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quinta-feira, 26 de março de 2015

REVISTAS LITERÁRIAS DA TEMPORADA

Faz tempo que não apareço aqui e faz tempo que não falo de revistas literárias - esse objeto em extinção, dizem as más línguas. Pois bem, vou celebrar a quantidade de boas publicações que brindam os nossos olhos e mentes enquanto essa morte anunciada não chega. Abaixo tem um apanhado geral das revistas mais conhecidas (nacionais e gringas). Se por acaso eu esqueci de mencionar alguma, por favor, escrevam nos comentários que faço correções e atualizações. Se você publica alguma revista do gênero fique a vontade para comentar também.

Agora corra para às livrarias, bancas ou lojas virtuais para comprar um exemplar.


SERROTE #19
A revista brasileira de ensaismo publicou um novo número com o mesmo capricho de sempre. Já na abertura, Silviano Santiago assina um ensaio fantástico chamado Grafias de vida - a morte em que trata a respeito do fato e da ficção na construção de personagens reais ou imaginadas. John Jeremiah Sullivan escreve um ensaio para falar sobre o gênero ensaio. Antônio Xerxenesky fala sobre a metafísica de Miami Vice. Luigi Amara escreve sobre perucas e Charles Baudelaire envia uma carta a Richard Wagner. Imperdível!



JANDIQUE #7
Revista voltada para ficção e novos escritores está a todo vapor. Seu número mais recente tem textos de Newton Sampaio, Dione Carlos, João Lucas Dusi, Victor Augusto Iannuzzi Corrêa, Victor Hugo Turezo, Douglas Cardoso, Marcos Pamplona, Otavio Linhares e Ottavio Lourenço. Para completar tem uma entrevista com André Viana, autor do livro O doente (um trecho do livro está no fanzine Casmurros #4). As ilustrações da revistas ficaram a cargo de Theo Szczepanski.



ARTE E LETRA: ESTÓRIAS Y
Outra revista para quem gosta muito de ficção. O último número saiu no ano passado, mas merece atenção. Tem textos de Teresa de La Parra, Luci Collin, Flávio Izhaki, Mariana Ianelli e outros mais.


MAPA #3
A terceira edição dessa revista saiu no ano passado. De lá pra cá, os editores deram uma pausa. Seja como for, o número tem tantos textos interessantes que você pode ler tudo sem pressa até que chegue o novo número. Tem, por exemplo, Ana Resende, André Gordirro, Jennifer Egan, Anne Enright, Antônio Xerxenesky, Guilherme Gontijo Flores, Luís Henrique Pellanda, Jeffrey Eugenides e outros mais.


PARIS REVIEW #212
A revista literária mais famosa do mundo celebra a primavera. Os textos de ficção são de autores que não são conhecidos por aqui. Vale para descobrir coisas novas e para se esbaldar nas entrevistas definitivas com Lydia Davis, Hilary Mantel e Elena Ferrante (de quem vamos ouvir falar muito nesse ano, pois L'amica geniale é tido como um lançamento muito esperado para esse ano).


MC SWEENEY'S #48
Não é a revista mais antiga, mas é a mais inventiva. Cada número é tão surpreendente que mantém a gente naquela expectativa de como será o próximo. Pois bem, em sua nova edição a Mc Sweeney's vem em dose dupla (isso mesmo - são duas revistas em uma) com visual delirante e muita originalidade. O primeiro volume tem textos da escritora mexicana Valeria Luiselli (o romance Rostos na multidão saiu aqui pela Alfaguara), Téa Obreht (autora do romance A noiva do tigre que saiu pela Leya) e Dave Eggers que dispensa apresentações. O segundo outro volume inclui 6 histórias de autores croatas todos inéditos por aqui.


RASCUNHO #179
Não é propriamente uma revista. É um jornal. Sempre vale mencionar porque é um dos jornais literários de maior atividade no Brasil - ainda bem que ele existe. O cardápio tem tudo aquilo que a gente gosta entrevistas, resenhas críticas, ensaios, artigos e muito mais.


