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terça-feira, 3 de junho de 2014

NOTAS #47


Capas
A revista New Yorker publicou nessa semana a charmosa edição literária de verão. O tema é "histórias de amor" e a capa foi assinada pelo cartunista Joost Swarte. Uma beleza! Tem um perfil de John Green (ele está bombando!), Miranda July, Joshua Ferris, Colm Tóibín, Tobias Wolff, Chris Ware, Karen Russell, Haruki Murakami e muitas coisas mais. Já a edição de verão da Paris Review tem uma capa toda manual com desenho do artista Raymond Pettibon, da série Real Dogs in Space. Tem ficção inédita de Zadie Smith.

Literatura móvel
Tenho certeza que essa notícia vai empolgar muita gente, mas sinceramente não sei quanto tempo ainda vai levar para que o comportamento seja adotado entre nós. E olha que os brasileiros são muito ligados em tecnologia. Um artigo na revista Salon diz que um terço dos norte-americanos que tem celular preferem ler ebooks nesses aparelhos do que em leitores digitais (iPad, Kindle etc.). Os adeptos dizem que ambos tem características semelhantes (armazenam muitos livros, possuem configuração de tamanho da página, luminosidade etc), mas o celular ganha em pontos pela conveniência e praticidade que proporciona. Afinal, não importa onde você vá seu celular estará com você. Geralmente é menor e dispensa a tarefa de carregar mais um aparelho pesado ou mesmo um livro volumoso. O artigo aponta que esse leitor tem por hábito ler trechos dos livros em momentos de "folga" e com intervalos entre um trecho e outro: na espera de uma consulta, no metrô, naquele intervalo do almoço antes de retornar ao trabalho, no trânsito etc. Detalhe: eles vão em busca de clássicos da literatura que estão disponíveis gratuitamente para download ao invés de ler obras que exijam muita concentração e releitura - tais como Charles Dickens e Jane Austen. A tese faz bastante sentido. A questão é que esse leitor já tem o hábito de ler. Resta saber se conseguimos chamar "novos" leitores concorrendo com redes sociais, Netflix e mensagens instantaneas que também está no celular ao alcance dos dedos.

Lojinha 1
A escritora Hilda Hilst ganhou uma lojinha na internet: Obscena Lucidez. Lá é possível adquirir quinquilharias (do tipo, porta copo e capa para celular), camisetas, caderninhos, pôsteres, agendas e até livros da escritora. A lojinha tem parceria com o Instituto Hilda Hilst e o dinheiro obtida com as vendas vai para as despesas da Casa do Sol, onde fica o instituto.


Lojinha 2
O pessoal da revista Electric Literature chamou o ilustrador Matt McCann para criar uma linha de baralho especial com caricaturas de escritores famosos. Tem  Virginia Woolf, Franz Kafka, Marcel Proust e mais uma turma da pesada. Custa $10 doláres e está à venda no site da revista.

Folhetim
O SESC convidou o escritor Ricardo Lísias para escrever uma espécie de folhetim chamado “A casa do avô”. Faz parte de uma iniciativa do SESC que vai promover uma série de atividades culturais num casarão no Ipiranga enquanto o prédio da unidade naquele bairro está passando por uma reforma. No total, o folhetim terá 15 capítulos com publicação diária - até agora, nove capítulos já estão disponíveis. A história gira em torno de um garoto chamado Ricardo que narra as lembranças da casa do avô onde passou grande parte da infância e adolescência e aprendeu muitas coisas sobre a vida. Lísias usa dois procedimentos que apareceram em sua obra mais recente: algumas fotografias pessoais que ilustram os trechos da narrativa e ruptura das fronteiras entre personagem e narrador. É interessante observar como o texto se comporta dividido em pequenos trechos sobretudo porque a memória do garoto é fragmentada. Lísias poderia tomar partido do formato para experimentar mais os limites e quem sabe tentar uma narrativa seriada desse tipo no twitter, no facebook ou num aplicativo que permite leitura serial no celular. Quem sabe? 


Dinheiro novo
As notas de dólar jamais mudaram e desde que foram criadas estampam os rostos dos principais presentes norte-americanos. Mas como os cartões de crédito e débito estão roubando o lugar das notas e, no futuro, o dinheiro poderá ser uma peça de museu, o ilustrador Shannon May aceitou o convite de um site para criar notas que homenageiam escritores. Acima Herman Melville. Mais aqui.

