segunda-feira, 13 de junho de 2011

PÓS-FLIP

Você não vai a FLIP desse ano por que está com preguiça de viajar, não tem tempo de viajar até Paraty ou não conseguiu comprar ingressos para nenhuma das mesas na tenda dos autores e não quer encarar a tenda do telão? Não se preocupe, nove escritores estrangeiros da festa sairão em turnê por São Paulo e Rio de Janeiro logo após o evento.

A notícia é de Raquel Cozer:

Nove dos 21 autores estrangeiros da Flip, inclusive alguns dos mais esperados, estarão em eventos no Rio e em São Paulo ao sair de Paraty, onde já não há ingressos para vê-los ao vivo. Logo após a Flip, dia 11, James Ellroy fala sobre Sangue Errante (Record) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (SP). No dia seguinte, no Sesc Pinheiros, David Byrne discorre sobre Diários de Bicicleta (Amarilys) em fórum de sustentabilidade. Ainda no dia 12, Claude Lanzmann lança A Lebre da Patagônia (Companhia das Letras) no Centro de Cultura Judaica, e Peter Esterházy autografa Os Verbos Auxiliares do Coração (Cosac Naify) na Livraria da Vila - Lorena. A unidade recebe no dia 13 Michael Sledge, autor de Tanto Mais lhe Devo (Leya), enquanto Pola Oloixarac faz na unidade Fradique Coutinho ação sui generis: hackear ao vivo um site, como os personagens de seu As Teorias Selvagens (Benvirá). O recordista de aparições é valter hugo mãe, com duas dobradinhas Rio-SP organizadas pelas editoras Cosac e 34. O Rio, aliás, embora vá receber menos autores que SP, terá dois encontros com o mais aguardado deles, Antonio Tabucchi, em datas e horas a confirmar. Ainda por lá, Emmanuel Carrère vai à sessão de O Bigode, baseado no romance homônimo (Alfaguara), na Maison de France, no dia 11. A Companhia ainda tenta evento com Joe Sacco.

[via coluna de Babel de 11/06]
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sábado, 11 de junho de 2011

CRÍTICA E LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Não sei se as pessoas ainda estão interessadas em ler sobre aquela polêmica em torno da crítica e da literatura brasileira contemporânea. No entanto, aproveito o texto de Wilson Alves-Bezerra no Prosa & Verso - Ainda sobre a literatura brasileira contemporânea - para postar dois vídeos do 3° Congresso Internacional de Jornalismo Cultural que aconteceu no mês passado. Os debates são interessantes por misturar quem faz e quem crítica literatura.

O primeiro debate pergunta "Qual o papel da crítica literária hoje: seus equívocos e seus acertos" com discussão de Rubens Figueiredo, Alcir Pécora e Daniel Piza. O segundo tem como tema a pergunta "O que quer e o que pode a literatura brasileira hoje? Ela tem autonomia estética e influência social?" com Fabio de Souza Andrade, Noemi Jaffe, Rodrigo Lacerda e mediação de Raquel Cozer.





*Vídeos: reprodução youtube.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

REVISTAS LITERÁRIAS - MINOTAURO Nº 02


Fazer revista independente de literatura no Brasil não é uma tarefa das mais fáceis. Só que a gente consegue fazer com colaboração aqui e ali - ainda bem! Por isso, não posso deixar de apoiar aqui o lançamento da revista Minotauro nº02 com o tema "Carne". Tem textos e arte de um monte de gente - já falei dessa revista por aqui. O lançamento acontece hoje no Rio de Janeiro no Bar Rebouças às 19:30h.

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Em tempo, quero aproveitar e dizer que a segunda edição do CASMURROS - o fanzine que edito - deve ficar pronta na semana que vem. O tema é "Verdadeiro ou falso?". Uma brincadeira com as fronteiras da verdade e da invenção dentro do universo da ficção. Tem bastante coisa legal.

