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terça-feira, 13 de maio de 2014

WALLACE ESTÁ CHEGANDO



Veja bem, eu não confirmei a veracidade dessa informação, mas li por aí que a tradução de Caetano Galindo para o romance-monumental Infinite Jest, de David Foster Wallace deve chegar às livrarias brasileiras em novembro. Parece que o título em português brasileiro será... GRAÇA INFINITA (o livro saiu em Portugal com o título A piada infinita). Eu achei uma graça - com o perdão do trocadilho. Tomara que o título seja esse mesmo.

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No ano passado, a revista CULT publicou um pequeno trecho da tradução feita por Galindo. Substância - para matar a nossa curiosidade enquanto novembro não chega.

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Em tempo, parece que tanto a família de David Foster Wallace quanto a editora de seus livros no Estados Unidos não estão de acordo com o filme "The End of the Tour", dirigido James Ponsoldt. Eles publicaram um comunicado dizendo que não apoiam o filme e nem o consideram uma homenagem a memória do autor. Resta saber se vão entrar com alguma medida legal para impedir as filmagens que já começaram.

*Imagem: capa da edição norte-americana de Infinite Jest/Reprodução.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A PIADA INFINITA EM PORTUGAL



Vira e mexi eu escrevo sobre notícias literárias vindas de Portugal - a nossa "pátria-mãe d'lém mar". Daqui a pouco vocês vão pensar que me mudei para o Porto ou Lisboa. Nada disso, continuo firme e forte aqui no Brasil. Só que não pude resistir ao pequeno burburinho em torno do lançamento de A piada infinita, tradução do livro-monumento Infinite Jest, de David Foster Wallace que saiu por lá no finalzinho do ano passado.

(Comentei em julho nas NOTAS #38)

A tradução saiu pela editora Quetzal e ficou a cargo da dupla Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho. Os dois juntos levaram aproximadamente seis meses para chegar ao resultado final de 1198 páginas, lombada de 5,2 cm e peso de 1492 gramas - não deixa de ser um tempo impressionante considerando que a versão para o alemão, por exemplo, levou quatro anos e terminou com 1552 páginas.

O lançamento teve uma série de eventos com bottons, reportagens especiais em jornais e revistas, fitinhas com frases do livro e até um debate com editores e tradutores do livro. Tudo para celebrar a maior obra da literatura norte-americana contemporânea, segundo uma eleição feita por grande parcela da crítica literária.

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A tradução para o português do Brasil está nas mãos de Caetano Galindo e deve ser lançada ainda nesse ano pela Companhia das Letras. Ele mantém uma coluna no blog da Companhia para falar sobre o processo de tradução do livro e alimentar a curiosidade de uma legião de leitores fanáticos por Foster Wallace. Parece que ele já está na página 400. 

Um trecho da tradução apareceu na revista Cult, em dezembro - não encontrei o link.

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De volta a versão portuguesa, aqui está o trechinho inicial. Tem mais aqui, se vc quiser dar uma olhada.

ANO DE GLAD
     Estou sentado numa sala, rodeado de cabeças e de corpos. A minha postura é conscientemente congruente com a forma da minha dura cadeira. É uma sala fria do edifício da Administração da Universidade, com paredes apaineladas em que havia quadros à maneira de Remington e janelas duplas que a defendiam do calor de novembro, protegida de sons administrativos pela zona da receção na qual o tio Charles, o senhor DeLint e eu tínhamos sido recebidos.
     Eu estou aqui.
     Três caras ocuparam lugar em cima de casacos desportivos de verão e largas gravatas de seda do outro lado de uma mesa de conferências de pinho polido que brilha com a luz – que parece uma teia de aranha – do meio-dia do Arizona. São os três deões: o das Admissões, o dos Assuntos Académicos e o dos Assuntos Desportivos. Não sei a qual corresponde cada cara.
     Creio que estou a dar uma imagem neutra, talvez mesmo agradável, embora me tivessem instruído a carregar nas cores da neutralidade e não fazer nenhuma tentativa em matéria do que me pareceria ser uma expressão amável ou um sorriso.
     Decidi-me a cruzar as pernas, espero que com todo o cuidado, com o tornozelo em cima do joelho e as mãos juntas no regaço das calças. Os meus dedos estão entrelaçados numa série especular daquilo que, para mim, se manifesta com a letra X. O restante pessoal que ocupa a sala de entrevistas inclui: o diretor de Composição da Universidade, o treinador da equipa principal de ténis e A. DeLint, pró-reitor da minha Academia. Ao meu lado está C.T.; os outros estão, respetivamente, sentados, de pé e de pé na periferia da minha visão. O treinador de ténis faz tilintar algumas moedas. Há qualquer coisa vagamente digestiva no odor da sala. A sola de alta tração dos meus ténis Nike oferecidos está em paralelo com o bamboleante sapato de couro do meio-irmão da minha mãe, presente na condição de meu reitor, sentado na cadeira que espero que esteja à minha direita e também de frente para os deões.

