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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

OBSERVAÇÕES SOBRE LITERATURA E VIDEOGAME



Um dos motivos que me fizeram ficar longe das atualizações desse blog atende pelo nome de "The Last of Us", o jogo da Naughty Dog para o PlayStation 3 (que pena que os jogos de videogame não contam com títulos em português - será um purismo da minha parte?). Um assunto desses num blog literário pode parecer estranho, mas se você me acompanha desde o começo já deve estar acostumado. Sempre falei do flerte cada dia mais estreito entre a literatura e o universo dos videogames.

Inclusive, a terceira edição do fanzine tratou do tema com dois grandes textos: um artigo sobre Cormac McCarthy no videogame e uma pequena entrevista com os designers Peter Smith e Charlie Hoey responsáveis por uma adaptação 8 bits de O grande Gatsby. Dali eu chamo atenção para um momento em que eles falam do desejo incontrolável que algumas pessoas da indústria dos games (escritores, críticos e empresários) não escondem de ninguém de que os jogos avancem a ponto de conseguir emular um filme ou livro.

Não sei dizer se no futuro o videogame conseguirá essa façanha porque cada meio narrativo (filme, livro ou jogo) tem as suas especificidades, mas - guardadas as devidas proporções - os jogos trilham esse caminho e parecem próximos de atingir esse objetivo.

"The Last of Us" é um caso a ser avaliado. Os desenvolvedores da Naughty Dog conseguiram a proeza de construir um jogo que nos envolve emocionalmente usando uma história bastante verossímil com personagens autênticas e uma trama cheia de reviravoltas - sem mencionar a riqueza dos detalhes gráficos, a beleza imagens e a qualidade do som. Basicamente, o jogo acontece num futuro não muito distante em que a humanidade é infectada por uma doença causada por um fungo que os transforma numa espécie de zumbis (parece um mundo apocalíptico, mas as cidades dos Estados Unidos servem de cenário com elementos fáceis de reconhecer - o prédio do Capitólio, o skyline de Pittsburgh, as rodovias, o Financial District, os subúrbios, uma universidade etc.). 

Acompanhamos e protagonizamos a história de Joel, um sujeito durão que perdeu a filha de uma forma trágica enquanto tentava fugir da epidemia. Anos depois, ele sobrevive numa zona de quarentena e por obra do destino embarca numa missão de escoltar uma menina especial chamada Ellie até um grupo de pessoas que pode encontrar a cura para a infecção. No percurso muitas coisas vão acontecer - não vou contar mais nada para não estragar a surpresa.

Os dialógos são muito bem sacados (não parecem nem um pouco artificiais), tem humor, tem drama, tem suspense e tem transformação das personagens. As cenas não cortam a ação de modo abrupto e tudo se desenrola com lógica e sutileza. Outro trunfo muito plausível, tal qual a vida real temos de investigar os ambientes em busca de suprimentos para sobreviver (precisamos encontrar armas, aperfeiçoá-las, achar munição - que acaba se você desperdiçar -, 'alimentos', kits médicos e todo o resto). Joel também coleciona manuais que ensinam a montar explosivos, afiar facas etc. Como narradores-protagonistas comandamos três personagens (a filha de Joel, Joel e Ellie) e manipulamos a câmera para ver o ambiente.

Comparando ingenuamente o jogo aos romances, me parece claro que a narrativa não joga com mecanismos mais complexos como lacunas, fluxo de consciência e matizes psicológicos das personagens. Ficamos num nível mais superficial. Também faz falta a materialidade linguística que opera verdadeiros milagres ao contrário das artes visuais que precisam apreender tudo em imagens para fazer o expectador imergir na 'história'.

Seja como for, "The Last of Us" representa um avanço na sonhada aproximação com as artes literária e cinematográfica. Li alguns críticos comentando que esse jogo é tão espetacular que ele até impõe um desafio de ser superado - o que pode demorar muito para acontecer. Vamos acompanhar.

***

Em tempo... 

