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sexta-feira, 17 de junho de 2011

BLOOMSDAY: JAMES JOYCE TECNOLÓGICO


Será que ainda dá tempo de comemorar o Bloomsday? Sei que me atrasei para as comemorações, mas me sinto na obrigação de não deixar passar a data em branco. Afinal, acho curioso o fato de Ulisses - um dos livros mais importantes da literatura moderna - ser um romance bastante celebrado, mas pouco lido.

Verdade seja dita: Ulisses é um osso duro de roer. Além das suas mais de 900 páginas, James Joyce resolveu "brincar" com a literatura, a crítica e os leitores. Meteu lá no seu romance os neologismos, mexeu na sintaxe, colocou as citações nos devidos lugares, criou diversas intertextualidades, mandou as categorias literárias darem um passeio (tempo e espaço se diluem, por exemplo), usou e abusou do fluxo de consciência - dizem até que ele esgotou todas as possibilidades de monólogo interior que qualquer sujeito poderia imaginar. No entanto, decifrar esse criptograma também é realmente prazeroso.

Ulisses não é um romance que você lê e depois abandona. Ele exige tempo, paciência, dedicação e releituras (porque não?). E o Bloomsday não é comemorado à toa. É uma chance de voltar pelo menos uma vez no ano ao romance que detonou as convenções formais do romance. Talvez seja mais fácil encarar o desafio deixando de lado a obsessão de entender totalmente o livro logo na primeira leitura. Até porque, no caso de Ulisses, vale aquela máxima "cada nova leitura sempre será uma primeira leitura".

Não se deixe abater! Tudo o que você precisa saber sobre o enredo do romance é: "nele, intercalam-se as trajetórias de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, pelas ruas de Dublin ao longo de um único dia, 16 de junho de 1904. Sua estrutura e referências remetem à Odisséia, épico de Homero sobre as peripécias de Ulisses (Odisseu, para os gregos) em sua jornada de volta a Ítaca" (retirado do release da Alfaguara). No mais tenha em mente que Ulisses é um conjunto de experiências vividas pelo homem moderno. Embora isso pareça querer dizer nada, quer dizer muito.

Findo comentário, sigo para uma miscelânea de coisas que encontrei na internet sobre Ulisses, de James Joyce. Feliz Bloomsday atrasado!

***

Traduções para o português
A primeira tradução de Ulisses no Brasil chegou pelas mãos de Antônio Houaiss em 1966 - boatos dão conta de que ele levou quase dez anos traduzindo. Quase quarenta anos depois, Bernardina da Silva Pinheiro fez uma nova versão - foram sete anos de trabalho. No próximo ano a Companhia das Letras, através do selo Penguin-Companhia, promete uma nova tradução assinada por Caetano Galindo.

O blog do IMS fez quatro perguntas a Caetano Galindo sobre a missão de traduzir um romance de James Joyce.

Segundo a Wikipédia, a primeira tradução do livro em Portugal foi lançada em 1983 por meio de uma adaptação da tradução feita por Houaiss. Porém, João Palma-Ferreira publicou uma tradução portuguesa em 1989.

Usando o twitter
Ontem, durante o #Bloomsday, um grupo de fãs (com participação de gente do mundo inteiro) criou um perfil no twitter para tentar adaptar a obra para a "econômica" rede social. A organização do chamado "twitaço" começou no blog 11ysses.wordpress.com. Eles passaram 24 horas publicando os trechos no perfil @11ysses e agora pedem uma avaliação dos leitores. Os comentários devem ser feitos no próprio twitter.

Quadrinhos
Robert Berry e Josh Levitas, da Throwaway Horse LLC, fizeram uma adaptação do romance para os quadrinhos - Ulysses “Seen”. É possível ler no computador, no celular e também no iPad. Ainda tem um guia de leitura para ajudar. (As duas imagens lá em cima forma retiradas do site)

Nas ondas do rádio
A rádio WBAI de Nova York transmitiu pela internet por sete horas consecutivas uma leitura de Ulisses com direito a participação de atores de Nova York, Los Angeles, Londres e Dublin. Não encontrei o arquivo no site da rádio. Mais informações aqui.

