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segunda-feira, 22 de abril de 2013

UMA LISTA: VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVE LER (I)

Continua ao longo da semana (1 de 3)


As mulheres* que me perdoem, mas vamos abrir espaço para um singelo "Clube do Bolinha" nas Letras. Explico melhor: a GQ gringa - revista voltada ao público masculino - montou uma lista com 21 livros do século 21 que todo homem deve ler. Embora despretensiosa, a seleção se define como "um novo cânone" e está cheia de medalhões da recente literatura norte-americana. Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar na provocação da revista porque nessa altura do campeonato todo mundo já está careca de saber que essas listas são totalmente arbitrárias e muito particulares. Mas quem se importa?

Pegando carona na mesma ideia, elaborei uma lista com 21 livros brasileiros publicados no século 21 que todo homem deve ler. A ideia é mostrar para os rapazes que não estão ligados no assunto um painel geral sobre o que vem sendo produzido na literatura brasileira dos anos 2000 até hoje. Pode recomendar para o pai, o irmão, os amigos e camaradas.

Para não ficar muito longo, vou dividir a seleção em três partes que serão publicadas ao longo dessa semana.

*Embora a lista seja destina aos homens, as mulheres também podem espiar e palpitar.
** Os livros e autores aparecem sem ordem de importância.

-> para ler a segunda parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (II)

-> para ler a terceira parte:  VINTE E UM LIVROS DO SÉCULO 21 QUE TODO HOMEM DEVERIA LER (III)





1 Nove noites (2002)
BERNARDO CARVALHO
Companhia das Letras


Razão: O deslocamento é um elemento fundamental para entender a obra de Bernardo Carvalho. Encontramos o Brasil através de personagens que estão perdidos no interior desconhecido do nosso próprio país ou espalhadas pelo mundo em países como Estados Unidos, Mongólia, Japão e Rússia. Em Nove noites, verdade histórica e ficção se confundem para contar a história de um homem obcecado em desvendar os últimos vestígios de um antropólogo norte-americano que teria cometido suícídio ao retornar de uma aldeia indígena no Brasil no ano de 1939.






2 Pornopopéia (2009)
REINALDO MORAES
Objetiva


Razão: As desventuras em série de Zeca - um cineasta marginal, ligadão aos prazeres do sexo e das drogas pesadas - provam que nós já temos um novo rei da sacanagem e da malandragem. É boa literatura papo-reto e sem firulas, manja?







3 O céu dos suicídas (2012)
RICARDO LÍSIAS
Alfaguara


Razão: Para alguns, a única maneira de dar um passo adiante é mexer no passado e viver um inferno pessoal que poderia ter sido esquecido. É assim que a personagem central dessa história se entrega de corpo e alma as suas emoções geradas pela culpa a fim de encontrar uma resposta para a perda de seu melhor amigo.






4 Mastigando humanos (2006)
SANTIAGO NAZARIAN
Nova Fronteira


Razão: Convenhamos, não é todo dia que você encontra um livro narrado por um jacaré que fugiu do Pantanal para viver no esgoto da cidade grande entre a boêmia insólita, dizendo frases como "Todos os prazeres são orais". Não! Não é um livro de fantasia para adolescentes: tem altas doses de erotismo, reflexões filosóficas e cultura pop com doses cavalares de humor.





5 Ladrão de cadáveres (2010)
PATRÍCIA MELO
Rocco


Razão: Não adianta tentar, por mais que vocês queiram a humanidade sempre estará com a mente voltada para a maldade e a violência. Na pacata cidade de Corumbá, um ex-gerente de telemarketing cheio de boas intenções segue por uma maratona de crimes e tráfico de drogas.




6 O paraíso é bem bacana (2006)
ANDRÉ SANT'ANNA
Companhia das Letras


Razão: Muitas vozes contam a história de Mané - um garoto pobre que vai parar na Alemanha por causa do seu futebol maravilha - e seus delírios com as setenta e duas virgens no paraíso. Acontece que Mané e as mil vozes que o acompanham falam o português torto das ruas, contam muitas besteira, escatologias e maluquices despertando paixão ou aversão dos leitores.




7 Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor) (2009)
JOSÉ REZENDE JR.
7Letras


Razão: Deturpando aquele dito popular "as melhores histórias estão nos pequenos livros". Num exercício precioso de concisão, ele consegue contar casos de amor de maneira simples e sofisticada. Se você não gosta de enrolação, mas não dispensa um bom livro, achou o que procurava.