GRANTA #30
Outra revista que dispensa muitos comentários pela sua fama, prestígio e longevidade. Apesar de sua internacionalização a Granta inglesa (a primeira de todas) continua voltando seu olhar para a literatura do mundo, de outros países, de outros territórios não necessariamente europeu, anglófono e ocidental. A nova edição é dedicada a Índia e tem um amplo painel da ficção produzida por lá - não conheço nenhum dos autores presentes no número e tenho a impressão de que também não são conhecidos por aqui. Vale a pena dar uma olhada enquanto uma nova edição da versão brasileira da revista não chega.

*Imagens: divulgação.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014

REVISTAS LITERÁRIAS PARA TODOS

Faz tempo que eu não recomendo revistas literárias por aqui e acho bem oportuno fazê-lo nesse momento, pois elas vivem uma fase interessante tendo que reinventar-se quando todo mundo só fala na crise vertiginosa que assola o mercado. É sintomático que seja assim. Não dizem que quando uma coisa morre é que ela ganha importância.


SILVA #4
Eu bem que tentei, mas não descobri nada a respeito do quarto número do SILVA (eu tenho os três anteriores). Só sei que tem uma ficção do Ricardo Lísias e uma resenha de Victor da Rosa sobre Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Para quem não conhece, o SILVA é um pequeno fanzine artesanal organizado pelo Lísias com distribuição gratuíta - o lema é "se dobra, mas não se vende". 


Jandique 
A revista organizada pela editora Encrenca, de Curitiba, completa seu primeiro ano de vida e coloca na rua sua quinta edição. Seu foco é a literatura curitibana e dessa vez as páginas são ocupadas com textos de Valêncio Xavier, Marcelo Sandmann, Vanessa C. Rodrigues, Luiz Felipe Leprevost, Daniel Zanella, entre outros. O destaque é a entrevista com  Caetano W. Galindo


Paris Review
A revista literária mais glamourosa do gênero vai publicar uma nova edição especialíssima com trechos de um romance recém-descoberto de Roberto Bolaño, textos de ficção de Lydia Davis e entrevistas com Cormac McCarthy e Thomas Pynchon (como vocês sabem ele é recluso, avesso a fotos, aparições e badalações). O portolio fotográfico é assinado por Salman Rushdie - que aderiu a moda dos 'selfies'.


Arte & Letra 
Voltada para a ficção e tradução de autores inéditos em português chega a edição "X". Tem textos de Julio Cortázar, Caetano W. Galindo, Suzana Montoro, Ivana Arruda Leite, Peter Panter, Luiz Ruffato e muitos outros.


McSweeney's 
Dave Eggers e sua equipe de editores não se cansam de fazer a revista literária trimestral mais inventiva do momento - existe desde 1998. Cada número parece único. Sua nova edição (de número 46) é totalmente dedicada a América Latina e reúne 13 histórias de crime com autores de dez países diferentes. Entre os Tem Alejandro Zambra, Santiago Roncagliolo, Juan Pablo Villalobos (praticamente brasileiro morando em Campinas e falando um português fluente), Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho e Carol Bensimon.


Revista Mapa 
É mais jovem de todas as revistas dessa lista e chega ao seu segundo número. Também vem de Curitiba e publica apenas ensaios, resenhas e artigos voltados ao universo literário em diagramação jovem e cheia de ilustrações bacanas. Os editores firmaram uma parceria estrangeira e publicam com exclusividade textos do New York Times e The New York Review of Books. Para termos uma ideia, esse número tem Margaret Atwood, Joyce Carol Oates, Mohsin Hamid, Zoë Heller, Vanessa C. Rodrigues, Luís Henrique Pellanda e muito mais. Tudo gratuíto.


Serrote 
Embora seja dedicada ao ensaio (esse gênero que acomoda todos os assuntos do mundo - para entender melhor vale ler "O ensaio e sua prosa", de Max Bense que está nessa edição) e as artes, essa charmosa revista também publica textos de ficção. Em seu novo número tem textos de W.H. Auden, Delmore Schwartz e Lou Reed. Destaque também para o ensaio de anotações visuais de Antonio Dias.


Granta (inglesa) 
Fechando a lista, a revista literária mais antiga ainda em atividade de que se tem notícia. Apesar de ter estendido seus domínios pelo mundo abrindo edições em línguas estrangeiras, a revista inglesa original não perde sua força. Se não estou enganado, o número que deve sair nas próximas semanas no Reino Unido será o primeiro sem o antigo editor, John Freeman. Será dedicado inteiramente ao Japão (e vai sair quase concomitantemente a versão japonesa da Granta) tem Adam Johnson, Tao Lin, David Mitchell, Ruth Ozeki e muito mais.

