala diretamente da relação entre a literatura e as rebeliões, mas dispara uma lista com cinco livros que foram escritos em pouquíssimo tempo e que causaram certo reboliço quando foram lançados. A lista recebe o simpático nome de "Speedy Scribes: The Price 5 Writers Paid for Flash Fiction" (algo como "Escribas velozes: o preço que 5 escritores pagaram pela ficção relâmpago") - em inglês, disponível para acesso.

Encabeçando a lista está Laranja mecânica, de Anthony Burgess. O livro consumiu apenas três semanas de trabalho e quando foi lançado deu uma tremenda dor de cabeça ao autor porque ele queria repudiar essa história, de acordo com a revista. Imagino que a adaptação para o cinema deve ter contribuído bastante para isso. Depois vem On the road - pé na estrada, de Jack Kerouac. Diz a lenda mais famosa que o livro foi escrito em 20 dias ininterruptos num único rolo de papel de 120 metros. A história não é falsa, mas já disseram Kerouac teria consumido todo o tipo de droga para se manter acordado quando na verdade ele bebeu apenas café. A lista segue com O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson (escrito em menos de uma semana depois de um pesadelo) e Sangue na neve, de Georges Simenon (escrito em quase duas semanas). O último livro é Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Segundo conta a revista, Bradbury morava numa casinha com duas crianças barulhentas. Para resolver o problema ele alugou uma máquina de escrever na biblioteca da Universidade da Califórnia por 10 centavos a hora. Resultado: ele escreveu o livro em nove dias.

Depois de ler essas histórias a gente não pode mais acreditar naqueles escritores que dizem que escrever é lento, trabalhoso, difícil e até dolorido. Brincadeira! O trabalho pode ser rápido, mas as consequências podem ser complicadas.

*Imagem: reprodução das capas dos livros que aparecem na Wired em versão nacional.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A LITERATURA VAI AO CINEMA EM 2012

Estou preparando uma "série" de textos com coisas sobre as quais vamos falar bastante em 2012. De alguma maneira, essa "série" começou com os lançamentos de ficção previstos pelas editoras ao longo do ano. Agora listo os livros que vão ganhar adaptações para o cinema.

O trânsito entre literatura e cinema sempre existiu, desde a invenção do cinema. Não é coisa de agora. É um caminho natural, imagino. E um livro que vira filme sempre gera movimento: a pessoa que gosta do filme pode comprar o livro e recomendar aos amigos. É difícil ater-se apenas ao grau de fidelidade do filme para com o livro. Todo mundo sabe que as duas formas de arte são diferentes e tem suas particularidades. Há livros que quase não se deixam transformar em roteiros e imagens, assim como filmes que por mais que fossem exaustivamente descritos com palavras jamais poderiam repetir a experiência de ver uma tela com nossos próprios olhos. Estou falando aqui de maneira prosaica.

Se você sentiu falta de algum filme, por favor, deixe um recado nos comentários.

Hergé
Não é propriamente um romance, um conto ou uma novela. É quase isso. É a HQ Tintim, de Hergé. A aventura cinematográfica do intrépido repórter e seu fiel cão tem sido uma das mais comentadas da temporada. A direção de Steven Spielberg e toda a novidade tecnológica por trás da animação prometem. Lançamento em 20 de janeiro.

Stieg Larsson
O ano começa com o filme Millennium - Os homens que não amavam as mulheres. Será a primeira adaptação dos estúdios de Hollywood para o best seller mundial escrito por Stieg Larsson. O livro já tinha ganhado uma versão para o cinema na Suécia, mas não teve o mesmo apelo de marketing e foi pouco comentado. Na versão norte-americana a direção ficou nas mãos de David Fincher (diretor de Zodíaco, O curioso caso de Benjamin Button e A rede social) tendo Daniel Craig no papel de Mikael Blomkvist e a "novata" Rooney Mara dando vida a Lisbeth Salander. O livro faz parte de uma trilogia de sucesso e certamente haverá na sequência filmes para os outros dois livros. Lançamento em 27 de janeiro.

