Mostrando postagens com marcador revista cult. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador revista cult. Mostrar todas as postagens

sábado, 11 de junho de 2011

CRÍTICA E LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Não sei se as pessoas ainda estão interessadas em ler sobre aquela polêmica em torno da crítica e da literatura brasileira contemporânea. No entanto, aproveito o texto de Wilson Alves-Bezerra no Prosa & Verso - Ainda sobre a literatura brasileira contemporânea - para postar dois vídeos do 3° Congresso Internacional de Jornalismo Cultural que aconteceu no mês passado. Os debates são interessantes por misturar quem faz e quem crítica literatura.

O primeiro debate pergunta "Qual o papel da crítica literária hoje: seus equívocos e seus acertos" com discussão de Rubens Figueiredo, Alcir Pécora e Daniel Piza. O segundo tem como tema a pergunta "O que quer e o que pode a literatura brasileira hoje? Ela tem autonomia estética e influência social?" com Fabio de Souza Andrade, Noemi Jaffe, Rodrigo Lacerda e mediação de Raquel Cozer.





*Vídeos: reprodução youtube.
Share/Save/Bookmark

sábado, 11 de setembro de 2010

OS SUPLEMENTOS LITERÁRIOS: JORNAL x INTERNET


Não é à toa que essa notícia do Wall Street Journal lançar um suplemento sobre livros vem sendo saudada com entusiasmo. É um fato que nos Estados Unidos a crítica literária deixou de ser assunto dos jornais impressos e migrou para a internet. Sendo assim, a iniciativa do jornal brilha em meio a escuridão e as incertezas sobre o futuro que se aproxima.

Afinal, me diga quem de nós não ficaria contente em ter um suplemento literário desses na mão? Só o tempo poderá dizer se a decisão foi certa ou errada.

Aqui no Brasil, o Sabático e o Prosa & Verso são os único suplementos que temos desse tipo no meio impresso - o primeiro é do Estadão e o segundo do Globo. A Folha de SP por meio da Ilustrada e Ilustríssima também comenta bastante sobre livros, mas não tem um suplemento específico. Das revistas apenas as mensais Bravo! e Cult dedicam páginas ao assunto livros. As semanais Época e Veja falam muito pouco. A Piauí em algumas edições também trata do assunto.

Porém, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos e no restante do mundo, é na internet que está o terreno fértil para a cobertura de notícias sobre livros e mercado editorial. A quantidade de blogs, revistas e fanzines online é imensa - muito mais nos Estados Unidos do que por aqui. Isso sem mencionar a velocidade com que as informações circulam nesses meios. Qualquer um que quer saber sobre literatura, sem dúvida, recorre a internet.

Como bem apontou Sérgio Rodrigues há uma "floresta de interrogações" quando o assunto é suplemento literário impresso: "Precisaremos mesmo deles no ambiente de descentralização da crítica e da informação que vem sendo construído pela blogosfera? Seria essa descentralização um retrocesso ao nível da conversa de botequim? Ou uma libertação do jugo de autoridades críticas autoproclamadas, mas pouco representativas?".

O editor da Paris Review, Lorin Stein, comentou num artigo que parte do arquivo da revista estará na internet. Outras renomadas revistas literárias também estão disponibilizando seu acervo na rede.

Acho que por enquanto nessa disputa a internet definitivamente está com o placar na frente.

*imagem: reprodução do Google.

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 17 de maio de 2010

LITERATURA E CRÍTICA EM CRISE?


Flora Süssekind, crítica literária, escreveu no final do mês de Abril um texto para o caderno Prosa&Verso do jornal O Globo. O texto se chamava A crítica como papel de bala. Seu mote principal era demonstrar o conservadorismo e a falta de relevância que reina na crítica literária atual do Brasil.

