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segunda-feira, 18 de julho de 2011

LITERATURA E DESENHO

Li outro dia no caderno Babelia (do jornal El País) uma notícia a respeito da paixão de Franz Kafka por desenhos. Parece que tudo começou quando Kafka ainda era um estudante universitário. Ele tinha o habito de fazer desenhos nas margens dos cadernos e manuscritos. É um pouco difícil, para não dizer impossível, não observar certas similaridades entre os desenhos e a obra literária dele: o traço duro, certa "estranheza" das formas, desespero, angústia etc. (estou tomando algumas liberdades de interpretação). Essa face não tão conhecida do escritor mais importante do século passado ganhou as páginas de um livro que está saindo na Espanha pela editora Sexto Piso - Dibujos.

Kafka não está sozinho. A reportagem do Babelia relembra que escritores como Goethe, Victor Hugo, William Blake, Lewis Carroll, García Lorca, Dino Buzzati e Bruno Schulz também faziam desenhos.

Na semana passada, descobri que mais uma escritora vai se juntar a essa galeria. A editora americana Fantagraphics Books vai publicar em dezembro alguns cartuns criados pela escritora Flannery O'Connor. A maioria foi feita na época em que ela estava no colegial e os assuntos giram em torno desse universo.

Mais desenhos dela estão aqui.

*imagens: reprodução.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

É O MUNDO LITERÁRIO FEMININO

Que me perdoem os rapazes leitores desse blog, mas há uma discussão urgente em torno do feminino abalando os pilares literários. E o negócio está ficando sério demais para ser simplesmente deixado de lado.

Olha para trás, parece que tudo começou com a exposição New Publications da artista plástica Daniela Comani numa galeria de arte em Los Angeles. A fim de criticar a ausência feminina no cânone literário ocidental, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura ocidental e mudou o gênero de seus títulos - de masculino para feminino e vice-versa.

Logo depois, em tom de celebração a questão feminina, a revista Granta lançou uma edição com o tema "The F Word" ("A palavra F", em tradução literal) mostrando como o feminismo continua tentando romper o poderoso domínio masculino no mundo. Na autoria dos textos mulheres (e somente mulheres) de diversas partes do mundo olhando para a questão feminina. Entre elas Lydia Davis, A.S. Byatt e Téa Obreht num texto de introdução a um ensaio fotográfico de Clarisse d’Arcimoles. Se não estou enganado é a primeira vez que a revista se dedica ao tema. De quebra o site da Granta disponibiliza mais conteúdos: um podcast entre Sigrid Rausing, editora da revista, e duas escritoras, Rachel Cusk e Taiye Selasi; um post sobre as "bíblias do feminismo" no mundo com direito a discussão no twitter protagonizado pelos leitores (leitoras!) dizendo quais são suas "bíblias" particulares; tem ainda o prefácio de Helen Dunmore para uma nova edição do romance Rumo ao farol, de Virgína Woolf que está saindo na Inglaterra - ninguém melhor do Woolf para corroar esse tema.

Curiosamente, a revista Esquire (publicação voltada ao público masculino) divulgou em seu site uma lista com 75 livros que todos os homens deveriam ler. Nenhuma novidade, listas surgem a toda momento e escolhem os temas mais diversos. A seleção inclusive tem um mérito particular por incluir medalhões da literatura: Dostoiévski, Tolstói, John Le Carré, Raymond Carver, Jorge Luís Borges, John Steibeck, Cormac McCarthy, James Joyce, Philip Roth, John Updike, Ernest Hemingway, William Faulkner, Saul Bellow, Charles Bukowski, Joseph Conrad, F. Scott Fitzgerald, Salman Rushdie, Kingsley Amis, Vladimir Nabokov, Don DeLillo e tantos outros. Porém, o que poderia ser uma lista à toa causou uma grande indignação feminina por citar apenas uma única escritora: Flannery O'Connor. Como em tempos de internet todas as notícias se espalham com facilidade não faltaram manifestações nas redes sociais contrárias a Esquire. A revista Joyland, por exemplo, fez uma lista com 250 livros escritos por mulheres que todos os homens deveriam ler. Pode ser que a revista não tenha feito de propósito, vai saber.

Em outro momento, o Book Bench da New Yorker, sem querer, também tocou no assunto literatura feminina. Elizabeth Minkel escreveu um post - Bad Romance? - comentando uma pesquisa sobre os danos que os romances podem causar as mulheres (víciam, por exemplo). Ela até toca na polêmica envolvendo a escritora Jennifer Egan, recém-ganhadora do prêmio Pulitzer. Numa entrevista ao Wall Street Journal, Egan falou contra o gênero Chick-Lit.

