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sexta-feira, 4 de março de 2011

CONTOS DE CARNAVAL


Juro que eu estava preparando um post para falar a respeito dos foliões amantes da literatura. Enquanto elaborava umas ideias na minha cabeça me deparei com a pequena antologia online: contos brasileiros de carnaval orgazinada pelo Sérgio Rodrigues do blog Todoprosa. A ideia é muito boa e inclui contos de João do Rio, Clarice Lispector, Aníbal Machado, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca e até um conto inédito de autoria do próprio Sergio Rodrigues - ainda inédito em livro.

Pegando carona, aqui vai a minha contribuição: Duas cartas, de Luis Henrique Pellanda que foi publicado em Macaco ornamental - livro de estréia do escritor que é de Curitiba. Li recentemente e recomendo bastante não só pelo enorme talento do Pellanda, mas também porque tem um outro conto de carnaval chamado Embaixadores de Xanadu. Infelizmente não achei na internet.

Outro conto que pode integrar a antologia online é Um dia de entrudo, de Machado de Assis. Quem disse que ele também não escreveu o seu.

Alguém se lembra de mais algum?

*imagem: reprodução Google.
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sábado, 20 de novembro de 2010

NOTAS #9


Ilustre Quixote
O pintor Jean de Bosschère fez desenhos impressionantes para uma edição do livro Dom Quixote de La Mancha datada de 1922. Nas mãos de Bosschère o cavaleiro de Cervantes ganhe uma aura espiritualista e obscura, bem ao do estilo do pintor. Quixote também foi ilustrado por outros pintores como Gustave Doré, Albert Dubout e Salvador Dali. Os desenhos de Bosschère estão disponíveis em http://tinyurl.com/2facvad

Mano Kerouac
Num período paranóico Jack Kerouac iria trazer a prosa espontânea das ruas dos Estados Unidos para dentro de seu mítico romance On the road. Cinquenta e três anos mais tarde Mike Lacher, escritor e designer, decidiu que a linguagem do romance precisava de uma atualização. Por isso, ele criou o tumblr On the bro'd. A ideia é simples: reescrever cada sentença de On the road na linguagem dos brothers. O resultado pode ser conferido em http://onthebrod.tumblr.com/

Pinguim danado
A editora Penguin está lançando uma caixa contendo 100 postcards diferentes com algumas de suas capas clássicas. A coleção é parte das comemorações dos seus 75 anos da editora. Tem desde as primeiras capas com duas faixas laranjas até edições mais modernas. Nem é preciso lembrar que o designer das capas da Penguin fizeram história e causam inveja no mundo todo. Como dizem, a Penguin sabe renovar um clássico.

Livros do ano
Sérgio Rodrigues do blog Todoprosa está organizando uma votação dos livros do ano lançados no Brasil. No total a lista dos concorrentes contará com dez autores brasileiros e dez autores estrangeiros. Os internautas e leitores podem indicar livros de sua preferência, sempre justificando a escolha com bons argumentos. Sérgio já deu pistas de que 2666, de Roberto Bolaño estará na lista. A votação começa em dezembro.

Manuscritos ameaçados
O Victoria and Albert Museum em Londres está em busca de doações para salvar os manuscritos de três romances de Charles Dickens. Entre as raridades estão David Copperfield e Um conto de duas cidades. Os manuscritos tem mais de 150 anos e estão bastante desgastados. Segundo o museu, a última restauração desses manuscritos foi feita nos anos 60.

A notícia Franzen da semana
Jonathan Franzen leu um trecho de seu badalado romance Freedom no 92nd Street Y, em Nova York. Ele subiu ao palco carregando uma valise, parecia um pouco tímido no começo e leu com rapidez os primeiros parágrafos. Depois ele foi acalmando e deu mais espaço para risada do público nos trechos irônicos. Ele dividiu a noite com a escritora Lorrie Moore, ambos responderam a perguntas enviadas pelo público logo após a leitura. Mais solto, Franzen fez graça e divertiu a platéia. Um trecho da leitura está disponível em http://tinyurl.com/234op6t

*imagem: reprodução do livro Dom Quixote.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

