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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

AOS TRABALHOS - VOLTANDO DA FLIP...

Um, dois, três... testando. Som! Som!

Eu sei que simplesmente sumi do mapa sem dar maiores explicações. Acontece que depois da FLIP eu emendei férias e não tive tempo de deixar um recado por aqui. Até do twitter eu sumi. Foi mal! Prometo que não vai mais acontecer (cof, cof, cof).

Enquanto estive fora muita coisa aconteceu no mundo da prosa de ficção. Além disso, tem bienal do livro, Donna Tartt e muita literatura brasilera. Volto num momento de bastante agito, mas antes preciso escrever umas linhas mal traçadas sobre a FLIP (promessa é divida).

Aos trabalhos!

***



Já não resta muito a dizer quase três semanas após o término da Festa Literária Internacional de Paraty. Você já deve ter lido toda sorte de coisas na internet. Apelo para os tais textos opinativos e impressionaistas que estão em alta. 

Não acredito que tenha sido uma FLIP extraordinária para a prosa de ficção, mas a gente não pode exigir tamanha especificidade de uma Festa que trata de livros em geral - é um festival de humanidades e ainda que ficasse no ambito da literatura tem a prosa, a poesia, o teatro, os ensaios etc. 

Na minha humilde opinião, os escritores Eleanor Catton, Mohsin Hamid, Etgar Keret, Juan Villoro e Daniel Alarcón colocaram a plateia no bolso. Nada comparado a comoção generalizada de Valter Hugo Mãe em edições anteriores. No conjunto, eles tiveram senso de humor e inteligência de sobra para falarem de literatura, política e assuntos gerais. Souberam transformar com maestria perguntas ingênuas em grandes questões. Como diz aquele ditado, fizeram de um limão uma limonada. Tenho certeza que Catton conseguiu convencer muita gente a enfrentar seu pequenino catatau de quase 900 páginas. Alarcón felizmente não foi ofuscado pelo furacão Fernanda Torres - ela soube dar espaço para o livro dele. Perceba, o livro dela é muito bom, vendeu muito bem, ela estava em casa, fala com aquela desenvoltura que a gente conhece e ainda tinha Fernanda Montenegro sentada logo ali na linha de frente. Quem iria prestar atenção num escritor do Peru?

Cansei de cruzar com eles todos felizes e contentes flanando naquelas ruas de pedra.

No mais, achei a FLIP comedida (será a crise financeira, a crise de patrocínio, a crise do mercado?). A tenda dos autores pareceu muito mais simples do que os anos anteriores. A organização acertou ao liberar o show de abertura, mas errou ao desfazer a tenda do telão na beira da praia e deixar o público em pé debaixo de um sol escaldante - podia ter providenciado uma sombra e uns bancos. Mesmo na Praça da Matriz a coisa era infernal. Para não mencionar o falatório da multidão que ia e vinha o tempo todo e não deixavam a gente nem ouvir. Aquela ponta da praia onde ficava a tenda do telão no ano passado ficou morta. As mediações também foram um pouco sofridas, assim como as traduções simultaneas (com exceções) e a qualidade técnica do som nos telões.

Os preços das pousadas, das livrarias e restaurantes estavam pela hora da morte - sério. Acho que nem em São Paulo a gente gasta tanto com refeições, para ficar num único item (e olha que São Paulo não é uma cidade muito barata). Se continuar assim, alguém vai ter de montar um manual de sobrevivência a baixo custo em Paraty durante esse evento.

No mais, vale dizer que Paraty agora tem três livrarias!

*Imagem: reprodução.
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terça-feira, 29 de julho de 2014

FLIP - PROGRAMAÇÃO PARALELA


Amanhã começa mais uma edição da FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. As mesas da programação principal estão caprichadas com autores nacionais e internacionais e todos os ingressos para assistir ao vivo na tenda principal estão esgotados. Não se desespere porque nesse ano a tenda do telão será grátis. Vamos supor que você quer ver aquele seu autor favorito de perto, você tem duas oportunidades: pedir um autógrafo ou acompanhar a extensa programação paralela.

Abaixo listei o que consegui compilar. Além desses eventos, o jornal Folha de SP terá uma casa com a presença de alguns autores e tem a Flipinha (programação voltada ao público infantil).

Se você souber de alguma coisa, escreva nos comentários que faço atualizações.

FLIPMAIS
Casa da Cultura - R Dona Geralda 177
Preço dos ingressos para eventos pagos: R$ 12 (inteira); R$ 6 (meia)
Os ingressos estarão à venda na Casa da Cultura e na bilheteria da Flip, para eventos do mesmo dia ou do dia seguinte.

Programação

>> 31 quinta

14h
Construindo políticas públicas para a leitura*
Com José Castilho, Marques Neto, Fabiano dos Santos Piúba, Antônio Carlos de Morais Sartini, Paulo Daniel Elias Farah e  Cláudia Santa Rosa. A mediação será de Volnei Canônica

16h
Mano a mano
Com Damián Tabarovsky e Leopoldo Brizuela. A mediação será de Leandro Sarmatz

18h
Versos de risco – do hai-kai à poesia marginal
Com Adriana Calcanhotto e  Charles Peixoto. A mediação será de Guilherme Freitas

20h
Tradução in translation
Com José Luiz Passos, Sam Byers, Paulo Henriques Britto e Daniel Hahn

22h
Noites de cinema: Jards

>> 1 sexta

14h
A poesia e seus caminhos de fazer ler*
Com Flávio Araújo, Luís Dill, Ninfa Parreiras e Simone Monteiro de Araújo