*Imagens: reprodução / capas dos livros são divulgação / ilustrações: montagem a partir de reproduções do Google.
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sábado, 31 de março de 2012

CADERNOS DE NÃO-FICÇÃO #4

O pessoal da Não Editora (Antônio Xerxenesky, Bruno Mattos, Samir Machado e Lu Thomé) acaba de lançar o quarto número dos Cadernos de Não-Ficção. Para quem ainda não conhece é bom saber que a revista é semestral e publica artigos diversos sobre literatura e dossiês temáticos. O tema central deste número é a "nova" (talvez nem tão nova, mas sempre surpreendentemente nova) literatura Argentina: Macedonio Fernández, Alan Pauls, Domingo F. Samiento e uma entrevista exclusiva com Ricardo Piglia. Tem também literatura brasileira com apontamentos sobre Os anões, de Verônica Stigger e outra entrevista exclusiva com Bernardo Carvalho. Tem muito mais coisas, inclusive as ilustrações de Luisa Hervé.

Para saber mais sobre basta fazer o download dos Cadernos ou acessar a versão folheável - todos estão disponíveis na íntegra.

*Imagem: reprodução da capa dos Cadernos #4.
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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PAULO COELHO, BERNARDO CARVALHO E A LITERATURA (E CRÍTICA) NA INTERNET

Caramba! Vi uma notícia dizendo que em entrevista ao programa da apresentadora Ana Maria Braga, o escritor Paulo Coelho disse a seguinte frase: "As redes sociais são uma forma de literatura". Imediatamente me lembrei de um artigo escrito por Bernardo Carvalho para a revista Piauí - Em defesa da obra cujo resumo pode ser apresentado da seguinte forma: "As corporações da mídia querem que os escritores trabalhem de graça, não façam arte e exponham a vida privada na internet – e contam com o apoio de Paulo Coelho".

Fiquei sabendo do artigo através de Sérgio Rodrigues, do Todoprosa, num post em que conversa com Michel Laub e indiretamente com Bernardo Carvalho sobre a crítica em tempos de internet.

Recomendo vivamente a leitura desses textos. Por aqui, estou ruminando ideias e nem me atrevo a emitir nenhuma opinião depois de ler esse trecho:
"É assim que o chamado “valor social” (a capacidade que os indivíduos têm de influenciar uns aos outros através de suas opiniões em blogs, Twitters e páginas pessoais em sites de relacionamento) começa a despertar interesse no mercado virtual."
*Imagem: reprodução daqui.
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domingo, 5 de junho de 2011

FINAL DA COPA DE LITERATURA



Alô, você, meu caro leitor. Passei por aqui só para lembrar que amanhã será um dia muito importante - apesar de ser segunda-feira "braba". É que teremos a final da Copa de Literatura Brasileira edição 2010/2011 - o campeonato mais divertido das letras nacionais que existe desde 2007. Será um duelo de Titãs, para usar um clichê ou uma hipérbole - como você preferir. O campeonato que começou em fevereiro terá O filho da mãe, de Bernardo Carvalho x O livro dos mandarins, de Ricardo Lísias.

Os dois romances chegaram até aqui depois de disputarem com Edney Silvestre, Elvira Vigna, Andre de Leones, Sérgio Rodrigues, Joca Reiners Terron e Michel Laub. Na grande final teremos parecer de todos os jurados + Fernando de Freitas Leitão Torres. Quem ganhar fará companhia aos escritores Luiz Antonio de Assis Brasil, Cristovão Tezza e Carola Saavedra.

Infelizmente só li O filho da mãe, do Bernardo Carvalho, por isso vou ter de me ausentar de qualquer parecer ou torcida. O livro do Ricardo Lísias está na minha fila de leitura. Me limito a dizer o seguinte: O filho da mãe é muito bom e o Bernardo Carvalho já é uma espécie de unanimidade de crítica e público; sobre O livro dos mandarins li muitos comentários positivos e sei que ele concorreu em vários prêmios de literatura do ano passado - Lísias inclusive está na lista e nas perguntas dos 20 escritores com menos de 40.

Me comprometo com o seguinte: se o livro do Lísias ganhar, vou passá-lo na frente na minha longa fila de leitura; ganhando o Bernardo, vou passar Nove noites na frente na fila - é que também não li esse.

E você, meu caro leitor, já fez sua aposta? Torce para quem e porquê?

*imagem: reprodução.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

BRASILEIRO QUE NEM EU - QUE NEM QUEM?

