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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

MARTIN AMIS VICIADO EM VIDEOGAMES

A história mais comentada da semana foi um livro que o escritor Martin Amis queria muito esquecer. Não se trata de uma obra-prima da ficção daquelas que impedem o escritor de seguir adiante, tampouco de um romance mal escrito, mas de um guia para detonar jogos de videogame como PacMan (o famoso "Come-come") e Space Invaders (aquele jogo que você precisa impedir alienígenas de destruírem uma ciade). Para dizer a verdade, o guia é para jogos de fliperama pois quando o livro foi escrito, em 1982, os videogames como os conhecemos ainda estavam em estágio de desenvolvimento.

Quando escreveu Invasions of the Space Invaders, Amis era um verdadeiro viciado em jogos de fliperama e tinha publicado quatro romances sem muita repercussão. Seu primeiro grande sucesso viria somente com Grana, em 1984. Pode ser que ele tenha pensando em conseguir algum dinheiro extra enquanto a fama literária não chegava. Ou quem sabe ele encarasse o assunto como muito promissor para o futuro, afinal o livro tinha um caráter tão serio que ganhou introdução de ninguém menos que Steven Spielberg – prestes a lançar o filme E.T., o extraterrestre.

Seja como for, o tempo passou, Amis ganhou alguns prêmios literários, os videogames ficaram mais complexos e os fliperamas rarearam bastante (ficaram restritos aos shoppings, se não estou enganado). Tudo tornou o livro muito datado e ingênuo, sobretudo quando ele desdenha de Shigero Miyamoto, o criador do MarioBros, que na época tinha acabado de lançar Donkey Kong. Vale como um registro do começo de carreira de um escritor importante e como fonte de pesquisa para quem quer estudar os fliperamas dos anos 80.

Faz tempo que o livro está fora de catálogo. A história foi redescoberta por Mark O’Connell, no site The Millions (tem a história completa e trechos do livro). Não está na terceira edição do fanzine dedicada ao videogame, mas se estivesse não ficaria fora de contexto.

*Imagem: reprodução.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

AS DECLARAÇÕES DE MARTIN AMIS



O escritor Martin Amis tem mesmo um senso de humor bem peculiar. Nas últimas semanas, o escritor inglês tem sido notícia a todo o momento graças as suas declarações ácidas.

Num programa de TV da BBC chamado Falks on Fiction, ele fez o seguinte comentário sobre literatura infantil:



"As pessoas me perguntam se eu nunca pensei em escrever um livro infantil. Eu digo, 'Se eu tivesse uma grave lesão cerebral eu bem que poderia escrever um livro infantil', mas por outro lado a idéia de estar consciente de para quem você está direcionando a história é um anátema [maldição] para mim, porque, na minha opinião, a ficção é liberdade e quaisquer restrições sobre isso são intoleráveis​​. Eu nunca iria escrever sobre alguém que me obrigou a escrever em um registro inferior do que o que eu posso escrever." (tradução minha)

O comentário causou certa revolta em alguns ingleses. Pensando nisso, o pessoal do blog BookLust fez um desenho de Amis para cada personagem clássico da literatura infantil. O resultado não deixa de ser engraçado, sobretudo pela feição emburrada de Amis e seu inseparável cigarro. Os desenhos fizeram tanto sucesso que até foram paras nas páginas dos jornais ingleses.

Na semana passada, em pleno auge do assunto casamento real, Amis falou poucas e boas sobre o Reino Unido e sua monarquia para o Le Nouvel Observateur (o jornal é francês, mas o link da notícia é do Guardian). Parece até que está preparando um livro sobre o assunto. Detalhe: Amis está de mudança da Inglaterra, vai morar em Nova York.

Também na semana passada, ele publicou um artigo no Guardian falando sobre Christopher Hitchens. Dessa vez foi por uma razão nobre, ele elogiou a inteligência e engenho retórico do amigo - tem até uma foto dos dois juntos num bar em 1985.

Deixando as polêmicas de lado, está saindo por aqui A viúva grávida - seu livro mais recente que saiu na Inglaterra no ano passado.

*imagem: reprodução do blog Booklust.

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

NOTAS #22



Jack Kerouac
No mês passado, o blog americano Vol.1 Brooklyn fez um card estampando Jack Kerouac. O card foi feito para comemorar o aniversário do escritor beatnik que nasceu em 12 de março de 1922 e se estivesse vivo iria completar 89 anos. Além do desenho o card tem um trecho de Visões de Cody.

O rei está pálido
Desde janeiro The pale king, de David Foster Wallace está sendo considerado por muitos como o lançamento do ano no mercado editorial americano. O livro está em pré-venda na Amazon e todo mundo está desesperado atrás de uma cópia para ler antes. Três resenhas de peso pintaram na imprensa essa semana para aumentar as expectativas em torno do livro. No New York Times, "Maximized Revenue, Minimized Existence" por Michiko Kakutani; na revista GQ, "Too Much Information" por John Jeremiah Sullivan; e na revista TIME, "Unfinished Business" por Lev Grossman - o mesmo que escreveu o perfil de Jonathan Franzen como o melhor romancista americano. O lançamento acontece em 15 de abril, nos Estados Unidos.