16h
Meio de campo: o papel do agente literário
Com Lucia Riff, Mariana Teixeira Soares e Nicole Witt. A mediação será de Henrique Rodrigues

18h
Centenário de um Nobel
Com Alberto Ruy-Sánchez e Horácio Costa

20h
Em nome do pai
Com Ivo Herzog e Marcelo Rubens Paiva. A mediação será de Zuenir Ventura

22h
Noites de cinema: Mr. Sganzerla - os signos da luz*

>> 2 sábado

10h30
O estilo Millôr
Com Reinaldo e Chico Caruso. A mediação será de Guilherme Freitas

14h
Biblioteca na escola: leitura e letramento*
Com Pilar Lacerda, Cristina Maseda, Eliane Tomé e Graça Castro. A mediação será de Patrícia Lacerda

18h
Spoken word - a poesia em performance
Com Charlie Dark e Siba. A mediação será de Alice Sant’anna

20h
Eu, Malvolio
Com Tim Crouch

22h
Noites de cinema: crônicasNÃOditas*

*Evento gratuito. Retirar ingressos uma hora antes na Casa da Cultura com uma hora de antecedência.

CASA DO IMS
Rua do Comércio, 13
De quinta a sábado, das 10h às 22h
Domingo, das 10h às 16h

Haverá exposição e lançamento do livro "Millôr 100 + 100: desenhos e frases". O novo número da revista Serrote 17 também terá lançamento durante a FLIP.

>> Quinta 31
16h – Antônio Prata 
17h – Gregório Duvivier
18h – Jorge Edwards 

>> Sexta 1 
16h – Sérgio Augusto 
17h – Almeida Faria
18h – Paulo Mendes da Rocha
19h – Graciela Mochkofsky

>> Sábado 2
16h – José Luiz Passos 
17h – Daniel Alarcón 
18h – Cacá Diegues
19h – Juan Villoro

* Programação sujeita a alterações

CASA DA ROCCO
Rua da Matriz, esquina com Comendador José Luiz, no Centro Histórico

De quinta-feira a sábado, sempre das 10h às 20h
No domingo, das 10h às 14h

>> Sexta 1
15h Documentos, por favor
Com Frei Betto e Claudia Nina
Mediação: Guiomar de Grammont

17h O silêncio vale mais que mil palavras
Com Flávio Izhaki e Marcelo Moutinho
Mediação: Guiomar de Grammont

>> Sábado 2
15h Sexo, drogas e literatura
Com Julio Ludemir e Wesley Peres
Mediação: Claudia Nina

17h Lançamento de Devagar e Divagando, de Flávio Carneiro

19h Literatura em trânsito
Com Florencia Garramuño e Luciana di Leone
Mediação: Diana Klinger

>> Domingo 3
12h Eu vou te matar
Com Bernardo Kucinski  e Antonio Xerxenesky
Mediação: Miguel Conde

Todos os eventos são gratuitos nessa casa.

*Imagem: reprodução Google.
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

PARA QUEM VAI À FLIP E DECIDIU NA ÚLTIMA HORA...

E aí comprou ingressos para a FLIP? Acho que nem a Copa do Mundo foi capaz de impedir uma pequena correria por parte da plateia interessada em comprar ingressos para as mesas da Festa Literária de Paraty. Fiz uma consulta informal agora pouco e mais da metade da programação já não tem entradas - restam apenas 5 mesas. A novidade da programação desse ano é a entrada gratuíta tanto para o show de abertura (com a cantora Gal Costa) quanto para a transmissão das mesas pelo telão. Para tristeza geral da nação, o telão saí da beira da praia e vai para a Praça da Santa Casa; saudades de assistir as mesas com o pé na areia e uma cerveja na mão. Era quase um oásis.

Resta saber se haverá banco suficiente para todo o público que decidiu acompanhar pelo telão. Será que vão distribuir aqueles banquinhos de papelão?

Bom, vamos supor que você lembrou que a Copa acaba em duas semanas e decidiu de última hora fazer as malas rumo a Paraty para acompanhar a Festa. No entanto, um agravante te preocupa: você não leu nenhum livro dos autores convidados. Como resolver esse problema e não fazer feio?

Para ter dar uma mão eu criei uma tabela relacionando livros curtos, médios e longos (bem longos) de 216autores de prosa de ficção que estarão na FLIP. Como sempre, não tenho um daqueles infográficos super transados. Improvisei uma tabela no estilo vintage - que lembra os tempos do jornal em preto e branco (ainda bem que essas coisas do passado estão na moda).

Monte a tabela tomando como base a informação de que uma pessoa lê em média 15 páginas por hora. Usando esse dado, a tabela ficou assim:

Clique para aumentar
É evidente que na vida cotidiana nem tudo é tão estático assim. Pode ser que você seja um sujeito que consegue ler mais de 15 páginas por hora, bem como pode dispor de mais tempo de leitura aos finais de semana ou dias de folga do trabalho (lembrando que estamos no mês das férias escolares). Mesmo que você seja um sujeito "MUITO OCUPADO", vai conseguir ler pelo menos dois ou três livros. Esqueça os três catataus Jhumpa Lahiri, Joël Dicker e Eleanor Catton e fique com as opções de menor número de páginas.

Não desanime e não arrume desculpa.

*PS.: Listei um conto de Vladímir Sorókin que está na Nova antologia do conto russo porque o livro Dostoievski-Trip é uma peça de teatro - nada que impeça você de compreender um pouco do universo desse escritor. 

