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terça-feira, 13 de maio de 2014

WALLACE ESTÁ CHEGANDO



Veja bem, eu não confirmei a veracidade dessa informação, mas li por aí que a tradução de Caetano Galindo para o romance-monumental Infinite Jest, de David Foster Wallace deve chegar às livrarias brasileiras em novembro. Parece que o título em português brasileiro será... GRAÇA INFINITA (o livro saiu em Portugal com o título A piada infinita). Eu achei uma graça - com o perdão do trocadilho. Tomara que o título seja esse mesmo.

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No ano passado, a revista CULT publicou um pequeno trecho da tradução feita por Galindo. Substância - para matar a nossa curiosidade enquanto novembro não chega.

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Em tempo, parece que tanto a família de David Foster Wallace quanto a editora de seus livros no Estados Unidos não estão de acordo com o filme "The End of the Tour", dirigido James Ponsoldt. Eles publicaram um comunicado dizendo que não apoiam o filme e nem o consideram uma homenagem a memória do autor. Resta saber se vão entrar com alguma medida legal para impedir as filmagens que já começaram.

*Imagem: capa da edição norte-americana de Infinite Jest/Reprodução.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DAVID FOSTER WALLACE ENTRE A REALIDADE E A FICÇÃO


Muita gente já conhece as características da literatura feita por David Foster Wallace - pelo prazer ou pela dor, tem quem ama e quem odeia. Portanto, não vou ficar chovendo no molhado dizendo que a obra dele é cheia de ironia, metalinguagem, discurso indireto livre, jargões, palavras inventadas, longas sentenças e notas de rodapé gigantes. Chega de tudo isso, vamos falar de coisa boa: fofocas, claro!

Na semana passada chegou às livrarias norte-americanas a primeira biografia do escritor
Every Love Story Is a Ghost Story, de D.T. Max. Wallace sofria de depressão profunda, teve muitos períodos de internações em clínicas, lutou contra a dependência do álcool e da maconha e cometeu suicídio em 2008. A biografia é oficial. D.T. Max contou com a colaboração da família e dos amigos próximos a Foster Wallace, além de ter tido acesso às cartas, manuscritos etc., que o escritor deixou guardada em seu arquivo.

Evidentemente, ainda não li a biografia, mas a revista Rolling Stone (gringa) leu e adiantou "seis coisas que a gente não sabia sobre David Foster Wallace". Por exemplo, ele não era tão bom jogando tênis, votou em Ronald Regan para presidente (mas odiava George W. Bush), tinha problemas paranóicos com higiene (suava muito e carregava uma escova de dentes na meia, para emergências) e planejou matar o marido da escritora Mary Karr (com quem teve um relacionamento bastante conturbado).

Parece que a maior curiosidade da biografia está nas possíveis ligações que podem ser feitas entre a vida de Wallace e o enredo dos livros Liberdade, de Jonathan Franzen e A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides. Em tempos de autoficção exagerada também acho chato quando alguém pergunta "o que a personagem tem em comum com você?" ou "o livro é sobre você?". Só que a gente pode perdoar essa situação no caso desses três escritores sobretudo quando vemos muitas semelhanças entre Leonard Bankhead, Richard Katz (personagens) e Foster Wallace (o real) - a bandana na cabeça, o hábito de mascar fumo e a sagacidade intelectual. Eles eram muito amigos, amadureceram suas obras quase ao mesmo tempo e faziam parte de um grupo de escritores pertencentes a uma geração. Viveram muita coisa juntos, portanto é natural que tenham histórias para contar sobretudo depois da morte trágica de Wallace.

Quando perguntam da semelhança "realidade x ficção", Eugenides sempre nega dizendo que estava pensando na banda Gun's in Roses. Não lembro de alguma resposta de Franzen, mas ele era muito amigo de Wallace e as disputadas entre Walter e Richard tem qualquer coisa da vida real que são impossíveis de negar - como na frase meu objetivo era "colocar meu pênis na vagina quanto possível" (a frase está tanto em Liberdade quanto na biografia).

Verdade ou mentira, esse tipo de coisa não estraga a qualidade dos livros. Pelo contrário, acabam servindo como um elemento de atração. Afinal, todo mundo sempre vai querer comprovar sua fantástica teoria. Vai ver aconteceu de contarem essas coisas sem querer.

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Em tempo, a Companhia das Letras lança em outubro Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, a coletânea de não-ficção de David Foster Wallace com organização e tradução da dupla de escritores Daniel Galera e Daniel Pellizzari.

