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terça-feira, 20 de março de 2012

RICHARD YATES COM GOSTINHO DE MAD MEN

As capas do selo Vintage Books são sempre muito caprichadas. Não estou me referindo a elaborações muito exageradas, mas ideias simples. Eles conseguem colocar em prática aquela máxima que diz "menos é mais". De bobeira pela internet me deparei com essa coleção chamada Vintage Yates - totalmente dedicada a obra de Richard Yates. A coleção não é nova (os livros foram publicados em 2008) e me lembrou o sucesso da série de TV Mad Men, esteticamente falando.

Embora tenha nascido nos anos 20, sua grande estréia como escritor foi em 1961 com a publicação do romance Foi apenas um sonho que conta a história de um jovem casal impregnado pela vida do subúrbio americano dos anos 50. Munido pela ideia de mostrar o "american way of life" aparentemente feliz, mas essencialmente infeliz as capas ganharam elementos da publicidade daqueles anos. Não descobri o autor do projeto gráfico. Sei que as imagens são do site Advertising Archives.



Obs.: em 1961, Foi apenas um sonho foi indicado ao National Book Award e perdeu para The Moviegoer, de Walker Percy - injustamente como todo mundo comenta. Por aqui, a obra de Yates está sendo publicada pela Alfaguara. Já saíram Foi apenas um sonho, O desfile de Páscoa e Uma providência especial.

*Imagens: reprodução do site da Vintage.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011

50 ANOS DE ARDIL-22

Numa manhã de novembro do ano de 1961 um jovem chamado Joseph Heller ainda não sabia que seu livro de estréia estava prestes a se tornar um clássico da literatura do século XX. Como acontece em todas as histórias o reconhecimento de Ardil-22 não foi imediato. Os críticos ingleses foram os primeiros a enxergar a grandiosidade do romance, passado quase um ano de sua publicação nos Estados Unidos.

Na verdade, a história por trás de Ardil-22 começa muito antes dos anos 60. Joseph Heller lutou na Itália durante a Segunda Guerra Mundial em missões como bombardeador pela Força Aérea dos Estados Unidos. A experiência servia como base para as ideias que compõe o enredo. O primeiro capítulo do romance começou a tomar forma em 1953 e apareceu pela primeira vez na revista New World Writing em 1955 com o título de Catch-18 (ao lado de On The Road, de Jack Kerouack). Naquele ano a editora Simon and Schuster adquiriu os direitos de publicação do livro e teve de esperar por oito anos até que Heller terminasse de escrevê-lo. O título original seria Catch-18, mas quando estava tudo pronto para o lançamento um escritor chamado Leon Uris publicou um livro com o título de Mila 18. Tanto a editora como o autor resolveram mudar o número do título para Ardil-22 - com direito a modificações na história.

À parte a "descoberta" dos críticos ingleses, o romance teve enorme sucesso quando os anos 60 realmente se tornaram os anos 60. Os baby boomers adotaram Ardil-22 por causa de seu teor sarcástico e antibelicista. Há ecos desse romance em outros livros (sobretudo em O arco-íris da gravidade, de Thomas Pynchon), em filmes e séries de TV (quem não se lembra do episódio de Lost chamado "Catch-22"?).

O livro está completando 50 anos - com matéria na Vanity Fair e texto no blog da Paris Review. A editora Vintage Books publicou uma edição comemorativa e quiçá definitiva do livro com direito a introdução de Howard Jacobson, ensaios de Norman Mailer, Anthony Burgess e Christopher Hitchens e imagens raras do autor. Para completar o pacote de comemorações, a mesma editora ainda criou um vídeo animado com narração de pequenos trechos.




Por aqui, Ardil-22 saiu pela editora Record.

*Imagem: divulgação.
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

CAPA FETICHE

É um clichê dizer que a gente compra livros por causa da capa. Mas a verdade precisa ser dita: uma capa bonita causa um inevitável desejo de compra. Não conheço ninguém que nunca tenha comprado um livro por causa da capa - ao menos uma vez na vida. Concordo com o Peter Mendelsund quando ele diz que a capa de um livro é a cara (o rosto) dele. É como ele se apresenta pra gente.

Num mundo em que o livro impresso tem sua morte anunciado, projetos gráficos mais orgânicos ganharam uma importância nunca vista antes.

Acho que rola a mesma coisa com capa de revista, de disco (ainda existem discos?) e primeira página de jornal. Olhando nas bancas percebi uma tendência nas revistas de criar capas diferentes para a mesma edição - quem não lembra daquela capa múltipla da revista Superinteressante ou mesmo das três capas da revista Serrote.

Daí li na Coluna de Babel (da Raquel Cozer) uma notícia que parece pegar carona nessa ideia: a Editora 34 lança em agosto uma edição do romance O duplo, de Dostoievski com três versões de capa. O objetivo foi destacar "as ilustrações do expressionista austríaco Alfred Kubin – 26 delas foram publicadas originalmente na edição alemã de 1933 e são agora reproduzidas no interior da edição".

Capas diferentes para um mesmo livro já tinham aparecido no Brasil para a famosa série de entrevistas da revista Paris Review - que saiu aqui pela Companhia das Letras. Na primeira edição as capas foram personalizadas por Marco Mariutti e Clovis França. Já a nova edição (que foi lançada esse ano) ganhou projeto ultratecnológico assinado por Flávia Castanheira. Nenhuma capa desse livro é igual a outra - coisa impressionante!


Para finalizar, descobri num post do Almir de Freitas que a editora Vintage Books está lançando novas edições de livros de Oliver Sacks. O projeto gráfico ficou a cargo de Cardon Webb - um designer descolado de Nova York. O detalhe mais impressioante é que as diferentes imagens de capa das seis edições em conjunto formam uma única figura. Como se fosse um quebra-cabeça enorme. Aqui acontece o inverso dos casos que citei antes, a capa foi pensada como um conjunto, uma coleção.

Pensando aqui com meus botões, acho que a ideia não foi inventada agora. Certamente deve haver outros exemplos de gente que criou essas capas seriais antes - alguém se lembra de algum (escreve aqui nos comentários que eu faço uma atualização depois)? Agora fico me perguntando se isso pode virar tendências nas capas das edições brasileiras. Evidentemente é um recurso que precisa ser usado com cautela e em ocasiões especiais. Em demasia pode cansar.

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Atualização: uma pessoa anônima e o Mauro Siqueira lembraram da série de capas para a coleção Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell. O Samir Machado conta mais coisas sobre essas capas no blog Sobrecapas. Abaixo a imagem:

Alguém lembra de mais alguma?

*imagens: reprodução.

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