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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

PRÊMIOS LITERÁRIOS PARA APRESSADINHOS



Vamos supor que você esteve muito ocupado nos últimos seis meses e não teve tempo de acompanhar nenhuma notícia sobre os famosos prêmios literários da temporada. Pois é, a gente sabe que nos dias de hoje a vida anda muito corrida. Não se preocupe! Preparei um resumo com tudo o que você precisa saber para não ficar com cara de paisagem na frente dos seus amigos. Pode servir como uma retrospectiva do semestre, quem sabe? Não leva nem três minutos para ler:

National Book Award - The Round House, de Louise Erdrich. Joe é um garoto de origem indígena que planeja vingar o estupro sofrido por sua mãe. É importante você saber que... O livro faz parte de uma trilogia.

Prêmio Goncourt - Le sermon sur la chute de Rome, Jérôme Ferrari. Matthieu abandona os estudos de filosofia, em que era brilhante, para abrir um bar na Córsega com um amigo de infância, Libero. É importante você saber que... o livro teve os direitos comprados no Brasil pela Editora 34 e deverá ser lançado em 2013.

Prêmio Jabuti -  Nihonjin, de Oscar Nakasato. Hideo chega ao Brasil com o objetivo de enriquecer, mas vários problemas servirão como um teste para a inflexibilidade do nihonjin. É importante você saber que... O prêmio sempre é cercado de polêmica e dessa vez o imbróglio rolou em torno de um certo "jurado C" que conferiu notas baixas aos romances tidos como favoritos. O livro do ano ficou com o infantojuvenil A mocinha do mercado central, de Stella Maris Rezende.

Prêmio Cunhambebe - Dublinesca, de Enrique Vila Matas. Um velho editor prestes a abandonar a profissão celebra o fim de uma época da literatura. É importante você saber que... o prêmio é dedicado a tradução de ficção estrangeiras publicadas no Brasil.

Prêmio Portugal Telecom - a máquina de fazer espanhóis, de valter hugo mãe. Silva, um barbeiro de 84 anos, perde a mulher e vai para um asilo. Sozinho, ele se vê obrigado a investigar novas formas de conduzir sua vida. É importante você saber que... na categoria conto o vencedor foi  O anão e a ninfeta, de Dalton Trevisan.

Bad Sex in Fiction - Infrared, de Nancy Huston. Uma fotógrafa que se especializou em fazer fotos em infravermelho dos seus amantes durante o sexo. É importante você saber que... o prêmio é direcionado as piores cenas de sexo criadas em ficção. O júri do prêmio decidiu excluir os romances de E.L. James por estarem aquém da qualidade literária exigida.

Man Booker Prize - Bring up the Bodies, de Hilary Mantel. Romance histórico sobre a vida de Thomas Cromwell, ministro chefe de Henrique VIII. É importante você saber que... é o segundo livro de uma trilogia e Hilary Mantel já ganhou o Man Booker pelo primeiro livro, Wolf Hall. Ou seja, quando o terceiro livro for publicado o prêmio irá automaticamente para as mão dela.

Nobel de Literatura - Mo Yan, escritor chinês. Segundo a Academia Sueca, ele ganhou o prêmio "pelo retrato da conturbada história de seu país, em uma descrição em que se mesclam as tradições e os ritos do mundo rural e em uma linguagem de realismo e magia, assim como a ironia e a sensibilidade". É importante você saber que... Mo Yan desbancou o favoritismo de Haruki Murakami e várias pessoas ao redor do mundo reagiram com críticas duras a premiação.

