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quinta-feira, 3 de março de 2011

TRÊS VEZES - DAVID FOSTER WALLACE

Se estivesse vivo, David Foster Wallace estaria completando 49 anos na semana passada. A data fez circular uma série de notícias a respeito do autor morto em 2008. Wallace era tido como um dos melhores escritores de sua geração.

A primeira delas foi o documentário "Endnotes: David Foster Wallace", apresentado pelo Professor Geoff Ward na rádio BBC. O programa foi ao ar no começo de fevereiro e trouxe um punhado de informações importantes a respeito de Foster Wallace. Nada parecido foi feito desde o seu suicídio. O documentário tem a participação de pessoas que foram muito próximas a ele: os escritores Don Delillo, Mark Costello e Rick Moody, sua irmã Amy Wallace, o editor Michael Pietsch e sua agente Bonnie Nadell. Para completar aparecem algumas entrevistas que o próprio Foster Wallace concedeu antes da publicação de Infinite Jest - até o momento esse romance de 1000 páginas é sua obra prima.



Revirando os arquivos o pessoal do The Ransom Center, na Universidade do Texas, encontrou o manuscrito da primeira página de Infinite Jest. Tem as anotações, os rabiscos, as correções e tudo mais - no melhor estilo Foster Wallace. (via mcnallyjackson)



Para completar uma história entitulada Backbone foi publicada na revista New Yorker. Na verdade, esse é um trecho de The pale king, livro inédito e inacabado de David Foster Wallace - deve ser o lançamento mais quente do ano, até o momento. O livro será publicado nos Estados Unidos em 15 de abril. Muito aguardado.

Para sentir um pouco do estilo de Foster Wallace, vou reproduzir aqui os dois parágrafos iniciais:
"Every whole person has ambitions, objectives, initiatives, goals. This one particular boy’s goal was to be able to press his lips to every square inch of his own body.

His arms to the shoulders and most of his legs beneath the knee were child’s play. After these areas of his body, however, the difficulty increased with the abruptness of a coastal shelf. The boy came to understand that unimaginable challenges lay ahead of him. He was six.

There is little to say about the original animus or “motive cause” of the boy’s desire to press his lips to every square inch of his own body. He had been housebound one day with asthma, on a rainy and distended morning, apparently looking through some of his father’s promotional materials. Some of these survived the eventual fire. The boy’s asthma was thought to be congenital".
O trecho completo está disponível aqui.

*imagem: reprodução.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

THE BOY - INÉDITO DE DAVID FOSTER WALLACE

The boy, uma história inédita de David Foster Wallace está circulando na internet. Parece que essa história faz parte de Pale King - o livro inacabado de Foster Wallace que será publicado nos Estados Unidos no ano que vem. A história é cheia de verborragia, de ironias e do humor negro tão típicos do autor. Outros trechos que farão parte de Pale King também foram publicados pela revista New Yorker: Good people, Wiggle room e All that. Os fãs do escritor estão contando os dias para a publicação desse livro. Porém, Lane Brown da revista New York Magazine escreveu um artigo dizendo que este pode ser um livro bem chato.

Quem quiser também pode ouvir o próprio Foster Wallace lendo The boy. Há também o áudio de uma entrevista com ele. É interessante observar a reação da platéria.

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Update: Em dezembro a Columbia University Press vai publicar Fate, time, and language: an essay on free will. Trata-se da tese de gradução de David Foster Wallace.

*imagem: reprodução Google.

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domingo, 19 de setembro de 2010

DAVID FOSTER WALLACE


Tristan Tzara termina sua receita para um poema dadaísta com a seguinte frase: "E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público". Subvertendo alguns dos seus sentidos, a frase se encaixa muito bem com a obra do escritor americano David Foster Wallace. Seus livros são altamente originais e recheados de momentos sensíveis, mas são imcompreendidos graças ao forte caráter experimental*.

Sucesso de crítica, David Foster Wallace era tido como um promessa para a literatura do século XXI. Infelizmente ele cometeu suicídio em 2008 depois de um período longo de depressão profunda. Deixou uma obra composta por romances monumentais, livros de contos e artigos escritos para jornais e revista americanas. Infinite Jest, publicado em 1996, chegou a ser comparado ao Ulisses, de James Joyce. No Brasil, Breves entrevistas com homens hediondos foi seu único livro publicado.

Ao que parece, Foster Wallace tinha certa preocupação em dar continuidade a tradição de ficcionistas americanos que o precediam. Leitor de Thomas Pynchon e Don Delillo, ele tentava arranjar uma maneira de soar original e encontrar uma voz própria. A tarefa era difícil, esses autores transformaram radicalmente a ficção americana e a levaram a lugares nunca antes visitados. A saída encontrada por Foster Wallace foi descontruir a linguagem e atacar a estrutura da narrativa.

Isso explica porque sua ficção é repleta de lacunas, espaços em branco, palavras inventadas, frases bem longas, pontuação irregular, muitas intervenções, fórmulas matemáticas, diálogos imensos, etc. A metalinguagem e as enormes notas de rodapé também são marcas de seu estilo. Os temas giram em torno da classe média americana, mas de uma maneira mais sarcáticas e cheia de humor negro. Suas personagens sempre sofrem de algum tipo de psicose ou vivem as voltas com certas obsessões. Elas são capazes de falar por páginas e mais páginas sobre um mesmo assunto. Sexo, drogas e pervesão aparecem a todo o momento.

Porém, também existe espaço para a beleza, a alegria e o humor. As situações insólitas das histórias causam gargalhadas. Muitos críticos chegam a dizer que Foster Wallace tomou emprestado a classe média de Updike e a levou para o lado obscuro, ironico e sarcástico da vida. Atrás do caos aparente existe a sensibilidade de um escritor que está nos mostrando aos mesmo tempo a força e a fraqueza humana.

O experimentalismo em excesso às vezes pode afastar o leitor menos desavisado. De fato, em certos momentos o enredo parece não sair do lugar ou o assunto fica por demais árido - como é o caso de Datum centurio e Adult World (II), ambos de Breve entrevistas com homens hediondos.

Essa semana duas notícias devem colocar o nome de Foster Wallace em evidência novamente: o arquivo do escritor que está sob os cuidados do Harry Ransom Center, Universidade do Texas foi aberto ao público; e Pale King, um romance inacabado, terá publicação no ano que vem. Alguns trechos desse romance foram publicados na revista New Yorker: Good people, Wiggle room e All that.

Tomara que novas traduções de Foster Wallace apareçam no Brasil. Tive notícia de que dois livros de não ficção devem estar a caminho.

* Me refiro as modificações radicais da linguagem e das estruturas narrativas. Também quero deixar claro que não estou exaltando o "experimentalismo" em detrimento de outros modos de expressão.

**imagem: reprodução da NY Mag.

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