*imagem: reprodução da Minotauro.
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TÉA OBREHT FATURA O ORANGE PRIZE

Na segunda-feira, enquanto todo mundo ainda estava espantado com as declarações de V.S. Naipaul sobre a literatura feminina, a organização do Orange Prize for Fiction anunciava os romances finalistas da edição desse ano. O modelo desse prêmio é bem parecido com o Man Booker Prize: um corpo de jurados escolhe vinte romances que vão compor uma "lista longa", depois uma "lista curta" e um vencedor. Porém, um detalhe importante diferencia os dois prêmios: o Orange Prize for Fiction foi criado para promover e premiar apenas romances escritos por mulheres. Portanto, entre o júri e as concorrentes somente o sexo feminino - uma curiosidade: Liz Calder, presidente da FLIP e diretora das editoras Bloomsbury Publishing e Full Circle Editions, é membro do júri nesse ano.

A ganhadora foi anunciada hoje à noite em Londres, com direito a cobertura pela internet - como não podia deixar de ser. Faturou o romance The tiger's wife, de Téa Obreht. Embora seja considerada uma autora estreante, Téa já publicou contos na New Yorker, The Atlantic, Harper's e no Guardian - ela ainda figurou no ano passado na famosa lista da New Yorker dos 20 escritores com menos de 40 anos. Não surpreende o fato de ter sido a mais jovem ganhadora do prêmio até agora, Téa tem apenas 25 anos. Admiradora confessa dos escritores T. Coraghessan Boyle, Toni Morrison e Gabriel García Márquez, ela já está escrevendo seu segundo romance.

The tiger's wife levou três anos para ser concluído e foi lançado em março desse ano. Foi um romance aguardado com muita expectativa e bastante comentado antes mesmo de chegar as livrarias. O livro de Téa Obreht disputou com Quarto, de Emma Donoghue (que acabou de sair aqui pela Verus editora), Great house, de Nicole Krauss (que vai ser publicado ano que vem pela Companhia das Letras), The memory of love, de Aminatta Forna e Annabel, de Kathleen Winter.

Agora, voltando ao começo, basta uma olhada rápida na "lista longa" do prêmio para notar a enorme diversidade de formatos e temas que vinte mulheres diferentes adotam. Sem dizer que o prêmio está completando dezesseis anos e conquistou a devida atenção e respeito de público e crítica. O que será que V.S. Naipaul teria a dizer sobre isso?

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*Atualização: Lá em cima a gente tem a capa da edição americana do livro escrito por Tea Obreht e aqui a capa da edição que deve sair no Brasil mês que vem. The tiger's wife será publicado pela editora Leya com o título de A noiva do tigre. A tradução foi feita pelo escritor Santiago Nazarian.



*imagem: reprodução.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

DON DELILLO RENOVADO

A editora Picador convidou o pessoal da It's Nice That para relançar dez romances do escritor Don DeLillo. Por sua vez, o pessoal da It's Nice That convidou ninguém menos que Noma Bar para criar os desenhos das capas.

Noma disse que o processo foi um pouco demorado, ele teve de ler todos os romances e se concentrar nos principais elementos das histórias. Depois de criar muitas ilustrações para cada um dos livros, ele e o pessoal da It's Nice That fizeram as escolhas finais.

"Depois de um longo processo que envolveu leitura, pesquisa e desenho, eu comecei a tirar alguns dos principais elementos de cada história e tentei entender como Don DeLillo adaptados los juntos. O resultado é uma imagem arrojada para cada capa que podem parecer convencionais no início, mas num segundo olhar revelam toda a história".
O resultado final ficou realmente surpreendente. Ele traduz o livro em imagens simples que se transformam. Parece que o estilo de Noma caiu como uma luva para os livros do DeLillo. Não é a primeira vez que a capa de um livro dele recebe ilustrações. Uma edição da Penguin Classics para o romance Ruído branco ganhou desenho de Michael Cho.

Abaixo montei uma galeria com as capas:



Noma Bar é um designer e ilustrador israelense muito conhecido pelos trabalhos para as revistas Time Out London, The Economist e Wallpaper, para o New York Times e por algumas capas de livros. A revista Piauí já teve uma ilustração dele na capa da edição_47 - aquela do lobo mau e da chapeuzinho vermelho.

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Em tempo: Don DeLillo deve publicar até o final do ano um livro reunindo nove contos escritor entre 1979 e 2011. O livro será publicado nos Estados Unidos com o título de The Angel Esmeralda: Nine Stories.

