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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA: O QUE TEVE EM 2015

Vocês notaram que eu estive muito ausente do Casmurros ao longo desse ano - já expliquei num texto anterior. Pois bem, a guisa de retrospectiva compilei as coisas mais importantes que aconteceram. Vai que você (assim como eu) também esteve fora e quer saber dos fatos que marcaram o ano.

> O RETORNO


Harper Lee publicou um novo romance quase 55 anos depois de praticamente abandonar a literatura. O livro inédito se chama Vá, coloque um vigia e chegou as nossas livrarias pela editora José Olympio com tradução Beatriz Horta. É uma continuação do clássico O sol é para todos e, ao contrário do que você pode imaginar, não decepciona. Valeu a espera.

Fernando Bonassi também é outro retorno notório. Ele andava sumido da prosa de ficção, parece que estava envolvido com outros trabalhos (ele também é roteirista e dramaturgo), mas reapareceu esse ano com o romance Luxúria.

> O APARECIMENTO


Precisamos saudar a chegada de O pai morto, de Donald Barthelme com tradução Daniel Pellizzari - o lançamento é da Rocco e foi pouco comentado. O escritor norte-americano falecido em 1989, aos 58 anos, ainda era inédito no Brasil. Ele foi aclamado pela crítica anglófona como um autor de estilo pós-moderno e tinha Machado de Assis, Gabriel García Márquez e François Rabelais como influências confessas. Tomara que a editora aposte nas traduções dos contos - o file mignon da obra de Barthelme.

> O FIM
Impossível não falar no fechamento da Cosac Naify. A notícia é triste porque era uma editora preocupada em publicar inéditos, novos, antigos, boas traduções e edições bem acabadas. Uma pena! Não sou especialista no assunto, mas tomara que não seja sinal de uma crise do setor de negócios do livro. A boa notícia é que o catálogo será absorvido por outras editoras.


Também chega ao fim a revista Arte & Letra: Estórias, publicada pela editora curitibana Arte & Letra. Ela cumpria uma função muito interessante de publicar autores brasileiros em começo de carreira, traduzir autores estrangeiros inéditos no país e colocar em circulação autores do passado que andavam meio esquecidos. As edições eram caprichadas. O último número - com a letra Z - saiu esse mês e tem Almeida Faria, Marta Brunet, Selva Almada, Rogério Pereira e outros. Vai fazer falta!

> O COMEÇO
Para compensar as perdas, temos os ganhos. A editora Carambaia abriu as portas em 2015 focada em publicar "obras esquecidas ou nunca traduzidas de autores em domínio público" - os clássicos da literatura sejam famosos ou obscuros. As tiragens são pequenas, as edições têm projeto gráfico primoroso e a venda é apenas pela internet. Notem que é uma editora muita específica para um público muito específico. Vida longa!

Já abriu as portas, em esquema reduzido, a Patuscada Livraria, Bar e Café - deve começar com força mesmo no ano que vem. A empreitada é do Eduardo Lacerda, editor Patuá. Como o próprio nome já diz vai ser uma livraria e um espaço para celebrar a literatura através de eventos, palestras, espaço de leitura e ponto de encontro para tomar uma bebida. Vida longa (2)!


Outra novidade é a revista digital Peixe-elétrico, empreitada do Tiago Ferro, do Ricardo Lísias e da Mika Matsuzake. A revista sai a cada dois meses e fica à venda nos sites da amazon, apple, google play, kobo, livraria cultura e saraiva. Já está no terceiro número com textos de fôlego. Vida longa (3)!

> EFEMÉRIDES
Sem nenhuma sombra de dúvida, a efeméride mais importante desse ano foi o centenário de nascimento do semiólogo francês Roland Barthes celebrado em 12 de novembro. Ele nunca escreveu um livro de ficção, mas via no texto literário uma espécie de zona livre do "fascismo" do significado - na semiologia tudo é concebido como um sistema de significação seja uma imagem, um gesto, um som, um objeto etc. Em seus últimos anos de vida começou a esboçar algumas ideias para um romance batizado de Vita nova. Infelizmente o projeto foi interrompido pela sua morte abrupta. Seja como for, ele produziu uma obra fundamental para iluminar a sociedade do século XX e XXI, sobretudo se considerarmos todo o conflito linguistico e discursivo que permeia a política, a cultura e a sociedade atual.