Bom, por enquanto é só. Se vc tiver algum fanzine ou revista do gênero e quiser divulgar por aqui, por favor, entre em contato.

*Imagem: reprodução de capas das revistas.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

QUEM LÊ TANTA REVISTA?

Muito antes da internet existir, escritores e críticos literários usavam jornais e revistas como meio de circulação de novas ideias. As páginas quase artesanalmente impressas esquentavam o debate crítico e faziam circular novas obras de ficção. Tal ambiente pode conviver pacificamente com a internet por um tempo, mas desde os anos 2000 o mundo impresso vem sofrendo golpes que são aparentemente irreversíveis.

Para não soar muito apocalíptico levo em consideração o seguinte fato: com a internet aconteceu uma espécie de retorno a maneira artesanal de fazer jornalismo. As revistas mais bacanas de hoje se alimentam de fontes do passado - estou pensando, por exemplo, na Piauí e no caderno Ilustríssima que fogem um pouco da pauta do momento, propõe novas pautas etc. Aponto algumas razões simples para essa tendência: havia liberdade de espaço (os textos não precisavam ter um tamanho determinado), ninguém ficava refém da pauta do momento, havia tempo para pensar numa agenda, o processo era "artesanal" (sem muitos esquemas, fórmulas ou formatos) e o texto era muito importante.

Para não ficar somente no terreno das ideias, comentários, opiniões e impressões fiz um levantamento de algumas revistas literárias (ou quase literárias) que foram importantes na história da imprensa brasileira. Na verdade, aproveitei o ensejo para incluir algumas revistas "marginais" que ecoam o espírito do "jornalismo" artesanal - queria dizer "diferenciado" só que o termo não pega muito bem.

De verdade, comecei a pensar nesse assunto depois que fiquei sabendo que o Arquivo Público do Estado de São Paulo está com um projeto chamado "Memória da Imprensa". Uma parte do acervo foi digitalizada e está disponível na internet para consulta. O material se concentra em publicações de São Paulo, tem jornais e revistas do século 19 e 20 divididos por temas como política e cultura. Vale a pena perder um pouco de tempo vasculhando o acervo e encontrar algumas raridades como contos de Eça de Queiroz, homenagem ao escritor Raul Pompéia, críticas ao livro Dom Casmurro. É uma verdadeira volta ao passado.

Não está no Arquivo do Estado (mas está no setor de raridades da Biblioteca Mário de Andrade e na Brasiliana USP) as duas revistas mais badaladas da Semana de 22: a Revista de Antropofagia que circulou no ano de 1929 tendo Oswald de Andrade, Mário de Andrade junto com a nata do Modernismo brasileiro; e a Revista Klaxon que circulou entre 1922 e 1923 contando com a colaboração de grande parte do mesmo pessoal da Antropofagia.

Nos anos 30, no Rio de Janeiro, a efervescência literária acontecia por meio de duas revistas: Dom Casmurro (circulou entre 1937 e 1944) que teve entre seus colaboradores Joel Silveira e muitos escritores da segunda fase do Modernismo - Jorge Amado foi chefe de redação da revista; e a concorrente Revista Acadêmica, de Carlos Lacerda e Murilo Miranda.

De volta a São Paulo, entre os anos 1941 e 1944, a crítica paulistana foi privilegiada pela Revista Clima. Tinha um ar acadêmico pois foi fundada por ilustres estudantes da USP como Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado, Antonio Cândido, Rui Coelho, Gilda de Mello e Souza e Lourival Gomes Machado.

Saltando um pouco as décadas, vale lembrar do mítico semanário Pasquim - que teve uma antologia em três volumes editada recentemente pela Desiderata. Ali surgiu os textos soltos, as entrevistas sem corte, o bom humor, as ilustrações chapadas, os assuntos tabu para uma época em que ninguém devia falar a respeito e tantas outras coisas. Foi também nesse semanário que a intelectualidade brasileira apareceu fazendo resistência ao regime militar e a censura. Também descobri recentemente o Jornal EX graças uma edição fac similar da Imprensa Oficial. O jornal era mensal, foi publicado entre 1973 e 1975, e tinha um tom altamente provocador e inventivo. Outra revista dessa mesma época, recuperada pela Elvira Vigna, foi a Revista Pomba. Acho que não foi tão conhecida como as outras, mas tinha uma linha de pensamento bem parecida.