Jonathan Safran Foer
Extremamente alto & incrivelmente perto chega às telas de cinema com direção de Stephen Daldry (curiosamente o nome do filme ficou Tão perto e tão longe). Para a gente não esquecer os incidentes que aconteceram em 11 de setembro nos Estados Unidos e celebrar um grande romance contemporâneo. O elenco tem Tom Hanks, Sandra Bullock e Thomas Horn (o garoto da história que percorre Nova York em busca de encontrar a fechadura que corresponde à misteriosa chave deixada pelo pai). Lançamento em 2 de março.

Guy de Maupassant
Os diretos estreantes Declan Donnellan e Nick Ormerod preparam uma versão para o romance Bel Ami, de Guy de Maupassant. O elenco tem Uma Thurman, Christina Ricci e Robert Pattinson. O lançamento nos Estados Unidos e Inglaterra está previsto para março.

Jack Kerouac
On the road - pé na estrada, a bíblia da geração beat finalmente vai ganhar uma versão cinematográfica. O filme será dirigido por Walter Salles com produção de Francis Ford Coppola (que comprou os direitos de filmagem do livro em 1979). O ator Sam Riley (estrela do filme Control sobre a banda Joy Division) fará o papel de Sal Paradise e Garrett Hedlund (o mocinho de Tron - o legado) será Dean Moriarty. O elenco ainda tem Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen, Amy Adams, Elisabeth Moss, Tom Sturridge e Terrence Howard. O lançamento está previsto para junho.

F. Scott Fitzgerald
Um clássico de 87 anos aparentemente invencível. Depois de virar até um jogo de videogame, O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald ganha sua terceira adaptação para o cinema. O livro virou filme pela primeira vez em 1949 com direção de Elliott Nugent. A versão mais conhecida foi feita em 1974 com direção de Jack Clayton e roteiro de Francis Ford Coppola. O elenco tinha Mia Farrow e Robert Redford nos papéis principais. O responsável por atualizar a história contada por Fitzgerald será Baz Luhrmann (de Moulin Rouge - amor em vermelho). Dessa vez o casal Jay Gatsby e Daisy Buchanan será interpretado por Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan. Promete ser um olhar renovador e fantasioso sobre a Era da Grande Depressão. Lançamento previsto nos Estados Unidos e Inglaterra para dezembro.

Yann Martel
O diretor Ang Lee (Razão e sensibilidade e Brokeback Mountain) vai levar ao cinema uma adaptação de A vida de Pi, de Yann Martel. O romance ganhou o Man Booker Prize em 2002. Conta a história do menino indiano Pi Patel que depois de um naufrágio permanece preso num bote com um tigre, um orangotango, uma zebra e uma hiena. A primeira tradução para o português saiu em 2004 pela Editora Rocco e uma nova edição saiu em 2010 pela Nova Fronteira. Lançamento previsto nos Estados Unidos e Inglaterra para dezembro.

Don DeLillo
Ainda não foi confirmado, mas parece quase certo que David Cronenberg deve estrear sua adaptação de Cosmópolis, de Don DeLillo ainda esse ano. Boatos dão conta de que o filme deve ser lançado até o outono norte-americano. O filme tem Robert Pattinson, Paul Giamatti e Juliette Binoche. A confirmar.

***ATUALIZAÇÃO***

Lionel Shriver
Esqueci de comentar a adaptação do eletrizante romance de Lionel Shriver, Precisamos falar sobre Kevin. A história da mãe que precisa lidar com o fato de seu filho ter sido autor de um massacre no colégio em que estuda foi dirigida pela escocesa Lynne Ramsay (este é seu terceiro longa metragem). Tilda Swinton vive Eva Khatchadourian. O papel lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz - drama. A editora Intrínseca prepara uma edição especial do livro com capa inspirada no cartaz nacional do filme. Lançamento em 20 de janeiro.

Outros
Estréia hoje O espião que sabia demais baseado em livro de John Le Carré. O elenco tem Gary Oldman, Colin Firth e Tom Hardy. Tem também o novo filme de Guy Ritchie para o personagem mais famoso dos romances policiais, Sherlock Holmes.

*Imagem: reprodução do Google.

