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quinta-feira, 9 de junho de 2011

TÉA OBREHT FATURA O ORANGE PRIZE

Na segunda-feira, enquanto todo mundo ainda estava espantado com as declarações de V.S. Naipaul sobre a literatura feminina, a organização do Orange Prize for Fiction anunciava os romances finalistas da edição desse ano. O modelo desse prêmio é bem parecido com o Man Booker Prize: um corpo de jurados escolhe vinte romances que vão compor uma "lista longa", depois uma "lista curta" e um vencedor. Porém, um detalhe importante diferencia os dois prêmios: o Orange Prize for Fiction foi criado para promover e premiar apenas romances escritos por mulheres. Portanto, entre o júri e as concorrentes somente o sexo feminino - uma curiosidade: Liz Calder, presidente da FLIP e diretora das editoras Bloomsbury Publishing e Full Circle Editions, é membro do júri nesse ano.

A ganhadora foi anunciada hoje à noite em Londres, com direito a cobertura pela internet - como não podia deixar de ser. Faturou o romance The tiger's wife, de Téa Obreht. Embora seja considerada uma autora estreante, Téa já publicou contos na New Yorker, The Atlantic, Harper's e no Guardian - ela ainda figurou no ano passado na famosa lista da New Yorker dos 20 escritores com menos de 40 anos. Não surpreende o fato de ter sido a mais jovem ganhadora do prêmio até agora, Téa tem apenas 25 anos. Admiradora confessa dos escritores T. Coraghessan Boyle, Toni Morrison e Gabriel García Márquez, ela já está escrevendo seu segundo romance.

The tiger's wife levou três anos para ser concluído e foi lançado em março desse ano. Foi um romance aguardado com muita expectativa e bastante comentado antes mesmo de chegar as livrarias. O livro de Téa Obreht disputou com Quarto, de Emma Donoghue (que acabou de sair aqui pela Verus editora), Great house, de Nicole Krauss (que vai ser publicado ano que vem pela Companhia das Letras), The memory of love, de Aminatta Forna e Annabel, de Kathleen Winter.

Agora, voltando ao começo, basta uma olhada rápida na "lista longa" do prêmio para notar a enorme diversidade de formatos e temas que vinte mulheres diferentes adotam. Sem dizer que o prêmio está completando dezesseis anos e conquistou a devida atenção e respeito de público e crítica. O que será que V.S. Naipaul teria a dizer sobre isso?

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*Atualização: Lá em cima a gente tem a capa da edição americana do livro escrito por Tea Obreht e aqui a capa da edição que deve sair no Brasil mês que vem. The tiger's wife será publicado pela editora Leya com o título de A noiva do tigre. A tradução foi feita pelo escritor Santiago Nazarian.



*imagem: reprodução.
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

É O MUNDO LITERÁRIO FEMININO

Que me perdoem os rapazes leitores desse blog, mas há uma discussão urgente em torno do feminino abalando os pilares literários. E o negócio está ficando sério demais para ser simplesmente deixado de lado.

Olha para trás, parece que tudo começou com a exposição New Publications da artista plástica Daniela Comani numa galeria de arte em Los Angeles. A fim de criticar a ausência feminina no cânone literário ocidental, a artista escolheu cinquenta e dois clássicos da literatura ocidental e mudou o gênero de seus títulos - de masculino para feminino e vice-versa.

Logo depois, em tom de celebração a questão feminina, a revista Granta lançou uma edição com o tema "The F Word" ("A palavra F", em tradução literal) mostrando como o feminismo continua tentando romper o poderoso domínio masculino no mundo. Na autoria dos textos mulheres (e somente mulheres) de diversas partes do mundo olhando para a questão feminina. Entre elas Lydia Davis, A.S. Byatt e Téa Obreht num texto de introdução a um ensaio fotográfico de Clarisse d’Arcimoles. Se não estou enganado é a primeira vez que a revista se dedica ao tema. De quebra o site da Granta disponibiliza mais conteúdos: um podcast entre Sigrid Rausing, editora da revista, e duas escritoras, Rachel Cusk e Taiye Selasi; um post sobre as "bíblias do feminismo" no mundo com direito a discussão no twitter protagonizado pelos leitores (leitoras!) dizendo quais são suas "bíblias" particulares; tem ainda o prefácio de Helen Dunmore para uma nova edição do romance Rumo ao farol, de Virgína Woolf que está saindo na Inglaterra - ninguém melhor do Woolf para corroar esse tema.

Curiosamente, a revista Esquire (publicação voltada ao público masculino) divulgou em seu site uma lista com 75 livros que todos os homens deveriam ler. Nenhuma novidade, listas surgem a toda momento e escolhem os temas mais diversos. A seleção inclusive tem um mérito particular por incluir medalhões da literatura: Dostoiévski, Tolstói, John Le Carré, Raymond Carver, Jorge Luís Borges, John Steibeck, Cormac McCarthy, James Joyce, Philip Roth, John Updike, Ernest Hemingway, William Faulkner, Saul Bellow, Charles Bukowski, Joseph Conrad, F. Scott Fitzgerald, Salman Rushdie, Kingsley Amis, Vladimir Nabokov, Don DeLillo e tantos outros. Porém, o que poderia ser uma lista à toa causou uma grande indignação feminina por citar apenas uma única escritora: Flannery O'Connor. Como em tempos de internet todas as notícias se espalham com facilidade não faltaram manifestações nas redes sociais contrárias a Esquire. A revista Joyland, por exemplo, fez uma lista com 250 livros escritos por mulheres que todos os homens deveriam ler. Pode ser que a revista não tenha feito de propósito, vai saber.