Para finalizar, uma revista bacana de Porto Alegre chamada Revista 80, inspirada na Granta, editada pelo pessoal da LPM. A história da está no blog da editora contada por Ivan Pinheiro Machado.

Devo ter lembrado de um período áureo da imprensa brasileira que não deve voltar. Pode parecer um pouco de saudosismo, mas não é. Olhando para essa tradição a gente pode recolher informações e boas ideias que apontem alternativas para a crítica, para a imprensa, para os blogs e para todo mundo que deseja sobreviver a era da internet (da diluição da informação e todas essas coisas que a gente está careca de ouvir). Também acho importante conhecer esse passado para não sair por aí achando que está fazendo alguma coisa nova sem saber que muita coisa realmente já aconteceu.

Com certeza, muitas revistas ficaram de fora. Se alguém sentir falta ou lembrar de alguma coisa, pode me avisar que faça as atualizações.

*Imagem: reprodução.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

REVISTAS LITERÁRIAS - MINOTAURO Nº 02


Fazer revista independente de literatura no Brasil não é uma tarefa das mais fáceis. Só que a gente consegue fazer com colaboração aqui e ali - ainda bem! Por isso, não posso deixar de apoiar aqui o lançamento da revista Minotauro nº02 com o tema "Carne". Tem textos e arte de um monte de gente - já falei dessa revista por aqui. O lançamento acontece hoje no Rio de Janeiro no Bar Rebouças às 19:30h.

***

Em tempo, quero aproveitar e dizer que a segunda edição do CASMURROS - o fanzine que edito - deve ficar pronta na semana que vem. O tema é "Verdadeiro ou falso?". Uma brincadeira com as fronteiras da verdade e da invenção dentro do universo da ficção. Tem bastante coisa legal.

*imagem: reprodução da Minotauro.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

LADO7 NA ERA DIGITAL

A editora 7Letras que já edita livros e revistas desde 1990 deu o pontapé inicial para que as revistas de literatura brasileiras entrem na era digital. Ontem foi o lançamento da revista LADO7, uma revista de literatura que vai ter uma versão impressa e outra digital. A ideia é usar os recursos disponíveis nas novas mídias (áudio, vídeo, animações, links, hiperlinks etc.) para experimentar outros formatos literários dentro das possibilidades que o universo digital oferece.

Evidentemente, a nossa literatura já esta estabelecida na internet faz tempo (espalhada pelos blogs e redes sociais). Também existem muitos fanzines, jornais e revistas literárias com versões totalmente feitas para a rede mundial - é o caso do fanzine que edito, por exemplo. Mas, pensando especificamente na Lado7, o negócio tende a ir aos seus limites.

De acordo com a editora, o número #1 da revista tem:

"poemas visuais de Alexandre Dacosta, contos de André Sant’Anna, Carlos Henrique Schoroder, Raïssa de Góes e Sonia Coutinho, poemas de Afonso Henriques Neto, Ana Guadalupe, Charles Peixoto, Ismar Tirelli Neto, Marília Garcia, Victor Heringer e Walt Whitman, dramaturgia de Valère Novarina e Paloma Vidal, quadrinhos de Pedro Franz, ensaio de Sérgio Bruno Martins e arte de Maria Laet".
A tarefa é ambiciosa, deve demandar muito trabalho, mas não deixa de causar entusiasmo. Afinal, está mais do que na hora da nossa literatura experimentar esses novos formatos. Experiência a 7Letras tem de sobra com anos de publicação da revista Ficções - inteiramente dedicada à prosa de ficção. Resta só acertar a mão com os novos meios e não perder o foco com o deslumbramento tecnológico.