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sábado, 16 de julho de 2011

NOTAS #27

Fantasmas literários

Antônio Xerxenesky lança na próxima semana o livro de contos A página assombrada por fantasmas em Porto Alegre (dia 21 de julho na Palavraria Livraria) e no Rio de Janeiro (dia 26 de julho na Livraria Prefácio - com direito a bate-papo mediado por Leonardo Villa-Forte). Ainda não há data para lançamento em São Paulo. Fiquei mais curioso para ler esse livro depois desse comentário do Emilio Fraia: "A paranóia deflagrada pela leitura é uma das maneiras de ler os contos deste livro. Mas existem outras. Trata-se também de textos que homenageiam e ironizam os gêneros. E de um mundo cujas promessas de aventura se cumprem exclusivamente nos livros ou a partir deles".

Paul Murray



O book club do jornal Telegraph está fazendo um tour pelas livrarias do Reino Unido. Em sua mais recente viagem, o book club esteve na The Linlithgow Bookshop em Edimburgo, na Escócia. O escritor Paulo Murray participou do evento lendo um trecho do romance Skippy Dies - ainda sem tradução para o português.

Produtos do pinguim
A Penguin dos Estados Unidos resolveu co
memorar seu aniversário de um jeito bem diferente. A editora criou uma edição limitada de shapes de skate usando a imagem de capa de alguns de seus livros clássicos - entre eles: Dharma Bums, de Jack Kerouac e As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain. Para concorrer ao mimo os leitores precisam enviar fotos de seus skates com o seu clássico da Penguin preferido. Os ganahadores serão escolhidos por votação popular. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/6acgxr2

***

Pegando carona na promoção da Penguin, a editora Michelle Witte resolveu criar uma série imaginária de band-aids com a mesma ideia. A brincadeira tem um tom irônico, mas não deixa de ser comercialmente atraente. Quem não se lembra das pessoas colando band-aids no tênis na década de 90? http://tinyurl.com/6h4bbae

Diversão


Um vídeo curtinho com o escritor Jack Kerouac jogando sinuca.

Gainsbourgianas
Não me canso de falar aqui da saudosa coluna Trilha Sonora que era publicada pelo Caderno 2, aos sábados. João Paulo Cuenca e Daniel Galera foram dois escritores que passaram pela coluna contando um pouco dos seus gostos musicais. Para matar a saudade, encontrei um podcast da revista BRAVO! com o editor Paulo Roberto Pires. Aproveitando o lançamento do filme Gainsbourg - O homem que amava as mulheres, ele escolheu cinco canções clássicas do mítico cantor e compositor francês: Je T'aime Moi Non Plus, Black Trombone, La Javanaise, L'Anamour, Je Suis Venu Te Dire Que Je M'En Vais. O podcast está disponível em http://tinyurl.com/5w9ymx4

Kafka no cinema
No final do mês começam as filmagens de um curta metragem inspirado na novela A metamorfose, de Franz Kafka. Os diretores David Yohe e Jason Goldberg fizeram um vídeo contando um pouco mais sobre o projeto. Dá pra ver que vai ser um pequeno filme de terror moderno. O vídeo está disponível em http://vimeo.com/24549645

Festas
As melhores festas são aquelas paras as quais a gente não foi convidado, eis uma verdade. Pensando nisso, o site Flavorwire organizou um lista com as dez melhores festas da literatura que a gente não pode comparecer. Pelo menos não de verdade, apenas imaginariamente. Na lista tem a festa de aniversário de Mrs. Dalloway (de Virginia Woolf), todos aquelas festa que acontecem em O grande Gatsby (de F. Scott Fitzgerald), o chá alucinatório em Alice no país das maravilhas (de Lewis Carroll), o misterioso baile em Madame Bovary (de Gustave Flaubert) e mais festas em Abaixo de zero, de Bret Easton Ellis, O teste de ácido do refresco elétrico, de Tom Wolfe etc. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/6hubxub

*imagem: reprodução.
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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A LITERATURA NO TEMPO DOS APPS


As discussões e os comentários literários sempre se dão em torno de livros impressos, mas a era digital já está dando sinais de que vai disputar uma fatia desse bolo. Se a tentativa será próspera ou não, só o tempo dirá. Mas nas últimas semanas tem sido constante as notícias em torno de aplicativos gratuitos desenvolvidos para iPad, iPhone e Androids.