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Já Caetano Galindo (que acabou de ler essa biografia do Foster Wallace) está trabalhando na tradução de Infinite Jest. Segundo ele escreveu no twitter o trabalho já está em 250 laudas - ainda é pouco perto das mais de 1000 páginas do livro, mas animador para os fãs do escritor.

A tradução portuguesa saí em novembro com o título de A piada infinita. Tido como um lançamento importante, a editora Quetzal criou um blog reunindo notícias de jornal e outros mimos.

*Imagem: reprodução.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

ONDE AS HISTÓRIAS VIVEM

“Fomos caminhando até a rua 7 de Abril, entramos no cinema, na tela, uma loira linda, viciada em crack, dizia para o namorado: os vampiros têm mais sorte que nós.”

“Ela subiu no primeiro Vila Olímpia-Lapa e passou por mim sem olhar, os policiais me revistando. Outra vez, ameaçou gritar se eu não a deixasse em paz. Começou a trabalhar em outro horário. Pediu transferência para outra loja do Mappin, pensando que eu não descobriria, mas eu descobri, Mappin do centro, em frente ao Teatro Municipal.”

“No final da avenida Guarapiranga dobrei à direita e estacionei o carro numa quebrada, mandei meus homens esperarem.”


O Matador, de Patrícia Melo.



Duas semanas atrás, o caderno Ilustríssima publicou uma notinha falando sobre um portal na internet que mapeia diversas referências culturais que aparecem nos livros que a gente leu. É possível saber, por exemplo, os lugares em que uma história acontece, qual música, filme, comida, bebida ou carro uma personagem gosta e algumas coisas mais. Lembra um pouco aquelas notas explicativas que apareciam nos rodapés dos livros de antigamente.

Não tenho a menor ideia de quais são os planos dos donos do portal - se eles querem mapear todos os livros do mundo ou apenas os livros que publicados e traduzidos para o inglês (o que não reduz nem um pouco o universo dos livros) -, mas sei que a tarefa nunca vai terminar. Até agora já foram cadastrados mais de 7000 livros (Parece bastante, só que não é. A Biblioteca do Congresso Norte-Americano, por exemplo, possuía até pouco tempo atrás, mais de 32 milhões de livros).

Seja como for, eu simpatizo com a ideia - me lembra até minha época de faculdade quando um professor disse que a cultura iria virar um imenso banco de dados para consulta (naquele tempo a gente não dava bola para essas previsões). Sempre tive curiosidade de encontrar um lugar que mapeasse na ficção as citações a cidade de São Paulo (nem precisava ser um mapeamento muito amplo, bastava que dissesse os lugares, praças e ruas).

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Só por curiosidade, pesquisei no tal portal (SmallDemons.com) citações sobre a cidade de São Paulo. Não tinha nenhuma. Sobre o Rio de Janeiro tinha duas (uma em Nemesis, do Jo Nesbo e outra em Ghostwritten, do David Mitchell - nada demais). A maioria das citações eram sobre Brasil ou os brasileiros. O livro mais conhecido era Infitite Jest, de David Foster Wallace que nos cita em 6 momentos.

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Na falta de um portal a gente tem a Caminhada Noturna que durante os meses de julho e agosto promoveu caminhadas temáticas com escritores paulistas ou adotados pela cidade (não eram escritores de ficção, necessariamente). A Bicicloteca também promoveu dois passeios literários mostrando a casa do Monteiro Lobato, do Mario de Andrade e até a famosa garçoniere de Oswald de Andrade.

(Aliás, a vida inteira de Oswald de Andrade daria um passeio de dois dias, pelo menos. Além do centro da cidade, ele morou em Higienópolis, na Consolação, no Bixiga, nos Jardins e na Bela Vista).

Evidentemente, gostaria de um banco de dados com citações de cidades de todo o Brasil. Quiça poderíamos ter um portal que também mostrasse as referências culturais dos livros do Machado de Assis - assim, a turma da internet saberia direitinho onde destrinchar informações. Também sugiro ao pessoal dos eventos na cidade criarem roteiros/passeios sobre Mario de Andrade e Marcos Rey - eles também tiveram uma vida intensa na cidade.

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Lá em cima retirei trechos do livro O Matador, de Patrícia Melo. Me lembro que fiquei fascinado por esse livro justamente por causa das referências geográficas. Os primeiros livros dela estão recheados dessas coisas.