A inspiração deve ter vindo da revista norte-americana, Electric Literature - postei alguns vídeos aqui e também comentei aqui. Os editores Andy Hunter e Scott Lindenbaum investem em boas histórias de ficção e vídeos bem criativos. Depois de pronta, a revista ganha distribuição impressa e digital em diversos meios: iPad, iPhone, Kindle, e-readers, celulares etc. Não sei o quanto funciona em termos lucrativos, mas a revista tem bastante prestígio, reconhecimento da crítica e ganhou alguns prêmios.

Tomara que a revista Lado7 floresça e renda bons frutos.



*imagem: reprodução / video: Electric Literature.
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terça-feira, 15 de junho de 2010

O FUTURO DAS REVISTAS LITERÁRIAS: ELECTRIC LITERATURE

Andy Hunter e Scott Lidenbaum, dois editores americanos, ouvem das pessoas o tempo todo que a literatura de ficção está condenada ao fim. Sobretudo num mundo em que a internet e os novos meios de comunicação estão transformando a maneira de publicar livros, jornais e revistas. Cansados de ouvir tanta reclamação, ao invés de declararem a morta da ficção eles pensaram o seguinte:

"[vamos] selecionar histórias fortes que capturem os nossos leitores e os levem em algum lugar excitante, inesperado e significativo. Publicar em todos os lugares, de todas as maneiras: papel, Kindles, iPhones, livros eletrônicos e audiobooks. Tornar isso mais barato e acessível. Simplificar: apenas cinco grandes histórias em cada edição. Ser divertido, sem sacrificar a profundidade. Em suma, criar aquilo que nós desejamos". (tradução minha)

Unindo a literatura com a tecnologia que nos cerca eles criaram a revista Electric Literature. O modelo é bacana: eles publicam a versão impressa da revista apenas por demanda (ou seja, só imprimem uma edição quando existe algum pedido de compra); e existe ainda uma versão digital para eBook, Kindle, iPhone e áudio. Como a versão digital não precisa de impressão o custo gráfico é reduzido. Com isso eles preferem investir dinheiro em novos autores e pagá-los muito bem. A versão digital (e mesmo a impressa) chega no mundo todo e estará sempre disponível para quem quiser adquirí-la.

O formato ainda é novo e arriscado. Tanto pode se tornar um sucesso pelo número de leitores e retorno financeiro; quanto um fracasso não tendo nem leitores e nem dinheiro. Mas para os dois é a literatura que importa e não meio em que ela é distribuida. Por isso mesmo pagam por histórias muito bem selecionadas, capricham nas edições de "vídeos literários" (histórias de ficção em formato de vídeo), investem em textos de qualidade no twitter, disponibilizam a versão digital para o iPad com aplicativos, estão no Facebook e até nos celulares.

Sucesso de crítica, os dois editores já tem. Se vai dar certo ou não só o tempo poderá dizer. Pelo menos eles estão arriscando e fazendo alguma coisa inovadora e interessante.

Abaixo um dos "vídeos literários" que integram a coleção da revista:



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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A FALTA DE COBERTURA DA IMPRENSA QUANDO OS LIVROS SÃO A NOTÍCIA


Ouço muita gente falando a respeito da pequena atenção que os jornais e revistas tem dedicado aos livros. As resenhas e críticas estão sumindo. Quase não há mais espaço para essas coisas nas seções de cultura. Talvez a única exceção seja o caderno SABÁTICO do Estadão que circula aos sábados - único caderno dedicado totalmente ao assunto. Mas o problema parece que não se restringe somente ao Brasil. John Palattella, um jornalista americano, escreveu um artigo para o The Nation falando como os livros estão sumindo dos semanários americanos - The Death and Life of the Book Review (A Morte e a Vida da Crítica Literária). Por crítica literária, devemos entender a cobertura de notícias referente a livros e ao mercado editorial, de maneira ampla.

É evidente que no artigo muitos fatos mencionados tratam da realidade da imprensa americana. Porém, alguns pontos servem para ilustrar a nossa situação. Sobretudo quando Palatella menciona a internet. Vou destacar dois pontos que considero importantes:

1. Na imprensa atual, a crítica literária sofre de um problema cultural e não apenas econômico. Os jornais e revistas estão contendo custos para sobreviverem nesse momento de incertezas quanto ao seu futuro. Na tentativa de ter um produto mais rentável, apelam para notícias que sejam mais vendáveis e cortam ou reduzem o conteúdo que julgam pouco popular - como é o caso da crítica literária. Ao contrário desse pensamento, Palatella demonstra que são os próprios jornais e revistas os responsáveis por essa redução já que dentro das redações impera uma atitude "anti-intelectual" (uma falta de interesse dos jornalistas por ideias diferentes do senso-comum).

