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terça-feira, 22 de maio de 2012

LIVRO COM TRILHA SONORA


Tem gente que desliga tudo quando vai ler um livro: rádio, TV, MP3 Player, computador, celular etc. É importante estar no mais absoluto silêncio para se concentrar, entender o que está lendo e aos poucos adentrar aquele universo. O menor barulho distraí. Da maneira como estou falando não consigo esconder que me enquadro nessa categoria, sobretudo quando vou ler romances mais elaborados - literariamente falando. Caretice ou não é uma maneira. Já para ler revista, jornal ou livrinhos mais "leves" nada me incomoda. Posso estar até no show do Sonic Youth ouvindo aquela longa versão de "Diamond Sea" sem nenhum problema.

No entanto, estou pensando seriamente em abrir uma exceção depois que vi a trilha sonora sugerida por Alejandro Zambra para
Bonsai (para quem não viu, a trilha saiu na revista sãopaulo - que acompanha a Folha de SP aos domingos). Só tem música boa. Vai do étnico ao pop, do calmo ao agitado e do alto a baixo.

"La Jardinera", Violeta Parra
"Penas", Sandro (na versão de Aterciopelados)
"Rubí", Babasónicos
"How Could I Be Such a Fool", Frank Zappa
"Wave of Mutilation", Pixies
"A Night in", Tindersticks
"El Rey y Yo", Los Ángeles Negros
"You Can't Always Get What You Want", The Rolling Stones
"Standing in the Doorway", Bob Dylan
"So Like Candy", Elvis Costello
"A Man Needs a Maid", Neil Young
"Pink Moon", Nick Drake
"My Sharona", The Kinks
"I Didn't Know What Time It Was", Ella Fitzgerald
"50 Ways to Leave Your Lover", Paul Simon
"Superficies de Placer", Virus

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Ainda não li Bonsai e nem preciso mentir que li, pois como adiantou a Raquel Cozer "dá para matar em uma hora e meia, se tanto" por conta das suas 96 páginas. Está na minha fila de leitura e estou pensando seriamente em passá-lo na frente de outros tantos que pretendo ler em algum momento. Zambra tem sido altamente recomendado por muita gente. Deve ser reflexo da FLIP, mas o nome dele já tinha aparecido naquela lista dos melhores jovens escritores em língua espanhola que saiu na Granta (essa edição também foi publicada aqui no Brasil no ano passado). Antes disso, em 2007, ele tinha sido eleito um dos 39 melhores escritores com menos de 39 anos. Ou seja, o chileno é mesmo um fenômeno. Prometo que eu volto ao assunto depois de ler Bonsai.
***

A visita do tempo cruel, de Jennifer Egan também pede uma trilha sonora. Não tinha como ser diferente considerando que as personagens principais estão diretamente envolvidas com música. Bennie Salazar teve uma banda na adolescência e depois tornou-se dono de uma gravadora. Muitas bandas dos anos 80 devem ter servido de inspiração para Egan. Para facilitar a vida, a Intrínseca montou uma trilha sonora bem legal:
"The Passenger", Iggy Pop
"Seventh World", ­The Sleepers
"Too Drunk to Fuck", Dead Kennedys
"Alive", Pearl Jam
"My Generation", The Who
"Search and Destroy", The Stooges
"Take Her Where the Boys Are", Eye Protection
"Kimberly", Patti Smith
"Ever", Flipper
"Six Pack", Black Flag
"I Just Want Some Skank", Circle Jerks
"No More Heroes", The Stranglers
"Media Control", The Nuns"Mercenaries", Negative Trend
"Frustration", Crime
"The American in Me", The Avengers
"Lexicon Devil", The Germs
"Heart of Glass", Blondie

***


Falando em Jennifer Egan, a Intrínseca promete para o mês que vem o lançamento de O torreão (tradução para The Keep, terceiro romance da autora que saiu nos Estados Unidos em 2006). A editora repetiu a decisão acertadíssima de chamar Rafael Coutinho para ilustrar a capa.

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Finalizando as trilhas sonoras, A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides tem na epígrafe um trecho de "Once in a lifetime", do Talking Heads. Sempre que eu ouço essa música me lembro do livro Menino de lugar nenhum, de David Mitchell quando o garoto Jason Taylor deixa de lado a vergonha, entra na pista de dança e avista a menina que ele está afim. Tem um trecho no tumblr.

Não dá para esquecer também trilha que Thomas Pynchon (ele mesmo) fez para Vício inerente.

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É, definitivamente a gente está bem de literatura e música.

*Imagem: Zambra/reprodução blog da Cosac Naify; as demais divulgação.