Outro fato importante foram os 70 anos de morte do escritor Mário de Andrade o que tecnicamente coloca toda a sua obra em domínio público. Vieram reedições de livros que estavam sumidos, a escolha para ser o autor homenageado da FLIP e até uma carta inédita endereçada a Manuel Bandeira em que ele falava a respeito da sua homossexualidade.


Vale lembrar os cem anos de publicação de A metamorfose, de Franz Kafka. Aquela famosa novela em que depois de uma noite de sonhos intranquilos um caixeiro viajante chamado Gregor Samsa encontra-se "em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso".

Também fez aniversário de 40 anos o romance Lavoura arcaica, de Raduan Nassar - publicado originalmente em 1975.

***

> PRÊMIOS
O ano também foi de prêmios literários - muita gente diz que não dá à mínima, mas sempre tenta descobrir quem ganhou o quê. Vamos a eles:

Bad sex in fiction
Se você acompanha o Casmurros já deve saber que o bad sex premia as cenas mais constrangedoras de sexo da literatura. O ganhador do ano foi List of the lost, de Morrissey - a incursão do cantor e compositor inglês na prosa de ficção (ainda inédito em português). O livro é sobre uma equipe de revezamento de corrida que nos anos de 1970, em Boston, acidentalmente mata um demônio que amaldiçoa todos. A maioria das resenhas foi negativa, portanto, o livro era um forte candidato ao prêmio. O trecho sexual apontado pelos jurados é o seguinte:

‘At this, Eliza and Ezra rolled together into the one giggling snowball of full-figured copulation, screaming and shouting as they playfully bit and pulled at each other in a dangerous and clamorous rollercoaster coil of sexually violent rotation with Eliza’s breasts barrel-rolled across Ezra’s howling mouth and the pained frenzy of his bulbous salutation extenuating his excitement as it whacked and smacked its way into every muscle of Eliza’s body except for the otherwise central zone.’

Nobel
A vencedora foi a bielorrussa Svetlana Alexievich. Ela é autora de livros de não-ficção (grandes reportagens com tratamento quase literário). A decisão da Academia Sueca teve motivações não só políticas considerando que a Rússia está no centro do debate político mundial, mas também estéticas já que a não-ficção tem ganhado papel de destaque ante a ficção.

Man Booker Prize
O prêmio inglês foi para A brief history of Seven Killings, de Marlon James. É a primeira vez em que um autor de jamaicano ganha esse prêmio. O livro conta a história de uma tentativa de assassinato de Bob Marley, em 1976, na Jamaica e as consequências desse evento na guerra de combate ao crack, em 1980, em Nova York e na política jamaicana dos anos 90

National Book Award
O prêmio de ficção foi para Fortune Smiles: stories, de Adam Johnson. Para quem não lembra, ele é o autor de Jun Do (The orphan master's son), livro que ganhou o Pulitzer, em 2013

Pulitzer
O ganhador foi Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr que antes mesmo de ser premiado já estava nas nossas livrarias - saiu pela Intrinseca com tradução de Maria Carmelita Dias.

Prêmios literários franceses: Goncourt, Renaudot, Médicis e Zorba
As instituições francesas resolveram premiar autores pouco conhecidos foram do mundo francófono. Os vencedores dos prêmios Renaudot, Médicis e Zorba respectivamente foram: D'après une histoire vraie, de Delphine de Vigan; Titus n'aimait pas Bérénice, de Nathalie Azoulai e La terre sous les ongles, de Alexandre Civico. Exceção ao Goncourt que premiou La Boussole, de Mathias Énard - ele tem um livro publicado no Brasil pela L&PM

Prêmio José Saramago
O ganhador desse ano foi As primeiras coisas, de Bruno Vieira Amaral. É o romance de estreia desse jovem autor português - ele tem apenas 37 anos. A imprensa portuguesa fez críticas muito boas a respeito. Alguém para ficarmos de olho.