O caso V.S. Naipaul
Para encerrar o assunto, essa semana V.S. Naipaul, escritor renomado e ganhador do prêmio Nobel, atacou a literatura feita por mulheres. Segundo reportagem do Guardian, quando perguntado se poderia haver alguma escritora que se igualasse a ele a resposta foi "eu acho que não". Ele citou Jane Austen dizendo "não posso compartilhar suas ambições sentimentais" e ainda disse "eu leio um texto e em um ou dois parágrafos consigo saber se foi escrito por uma mulher ou não". O jornal lembra que Naipaul sempre diz coisas que ganham repercussão citando a desavença entre ele e Paul Theroux que foi dissipada nessa mesma semana.

Em forma de brincadeira, o Guardian criou um jogo em que os leitores são convidados a descobrir se o trecho foi escrito por um homem ou uma mulher. Seria muito engraçado ver o desempenho de Naipaul. Será que ele teria mais acertos do que erros?

No Brasil
Entre nós, brasileiros, a literatura feita por mulheres também sofre do mesmo mal. Quem quiser entender mais sobre o assunto pode recorrer ao artigo Feminismo e literatura no Brasil, de Constância Lima Duarte que foi publicado pela revista Estudos Avançados. Tem também o clássico livro A literatura feminina no Brasil contemporâneo, de Nelly Novaes Coelho.

À guisa de conclusão listo algumas escritoras brasileiras que todos os homens deveriam ler: Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Marina Colassanti, Hilda Hilst, Carola Saavedra, Verônica Stigger, Andréa Del Fuego, Cecília Giannetti, Tatiana Salem Levy, Carol Bensimon, Lívia Sganzerla Jappe e Vanessa Bárbara.

Alguém sugere mais alguma?

*imagens: reprodução.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

NOTAS #3


As vedetes de Frankfurt
A Feira do Livro de Frankfurt que começou na terça-feira já tem seus romances mais concorridos para negociações - a maioria está nas mãos da agência de Andrew Wylie. Um deles é "State of England: Lionel Asbo, Lotto Lout", o novo romance do britânico Martin Amis. Segundo dizem esse romance tem como protagonista um anti-herói muito feroz. Outros títulos de destaque são: "A Strangeness in My Mind", de Orhan Pamuk que conta a história de um vendedor de rua em Istambul; "Object", de David Bowie; e "Classmates of Anne Frank".

*

Muitos editores estrangeiros estão acompanhando com bastante interesse a participação do Brasil na Feira. Porém, segundo apurou a Folha de SP, o maior problema encontrado por estrangeiros é a falta de informações objetivas sobre o funcionamento do mercado editorial brasileiro.

Gabon continua na ativa
O escritor Gabriel García Máquez está lançando um novo livro essa semana, "Yo no vengo a decir un discurso". O livro reúne 22 discursos escritos por ele. Segundo boatos que circularam no ano passado, o escritor colombiano e ganhador do prêmio Nobel de 1982 iria parar de escrever. Na época Márquez desmentiu os boatos dizendo que esse é o seu maior ofício. Seu último livro do gênero foi "Memória de minhas putas tristes", de 2004.

A bruxa está solta
A temporada de Jonathan Franzen na Inglaterra não está sendo das melhores. Franzen constatou que a edição inglesa de "Freedom" não é a versão final escrita por ele. Os editores publicaram uma versão anterior e tiveram de fazer um "recall" para que os leitores trocassem o livro pela versão correta. Para piorar a situação, Franzen teve os seus óculos foram roubados numa festa e os ladrões ainda estavam exigindo $ 100.000 como resgate. A polícia conseguiu prender os ladrões e os óculos foram entregues ao dono. Vamos torcer para que Franzen consiga voltar inteiro para os Estados Unidos.

Ao mestre com carinho
Curiosamente o escritor Henry James, um dos maiores nomes da literatura inglesa, está servindo como fonte de inspiração para novos autores. Desde 2002 cerca de dez livros já foram publicados tendo o escritor como personagem principal. Dois exemplos dessa série de livros são: "O mestre", de Colm Tóibín publicado no Brasil pela Companhia das Letras e "Author, Author", de David Lodge ainda sem tradução para o português.

Clube de leitura
A editora Companhia das Letras está organizando uma nova rodada de seu clube de leitura Penguin-Companhia das Letras. Os próximos livros que serão discutidos são "Por que ler os clássicos", de Italo Calvino e "Pelos olhos de Maisie", de Henry James. As vagas para o clube de leitura são limitadas. Mais informações e inscrições pode ser obtidas através do e-mail: clubedeleitura@penguincompanhia.com.br

Memórias
Um vídeo curioso com animais andando em reverso mostra uma menina chamada "Mary O'Connor" segurando uma galinha. Na realidade a menino do vídeo é a escritora norte-americana Flannery O'Connor com apenas 5 anos de idade. O vídeo pode ser visto em... http://tinyurl.com/37kloqc

*imagem: Peter Hirth / Frankfurt Book Fair.
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