Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contos. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de agosto de 2013

BESTIÁRIO, DE JÚLIO CORTÁZAR



Desculpem voltar ao papo dos videogames - parece que o blog anda monotemático -, mas vocês sabem como é: um assunto sempre puxa o outro. Vi numa livraria que Bestiário, o primeiro livro de contos de Júlio Cortázar publicado em 1951, acaba de ganhar uma reedição caprichada pela Civilização Brasileira com nova tradução feita por Paulina Wacht e Ari Roitman e projeto gráfico de Leonardo Iaccarino. O livro é objeto de desejo de muita gente e estava fora de catálogo há muitos anos - se não me engano, a última publicação foi pela editora Nova Fronteira nos anos 90.

No total são oito contos - alguns clássicos: Casa tomada, Carta a uma senhorita em Paris, A distante, Ônibus, Cefaleia, Circe, As portas do céu e Bestiário.

O que tudo isso tem a ver com videogames? O conto Carta a uma senhorita em Paris serviu de inspiração para o jogo "Rabbits for my closet". Falei a respeito dele em 2011 confira aqui. Assumimos o papel do narrador do conto que misteriosamente começa a vomitar coelhinhos e nossa tarefa é escondê-los dentro do armário, antes que a empregada descubra. Não requer prática e nem tão pouco habilidade.

Vale comprar o livro e ainda ter como bônus o jogo.

*Imagem: divulgação.
Share/Save/Bookmark

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ONZE DO ONZE DO ONZE


O caderno Ilustrada, da Folha de SP, resolveu comemorar a data 11/11/11 (cabalística e astral, como muitos diriam) convidando onze autores brasileiros para escrever minicontos de onze linhas. Tem Modesto Carone, Fernando Bonassi, Ronaldo Correia de Brito, Fabrício Corsaletti, Marcelo Coelho, Reinaldo Moraes, Natércia Pontes, Sérgio Rodrigues, Joca Reiners Terron, Verônica Stigger e Vanessa Bárbara.

Abaixo reproduzo o miniconto de Verônica Stigger:


PRÓLOGO
"Agora vocês vão ver",
dizia ele aos primos,
que gargalhavam como aves
de mau agouro, enquanto
espalhava pelas paredes brancas
do quarto o sangue que saía
aos borbotões de seu portentoso
nariz. Nenhum deles percebeu
que a mancha de sangue
na parede ia assumindo
os contornos do mapa do Sul.
*Imagem: reprodução do Google.

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O MUNDO IDEAL DA LITERATURA

Já devo ter falado mais de uma vez que gosto muito do blog do Michel Laub. Também gosto dos livros dele, mas confesso que não li todos. Fiquei apenas com dois: O gato diz adeus e Diário da queda. Ambos são muito bem escritos - com isso quero dizer que ele tem bastante controle do enredo; sabe o que vai dizer, como dizer e o efeito que pretende causar (pelo menos essa foi a minha impressão de leitura). Pelas coisas que acompanho, ele parece refletir muito sobre escritor um romance no mundo de hoje (pós-tudo!) e ser brasileiro (nossa literatura é periférica).

Mas gosto também do blog. Lá tem a parte crítica, as reflexões do Michel Laub sobre a literatura. Os posts são curtos, variados e dizem exatamente aquilo que precisam dizer - sem introdução, nariz de cera ou firula. Muitos "conselhos" de lá servem como um ponto de orientação para mim - e estou falando muito sério.

Para entender o que estou dizendo, recomendo a leitura da série "Mundo ideal". Trata-se de uma sequência de posts em que outros escritores listam propostas literárias para o mundo de agora - ou para um mundo ideal de agora que pode ser que nunca se realize. Tem propostas para o romance por Ana Paula Maia, propostas para o conto por Santiago Nazarian, propostas para a crítica por Antônio Xerxenesky e até proposições do próprio Laub para a crítica literária e o ano novo.

Aproveita o embalo e olhada nos posts dele para o blog da Cia das Letras. Depois você me diz...

*Imagem: Mapa da fictícia ilha de Utopia, livro homônimo de Thomas Morus (ou Thomas More), de 1516 / reprodução Google.
Share/Save/Bookmark

terça-feira, 31 de maio de 2011

NOTAS #26


Gêneros literários
Daniela Comani, uma artista plástica italiana radicada na Alemanha, costuma investigar em seu trabalho questões ligadas ao gênero feminino. Seu objetivo é mostrar que as mulheres não ocupam a história mundial do século XX e muito menos o cânone literário ocidental. Na série de trabalhos New Publications, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura inglesa, espanhola, francesa, alemã e italiana e mudou o gênero de seus títulos. Assim, a capa de Os irmãos Karamozov ganha o título de As irmãs Karamozov; Madame Bovary vira Monsieur Bovary; e Dom Quixote se transforma em Dona Quixote. Não deixa de ser curioso e provocativo. A mostra está em exibição na Charlie James Gallery em Los Angeles.