Se não estou enganado o primeiro caso sério que despertou o mundo das letras foi o aplicativo do poema The Waste Land (A Terra Desolada), de T.S. Eliot. Nele é possível não só ler o poema em forma de texto, como escolher a pessoa que vai ler o poema para você (tem Viggo Mortensen, o próprio Eliot e outros) e assistir um vídeo com uma leitura dramática feita pela atriz Fiona Shaw. Tem também vários menus explicativos, outros vídeos explicativos, fotos da vida de Eliot e as imagens do manuscrito original com as anotações e tudo o mais.

Depois foi a vez da turbinada versão "definitiva" do clássico beatnik On the road, de Jack Kerouac. O aplicativo tem tanto material que o romance em si parece ter menos importante. Tem vídeos, fotos inéditas, muitos menus explicativos e tanta coisa que teria de me estender por mais de um post para explicar. Imagino que deve ser difícil ler o livro ser se distrair e ficar tentado a mexer em alguma coisa. Vale como um belo exemplar de colecionador ou material de consulta para pesquisadores.

Existem também os aplicativos não tão sofisticados - diria rudimentares perto desses dois novos - dos livros Alice no país das maravilhas, de Lewis Caroll (que chamou atenção por causa do vídeo no youtube) e A guerra dos mundos, de H.G. Wells (é interativo, mas um pouco limitado).

Para completar a lista, a editora Penguin dos Estados Unidos acabou de lançar um aplicativo para iPhone em comemoração aos seus 65 anos. O aplicativo oferece a lista completa de obras publicadas pela Penguin Classics, separadas por título ou autor. Você pode ainda pesquisar por assunto, gênero, período histórico ou simplesmente chacoalhar o seu celular para ele te sugerir um livro. Isso sem falar nos joguinhos, interatividade com o Facebook e tal. É um aplicativo apenas de consulta da lista de livros que a editora publica. Eles estão de olho naquele consumidor antenado com a tecnologia - em breve esse aplicativo deve permitir compra de e-books.

Pensando no futuro, mas lembrando o passado

Olhando esses aplicativos, me lembrei da minha adolescência quando existiam aqueles CD-ROMs interativos que pareciam ser coisa do futuro - alguém lembra disso? O negócio tinha mil complicações, um designer meio quadrado e travava totalmente o computador. Eles eram vendidos como verdadeiras enciclopédias eletrônicas que iriam facilitar a vida do seu filho na escola. Felizmente o negócio não vingou depois do boom da internet.

O princípio dos aplicativos é bem parecido com o dos CD-ROMs, a diferença é a imaterialidade. Você não vai ter de reservar espaço na escrivaninha para nada. Tudo é virtual, numa base de dados que fica lá na China e você acessa através de servidores na internet. Uma beleza.

É fácil entrar naquelas discussões sobre a morte do livro, o mundo pós-humano, a era das máquinas e o desejo virtual. No entanto, não acredito que os "apps" vão mudar a nossa maneira de ler romances ou nosso interesse por livro em papel - pelo menos por um longo tempo. Até agora todas essas novidades facilitam a vida na hora de fazer pesquisa ou encontrar aquele livro cujo nome você esqueceu. Também ajudam quando você queria ter aquele livro bem a mão.

Para as editoras, criar um aplicativo com seu catálogo não deixa de ser um negócio interessante. Mas para o leitor os benefícios não são lá tantos entusiasmantes. Para a literatura do futuro muito menos. Pode ser que a pessoa que vai revolucionar a maneira como lemos ainda esteja para surgir nos próximos cem anos.

*imagens: reproduções.
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

BURROUGHS POR DENTRO


Começa na próxima quinta-feira em São Paulo o Festival In-Edit Brasil 2011. Será a terceira edição do festival dedicado inteiramente ao documentário musical nacional e internacional. Para quem gosta não apenas de música, mas também de literatura a dica é assistir ao documentário William S. Burroughs: a man within, de Yony Leyser. Será uma chance única, pois dificilmente o documentário entra em circuito comercial - como é o caso do filme Uivo, com James Franco no papel de Allen Ginsberg.

O diretor Yony Leyser nasceu em Chicago e tem apenas 26 anos. A sua paixão por Burroughs começou no colégio quando uma edição de Almoço nu caiu nas suas mãos. A experiência foi tão chocante que acabou despertando a curiosidade dele pelo punk rock, os artistas surrealistas, a literatura e a geração beat como um todo. Anos mais tarde, já formado em cinema, Leyser foi investigar a vida de Burroughs e conseguiu tanta coisa que resolveu montar o documentário. Tem bastante material inédito e exclusivo.

