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quarta-feira, 18 de abril de 2012

NOTAS #36


Romance a caminho
Assim vai ser a capa do novo romance de Zadie Smith que chega às livrarias inglesas em setembro e vai se chamar NW. A história se passa em Caldwell, um conjunto habitacional localizado em Willesden na área noroeste de Londres - o NW do título vem de North West, nome em inglês dessa parte da cidade. Zadie Smith nasceu em Willesden, por isso conhece tão profundamente a história do lugar. Ela tinha explorado o mesmo bairro em Dentes brancos, seu romance de estréia lançado por aqui em 2003 pela Companhia das Letras. NW será o quarto romance de Zadie - quase sete anos depois de Sobre a beleza.

Trevas ilustradas
Muito gente deve ter ouvido falar de Matt Kish por causa de uma tarefa hérculea: fazer um desenho para cada página de Moby Dick, de Herman Melville (falei do cara aqui). O trabalho inteiro levou dois anos para ficar pronto e o resultado final foi tão bacana que ganhou uma versão em livro impresso. No mês passado, Kish anunciou que seu próximo trabalho será criar 100 ilustrações para uma nova edição do clássico Coração das trevas, de Joseph Conrad. O livro será lançado nos Estados Unidos pela editora Tin House em outubro de 2013.

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Os desenhos de Coração das trevas não serão publicados integralmente no blog de Kish - ao contrário do que aconteceu com o projeto Moby Dick. O autor promete divulgar mais ou menos 30 desenhos conforme o andamento do trabalho.

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Como aperitivo para os curiosos, Kish publicou duas ilustrações que devem integrar uma antologia bem bacana chamada The Graphic Canon - Volume 3 (com lançamento nos Estados Unidos previsto para o segundo semestre desse ano). O grande barato dessa antologia é fazer uma releitura em desenhos do canône literário desde século XIX até primeira década do século XXI. O volume 1 vai de Gilgamesh até Ligações perigosas; o volume 2 vai de Orgulho e preconceito até O médico e o monstro; e o volume 3 vai de Coração das trevas até Infinite Jest. Dica para alguma editora brasileira que esteja interessa em publicar ilustrações, quadrinhos etc.

Madrugadas literárias
Na quinta-feira acontece a inauguração do Espaço Cultural Walden - fica em SP na Praça da República, bem perto do cruzamento da São Luís com a Ipiranga. O lugar nasce com uma certa vocação literária com festas agendadas para abril tendo Dw Ribatski e Bumbo Caixa, seu projeto sonoro. Em maio, João Paulo Cuenca aparece para um after-party do lançamento de A última madrugada - seu livro de crônicas que sai mês que vem pela Leya. Vamos combinar que ninguém é de ferro e todo mundo que gosta de literatura também gosta de uma boa festa.

Barba e bigode
Um novo comportamento social está ressurgindo entre os homens: a barba e o bigode. Foi pensando nisso que o pessoal da Estamparia Literária criou uma linha de produtos inteiramente dedicada a essa tendência. Tem marcador de página, caderneta, bloco de notas e bolsa, todos inspirados em grandes autores da literatura universal. Tem William Faulkner, Eça de Queiroz, Aluísio Azevedo, Fernando Pessoa, Ezra Pound, Edgar Allan Poe, Marcel Proust e Gustave Flaubert.

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Quero fazer a minha contribuição e recomendar ao pessoal que faça uma lista inspirada nas barbas e nos bigodes dos clássicos russos Fiódor Dostoiévski, Liev Tolstoi e Anton Tchekhov. Ou então nos norte-americanos Kurt Vonnegut, Ernest Hemingway e Mark Twain. Quem sabe ainda nos escritores do Reino Unido James Joyce (aproveitem o Bloomsday em junho), Arthur Conan Doyle, George Orwell, Salman Rushdie, D.H. Lawrence e Joseph Conrad. Pode ter uma versão realismo mágico de Gabriel García Márquez ou fantástica à lá Julio Cortázar. Quem sabe uma linha totalmente nacional inspirada nas barbas e bigodes de Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado, Bernardo Guimarães, Manuel Antônio de Almeida, Raul Pompéia, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha.

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Alguém me soprou algumas sugestões de autores brasileiros contemporâneos: Daniel Galera, Paulo Scott, João Paulo Cuenca e Joca Reiners Terron, Michel Laub e Daniel Pellizzari.