*imagens: reprodução das capas assinada por Noma Bar/It's Nice That.
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domingo, 5 de junho de 2011

FINAL DA COPA DE LITERATURA



Alô, você, meu caro leitor. Passei por aqui só para lembrar que amanhã será um dia muito importante - apesar de ser segunda-feira "braba". É que teremos a final da Copa de Literatura Brasileira edição 2010/2011 - o campeonato mais divertido das letras nacionais que existe desde 2007. Será um duelo de Titãs, para usar um clichê ou uma hipérbole - como você preferir. O campeonato que começou em fevereiro terá O filho da mãe, de Bernardo Carvalho x O livro dos mandarins, de Ricardo Lísias.

Os dois romances chegaram até aqui depois de disputarem com Edney Silvestre, Elvira Vigna, Andre de Leones, Sérgio Rodrigues, Joca Reiners Terron e Michel Laub. Na grande final teremos parecer de todos os jurados + Fernando de Freitas Leitão Torres. Quem ganhar fará companhia aos escritores Luiz Antonio de Assis Brasil, Cristovão Tezza e Carola Saavedra.

Infelizmente só li O filho da mãe, do Bernardo Carvalho, por isso vou ter de me ausentar de qualquer parecer ou torcida. O livro do Ricardo Lísias está na minha fila de leitura. Me limito a dizer o seguinte: O filho da mãe é muito bom e o Bernardo Carvalho já é uma espécie de unanimidade de crítica e público; sobre O livro dos mandarins li muitos comentários positivos e sei que ele concorreu em vários prêmios de literatura do ano passado - Lísias inclusive está na lista e nas perguntas dos 20 escritores com menos de 40.

Me comprometo com o seguinte: se o livro do Lísias ganhar, vou passá-lo na frente na minha longa fila de leitura; ganhando o Bernardo, vou passar Nove noites na frente na fila - é que também não li esse.

E você, meu caro leitor, já fez sua aposta? Torce para quem e porquê?

*imagem: reprodução.

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JONATHAN FRANZEN NA REVISTA VEJA



A revista Veja da semana passada tinha resenha de Jerônimo Teixeira para Liberdade, de Jonathan Franzen. Ocupando três página, o texto opta por revelar o forte caráter político do livro e aponta alguns pontos fracos. Tem ainda uma entrevista com o autor.

*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

DAVID MITCHELL E ADAM ROSS A CAMINHO

Dois romances que singelamente deram o que falar em 2010 estão em tradução para o português. The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell e Mr. Peanut, de Adam Ross devem chegar as prateleiras das livrarias brasileiras no segundo semestre desse ano.

David Mitchell pode ser considerado um escritor veterano. Publicou cinco romances, todos muito diferentes entre si, que nunca passaram despercebidos por crítica e leitores. Além de contar boas histórias, ele tem um estilo muito particular que o permite escrever histórias de natureza variada indo dos monumentais romances com múltiplos narradores ao longo dos séculos a simplicidade da vida de um menino gago nos anos 80. James Wood, num perfil sobre o escritor para a New Yorker, disse que Mitchell tem mais histórias na cabeça do que maneiras de realizá-las. Em The thousand autumns... Mitchell recria a atmosfera do Japão no começo do século XIX para contar a história de amor de Jacob de Zoet, um mercador holandês, por Orito Aibagawa, uma parteira japonesa.

O livro está sendo traduzido pelo escritor Daniel Galera - tradutor de John Cheever, Zadie Smith, Jonathan Safran Foer e Irvine Welsh. Galera postou no tumblr dele um trecho da tradução. É curto, mas dá para acompanhar a beleza da prosa de Mitchell.

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Adam Ross é um escritor novato, mas autor de um romance bastante "pretensioso" para um estreante - como muita gente falou. Para se ter uma ideia, ninguém menos que Stephen King - o mestre do terror(!) - disse que Mr. Peanut lhe causou pesadelos. Falou mais, é "um fascinante olhar sobre o lado negro do casamento desde Quem tem medo de Virgínia Woolf?". A tal pretensão de Ross está na estrutura do romance. Ele queria construir uma história que lembrasse uma fita de Moebius - aquela fita que tem apenas "um lado" e não tem fim. Além da estrutura repetida, o livro tem alusões ao universo dos videogames, ao filme Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, a obra do artista M.C.Escher e remete a Raymond Carver, Cheever e Updike. Já nasce como grande literatura.