Embora seja focado na influência de Burroughs sobre a música, o documentário também fala sobre os livros, os namorados, a arte, as drogas, as armas e o acidente que matou a mulher de Burroughs no México. Tem ainda a participação de David Cronenberg, Gus Van Sant, Iggy Pop, Laurie Anderson, Patti Smith, Ira Silverberg, Sonic Youth e outros.

Não há como negar a influência da geração beat na cultura ocidental depois da Segunda Guerra. Eles estão no movimento hippie, na contracultura, na onda ecologista, na arte de Andy Warhol, na música punk e na literatura. Almoço nu é um dos livros mais importantes do século XX. Há muitos jovens autores que beberam e continuam bebendo nessa fonte.

Uma pena que os romances de Burroughs circulem meio marginalmente por aqui. Cidades da noite escarlate saiu pela editora Siciliano e está fora de catálogo. Também esgotadas e fora de catálogo estão as edições de Almoço nu e Junky que saíram pela Ediouro. Disponíveis em livrarias estão apenas O gato por dentro, Cartas do Yage - ambos pela L&PM - e o romance escrito em parceria com Jack Kerouac E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques - publicado pela Companhia das Letras. Também existem algumas edições em português de Portugal. Em sebos, essas edições chegam a custar bem caro.

William S. Burroughs: a man within será exibido em 01/05, domingo, 19h, no Cinesesc e 02/05, segunda-feira, 21h, no Cine Livraria Cultura 2. Depois de São Paulo, o festival segue para o Rio de Janeiro.

Abaixo o trailer do documentário:



*imagem: Burroughs e Patti Smith, por Allen Ginsberg/divulgação.
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sexta-feira, 1 de abril de 2011

NOTAS #22



Jack Kerouac
No mês passado, o blog americano Vol.1 Brooklyn fez um card estampando Jack Kerouac. O card foi feito para comemorar o aniversário do escritor beatnik que nasceu em 12 de março de 1922 e se estivesse vivo iria completar 89 anos. Além do desenho o card tem um trecho de Visões de Cody.

O rei está pálido
Desde janeiro The pale king, de David Foster Wallace está sendo considerado por muitos como o lançamento do ano no mercado editorial americano. O livro está em pré-venda na Amazon e todo mundo está desesperado atrás de uma cópia para ler antes. Três resenhas de peso pintaram na imprensa essa semana para aumentar as expectativas em torno do livro. No New York Times, "Maximized Revenue, Minimized Existence" por Michiko Kakutani; na revista GQ, "Too Much Information" por John Jeremiah Sullivan; e na revista TIME, "Unfinished Business" por Lev Grossman - o mesmo que escreveu o perfil de Jonathan Franzen como o melhor romancista americano. O lançamento acontece em 15 de abril, nos Estados Unidos.

Resenhas
Logo depois de "a resenha está morta, mas juro que não fui eu", topei com uma fala do escritor Martins Amis. Ela está na contracapa do livro Como funciona a ficção, do crítico da revista New Yorker:
"Não presto atenção nem levo a sério as resenhas literárias. Não se aprende nada com elas. Mas o que o crítico James Wood diz me interessa."
Evidentemente, a frase foi inserida para promover o livro. No entanto, espécie de ato falho, serve como mais um ponto de reflexão sobre a 'arte' (vamos chamar assim) de fazer resenhas.



Liberdade, liberdade
Os portugueses já estão contando as horas para o lançamento do romance Liberdade, de Jonathan Franzen. Não custa lembrar que esse foi o romance mais comentado do ano passado. O livro tem previsão de lançamento em 18 de abril e já está em pré-venda em algumas lojas. Saí pela editora Dom Quixote. A capa segue o mesmo designer elegante da edição inglesa - bem melhor que a capa americana. No Brasil, Liberdade será publicado em maio pela Companhia das Letras.