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

PARA ENTENDER THOMAS PYNCHON

"Um grito atravessa o céu .
Isso já aconteceu antes, mas nada que se compare com esta vez."
O arco-íris da gravidade.

“Agora, reduzir todo o cordame!”
“Ânimo... com jeito... muito bem! Preparar para zarpar!”
“Cidade dos Ventos, lá vamos nós!”
Contra o dia.



Acabou de sair pela Companhia das Letras Contra o dia, escrito por Thomas Pynchon em 2006. Fui até uma livraria conferir um exemplar de perto, afinal não existe e-book nenhum páreo para a experiência material de ter um livro como esse nas mãos. Ainda mais quando a gente se dá conta de que ele tem impressionantes 1088 páginas que pesam exatamente 141700 kg (não tive como pesar o exemplar na livraria, peguei a informação no site). É uma espécie de monolito (como aquele do filme 2001 - Uma odisséia no espaço) no meio das estantes. Não só pelo tamanho, mas pelo significado que ninguém consegue explicar por mais que se tente.

Nesse caso, cabe ao leitor se aventurar pelo árduo universo pynchoniano a fim de arrancar ou construir algum sentido. Para não atravessar sozinho esse deserto, preparei uma compilação com as resenhas de Contra o dia que eu consegui encontrar nas revitas e nos jornais - parece que nos blogs foi meio ignorado, apesar de Pynchon ter uma verdadeira legião de fãs na internet.

A nova conspiração de Pynchon - Revista Época
O que Groucho Marx tem a ver com Faroeste? - Revista Bravo! (resenha assinada por Antônio Xerxenesky - um fanático por Pynchon, sobretudo por Contra o dia)
Paródias Arquitetônicas - Estadão
Homem difícil - Folha de SP (via Conteúdo Livre)

Tem também uma nota na revista Veja - apenas disponível na edição digital no site.

***

Ainda não li Contra o dia porque ainda nem comprei (cof!). Perdi uma promoção de lançamento com desconto de 20%, fato que lamentei imensamente para o vendedor da livraria. Como ele não me deu o desconto e a promoção ainda não tem previsão de retorno, resolvi esperar.

Seja como for, sei do mito em torno de Thomas Pynchon e acho muito curioso que um dos mais importantes escritores norte-americanos do século XX seja ao mesmo tempo tão cultuado e tão impopular. Não é algo gratuito, existem algumas explicações para o fato: os livros são herméticos, tem muitas referências obscuras, enredos complexos e repletos de "exercícios" de linguagem. Há um Pynchon mais simples, claro! Como aponta Xerxenesky V. (1963), Vineland (1990) e Vício inerente (2009) são mais palatáveis - os dois primeiros estão esgotados e o último acabou de sair também pela Cia das Letras.

A tradução foi feita por Paulo Henriques Britto que, segundo li, manteve contato direto com Pynchon para sanar algumas eventuais dúvidas de tradução. Acho importante comentar isso porque Pynchon não é muito dado a aparições públicas, nunca concede entrevistas e vive escondido por Nova York. Guardadas as devidas proporções, é quase um Dalton Trevisan flanando por Curitiba.

Se bem que ele flerta com o universo pop. Dizem que dublou a si mesmo num episódio dos Simpsons e também dublou o trailer de Vício inerente.

***

Contra o dia parece que está páreo a páreo com O arco-íris da gravidade (em tamanho e em complexidade). Aliás, André de Leones e Xerxenesky organizaram um programa da Rádio Batura (IMS) comentando O arco-íris. O mesmo livro será analisado em agosto num curso ministrado por Ricardo Lísias só com romances longos. Quem ficou interessado em Pynchon e quer saber mais sobre o cara pode ficar de olho no programa e no curso.

Tem um trecho de Contra o dia disponível aqui.

*Imagem: divulgação.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A PLAYLIST DE THOMAS PYNCHON

Quem diria que Thomas Pynchon, o escritor mais cultuado e recluso do mundo, poderia algum dia atacar de "dj"? Pelo menos é o que está escrito na página de Vício Inerente no site da Amazon.com. Até onde sei essa notícia está rolando desde o ano passado, mas foi só agora que topei com ela. Na internet circulam outras playlists com até 300 faixas, vai saber.

A playlist "oficialmente" organizada por Mr. Pynchon tem 42 faixas e inclui Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Pink Floyd, Stan Getz & Astrud Gilberto e outras bandas mais. A seleção é tão boa que a gente poderia tranquilamente fazer uma festa inteira com ela. Alguém se anima a organizar?