*Imagem: capa da edição portuguesa.

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DAVID FOSTER WALLACE ENTRE A REALIDADE E A FICÇÃO


Muita gente já conhece as características da literatura feita por David Foster Wallace - pelo prazer ou pela dor, tem quem ama e quem odeia. Portanto, não vou ficar chovendo no molhado dizendo que a obra dele é cheia de ironia, metalinguagem, discurso indireto livre, jargões, palavras inventadas, longas sentenças e notas de rodapé gigantes. Chega de tudo isso, vamos falar de coisa boa: fofocas, claro!

Na semana passada chegou às livrarias norte-americanas a primeira biografia do escritor
Every Love Story Is a Ghost Story, de D.T. Max. Wallace sofria de depressão profunda, teve muitos períodos de internações em clínicas, lutou contra a dependência do álcool e da maconha e cometeu suicídio em 2008. A biografia é oficial. D.T. Max contou com a colaboração da família e dos amigos próximos a Foster Wallace, além de ter tido acesso às cartas, manuscritos etc., que o escritor deixou guardada em seu arquivo.

Evidentemente, ainda não li a biografia, mas a revista Rolling Stone (gringa) leu e adiantou "seis coisas que a gente não sabia sobre David Foster Wallace". Por exemplo, ele não era tão bom jogando tênis, votou em Ronald Regan para presidente (mas odiava George W. Bush), tinha problemas paranóicos com higiene (suava muito e carregava uma escova de dentes na meia, para emergências) e planejou matar o marido da escritora Mary Karr (com quem teve um relacionamento bastante conturbado).

Parece que a maior curiosidade da biografia está nas possíveis ligações que podem ser feitas entre a vida de Wallace e o enredo dos livros Liberdade, de Jonathan Franzen e A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides. Em tempos de autoficção exagerada também acho chato quando alguém pergunta "o que a personagem tem em comum com você?" ou "o livro é sobre você?". Só que a gente pode perdoar essa situação no caso desses três escritores sobretudo quando vemos muitas semelhanças entre Leonard Bankhead, Richard Katz (personagens) e Foster Wallace (o real) - a bandana na cabeça, o hábito de mascar fumo e a sagacidade intelectual. Eles eram muito amigos, amadureceram suas obras quase ao mesmo tempo e faziam parte de um grupo de escritores pertencentes a uma geração. Viveram muita coisa juntos, portanto é natural que tenham histórias para contar sobretudo depois da morte trágica de Wallace.

Quando perguntam da semelhança "realidade x ficção", Eugenides sempre nega dizendo que estava pensando na banda Gun's in Roses. Não lembro de alguma resposta de Franzen, mas ele era muito amigo de Wallace e as disputadas entre Walter e Richard tem qualquer coisa da vida real que são impossíveis de negar - como na frase meu objetivo era "colocar meu pênis na vagina quanto possível" (a frase está tanto em Liberdade quanto na biografia).

Verdade ou mentira, esse tipo de coisa não estraga a qualidade dos livros. Pelo contrário, acabam servindo como um elemento de atração. Afinal, todo mundo sempre vai querer comprovar sua fantástica teoria. Vai ver aconteceu de contarem essas coisas sem querer.

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Em tempo, a Companhia das Letras lança em outubro Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, a coletânea de não-ficção de David Foster Wallace com organização e tradução da dupla de escritores Daniel Galera e Daniel Pellizzari.

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Já Caetano Galindo (que acabou de ler essa biografia do Foster Wallace) está trabalhando na tradução de Infinite Jest. Segundo ele escreveu no twitter o trabalho já está em 250 laudas - ainda é pouco perto das mais de 1000 páginas do livro, mas animador para os fãs do escritor.

A tradução portuguesa saí em novembro com o título de A piada infinita. Tido como um lançamento importante, a editora Quetzal criou um blog reunindo notícias de jornal e outros mimos.

*Imagem: reprodução.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

NOTAS #38

Jantar fictício
Já imaginou se a gente conseguisse fotografar as refeições das nossas personagens favoritas? Foi pensando nisso que Dinah Fried montou a série Fictitious Dishes retratando refeições dos romances O apanhador no campo de centeio (foto acima), Oliver Twist, Alice no país das maravilhas, Os homens que não amavam as mulheres e Moby Dick. Nem preciso dizer que o prato do Oliver Twist é o mais simples, né?