Ouça um bom conselho
O jornalista Michael Gove escreveu um artigo para o Telegraph dizendo que as crianças deveriam ler 50 livros por ano. Bastou uma semana para que Iain Hollingshead, outro jornalista do Telegraph, fizesse uma lista com 50 livros que as crianças não devem ler antes de morrer. Entre os escolhidos somente clássicos da literatura: Ulisses, 1984, O grande Gatsby, Orgulho e preconceito etc. Num estilo bem satírico, o jornalista explica porque cada um desses livros deve ser afastado das crianças. Sobre Crime e castigo, por exemplo, ele diz "um conto de angústia mental e intensos dilemas morais. Felizmente, é mais curto do que Guerra e paz". A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/4jbduhu

Conto coletivo
O jornal português Público convidou o escritor Gonçalo M. Tavares para dar início a construção de um conto coletivo. Batizada de Conto Público a experiência contou com a participação de 26 leitores e foi finalizada no mês passado com direito a publicação na revista que acompanha o jornal. A experiência colaborativa está ficando cada vez mais frequente - já vi muitas outras acontecendo. Embora a história pudesse caminhar para um lugar sem volta, Gonçalo M. Tavares ajudou na edição e participou em momentos pontuais. O resultado pode ser conferido em http://tinyurl.com/3rfu2lq

*imagem: reprodução.
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sábado, 15 de janeiro de 2011

NOTAS #15


Huckleberry Finn politicamente correto
O cartunista americano Ruben Bolling fez uma brincadeira com o livro As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain que está envolvido numa polêmica sobre racismo. Em três tirinhas o cartunista recria o clássico livro de Twain fazendo adaptações para torná-lo politicamente correto para os dias de hoje. A tirinha completa está disponível em http://tinyurl.com/6hr6n4d

Livros marcantes
O escritor João Ubaldo Ribeiro contou ao blog Tempo de Letras os livros que marcaram a sua vida. Entre os citados estão A ilíada, de Homero; os livros de Monteiro Lobato; e Don Quixote de La Mancha, na tradução de Viscondes de Castilho, "mais por conta das ilustrações de Gustave Doré" - contou ele.

Carta de Jack Kerouac
Uma carta de Jack Keroauc destinada ao ator Marlon Brando datada dos anos 50 foi uma das notícias mais comentadas da semana. Na correspondência, Keroauc pede a Brando que compre os direitos do livro On the road a fim de adaptá-lo ao cinema. O escritor beatnik seria Sal Paradise e o famoso ator seria Dean Moriarty. Quase 50 anos depois, o filme será finalmente lançado sob a direção de Walter Salles. Uma tradução da carta está disponível em http://tinyurl.com/4vr3d7b

Silvestre internacional
Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre pode não ter ganhado o Prêmio Jabuti de melhor livro do ano, mas em compensação está ganhando o mundo. O romance de estréia do jornalista será traduzido na França (pela editora Belfond), na Alemanha (pela editora Random House), na Sérvia (pela editora Giunti), na Holanda e em Portugal.

***

Edney Silvestre também está preparando o lançamento de seu próximo livro Felicidade é fácil que deve sair pela editora Record ainda em 2011.

Literatura asiática
O prêmio literário The Man Asian anunciou no final do ano passado a lista de indicados para o melhor livro publicado em 2010. Entre os dez concorrentes está o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Kenzaburo Oe com o livro Torikae ko (Chenjiringu) - único autor da lista publicado no Brasil. Uma lista menor deve ser anunciada no mês que vem e o nome do ganhador será divulgado em março.

Contos
No final do ano passado o jornal O Globo anunciou a lista dos vencedores do concurso de contos Rio 2010. Foram dez finalistas, mas apenas três levaram o prêmio em dinheiros. O primeiro lugar foi para Erick Massoto de Almeida por "Nublado com chance de anarquia"; o segundo lugar ficou com Flávia Ruiz Perez por "Encontro com um amigo morto" e o terceiro lugar ficou com Natasha Mendonça por "Um dia perfeito para disco voador". Todos os contos foram publicados no jornal semanalmente.

Adeus papel
Pensando no desaparecimento do suporte, no fim do papel e na era digital um pessoal da Europa e dos Estados Unidos criou a revista Forté. Disponível no site http://www.magazineforte.com/ a revista é totalmente construída em formato de áudio. Você pode ouvir diretamente no site ou baixar um arquivo MP3 para ouvir onde quiser. A revista já está no quarto número. Parece coisa do futuro.

*imagem: reprodução da tirinha de Ruben Bolling.