Mais cedo comentei a Copa de Literatura Brasileira e enquanto escrevia sobre "The Last of Us" me lembrei de um papo recorrente que associa a Copa ao fato de sermos tão fissurados por videogames que criamos um combate literário - como se a literatura pudesse servir para tal finalidade: um contra o outro tendo por objetivo a vitória. Acho prudente dizer que nem todos os participantes da Copa são assim tão ligados em videogame e todos reconhecem logo na largada a dificuldade que é comparar dois livros pela natureza singular e subjetiva de cada obra e gosto (estou falando de uma impressão muito particular, pois não conheço todo mundo da Copa pessoalmente). O intuíto da Copa, como está descrito no site, é promover o debate em torno da ficção brasileira contemporânea expondo as justificativas dos jurados e as falhas no processo de escolher ("premiar"?) o "melhor". Portanto, senhores, aviso que a ocorrência de um texto sobre videogames e literatura ao lado de um outro texto sobre a Copa é mera coincidência. E tenho dito!

Daqui a pouco eu volto com mais... LITERATURA.

*Imagem: reprodução
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A LITERATURA VAI AO CINEMA EM 2012

Estou preparando uma "série" de textos com coisas sobre as quais vamos falar bastante em 2012. De alguma maneira, essa "série" começou com os lançamentos de ficção previstos pelas editoras ao longo do ano. Agora listo os livros que vão ganhar adaptações para o cinema.

O trânsito entre literatura e cinema sempre existiu, desde a invenção do cinema. Não é coisa de agora. É um caminho natural, imagino. E um livro que vira filme sempre gera movimento: a pessoa que gosta do filme pode comprar o livro e recomendar aos amigos. É difícil ater-se apenas ao grau de fidelidade do filme para com o livro. Todo mundo sabe que as duas formas de arte são diferentes e tem suas particularidades. Há livros que quase não se deixam transformar em roteiros e imagens, assim como filmes que por mais que fossem exaustivamente descritos com palavras jamais poderiam repetir a experiência de ver uma tela com nossos próprios olhos. Estou falando aqui de maneira prosaica.

Se você sentiu falta de algum filme, por favor, deixe um recado nos comentários.

Hergé
Não é propriamente um romance, um conto ou uma novela. É quase isso. É a HQ Tintim, de Hergé. A aventura cinematográfica do intrépido repórter e seu fiel cão tem sido uma das mais comentadas da temporada. A direção de Steven Spielberg e toda a novidade tecnológica por trás da animação prometem. Lançamento em 20 de janeiro.

Stieg Larsson
O ano começa com o filme Millennium - Os homens que não amavam as mulheres. Será a primeira adaptação dos estúdios de Hollywood para o best seller mundial escrito por Stieg Larsson. O livro já tinha ganhado uma versão para o cinema na Suécia, mas não teve o mesmo apelo de marketing e foi pouco comentado. Na versão norte-americana a direção ficou nas mãos de David Fincher (diretor de Zodíaco, O curioso caso de Benjamin Button e A rede social) tendo Daniel Craig no papel de Mikael Blomkvist e a "novata" Rooney Mara dando vida a Lisbeth Salander. O livro faz parte de uma trilogia de sucesso e certamente haverá na sequência filmes para os outros dois livros. Lançamento em 27 de janeiro.

Jonathan Safran Foer
Extremamente alto & incrivelmente perto chega às telas de cinema com direção de Stephen Daldry (curiosamente o nome do filme ficou Tão perto e tão longe). Para a gente não esquecer os incidentes que aconteceram em 11 de setembro nos Estados Unidos e celebrar um grande romance contemporâneo. O elenco tem Tom Hanks, Sandra Bullock e Thomas Horn (o garoto da história que percorre Nova York em busca de encontrar a fechadura que corresponde à misteriosa chave deixada pelo pai). Lançamento em 2 de março.

Guy de Maupassant
Os diretos estreantes Declan Donnellan e Nick Ormerod preparam uma versão para o romance Bel Ami, de Guy de Maupassant. O elenco tem Uma Thurman, Christina Ricci e Robert Pattinson. O lançamento nos Estados Unidos e Inglaterra está previsto para março.