*Imagens: reprodução.
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terça-feira, 27 de maio de 2014

O CONTO EM EVIDÊNCIA


O conto pode seguir desprezado por autores e críticos que enxergam nele apenas uma forma de teste para uma obra de fôlego maior ou ignorado pelo mercado editorial que costuma dizer que o gênero não vende tanto, mas segue vivo desde que surgiu nos primórdios da civilização em forma de história ouvida ao pé de uma fogueira. Lá na aurora do século XIX, muito antes do século XXI existir, o conto emancipou-se com escritores do calibre de E.T.A. Hoffmann, Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Tolstói, Tchekhov, Machado de Assis, Balzac, Stendhal, Eça de Queirós, Aluízio Azevedo e toda a turma. No século XX, o conto atingiu sua maturidade formal e espatifou-se em miniconto, microconto, microrelato, flash fiction, conto brevíssimo, pequenos poemas em prosa etc. Por tudo isso, dizer que o conto vive uma “ascenção” nos dias de hoje é duvidoso.

Seja como for, o conto ganhou visibilidade e virou um assunto recorrente. Provavelmente, isso está acontecendo por três motivos: a) o gênero entrou no circuito dos festivais e prêmios; b) editoras e autores estão focados em publicar livros do gênero; c) mudanças na tecnologia (internet, celular e leitores digitais) e no comportamento social (ansiedade, pressa, falta de tempo livre etc,). Não sei se conseguirei destrinchar os três motivos com destreza, por isso, vou mais ilustrar do que analisar.

A Europa, os Estados Unidos e o Brasil tem um festival do conto. Na semana passada, escrevi sobre o assunto depois de conversar com Carlos Henrique Schroeder, idealizador do Festival Nacional do Conto (que está na 4ª edição e deve crescer nos próximos anos) e com Roman Simić, diretor do Festival Europeu do Conto (que está na 13ª edição). Ambos tem entre seus convidados autores iniciantes e veteranos e, ao longo desses anos, certamente contribuíram para jogar luz numa produção meio escondida ou desconhecida para muitos leitores. Assim fazem a roda girar porque encontram autores, críticos e fazem a obra circular entre leitores. Você pode não acreditar, mas esses festivais despertam o interesse do leitor. Outro ponto importante, do ano passado pra cá três autores que são conhecidos pela dedicação a forma curta foram contemplados com prêmios literários internacionais de peso: Lydia Davis ganhou o Man Booker Prize Internacional; Alice Munro ganhou o Prêmio Nobel de Literatura; e, dois meses atrás, George Saunders ganhou o Folio Prize (certo, além dos livros de contos, ele tem já publicou novelas, mas o prêmio foi para seu mais recente livro de contos). Nós ainda não temos nenhum prêmio literário dirigido exclusivamente ao gênero, no entanto nossos principais prêmios (Jabuti, Portugal Telecom, Prêmio SP de Literatura e Machado de Assis, para citar alguns) contemplam o formato. Em alguns casos a categoria divide espaço com crônicas - vai entender. Tá certo que o Jabuti nunca concedeu o prêmio de livro do ano para uma obra de contos. Quem sabe agora não pinta um desses?

Antes da internet, muitos jornais/revistas literárias (aqueles de crítica séria) costumavam publicar contos. Havia também as famosas antologias. Depois vieram os fanzines que ajudaram bastante a cena de autores independentes dos anos 80/90. Finalmente, surgiu a internet em seu formato comercial e popular que trouxe uma enxurrada de textos curtos e mais autores. Até que, de uns 5 anos para cá, as experiências de publicação digital ficaram mais acessíveis e começaram a virar realidade. Quem não lembra da revista Electric Literature? Recentemente, os editores criaram um blog chamado Recommended Reading que publica uma história por semana escolhida por alguém bacana. Por aqui existe a Cesárea, uma revista eletrônica com um formato parecido - só que um pouco menos multimídia. Outras experiências bem sucedidas são os selos Atavist e E-galáxia com a coleção Formas Breves. Eles também publicam um conto por semana que são vendidos exclusivamente para leitores digitais com preços baixos. Não me informei muito, mas parece que a Amazon também criou um serviço semelhante chamado Kindle Singles. Alguns autores também estão tentando o caminho da autopublicação - um pouco mais trabalhoso, mas ao que parece está ganhando contornos reais a cada dia.

Pense também que autores consagrados como Hilary Mantel e Margaret Atwood também vão entrar para a dança e prometem publicar livros de contos até o final do ano. O livro da Mantel vai chamar The assassination of Margareth Thatcher; da Atwood vai chamar Stone Mattres. Quem sabe, Eleanor Catton (The Luminaries tem mais de 800 páginas) e Donna Tartt (Goldfinch tem mais de 700 páginas) também não se animan?

O último motivo me parece diretamente ligado ao motivo anterior: as novas tecnologia dos celulares e leitores digitais estão ficando mais amigáveis. Veja, por exemplo, o fenômeno dos aplicativos para celular que permitem ler e acompanhar histórias curtas a todo momento. Além disso, existem esses aplicativos que são como redes sociais para você publicar e compartilhar pequenos textos e histórias com seus “seguidores”. Os leitores digitais também ficaram mais baratos, mais leves e emulam muito bem a sensação do papel (se é que isso realmente importa para quem gosta de ler). Me parece um caminho sem volta porque o comportamento social também mudou para “acompanhar” os “novos tempos”. Basta caminhar pela rua para perceber que muita gente está com os olhos e os dedos fixos no celular. Isso para não mencionar o fato de que muita gente reclama da falta de tempo para sentar e ler um livro - melhor pegar o celular.

