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segunda-feira, 4 de março de 2013

NAS BANCAS DE REVISTA


Nessa semana, o caderno Link (do Estadão) publicou a tradução de um artigo instigante chamado "Profetas digitais" assinado por Steven Poole. Em resumo, o jornalista fala sobre os cibergurus e suas tantas teorias que até agora não deram em nada. Pior do que isso é saber que toda essa revolução tem como único objetivo beneficiar as grandes empresas de tecnologia e seu antigo modelo capitalista com nova roupagem. Assim, o tão falado fim da mídia e do sistema editorial como o conhecemos está tão distante da gente quanto os canais de Marte. Recomendo a leitura!

Embalado por esse espírito provocativo, fiz um giro pelas revistas literárias que vão agitar a temporada e que estão disponíveis nas bancas de revista e livrarias bem próximas da sua casa. De preferência em versão impressa.

O fim do verão...


A revista serrote promete manter o clima da estação e esquentar os seus neurônios. O novo número tem um texto inédito de Paulo Ronái sobre o escritor Honoré de Balzac; tem um ensaio do professor de literatura Michael Wood e do escritor Colm Tóibín sobre a maneira como as famílias de Marcel Proust e John Cheever tiveram influência na construção de suas obras; tem também um ensaio de Thomas Mann sobre a existência, um verbete do alfabeto serrote assinado por Emílio Fraia e muito mais. A revista circula com duas capas diferentes que juntas formam a capa de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald desenhada por Eugênio Hirsch, designer austríaco que fez inúmeras capas de livros para a editora Civilização Brasileira.


Em breve, Curitiba deverá se tornar a capital das revista literárias. Acaba de surgir a revista Jandique que pretende divulgar nomes inéditos e consagrados da literatura paranaense. O primeiro número tem textos de ficção assinados por Manoel Carlos Karam, Luiz Felipe Leprevost, Assionara Souza, Alexandre França, Fabiano Vianna e Eduardo Capistrano. Já a veterana Arte e Letra: Estórias chega a vigésima edição batizada com a letra "T". Tem contos de Thomas Wolfe, Roberto Arlt, Miguel de Unamuno, Vinicius Jatobá, Luisa Geisler, Vanessa C. Rodrigues e muitos outros. O jornal Rascunho segue robusto na edição de março tem entrevista com Xico Sá, ensaio sobre Cormac McCarthy, mais ficção inédita de Vinicius Jatobá e Luiz Ruffato e muitas resenhas.

... e o começo da primavera


Enquanto isso, nos Estados Unidos e na Europa, a primavera promete ser animada. A revista Paris Review comemora 60 anos trazendo na capa uma bela foto de George Plimpton - fundador da lendária revista. Além das entrevistas, ensaios e textos de ficção haverá um baile de primavera que promete agitar a noite literária de Nova York. Aos interessados um aviso: o ingresso para a festa custa a módica quantia de $600,00.

A Granta (versão inglesa) também está com novo número. O tema é "Betrayal" - tem um texto de ficção de Ben Marcus, autor de The Flame Alphabet um dos melhores romances do ano passado segundo a crítica norte-americana.

Falando nisso, Portugal finalmente terá sua versão da revista Granta. O primeiro número será lançado em maio pela editora Tinta-da-China e terá como tema o "eu". O nome dos escritores que vão participar dessa edição corre em segredo. Por enquanto, o organizador da revista confirmou que haverá textos de oito escritores portugueses vivos e um escritor já falecido. O lançamento dá continuidade a estratégia da Granta de ampliar os domínios de sua marca para além do território da língua inglesa. No Brasil, a revista foi lançada em 2007. O último número foi publicado em novembro do ano passado com o tema "Medidas extremas".

*Imagem: divulgação.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

E-BOOKS... CARREGANDO...


"O grande Gatsby foi atualizado pela última vez em 1924. Você não precisa de nova atualização, não é?" - Jonathan Franzen

Não tem jeito, todo mundo anda cansado das polêmicas envolvendo e-books, mas é quase impossível fugir do assunto. Ainda mais quando uma pessoa como Jonathan Franzen, o autor mais comentado dos últimos tempos, resolve entrar na briga. Para resumir a notícia: Franzen disse durante uma coletiva de imprensa no Hay Festival em Cartagena que os e-books estão corrompendo a sensação de permanência que os livros impressos carregam desde a sua invenção. Um livro impresso não muda. É o registro de um tempo, de um pensamento, de uma vontade e permanece com a forma que o seu autor lhe deu. Em contrapartida os e-books são fluídos. Lendo numa tela temos a sensação de que podemos deletar uma parte, mudar algo e mover tudo.

Detalhes curiosos e importantes: Franzen trabalha num computador sem conexão com a internet, a personagem Walter Berglund do seu romance Liberdade expressa uma ideia semelhante em relação à internet "All the real things, the authentic things, the honest things, are dying off" e seus livros ganharam versões em e-book.

O pensamento parece ingênuo, reacionário e apocalíptico - como muito defensores dos e-books vão dizer -, no entanto ele toca num ponto aparentemente inédito no debate: quem realmente vai garantir a permanência intacta de um livro eletrônico ao longo dos anos? Alguém poderia apagar ou alterar um livro por interesse próprio? Alguma corporação lucraria com isso?