2. Na internet tudo o que importa é ser o mais rápido a dar a notícia. Como os jornais e revistas reduzem a crítica literária no meio impresso, a internet passa a ocupar esse espaço deixado. Porém, na internet existe uma obsessão em ser o primeiro a dar uma notícia e colocar no site o máximo de conteúdo que você puder. Não importa a qualidade, mas o quão rápido você pode ser. Palatella ainda fala que muitas redações não se preocupam em colocar um conteúdo incorreto no site - depois é possível corrigir na edição impressa que tem muito mais credibilidade.

No Brasil, a rasa cobertura literária feita pela imprensa tem origem no problema da educação e da pouca expressão do mercado editorial - quase não lemos e compramos poucos livros. Talvez com uma cobertura maior e mais interessante dos jornais e revistas, pudessemos mudar um pouco esse quadro. Afinal, os jornais e revistas são os responsáveis por colocar em circulação as opiniões críticas a respeito de um livro. Muita gente pode conhecer, comprar e ler um livro pelo simples fato de ter lido uma crítica a respeito dele.

Falta um pouco de ousadia na imprensa: não apostam em ideias novas e fazem resenhas de livros para cumprir tabela. Conter custos não é razão para reduzir a critíca literária. Muito pelo contrário, uma boa cobertura pode atrair novos leitores e aumenta a venda de um livro. Essa mesma falta de ousadia acontece na internet. De fato, existe uma obsessão em ter uma quantidade de notícias pouco relevantes. E infelizmente, quem gera conteúdo copia muita coisa. Sem contar a dispersão que a internet provoca no leitor. Clicando em links e se perdendo em informações.

Termino com as mesmas palavras que John Palatella: "Apesar da turbulência e das inúmeras dúvidas, acho que não há momento melhor que o presente para que a imprensa faça a cobertura de livros" (tradução minha). Recomendo a leitura do artigo.

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

QUEM SÃO OS 20 JOVENS ESCRITORES MAIS IMPORTANTES DO MOMENTO

E o New York Times divulgou a lista dos 20 escritores com menos de 40 anos que estarão na edição especial da revista New Yorker. "Temos 10 homens e 10 mulheres, satíricos e modernos, de Miami e Etiopia e Peru e Chicago. E nenhum deles nasceu antes de 1970", diz o jornal. Só o tempo poderá dizer se eles são mesmo os escritores mais importantes desses últimos 40 anos. A verdade é que a lista serve como um parametrô para ficarmos de olho na ficção produzida atualmente.

Os escolhidos são: Chimamanda Ngozi Adichie, 32; Chris Adrian, 39; Daniel Alarcón, 33; David Bezmozgis, 37; Sarah Shun-lien Bynum, 38; Joshua Ferris, 35; Jonathan Safran Foer, 33; Nell Freudenberger, 35; Rivka Galchen, 34; Nicole Krauss, 35; Yiyun Li, 37; Dinaw Mengestu, 31; Philipp Meyer, 36; C. E. Morgan, 33; Téa Obreht, 24; Z Z Packer, 37; Karen Russell, 28; Salvatore Scibona, 35; Gary Shteyngart, 37; and Wells Tower, 37.

Achei bacana o que o editor da revista New Yorker, David Remniock, disse sobre esses 20 escritores: "Se eles tivessem muito em comum, seria muito chato. (...) Este não é um agrupamento estético. O grupo é um grupo de promessa, enorme promessa. Há pessoas ali que são muito convencionais em suas abordagens narrativas, e há pessoas que têm uma grande ênfase na voz. Há pessoas que estão de alguma forma trazendo a você as notícias de uma outra cultura". (tradução livre)

A edição especial da New Yorker deve chegar as bancas na semana que vem.
*imagem: reprodução da capa "Future of American Writing" da New Yorker de 1999 - a última edição a fazer esse concurso.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

LITERATURA E CRÍTICA EM CRISE?