Oceanos (antigo Portugal Telecom)
Pelo que entendi, o prêmio foi remodelado e no total são quatro premiados - independente de serem livros de prosa ou poesia. Nesse ano, os três primeiros foram de prosa Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago; Por escrito, de Elvira Vigna e A primeira história do mundo, de Alberto Mussa

Apca
Associação Paulista de Críticos de Artes escolheu o romance O senhor agora vai mudar o corpo, de Raimundo Carrero e o livro de contos Jeito de matar lagartas, de Antonio Carlos Viana

Fundação Biblioteca Nacional
Os premiados foram o romance Turismo para cegos, de Tércia Montenegro e o livro de contos Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues

Jabuti
Parece que nesse ano correu tudo bem, não houve nenhum problema, nenhuma polêmica e os vencedores foram Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende e o livro de conto Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues que já tinha levado o prêmio Fundação Biblioteca Nacional

SP de Literatura
O vencedor na categoria melhor livro do ano foi Tempo de espalhar pedras, de Estevão Azevedo. Já na categoria autor estreante com mais de 40 anos o vencedor foi Nossa terra – vida e morte de uma santa suicida, de Micheliny Verunschk e na categoria autor estreante com menos de 40 anos o vencedor foi Enquanto deus não está olhando, de Débora Ferraz.



Sesc de Literatura
Os vencedores desse ano foram Antes que seque, de Marta Barcellos e Desterro, de Sheyla Smanioto

***

A caixa de comentários permanece aberta para quem quiser relembrar outros acontecimentos desse ano. Prometo que volto a qualquer momento, antes de 2016 chegar.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R. 
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quinta-feira, 26 de março de 2015

REVISTAS LITERÁRIAS DA TEMPORADA

Faz tempo que não apareço aqui e faz tempo que não falo de revistas literárias - esse objeto em extinção, dizem as más línguas. Pois bem, vou celebrar a quantidade de boas publicações que brindam os nossos olhos e mentes enquanto essa morte anunciada não chega. Abaixo tem um apanhado geral das revistas mais conhecidas (nacionais e gringas). Se por acaso eu esqueci de mencionar alguma, por favor, escrevam nos comentários que faço correções e atualizações. Se você publica alguma revista do gênero fique a vontade para comentar também.

Agora corra para às livrarias, bancas ou lojas virtuais para comprar um exemplar.


SERROTE #19
A revista brasileira de ensaismo publicou um novo número com o mesmo capricho de sempre. Já na abertura, Silviano Santiago assina um ensaio fantástico chamado Grafias de vida - a morte em que trata a respeito do fato e da ficção na construção de personagens reais ou imaginadas. John Jeremiah Sullivan escreve um ensaio para falar sobre o gênero ensaio. Antônio Xerxenesky fala sobre a metafísica de Miami Vice. Luigi Amara escreve sobre perucas e Charles Baudelaire envia uma carta a Richard Wagner. Imperdível!



JANDIQUE #7
Revista voltada para ficção e novos escritores está a todo vapor. Seu número mais recente tem textos de Newton Sampaio, Dione Carlos, João Lucas Dusi, Victor Augusto Iannuzzi Corrêa, Victor Hugo Turezo, Douglas Cardoso, Marcos Pamplona, Otavio Linhares e Ottavio Lourenço. Para completar tem uma entrevista com André Viana, autor do livro O doente (um trecho do livro está no fanzine Casmurros #4). As ilustrações da revistas ficaram a cargo de Theo Szczepanski.



ARTE E LETRA: ESTÓRIAS Y
Outra revista para quem gosta muito de ficção. O último número saiu no ano passado, mas merece atenção. Tem textos de Teresa de La Parra, Luci Collin, Flávio Izhaki, Mariana Ianelli e outros mais.


MAPA #3
A terceira edição dessa revista saiu no ano passado. De lá pra cá, os editores deram uma pausa. Seja como for, o número tem tantos textos interessantes que você pode ler tudo sem pressa até que chegue o novo número. Tem, por exemplo, Ana Resende, André Gordirro, Jennifer Egan, Anne Enright, Antônio Xerxenesky, Guilherme Gontijo Flores, Luís Henrique Pellanda, Jeffrey Eugenides e outros mais.