*Imagem: um mapa antigo que encontrei no Google.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOTAS #38

Jantar fictício
Já imaginou se a gente conseguisse fotografar as refeições das nossas personagens favoritas? Foi pensando nisso que Dinah Fried montou a série Fictitious Dishes retratando refeições dos romances O apanhador no campo de centeio (foto acima), Oliver Twist, Alice no país das maravilhas, Os homens que não amavam as mulheres e Moby Dick. Nem preciso dizer que o prato do Oliver Twist é o mais simples, né?

Ficção para homens
Foi se o tempo em que romances e contos eram mania das "senhouras". Não se engane: ficção também é coisa para homem. Se alguém ainda tinha alguma dúvida, a revista Esquire responde com três novas histórias assinadas por Stephen King e Joe Hill (respectivamente, pai e filho), Lee Child e Column McCann - foram publicadas na edição do mês passado. Tem de ser muito macho!

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Falando nisso, o novo romance de Column McCann está pronto, mas deve chegar às livrarias norte-americanas somente em 2013. O livro chamado Transatlantic usa a história de três pessoas reais para criar uma obra de ficção: um escravo negro que parte dos Estados Unidos rumo a Irlanda em busca de democracia e liberdade, em 1845; dois jovens pilotos de avião deixam a Primeira Guerra Mundial para protagonizar o primeiro vôo transatlântico entre Newfoundland e o oeste da Irlanda, em 1919; e um senador americano que viaja para a Irlanda em busca de paz, em 1998.

De uma certa forma, McCann repete uma experiência que está presente em Deixe o grande mundo girar - transformando em ficção a história real do artista francês Philippe Petit caminhando por um cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Enquanto o artista se apresenta várias histórias brotam e convergem para um ponto de vista único. Afinal, como o próprio McCann gosta de afirmar "uma história são todas as história".

Edição limitada
1Q84, de Haruki Murakami fez muito sucesso nos países em que foi publicado. Nada que se compare ao lançamento no Japão, com as filas enormes e leitores dormindo na porta das livrarias - digamos que na Europa e nos Estados Unidos o frisson foi um pouco menor. Pois bem, se você é fã do escritor japonês é bom correr logo. Acaba de sair uma edição limitada e autografada de apenas 111 exemplares de 1Q84. Os três volumes recebem papel e tipografia especial. Ah! O texto está em inglês.

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No Brasil, 1Q84 deve chegar no segundo semestre - em edição normal mesmo.

Serrote 11
Acaba de chegar às livrarias a nova número da Serrote, revista de ensaismo publicada pelo Instituto Moreira Salles. A capa e o ensaio visual fazem parte da série Cabinet, feita pela americana Roni Horn. Tem ainda um um ensaio exclusivo do colombiano Héctor Abad sobre Joseph Roth; um perfil da escritora Marguerite Duras assinado por Enrique Vila-Matas; Brian Boyd falando sobre Machado de Assis e Vladimir Nabokov; Susan Sontag descrevendo seu encontro com o escritor Thomas Mann e Harold Pinter falando da primeira noite em que viu Samuel Beckett e muitas outras coisas mais.

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As duas belas surpresas ficam por conta do perfil de Michael Jackson assinado por John Jeremiah Sullivan, sensacão do ensaísmo americano, e o jovem jornalista Karl Marx na visão de Christopher Hitchens.

Foster Wallace em terras portuguesas
Uma notícia envolvendo David Foster Wallace está agitando a temporada de lançamentos literários em Portugal. Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho, estão empenhados na árdua tarefa de traduzir Infinite Jest - na versão portuguesa o livro receberá o carinhoso título de A piada infinita. O livro tem previsão de lançamento em novembro pela editora Quetzal e irá inaugura uma série de traduções da obra de Foster Wallace em Portugal (até agora nenhum de seus livros tinha sido publicado no país).

Salvato Telles Menezes (o pai) tem no currículo traduções dos livros V., de Thomas Pynchon e Cidades da noite vermelha, de William Burroughs (foi publicado no Brasil com o título Cidades da noite escarlate). Já Vasco Menezes (o filho) traduziu obras de Chuck Palahniuk e Por um fio, de Thomas McGuane (inédito no Brasil).

As mais de mil páginas foram traduzida apenas na Espanha (La broma infinita) e na Alemanha (Unendlicher Spaß) - por lá, o trabalho levou quatro anos.