NOTAS #6


Finnegans wake ilustrado
Depois de O arco-íris da gravidade e Moby Dick, agora é a vez de Finngans wake, de James Joyce ganhar uma versão ilustrada. O autor da tarefa é Stephen Crowe, um designer gráfico que vive na França e diz ter uma relação de amor e ódio com James Joyce. Seguindo o estilo "um desenho por página", Stephen não sabe quanto tempo vai levar para completar as 668 páginas - dependendo da edição. Ele espera ao menos despertar o interesse de novos leitores pela obra. Escrito em 1939, Finnegans wake é um dos livros mais radicais da história da literatura. James Joyce escreveu um livro em que todas as palavras se fundem e se transformam criando significados múltiplos. As ilustrações estão em http://wakeinprogress.blogspot.com/

Documentário
Um documentário sobre a vida do escritor Roberto Bolaño exibido pela RTVE da Espanha está na internet na versão integral. Com o título de Roberto Bolaño: El último maldito, o documentário relata os últimos anos de vida de Bolaño na Espanha e mostra também a diferença entre a vida que ele teve e a vida dos famosos escritores latino-americanos dos anos 60 e 70. O vídeo está em http://tinyurl.com/28dzv7a

Concursos
O blog Todoprosa lançou um consurso: usar o twitter para criar microcontos com "alguma densidade literária". Qualquer pessoa pode participar desde que o microconto seja inédito. O primeiro colocado vai ganhar um livro autografado do Sérgio Rodrigues. O prazo final para enviar os textos é sexta-feira, dia 29/10. As regras completas estão em http://tinyurl.com/32k8s7l

*

A editora Shakespeare and Company também lançou um concurso chamado The Paris Literary Prize. O concurso vai premiar uma novela inédita escrita por um autor que nunca tenha publicado um livro. O prêmio será no valor de 10,000€ e um final de semana em Paris, na França. As inscrições podem ser feitas até dia 1 de Dezembro, 2011. Mais informações estão disponíveis em http://tinyurl.com/28wt4rv

Torre de Babel
Mais um grupo editorial português vai chegar ao mercado brasileiro. O grupo editorial Babel anunciou essa semana que deve abrir uma editora no país para publicar livros da cultura portuguesa. Os planos saem do papel até o final desse ano. Em Portugal, a Babel cuida de nove selos diferentes apesar de não ser um grande grupo: Arcádia, Athena, Ática, Centauro, Pi, Guimarães, K4, Ulisseia e Verbo. Para quem não se lembra, no final do ano passado a maior empresa editorial portuguesa, o grupo Leya, chegou ao Brasil cheio de planos.

Web Biblioteca
O centro cultural Casa Fernando Pessoa está disponibilizando na internet a biblioteca particular do poeta Fernando Pessoa. Os leitores poderão pesquisar cerca de 1142 volumes a qualquer momento sem nenhuma despesa. Além de obras raras e manuscritos, a equipe do acervo digital também preservou as anotações nos livros que foram feitas pelo próprio poeta. O acervo pode ser consultado em http://tinyurl.com/2blm6tu

Notícia Jonathan Franzen da semana
O aclamado escritor Jonathan Franzen visitou a Casa Branca na manhã da última segunda-feira. Sobre o encontro com Barack Obama, seu fã declarado, Franzen disse apenas a seguinte palavra "agradável".

*imagem: reprodução do site wakeinprogress.blogspot.com

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sábado, 9 de outubro de 2010

PAUL AUSTER NO PLAYSTATION

O trânsito entre a literatura e o universo dos videogames está realmente ficando cada vez mais intenso. A Sony anunciou que vai lançar uma versão em game da novela "Cidade de vidro", de Paul Auster para os usuários do PSP - um console portátil do Playstation.

Não ignoro que os e-books os são responsáveis pela aproximação entre livros e jogos. Muita gente anda sonhando com novos modos de contar histórias tendo em vista as infinitas possibilidades de leitura que um e-book proporciona. O assunto já esteve em pauta no Todo Prosa, num texto de Daniel Galera sobre "Luka e o fogo da vida" e num post sobre a adaptação um tanto monótona para PC do romance "O grande gatsby", de Fitzgerald.