PARIS REVIEW #212
A revista literária mais famosa do mundo celebra a primavera. Os textos de ficção são de autores que não são conhecidos por aqui. Vale para descobrir coisas novas e para se esbaldar nas entrevistas definitivas com Lydia Davis, Hilary Mantel e Elena Ferrante (de quem vamos ouvir falar muito nesse ano, pois L'amica geniale é tido como um lançamento muito esperado para esse ano).


MC SWEENEY'S #48
Não é a revista mais antiga, mas é a mais inventiva. Cada número é tão surpreendente que mantém a gente naquela expectativa de como será o próximo. Pois bem, em sua nova edição a Mc Sweeney's vem em dose dupla (isso mesmo - são duas revistas em uma) com visual delirante e muita originalidade. O primeiro volume tem textos da escritora mexicana Valeria Luiselli (o romance Rostos na multidão saiu aqui pela Alfaguara), Téa Obreht (autora do romance A noiva do tigre que saiu pela Leya) e Dave Eggers que dispensa apresentações. O segundo outro volume inclui 6 histórias de autores croatas todos inéditos por aqui.


RASCUNHO #179
Não é propriamente uma revista. É um jornal. Sempre vale mencionar porque é um dos jornais literários de maior atividade no Brasil - ainda bem que ele existe. O cardápio tem tudo aquilo que a gente gosta entrevistas, resenhas críticas, ensaios, artigos e muito mais.


GRANTA #30
Outra revista que dispensa muitos comentários pela sua fama, prestígio e longevidade. Apesar de sua internacionalização a Granta inglesa (a primeira de todas) continua voltando seu olhar para a literatura do mundo, de outros países, de outros territórios não necessariamente europeu, anglófono e ocidental. A nova edição é dedicada a Índia e tem um amplo painel da ficção produzida por lá - não conheço nenhum dos autores presentes no número e tenho a impressão de que também não são conhecidos por aqui. Vale a pena dar uma olhada enquanto uma nova edição da versão brasileira da revista não chega.

*Imagens: divulgação.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014

REVISTAS LITERÁRIAS PARA TODOS

Faz tempo que eu não recomendo revistas literárias por aqui e acho bem oportuno fazê-lo nesse momento, pois elas vivem uma fase interessante tendo que reinventar-se quando todo mundo só fala na crise vertiginosa que assola o mercado. É sintomático que seja assim. Não dizem que quando uma coisa morre é que ela ganha importância.


SILVA #4
Eu bem que tentei, mas não descobri nada a respeito do quarto número do SILVA (eu tenho os três anteriores). Só sei que tem uma ficção do Ricardo Lísias e uma resenha de Victor da Rosa sobre Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Para quem não conhece, o SILVA é um pequeno fanzine artesanal organizado pelo Lísias com distribuição gratuíta - o lema é "se dobra, mas não se vende". 


Jandique 
A revista organizada pela editora Encrenca, de Curitiba, completa seu primeiro ano de vida e coloca na rua sua quinta edição. Seu foco é a literatura curitibana e dessa vez as páginas são ocupadas com textos de Valêncio Xavier, Marcelo Sandmann, Vanessa C. Rodrigues, Luiz Felipe Leprevost, Daniel Zanella, entre outros. O destaque é a entrevista com  Caetano W. Galindo


Paris Review
A revista literária mais glamourosa do gênero vai publicar uma nova edição especialíssima com trechos de um romance recém-descoberto de Roberto Bolaño, textos de ficção de Lydia Davis e entrevistas com Cormac McCarthy e Thomas Pynchon (como vocês sabem ele é recluso, avesso a fotos, aparições e badalações). O portolio fotográfico é assinado por Salman Rushdie - que aderiu a moda dos 'selfies'.


Arte & Letra 
Voltada para a ficção e tradução de autores inéditos em português chega a edição "X". Tem textos de Julio Cortázar, Caetano W. Galindo, Suzana Montoro, Ivana Arruda Leite, Peter Panter, Luiz Ruffato e muitos outros.