Misteriosamente Alice Pepin, que é alérgica a amendoins, aparece morta com um amendoim na garganta. O primeiro suspeito do crime é o marido dela, David Pepin. A coisa fica complicada quando descobrimos que os dois investigadores envolvidos no caso também tem relações estranhas com suas esposas.

O livro está sendo traduzido pelo escritor Daniel Pellizzari - tradutor de David Foster Wallace, Hunter S. Thompson, Lawrence Durrell, William S. Burroughs, Irvine Welsh e adivinhem: David Mitchell.

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Autores favoritos de David Mitchell: Italo Calvino, Haruki Murakami, John Banville, Vladimir Nabokov, George Eliot, Muriel Spark e Ursula K Le Guin.

Autores favoritos de Adam Ross: Saul Bellow, Vladimir Nabokov, Joseph conrad, Italo Calvino, Haruki Murakami, Alice Munro.


*Imagem: reprodução.
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É O MUNDO LITERÁRIO FEMININO

Que me perdoem os rapazes leitores desse blog, mas há uma discussão urgente em torno do feminino abalando os pilares literários. E o negócio está ficando sério demais para ser simplesmente deixado de lado.

Olha para trás, parece que tudo começou com a exposição New Publications da artista plástica Daniela Comani numa galeria de arte em Los Angeles. A fim de criticar a ausência feminina no cânone literário ocidental, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura ocidental e mudou o gênero de seus títulos - de masculino para feminino e vice-versa.

Logo depois, em tom de celebração a questão feminina, a revista Granta lançou uma edição com o tema "The F Word" ("A palavra F", em tradução literal) mostrando como o feminismo continua tentando romper o poderoso domínio masculino no mundo. Na autoria dos textos mulheres (e somente mulheres) de diversas partes do mundo olhando para a questão feminina. Entre elas Lydia Davis, A.S. Byatt e Téa Obreht num texto de introdução a um ensaio fotográfico de Clarisse d’Arcimoles. Se não estou enganado é a primeira vez que a revista se dedica ao tema. De quebra o site da Granta disponibiliza mais conteúdos: um podcast entre Sigrid Rausing, editora da revista, e duas escritoras, Rachel Cusk e Taiye Selasi; um post sobre as "bíblias do feminismo" no mundo com direito a discussão no twitter protagonizado pelos leitores (leitoras!) dizendo quais são suas "bíblias" particulares; tem ainda o prefácio de Helen Dunmore para uma nova edição do romance Rumo ao farol, de Virgína Woolf que está saindo na Inglaterra - ninguém melhor do Woolf para corroar esse tema.

Curiosamente, a revista Esquire (publicação voltada ao público masculino) divulgou em seu site uma lista com 75 livros que todos os homens deveriam ler. Nenhuma novidade, listas surgem a toda momento e escolhem os temas mais diversos. A seleção inclusive tem um mérito particular por incluir medalhões da literatura: Dostoiévski, Tolstói, John Le Carré, Raymond Carver, Jorge Luís Borges, John Steibeck, Cormac McCarthy, James Joyce, Philip Roth, John Updike, Ernest Hemingway, William Faulkner, Saul Bellow, Charles Bukowski, Joseph Conrad, F. Scott Fitzgerald, Salman Rushdie, Kingsley Amis, Vladimir Nabokov, Don DeLillo e tantos outros. Porém, o que poderia ser uma lista à toa causou uma grande indignação feminina por citar apenas uma única escritora: Flannery O'Connor. Como em tempos de internet todas as notícias se espalham com facilidade não faltaram manifestações nas redes sociais contrárias a Esquire. A revista Joyland, por exemplo, fez uma lista com 250 livros escritos por mulheres que todos os homens deveriam ler. Pode ser que a revista não tenha feito de propósito, vai saber.

Em outro momento, o Book Bench da New Yorker, sem querer, também tocou no assunto literatura feminina. Elizabeth Minkel escreveu um post - Bad Romance? - comentando uma pesquisa sobre os danos que os romances podem causar as mulheres (víciam, por exemplo). Ela até toca na polêmica envolvendo a escritora Jennifer Egan, recém-ganhadora do prêmio Pulitzer. Numa entrevista ao Wall Street Journal, Egan falou contra o gênero Chick-Lit.