O que o futuro nos reserva só o tempo dirá. Mas não se desespere, não saia por aí arrancando os cabelos ou investindo seu suado dinheirinho numa startup - a não se que você já tenha alguma experiência no negócios e saiba fazer investimentos. Não quero parecer apocalíptico, pelo contrário. Os livros longos (conhecidos como catataus) vão continuar existindo. A maior prova disso é o sucesso de vendas da monumental novela Game of Thrones - muita gente carrega aqueles livros para cima e para baixo nas ruas -, de Moby Dick, Os detetives selvagens e dos premiados The Luminaries e Goldfinch. Da mesma forma, o conto vai continuar vivendo, seja curto ou curtíssimo. A lição que fica é importa: as pessoas querem uma boa história, não importa a sua extensão.

***

Aproveitando o assunto, para você que ficou empolgado e está buscando um livro que seja de forma breve tenho quatro recomendações:


Para a próxima mágica vou precisa de asas
ALEX EPSTEIN
Nau Editora

Seus minicontos mal ultrapassam o tamanho de uma página. Alguns tem o tamanho de uma linha. Você pode pensar em Lydia Davis, mas a verdade é que as histórias Alex Epstein são muito mais surreais e misteriosas. Passam um pouco ao largo daquele instante cotidiano que explode em significados quando ganham o olhar do narrador - marca de Davis. Tem qualquer coisa de Borges e Monterroso.


Tipos de perturbação
LYDIA DAVIS
Companhia das Letras

Talvez a autora dispense apresentações porque no ano passado seu livro foi bastante comentado por aqui, ganhou um prêmio importante e de quebra ela esteve na FLIP. Aqui as histórias são de uma sensibilidade enorme, tem humor e tristeza a partir de um ponto de vista muito particular. Vão de uma linha a três páginas. Tem qualquer coisa de Kafka.



Dez de dezembro
GEORGE SAUNDERS
Companhia das Letras

O livro entrou para lista de melhores do ano passado, foi finalista de vários prêmios e levou para casa o Folio Prize, dois meses atrás. A tradução acaba de chegar por aqui. Tem um pouco daquela tradição contística norte-americana de John Cheever e Raymond Carver, mas com uma pegada mais atual e tragicômica.




Estórias mínimas
JOSÉ RESENDE JUNIOR
7 Letras

É o caso de um autor cuja obra é inteiramente voltada ao conto - num português bem brasileiro. Os dois primeiros livros dele tinham contos mais longos, mas nesse livro ele pratica a forma brevíssima. Tem muito humor e doses demasiado humanas de amor e solidão na medida certa. Dá pra ler em menos de duas horas e apreciar para a eternidade.



Não resisti e vou recomendar também dois clássicos da forma curta:

Novelas nada exemplares
DALTON TREVISAN
Record

O autor mais recluso da nossa literatura (não perde nem para Rubem Fonseca e Raduan Nassar) é também o responsável por formatar o miniconto em nossas terras. Aqui ele faz referência ao famoso livro de Cervantes, mas enche Curitiba de tédio e a melancolia para desfilar histórias do submundo e da morte. Estão lá os suicidas, as prostitutas, as moças para casar, os homens comuns. Um detalhe interessante: o livro foi publicado em 1959 e marca a estreia de Trevisan na literatura brasileira. O crítico Otto Maria Carpeaux e o escritor Carlos Heitor Cony apontam o livro foi um divisor de águas.


A ovelha negra e outras fábulas
AUGUSTO MONTERROSO
Record

Infelizmente, o livro está fora de catálogo, mas tem uma particularidade: foi traduzido para o português por Millôr Fernandes e ilustrado por Jaguar. Não é possível encontrar nem em sebo. Quem sabe com a FLIP em homenagem a Millôr e a visibilidade dos minicontos, alguém tenha a bondade resgatá-lo. Monterroso é um autor guatemalco que passou a maior parte da vida no México. Ficou conhecido por ter escrito o menor conto do mundo O dinossauro (note que esse microconto não está nesse livro) e inspirou essa onda de formas curtas que explodiram na literatura de agora, agora. Tem formato humorístico e faz paródias com as fábulas da antiguidade clássica. Isaac Asimov disse que jamais foi o mesmo depois de ler O macaco que 
quis ser escritor satírico (esse está nesse livro). 