McSweeney's 
Dave Eggers e sua equipe de editores não se cansam de fazer a revista literária trimestral mais inventiva do momento - existe desde 1998. Cada número parece único. Sua nova edição (de número 46) é totalmente dedicada a América Latina e reúne 13 histórias de crime com autores de dez países diferentes. Entre os Tem Alejandro Zambra, Santiago Roncagliolo, Juan Pablo Villalobos (praticamente brasileiro morando em Campinas e falando um português fluente), Joca Reiners Terron, Bernardo Carvalho e Carol Bensimon.


Revista Mapa 
É mais jovem de todas as revistas dessa lista e chega ao seu segundo número. Também vem de Curitiba e publica apenas ensaios, resenhas e artigos voltados ao universo literário em diagramação jovem e cheia de ilustrações bacanas. Os editores firmaram uma parceria estrangeira e publicam com exclusividade textos do New York Times e The New York Review of Books. Para termos uma ideia, esse número tem Margaret Atwood, Joyce Carol Oates, Mohsin Hamid, Zoë Heller, Vanessa C. Rodrigues, Luís Henrique Pellanda e muito mais. Tudo gratuíto.


Serrote 
Embora seja dedicada ao ensaio (esse gênero que acomoda todos os assuntos do mundo - para entender melhor vale ler "O ensaio e sua prosa", de Max Bense que está nessa edição) e as artes, essa charmosa revista também publica textos de ficção. Em seu novo número tem textos de W.H. Auden, Delmore Schwartz e Lou Reed. Destaque também para o ensaio de anotações visuais de Antonio Dias.


Granta (inglesa) 
Fechando a lista, a revista literária mais antiga ainda em atividade de que se tem notícia. Apesar de ter estendido seus domínios pelo mundo abrindo edições em línguas estrangeiras, a revista inglesa original não perde sua força. Se não estou enganado, o número que deve sair nas próximas semanas no Reino Unido será o primeiro sem o antigo editor, John Freeman. Será dedicado inteiramente ao Japão (e vai sair quase concomitantemente a versão japonesa da Granta) tem Adam Johnson, Tao Lin, David Mitchell, Ruth Ozeki e muito mais.

Bom, por enquanto é só. Se vc tiver algum fanzine ou revista do gênero e quiser divulgar por aqui, por favor, entre em contato.

*Imagem: reprodução de capas das revistas.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

NAS BANCAS DE REVISTA


Nessa semana, o caderno Link (do Estadão) publicou a tradução de um artigo instigante chamado "Profetas digitais" assinado por Steven Poole. Em resumo, o jornalista fala sobre os cibergurus e suas tantas teorias que até agora não deram em nada. Pior do que isso é saber que toda essa revolução tem como único objetivo beneficiar as grandes empresas de tecnologia e seu antigo modelo capitalista com nova roupagem. Assim, o tão falado fim da mídia e do sistema editorial como o conhecemos está tão distante da gente quanto os canais de Marte. Recomendo a leitura!

Embalado por esse espírito provocativo, fiz um giro pelas revistas literárias que vão agitar a temporada e que estão disponíveis nas bancas de revista e livrarias bem próximas da sua casa. De preferência em versão impressa.

O fim do verão...


A revista serrote promete manter o clima da estação e esquentar os seus neurônios. O novo número tem um texto inédito de Paulo Ronái sobre o escritor Honoré de Balzac; tem um ensaio do professor de literatura Michael Wood e do escritor Colm Tóibín sobre a maneira como as famílias de Marcel Proust e John Cheever tiveram influência na construção de suas obras; tem também um ensaio de Thomas Mann sobre a existência, um verbete do alfabeto serrote assinado por Emílio Fraia e muito mais. A revista circula com duas capas diferentes que juntas formam a capa de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald desenhada por Eugênio Hirsch, designer austríaco que fez inúmeras capas de livros para a editora Civilização Brasileira.


Em breve, Curitiba deverá se tornar a capital das revista literárias. Acaba de surgir a revista Jandique que pretende divulgar nomes inéditos e consagrados da literatura paranaense. O primeiro número tem textos de ficção assinados por Manoel Carlos Karam, Luiz Felipe Leprevost, Assionara Souza, Alexandre França, Fabiano Vianna e Eduardo Capistrano. Já a veterana Arte e Letra: Estórias chega a vigésima edição batizada com a letra "T". Tem contos de Thomas Wolfe, Roberto Arlt, Miguel de Unamuno, Vinicius Jatobá, Luisa Geisler, Vanessa C. Rodrigues e muitos outros. O jornal Rascunho segue robusto na edição de março tem entrevista com Xico Sá, ensaio sobre Cormac McCarthy, mais ficção inédita de Vinicius Jatobá e Luiz Ruffato e muitas resenhas.