*Tabela: Rafael R.

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quarta-feira, 31 de julho de 2013

RETORNO - RUMO AO CASMURROS!


Caramba! Eu sei que prometi um texto com impressões gerais da FLIP, mas o tempo passou, muitas coisas aconteceram e o burburinho da cidade não é mais sobre o que aconteceu em Paraty - tem outras coisas mais interessantes rolando (confesso que voltando de lá tive uma certa ressaca literária e preguiça de escrever; fiquei ocupado com leituras mais técnicas e só agora arrumei um tempo para voltar realmente). Vou fazer um registro ligeiro para não passar em branco e descumprir uma 'promessa'.

Sem muitos rodeios e indo direto ao ponto, achei que essa FLIP pouco literária. De fato, as mesas mais interessantes foram voltadas para o ensaio, a não-ficção, o cinema, a arquitetura e as artes plásticas. Os organizadores gostam de lembrar que a Festa tem um foco mais amplo: não fica restrita a literatura e procura promover debates no campo da cultura e das ideias. Quem não lembra daquela edição que teve o escritor e sociólogo Gilberto Freyre como homenageado? O problema não é incluir outras áreas de conhecimento, mas não tirar proveito dos escritores de ficção.

O comentário coloca a figura do mediador no centro das atenções. É uma posição muito difícil porque fica dividida entre agradar, entreter ou frustrar as pessoas que leram e as que não leram os livros - trocando em miúdos, fazer com que o escritor solte altas dosagens de informação dizendo coisas interessantes (inéditas?!) sobre sua obra, seu processo de trabalho, alguma curiosidade dos bastidores do mercado editorial, uma notícia em primeira mão sobre o próximo livro etc. A maioria cometeu o pecado de falar demais, fazer perguntar à toa ou não interferir nas horas certas. Teve também as questões ligadas a barreira das línguas que são compreensiveis: o embaraço na hora de formular perguntas e interferir nas respostas e a tradução simultânea ficou confusa e atrapalhou em muitos momentos. Por fim, aquele raio daquele microfone da Madonna falhou e incomodou muitos escritores - John Jeremiah Sullivan parece ter sido o caso mais emblemático; Lydia Davis também, mas ela tinha um microfone de mão. Questões aparentemente simples que tem alto impacto quando somadas ao nervosismo e tensão do grande momento.

(Um parênteses sobre as perguntas formuladas em outra língua ou traduções simultâneas. Peguei autógrafo do Geoff Dyer e, na fila, fiquei repetindo mentalmente uns comentários em inglês para conversar com ele. Quando chegou a hora me atrapalhei todo e falei coisas completamente diferentes do que tinha planejado. Acontece! A coisa está ao vivo, de modo totalmente aleatório e certamente terá margens de erro).

Em resumo a FLIP pode repensar esses incidentes e testar novos formatos - acho aquele momento de leitura de um trecho do livro muito solene e deve ganhar atenção e respeito necessário. Enfim, tem de arriscar mais.

Faço uma pequena defesa quanto a edição porque as manifestações nas ruas do Brasil tomaram uma proporção tão grande que realmente abafaram qualquer interesse pela ficção. É difícil competir com o chamamento da vida real - o assunto foi onipresente, não tinha como não ser. O elenco de escritores foi fechado muito antes de tudo acontecer. Três escritores deram o cano e restou aos organizadores substituir essa turma por temas mais pertinentes a situação, mas ao invés de mesas literárias tivemos mesas políticas meio improvisadas as pressas que tratavam novamente das muitas análises que circularam nos jornais, revistas, programas de TV, internet etc. Imagino que tenha sido tenso para os organizadores. E deve ter rolado um arrependimento enorme ter recusado a vinda de Chuck Palahniuk - para ficar numa observação óbvia uma mesa estabelecendo relações entre Clube da luta e os protestos renderia muitos frutos.

Sorte na próxima vez!


P.S.: quero dizer que o Casmurros apóia a campanha para termos Lima Barreto como autor homenageado da #FLIP2014. Tem mais informações aqui


PS.2: Caso você não saiba, Miguel Conde não será o curador da próxima edição. Os organizadores devem anunciar um nome novo até setembro.

*Foto: Rafael R./Casmurros
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quarta-feira, 3 de julho de 2013

TÃO DIVERTIDO QUANTO A FICÇÃO

A FLIP começa hoje com dois grandes desfalques: o francês Michel Houellebecq (que será substituído por uma mesa cujo tema são as manifestações que tomam as ruas do país) e o norueguês Karl Ove Knausgård (que cancelou a participação ontem, alegando motivos pessoais, e será substituído por Juan Pablo Villalobos). Sobre Houellebecq já comentei num outro texto; quanto ao Knausgård, achei a notícia ruim, mas me conforta saber que a série autobiográfica Minha luta é composta por 6 volumes. De modo que ainda teremos outras cinco oportunidades para vê-lo de perto.

Saindo da realidade e adentrando as raias do exercício imaginativo, Raphael Dyxklay (crítico literário, tradutor de obras de Charles Dickens e agitador cultural) enviou para cá uma "cartinha" propondo a "FLIP dos sonhos". Achei a proposta muito original e fiquei pensando cá com meus botões no que o grande público diria. Será que a seleção seria aprovada ou reprovada? Jogo a avaliação nas mãos dos leitores e convido, assim como o Raphael também convida, todo mundo a enviar propostas e comentar o assunto.