Num momento furioso, ela diz do crítico:

"retorno às figuras todo-poderosas do especialista monotemático, do agenciador com capacidade de trânsito inter-institucional e do colecionador de miudezas, às interlocuções preferencialmente de baixa densidade dos minicursos e palestras-espetáculo, do universo das regras técnicas e das normas genéricas e subgenéricas, fixadas acriticamente em oficinas de adestramento, à glamorização midiática de instituições autocomplacentes como a Academia Brasileira de Letras e correlatas, a formas variadas de culto a personalidades literárias, em geral mortas (e Clarice Lispector, Leminski, Ana Cristina Cesar têm sido objeto preferencial de dramaturgias miméticas, curadorias acríticas, ficções e comentários “à maneira de”), mas também em vida veem-se autores, mal lançados em livro, se converterem em máscaras que, com frequência, os aprisionam em marcas registradas mercadológicas de difícil descarte".
De fato, nós temos de admitir que a crítica literária feita por aqui realmente não está na sua melhor fase. De maneira simples o que a gente vive é uma dicotomia entre pessoas da acadêmia e o grande público - que aparentemente está por fora.

Os cadernos que tratam de literatura nos jornais e nas revistas - e falam para o grande público - parecem não ter a mesma relevância que tinham antigamente. Muitas vezes os textos parecem muito quadrados e presos a fórmulas. Faltam resenhas melhor elaboradas que promovam a reflexão em quem lê. Também falta sair do lugar comum e estimular os leitores a buscarem algo que seja novo e diferente. A impressão é de que a literatura interessante não está nos jornais e revistas.

Por outro lado, as publicações acadêmicas parecem muito fechadas em si mesmas - portanto, falam para um público mais específico. A academia está mais interessada em autores que promovem experimentação de linguagem, etc. E isso, felizmente ou infelizmente, nunca terá um alcance maior. Quando essa circulação não acontece, existe o mesmo problema de repetição de temas e falta de críticas mais profundas. O escritor Sérgio Rodrigues, em resposta ao texto de Flora, sintetizou bem um dos problema da acadêmia:

"[a] crítica passou a valorizar dois novos modelos textuais para a literatura
contemporânea, ambos virginais. De um lado, em rendição incondicional à
antropologia, o das “vozes” dos despossuídos literários: mulheres, negros, gays,
favelados. Do outro, pelo qual parece se inclinar Süssekind, o da “transgressão”
que “rompe com tudo o que está aí”, em geral sem ter lido uma fração minimamente
aceitável de “tudo o que está aí” – e aqui a rendição do crítico se dá frente ao
mito de corte religioso da pureza refundadora. Escrever “mal”, ser incapaz de
construir um personagem, reinventar a pólvora modernista, aborrecer o leitor
desavisado, tudo isso é considerado preferível a ser mais um a perpetuar aquele
jogo ideológico chamado literatura".
Evidentemente o problema com a crítica literária vai bem mais além do que esses dois campos de força. A crise parece acontecer em todos os setores da crítica cultural nos dias de hoje. Veja por exemplo a fala comum das pessoas: "quem lê os críticos?". Muita gente torce o nariz para críticos de cinema, de teatro, de balé e até para críticos literários. Assim sendo é fácil pensar: a crítica ainda é relevante? Para quem?

Tudo isso resulta num outro grande desafio sem fim, anterior a crítica, que é a educação no Brasil. Exemplos não faltam: má formação de professores, desinteresse de alunos pelo conhecimento acadêmico, universidades em ruínas e tudo o mais que a gente pode lembrar.

No Congresso de Jornalismo Cultural, orgazinado pela revista CULT, alguns debatedores apontaram a possibilidade da internet ser o meio termo entre a crítica dos jornais/revistas e a crítica acadêmica. Tudo porque aparentemente a internet é um espaço livre. Quem escreve não tem o compromisso de vender e agradar. Sobretudo num tempo em que as mídias impressas estão ficando cada vez mais enxutas. Mas quem vai puxar primeiro a sardinha para sua brasa?

Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 3 de maio de 2010

FICÇÃO CONTEMPORÂNEA POR Karl Erik Schøllhammer


Vale a pena ler: Karl Erik Schøllhammer em entrevista a revista CULT sobre seu livro Ficção brasileira contemporânea.

capa do livro: divulgação
Share/Save/Bookmark