Listas
O site Flavorwire (sempre com as listas das dez melhores coisas relacionadas à literatura) pediu a revista literária One Story (especializada em publicar contos) que escolhesse os dez maiores contos de todos os tempos. Na votação da equipe vários nomes foram citados e a editora da revista escolheu os clássicos - tudo segundo uma ordem bem particular, pessoal e aleatória. É fato que a nomeação é discutível, mas tem o mérito de mostrar uma reunião de contos não tão citados. Entre eles, “Para Esmé, com amor e sordidez”, de JD Salinger; “Os mortos”, de James Joyce; “Um senhor muito velho com umas asas enormes”, de Gabriel Garcia Marquez; “É difícil encontrar um homem bom”, de Flannery O’Connor; e “Catedral”, de Raymond Carver. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/3lrnta5

Áudio Huxley
Entre 1956 e 1957 a rádio americana CBS organizou uma série experimental de leituras dramáticas. Na estréia do programa nada menos do que uma adaptação em duas partes do clássico romance de ficção científica Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. A peça que tem introdução e narração do próprio Huxley reapareceu na internet. O programa está disponível em duas partes: parte 1 e parte 2. [via openculture]

140 caracteres
No ano passado Jeff Howe criou no twitter um enorme clube do livro chamado "One Book, One Twitter". A experiência foi muito bem sucedida e teve cerca de 12 mil pessoas ao redor do mundo lendo Deuses americanos, de Neil Gaiman. Para tristeza de muitos, tudo terminou subitamente da mesma forma como começou - afinal, na internet as coisas às vezes são um pouco efêmeras. No entanto, Howe com a ajuda da revista The Atlantic recuperou a ideia. Dessa vez, o clube do livro foi rebatizado de "1book140" e vai ter um livro por mês comentado por seus seguidores. Dia primeiro de junho começam as leituras e discussões em torno de O assassino Cego, de Margaret Atwood - o primeiro livro escolhido pelos quase 5 mil seguidores. Quem quiser se aventurar só precisa seguir o perfil http://twitter.com/1book140 .




Moby Dick em imagens
Os desenhos incríveis de Matt Kish para cada páginas de Moby Dick serão publicados em livro. O ilustrador e artista plástico americano gosta tanto do romance de Herman Melville que em agosto de 2009 decidiu criar uma ilustração para cada página do livro. Ele fazia apenas um desenho por dia e postava o material num blog da internet. A longa jornada terminou em janeiro desse ano. O livro Moby-Dick in pictures: one drawing for every page vai sair pela editora Tin House em outubro numa edição caprichada que além dos desenhos inclui trechos do monumental romance da baleia. Os desenhos estão disponíveis em http://tinyurl.com/yajkgzu

34 leituras íntimas
A editora 34 em parceria com a Casa de Francisca realiza amanhã a quinta edição da série 34 leituras íntimas. Dessa vez, os escritores João Paulo Cuenca e Chico Mattoso vão ler trechos selecionados de obras com o tema Leituras de deformação. Quem estiver por lá vai ouvir histórias de outros escritores que revolucionaram a vida e a maneira de fazer literatura de Cuenca e Mattoso. Em outras edições o evento já reuniu Antonio Prata, Humberto Werneck, Verônica Stigger, Leandro Sarmatz, Beatriz Bracher, Noemi Jaffe, Fabrício Corsaletti e Fabiano Calixto. É importante reservar seu lugar com antecedência pois a Casa de Francisca é um pequeno café-teatro que costuma lotar. O endereço é Rua José Maria Lisboa, 190 - São Paulo.

A notícia Franzen da semana
Na semana em que Jonathan Franzen é assunto em diversos jornais e revistas, nada melhor do que reavivar a notícia Franzen da semana (para quem não se lembra, isso foi uma brincadeira que fiz no ano passado, quando Franzen estava fazendo um sucesso enorme nos Estados Unidos e na Europa). O Gotham Writers' Workshop perguntou a ele quais os conselhos para enfrentar o terrível bloqueio criativo. Franzen não titubeou e contou alguns macetes: "A certa altura, muitas vezes depois de meses de fracasso e frustração, eu sou forçado a parar e proceder a uma auto-análise através de anotações e conversa com amigos confiáveis". A conversa toda está disponível em http://tinyurl.com/3wcuwoh

*imagens: reprodução.
Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

COMO NASCE UM CRÍTICO LITERÁRIO?