Na página da Amazon tem o seguinte texto falando sobre a playlist:
Larry "Doc" Sportello é um detetive particular que vê o mundo através de uma névoa pegajosa de droga, animado pela música de uma época cujas marcas registradas eram paz, amor e revolução. Enquanto o estranho caso de Doc cresce estranhamente, sua trilha sonora dos anos 60 - que varia de surf, pop e rock psicodélico a instrumentais misteriosos - pega o ritmo. Ouça algumas das músicas que você vai escutar em Vício inerente - a playlist que se segue foi feito exclusivamente para Amazon.com, por cortesia de Thomas Pynchon.
As faixas são:

Bamboo - Johnny and the Hurricanes
Bang Bang - The Bonzo Dog Band
Bootleg Tape - Elephant's Memory
Can't Buy Me Love - The Beatles
Desafinado - Stan Getz & Astrud Gilberto, with Charlie Byrd
Elusive Butterfly - Bob Lind
Fly Me to the Moon - Frank Sinatra
Full Moon in Pisces - Lark
God Only Knows - The Beach Boys
The Greatest Hits of Tommy James and The Shondells

Happy Trails to You - Roy Rogers
Help Me, Rhonda - The Beach Boys
Here Come the Hodads - The Marketts
The Ice Caps - Tiny Tim
Interstellar Overdrive - Pink Floyd
It Never Entered My Mind - Andrea Marcovicci
Just the Lasagna (Semi-Bossa Nova) - Carmine & the Cal-Zones
Long Trip Out - Spotted Dick
Motion by the Ocean - The Boards
People Are Strange (When You're a Stranger) - The Doors
Pipeline - The Chantays
Quentin's Theme (Theme Song from "Dark Shadows") - Charles Randolph Grean Sounde
Rembetissa - Roza Eskenazi
Repossess Man - Droolin’ Floyd Womack
Skyful of Hearts - Larry "Doc" Sportello
Something Happened to Me Yesterday - The Rolling Stones
Something in the Air - Thunderclap Newman
Soul Gidget - Meatball Flag
Stranger in Love - The Spaniels
Sugar Sugar - The Archies
Super Market - Fapardokly
Surfin' Bird - The Trashmen
Telstar - The Tornados
Tequila - The Champs

Theme Song from The Big Valley - Beer
There's No Business Like Show Business - Ethel Merman
Vincebus Eruptum - Blue Cheer
Volare - Domenico Modugno
Wabash Cannonball - Roy Acuff & His Crazy Tennesseans
Wipeout - The Surfaris
Wouldn't It Be Nice - The Beach Boys
Yummy Yummy Yummy - Ohio Express


Vício inerente foi o último romance escrito por Pynchon e foi lançado em agosto de 2009 nos Estados Unidos. Também saiu por aqui em novembro do ano passado pela Companhia das Letras. Tem um trecho do romance disponível aqui.

O livro conta a história de um "detetive particular chamado Doc Sportello (...) que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário". Tudo se passa na Califórnia dos anos 70 em pleno declínio da contracultura "flower power". Tem Charles Manson, tem hippies, surfistas, traficantes, contrabandistas, bandas de rock, prostitutas e muitas drogas. Lembro que até rolou um vídeo promocional com dublagem do próprio Thomas Pynchon.

O livro ainda pode virar filme pelas mãos do diretor Paul Thomas Anderson.

*imagem: reprodução Google imagem / capa - divulgação.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

THOMAS PYNCHON VAI AO CINEMA


O mundo está realmente mudado, para você ter uma ideia até um livro de Thomas Pynchon poderá ser adaptado ao cinema. O escritor mais recluso do mundo é conhecido por criar romances gigantescos e tão elaborados que são um verdadeiro universo em si mesmo - vide O arco-íris da gravidade, Mason & Dixon e Against the day (que será lançado no ano que vem pela Companhia das Letras com o título de Contra o dia). Quando a invenção não ataca a linguagem, ataca o enredo da história de modo que o livro sempre acaba se tornando um material bem difícil de ser 'traduzido'. Tanto que o site The Huffington Post incluiu O arco-íris da gravidade na lista dos 15 romances que jamais poderão virar filme.

O boato surgiu graças a New York Magazine. Segundo o pessoal da revista apurou, o diretor Paul Thomas Anderson está com vontade de adaptar Vício inerente - o último romance que Pynchon escreveu. Para quem não se lembra, Thomas Anderson é o diretor de "Magnólia", "Embriagado de amor" e "Sangue negro". Parece que o diretor já escreveu o argumento e está trabalhando num roteiro. Ainda segundo especulação da NY Magazine, o filme seria estrelado pelo ator Robert Downey Jr. ou por Philip Seymour Hoffman.