*Imagem: retirei daqui.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

UMA LONGA TEMPORADA DE PRÊMIOS


"Ao vencedor, as batatas". Quincas Borba, de Machado de Assis.
Todos devem estar malucos, afinal prêmios literários estão rendendo mais discussões do que religião, política e futebol juntos! A polêmica mais recente está acontecendo em torno do Prêmio Jabuti e a nota baixa do misterioso jurado "C" (na verdade, a identidade secreta dele foi revelada nessa semana numa reportagem da Folha de SP) que tirou Ana Maria Machado da competição. Como uma coisa puxa a outra, todo mundo relembrou o episódio do ano passado envolvendo Chico Buarque e Edney Silvestre. Pelo jeito a reformulação das regras não surtiu o efeito esperado e complicou ainda mais a premiação. Nem preciso dizer que o caso está estragando o prestígio e a reputação de um prêmio tradicional das letras nacionais. 

Teve até comentário de José Serra, candidato a Prefeitura de SP. Ao saber que o livro A privataria tucana estava na final do prêmio Jabuti – categoria Reportagem - disse: “Era só o que faltava. Depois da aparente fraude de um dos jurados, tudo é possível”.

O pessoal "do contra" está gritando pelas ruas o seguinte bordão: "esse é o país que vai receber a Copa".

***

Felizmente, as discussões não estão restritas aos prêmios nacionais. Desde que ganhou o Nobel de Literatura, não tem um dia em que o chinês Mo Yan não abra os jornais e não veja seu nome relacionado a comentários ora elogiosos, ora maldosos. 

Do lado maldoso, teve gente dizendo que a Academia Sueca favoreceu Mo Yan porque um dos jurados do prêmio é tradutor dos seus livros. Liao Yiwu, escritor chinês, acusou o ganhador do Nobel de trabalhar a serviço do regime chinês. O artista Ai Weiwei (que aderiu ao estilo "Gangnam Style") lamentou muito a escolha e as editoras chinesas que estavam na Feira de Frankfurt praticamente ignoraram o laureado. Para piorar a situação Mo Yan virou alvo de uma disputa internacional entre agentes literários o que deve atrasar a tradução de seus romances pelo mundo afora - incluindo o Brasil. Por enquanto podermos recorrer a tradução de Peito grande, ancas largas que saiu pela editora Ulisseia e teve reimpressão.

Do lado elogioso, rolou uma notícia dizendo que a China vive uma verdadeira "Mo-mania" e a tiragem do seu livro Our Jing Ke esgotou instantes após o lançamento. Furor semelhante ao que ocorreu no Japão com Murakami no lançamento de 1Q84.

O pessoal "da teoria da conspiração" está gritando pelas ruas que Mo Yan está sendo vítima da maldição rogada pelos murakamistas japoneses que ficaram desapontados com a vitória do concorrente chinês. Aliás, dizem que a obra Murakami não despertou paixões na China.

***

Se palpite ganhasse prêmio, os apostadores da Ladbrokes estariam milionários. Quem colocou dinheiro em Haruki Murakami e Will Self ficou no prejuízo - atitude muito perdoável, afinal acerta em cheio o nome do escritor premiado é como ganhar na MegaSena. Mo Yan ficou com o Nobel e Hilary Mantel com o Booker Prize. Ninguém acreditava que a organização do Booker fosse premiar uma autora já premiada num curto espaço de tempo (Wolf Hall foi publicado em 2009) - acho que nem a própria Mantel acreditava nisso. Antes dela, só Peter Carey e J.M. Coetzee. Por fim, a falsa ideia não se cumpriu e o Booker acabou nas mãos dela.

No discurso de agradecimento, Mantel mandou avisar que está escrevendo mais um livro para compor uma trilogia sobre a história de Thomas Cromwell - o primeiro foi Wolf Hall, seguido por Bring Up The Bodies (será publicado pela editora Record, em abril) e o último será o nome de The Mirror And The Light.

O pessoal da "especulação" está gritando pelas ruas que não importa quando publique o livro, o terceiro Booker Prize é dela.