"Caro,

Minha mãe chegou ontém - ou será que foi anteontém? - com uma história de que iria a FLIP comigo, já que estava com ingressos sobrando. Minha mãe não é uma pessoa má, só que de literatura ela não entende. Dentre os escritores convidados ela não conhece nem o Francisco Bosco (sorte dela). Como bom crítico que me julgo, adaptei meus critérios e separei lugares para ela nas mesas de autores pintosos, como a do Laurent Binet com o Aleksandar Hemon. É verdade que ela preferiria vê-los jogando volêi de praia do que falando idiomas desconhecidos, mas paciência...

Agora, sabe que ela me aflorou minha própria decepção com esse ano. Fora a mesa dos inteligentes (e belos) autores já citados poucas outras me agradaram. Então resolvi propor-lhe uma curadoria ficcional a qual você e o público do seu blog poderia acrescentar mais nomes. Obviamente levamos a vantagem sobre o Miguel Conde de, na ficção, nenhum autor ter a coragem de nos recusar o convite. O que também não vai me impedir de ir correndo à edição verdadeira, afinal, como disse o Woody, "a realidade é chata, eu não nego, mas é o único lugar onde você pode comer um bom bife".

O que vejo de mais grave na curadoria atual são mesas que se atem ao previsível, unindo autores muito próximos (de modo a estereotipá-los: como com Javier Cercas e Juan Gabriel Vasquez) ou muito simpáticos um ao outro (Egan e McEwan). Outra coisa é não valorizá-los por seu conteúdo extra ficcional. Quem ler a entrevista que Houellebecq deu a Paris Review pode perceber quão pouco interessante são suas considerações ainda que para fãs de sua ficção."

Seguem as mesas:




*Arte: Rafael R.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

PARA QUEM VAI À FLIP E DECIDIU NA ÚLTIMA HORA...

E aí comprou ingressos para a FLIP? Se você esqueceu completamente da vida e perdeu a data, saiba que restam poucos ingressos para a tenda dos autores. Para minha surpresa, em menos de uma semana, até a Tenda do Telão já tem ingressos esgotados para algumas mesas (o encontro entre Lydia Davis e John Banville, por exemplo, está totalmente vendido - oba!). Portanto, se você quer ver as mesas em Paraty é bom correr.

Bom, vamos supor que você decidiu de última hora fazer as malas, comprar ingressos e participar da Festa mas não leu nenhum livro dos autores convidados. Como você pode resolver esse problema e não fazer feio? 

Para não fugir a tradição (que começou no ano passado - cof!), resolvi dar uma força e criei uma tabela relacionando livros de 17 autores de ficção que estarão na FLIP (só inclui autores de prosa de ficção e ensaio porque o blog é focado nesses gêneros). Nem preciso dizer que eu queria criar um daqueles infográficos super transados, mas não deu. O jeito foi improvisar e criar uma tabela no melhor estilo vintage.

Para entender a tabela você precisa saber que os parâmetros foram os seguintes: uma pessoa lê em média 15 páginas por hora. Usando esse dado, a tabela ficou assim:


(clique para aumentar)

Olhando mais detalhadamente, a gente pode constatar que você pode ler pelo menos dois ou três livros mesmo que seja um sujeito muito ocupado. Considere também a possibilidade de ler mais de 15 páginas por hora (usei uma média aleatória) - o que vai significar mais um livro para ler.

Não desanime, não arrume desculpa e vá ler um livro.
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domingo, 2 de junho de 2013

A PROGRAMAÇÃO DA FLIP 2013


A FLIP anunciou a programação completa da sua décima primeira edição que acontece entre os dias 3 e 7 de julho. Como os curadores gostam de lembrar, a Festa é um evento de artes, humanidades e ideias cujo eixo central é a literatura. O que não engessa os assuntos das mesas e permite mudanças, inovações, experiências e surpresas aos expectadores. Quem não se lembra do ano em que o homenageado foi o sociólogo Gilberto Freire? Não estou menosprezando a importância de sua obra, mas destacando o fato de que com essa manobra a FLIP estava ampliando seu repertório condutor. Portanto, não causa espanto os debates sobre cinema, artes plásticas e arquitetura. 

O chamariz que confere popularidade a Festa está nessas mesas não necessariamente literárias com Gilberto Gil, Maria Bethânia lendo Fernando Pessoa ao lado de Cleonice Berardinelli, Nelson Pereira dos Santos ao lado da cantora Miúcha e uma mesa com Eduardo Coutinho (gênio).

A grande surpresa foi Michel Houellebecq. Acho que ninguém esperava já que ele tinha cancelado a sua participação na Festa, em 2011, alegando problemas pessoais. Resta torcer para que nada aconteça e ele venha. Apesar de ser uma figura aparentemente serena, seus livros sempre despertam debates apaixonados. No romance Partículas elementares, por exemplo, uma das personagens diz "Se havia um país detestável, era justamente, e especificamente, o Brasil”. Em 2008, quando ele esteve no Brasil para o Fronteiras do Pensamento, falou sobre o futebol como uma válvula de escape para o instinto de combate do ser humano. Em 2010, muita gente acusou Houellebecq de plágio quando O mapa e o território ganhou o Prix Goncourt - o livro contém trechos que foram retirados da Wikipédia. Vai ser no mínimo curioso.