... e o começo da primavera


Enquanto isso, nos Estados Unidos e na Europa, a primavera promete ser animada. A revista Paris Review comemora 60 anos trazendo na capa uma bela foto de George Plimpton - fundador da lendária revista. Além das entrevistas, ensaios e textos de ficção haverá um baile de primavera que promete agitar a noite literária de Nova York. Aos interessados um aviso: o ingresso para a festa custa a módica quantia de $600,00.

A Granta (versão inglesa) também está com novo número. O tema é "Betrayal" - tem um texto de ficção de Ben Marcus, autor de The Flame Alphabet um dos melhores romances do ano passado segundo a crítica norte-americana.

Falando nisso, Portugal finalmente terá sua versão da revista Granta. O primeiro número será lançado em maio pela editora Tinta-da-China e terá como tema o "eu". O nome dos escritores que vão participar dessa edição corre em segredo. Por enquanto, o organizador da revista confirmou que haverá textos de oito escritores portugueses vivos e um escritor já falecido. O lançamento dá continuidade a estratégia da Granta de ampliar os domínios de sua marca para além do território da língua inglesa. No Brasil, a revista foi lançada em 2007. O último número foi publicado em novembro do ano passado com o tema "Medidas extremas".

*Imagem: divulgação.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

REVISTAS LITERÁRIAS - ANTES QUE O ANO ACABE



Acaba de pintar nas livrarias a edição "S" da revista Arte & Letra: estórias. O número tem contos de três escritores de língua espanhola: o chileno Manuel Rojas, o argentino Pablo Ramos e o espanhol Rafael Barrett. Outros destaques são H. P. Lovecraft, Alfred Jarry, Graham Greene e Anatole France, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1921.

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Já a Granta inglesa continua investindo bastante na divulgação do número especial com "os melhores jovens escritores brasileiros". Alguns selecionados estão em turnê de lançamento pela Inglaterra e Estados Unidos falando sobre a nova literatura brasileira e a experiência de participar da Granta. Na internet, os editores da revista começaram uma série sobre bons escritores que ainda não foram traduzidos. A estréia foi brasileira com Michel Laub recomendando Daniel Pellizzari, Laura Erber recomendando André Sant’Anna e Ricardo Lísias recomendando José Luiz Passos.

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A revista Esquire publicou no iPad mais um número do suplemento 'fiction for men' ou 'ficção para machos' - como eles mesmos gostam de dizer. A lista conta com os dez livros de ficção e não ficção mais bacanas do ano segundo escolha dos editores. Uma pena que a seleção tenha ficado restrita somente aos autores norte-americanos ou ingleses. Entre os escolhidos estão: Beautiful ruins, de Jess Walter; Capital, de John Lanchester; At last, de Edward St. Aubyn e The three day affair, de Michael Kardos. Os autores são desconhecidos dos leitores brasileiros, mas a lista serve como uma referência pra gente ficar de olho e fugir um pouco da literatura estritamente feminina.

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Também acaba de sair a edição de inverno da Paris Review. Conhecida por suas entrevistas quase definitivas, a revista decidiu inovar neste número publicando trechos de um bate-papo informal e cheio de conteúdo entre Donald Antrim, Elif Batuman e John Jeremiah Sullivan - três dos melhores escritores e ensaistas norte-americanos do momento. Tem também ficção inédita de James Salter.

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Falando em revistas, vocês viram que Clarice Lispector está na capa da revista BookForum?

*Imagem: divulgação.

