Num mundo em que o livro impresso tem sua morte anunciado, projetos gráficos mais orgânicos ganharam uma importância nunca vista antes.
Acho que rola a mesma coisa com capa de revista, de disco (ainda existem discos?) e primeira página de jornal. Olhando nas bancas percebi uma tendência nas revistas de criar capas diferentes para a mesma edição - quem não lembra daquela capa múltipla da revista Superinteressante ou mesmo das três capas da revista Serrote.
Capas diferentes para um mesmo livro já tinham aparecido no Brasil para a famosa série de entrevistas da revista Paris Review - que saiu aqui pela Companhia das Letras. Na primeira edição as capas foram personalizadas por Marco Mariutti e Clovis França. Já a nova edição (que foi lançada esse ano) ganhou projeto ultratecnológico assinado por Flávia Castanheira. Nenhuma capa desse livro é igual a outra - coisa impressionante!
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Para finalizar, descobri num post do Almir de Freitas que a editora Vintage Books está lançando novas edições de livros de Oliver Sacks. O projeto gráfico ficou a cargo de Cardon Webb - um designer descolado de Nova York. O detalhe mais impressioante é que as diferentes imagens de capa das seis edições em conjunto formam uma única figura. Como se fosse um quebra-cabeça enorme. Aqui acontece o inverso dos casos que citei antes, a capa foi pensada como um conjunto, uma coleção.
Pensando aqui com meus botões, acho que a ideia não foi inventada agora. Certamente deve haver outros exemplos de gente que criou essas capas seriais antes - alguém se lembra de algum (escreve aqui nos comentários que eu faço uma atualização depois)? Agora fico me perguntando se isso pode virar tendências nas capas das edições brasileiras. Evidentemente é um recurso que precisa ser usado com cautela e em ocasiões especiais. Em demasia pode cansar.
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Atualização: uma pessoa anônima e o Mauro Siqueira lembraram da série de capas para a coleção Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell. O Samir Machado conta mais coisas sobre essas capas no blog Sobrecapas. Abaixo a imagem:
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*imagens: reprodução.
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As capas das Crônicas Saxônicas do Cornwell formam um painel quando colocadas lado a lado. Acho que nesse nicho deve ter vários exemplos.
ResponderExcluirBela lembrança, Anônimo, o designer Samir Machado fez a análise delas no seu blog: http://is.gd/jNiRaU E não é só no nicho romance-histórico que essa preocupação de uma unidade em livros de um autor ou coleção, até entre obras jurídicas, como a coleção de direito civil do Silvio De Salvo Venosa, da editora Atlas. Porém, espertamente o efeito surge na lombada que compõe os oito volumes da obra.
ResponderExcluirabraços.