*Imagens: minilivro/reprodução Google Images; capas/divulgação.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

LITERATURA EM NOVAS FORMAS DE DISTRIBUIÇÃO


"Para a literatura prosperar na era digital ela precisa abraçar algo da sensibilidade da cultura pop e adotar novas formas de distribuição coerentes com a maneira como as pessoas consumem conteúdo."

A frase acima tem qualquer coisa de futurista e visionária. Parece que foi dita por um daqueles gurus da tecnologia que escrevem laudas na revista Wired. Na verdade, foi dita pelo jovem Scott Lindenbaum, um dos fundadores da Electric Literature, numa pequena conversa que tive com ele em junho do ano passado. Voltei a pensar nessa conversa por causa de "Caixa preta", o conto de Jennifer Egan que será postado a partir de hoje no twitter da editora Intrínseca com tradução de Juliana Romeiro.

(Falei dessa experiência envolvendo a autora num outro texto)

Não sei se a Jennifer conhece o Scott, provavelmente conhece porque a revista dele faz bastante sucesso nos Estados Unidos. Seja como for, ela captou o espírito desses tempos e lançou mão do twitter para publicar uma história de ficção (estimativas recentes apontam que o twitter é uma rede social com 100 milhões de usuários no mundo todo, ou seja, muita gente consome conteúdo por esse meio). Além disso, ao invés de simplesmente distribuir, ela experimenta outras maneiras de criar ficção por essa "ferramenta" usando narrativa em forma de notas, transportando uma personagem para um gênero narrativo diferente, publicando a história de maneira serializada etc. O conto foi publicado pela primeira vez no twitter da New Yorker e ganhou uma versão integral na edição impressa e no site da própria revista.

Egan usou um caderno japonês que tinha oito retângulos em cada página para escrever o conto. Curiosamente, antes mesmo de existir o twitter e o iPhone, os japoneses popularizaram uma forma de ficção que naquele tempo ficou conhecida como “romances de celular” (keitai shosetsu, em japonês) - uma espécie de pré-história da ficção nos meios eletrônicos. As histórias eram curtas e os leitores ainda podiam interagir, para termos uma ideia de qual avançado era o negócio. O sucesso foi tão grande que esses romances ganharam até versão impressa com vendas astronômicas.

Não sei dizer se a moda continua ou ganhou novos formatos. Afinal, os celulares de hoje tem telas maiores, cores e muitos aplicativos com uma infinidade de recursos. As pessoas também gastam muito mais tempo conferindo os aparelhos em busca de novas mensagens, fotos, check-ins etc. Aposto que todo mundo conhece um fulano que fica mexendo no celular durante a primeira meia hora do happy hour. Dessa forma, Egan tem de concorrer desonestamente com todo o resto. Só que não seria de todo mal acompanhar uma história escrita por ela enquanto a gente aguarda naquela fila sem fim para ver a exposição dos pintores impressionistas, no CCBB-SP.

O caderno Ilustríssima adiantou um trecho da tradução. Parece óbvio para alguns, mas os tuítes traduzidos conseguem ficar dentro dos 140 caracteres (dizem que ao traduzir um texto para o português ele aumenta em torno de 20% - alguém confirma a informação?).

Serviço: "Caixa preta" será transmitido diariamente pelo twitter da editora Intrínseca entre os dias 20 e 30 de agosto, das 22h às 23h, e comercializado em e-book a partir de 31 de agosto.

*P.S.: Sérgio Rodrigues teceu comentários super elogiosos sobre o conto. Tem tudo para ser uma experiência bacana - uma pena que esteja concorrendo com o horário da novela.

*P.S.: A bela capa de "Caixa preta" (reproduzida aqui em cima) ficou a cargo de Rafael Coutinho. Uma pena que a gente não vai vê-la em papel impresso - salvo se a gente imprimir na nossa casa.

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

NOTAS #37


O pintor da estepe
Não é surpreendente que existam escritores que pintam ou desenham, mas que existam muitos escritores que fazem isso com talento. A lista é tão grande que ganhou até um livro muito bacana chamado
The writer's brush, organizado por Donald Friedman. Nem todo mundo sabe, por exemplo, que Charles Bukowski, Joseph Conrad, William Faulkner, Nikolai Gogol, Günter Grass, Aldous Huxley, Franz Kafka, Vladimir Nabokov e tantos outros usavam o pincel entre um livro e outro. Só consigo explicar o fato curioso de uma forma: o talento de cada um deles era tão grande que uma única forma de expressão não pode ser suficiente.

Junto dessa galeria de nomes está o escritor Herman Hesse, autor de O lobo na estepe, cujos desenhos e aquarelas (foto acima) estão numa grande exposição comemorativa no Kunstmuseum Bern, na Suíça. Ele começou a pintar como parte de uma terapia para se recuperar de um colapso nervoso. Nunca largou a atividade e fez um trabalho digno de nota.