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sexta-feira, 23 de março de 2012

REVISTA ARTE E LETRA: ESTÓRIAS P

Nessa semana está chegando às livrarias a edição "P" da Arte & Letra: Estórias - revista mensal de Curitiba que publica traduções e ficção inédita de autores renomados. Matemática não é o meu forte, por isso me corrijam se eu estiver errado: pelas minhas contas a revista tem apenas dois anos e melhora a cada nova edição. Melhor ainda é saber que os editores não privilegiam textos muito populares e arriscam publicando textos que merecem uma nova atenção - não chega a ser a ficção "lado b" dos escritores, mas bem que poderia ser. Aproveitando que as obras de James Joyce e Virgínia Woolf entraram em domínio público, a edição tem os contos Uma pequena nuvem, de Joyce (tradução de Adriano Scandolara) e Craftmanship, de Woolf (tradução de Gustavo Delaqua). Curiosamente, tanto um quanto o outro nasceram em 1882 e estariam completando 130 anos nesse ano. Outro destaque é Tarde da noite, da escritora espanhola Rosa Monteiro (tradução de Iara Tizzot) e A múmia egípcia, do russo Mikhail Bulgákov (tradução de Gabriela Soares).

Tem também Edward McPherson, Evgueni Zamiatin, Giovanna Rivero, Hanif Kureishi, Hjalmar Soderberg, Louis Pergaud, Luana Azzolin, Muriel Spark e Paulo Venturelli.

Arte e Letra: Estórias P
Preço: R$ 20,50

*Imagem: divulgação.
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terça-feira, 15 de março de 2011

QUATRO REVISTAS

Está muito enganado quem acha que a internet e os e-readers estão acabando com as revistas impressas de literatura ou de humanidades. Na verdade os meios eletrônicos estão ajudando a divulgá-las ainda mais - será que está acontecendo uma revolução impressa desde que começaram a falar nisso? Eu, sempre que posso, comento e recomendo algumas delas por aqui. Já falei da Coyote, da Minotauro, da Caracol e do Rascunho (na verdade um jornal de literatura). Sem mencionar os cadernos de cultura dos jornais, as revistas semanais e mensais de informações e variedades (que breve ou longamente abordam o tema).

Quero recomendar mais quatro revistas:

ARTE E LETRA
A revista publicada bimestralmente pela editora de mesmo nome que fica em Curitiba. O foco é publicar ficção inédita de autores nacionais ou traduções inéditas no Brasil de autores estrangeiros. Tem espaço para textos clássicos e contemporâneos sempre acompanhados de boas ilustrações. No mês passado a revista chegou a edição nº 11 - Arte e Letra: Estórias L. O número tem contos de Victor Hugo, Rubén Darío, F. Scott Fitzgerald, Denis Diderot, Frank R. Stockton e quatro escritores de Porto Alegre: Rodrigo Rosp, Antônio Xerxenesky, Rafael Bán Jacobsen e Daniela Langer.


FICÇÕES
Parceria entre três editoras cariocas: Estação das Letras, 25 e 7Letras. A revista existe desde 1996, tendo em suas páginas textos de escritores consagrados e escritores a serem descobertos. Fez uma pausa para renovar as ideias e voltou com novo formato: a edição sai na internet e depois ganha uma versão impressa. Em dezembro do ano passado anunciou nova pausa com retorno prometido para esse mês. A gente pode folhear a edição nº 19 no site da revista enquanto a edição nº 20 não chega.




DICTA & CONTRADICTA
Revista semestral publicada em São Paulo pelo Instituto de Formação e Educação. Não aborda apenas assuntos ligados à literatura, trata-se de uma revista de humanidades com artigos e resenhas acadêmicas "mas sem academicismos". Lançada em dezembro do ano passado, a edição nº 6 tem, entre outras coisas, o conto Bravuras e bravatas, de Raimundo Carrero; a tradução do conto Na sala Virgínia, de Arlo Bates e o artigo Breve discurso sobre a cultura, de Mario Vargas Llosa.




CRISPIM
A revista é publicada pela editora Universitária da Universidade Federal de Pernambuco. Divulga textos de ficção e ensaios sobre literatura produzidos por estudantes da UFPE. A edição nº 2 tem textos de escritores consagrados como Antonio Carlos Secchin e Fernando Monteiro; tem ainda textos inéditos de escritores de Pernambuco, Paraíba e Angola, entrevistas, ensaios e resenhas.

*imagens: reprodução.
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