A tarefa de fazer Houellebecq falar está nas mãos do jovem escritor e crítico espanhol Javier Montes. Será que vão conversar em francês? Ele já morou em Paris, Lisboa, Rio de Janeiro e Buenos Aires, tem experiência com tradução e domína outras línguas. Quem quiser conhecer um pouco dele pode recorrer aquela edição da Granta com Os melhores jovens escritores em espanhol. Montes também apresentou Emilio Fraia para o mundo na edição inglesa da Granta dedicada aos escritores brasileiros.

No mais, no terreno da prosa de ficção, a FLIP apostou em nomes ainda pouco conhecido pelos leitores brasileiro como o norueguês Karl Ove Knausgård, o francês Laurent Binet, a norte-americana Lydia Davis e o francês Jérôme Ferrari (ganhador do Prix Goncourt do ano passado). Um pouco mais conhecidos são o bósnio Aleksandar Hemon cuja obra tem sido publicada por aqui pela editora Rocco desde 2002, o irlandês John Baville publicado no Brasil desde o final dos anos 80 pelas editoras Globo, Rocco e Nova Fronteira e o norte-americano Tobias Wolff que apesar de ter livros publicados em português anda meio sumido das estantes - acho que só catálogo.

No quesito popularidade, os escritores brasileiros levam vantagem. Três dos prosadores mais comentados da temporada marcam presença: Paulo Scott, José Luiz Passos e Daniel Galera. E para aqueles críticos que acreditam que a não-ficção está mais interessante do que a ficção, vale as mesas entre Lila Azam Zanganeh e Francisco Bosco, Roberto Calasso e Jeanne-Marie Gagnebin (eles vão falar sobre Kafka e Baudelaire) e Geoff Dyer e John Jeremiah Sullivan (promete ser o ponto alto da Festa no domingo em que as pessoas costumam ir embora).

No mais, a gente sempre espera que a FLIP traga um escritor por quem somos apaixonados. Só que o mercado editorial no Brasil mudou, as Bienais do Livro estão tentando se reinventar, feiras estão crescendo, eventos menores estão surgindo e as editoras estão mais sintonizadas com isso. O que significa dizer que a gente não precisa esperar só pela FLIP para ver aquele autor que a gente gosta. Logo mais, ele pode pintar por aí na sua cidade.

***

Tenho certeza que eu, você e muita gente distribuiu palpites da programação nas conversas de mesa de botecos. Como acontece com o futebol, todo mundo tem uma escalação de sua preferência na cabeça. Algo me dizia que Zadie Smith e David Mitchell finalmente viriam (dois nomes em evidência nesse momento e cujos livros mais recentes devem sair em português logo mais). Não rolou. No mais, lamentei a 'não-vinda' de Chuck Palahniuk e olhando a programação geral, teria incluído Elif Batuman (uma das melhores 'ensaistas' do momento). Faltou uma mesa que contemplasse quadrinhos. Enfim, a lista é longa. Quem sabe numa outra oportunidade.

E você? Qual seria a sua escalação?

p.s.: deixei de fora os comentários sobre poesia porque o blog trata de prosa de ficção. no entanto, sei que vai ter coisa bacana.

(Foto: Walter Craveiro/Flip)
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

PARA QUEM VAI A FLIP E DECIDIU NA ÚLTIMA HORA...

E aí comprou ingressos para a FLIP? Sei de gente que nessa época do ano fica desesperada com a possibilidade de perder uma mesa com um autor preferido. Para não fugir a regra, os ingressos para a Tenda dos Autores da maioria das mesas esgotou antes do final do dia. Se você esqueceu completamente da vida e perdeu a largada, não se preocupe. Sempre existe a possibilidade de pegar um telão. Os preços são bem atraentes e com a mudança da tenda do telão para a beira da praia, o lugar ficou tão legal que quase virou um oásis nos dias de calor.

Bom, vamos supor que você decidiu de última hora fazer as malas, comprar ingressos e participar da Festa. Só que tem um agravante: você não leu nenhum livro dos autores convidados. Como você pode resolver esse problema e não fazer feio?

Para ter dar uma mão eu criei uma tabela relacionando livros curtos, médios e longos (bem longos) de 21 autores de ficção que estarão na FLIP. Na verdade eu queria criam um daqueles infográficos super transados (até tentei aprender a mexer naqueles programas avançados de designer, mas não deu). O jeito foi improvisar e criar uma tabela no melhor estilo vintage - que lembra os tempos do jornal em preto e branco (ainda bem que essas coisas do passado estão na moda).

Para entender a tabela você precisa saber que: uma pessoa lê em média 15 páginas por hora. Usando esse dado, a tabela ficou assim:

Olhando mais detalhadamente, a gente pode constatar que você pode ler pelo menos dois ou três livros mesmo que seja um sujeito muito ocupado. Considere também a possibilidade de ler mais de 15 páginas por hora - o que vai significar mais um livro para ler.

Agora se você quiser ler todos esses livros até a FLIP, você vai precisar ler 175 páginas por dia - ou seja, gastar mais ou menos 12 horas do dia lendo.

Não desanime e não arrume desculpa.

*Juro que quando tiver tempo e habilidade faço um infográfico mais bonitinho, com as capinhas e tudo o mais.

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domingo, 18 de março de 2012

FLIP 2012 ATÉ AGORA...


Faltam pouco mais de três meses para o início da décima edição da FLIP e até agora temos 14 nomes confirmados - ou seja, estamos chegando a metade da programação oficial considerando a média de 30 convidados por ano. Na mesa de abertura teremos Silviano Santiago falando sobre Carlos Drummond de Andrade - o poeta mineiro que será o grande homenageado.