A exposição integra as comemorações para lembrar os 50 anos da morte de Herman Hesse.



Leitura Recomendada
A equipe da revista Electric Literature resolveu expandir seu planos de unir literatura e novas tecnologias com o projeto Recommended Reading: uma revista eletrônica que publicará ficção inédita recomendada por renomados escritores e editores. Estará disponível toda semana no Kindle e gratuitamente na internet. Até agora apareceram textos de Ben Marcus, Clarice Lispector e Marie-Helene Bertino. Para promover o lançamento do projeto uma frase do conto "Watching Mysteries with My Mother", de Ben Marcus virou uma animação eletrizante.

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A frase é: “We speak of having one foot in the grave, but we do not speak of having both feet and both legs and then one’s entire torso, arms, and head in the grave, inside a coffin, which is covered in dirt, upon which is planted a pretty little stone.”

Dupla nacionalidade
Nesse mês a Companhia das Letras lança Cidade aberta, primeiro romance do escritor Teju Cole (que nasceu nos Estados Unidos, mas foi criado na Nigéria e voltou para a América nos anos 90). O livro foi bem recebido pela crítica norte-americana que o comparou a J.M. Coetzee e W.G. Sebald. A tradução ficou a cargo de Rubens Figueiredo.

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Cole estará na FLIP dividindo mesa com a escritora Paloma Vidal (que nasceu em Buenos Aires e foi criada no Rio de Janeiro). Ela já publicou três livros, mas não lança nada desde Algum lugar, em 2009, pela 7Letras. Uma pena que o jejum de três anos será quebrado somente em setembro com o romance Mar azul. O livro marca a estreia da escritora na editora Rocco e vem cercado de grande expectativa.

Mais Ulysses
No próximo sábado, 16 de junho, muita gente ao redor do mundo vai comemorar mais uma edição do Bloomsday - a festividade anual dedicada ao romance Ulysses, de James Joyce. O livro foi publicado pela primeira vez em partes no jornal The Little Review de março de 1918 a dezembro de 1920 e publicado em formato de livro por Sylvia Beach, em fevereiro de 1922, em Paris.

Ulysses acompanha um dia da vida de Leopold Bloom, 16 de junho de 1904. Por isso, o Bloomsday acontece nessa data todos os anos. Para dar o pontapé inicial nas comemorações, recomendo o audio book em inglês disponível no Archive.org. Você pode ouvir em streaming ou fazer o download - para ouvir no carro, no MP3 player ou onde você quiser.

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Como você deve saber, Ulysses recebeu uma nova tradução pelas mãos de Caetano Galindo e teve uma grande repercussão no lançamento.

*Imagem: reprodução do site do museu.

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sábado, 12 de novembro de 2011

TRÊS REVISTAS E OUTRAS MAIS

Para aproveitar o feriado prolongado, um apanhado de revistas com muitos textos:


Serrote
Já está nas praças a edição #9 da revista de ensaios Serrote. Além do conteúdo de primeira (com textos de Cynthia Ozick, William Hazlitt, Sylvia Molloy, Rem Koolhaas, Bernardo Carvalho, Ronaldo Brito, William Faulkner, Paulo Mendes Campos, Julio Cortázar e muitos outros) a edição vem com projeto gráfico e visual caprichados. Coisas que nenhum iPad ou Kindle do mundo poderiam fazer. Tem até bonecas desenhadas e confeccionadas por Zelda Fitzgerald que você pode destacar, se quiser.


Granta
A edição #8 da versão brasileira da revista Granta tem o tema "Trabalho". Tem textos de Julian Barnes (o recém ganhador do Man Booker Prize), Marcello Fois, Aleksandar Hemon, Bruno Bandido, Doris Lessing, João Anzanello Carrascoza, José Luiz Passos, Mario Sabino, Michela Murgia, V.V. Ganeshananthan e Yiyun Li, e ainda um ensaio fotográfico de Walter Carvalho. As três pérolas da edição são o trecho do romance inédito de Bernardo de Carvalho previsto para 2012, um conto de Colum McAnn e um texto de Salman Rushdie sobre a preguiça.


Electric Literature
A bacanuda revista de ficção norte-americana chega a edição #6. Tem textos de Nathan Englander, Mary Otis, Matt Sumell, Steve Edwards e Marc Basch. Dá para ler em papel, iPhone, iPad, Kindle e até em PDF (tem de pagar, evidentemente). A belezura fica por conta de um vídeo baseado no conto "The Reader", de Nathan Englander (reproduzido abaixo).



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Vale lembrar que além dessas revistas ainda tem a nova edição da Granta inglesa com tema "Horror" (cheia de gente bacana escrevendo) e a Piauí (com muitos textos interessantes de Ricardo Lísias e outros mais).

*Imagens: reprodução.