Jack Kerouac
On the road - pé na estrada, a bíblia da geração beat finalmente vai ganhar uma versão cinematográfica. O filme será dirigido por Walter Salles com produção de Francis Ford Coppola (que comprou os direitos de filmagem do livro em 1979). O ator Sam Riley (estrela do filme Control sobre a banda Joy Division) fará o papel de Sal Paradise e Garrett Hedlund (o mocinho de Tron - o legado) será Dean Moriarty. O elenco ainda tem Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen, Amy Adams, Elisabeth Moss, Tom Sturridge e Terrence Howard. O lançamento está previsto para junho.

F. Scott Fitzgerald
Um clássico de 87 anos aparentemente invencível. Depois de virar até um jogo de videogame, O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald ganha sua terceira adaptação para o cinema. O livro virou filme pela primeira vez em 1949 com direção de Elliott Nugent. A versão mais conhecida foi feita em 1974 com direção de Jack Clayton e roteiro de Francis Ford Coppola. O elenco tinha Mia Farrow e Robert Redford nos papéis principais. O responsável por atualizar a história contada por Fitzgerald será Baz Luhrmann (de Moulin Rouge - amor em vermelho). Dessa vez o casal Jay Gatsby e Daisy Buchanan será interpretado por Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan. Promete ser um olhar renovador e fantasioso sobre a Era da Grande Depressão. Lançamento previsto nos Estados Unidos e Inglaterra para dezembro.

Yann Martel
O diretor Ang Lee (Razão e sensibilidade e Brokeback Mountain) vai levar ao cinema uma adaptação de A vida de Pi, de Yann Martel. O romance ganhou o Man Booker Prize em 2002. Conta a história do menino indiano Pi Patel que depois de um naufrágio permanece preso num bote com um tigre, um orangotango, uma zebra e uma hiena. A primeira tradução para o português saiu em 2004 pela Editora Rocco e uma nova edição saiu em 2010 pela Nova Fronteira. Lançamento previsto nos Estados Unidos e Inglaterra para dezembro.

Don DeLillo
Ainda não foi confirmado, mas parece quase certo que David Cronenberg deve estrear sua adaptação de Cosmópolis, de Don DeLillo ainda esse ano. Boatos dão conta de que o filme deve ser lançado até o outono norte-americano. O filme tem Robert Pattinson, Paul Giamatti e Juliette Binoche. A confirmar.

***ATUALIZAÇÃO***

Lionel Shriver
Esqueci de comentar a adaptação do eletrizante romance de Lionel Shriver, Precisamos falar sobre Kevin. A história da mãe que precisa lidar com o fato de seu filho ter sido autor de um massacre no colégio em que estuda foi dirigida pela escocesa Lynne Ramsay (este é seu terceiro longa metragem). Tilda Swinton vive Eva Khatchadourian. O papel lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz - drama. A editora Intrínseca prepara uma edição especial do livro com capa inspirada no cartaz nacional do filme. Lançamento em 20 de janeiro.

Outros
Estréia hoje O espião que sabia demais baseado em livro de John Le Carré. O elenco tem Gary Oldman, Colin Firth e Tom Hardy. Tem também o novo filme de Guy Ritchie para o personagem mais famoso dos romances policiais, Sherlock Holmes.

*Imagem: reprodução do Google.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A LITERATURA E O VIDEOGAME

De uns tempos para cá, uma da obsessão dos "nerds" do Vale do Silício é criar um game que tenha tanta complexidade narrativa quanto Moby Dick, de Herman Melville. Quem confirma o fato é o jornalista Harold Goldberg. O caderno Link (do Estadão) publicou um artigo interessantíssimo assinado por ele comentando as ideias por trás de seu livro All Your Base Are Belong to Us: How Fifty Years of Videogames Conquered Pop Culture (importado - ainda sem previsão de lançamento em português).

No tal artigo, Goldberg menciona a ascensão dos desenvolvedores de jogos nas últimas décadas a verdadeiros "mestres do ritmo, do clima e dos diálogos de uma narrativa". A ponto de fazerem os jogares sentirem um nó na garganta, por exemplo. A certa altura ele diz "a história de um jogo pode ser tão envolvente quanto a trama de um best-seller da literatura".