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sábado, 20 de novembro de 2010

NOTAS #9


Ilustre Quixote
O pintor Jean de Bosschère fez desenhos impressionantes para uma edição do livro Dom Quixote de La Mancha datada de 1922. Nas mãos de Bosschère o cavaleiro de Cervantes ganhe uma aura espiritualista e obscura, bem ao do estilo do pintor. Quixote também foi ilustrado por outros pintores como Gustave Doré, Albert Dubout e Salvador Dali. Os desenhos de Bosschère estão disponíveis em http://tinyurl.com/2facvad

Mano Kerouac
Num período paranóico Jack Kerouac iria trazer a prosa espontânea das ruas dos Estados Unidos para dentro de seu mítico romance On the road. Cinquenta e três anos mais tarde Mike Lacher, escritor e designer, decidiu que a linguagem do romance precisava de uma atualização. Por isso, ele criou o tumblr On the bro'd. A ideia é simples: reescrever cada sentença de On the road na linguagem dos brothers. O resultado pode ser conferido em http://onthebrod.tumblr.com/

Pinguim danado
A editora Penguin está lançando uma caixa contendo 100 postcards diferentes com algumas de suas capas clássicas. A coleção é parte das comemorações dos seus 75 anos da editora. Tem desde as primeiras capas com duas faixas laranjas até edições mais modernas. Nem é preciso lembrar que o designer das capas da Penguin fizeram história e causam inveja no mundo todo. Como dizem, a Penguin sabe renovar um clássico.

Livros do ano
Sérgio Rodrigues do blog Todoprosa está organizando uma votação dos livros do ano lançados no Brasil. No total a lista dos concorrentes contará com dez autores brasileiros e dez autores estrangeiros. Os internautas e leitores podem indicar livros de sua preferência, sempre justificando a escolha com bons argumentos. Sérgio já deu pistas de que 2666, de Roberto Bolaño estará na lista. A votação começa em dezembro.

Manuscritos ameaçados
O Victoria and Albert Museum em Londres está em busca de doações para salvar os manuscritos de três romances de Charles Dickens. Entre as raridades estão David Copperfield e Um conto de duas cidades. Os manuscritos tem mais de 150 anos e estão bastante desgastados. Segundo o museu, a última restauração desses manuscritos foi feita nos anos 60.

A notícia Franzen da semana
Jonathan Franzen leu um trecho de seu badalado romance Freedom no 92nd Street Y, em Nova York. Ele subiu ao palco carregando uma valise, parecia um pouco tímido no começo e leu com rapidez os primeiros parágrafos. Depois ele foi acalmando e deu mais espaço para risada do público nos trechos irônicos. Ele dividiu a noite com a escritora Lorrie Moore, ambos responderam a perguntas enviadas pelo público logo após a leitura. Mais solto, Franzen fez graça e divertiu a platéia. Um trecho da leitura está disponível em http://tinyurl.com/234op6t

*imagem: reprodução do livro Dom Quixote.

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domingo, 4 de julho de 2010

A CORRESPONDÊNCIA DE JACK KEROUAC E ALLEN GINSBERG

Nós não escrevemos mais cartas para ninguém. Mas houve um tempo, não muito distante, em que as pessoas faziam isso. O que muitas delas não sabiam é que essas cartas poderiam virar verdadeiros tesouros. E se as pessoas em questão fossem Allen Ginsberg e Jack Kerouac? Pois bem, está chegando às livrarias dos Estados Unidos um livro com a correspondência desses dois mentores da geração beat: Jack Kerouac and Allen Ginsberg: The Letters. Bill Morgan, um dos editores do livro, concedeu uma entrevista para a revista Granta. Ele diz coisas bem interessantes sobre a personalidade de cada um dos escritores. Por exemplo, Kerouac ainda jovem treinava como um louco para ser escritor. Já Ginsberg salvava todas as suas cartas esperando que algum dia se tornasse famoso.

O livro deve ter histórias deliciosas a respeito dos dois. Acaba sendo também o retrato de uma geração que modificou a literatura americana do pós-guerra. Acho que muito se fala sobre os beatnicks mas pouca gente leu os livros realmente. Talvez a publicação dessa correspondência, por ter uma caráter pessoal, constribua para desmitificar essas duas figuras.

Leia um trecho das cartas de Jack Kerouac e Allen Ginsberg que está disponível no site da revista Granta.

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