Vício inerente conta a história de um "detetive particular Doc Sportello (...) que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário". Tudo se passa na Califórnia dos anos 70 em pleno declínio da contracultura "flower power". Tem Charles Manson, tem hippies, surfistas, traficantes, contrabandistas, bandas de rock, prostitutas e muitas drogas. O livro pode virar filme, justamente por ser uma história de detetives um pouco clássica, um pouco moderna. Tem um trecho do romance disponível aqui.

Embora seja avesso às fotos e entrevistas, Thomas Pynchon vive circulando por Nova York, cidade onde mora desde os anos 70. Dizem às lendas que ele sempre conversa por telefone com gente do show business por quem tem certa simpatia. Ele até dublou o vídeo promocional de Vício inerente, fazendo o papel da personagem Doc Sportello - a mesma coisa aconteceu com a participação dele nos Simpson, dublando ele mesmo.

Quem sabe Thomas Pynchon não se anime e resolva fazer uma participação especial no filme. Mesmo que seja como figurante.

*imagem: reprodução do Google sobre a participação de Thomas Pynchon no desenho Os Simpsons.
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

NOTAS #2


Kindle para internet
A Amazon está fazendo testes de uma nova ferramenta chamada "Kindle for the Web" - literalmente, Kindle para Internet. O serviço permite que as pessoas possam compartilhar em blogs e redes sociais trechos de livros que estão lendo ou querem recomendar. O Youtube, por exemplo, trabalha com o mesmo princípio quando o usuário quer "incorporar" um vídeo no blog. Por enquanto, só usuários cadastrados no site da Amazon podem usar a ferramenta.

Pynchonmania
O escritor Thomas Pynchon vai tomar conta das nossas estantes nos próximos meses. A Companhia das Letras vai publicar em novembro "Vício inerente", romance escrito no ano passado pelo consagrado autor de "O arco-íris da gravidade". No Youtube está circulando um vídeo que segundo contam foi narrado por Thomas Pynchon em carne e osso. No ano que vem a Companhia também promete lançar "Contra o dia", escrito em 2006 e que tem mais de 1100 páginas na versão em inglês. O vídeo de "Vício inerente" está disponível em http://tinyurl.com/krj8ap

Manuscritos raros
A Biblioteca Britânica está digitalizando aos poucos seu acervo com mais de mil raros manuscritos gregos. O resultado do trabalho está disponível gratuitamente na internet e pode ser consultado em http://www.bl.uk/manuscripts. Há fábulas de Esopo, salmos, entre outros.

Reminiscências
O escritor Kazuo Ishiguro revelou alguns de seus livros favoritos para os leitores do book club da apresentadora Oprah Winfrey. Não é difícil perceber uma pequena influência que essas leituras exerceram na obra de Ishiguro. Ele mesmo justifica suas escolhas. Por exemplo, a maneira de conduzir uma narrativa em primeira pessoa está em Charlotte Bronté; o humor sem nenhum compromisso com as coisas difíceis da vida está em P.G. Wodehouse; as lembranças de casa e o medo de que a realidade traía a nossa memória vem de Homero. Cormac McCarthy e David Mitchell são as curiosidades da lista. McCarthy foi escolhido por causa do fascínio que velho oeste americano e seus caubóis exercem em nosso imaginário; já a força imaginativa de Mitchell fez Ishiguro perceber que estava realmente ficando mais velho.

*

Os livros escolhidos foram: "Villete", de Charlotte Bronté; "Então tá, Jeeves", de P.G. Wodehouse; "Meridiano de sangue", de Cormac McCarthy; "Ghostwritten", de David Mitchell; "South of the Border, West of the Sun", de Haruki Murakami; "A odisséia", de Homero.

Lado B
Os livros de Shel Silverstein já comoveram inúmeras crianças e adultos com suas histórias poéticas e suas inconfundíveis ilustrações. Shel também era um compositor de mão cheia e tinha uma banda de rock and roll cujo disco mais conhecido é Freakin' At The Freakers Ball. Estão circulando na internet algumas histórias bem interessantes por trás da gravação desse disco. A melhor delas diz respeito as canções que nunca foram lançadas como: "Fuck'Em", "I love my right hand" e "I am not a fag". Como os títulos sugerem são canções politicamente incorretas até mesmo para os anos 70 e que revelam um certo humor negro do cartunista. Algumas dessas canções estão disponíveis no YouTube em http://tinyurl.com/2g746bj e http://tinyurl.com/3c6q53

*imagem: reprodução desse site.

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