O caso V.S. Naipaul
Para encerrar o assunto, essa semana V.S. Naipaul, escritor renomado e ganhador do prêmio Nobel, atacou a literatura feita por mulheres. Segundo reportagem do Guardian, quando perguntado se poderia haver alguma escritora que se igualasse a ele a resposta foi "eu acho que não". Ele citou Jane Austen dizendo "não posso compartilhar suas ambições sentimentais" e ainda disse "eu leio um texto e em um ou dois parágrafos consigo saber se foi escrito por uma mulher ou não". O jornal lembra que Naipaul sempre diz coisas que ganham repercussão citando a desavença entre ele e Paul Theroux que foi dissipada nessa mesma semana.

Em forma de brincadeira, o Guardian criou um jogo em que os leitores são convidados a descobrir se o trecho foi escrito por um homem ou uma mulher. Seria muito engraçado ver o desempenho de Naipaul. Será que ele teria mais acertos do que erros?

No Brasil
Entre nós, brasileiros, a literatura feita por mulheres também sofre do mesmo mal. Quem quiser entender mais sobre o assunto pode recorrer ao artigo Feminismo e literatura no Brasil, de Constância Lima Duarte que foi publicado pela revista Estudos Avançados. Tem também o clássico livro A literatura feminina no Brasil contemporâneo, de Nelly Novaes Coelho.

À guisa de conclusão listo algumas escritoras brasileiras que todos os homens deveriam ler: Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Marina Colassanti, Hilda Hilst, Carola Saavedra, Verônica Stigger, Andréa Del Fuego, Cecília Giannetti, Tatiana Salem Levy, Carol Bensimon, Lívia Sganzerla Jappe e Vanessa Bárbara.

Alguém sugere mais alguma?

*imagens: reprodução.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

LADO7 NA ERA DIGITAL

A editora 7Letras que já edita livros e revistas desde 1990 deu o pontapé inicial para que as revistas de literatura brasileiras entrem na era digital. Ontem foi o lançamento da revista LADO7, uma revista de literatura que vai ter uma versão impressa e outra digital. A ideia é usar os recursos disponíveis nas novas mídias (áudio, vídeo, animações, links, hiperlinks etc.) para experimentar outros formatos literários dentro das possibilidades que o universo digital oferece.

Evidentemente, a nossa literatura já esta estabelecida na internet faz tempo (espalhada pelos blogs e redes sociais). Também existem muitos fanzines, jornais e revistas literárias com versões totalmente feitas para a rede mundial - é o caso do fanzine que edito, por exemplo. Mas, pensando especificamente na Lado7, o negócio tende a ir aos seus limites.

De acordo com a editora, o número #1 da revista tem:

"poemas visuais de Alexandre Dacosta, contos de André Sant’Anna, Carlos Henrique Schoroder, Raïssa de Góes e Sonia Coutinho, poemas de Afonso Henriques Neto, Ana Guadalupe, Charles Peixoto, Ismar Tirelli Neto, Marília Garcia, Victor Heringer e Walt Whitman, dramaturgia de Valère Novarina e Paloma Vidal, quadrinhos de Pedro Franz, ensaio de Sérgio Bruno Martins e arte de Maria Laet".
A tarefa é ambiciosa, deve demandar muito trabalho, mas não deixa de causar entusiasmo. Afinal, está mais do que na hora da nossa literatura experimentar esses novos formatos. Experiência a 7Letras tem de sobra com anos de publicação da revista Ficções - inteiramente dedicada à prosa de ficção. Resta só acertar a mão com os novos meios e não perder o foco com o deslumbramento tecnológico.

A inspiração deve ter vindo da revista norte-americana, Electric Literature - postei alguns vídeos aqui e também comentei aqui. Os editores Andy Hunter e Scott Lindenbaum investem em boas histórias de ficção e vídeos bem criativos. Depois de pronta, a revista ganha distribuição impressa e digital em diversos meios: iPad, iPhone, Kindle, e-readers, celulares etc. Não sei o quanto funciona em termos lucrativos, mas a revista tem bastante prestígio, reconhecimento da crítica e ganhou alguns prêmios.

Tomara que a revista Lado7 floresça e renda bons frutos.



*imagem: reprodução / video: Electric Literature.
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