Resenhas
Logo depois de "a resenha está morta, mas juro que não fui eu", topei com uma fala do escritor Martins Amis. Ela está na contracapa do livro Como funciona a ficção, do crítico da revista New Yorker:
"Não presto atenção nem levo a sério as resenhas literárias. Não se aprende nada com elas. Mas o que o crítico James Wood diz me interessa."
Evidentemente, a frase foi inserida para promover o livro. No entanto, espécie de ato falho, serve como mais um ponto de reflexão sobre a 'arte' (vamos chamar assim) de fazer resenhas.



Liberdade, liberdade
Os portugueses já estão contando as horas para o lançamento do romance Liberdade, de Jonathan Franzen. Não custa lembrar que esse foi o romance mais comentado do ano passado. O livro tem previsão de lançamento em 18 de abril e já está em pré-venda em algumas lojas. Saí pela editora Dom Quixote. A capa segue o mesmo designer elegante da edição inglesa - bem melhor que a capa americana. No Brasil, Liberdade será publicado em maio pela Companhia das Letras.

Ouça um bom conselho
O jornalista Michael Gove escreveu um artigo para o Telegraph dizendo que as crianças deveriam ler 50 livros por ano. Bastou uma semana para que Iain Hollingshead, outro jornalista do Telegraph, fizesse uma lista com 50 livros que as crianças não devem ler antes de morrer. Entre os escolhidos somente clássicos da literatura: Ulisses, 1984, O grande Gatsby, Orgulho e preconceito etc. Num estilo bem satírico, o jornalista explica porque cada um desses livros deve ser afastado das crianças. Sobre Crime e castigo, por exemplo, ele diz "um conto de angústia mental e intensos dilemas morais. Felizmente, é mais curto do que Guerra e paz". A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/4jbduhu

Conto coletivo
O jornal português Público convidou o escritor Gonçalo M. Tavares para dar início a construção de um conto coletivo. Batizada de Conto Público a experiência contou com a participação de 26 leitores e foi finalizada no mês passado com direito a publicação na revista que acompanha o jornal. A experiência colaborativa está ficando cada vez mais frequente - já vi muitas outras acontecendo. Embora a história pudesse caminhar para um lugar sem volta, Gonçalo M. Tavares ajudou na edição e participou em momentos pontuais. O resultado pode ser conferido em http://tinyurl.com/3rfu2lq

*imagem: reprodução.
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terça-feira, 6 de julho de 2010

TATUAGEM LITERÁRIA COM A PENGUIN BOOKS

Livros serviriam de fonte de inspiração para tatuagens? A editora Penguin, dos Estados Unidos, resolveu apostar na ideia e criou uma nova coleção para comemorar os seus 75 anos. A coleção recebeu o nome de Penguin Ink. Seis títulos foram reeditados e tiveram suas capas desenhadas por famosos tatuadores americanos. São eles:

Money, de Martin Amis - ilustração de Bert Krak; Waiting for the Barbarians, de J. M. Coetzee - ilustração de C. C. Askew; The Bone People, de Keri Hulme - ilustração de Pepa Heller; The Broom of the System, de David Foster Wallace - ilustração de Duke Riley; Bridget Jones's Diary, de Helen Fielding - ilustração de Tara McPherson; From Russia with Love, de Ian Fleming - ilustração de Chris Garver.

Sem dúvida, a aproximação da literatura com as tatuagens já existe desde que essa prática começou a virar moda. Muita gente tatua no corpo títulos ou trechos inteiros dos livros que mais gosta. Há também os casos em que os desenhos tatuados foram inspirados em clássicos da literatura.

Parece que pela primeira vez, uma editora serviu-se do tema para criar uma coleção de livros. Com isso, a editora acaba causando certo fetiche por esses livros que são verdadeiras edições de colecionadores. Os leitores inveterados certamente compram essas edições por causa desse tratamento. Novos leitores também podem ser atraídos pela capa chamativa.

O editor da coleção em entrevista para o site Publishing Perspectives disse que "a ideia era baseada principalmente num conceito estético, e a brincadeira era juntar isso com títulos do nosso catálogo (...) esses livros se instalaram na cultura da mesma maneira que tatuagem moderna, por isso senti a coisa certa a fazer era emparelhar os tatuadores que nós gostamos com os livros contemporâneos do nosso catálogo".

Guardadas as devidas proporções da realidade editorial de cada país, a Penguin deve estar nos ensinando um caminho a ser seguido no mercado ameaçado pela chegada dos e-books. A receita não é nova, mas faz muito sentido.
*imagem reproduzida do site da editora.

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