O jogo "Cidade de vidro" terá como base a adaptação dessa novela feita para os quadrinhos por Paul Karasik e David Mazzucchelli - duas feras no mundo dos comics. O trabalho da dupla ficou tão bom que ocupou a posição de número 45 no ranking dos 100 melhores quadrinhos em língua inglesa do século XX, do The Comics Journal. Resta saber se a Sony conseguirá o mesmo sucesso ao transformar o livro num jogo.

O enredo de "Cidade de vidro" oferece amplas possibilidades. A novela conta a história do solitário escritor de romances policiais, Daniel Quinn. Durante três dias seguidos, ele recebe uma ligação misteriosa de uma pessoa procurando pelo detetive particular Paul Auster. Intrigado, Quinn atende ao chamado se passando pelo tal detetive e descobre que seu trabalho é proteger um jovem de nome Peter Stillman. "Cidade de vidro" compõe a primeira parte da famosa "A trilogia de Nova York", escrita por Paul Auster no final dos anos 80.

As duas obras já foram publicadas no Brasil: "A trilogia de Nova York" - obra em que a novela "Cidade de vidro" está inserida - saiu pela Companhia das Letras e o quadrinho "Cidade de vidro" saiu pela Via Leterra em 2006.

Não sei em que medida o lançamento do jogo poderá impulsionar a venda do livro e do quadrinho. Imagino que esses dois últimos serão mais comentados entre os usuários do PSP.


*imagem: divulgação e reprodução dos quadrinhos - infelizmente não encontrei nenhuma imagem da versão em português.

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sábado, 11 de setembro de 2010

OS SUPLEMENTOS LITERÁRIOS: JORNAL x INTERNET


Não é à toa que essa notícia do Wall Street Journal lançar um suplemento sobre livros vem sendo saudada com entusiasmo. É um fato que nos Estados Unidos a crítica literária deixou de ser assunto dos jornais impressos e migrou para a internet. Sendo assim, a iniciativa do jornal brilha em meio a escuridão e as incertezas sobre o futuro que se aproxima.

Afinal, me diga quem de nós não ficaria contente em ter um suplemento literário desses na mão? Só o tempo poderá dizer se a decisão foi certa ou errada.

Aqui no Brasil, o Sabático e o Prosa & Verso são os único suplementos que temos desse tipo no meio impresso - o primeiro é do Estadão e o segundo do Globo. A Folha de SP por meio da Ilustrada e Ilustríssima também comenta bastante sobre livros, mas não tem um suplemento específico. Das revistas apenas as mensais Bravo! e Cult dedicam páginas ao assunto livros. As semanais Época e Veja falam muito pouco. A Piauí em algumas edições também trata do assunto.

Porém, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos e no restante do mundo, é na internet que está o terreno fértil para a cobertura de notícias sobre livros e mercado editorial. A quantidade de blogs, revistas e fanzines online é imensa - muito mais nos Estados Unidos do que por aqui. Isso sem mencionar a velocidade com que as informações circulam nesses meios. Qualquer um que quer saber sobre literatura, sem dúvida, recorre a internet.

Como bem apontou Sérgio Rodrigues há uma "floresta de interrogações" quando o assunto é suplemento literário impresso: "Precisaremos mesmo deles no ambiente de descentralização da crítica e da informação que vem sendo construído pela blogosfera? Seria essa descentralização um retrocesso ao nível da conversa de botequim? Ou uma libertação do jugo de autoridades críticas autoproclamadas, mas pouco representativas?".

O editor da Paris Review, Lorin Stein, comentou num artigo que parte do arquivo da revista estará na internet. Outras renomadas revistas literárias também estão disponibilizando seu acervo na rede.

Acho que por enquanto nessa disputa a internet definitivamente está com o placar na frente.

*imagem: reprodução do Google.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MAIS OBSERVAÇÕES SOBRE O CONTAR


O crítico Sérgio Rodrigues do blog Todoprosa escreveu um post interessante essa semana sobre a questão da trama nas nossas narrativas comtemporâneas - o post se chama "O gosto de contar". Gostaria de repercutir o post que ele escreveu e ampliar o problema comentando mais alguns pontos que julgo interessantes.