Em outro momento, o Book Bench da New Yorker, sem querer, também tocou no assunto literatura feminina. Elizabeth Minkel escreveu um post - Bad Romance? - comentando uma pesquisa sobre os danos que os romances podem causar as mulheres (víciam, por exemplo). Ela até toca na polêmica envolvendo a escritora Jennifer Egan, recém-ganhadora do prêmio Pulitzer. Numa entrevista ao Wall Street Journal, Egan falou contra o gênero Chick-Lit.

O caso V.S. Naipaul
Para encerrar o assunto, essa semana V.S. Naipaul, escritor renomado e ganhador do prêmio Nobel, atacou a literatura feita por mulheres. Segundo reportagem do Guardian, quando perguntado se poderia haver alguma escritora que se igualasse a ele a resposta foi "eu acho que não". Ele citou Jane Austen dizendo "não posso compartilhar suas ambições sentimentais" e ainda disse "eu leio um texto e em um ou dois parágrafos consigo saber se foi escrito por uma mulher ou não". O jornal lembra que Naipaul sempre diz coisas que ganham repercussão citando a desavença entre ele e Paul Theroux que foi dissipada nessa mesma semana.

Em forma de brincadeira, o Guardian criou um jogo em que os leitores são convidados a descobrir se o trecho foi escrito por um homem ou uma mulher. Seria muito engraçado ver o desempenho de Naipaul. Será que ele teria mais acertos do que erros?

No Brasil
Entre nós, brasileiros, a literatura feita por mulheres também sofre do mesmo mal. Quem quiser entender mais sobre o assunto pode recorrer ao artigo Feminismo e literatura no Brasil, de Constância Lima Duarte que foi publicado pela revista Estudos Avançados. Tem também o clássico livro A literatura feminina no Brasil contemporâneo, de Nelly Novaes Coelho.

À guisa de conclusão listo algumas escritoras brasileiras que todos os homens deveriam ler: Rachel de Queiroz, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Marina Colassanti, Hilda Hilst, Carola Saavedra, Verônica Stigger, Andréa Del Fuego, Cecília Giannetti, Tatiana Salem Levy, Carol Bensimon, Lívia Sganzerla Jappe e Vanessa Bárbara.

Alguém sugere mais alguma?

*imagens: reprodução.

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

NOTAS #25



Lolita na web
Um vídeo raro mostra Vladimir Nabokov comentando a capa de diferentes edições estrangeiras de seu romance Lolita. O vídeo acima é apenas uma parte de um programa chamado “USA: The Novel”. Além de comentar as capas, o escritor lê um trecho do mesmo livro e ainda fala sobre diversos outros assuntos. O programa na íntegra está disponível em http://tinyurl.com/3fc9h8q

Ficção eletrônica
O jornalista e escritor Luís Henrique Pellanda está com um projeto muito bacana: levar a literatura aos domínios eletrônicos. A idéia é integrar música com leitura de textos e disponibilizar o material no site http://eletroficcao.wordpress.com . O teaser de lançamento é eletrizante. Já tem bastante coisa no site.

A voz da sabedoria
Como diz aquele velho ditado: "se conselho fosse bom ninguém dava, vendia". No entanto, quando o conselho vem de alguém como V.S. Naipaul é mais prudente ficar bem atento. O escritor britânico nascido em Trinidad e Tobago tem sete conselhos para escritores iniciantes: não escreva frases longas; cada frase deve fazer uma afirmação clara; não use palavras muito grandes; nunca use palavras cujo significado você não tem certeza; os iniciantes devem evitar o uso de adjetivos, exceto os de cor, tamanho e número; evite o abstrato; todo dia, durante pelo menos seis meses, pratique a escrita desta maneira: palavras pequenas, curtas e claras, frases concretas.

Listas 1
Está na hora de matar a saudade das listas do Flavorwire. Dessa vez, o site preparou uma lista com dez escritores japoneses que você precisa conhecer. Entre eles há escritores já bastante conhecidos por aqui como Kenzaburo Oe e Haruki Murakami; escritores sendo descobertos como Ryu Murakami; e escritores pouco divulgados como Shintaro Ishihara e Natsuo Kirino. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/3g6aynv

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Outra lista interessante do mesmo Flavorwire: as dez melhores entrevistas da revista Paris Review. Reproduzo aquia lista: Jonathan Franzen, Vladimir Nabokov, Marilynne Robinson, Michel Houellebecq, William Faulkner, Kurt Vonnegut, Ralph Ellison, Jorge Luis Borges, Toni Morrison e Joan Didion. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/5tkf2yz

Listas 2
O escritor Edward Docx fez uma lista para o Guardian com os dez personagens mais dementes da história da literatura. A lista foi encabeçada por Don Quixote, personagem de Miguel de Cervantes. Outros citados são: Mickey Sabbath, personagem de Philip Roth; Gregor Samsa, do livro de Franz Kafka; Charles Kinbote, de Fogo pálido - Vladimir Nabokov; Alex, do livro Laranja mecânica - Anthony Burgess. Claro que não poderia faltar o Hamlet do Shakespeare. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/42jx5kg

Vila-Matas em São Paulo
O escritor espanhol Enrique Vila-Matas está com as malas prontas para visitar o Brasil. Ele vem a São Paulo para participar de dois eventos: palestra no III Congresso Internacional de Jornalismo Cultural no dia 17 de maio; e evento de lançamento do livro Dublinesca no Instituto Cervantes no dia 18 de maio. O evento contará com uma palestra e sessão de autógrafos. O jornal Rascunho publicou um trecho inédito do romance Dublinesca disponível em http://tinyurl.com/4ywprzf
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