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

CONVERSA COM SCOTT LINDENBAUM

Scott Lindenbaum, um dos fundadores da Electric Literature, participou do projeto "Oi Cabeça", no Rio de Janeiro. A revista "eletrônica" tem um modelo bacana: existe em versão impressa apenas por demanda (ou seja, só imprimem uma edição quando existe algum pedido de compra); e existe ainda uma versão digital para e-readers, Kindle e iPhone. Como a versão digital não precisa de impressão o custo gráfico é reduzido. Com o dinheiros os editores investem em novos autores e pagam muito bem.

Antes da Electric Literatura, Scott era competidor de snowboard. Ele fez mestrado em escrita criativa no Brooklyn College, nos Estados Unidos. Foi lá que ele conheceu Andy Hunter, co-fundador da revista.

Conversei com o Scott por e-mail. Nós falamos sobre como tudo começou, o modelo de publicação, o formato da revista e sobre o futuro, claro.

A Electric Literature foi criada em 2009. Desde então você já publicou cinco edições com contos de vários escritores famosos como Michael Cunningham, Jim Shepard, Lydia Davis, Bender Aimee, Moody Rick, Javier Marías e outros. Gostaria de falar um pouco sobre o momento em que você criou a revista. Como surgiu a idéia de criar uma revista com distribuição em múltiplas plataformas? O projeto me parece único, portanto eu imagino que vocês devem ter começado tudo isso sozinhos: arrecadar dinheiro para a primeira edição e encontrar as pessoas certas que poderiam ajudar.

Andy Hunter e eu começamos a Electric Literature em 2009, mas nos conhecemos na faculdade em 2006. Quando nos formamos em 2008, o clima editorial em Nova York era desanimador. A maioria das conversas sobre o futuro da palavra impressa não era muito inspiradora ou era sombria na melhor das hipóteses. Nós dois tínhamos trabalhado juntos numa revista literária da faculdade chamada The Brooklyn Review e sabíamos que depois de formados queríamos fazer algo juntos, mas não fazia sentido começar mais uma revista de literatura. Nós dois tivemos a cultura pop como formação – Andy foi o editor-chefe da revista MEAN em Los Angeles e eu fui profissional de snowboard por dez anos – e sabíamos que se a literatura fosse prosperar na era digital ela precisava abraçar algo dessa sensibilidade pop. Também sabíamos que isso significaria adotar novas formas de distribuição que fossem congruentes com a forma como as pessoas estavam consumindo conteúdo hoje. Mais ou menos nesse tempo, houve um grande artigo na revista New Yorker sobre adolescentes escrevendo romances em celulares no Japão que estavam sendo lidos digitalmente por milhões de pessoas. Mais tarde descobri que este estilo de composição tinha se tornado um fenômeno e que os editores japoneses tradicionais foram pegando esses romances digitais e trazendo para o impresso. A New Yorker enquadrava isso como uma curiosidade, e talvez estivesse implícito que isso só poderia acontecer no Japão, mas nós sabíamos que a cultura ocidental não poderia estar tão atrás.

Em 2009 o papo sobre e-reading começou. Levantamos cerca de US $ 65.000 para começar a Electric Literature. Até o final de 2010 era falido mesmo, agora suporta uma pequena equipe. Nos primeiros dias não foi fácil convencer escritores de alto nível de que o que estávamos fazendo era legítimo. "Ah", eles diziam: "vocês colocam histórias em celulares, certo?" Naquele momento "histórias em celulares" significavam "não ser realmente publicado". Michael Cunningham estava na nossa primeira edição. Ele teve que lutar com unhas e dentes com seu agente e editor para conseguir que isso acontecesse, mas o fato de ter feito foi enorme para gente desde o início.

Nesses dois anos você encontrou resistência de algum agente literário ou escritor? Alguém já disse "não" ao seu convite? E você acha que desde a primeira edição as coisas mudaram, as pessoas têm se adaptado ao seu modelo de distribuição? Você sente que alguma revista se inspirou no mesmo modelo da sua?

Definitivamente havia mais resistência para publicar com a gente em 2009 e início de 2010 do que existe hoje. Eu não acho que foi inteiramente por causa do formato digital na maioria das vezes. Foi também porque éramos de fora. Andy e eu não tínhamos ido para a Universidade de Nova York ou Universidade de Columbia, não éramos escritores publicados amplamente, não tínhamos estagiado na Paris Review, etc É um grande negócio para um autor reconhecido internacionalmente confiar a obra dele a você. Nós definitivamente tivemos que conquistar essa confiança. Uma vez um escritor ganhador do National Book Award concordou em colaborar junto com um ilustrador internacionalmente aclamado. A idéia era criar uma forma inovadora, uma peça literária multimídia feita especificamente para o iPad. O projeto foi descartado pelo agente do escritor. Uma pena. Um dia, um escritor genial vai enfrentar algo assim e repensar a experiência literária como a conhecemos.