Quando a Wikipédia surgiu muita gente reclamava de censura e controle na edição dos verbetes. A briga de Robert Darnton para digitalização do acervo da Biblioteca da Universidade de Harvard não é à toa. Estudos sobre os efeitos da internet em nossa memória pipocam por todos os lados - que o diga Nicholas Carr (A Geração Superficial / Editora Agir). Em tempos de SOPA, PIPA, caça a pirataria, Wikileaks, compartilhamento de dados e o escambau todo cuidado é pouco.

Voltando a Jonathan Franzen, penso no escritor Tom Rachman. Se ele estiver certo, Franzen (contra e-books), Zadie Smith (contra o Facebook), Jonathan Safran Foer (junto com seu irmão Joshua Foer contra a desmemoria da internet) e muita gente acima dos 30 anos serão os primeiros integrantes da geração que Rachman batizou como “românticos offline” - artigo muito interessante publicado pelo caderno Link, do Estadão.

(Um parêntese se me permitem. Tom Rachman também está numa matéria chamada "Internet imperfeita", publicada pelo Link. Ele fala mais detidamente sobre os "românticos offline", a reação que a hiperconectividade deve gerar em breve, a banalidade do Facebook e outras coisas mais. Vale lembrar que seu romance de estréia, Os imperfeccionistas, acaba de ser publicado em português pela editora Record).

Independente da força dos argumentos contra ou a favor, não existe uma conclusão definitiva sobre os e-books. Escritores, editores, livreiros e leitores estão no mesmo barco sem saber direito como se comportar em relação ao monólito que surgiu nos últimos anos. Parece mesmo que o fim dessa história vai ficar para depois. Enquanto isso debatemos e especulamos.

Ah! Jonathan Franzen estará na próxima edição da FLIP, em julho.

***

Em tempo, quero reproduzir uma nota sobre um futuro negro reservado ao e-book e publicada na coluna Painel das Letras, da Ilustrada/Folha de SP.
Pesquisa com editores americanos divulgada no Digital Book World, nesta semana em Nova York, mostrou um baque na empolgação com o e-book: só 28% creem que suas empresas melhorarão com a transição para o digital - eram 51% em 2011.
Aguardem cenas dos próximos capítulos.

*Imagem: reprodução do Twitter 'Emperor Franzen'

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A LITERATURA E O VIDEOGAME

De uns tempos para cá, uma da obsessão dos "nerds" do Vale do Silício é criar um game que tenha tanta complexidade narrativa quanto Moby Dick, de Herman Melville. Quem confirma o fato é o jornalista Harold Goldberg. O caderno Link (do Estadão) publicou um artigo interessantíssimo assinado por ele comentando as ideias por trás de seu livro All Your Base Are Belong to Us: How Fifty Years of Videogames Conquered Pop Culture (importado - ainda sem previsão de lançamento em português).

No tal artigo, Goldberg menciona a ascensão dos desenvolvedores de jogos nas últimas décadas a verdadeiros "mestres do ritmo, do clima e dos diálogos de uma narrativa". A ponto de fazerem os jogares sentirem um nó na garganta, por exemplo. A certa altura ele diz "a história de um jogo pode ser tão envolvente quanto a trama de um best-seller da literatura".

Não restam dúvidas quanto a capacidade dos games de criarem universos tão imersivos quanto os romances. Sobretudo se pensarmos em jogos tão populares quanto LA Noire ou a série God of War. Mas será mesmo que grandes obras da literatura podem render grandes jogos? Por enquanto a resposta é não. Como tudo na vida, a literatura e os jogos de videogame são "narrativas" com uma linguagem própria e específica. A experiência de ler algumas palavras nas páginas de um romance é bem diferente de acionar o avatar de um jogo a fim de vencer um obstáculo. Da mesma forma que as ações dos avatares não fazem muito sentido quando transportadas para os livros. Sendo assim, melhor encararmos um jogo como um jogo e um romance como um romance - ainda que entre os dois universos tenham retirado suas inspirações uns dos outros.

Foi partindo dessas ideias que pensei no tema videogame para a terceira edição do fanzine. É saudável que a literatura deixe de lado aquele ambiente sacro em que muitos gostam de trancafiá-la para se aproximar de um tema pop - para não dizer, um tema do cotidiano das pessoas. Ao longo do ano vários "joguinhos" inspirados no universo literatura foram aparecendo. Talvez o mais famoso tenha sido a adaptação de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald para a versão 8 bits em estética Nintendo. Ambos estão presentes no fanzine por meio de um trecho da nova tradução feita por Vanessa Bárbara (saiu pela Penguin-Companhia); e de uma entrevista com os dois desenvolvedores do jogo. Vale dizer que não foi a primeira vez que o romance de Fitzgerald foi adaptado para os games, a Big Fish Games também fez uma tentativa meio frustrada.

Outros destaques do fanzine são: o artigo de escrito especialmente por G. Christopher Williams relacionando o universo do Cormac McCarthy com os videogames; e o texto de Antônio Xerxenesky imaginando dez romances como se fossem videogames. Não podia faltar também uma recomendação de três livros que viraram jogos - os jogadores podem opinar se a adaptação foi boa ou ruim.

A cereja do bolo está nas ilustrações em estilo 8 bits feitas para a edição com exclusividade pelo designer Grafilu. Para fazer o download do fanzine Casmurros #3 basta clicar nesse link.

*Imagem: reprodução da tela inicial do jogo The great Gatbsy.
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