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Realmente a trama, o enredo, a história ou o conteúdo é um ponto importante para que o leitor possa se sentir atraído pelo que está lendo. É por meio dela que ele vai experimentar a forma da narrativa e o exercício de linguagem de um determinado autor. Quando o conteúdo consegue se adequar a forma temos um encontro extraordinário e muito difícil de atingir. Lionel Shriver falou sobre essa questão numa entrevista recente ao programa Entrelinhas, da TV Cultura. Em muitos momentos é amargo mastigar e engolir "a fibra dura de exercícios de linguagem", como diz Sérgio. Mas nem sempre esse descaso com a trama é intencional por parte do autor. Tampouco é fruto de um ódio oculto que ele mantém em relação a literatura. Na verdade, penso eu, a morte da trama é parte de um processo histórico que vem ocorrendo desde o final do século XIX e ganhou força com as vanguardas artísticas no começo do século passado. Diante do impasse de sempre criar algo novo, o caminho encontrado por muitos escritores foi atacar a trama, denunciar a linguagem e o processo de feitura das narrativas literárias. A ideia era revelar a linguagem e matá-la - como apontou Roland Barthes, Michel Foucault, etc. Talvez a maior expressão desse processo tenha ganhado corpo justamente com os franceses do Nouveau Roman e da OuLiPo.

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Não podemos esquecer que os romances, contos e fábulas estão inseridas no contexto histórico em que são produzidos - elas refletem sobre as questões de uma determinada sociedade e sobre um determinado tempo, no momento em que são escritos. Embora a gente leia com certa distância, não podemos considerar essas obras isoladas desse contexto.

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O leitor é uma figura importante, mas o processo narcisista de olhar para uma história e querer reconhecer apenas a si mesmo precisa ser balançado. O leitor precisa encarar o fato de que o livro que está lendo é árido porque naquele momento aquele experimento foi importante. O leitor também precisa tentar passar por alguns desafios que o texto impõe. Inclusive o de ser desvendado como linguagem.

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Vivemos um momento em que contar boas histórias é muito importante, porque os leitores estão mesmo atrás delas. A forma demasiado elaborada não interessa muito. Chego a pensar que os leitores tendem a comentar muito mais a história do que a forma de um livro, mesmo que esse livro consiga conciliar as duas coisas de maneira harmônica. Esses fatos provam que o experimento de linguagem, como proposto pelas vanguardas e como querem os defensores da forma, não triunfou. As vanguardas do começo do século passado ficaram datadas.

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Valorizar a trama também não significa que dizer ela deve ser altamente elaborada. Muitas histórias boas são frutos de tramas muito simples. "Mrs Dalloway", de Virgínia Wolf, por exemplo, é um romance sobre uma mulher que está preparando uma festa de aniversário. Os contos de Tchekhov também são sobre acontecimentos banais. Os contos escritos pelos autores modernos também estão cheio de outros exemplos. O autor não precisa ir em busca de "passar uma rasteira no leitor" e surpreendê-lo sempre. Muitas vezes importa mais a maneira como a trama é desenvolvida do que como ela vai se concluir. Talvez seja nesse momento que surja o privilégio da linguagem.

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Os exercícios de linguagem e os textos mais experimentais nascem do nosso desejo de criar o novo e encontrar novas formas de expressão. Isso é algo do nosso tempo moderno - ou pós-moderno, se preferirem. É um tipo de exercício que não pode simplesmente ser deixado de lado porque para a narrativa literária ele compõe uma dialética entre forma e conteúdo.

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Para concluir, penso que realmente esse gesto de contar histórias nunca vai acabar. Nem a fonte de onde elas brotam. Porque cada ser humano possuí tem uma experiência muito particular da vida. Cada um enxerga as coisas a sua maneira. É dessa riqueza, dessa diversidade que vem as histórias, as tramas, os enredos. As hitórias vão durar até que o último ser humano deixe de existir - "e depois disso, que diferença faz?", como disse Sérgio no post dele.

*imagem: reprodução do Google.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

LITERATURA E CRÍTICA EM CRISE?