Por que a Electric Literature publica apenas contos e não inclui ensaios ou entrevistas? E por que somente cinco contos?

Quando olhamos para outras revistas literárias que gostamos, como Tin House, Granta, N+1, The Kenyon Review, ou A Public Space, vimos uma mistura de formas literárias, fotografia e trabalho artístico. Mas quando mostramos essas revistas aos nossos amigos que não cursaram mestrado, eles não sabem o que fazer com elas. Muitas vezes, essas revistas tem centenas de páginas, e porque não se concentram num tipo particular de escrita, os leitores médios pegam e pensam algo como "tem a poesia e fotos vanguardistas, não tenho certeza se isso é para mim”. A verdade é que essas revistas são ótimas, mas elas também são muito intimidadoras se você não está profundamente enraizada na cultura literária. Queríamos fazer uma revista que qualquer leitor de ficção poderia pegar e ler de capa a capa em uma tarde e ter uma experiência inteiramente positiva. Cinco histórias significam que cada edição raramente tem mais de 120 páginas.

O iPad e os e-readers permitem aos editores usar não apenas textos, mas misturar textos com vídeos, imagens e som. Isto significa que nós podemos dar o livro (ou as obras de ficção) formatos nunca antes imaginados. Você acha que a ficção pode se tornar menos importante do que a tecnologia? Em outras palavras, você acredita que em breve vamos preferir vídeos, imagens e sons aos textos como a gente os conhece?

Eu não acho que a ficção vai se tornar menos relevante só porque a tecnologia se torna mais avançada. Telas, como papel, são apenas um mecanismo de entrega de uma experiência. Por centenas de anos a impressão de tinta no papel foi a forma mais eficiente de trazer uma experiência literária para a maioria das pessoas. Se é mais eficiente usar um celular ou tablet para o mesmo fim, que seja assim. A experiência singular transmitida pela grande ficção de mergulhar na consciência de outro ser humano permanece transcendente independentemente do meio em que circula. Eu realmente acho que as pessoas vão comprar livros tradicionais por motivos diferentes de quando compram e-books. Isso é semelhante à maneira como um consumidor decide comprar um disco que realmente ama em vinil ao invés de baixar o MP3. Dizem que o vinil está em alta na era do iTunes, mas não é porque ouvir vinil é conveniente. A experiência do vinil é diferente na medida em que conecta o ouvinte com a história de uma forma que o MP3 não conecta. Além disso, colocar um disco para tocar é fisicamente diferente do que selecionar uma música no iTunes. A experiência tem valor tangível. Esta será a verdade dos livros também.

E como está a Electric Publisher? Você tem recebido muitos pedidos?

Nós usamos o modelo do nosso aplicativo para iPhone para fazer aplicativos para The Adderall Diaries, de Stephen Elliott, Human Rights Watch e Melville House Press, mas nós colocamos esse projeto de lado para nos concentrar em outra iniciativa de narração digital chamada Broadcastr, que já está disponível no iPhone e nos Androids. Ele permite a pessoas do mundo inteiro contar histórias com suas vozes e, em seguida, colocar essas histórias no lugar do mapa onde a história aconteceu. Os ouvintes podem então andar pelo mundo ouvindo histórias sobre o que os cerca, como um passeio por tudo.

Quais são seus planos para os próximos dois anos da Electric Literature?

A Electric Literature vai continuar publicando boa ficção, isso sempre será uma verdade. Mas também estamos trabalhando em muitos projetos de grande conceito, incluindo algo muito extravagante com Ann Carson. Mal posso esperar para contar mais detalhes.



*imagens: divulgação/Scott Lindenbaum.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

LADO7 NA ERA DIGITAL

A editora 7Letras que já edita livros e revistas desde 1990 deu o pontapé inicial para que as revistas de literatura brasileiras entrem na era digital. Ontem foi o lançamento da revista LADO7, uma revista de literatura que vai ter uma versão impressa e outra digital. A ideia é usar os recursos disponíveis nas novas mídias (áudio, vídeo, animações, links, hiperlinks etc.) para experimentar outros formatos literários dentro das possibilidades que o universo digital oferece.

Evidentemente, a nossa literatura já esta estabelecida na internet faz tempo (espalhada pelos blogs e redes sociais). Também existem muitos fanzines, jornais e revistas literárias com versões totalmente feitas para a rede mundial - é o caso do fanzine que edito, por exemplo. Mas, pensando especificamente na Lado7, o negócio tende a ir aos seus limites.