Não restam dúvidas quanto a capacidade dos games de criarem universos tão imersivos quanto os romances. Sobretudo se pensarmos em jogos tão populares quanto LA Noire ou a série God of War. Mas será mesmo que grandes obras da literatura podem render grandes jogos? Por enquanto a resposta é não. Como tudo na vida, a literatura e os jogos de videogame são "narrativas" com uma linguagem própria e específica. A experiência de ler algumas palavras nas páginas de um romance é bem diferente de acionar o avatar de um jogo a fim de vencer um obstáculo. Da mesma forma que as ações dos avatares não fazem muito sentido quando transportadas para os livros. Sendo assim, melhor encararmos um jogo como um jogo e um romance como um romance - ainda que entre os dois universos tenham retirado suas inspirações uns dos outros.

Foi partindo dessas ideias que pensei no tema videogame para a terceira edição do fanzine. É saudável que a literatura deixe de lado aquele ambiente sacro em que muitos gostam de trancafiá-la para se aproximar de um tema pop - para não dizer, um tema do cotidiano das pessoas. Ao longo do ano vários "joguinhos" inspirados no universo literatura foram aparecendo. Talvez o mais famoso tenha sido a adaptação de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald para a versão 8 bits em estética Nintendo. Ambos estão presentes no fanzine por meio de um trecho da nova tradução feita por Vanessa Bárbara (saiu pela Penguin-Companhia); e de uma entrevista com os dois desenvolvedores do jogo. Vale dizer que não foi a primeira vez que o romance de Fitzgerald foi adaptado para os games, a Big Fish Games também fez uma tentativa meio frustrada.

Outros destaques do fanzine são: o artigo de escrito especialmente por G. Christopher Williams relacionando o universo do Cormac McCarthy com os videogames; e o texto de Antônio Xerxenesky imaginando dez romances como se fossem videogames. Não podia faltar também uma recomendação de três livros que viraram jogos - os jogadores podem opinar se a adaptação foi boa ou ruim.

A cereja do bolo está nas ilustrações em estilo 8 bits feitas para a edição com exclusividade pelo designer Grafilu. Para fazer o download do fanzine Casmurros #3 basta clicar nesse link.

*Imagem: reprodução da tela inicial do jogo The great Gatbsy.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CASMURROS #3




Nessa edição: Simone Campos, Cormac McCarthy, Flann O'Brien, Georges Perec, F. Scott Fitzgerald, Antonio Xerxenesky e mais. Ilustrações: Grafilu.

TAMANHO: 5.22MB
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sábado, 26 de fevereiro de 2011

NOTAS #19



Capas vivas
Calma, leitor! A imagem acima pertence a Thomas Allen, um artista plástico americano. Ele faz montagens usando apenas recortes de capas de livros vintage. Depois de selecionar, recortar com cuidado, montar e fotografar o resultado final causa uma impressão de tridimensionalidade. As capas estão vivas e interagindo. E tem uma montagem melhor que a outra. Descobri o cara no blog do Almir de Freitas - Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro.

A estante sentimental
Milton Hatoum está preparando um novo romance que será publicado ainda esse ano. Um trecho desse novo livro foi publicado na seção "_ficção" da revista Piauí com o título de Aura. À coluna Painel das Letras, assinada por Josélia Aguiar, o escritor amazonense confessou dez livros que considera sentimentalmente importantes. Entre eles estão: Coração das trevas, de Joseph Conrad; A educação sentimental, de Gustave Flaubert; Luz em agosto, de William Faulkner; Infância, de Graciliano Ramos; Dublinenses, de James Joyce e O processo, de Franz Kafka. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/4h4qbjj

Questão de gênero
Você escreve como homem ou como mulher? Inspirado por um artigo publicado na revista do New York Times, Shlomo Argamon e Moshe Koppel desenvolveram um algoritmo capaz de detectar o gênero de um escritor. Para fazer um teste, peguei o trecho inicial de O som e a fúria, de William Faulkner. O resultado final foi: "o autor desse trecho é homem". Outro teste, dessa vez com um trecho de Pornopopéia, de Reinaldo Moraes. Confirmado: "o autor desse trecho é homem". Para não ter mais dúvida, outro teste com um trecho de Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. O resultado foi: "o autor desse trecho é homem". Será que o algoritmo não entende a língua portuguesa? O formulário para os testes está disponível em http://tinyurl.com/yafgus