Podcast
O escritor Frank Delaney criou na internet um podcast na internet chamado Re:Joyce. A cada semana, ele desconstrói uma frase do livro durante cinco minutos. Só o primeiro capítulo levou um ano para ser destrinchado. Imagine quanto tempo mais ele levará até terminar o livro inteiro? Os episódios estão disponíveis aqui.


Códigos de barra
Está pensando que esses quadrados aqui em cima não servem para nada? Engano seu! O pessoal da Books2Barcodes converteu Ulisses para o formato código de barras 2D. Você pega o seu celular (devidamente equipado com um aplicativo de digitalização de código de barras) coloca diante desses códigos e voilà. É no mínimo um jeito diferente de ler Ulisses.

Desenho
Para finalizar, Ricardo Humberto fez uma ilustração bem bacana de James Joyce para o jornal Rascunho. O resultado pode ser conferido aqui.

*Imagem: reprodução - créditos no post.
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

GEOFF DYER - ESCRITOR E ENSAISTA



Preparando a próxima edição do fanzine, tive uma vontade enorme de incluir um artigo escrito por Geoff Dyer. "Não custa nada tentar", pensei. Seria bom ao mesmo tempo para o fanzine, para quem gosta do escritor e para aqueles que vão descobri-lo. Só que infelizmente, não consegui o artigo. Uma pena!

Geoff Dyer esteve recentemente no Brasil para o lançamento da última edição da revista Serrote que publicou seu ensaio “Sobre ser filho único”. Naquela semana, ele fez uma palestra no Centro Cultural do Instituto Moreira Salles sobre um assunto do qual ele tem grande domínio: o ensaio pessoal. Partindo da experiência pioneira de Montaigne, Dyer falou sobre a natureza do ensaio. Um gênero ao mesmo tempo sedutor e perigoso por conta de sua aparente liberdade. Sem definir ou limitar nada, falando de maneira bastante clara, pausada e objetiva. Coloquei a primeira parte acima, mas nesse link é possível assistir a palestra inteira - aliás, recomendo! Depois de assistir, vocês vão entender a delícia que é um ensaio escrito por ele.

“Sobre ser filho único” está na edição da Serrote e na coletânea de ensaios publicada em 2010 na Inglaterra com o título Working the room e no mês passado nos Estados Unidos com o título Otherwise known as the human condition. Se não me engano, alguns desses ensaios foram publicados esparsadamente em jornais e revistas. Em seu blog, a revista Paris Review definiu o livro como "um curioso armário de opiniões que variam entre fotografia, arte e literatura, combinados com a abordagem experimental de Dyer para tópicos tão amplos como incursões no mundo estrangeiro, e sua busca pela combinação perfeita de cappuccino com donut".

Tanto talento tem grandes admiradores, como a escritora Zadie Smith. Ambos são ingleses e vivem refletindo e escrevendo ótimos textos críticos de toda natureza - ensaios, porque não. Numa conferência sobre escrever resenhas para revistas, Zadie Smith falou sobre ele:

"Geoff é reveladoramente direto, sem deixar faltar nenhum tipo de complexidade intelectual. Ele diz exatamente o que ele quer dizer, o mais diretamente possível. E os resultados são impressionantes para mim, e também uma espécie de... a única coisa que invejo no Geoff, e desejo esperançosamente, quando eu ficar um pouco mais velha, é apenas a variedade de seus interesses".

No Brasil, se não me fala a pesquisa, só foram publicados três livros dele: Ioga para quem não esta nem aí, O instante contínuo e Jeff em Veneza, morte em Varanasi. A obra dele compreende algo em torno de doze livros - fora o restante.

Quem ficou interessado e quer saber mais tem de ler: O olhar errante de Geoff Dyer um perfil escrito por James Wood e publicado no blog do IMS; a reportagem e entrevista de Raquel Cozer na época do lançamento de Jeff em Veneza, morte em Varanasi; a entrevista para o blog da revista Paris Review sobre Otherwise known as the human condition.

*vídeo: reprodução.
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