Por causa dos dez anos da FLIP, a organização está convidando escritores que já estiveram em edições passadas. Com isso voltam Ian McEwan (veio em 2004), Enrique Vila-Matas (veio em 2005 e também esteve por aqui ano passado no Congresso da revista CULT) e o gaúcho Luis Fernando Veríssimo (segundo informação do jornal O Globo ele esteve na FLIP em 2003, 2004, 2005 e 2008).

Se a FLIP pretende chamar um grande nome de cada edição passada quero fazer uma sugestão: poderíamos ter a escritora Toni Morrison, de 2006 (ela vai lançar novo romance nesse ano); César Aira, de 2007 - já que J.M. Coetzee não vem; e Michel Laub, de 2008 (autor de um dos melhores romances do ano passado).

Vem pela primeira vez o espanhol Javier Cercas, a cubana Zoé Valdés, os norte-americanos Jennifer Egan, Jonathan Franzen e Teju Cole (apesar de ter nascido nos Estados Unidos foi criado na Nigéria), o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio e o poeta sírio - e sempre candidato ao Prêmio Nobel - Adonis. Da parte dos críticos vem Richard Sennett, Stephen Jay Greenblatt e James Shapiro, os dois últimos são especialistas em Shakespeare. Na semana passada, a Companhia das Letras confirmou a participação do português José Luis Peixoto na programação paralela da Festa.

Nos últimos dez anos, o crescimento em todo o Brasil das feiras literárias, congressos, eventos e lançamentos com a participação de escritores diluíram um pouco o impacto da programação da FLIP na opinião pública. Isso não quer dizer que a Festa esteja se tornando irrelevante. Pelo contrário, a FLIP ajudou a construir o nosso "mercado" de eventos literários de grande porte (pelo que me lembro, antes a gente só tinha a Bienal do Livro) e continua sendo a maior do setor. Somente um evento de prestígio internacional como a FLIP pode trazer alguns medalhões da literatura mundial como o poeta Adonis e o escritor Jonathan Franzen, para citar dois convidados desse ano. Não é aleatória a escolha da revista Granta de anunciar seu número especial com os melhores jovens escritores brasileiros durante a Festa. Também não podemos desprezar a enorme movimentação nas vendas de livros. Um escritor convidado para a FLIP certamente vende muito bem - ainda mais quando sua participação comove a platéia.

Lembro de ter lido em algum lugar que os organizadores da FLIP, Liz Calder e Mauro Munhoz, tem planos de expandi-la para Campinas, Porto Feliz e até para a Inglaterra. O que lembra muito Hay Festival, evento que inspirou a FLIP e tem ramificações em várias partes do mundo. Enquanto a expansão não acontece alguns autores convidados ficam no Brasil e participam de lançamentos ou palestras em São Paulo e no Rio.

Mais nomes internacionais devem aparecer em breve. Os nomes nacionais costumam ser anunciados por último. Espero que eles apareçam aos montes. Vamos cruzar os dedos.

*Imagem: reprodução do Flickr da FLIP.

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terça-feira, 12 de julho de 2011

IMPRESSÕES DA VIAGEM - FLIP 2011


Eu queria fazer alguns comentários sobre minhas impressões dessa FLIP, mas quem acompanhou a coisa pelos jornais e pela internet já deve estar por dentro de tudo o que aconteceu. Há uma série de impressões sobre as mesas, entrevistas com os autores convidados, fofocas dos bastidores e balanço com o melhor e o pior. Um verdadeiro banquete de informações, mesmo para quem estava lá.

É bacana ver como a cobertura pela internet está crescendo cada vez mais. Não tinha como ser muito diferente. Imagino que a imensa quantidade de tweets deixou todo mundo meio perdido na timeline. Também deve ter uma boa quantidade de fotos circulando no Facebook de muita gente, fora os vídeos de improviso - vocês já viram o escritor valter hugo mãe cantando fado. Isso para não falar nos "hotsites" dos jornais e das editoras. Quem se lembra das primeiras edições da FLIP pode notar a grande diferença.

Infelizmente, não fui a Paraty com equipamento suficiente para transmitir informações do que estava se passando. Tive acesso ao wi-fi em alguns momentos, mas tinha pouco tempo para conseguir fazer um post. Quem sabe no ano que vem - é a terceira vez que vou à FLIP (in loco) e sempre digo isso.

A nova estrutura da festa ficou melhor. Tem mais espaço para todo mundo circular entre a programação oficial e a programação paralela que está crescendo e ganhando mais importância. A tenda do telão na beira da praia e aquele passeio público deram novo charme a Paraty. O time de escritores convidados também foi de alto nível e muitas mesas tiveram mais encontros de temas do que desencontros.

Achei curiosa a reação do público. Rompendo um pouco a ideia de platéia passiva, teve gente que interferiu diretamente por meio de aplauso, gritos e assovios.

Na mesa do David Byrne, me pareceu que parte da platéia ficou assoviando em protesto a longa fala do mediador Alexandre Agabiti Fernandez. Nessa mesma mesa uma pessoa gritou qualquer coisa da platéia enquanto Eduardo Vasconcellos falava. Aproveito para dizer que essa mesa foi mesmo bem esquisita - como disse a Raquel Cozer via twitter - Byrne falou sobre urbanismo, cidades e Jane Jacobs, mas ele não é arquiteto. Foi estranho.