Podcast
A revista New Yorker convidou a escritora Anne Enright para participar do seu podcast de ficção. Cada mês a "ultracool" editora Deborah Treisman convida escritores para escolherem um conto que já tenha sido publicado pela revista. Anne Enright escolheu The swimmer, de John Cheever. Ela disse que leu o conto, assistiu a adaptação do conto num filme de 1968 estrelado por Burt Lancaster e ficou impressionada com a melancolia e a beleza da história. O conto também está na coletânea 28 contos de John Cheever, com seleção de Mario Sergio Conti publicado pela Companhia das Letras. O conto se chama O nadador e a tradução foi feita por Jorio Dauster. O podcast com leitura de Anne Enright está disponível em http://tinyurl.com/49rcxvh

Velhos safados
Quase toda semana o blog Flavorwire nos manda um post bacana. Dessa vez, eles fizeram uma lista com dez escritores que pode ser que sejam velhos bem safados. A listatem algumas escolhas evidentes como Charles Bukowski, Geoffrey Chaucer, Vladimir Nabokov e Henry Miller. Porém, causa surpresa saber que James Joyce, John Updike, Michel Houellebecq, Philip Roth e até William Shakespeare já tenham sofrido das fraquezas da carne. Alguém se arrisca a fazer uma lista parecida com escritores brasileiros?



Videogame literário
Uma das notícias mais comentadas das últimas semanas tem sido o game baseado no livro O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Não é a primeira vez que essa história vira um jogo, a empresa Big Fish Games já desenvolveu um jogo para PC. A diferença é que a nova versão tem mais "jogabilidade" e os desenhos têm aquele apelo vintage do Nintendo antigo. Será que Fitzgerald é o escritor preferido dos gamemaníacos?

***

Em tempo, o blog do caderno Prosa e Verso descobriu um outro jogo baseado na peça Esperando Godot, de Samuel Beckett. Com certa nostalgia, o visual do jogo imita o bom e velho Atari. Ah! E você pode escolher se quer jogar com o Didi ou com o Gogo - apelido das personagens Vladimir e Estragon. O jogo existencialista baseado no teatro do absurdo está disponível em http://tinyurl.com/4dl4pxl

*imagens: reprodução do Google.

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sábado, 27 de novembro de 2010

NOTAS #10


Arte ou obsessão?
Alfred Hitchcock tinha fama de ser um sujeito muito detalhista e meticuloso. Antes mesmo de começar qualquer filme, ele costumava pensar e avaliar muito as coisas que pretendia fazer. Prova disso são os arquivos contendo os vários storyboards para filmes como Os pássaros, Um corpo que cai, Psicose, etc. Juntos esses "estudos" poderiam resultar num belo graphic novel. Será que alguém já pensou em publicá-los em forma de livro? Alguns trabalhos podem ser visto em http://tinyurl.com/39osuom

Listas
Um blog na internet fez uma compilação com os 50 personagens mais odiados na história da literatura. Os organizadores avisaram que a lista resultou de conversas num fórum de discussão online. Os cinco primeiros são: o casal da saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer; o patriarcar Cholly Breedlove - O olho mais azul, de Toni Morrison; o adolescente Holden Caulfield - O apanhador no campo de centeio, de J.D. Salinger; a heroína Scarlett O’Hara - E o vento levou..., de Margaret Mitchell; e o terrível Iago - Otelo, de William Shakespeare. Também tem espaço para as personagens de F. Scott Fitzgerald, Vladimir Nabokov, Oscar Wilde e Jane Austen. A lista está disponível em http://tinyurl.com/2ejwpkl

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Continuando as listas, o jornal Huffington Post escolheu 8 livros que jamais conseguiriam virar um filme. Entre eles estão: Extremamente alto & incrivelmente perto, de Jonathan Sanfran Foer; Maus - A Historia De Um Sobrevivente, de Art Spiegelman e Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez.

Mais uma vez
F. Scott Fitzgerald caiu novamente nas graças dos diretores de cinema. Depois da adaptação bem sucedida de O curioso caso de Benjamin Button, produtores americanos anunciaram uma nova versão para O grande Gatsby. O romance mais conhecido de Fitzgerald chegará as telas pelas mãos do diretor Baz Luhrmann, tendo o ator Leonardo DiCaprio como Jay Gatsby e Carey Mulligan como Daisy Buchanan. Vale lembrar e assistir a famosa versão de 1974 dirigida por Jack Clayton, com Robert Redford e Mia Farrow no elenco. Detalhe: o roteiro foi assinado por Francis Ford Coppola e pelo próprio Fitzgerald.