***

Outro mistério que parece distante de qualquer solução é a recusa de Javier Marías ao Prêmio Nacional de Narrativas, concedido pelo governo da Espanha. Pelo que dizem, ele não quis o prêmio no valor de 20 mil porque não quer ligações com instituições do governo espanhol. O que será que aconteceu? Marías ganhou o prêmio pelo romance Os enamoramentos.

O pessoal do "deixa disso" anda dizendo que o gesto é uma resposta política ao delicado momento que a Espanha enfrente diante da crise econômica que assola a Europa.

***

E você está enganado se pensa que a polêmica do Jabuti está perto do fim. A lista oficial com o nome dos jurados e os grandes vencedores do prêmio livro do ano serão anunciados numa cerimônia, em 28 de novembro. Caso não apareça nenhuma outra polêmica.

Novembro encerra essa longa temporada de prêmios. Teremos o anúncio do ganhador do Prêmio Cunhambebe de literatura estrangeira e dos ganhadores do Prêmio Portugal Telecom - aliás, achei bacana a iniciativa dos organizadores de criar book trailers para os livros finalistas; se não vale para alavancar as vendas, vale como divulgação do livro e na pior das hipóteses como boa descontração. Aqui tem os book trailers da categoria romance.

*Imagem: reprodução de uma ilustração de D.G.Davis.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ACONTECE QUE EU SOU BAIANO!

Largo do Pelourinho
Alô, você!

Quero avisar vocês que o motivo da minha ausência é muito justo: estou em férias e acabei de voltar de viagem. Não quis nem saber de literatura nesses dias. A única coisa que eu lia eram os jornais. No mais estive pelas praias de Salvador e ruas do Pelourinho. Tudo aconteceu tão às pressas que nem tive tempo de deixar um recado avisando minha ausência. Desculpem!

***

Exceto no aeroporto de Salvador e na própria Fundação, não vi nenhuma menção ao centenário de Jorge Amado. As festividades devem ter se limitado ao mês de agosto, eu imagino.

***

Enquanto estive ausente aconteceram muitas coisas, entre elas o lançamento de Os enamoramentos, de Javier Marias (a edição da Cia das Letras acompanha um mimo: O coronel Chabert, de Balzac - uma referência que está no romance de Marias) e o anúncio dos ganhadores do Prêmio SP de Literatura. Javier Marias dispensa muitas apresentações, vou tentar correr com minhas leituras para voltar ao assunto. Embora não tenha lido o romance, recomendo vivamente as entrevistas que ele concedeu a Folha de SP e ao Estadão. Alguém que diz algo como "vive-se muito bem sem ser contemporâneo" merece muito respeito.

Se você ainda não sabe o Prêmio SP de Literatura foi para Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós na categoria "Autor" e Os hungareses, de Suzana Montoro na categoria "Autor estreante". Achei que a categoria "Autor" ficaria com Michel Laub, Paulo Scott, Luiz Ruffato ou Tatiana Salem Levy por conta da repercussão crítica que seus respectivos romances tiveram.

Não li nenhum nem outro dos ganhadores. O que sei li nos jornais.

***

Falando em prêmios acaba de sair a lista de finalistas do Prêmio Jabuti. Como disse a Raquel Cozer, um dos problemas do tradicional prêmio é ser inchado demais (são 29 categorias com 10 indicados para cada uma delas). Haja fôlego! Se você não quiser clicar no link para fuçar os indicados, coloco abaixo um resumo das categorias mais importante para a ficção em prosa:


Tradução
Odisseia - Trajano Vieira
Madame Bovary - Mário Laranjeira
Guerra e paz - Rubens Figueiredo
Heine Hein? Poeta dos contrários - André Vallias
Duplo Canto e Outros Poemas - Bruno Palma
Os sonâmbulos - Marcelo Backes
Poesia completa de Yu Xuanji - Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao
O duplo - Paulo Bezerra
Poemas - Regina Przybycien
Ilusões Perdidas - Rosa Freire d'Aguiar