Flora Süssekind, crítica literária, escreveu no final do mês de Abril um texto para o caderno Prosa&Verso do jornal O Globo. O texto se chamava A crítica como papel de bala. Seu mote principal era demonstrar o conservadorismo e a falta de relevância que reina na crítica literária atual do Brasil.

Num momento furioso, ela diz do crítico:

"retorno às figuras todo-poderosas do especialista monotemático, do agenciador com capacidade de trânsito inter-institucional e do colecionador de miudezas, às interlocuções preferencialmente de baixa densidade dos minicursos e palestras-espetáculo, do universo das regras técnicas e das normas genéricas e subgenéricas, fixadas acriticamente em oficinas de adestramento, à glamorização midiática de instituições autocomplacentes como a Academia Brasileira de Letras e correlatas, a formas variadas de culto a personalidades literárias, em geral mortas (e Clarice Lispector, Leminski, Ana Cristina Cesar têm sido objeto preferencial de dramaturgias miméticas, curadorias acríticas, ficções e comentários “à maneira de”), mas também em vida veem-se autores, mal lançados em livro, se converterem em máscaras que, com frequência, os aprisionam em marcas registradas mercadológicas de difícil descarte".
De fato, nós temos de admitir que a crítica literária feita por aqui realmente não está na sua melhor fase. De maneira simples o que a gente vive é uma dicotomia entre pessoas da acadêmia e o grande público - que aparentemente está por fora.

Os cadernos que tratam de literatura nos jornais e nas revistas - e falam para o grande público - parecem não ter a mesma relevância que tinham antigamente. Muitas vezes os textos parecem muito quadrados e presos a fórmulas. Faltam resenhas melhor elaboradas que promovam a reflexão em quem lê. Também falta sair do lugar comum e estimular os leitores a buscarem algo que seja novo e diferente. A impressão é de que a literatura interessante não está nos jornais e revistas.

Por outro lado, as publicações acadêmicas parecem muito fechadas em si mesmas - portanto, falam para um público mais específico. A academia está mais interessada em autores que promovem experimentação de linguagem, etc. E isso, felizmente ou infelizmente, nunca terá um alcance maior. Quando essa circulação não acontece, existe o mesmo problema de repetição de temas e falta de críticas mais profundas. O escritor Sérgio Rodrigues, em resposta ao texto de Flora, sintetizou bem um dos problema da acadêmia:

"[a] crítica passou a valorizar dois novos modelos textuais para a literatura
contemporânea, ambos virginais. De um lado, em rendição incondicional à
antropologia, o das “vozes” dos despossuídos literários: mulheres, negros, gays,
favelados. Do outro, pelo qual parece se inclinar Süssekind, o da “transgressão”
que “rompe com tudo o que está aí”, em geral sem ter lido uma fração minimamente
aceitável de “tudo o que está aí” – e aqui a rendição do crítico se dá frente ao
mito de corte religioso da pureza refundadora. Escrever “mal”, ser incapaz de
construir um personagem, reinventar a pólvora modernista, aborrecer o leitor
desavisado, tudo isso é considerado preferível a ser mais um a perpetuar aquele
jogo ideológico chamado literatura".
Evidentemente o problema com a crítica literária vai bem mais além do que esses dois campos de força. A crise parece acontecer em todos os setores da crítica cultural nos dias de hoje. Veja por exemplo a fala comum das pessoas: "quem lê os críticos?". Muita gente torce o nariz para críticos de cinema, de teatro, de balé e até para críticos literários. Assim sendo é fácil pensar: a crítica ainda é relevante? Para quem?

Tudo isso resulta num outro grande desafio sem fim, anterior a crítica, que é a educação no Brasil. Exemplos não faltam: má formação de professores, desinteresse de alunos pelo conhecimento acadêmico, universidades em ruínas e tudo o mais que a gente pode lembrar.

No Congresso de Jornalismo Cultural, orgazinado pela revista CULT, alguns debatedores apontaram a possibilidade da internet ser o meio termo entre a crítica dos jornais/revistas e a crítica acadêmica. Tudo porque aparentemente a internet é um espaço livre. Quem escreve não tem o compromisso de vender e agradar. Sobretudo num tempo em que as mídias impressas estão ficando cada vez mais enxutas. Mas quem vai puxar primeiro a sardinha para sua brasa?

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