Jane Austen Zumbi
Além de ser mestre nas artes marciais, Elizabeth Bennet do romance Orgulho, preconceito e zumbis tem um perfil no Facebook. A brincadeira faz parte de uma campanha de marketing da editora Quirk Books. A ideia é gerar publicidade boca-a-boca em torno do lançamento de Pride and prejudice and zombies: Dreadfully ever after - previsto para março do ano que vem. O livro será uma sequência de Pride and prejudice and zombies: Dawn of the Dreadfuls, de Steven Hockensmith. A Quirk ainda criou um perfil de Mr. Darcy no Twitter, um blog para Mrs. Bennett e prevê mais ações na internet.

Larsson em quadrinhos
Definitivamente, o sucesso em torno do escritor Stieg Larsson não tem hora para acabar. Dessa vez, a vida do escritor será transformada em quadrinhos com roteiro de Guillaume Lebeau e desenhos de Frédéric Rébéna. O livro tem previsão de lançamento em 2011 pela editora Dupuis.

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O Wall Street Journal também encontrou um e-mail de Siteg Larsson conversando sobre romances policiais. O texto está disponível em http://tinyurl.com/22ph9sa

Os livros favoritos de Salman Rushdie
Por ocasião do lançamento de Luka e o fogo da vida nos Estados Unidos, o Wall Street Journal perguntou a Salman Rushdie seus livro de fantasia preferidos. Sem pestanejar, o autor citou cinco livros que não são apenas para adolescentes: Aventuras de Alice no pais das maravilhas / Alice através do espelho, de Lewis Caroll; Peter Pan, de J.M. Barrie; O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien; A bússola de ouro, de Philip Pullman; e O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon.

A notícia Franzen da semana
O romance Freedom, de Jonathan Franzen já está sendo mais assimilado e tem recebido algumas críticas negativas. Para alguns o "hype" em torno de Franzen foi um pouco excessivo. A revista inglesa Literary Review, por exemplo, incluiu o romance na lista de indicados ao Bad Sex in Fiction Award - em tradução livre, significa algo como "Prêmio para o sexo ruim na ficção". O vencedor do prêmio será anunciado em 29 de novembro.

*imagens: reprodução Wikipedia e perfil de Elizabeth Bennet.

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sábado, 9 de outubro de 2010

PAUL AUSTER NO PLAYSTATION

O trânsito entre a literatura e o universo dos videogames está realmente ficando cada vez mais intenso. A Sony anunciou que vai lançar uma versão em game da novela "Cidade de vidro", de Paul Auster para os usuários do PSP - um console portátil do Playstation.

Não ignoro que os e-books os são responsáveis pela aproximação entre livros e jogos. Muita gente anda sonhando com novos modos de contar histórias tendo em vista as infinitas possibilidades de leitura que um e-book proporciona. O assunto já esteve em pauta no Todo Prosa, num texto de Daniel Galera sobre "Luka e o fogo da vida" e num post sobre a adaptação um tanto monótona para PC do romance "O grande gatsby", de Fitzgerald.

O jogo "Cidade de vidro" terá como base a adaptação dessa novela feita para os quadrinhos por Paul Karasik e David Mazzucchelli - duas feras no mundo dos comics. O trabalho da dupla ficou tão bom que ocupou a posição de número 45 no ranking dos 100 melhores quadrinhos em língua inglesa do século XX, do The Comics Journal. Resta saber se a Sony conseguirá o mesmo sucesso ao transformar o livro num jogo.

O enredo de "Cidade de vidro" oferece amplas possibilidades. A novela conta a história do solitário escritor de romances policiais, Daniel Quinn. Durante três dias seguidos, ele recebe uma ligação misteriosa de uma pessoa procurando pelo detetive particular Paul Auster. Intrigado, Quinn atende ao chamado se passando pelo tal detetive e descobre que seu trabalho é proteger um jovem de nome Peter Stillman. "Cidade de vidro" compõe a primeira parte da famosa "A trilogia de Nova York", escrita por Paul Auster no final dos anos 80.