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No Brasil, Infinite jest será publicado pela Companhia das Letras com tradução de Caetano Waldrigues Galindo (que traduziu Ulysses e muitas coisas mais). Ainda não tem previsão de lançamento, mas não deve sair antes de 2013.

*Imagens: Dinah Fried/reprodução; The Curved House/reprodução e capas do livros/divulgação.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

DAVID FOSTER WALLACE EM PORTUGUÊS

David Foster Wallace e Jonathan Franzen no lançamento de Infinite Jest, em 1996.

A gente fica salivando bastante quando vê um desses fenômenos em que livros gringos chamam atenção da mídia e ocupam as paradas literárias de sucesso. Feito aquele frango de padaria de domingo, muita gente conta os dias para devorar esse tal livro inteiro e reconhecer ou negar tudo o que andam dizendo pelos cantos. Foi o que aconteceu recentemente com Roberto Bolaño e Jonathan Franzen (para ficar com dois exemplos, apenas). Mas a fome sempre aperta quando um novo frango suculento surge na padaria do vizinho. De modo que todo mundo que acompanhou o burburinho em torno de David Foster Wallace e The Pale King, o aguardado livro póstumo e incompleto. Ele voltou a ser notícia essa semana, porque se estivesse vivo estaria completando 50 anos.
O nome de Foster Wallace começou a circular por aqui depois que a revista New Yorker organizou a primeira lista de 20 escritores com menos de 40 anos, em 1999. Nessa época ele já tinha se tornado o autor do homérico romance Infinite Jest e publicado vários textos de não-ficção (ensaios, reportagens etc.) na imprensa norte-americana. Em 2005, a Companhia das Letras publicou o livro de contos Breves entrevistas com homens hediondos com tradução de José Rubens Siqueira - um baita livro, por sinal. Mais ou menos na mesma época, Caetano Galindo, professor de linguística e tradução no curso de Letras da Universidade Federal do Paraná, nos presenteou com duas traduções inéditas do autor. Primeiro apareceu o conto A filosofia e o espelho da natureza (do livro Oblivion: Stories, de 2004), no portal Cronópios, e depois um capítulo de Infinite Jest, na revista Coyote nº 13 (editada pela Iluminuras). Não investiguei a fundo, mas parece que esse número da revista está esgotado. Se alguém tiver informações a respeito, por favor, entre em contato.

Em setembro de 2008, David Foster Wallace cometeu suícidio e deixou incompleto o romance em que estava trabalhando, The Pale King. O livro foi publicado somente em 2011, resgatando a força, o brilho e a genialidade da sua prosa. Ele foi considerado o "novo James Joyce".

De olho na repercussão desse lançamento a Companhia das Letras veio no ano passado como uma notícia salvadora: uma edição brasileira para Infinite Jest e The Pale King. A tradução de ambos vai ficar a cargo de Caetano Galindo (aquele mesmo de 2005). Boa decisão considerando a sua experiência anterior e paixão por Foster Wallace - Infinite Jest é para ele "o romance mais interessante dos anos 90".

Galindo já traduziu para o português obras de Thomas Pynchon, Tom Stoppard, Djuna Barnes, John Gray, Ali Smiht, entre outros. Atualmente está finalizando a tradução de A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides (sai esse semestre pela Cia das Letras) e outra obra-prima da literatura moderna: Ulysses, de James Joyce (sai em abril pela Penguin-Companhia das Letras). Curiosamente ele começou a tradução de Ulysses em 2005, junto com as primeiras traduções que fez de David Foster Wallace.

Infinite Jest levou quatro anos sendo traduzido para o alemão e deve ficar pronto somente no ano que vem. Enquanto esperamos, está prometido para agosto desse ano o lançamento de uma coletânia de não-ficção organizada por Daniel Galera e com tradução dele e de Daniel Pellizzari. Vai ter A supposedly fun thing I'll never do again e Consider the lobster.

Sobre o futuro lançamento de The Pale King, ainda não há muitas notícias.

*Imagem: reprodução desse tumblr.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

O REI ESTÁ PÁLIDO


Os espanhóis são mesmo muito rápidos no gatilho. Eles já estão lançando uma tradução para The pale king, romance póstumo de David Foster Wallace, quando nem bem o livro foi digerido pelos falantes de língua inglesa (já existem edições nos Estados Unidos e Reino Unido). Não sou conhecedor do mercado editorial espanhol, mas só ouço falar bem - dizem que é um dos mais prósperos da Europa. Por isso não espanta a notícia de que eles vão ler Foster Wallace junto com os povos do outro lado do Canal da Mancha, do oceano Atlântico e terras que falam inglês.