Amanhã, a TV Cultura exibe o primeiro episódio da série Amores Expressos. O programa tem 16 documentários com duração de 22 minutos cada e será exibido semanalmente sempre às quintas-feiras, às 23h15, com reprise no Sábado, às 21h45. A estréia terá o escritor Antonio Prata na cidade de Xangai, na China.

Para quem não conhece, o projeto Amores Expressos foi criado pelo produtor Rodrigo Teixeira - com curadoria do escritor João Paulo Cuenca. Escritores brasileiros de diversas gerações viajaram para várias cidades do mundo. Cada um deles tinha de escrever uma história de amor inspirada na cidade em que estava.

Os diretores Tadeu Jungle e Estela Renner foram companheiros na empreitada e produziram 16 documentários captando as impressões e o processo de criação de cada escritor - esses, por sua vez, tinham câmeras digitais e máquinas fotográficas para registrar tudo o que acontecia e ainda mantinham um blog com textos e comentários.

A experiência aconteceu em 2007, resultando primeiro numa coleção de livros e agora nessa série de documentários para TV. Desde 2008, os livros estão sendo lançados pela Companhia das Letras. Já saíram: Cordilheira, de Daniel Galera (Buenos Aires), Estive em Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato (Lisboa), O filho da mãe, de Bernardo Carvalho (São Petesburgo), O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca (Tóquio) e Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron (Cairo).

Na próxima semana ocorre o lançamento do romance Nunca vai embora, de Chico Mattoso (Havana). No mês que vem a editora publica O livro de Praga, de Sergio Sant’Anna (Praga).

O deslocamento de território propõe uma questão interessante: será que o escritor brasileiro consegue produzir literatura brasileira no estrangeiro - ou num lugar que lhe é estrangeiro? É fato que a gente consome literatura estrangeira diretamente na fonte, sem filtros. Só que fazemos isso olhando do lado de cá. A mudança para outros lugares pode afetar esse processo? Estamos construindo obras mais universais e menos locais? Só quando a série estiver completa teremos um plano geral.

Até agora a experiência tem rendido bons frutos e diversos elogios da crítica. O filho da mãe, por exemplo, foi finalista de prêmios importantes de literatura e está na semifinal da Copa de Literatura. Do fundo do poço... ganhou o Prêmio Machado de Assis no ano passado. O único final feliz... foi muito bem comentado. Esqueci mais algum?

Da série, li apenas O filho da mãe e O único final feliz... ambos assimilam muito bem o nacional e o estrangeiro. O Brasil é um país nem tão distante. As histórias de amor parecem tão sufocantes quanto a própria experiência de ser estrangeiro. E no final parece que sempre existe um acidente para tornar a história feliz.

*Atualização*: esqueci de dizer que Cordilheira, de Daniel Galera também ganhou o Prêmio Machado de Assis e foi finalista do Prêmio Jabuti. Valeu, Diana!


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terça-feira, 19 de abril de 2011

NOTAS #23


Biblioteca particular
A foto no alto mostra um dos livros da biblioteca particular de David Foster Wallace. É o romance Players, de Don Delillo repleto de anotações de toda a sorte e com uma letra miúda. O livro é parte do arquivo do escritor que está no Harry Ransom Center, na Universidade do Texas, Estados Unidos.

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Na semana passada, Foster Wallace voltou a ser o centro das atenções por conta do lançamento de The pale king - romance que ele deixou inacabado. Além das resenhas críticas em importantes jornais e revistas, Wallace ganhou um curioso ensaio assinado por Jonathan Franzen na revista New Yorker (os dois eram amigos e o ensaio fala sobre o amor). A revista disponibilizou temporariamente o ensaio no Facebook para quem desse um "curtir".

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Já Harry Ransom Center organizou um leitura de The pale king na data de seu lançamento. Paralelamente ao evento havia uma exposição com itens do arquivo do escritor, incluindo um livro que Foster Wallace usou para pesquisa enquanto se preparava para escrever The Pale King.

Trecho inédito
A Ilustríssima deu um presente para os leitores do escritor Ricardo Piglia. O caderno trouxe uma entrevista com o autor e publicou em primeira mão um trecho da tradução de Alvo noturno, romance que será lançado em agosto pela Companhia das Letras. Infelizmente, o site do jornal não menciona o nome do tradutor. Para os que desejam um aperitivo o trecho está disponível em http://tinyurl.com/3g2kvse

Atualização: a tradutora do trecho publicado pela Ilustríssima é Heloisa Jahn.