Na mesa entre Ignácio de Loyola Brandão e Contardo Calligaris teve gente que se levantou protestando contra apoio dado por ambos a decisão de Antonio Tabucchi de cancelar a participação na FLIP. Na mesa entre Pola Oloixarac e valter hugo mãe a platéia suspirava pelo português - teve muitos aplausos e choro. Quando os dois entraram rolou um coro de gritos (estou comentando sem nenhum juízo crítico).

Muita gente também comentou sobre as mediações: ou falavam muito ou não faziam as intervenções necessárias. Mas tenho a impressão de que o mediador ideal é algo meio subjetivo. Tem gente que gosta daqueles carrascos que arrancam confissões, fazem perguntas inteligentes etc. Tem gente que prefere o mediador invisível.

E o que dizer da tradução simultânea? É uma coisa bem delicada porque não é tarefa simples, mas pode impedir a platéia de se apaixonar por um escritor ou pelo menos de se interessar mais pelo trabalho dele.

valter hugo mãe foi o escritor mais consagrado dessa edição. Ele caiu no encanto de todo mundo. Tinha muitos pontos a seu favor: fala português, tem uma voz bem paciente, é extremamente simpático e diz muitas coisas sobre o Brasil. James Ellroy é uma figura. Andrés Neuman também colocou todo mundo no bolso. Só achei uma pena que o público não tenha dado uma segunda chance para a bela Pola Oloixarac apresentar seu livro.

Também achei ótima a participação do Zé Celso no final da FLIP. O domingo costuma vazio, mas nesse ano foi cheio. Ele reconfigurou a mesa "Livro de cabeceira" e o público (bem assanhadinho) respondeu positivamente. Serve para os curadores pensarem outras maneiras de formatar essa mesa - que é bem legal e permite uma aproximação maior do público com os escritores e obras diversas.

*Imagem: retirada do flickr da FLIP/ Crédito: Nelson Toledo.
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quinta-feira, 7 de julho de 2011

AUSÊNCIA - RUMO À FLIP!


Caros leitores,

Estou indo rumo à FLIP. Pretendo atualizar o blog de lá, mas não sei se vou ter sucesso em função do tempo e do acesso ao wi-fi/internet. Prometo que vou tentar. Se não pintar nenhum texto novo até domingo, não se preocupe. Quando voltar terei muitas histórias para contar.

Nos vemos na FLIP!

*imagem: reprodução do flickr da FLIP.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

PÓS-FLIP

Você não vai a FLIP desse ano por que está com preguiça de viajar, não tem tempo de viajar até Paraty ou não conseguiu comprar ingressos para nenhuma das mesas na tenda dos autores e não quer encarar a tenda do telão? Não se preocupe, nove escritores estrangeiros da festa sairão em turnê por São Paulo e Rio de Janeiro logo após o evento.

A notícia é de Raquel Cozer:

Nove dos 21 autores estrangeiros da Flip, inclusive alguns dos mais esperados, estarão em eventos no Rio e em São Paulo ao sair de Paraty, onde já não há ingressos para vê-los ao vivo. Logo após a Flip, dia 11, James Ellroy fala sobre Sangue Errante (Record) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (SP). No dia seguinte, no Sesc Pinheiros, David Byrne discorre sobre Diários de Bicicleta (Amarilys) em fórum de sustentabilidade. Ainda no dia 12, Claude Lanzmann lança A Lebre da Patagônia (Companhia das Letras) no Centro de Cultura Judaica, e Peter Esterházy autografa Os Verbos Auxiliares do Coração (Cosac Naify) na Livraria da Vila - Lorena. A unidade recebe no dia 13 Michael Sledge, autor de Tanto Mais lhe Devo (Leya), enquanto Pola Oloixarac faz na unidade Fradique Coutinho ação sui generis: hackear ao vivo um site, como os personagens de seu As Teorias Selvagens (Benvirá). O recordista de aparições é valter hugo mãe, com duas dobradinhas Rio-SP organizadas pelas editoras Cosac e 34. O Rio, aliás, embora vá receber menos autores que SP, terá dois encontros com o mais aguardado deles, Antonio Tabucchi, em datas e horas a confirmar. Ainda por lá, Emmanuel Carrère vai à sessão de O Bigode, baseado no romance homônimo (Alfaguara), na Maison de France, no dia 11. A Companhia ainda tenta evento com Joe Sacco.

[via coluna de Babel de 11/06]
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

FLIPADAS


Não comentei antes por falta de tempo, mas achei a programação da FLIP muito boa. A maioria das mesas será voltada para a ficção em prosa, com direito a escritores que estão levando o romance a novos caminhos. O maior número de autores de língua latina deixou a festa com a cara do curador, Manuel da Costa Pinto. No ano passado, depois de ter sido anunciado como o novo curador, ele disse que tinha vontade de trazer mais escritores de língua francesa e italiana.

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Abertura
Outra tacada de mestre que resultou positivamente para a curadoria foi ter Antonio Candido falando sobre Oswald de Andrade na mesa de abertura. Como se sabe, Candido raramente participa de eventos como esse e não gosta muito de falar em público. Ele pediu que a imprensa evitasse o assédio. Vamos ver como será em Paraty.

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Lamento 1
Uma pena que o escritor Michel Houellebecq e o crítico Franco Moretti tenham cancelado suas participações. A presença deles iria coroar o evento. Houellebecq iria lançar O mapa e o território, romance ganhador do Prêmio Goncourt e envolto em polêmicas sobre plágio da Wikipédia. É bom lembrar que a literatura francesa, que parecia meio moribunda, está dando sinais de renovação. Já a vinda de Franco Moretti iria garantir um brilho crítico no debate contemporâneo sobre o romance. Além disso, teríamos a chance de ver publicado mais um volume da obra Il romanzo que teve curadoria dele - saiu por aqui pela Cosac & Naify apenas o volume 1 - A cultura do romance.