El rey pálido chega quinta-feira às livrarias espanholas pela Mondadori com tradução de Javier Calvo. A capa tem o mesmo projeto da edição norte-americana. Para comemorar o lançamento, o blog Papeles Perdidos (do jornal El País) publicou com exclusividade o primeiro capítulo da tradução. O trecho está disponível nesse link.

A editora explica um pouco da história do livro:
Os funcionários do Centro Regional de Investigação da Receita Federal em Peoria, Illinois, parecem bastante normais para o trainee recém-chegado David Foster Wallace. Mas a medida que ele mergulha em uma rotina tão enfadonha e repetitiva que os novos funcionários tem de receber treinamento de sobrevivência ao tédio, ele descobre a extraordinária variedade de personalidades atraídas para este chamado estranho. E ele chega num momento em que forças dentro da Receita Federal estão conspirando para eliminar até mesmo o pouco de humanidade e dignidade que o trabalho ainda tem. No seu estilo característico, cheio de citações, notas de rodapé e interrupções do autor na história, David Foster Wallace reflete sobre o tédio e felicidade.
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Por aqui, a gente conta apenas com a tradução feita por José Rubens Siqueira para coletânea de contos Breves entrevistas com homens hediondos. No entanto, no meio do ano a Companhia das Letras anunciou que vai lançar não só The pale king, como também uma coletânea de não ficção e Infinite jest - o monolito de Foster Wallace. Por enquanto, os três ainda não têm data prevista de lançamento. Seja como for todo mundo está comemorando e cruzando os dedos em busca de notícias. Afinal Foster Wallace tem uma verdadeira legião de fãs, assim como Thomas Pynchon, J.G. Ballard e outros tantos mais.

Detalhe: David Foster Wallace não tem nenhuma tradução em Portugal.

*Imagem: reprodução da capa da edição espanhola.

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quinta-feira, 3 de março de 2011

TRÊS VEZES - DAVID FOSTER WALLACE

Se estivesse vivo, David Foster Wallace estaria completando 49 anos na semana passada. A data fez circular uma série de notícias a respeito do autor morto em 2008. Wallace era tido como um dos melhores escritores de sua geração.

A primeira delas foi o documentário "Endnotes: David Foster Wallace", apresentado pelo Professor Geoff Ward na rádio BBC. O programa foi ao ar no começo de fevereiro e trouxe um punhado de informações importantes a respeito de Foster Wallace. Nada parecido foi feito desde o seu suicídio. O documentário tem a participação de pessoas que foram muito próximas a ele: os escritores Don Delillo, Mark Costello e Rick Moody, sua irmã Amy Wallace, o editor Michael Pietsch e sua agente Bonnie Nadell. Para completar aparecem algumas entrevistas que o próprio Foster Wallace concedeu antes da publicação de Infinite Jest - até o momento esse romance de 1000 páginas é sua obra prima.



Revirando os arquivos o pessoal do The Ransom Center, na Universidade do Texas, encontrou o manuscrito da primeira página de Infinite Jest. Tem as anotações, os rabiscos, as correções e tudo mais - no melhor estilo Foster Wallace. (via mcnallyjackson)



Para completar uma história entitulada Backbone foi publicada na revista New Yorker. Na verdade, esse é um trecho de The pale king, livro inédito e inacabado de David Foster Wallace - deve ser o lançamento mais quente do ano, até o momento. O livro será publicado nos Estados Unidos em 15 de abril. Muito aguardado.

Para sentir um pouco do estilo de Foster Wallace, vou reproduzir aqui os dois parágrafos iniciais:
"Every whole person has ambitions, objectives, initiatives, goals. This one particular boy’s goal was to be able to press his lips to every square inch of his own body.

His arms to the shoulders and most of his legs beneath the knee were child’s play. After these areas of his body, however, the difficulty increased with the abruptness of a coastal shelf. The boy came to understand that unimaginable challenges lay ahead of him. He was six.

There is little to say about the original animus or “motive cause” of the boy’s desire to press his lips to every square inch of his own body. He had been housebound one day with asthma, on a rainy and distended morning, apparently looking through some of his father’s promotional materials. Some of these survived the eventual fire. The boy’s asthma was thought to be congenital".
O trecho completo está disponível aqui.

*imagem: reprodução.
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