As duas obras já foram publicadas no Brasil: "A trilogia de Nova York" - obra em que a novela "Cidade de vidro" está inserida - saiu pela Companhia das Letras e o quadrinho "Cidade de vidro" saiu pela Via Leterra em 2006.

Não sei em que medida o lançamento do jogo poderá impulsionar a venda do livro e do quadrinho. Imagino que esses dois últimos serão mais comentados entre os usuários do PSP.


*imagem: divulgação e reprodução dos quadrinhos - infelizmente não encontrei nenhuma imagem da versão em português.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

6 ROMANCES DE TRANSFORMAÇÃO

Histórias de metamorfose existem desde os tempos mais antigos e estão presentes, de alguma maneira, nos livros sobre vampiros, zumbis, lobisomens e mutantes que fazem tanto sucesso. Indo mais além descobrimos que todo mundo algum dia já sonhou com a possibilidade de transformar-se em outros e ter poderes sobrenaturais. Porém, a metamorfose pode tornar uma pessoa melhor do que ela é; ou pode transformá-la em algo ainda pior, num caminho de degradação sem retorno. Seis romances sobre metamorfose...

Contos de fadas
de Perrault, Grimm, Andersen e outros
Zahar

Os contos de fadas são a matriz de muitas histórias de transformação e fazem parte do nosso imaginário coletivo. Nesse universo rainhas viram bruxas, feras viram príncipes e moças pobres viram princesas. Quando tudo parece perdido a transformação é capaz de salvar a todos e conduzir todas as coisas para um final feliz. O charme dessa edição são os texto integrais, as belas ilustrações das histórias, a biografia dos autores e o texto de apresentação escrito por Ana Maria Machado.

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O médico e o monstro
Robert Louis Stevenson
L&PM

Outro romance clássico que tem a metamorfose como tema principal. Escrito em 1886, o livro conta uma história de mistério e terror mostrando o lado bom e o lado mau de um mesmo homem. O doutor Henry Jekyll adquire uma estranha personalidade depois de servir como cobaia num de seus experimentos. Assim um violento rapaz conhecido como Mr. Hide aparece na cidade de Londres. O segredo do doutor Jekyll fica ameaçado quando assassinatos começam a acontecer.

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A metamorfose
Franz Kafka
Companhia das Letras

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. Assim começa uma das novelas de transformação mais famosas da literatura mundial. Kafka promove nos leitores um estranhamento constante: somos capazes de reconhecer todos os elementos que fazem parte do universo de Gregor Samsa, mas as situações parecem sempre absurdas e fora de lugar. A metamorfose do caixeiro-viajante não o salva, mas serve para demonstrar o lado cruel da condição humana.

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O visconde partido ao meio
Italo Calvino
Companhia das Letras

As transformações parecem habitar muitos livros escritos por Italo Calvino. Nessa novela o recurso serve como alegoria para demonstrar os tormentos do homem moderno dividido entre o bem e o mal. O visconde Medardo di Terralba é dividido em duas metades depois de ser atingido por uma bala de canhão. Cada uma das metades conseguem viver independente sendo que uma pratica o bem e a outra o mal. O incidente causa enorme confusão no vilarejo onde mora o visconde.

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O curioso caso de Benjamin Button e outras histórias da Era do Jazz
F. Scott Fitzgerald
José Olympio

A história do menino que nasce velho e morre bebê ganhou notoriedade depois de ser adaptada para o cinema. O conto de Fitzgerald faz uma brincadeira com o tempo que corre ao contrário para Benjamin Button. É no amor que está o maior drama: a garota se apaixona pelo velho rapaz e somente por um instante os dois terão a mesma idade e poderão olhar um ao outro como iguais.

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O reino deste mundo
Alejo Carpentier
Martins Editora

A história da independência haitiana serve como pano de fundo para esse romance escrito pelo cubano Alejo Carpentier. O guerreiro Mackandal é a personagem lendária que usa a metamorfose para tentar conduzir seu povo a independência. A dominação dos senhores brancos sofre todo tipo de ataque graças ao poder de Mackandal de transformar-se em insetos, aves, peixes e outros animais. Alguns atribuem a esse livro o nascimento do realismo mágico.