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Estrelas pop
O mais curioso foi a enxurrada de comentários após o anúncio da programação final: só se falava em David Byrne. O músico garantiu o lado pop da festa e ficou com uma mesa no domingo - para segurar a presença do público. Daqui a pouco devem surgir rumores não confirmados de que ele poderá fazer um show secreto em Paraty (o que não deixaria de ser muito bacana, afinal existe coisa mais antropofágica do que David Byrne).

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Lamento 2
A ficção brasileira ficou apenas duas mesas: uma com Marcelo Ferroni, Edney Silvestre e Teixeira Coelho e outra com João Ubaldo Ribeiro. Estamos bem representados na festa, mas sempre fica aquele gostinho de quero mais. No entanto, o lamento é passageiro se pensarmos na quantidade de eventos literários que estão acontecendo em todo o país. Chance para ouvirmos nossos escritores não devem faltar.

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Duas mesas particularmente interessantes
Pola Oloixarac com valter hugo mãe e João Ubaldo Ribeiro.

*Imagem: Tenda dos Autores / reprodução do Flickr da FLIP, créditos: Walter Craveiro.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

JA ELEGERAM A MUSA DA FLIP 2011


Estamos apenas no primeiro dia de fevereiro e as notícias em torno dos autores convidados da FLIP 2011 não para de pipocar. Depois de anunciar a presença do argentino Andrés Neuman, do norteamericano David Remnick e do português Valter Hugo Mãe, a organização da festa literária confirmou a presença da argentina Pola Olaixarac.

Aliás, Pola Olaixarac já foi eleita a musa dessa edição por muita gente - basta dar uma olhadinha na foto acima para perceber o motivo de tanta euforia. Aí daquele ou daquela que discordar! Pelo menos por enquanto. Ela é autora do romance As teorias selvagens, que será lançado pela Benvirá - um selo da editora Saraiva. O livro recebeu elogios de Ricardo Piglia, vejam só. Pola também já publicou contos, faz tradução e também escreve artigos para a mídia argentina.

Quem quiser se antecipar e conhecer o trabalho da musa pode ler em inglês o conto Conditions for the revolution, que foi publicado na edição da revista Granta com autores de língua espanhola. Na mesma edição também tem uma entrevista com ela.

Outros outros nomes tidos como certos para FLIP, mas que ainda não confirmados pela organização são: o escritor norteamericano James Ellroy e o quadrinista Joe Sacco.

Vamos aguardar mais notícias!

*imagem: divulgação.

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

8ª FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY - FLIP


Muito bem, críticas, elogios e polêmicas à parte, hoje começa mais uma edição da FLIP. A programação completa já está na ponta da língua de todo mundo. As tendas já estão montadas. As livrarias também. Os autores já chegaram ou estão chegando aos poucos. O tempo está nublado e faz aquele friozinho típico da época. Pelo que li, a cidade ainda vive pacata. Os turistas, visitantes, estudantes, jornalistas e flipeiros devem começar a chegar amanhã.

Não conseguiu ingresso, não tem dinheiro ou não está a fim de ir? Não tem problema. Acompanhe todos os jornais, revistas, blogs e twitters que a está altura do campeonato já estão pegando fogo. Se você quiser ter sua própria opinião sobre alguma mesa, o site da FLIP te dá uma ajuda e faz transmissão ao vivo. Não vai faltar cobertura de informações.

Recomendo vivamente que todo mundo acompanhe: mesa 2 -Lionel Shriver e Patrícia Melo (duas escritoras que precisam ser lidas); as mesas 5 e 6 - com Robert Darnton, Peter Burke e John Makinson (sobre o tão falado futuro dos livros, para ouvir e pensar); mesa 9 - A. B. Yehoshua e Azar Nafisi (de como a literatura reflete as nossas questões políticas e sociais); mesa 10 - Salman Rushdie (para quem viu e não viu); mesa 12 - Colum McCann e William Kennedy (as cidades e suas histórias); mesa 14 - Robert Crumb e Gilbert Shelton (os mitos dos quadrinhos); mesa 17 - Wendy Guerra e Carola Saavedra (duas jovens escritoras). Quem puder acompanhar tudo, melhor.

Vou estar na FLIP também, mas depois falo mais sobre isso.

*imagem: reprodução do Flickr da FLIP.

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domingo, 4 de julho de 2010

PROGRAMAÇÃO - FLIP 2010


Amanhã começa a venda de ingressos para a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty, a nossa conhecida FLIP. A festa acontece entre 4 e 8 de Agosto prestando homenagem a Gilberto Freyre - um dos grandes pensadores da história do Brasil. A FLIP é um sucesso de público e a cada ano atraí mais gente para a cidade de Paraty. Se não me engano, no ano passado, o evento recebeu 20 mil pessoas. Apesar da extensa programação, o foco principal será a Tenda dos Autores que terá Lionel Shriver, Isabel Allende, Peter Burke, Robert Darnton, Salman Rushdie, Terry Eagleton, Robert Crumb, Lou Reed, entre outros.

Se você se animou é melhor correr. Os ingressos para as mesas costumam esgotar rapidamente. Além disso, quase não sobram vagas em pousadas e hotéis. A programação completa você encontra aqui.

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