Pós-modernos
Parodiando Drummond com todo o respeito: "E como ficou chato ser eterno. Agora serei pós-moderno". Uma lista de livros pós-modernos pintou outro dia no Flavorwire. Fiquei impressionado com a quantidade de ficção pós-moderna norte-americana que está passando ao largo das traduções em português. De dez livros, sete estão inéditos por aqui: The Recognitions, de William Gaddis (que acabou de ganhar uma nova edição nos Estados Unidos); Infinite Jest, de David Foster Wallace (vai sair pela Companhia das Letras, mas ainda não tem previsão); Sixty Stories, de Donald Barthelme (dele encontrei apenas um livro publicado no Brasil em 1975, Vida de cidade pela Artenova); House of Leaves, de Mark Z. Danielewski; Wittgenstein’s Mistress, de David Markson (dele a revista Serrote publicou um excerto de Isto não é um romance); Blood and Guts in High School, de Kathy Acker; e The Sot-Weed Factor, de John Barth (dele já saiu por aqui Ópera flutuante e Quimera com edições do Círculo do Livro).

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Entendo que apostar num autor pós-moderno pode ser um risco considerando o nosso mercado editorial (em expansão). Poderia existir uma editora de pequeno porte que pudesse criar uma identidade de autores desse estilo. Assim os livros poderiam ser trabalhos mais separadamente com baixas tiragem para atender um mercado bem pequeno, mas existente.

*Imagens: reprodução do Google.

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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

NOTAS #1

Joseph Conrad em Graphic Novel
A editora inglesa Self Made Hero está lançando uma graphic novel para Coração das trevas (imagem), de Joseph Conrad, ilustrado com desenhos feitos à lapis pela artista queniana Catherine Anyango. O texto foi adaptado por David Zane Mairowitz. Considerado a obra-prima de Conrad, esse romance narra a viagem de Marlowe pelas selvas africanas em busca de um comprador de marfim chamado Kurtz. A graphic novel ainda inclui trechos do diário do congo escrito por Joseph Conrad.

Criador e criatura
Em 1975, William Burroughs não só assistiu a um show do Led Zeppelin como também entrevistou Jimmy Page e escreveu um longo artigo sobre tudo o que viu. Aliás, muita gente atribui a Burroughs a invenção da palavra 'heavy metal' que teria aparecido pela primeira vez em seu romance, Almoço nu. O artigo entitulado "Rock Magic: Jimmy Page, Led Zeppelin, And a search for the elusive Stairway to Heaven" foi publicado numa revista underground, chamada Crawdaddy e reapareceu na internet. Embora tenha gostado do show, Burroughs ficou imensamente preocupado com os riscos de que algum acidente pudesse acontecer a qualquer momento. O artigo pode ser lido na integra em http://bit.ly/55ElJh

Troca de colunistas
A escritora Zadie Smith vai assinar a coluna "New Books" da revista americana Harper's. Ela vai ocupar o lugar de Benjamin Moser que continuará contribuindo com a revista. Além de ser uma escritora reconhecida internacionalmente, Smith já demonstrou seu poder crítico escrevendo ensaios de fôlego para revistas como The New York Review of Books, por exemplo. A primeira coluna assinada por ela deve ser publicada em Março do ano que vem.

Cartas de Oscar Wilde
Uma coleção de cartas escritas por Oscar Wilde vão a leilão na Inglaterra em 24 de Setembro próximo. A descoberta dessa correspondência está causando interesse em muita gente por causa de seu conteúdo. São cartas de Wilde endereçadas com bastante afeto a Alsager Vian, seu colega e editor da Society Magazines em 1887. As cartas foram escritas anos antes de Oscar Wilde ter sido condenado por atentado violento ao pudor e ter sido submetido a dois anos de trabalhos forçados.

A intimidade de Roland Barthes
O diário escrito por Roland Barthes em 1977, logo após a morte de sua mãe, será publicado pela editora Hill and Wang. Mourning diary conta com 330 anotações que mostram as reflexões subjetivas e o estado de tristeza em que o grande semiótico da cultura francesa se encontrava naquele momento. A revista New Yorker divulgou algumas imagens do diário em http://nyr.kr/ds6HZW

Uma tarefa nada fácil
O arco-íris da gravidade, cultuado romance de Thomas Pynchon, foi ilustrado pelo artista plástico Zak Smith. Usando muitas pinturas e fotos experimentais, ele conta que tentou traduzir literalmente os trechos do livro em imagens página por página. O resultado final do trabalho foi exposto no Whitney Museum em Nova York e faz parte do acervo permanente do Walker Art Center na cidade americana de Minneapolis. As ilustrações também estão disponíveis na internet em http://bit.ly/L1m9F

Paris Review na era da internet
O editor Lorin Stein está cumprindo a sua promessa de renovar a revista Paris Review. A edição de outono é o primeiro número sob seu comando e está recheada de ares franceses: Michel Houellebecq é um dos entrevistados e Lydia Davis escreveu um artigo sobre Flaubert. De olho na internet Stein também reformulou inteiramente o site da revista. Além do novo visual, o site conta com um blog diário e grande parte do conteúdo impresso está disponível - incluindo, por exemplo, a entrevista de E. M. Foster para a edição nº 1.

*Imagem: reprodução.
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