*imagens: divulgação.

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domingo, 19 de setembro de 2010

O GOSTO LITERÁRIO DOS PRESIDENCIÁVEIS

Não achei nada mau o artigo do caderno Prosa & Verso sobre os livros favoritos dos nossos principais candidatos à Presidência da República. Acho o assunto pouco comentado, merecia maior atenção por parte da imprensa especialidade. Imagine um longo perfil dos nossos candidatos baseado em seus hábitos de leitura? Alguém poderia flagrar cada um deles indo a livraria, lendo um livro num momento de descanso ou qualquer coisa do gênero.

Os candidatos também tem uma grande exposição durante esse período de campanha política. O fato de aparecerem com algum livro poderia, de uma maneira tímida, aguçar a curiosidade dos eleitores em torno daquele objeto. Mais ou menos como aconteceu com Barack Obama: em 2008 ele recomendou amplamente a leitura de Terras baixas, de Joseph O'Neill; esse ano causou certo frisson ao sair de uma livraria carregando Freedom, de Jonathan Franzen.

Segundo o artigo do jornal, nossos presidenciáveis preferiram citar apenas os clássicos. Ao contrário de Obama, nenhum deles mencionou algum escritor 'novo' ou ainda vivo - com exceção de Dilma Rousseff que está lendo "El hombre que amaba los perros”, de Leonardo Padura Fuentes. Marina Silva foi a única que não citou nenhum escritor de ficção, falou mais dos grandes acadêmicos que compõe a sua biblioteca.

Os campeões na preferência dos candidatos são Fiódor Dostoiévski e Guimarães Rosa. Ambos foram citados por três dos quatro candidatos. Achei curioso as particularidades: Dilma falou de Proust e seu "Em busca do tempo perdido"; Serra falou de Nelson Rodrigues e Machado de Assis - praticamente leu toda a obra inteira; e Plínio disse que gosta de F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Gabriel García Márquez.

*As caricaturas são do Estadão.com.br

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

A LITERATURA NOS VIDEOGAMES: O CASO GRANDE GATSBY

Você já imaginou que algum dia o seu livro preferido poderia ter uma versão para o vídeogame? Pois foi exatamente isso que aconteceu com O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. A empresa Big Fish Games desenvolveu um jogo para PC a partir da história do livro. Eu não fiz o download para teste e nem joguei uma partida, mas segundo o Los Angeles Times a tal versão ficou a desejar. O problema não é a fidelidade em relação a história original, mas a falta de dinâmica do jogo. Tudo o que o jogador tem de fazer é clicar e acumular pontos em cenários bastante estáticos. Por fim, você apenas acompanha a história sem adentrar aquele universo.

Um dos grandes atrativos dos videogames atuais é justamente dar ao jogador a possibilidade de vencer obstáculos, construir narrativas e participar totalmente da história que está sendo apresentada. Qualquer um que já passou os olhos em jogos do Playstation, Xbox, Wii e afins sabe que os vídeogames estão chegando a um nível de realismo e interatividade incríveis. E o casamento entre literatura e vídeogame tem todas as chances de render bons frutos - vide, por exemplo, o ensaio Virando o jogo, de Daniel Galera para a revista Serrote.

Essa semana, Salman Rushdie também tocou no assunto ao falar sobre seu novo livro Luka e o Fogo da Vida - que será lançado na FLIP. Luka, o protagonista do livro, tem de roubar o fogo da vida na Montanha do Conhecimento para salvar seu pai do sono da morte.

Seguindo o embalo, o blog Flavorwire fez uma lista com dez clássicos da literatura que poderiam render bons jogos. Entre eles: A revolução dos bichos, de George Orwell; Pé na estrada, de Jack Kerouac; Emma, de Jane Austin; As bruxas de Salem, de Arthur Miller e O sol é para todos, de Harper Lee. Claro que uma experiência não deve substituir a outra, mas pode servir como um verdadeiro complemento e atrativo para as pessoas que são altamente envolvidas com o universo do vídeogame.

Imagine o dia em que lançarem o jogo de Ulisses, de James Joyce?

*imagem: reprodução do site bigfishgames.com
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