De acordo com a editora, o número #1 da revista tem:

"poemas visuais de Alexandre Dacosta, contos de André Sant’Anna, Carlos Henrique Schoroder, Raïssa de Góes e Sonia Coutinho, poemas de Afonso Henriques Neto, Ana Guadalupe, Charles Peixoto, Ismar Tirelli Neto, Marília Garcia, Victor Heringer e Walt Whitman, dramaturgia de Valère Novarina e Paloma Vidal, quadrinhos de Pedro Franz, ensaio de Sérgio Bruno Martins e arte de Maria Laet".
A tarefa é ambiciosa, deve demandar muito trabalho, mas não deixa de causar entusiasmo. Afinal, está mais do que na hora da nossa literatura experimentar esses novos formatos. Experiência a 7Letras tem de sobra com anos de publicação da revista Ficções - inteiramente dedicada à prosa de ficção. Resta só acertar a mão com os novos meios e não perder o foco com o deslumbramento tecnológico.

A inspiração deve ter vindo da revista norte-americana, Electric Literature - postei alguns vídeos aqui e também comentei aqui. Os editores Andy Hunter e Scott Lindenbaum investem em boas histórias de ficção e vídeos bem criativos. Depois de pronta, a revista ganha distribuição impressa e digital em diversos meios: iPad, iPhone, Kindle, e-readers, celulares etc. Não sei o quanto funciona em termos lucrativos, mas a revista tem bastante prestígio, reconhecimento da crítica e ganhou alguns prêmios.

Tomara que a revista Lado7 floresça e renda bons frutos.



*imagem: reprodução / video: Electric Literature.
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

NO MAIS, UM LIVRO LONGO PODE SALVAR SUA VIDA

O vídeo abaixo foi feito no ano passado pelo pessoal da revista Electric Literatura e já circulou muito pela internet. No entanto, achei legal voltar a ele por causa do artigo de Garth Risk Hallberg que está no fanzine - no vídeo aparecem vários livros mencionados no artigo. O pessoal da revista fez uma brincadeira, meio arriscada eu diria, usando livros longos. Segundo a teoria um livro desses pode salvar sua vida. Melhor mesmo é não pagar para ver, né?


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domingo, 20 de junho de 2010

VÍDEO DE JENNY OFFILL PARA A ELECTRIC LITERATURE

Mais um vídeo incrível produzido pelo pessoal da Electric Literature - as coisas que eles fazem são realmente bem profissionais, eu acho. Tem um caráter provocativo ao tornar a literatura um meio eletrônico. Mas vejo como algo estimulante para as futuras gerações. De repente, um meio pode acabar complementando o outro. Por que não? O vídeo se chama The Tunnel, de Jenny Offill.


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terça-feira, 15 de junho de 2010

O FUTURO DAS REVISTAS LITERÁRIAS: ELECTRIC LITERATURE

Andy Hunter e Scott Lidenbaum, dois editores americanos, ouvem das pessoas o tempo todo que a literatura de ficção está condenada ao fim. Sobretudo num mundo em que a internet e os novos meios de comunicação estão transformando a maneira de publicar livros, jornais e revistas. Cansados de ouvir tanta reclamação, ao invés de declararem a morta da ficção eles pensaram o seguinte:

"[vamos] selecionar histórias fortes que capturem os nossos leitores e os levem em algum lugar excitante, inesperado e significativo. Publicar em todos os lugares, de todas as maneiras: papel, Kindles, iPhones, livros eletrônicos e audiobooks. Tornar isso mais barato e acessível. Simplificar: apenas cinco grandes histórias em cada edição. Ser divertido, sem sacrificar a profundidade. Em suma, criar aquilo que nós desejamos". (tradução minha)

Unindo a literatura com a tecnologia que nos cerca eles criaram a revista Electric Literature. O modelo é bacana: eles publicam a versão impressa da revista apenas por demanda (ou seja, só imprimem uma edição quando existe algum pedido de compra); e existe ainda uma versão digital para eBook, Kindle, iPhone e áudio. Como a versão digital não precisa de impressão o custo gráfico é reduzido. Com isso eles preferem investir dinheiro em novos autores e pagá-los muito bem. A versão digital (e mesmo a impressa) chega no mundo todo e estará sempre disponível para quem quiser adquirí-la.

O formato ainda é novo e arriscado. Tanto pode se tornar um sucesso pelo número de leitores e retorno financeiro; quanto um fracasso não tendo nem leitores e nem dinheiro. Mas para os dois é a literatura que importa e não meio em que ela é distribuida. Por isso mesmo pagam por histórias muito bem selecionadas, capricham nas edições de "vídeos literários" (histórias de ficção em formato de vídeo), investem em textos de qualidade no twitter, disponibilizam a versão digital para o iPad com aplicativos, estão no Facebook e até nos celulares.

Sucesso de crítica, os dois editores já tem. Se vai dar certo ou não só o tempo poderá dizer. Pelo menos eles estão arriscando e fazendo alguma coisa inovadora e interessante.

Abaixo um dos "vídeos literários" que integram a coleção da revista:



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