Flora Süssekind, crítica literária, escreveu no final do mês de Abril um texto para o caderno Prosa&Verso do jornal O Globo. O texto se chamava A crítica como papel de bala. Seu mote principal era demonstrar o conservadorismo e a falta de relevância que reina na crítica literária atual do Brasil.

Num momento furioso, ela diz do crítico:

"retorno às figuras todo-poderosas do especialista monotemático, do agenciador com capacidade de trânsito inter-institucional e do colecionador de miudezas, às interlocuções preferencialmente de baixa densidade dos minicursos e palestras-espetáculo, do universo das regras técnicas e das normas genéricas e subgenéricas, fixadas acriticamente em oficinas de adestramento, à glamorização midiática de instituições autocomplacentes como a Academia Brasileira de Letras e correlatas, a formas variadas de culto a personalidades literárias, em geral mortas (e Clarice Lispector, Leminski, Ana Cristina Cesar têm sido objeto preferencial de dramaturgias miméticas, curadorias acríticas, ficções e comentários “à maneira de”), mas também em vida veem-se autores, mal lançados em livro, se converterem em máscaras que, com frequência, os aprisionam em marcas registradas mercadológicas de difícil descarte".
De fato, nós temos de admitir que a crítica literária feita por aqui realmente não está na sua melhor fase. De maneira simples o que a gente vive é uma dicotomia entre pessoas da acadêmia e o grande público - que aparentemente está por fora.

Os cadernos que tratam de literatura nos jornais e nas revistas - e falam para o grande público - parecem não ter a mesma relevância que tinham antigamente. Muitas vezes os textos parecem muito quadrados e presos a fórmulas. Faltam resenhas melhor elaboradas que promovam a reflexão em quem lê. Também falta sair do lugar comum e estimular os leitores a buscarem algo que seja novo e diferente. A impressão é de que a literatura interessante não está nos jornais e revistas.

Por outro lado, as publicações acadêmicas parecem muito fechadas em si mesmas - portanto, falam para um público mais específico. A academia está mais interessada em autores que promovem experimentação de linguagem, etc. E isso, felizmente ou infelizmente, nunca terá um alcance maior. Quando essa circulação não acontece, existe o mesmo problema de repetição de temas e falta de críticas mais profundas. O escritor Sérgio Rodrigues, em resposta ao texto de Flora, sintetizou bem um dos problema da acadêmia:

"[a] crítica passou a valorizar dois novos modelos textuais para a literatura
contemporânea, ambos virginais. De um lado, em rendição incondicional à
antropologia, o das “vozes” dos despossuídos literários: mulheres, negros, gays,
favelados. Do outro, pelo qual parece se inclinar Süssekind, o da “transgressão”
que “rompe com tudo o que está aí”, em geral sem ter lido uma fração minimamente
aceitável de “tudo o que está aí” – e aqui a rendição do crítico se dá frente ao
mito de corte religioso da pureza refundadora. Escrever “mal”, ser incapaz de
construir um personagem, reinventar a pólvora modernista, aborrecer o leitor
desavisado, tudo isso é considerado preferível a ser mais um a perpetuar aquele
jogo ideológico chamado literatura".
Evidentemente o problema com a crítica literária vai bem mais além do que esses dois campos de força. A crise parece acontecer em todos os setores da crítica cultural nos dias de hoje. Veja por exemplo a fala comum das pessoas: "quem lê os críticos?". Muita gente torce o nariz para críticos de cinema, de teatro, de balé e até para críticos literários. Assim sendo é fácil pensar: a crítica ainda é relevante? Para quem?

Tudo isso resulta num outro grande desafio sem fim, anterior a crítica, que é a educação no Brasil. Exemplos não faltam: má formação de professores, desinteresse de alunos pelo conhecimento acadêmico, universidades em ruínas e tudo o mais que a gente pode lembrar.

No Congresso de Jornalismo Cultural, orgazinado pela revista CULT, alguns debatedores apontaram a possibilidade da internet ser o meio termo entre a crítica dos jornais/revistas e a crítica acadêmica. Tudo porque aparentemente a internet é um espaço livre. Quem escreve não tem o compromisso de vender e agradar. Sobretudo num tempo em que as mídias impressas estão ficando cada vez mais enxutas. Mas quem vai puxar primeiro a sardinha para sua brasa?

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