Todo mundo sabe que a figura do crítico em seus mais diversos campos de atuação passa por um momento delicado. A crítica perdeu seu apelo popular e está cada dia mais restrita ao universo da academia. Por sua vez, a academia também perdeu o prumo e não consegue mais amadurecer o pensamento no sujeito que tem pressa para todas as coisas. Contudo, a formação de um crítico pode levar anos. Não há como mudar isso, nem mesmo na era da internet que impõe velocidade e concisão ao comentário.

Mas a pergunta sobre a formação de um crítico literário é bastante pertinente. Uma enorme quantidade de livros são publicados todas as semanas, freneticamente. Em tempos nebulosos e incertos como os que vivemos, as pessoas não devem abrir mão do pensamento crítico. Por isso, o crítico ainda é fundamental. Talvez ele precise se reinventar - assunto para um outro post.

Na verdade, a pergunta me motiva a falar de livros que nossos futuros críticos de prosa de ficção precisam ler. Em primeiro lugar, qualquer pessoa que deseja trilhar esse caminho precisa ler muito - todos os romances, novelas e contos possíveis e imagináveis. Ler é a parte fundamental do ofício. Muita gente, na ânsia de compreender o funcionamento dos romances, pula uma etapa e lê antes a teoria. O percurso está errado. Como disse Antônio Arnoni Prado num ensaio para o Sabático sobre Lima Barreto: "hoje, o bom estudante de Letras é aquele que "sabe" teoria, não o que "lê" literatura e amadurece nas obras a consciência crítica de seu próprio repertório". Pense bem nisso. Não sabe por onde começar suas leituras? Então comece pelos clássicos e leia autores do mundo todo.

Quando você achar que já leu bastante, vá para a teoria. Novamente, comece com um clássico: Poética, de Aristóteles. Nele encontramos as bases para entender a literatura na sua concepção mais filosófica. Depois disso, você vai precisar de um manual de teoria da literatura, recomendo os seguintes: Teoria da Literatura, de Vitor Manuel de Aguiar e Silva; e Teoria da literatura e metodologia dos estudos literários, de René Wellek e Austin Warren. O primeiro vai ajudar a compreender a história e os conceitos fundamentais da literatura; o segundo, analisa não só os elementos estruturais da literatura, mas também questões da teoria da literatura como ciência. Os dois livros são áridos, podem servir como material de consulta.

Para não ficar apenas nos estrangeiros, um pouco de literatura brasileira. Nesse aspecto Antônio Candido e Alfredo Bosi são dois grandes mestres. De Antonio Candido, leia tudo o que você puder. Se não tiver tempo, duas obras essenciais são Formação da literatura brasileira e Literatura e sociedade. Para um panorama histórico bem amplo, vale conferir História concisa da Literatura Brasileira, de Alfredo Bosi.

Voltando aos estrangeiros, considero Teoria da literatura - Formalistas russos uma outra leitura fundamental. O livro está fora de catálogo e não existem reedições desde 1973. Provavelmente alguns sebos podem encontrar essa obra rara. Apesar de parecer datado, a crítica formalista fornece bom corpo de análise. Um pouco mais complexo, mas igualmente útil é Análise estrutural da narrativa, de Roland Barthes. Para bagunçar um pouco todos os conceitos que você aprendeu até aqui, vale a leitura de Terry Eagleton, Teoria da literatura: uma introdução.

No campo específico da prosa, meus dois preferidos - nem áridos e nem difíceis demais de entender - são Aspectos do romance, de E.M. Forster e A ascensão do romance, de Ian Watt.

Garanto que mesmo depois de você ler tudo isso, ainda estará no meio do caminho. Mas não se assuste. Acredite em você e siga em frente. Não se esqueça de viver um pouco e não tenha pressa. Só a experiência de vida e o tempo são capazes de amadurecer a nossa cabeça.

*imagem: retirei daqui.
Share/Save/Bookmark

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A FACE OBSCURA DE EDGAR ALLAN POE

A editora Casa da Palavra está publicando o livro Contos obscuros de Edgar Allan Poe, com seleção e organização de Bráulio Tavares. Diferentemente de outras compilações, o organizador selecionou da obra de Poe contos variados, pouco conhecidos e pouco traduzidos para o português - no total são 16 textos. A edição ainda conta com ilustrações de Romero Cavalcanti.