Dada
A notícia não deve ser tão nova, mas é de extrema importância. O site Ubuweb disponibilizou em seu acervo virtual os três primeiros números da revista Dada - idealizada por Tristan Tzara e ligada ao movimento Dadaísta. Há desenhos, pinturas, poemas e textos assinados pelos artistas do grupo vanguardista, incluindo o famoso Manifesto Dada de 1918. As edições estão disponíveis em http://tinyurl.com/7fpkvm

Parabéns, Beckett
Na semana passada o aniversário de Samuel Beckett foi comemorado com entusiasmo. O The New York Review os Books liberou um artigo escrito por Colm Tóibin chamado Happy Birthday, Sam! - publicado originalmente em 2006. Junto com o artigo havia uma série de ótimas ilustrações assinadas por David Levin. O texto está disponível em http://tinyurl.com/3bktxh2 e as ilustrações em http://tinyurl.com/3sz59pq

Literatura norte-americana
Dois lançamentos da literatura norte-americana devem aparecer em breve nas prateleiras das livrarias brasileiras. Segundo a coluna Painel das Letras publicada na Ilustrada, o romance Room, de Emma Donoghue teve os direitos adquiridos pela Editora Verus; e The tiger's wife, de Tea Obreht foi adquirido pela Leya Brasil. Os dois romances foram recebidos com boas críticas pela imprensa dos Estados Unidos, sendo Room um dos melhores do ano passado e The tiger's wife um dos mais aguardados desse ano.

Entendimento?
Desdobrando um pouco o debate da série Desentendimento, O Instituto Moreira Salles fez quatro perguntas ao escritor Bernardo Carvalho. O escritor foi citado no debate "como um exemplo de autor que não se encaixa no perfil de ‘literatura nacional’". As perguntas e respostas estão disponíveis em http://tinyurl.com/43uv842

*imagem: reprodução.
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quarta-feira, 9 de março de 2011

TOURNAMENT OF BOOKS E COPA DE LITERATURA


Começou ontem o Tournament of Books 2011. A primeira disputa já teve cara de clássico: Freedom, de Jonathan Franzen enfrentou Kapitoil, de Teddy Wayne. Depois de mostrar seus argumentos, o jurado escolheu Freedom - o romance mais comentado do ano passado. Será que o falatório geral influenciou a decisão final do jurado? Só lendo a justificativa.

Eu imagino que a tarefa dos jurados nesse torneio não será nada fácil. Entre os concorrentes figuram nomes que concorreram ao National Book Award, Man Booker Prize e ao Pulitzer. Veja a lista:

Freedom, de Jonathan Franzen
Kapitoil, de Teddy Wayne
Room, de Emma Donoghue
Bad Marie, de Marcy Dermansky
Savages, de Don Winslow
The Finkler question, de Howard Jacobson
A visit from the good squad, de Jennifer Egan
Skippy dies, de Paul Murray
Nox, de Anne Carson
Lords of misrule, de Jaimy Gordon
Next, de James Hynes
So much for that, de Lionel Shriver
Super sad true love story, de Gary Shteyngart
Model home, de Eric Puchner
The particular sadness of Lemon Cake, de Aimee Bender
Bloodroot, de Amy Greene

Para quem não conhece o Tournament of Books é um campeonato em que dezesseis livros se enfrentam em esquema mata-mata. Ao todo são quatro grandes rodadas. Quem tiver melhor avaliação do jurado segue na disputa até a grande final. Nesse torneio participam apenas livros em língua inglesa. O intuito não é escolher apenas um dos livros mais bacanas do ano, mas promover a discussão de ideias em torno de livros que foram bem recepcionados pela crítica.

O Tournament tem disputas diárias e a primeira rodada termina na próxima semana. O ganhador do jogo de ontem, como falei, foi Freedom, de Jonathan Franzen. Hoje, quem ganhou foi Room, de Emma Donoghue.

Quem pensa que só os falantes da língua inglesa tem esse privilégio estão enganados. Nós temos a nossa Copa de Literatura Brasileira que começou no mês passado - já comentei aqui. As duas primeiras disputas, ou os dois primeiros jogos, elegeram Como desaparecer completamente, de André de Leones e O filho da mãe, de Bernardo Carvalho. O próximo jogo acontece na próxima semana. Você pode vestir a camisa do seu livro preferido, acompanhar e comentar a justificativa de cada jurado. As discussões estão muito boas.

*imagem: reprodução da tabela do Tournament of Books.
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