Ficção para homens
Foi se o tempo em que romances e contos eram mania das "senhouras". Não se engane: ficção também é coisa para homem. Se alguém ainda tinha alguma dúvida, a revista Esquire responde com três novas histórias assinadas por Stephen King e Joe Hill (respectivamente, pai e filho), Lee Child e Column McCann - foram publicadas na edição do mês passado. Tem de ser muito macho!

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Falando nisso, o novo romance de Column McCann está pronto, mas deve chegar às livrarias norte-americanas somente em 2013. O livro chamado Transatlantic usa a história de três pessoas reais para criar uma obra de ficção: um escravo negro que parte dos Estados Unidos rumo a Irlanda em busca de democracia e liberdade, em 1845; dois jovens pilotos de avião deixam a Primeira Guerra Mundial para protagonizar o primeiro vôo transatlântico entre Newfoundland e o oeste da Irlanda, em 1919; e um senador americano que viaja para a Irlanda em busca de paz, em 1998.

De uma certa forma, McCann repete uma experiência que está presente em Deixe o grande mundo girar - transformando em ficção a história real do artista francês Philippe Petit caminhando por um cabo de aço entre as torres do World Trade Center. Enquanto o artista se apresenta várias histórias brotam e convergem para um ponto de vista único. Afinal, como o próprio McCann gosta de afirmar "uma história são todas as história".

Edição limitada
1Q84, de Haruki Murakami fez muito sucesso nos países em que foi publicado. Nada que se compare ao lançamento no Japão, com as filas enormes e leitores dormindo na porta das livrarias - digamos que na Europa e nos Estados Unidos o frisson foi um pouco menor. Pois bem, se você é fã do escritor japonês é bom correr logo. Acaba de sair uma edição limitada e autografada de apenas 111 exemplares de 1Q84. Os três volumes recebem papel e tipografia especial. Ah! O texto está em inglês.

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No Brasil, 1Q84 deve chegar no segundo semestre - em edição normal mesmo.

Serrote 11
Acaba de chegar às livrarias a nova número da Serrote, revista de ensaismo publicada pelo Instituto Moreira Salles. A capa e o ensaio visual fazem parte da série Cabinet, feita pela americana Roni Horn. Tem ainda um um ensaio exclusivo do colombiano Héctor Abad sobre Joseph Roth; um perfil da escritora Marguerite Duras assinado por Enrique Vila-Matas; Brian Boyd falando sobre Machado de Assis e Vladimir Nabokov; Susan Sontag descrevendo seu encontro com o escritor Thomas Mann e Harold Pinter falando da primeira noite em que viu Samuel Beckett e muitas outras coisas mais.

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As duas belas surpresas ficam por conta do perfil de Michael Jackson assinado por John Jeremiah Sullivan, sensacão do ensaísmo americano, e o jovem jornalista Karl Marx na visão de Christopher Hitchens.

Foster Wallace em terras portuguesas
Uma notícia envolvendo David Foster Wallace está agitando a temporada de lançamentos literários em Portugal. Salvato Telles Menezes e Vasco Menezes, respectivamente pai e filho, estão empenhados na árdua tarefa de traduzir Infinite Jest - na versão portuguesa o livro receberá o carinhoso título de A piada infinita. O livro tem previsão de lançamento em novembro pela editora Quetzal e irá inaugura uma série de traduções da obra de Foster Wallace em Portugal (até agora nenhum de seus livros tinha sido publicado no país).

Salvato Telles Menezes (o pai) tem no currículo traduções dos livros V., de Thomas Pynchon e Cidades da noite vermelha, de William Burroughs (foi publicado no Brasil com o título Cidades da noite escarlate). Já Vasco Menezes (o filho) traduziu obras de Chuck Palahniuk e Por um fio, de Thomas McGuane (inédito no Brasil).

As mais de mil páginas foram traduzida apenas na Espanha (La broma infinita) e na Alemanha (Unendlicher Spaß) - por lá, o trabalho levou quatro anos.

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No Brasil, Infinite jest será publicado pela Companhia das Letras com tradução de Caetano Waldrigues Galindo (que traduziu Ulysses e muitas coisas mais). Ainda não tem previsão de lançamento, mas não deve sair antes de 2013.

*Imagens: Dinah Fried/reprodução; The Curved House/reprodução e capas do livros/divulgação.

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