Achei a ideia bastante inovadora e interessante. Sobretudo pelo fato do livro tentar captar Edgar Allan Poe em sua multiplicidade de temas narrativos. Como sabemos, Poe foi não só um mestre na arte de fazer contos, como também escreveu ficção científica, literatura fantástica, literatura gótica, literatura de terror e ainda inventou os romances policiais. Como se não bastasse ter feito tudo isso, influênciou gerações inteiras de escritores - na verdade, continua influenciando até hoje.

Os contos escolhidos são: 'Metzengerstein', 'Manuscrito encontrado em uma garrafa', 'Morella', 'O rei Peste', 'Sombra – Uma parábola', 'Silêncio – Uma fábula', 'Como escrever um artigo à moda Blackwood', 'Uma trapalhada', 'Descida no Maelström', 'Três domingos numa semana', 'A balela do balão', 'Um conto das montanhas Fragosas', 'O Anjo do Bizarro', 'Tu és o homem', 'A milésima segunda história de Sherazade' e 'A esfinge'.

Em São Paulo, o livro terá lançamento no dia 28 de Agosto (Sábado) na Biblioteca Viriato Corrêa dentro do FANTASTICON 2010 – IV Simpósio de Literatura Fantástica.

Contos obscuros de Edgar Allan Poe
Bráulio Tavares (Org.)
Casa da Palavra




*imagem: retrato de Edgar Allan Poe - reprodução Wikipédia.

Share/Save/Bookmark

terça-feira, 20 de julho de 2010

VOCÊ CONHECE RAYMOND CARVER?


Raymond Carver era um mestre na arte de fazer contos. Ele não só foi um dos maiores autores do gênero como chegou a dar aulas nas universidades americanas sobre isso. Entre tantas coisas ele dizia que as leituras de Ernest Hemingway e Anton Tchekhov foram decisivas para a sua formação como escritor. Se você pretende algum dia se tornar escritor, terá de ler obrigatoriamente Raymond Carver.

Nos contos de Carver a vida cotidiana do americano de classe média rendia farto material. Parece que suas personagens são sempre bêbados ou pessoas cujos relacionamentos foram frustrados. Todos eles são vítimas de uma classe consumista em busca de comida, algum conforto e uma televisão para assistirem. Porém, o que mais impressiona, é o fato de encontrarmos beleza em momentos tão simples, mesmo diante de situações sufocantes. Quando a realidade está asfixiando as suas personagens, algo acontece e por alguns instantes tudo pode mudar. Depois nada mais importa, a vida volta ao normal e segue adiante.

De Tchekhov, autor que influenciou muitas gerações de escritores, Carver incorporou tantas características que lhe renderam o apelido de Tchekhov americano. Os contos de Carver muitas vezes tem uma estrutura lacônica que não nos revelam muito sobre o aparecimento de uma determinada personagem. O narrador também não perde tempo explicando algum fato anterior ao que estamos lendo. Os enredos também são "abertos", ou seja, não vemos uma série de acontecimentos que desencadeiam um final surpreendente. Importa mais o que acontece no meio conto. Como em Tchekhov o realismo é fundamental - a realidade deve aparecer exatamente como ela é. Por isso as histórias de Carver tratam de um cotidiano aparentemente banal, mas repleto de melancolia e humor.

De Hemingway, que também sofreu influências de Tchekhov, Carver herdou a prosa que aparenta ser simples, mas é altamente sofisticada. O vocabulário é preciso, sem nenhum floreio; as frases são curtas; a sintaxe é modificada; a pontuação é suprimida em muitos momentos; e as sentenças que se associam umas as outras para criar uma sensação de totalidade daquilo que está sendo narrado. Além disso, Carver fazia uso de um procedimento narrativo que surgiu com Tchekhov, mas que foi levada a cabo por Hemingway: a omissão intencional de certas explicações do enredo chamada de "teoria do iceberg" - o mais importante não pode ser revelado pelo autor; e como num iceberg o que fica submerso (subentendido) ganha enorme força simbólica.

Além da influência dos dois escritores renomados, o gesto de cortar e reduzir os contos ao seu essencial foi fruto do aprendizado dele com John Gardner e Gordon Lish. A redução era tanta que logo Carver recebeu o rótulo de escritor minimalista - título que ele não gostava muito. Seu estilo está muito mais próximo do que os críticos chamaram de realismo sujo.

Infelizmente a obra de Carver é pouco divulgada no Brasil. Temos apenas uma edição de Fique quieta, por favor da editora Rocco que está esgotada e uma edição de Iniciantes publicada recentemente pela editora Companhia das Letras.

*imagem: reprodução do Google.

Share/Save/Bookmark