Romance
Mano, a noite está velha - Wilson Bueno
Infâmia - Ana Maria Machado
Procura do romance - Julián Fuks
O passeador - Luciana Hidalgo
Habitante irreal - Paulo Scott
Nihonjin - Oscar Nakasato
Naqueles morros, depois da chuva - Edival Lourenço
Tapete de silêncio - Menalton Braff
O estranho no corredor - Chico Lopes
Herança de Maria - Domingos Pellegrini

Contos e Crônicas
O livro de Praga - Sérgio Sant'Anna
Vento sul - Vilma Arêas
O anão e a ninfeta - Dalton Trevisan
O destino das metáforas - Sidney Rocha
Nós passaremos em branco - Luís Henrique Pellanda
Axilas e outras histórias Indecorosas - Rubem Fonseca
Enquanto água - Altair Martins
Onde terminam os dias - Francisco de Morais Mendes
Contos de mentira - Luisa Geisler
Passaporte para a China - Lygia Fagundes Telles

P.S.: na realidade não sou baiano, nasci em SP.

*Imagem: foto do Pelourinho por mim mesmo.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NOTAS #29


Escritores de papel
Vi na Ilustríssima e não pude resistir. O livro Literary Greats Paper Dolls, de Tim Foley tem cerca de 30 escritores de língua inglesa para você recortar e colar neles roupinhas de seus famosos personagens. Tem Arthur Conan Doyle vestido de Sherlock Holmes, Agatha Christie como Miss Marple, Charles Dickens em fantasma do natal passado e outros tantos. A ideia é bastante original e não deixa de ser muito divertida. Bem que alguma editora podia se animar e fazer uma versão nacional. Já pensou José de Alencar vestido como Peri? Algumas imagens do livro de Tim Foley estão disponíveis aqui.

Não é para qualquer um
A notícia mais comentada na semana passada foi o anúncio de que o escritor George R.R. Martin é o mais novo integrante do clube "escritores que venderam 1 milhão de livros digitais no Kindle". Se não estou enganado, a Amazon está considerando o total de vendas dos cinco livros da série As crônicas de gelo e fogo. James Patterson, Charlaine Harris, Stieg Larsson e Suzanne Collins também atingiram seu milhão de vendas no Kindle por causa da publicação de séries. Só que chegar a esse número não é para qualquer um, mesmo escrevendo séries. Stephenie Meyer e sua saga Crepúsculo, por exemplo, não conseguiu.

***

De fato George R.R. Martin é um escritor de sucesso. Vejo diariamente pessoas circulando nas ruas com algum dos volumes de As crônicas de gelo e fogo embaixo do braço (sobretudo no metrô e ônibus). Parte do sucesso pode ser atribuída à adaptação para a TV exibida no canal HBO. Seja como for são livros de fantasia e aventura que estão satisfazendo o gosto dos leitores cansados de tanto realismo. O tamanho também não assusta ninguém - cada volume tem no mínimo 500 páginas. E teve gente dizendo que no futuro as pessoas só iam ler histórias curtas!

Piglia esgotado
Os ingressos para ver Ricardo Piglia em São Paulo esgotaram muito rapidamente no mesmo dia em que começaram a ser distribuídos (acho que foi algo em torno de três ou quatro horas, não consegui calcular). O escritor argentino fará uma conferência sobre "Romance e tradução". Nem tive chance de garantir um lugar. Como consolo, estou recomendando um vídeo com Piglia e outros escritores debatendo o papel do ciberespaço na literatura e na crítica - durante a feira do livro em Madri. Daqui ele segue para o RJ.


FILBA
Segundo disseram a participação dos brasileiros na FILBA não foi cercada de muita curiosidade por parte dos nossos hermanos - exceto quando o assunto era Clarice Lispector. A grande estrela do festival foi mesmo o escritor J.M. Coetzee. Os principais jornais argentinos abusaram de muitos adjetivos para dizer que a conferência de encerramento com a presença do escritor foi brilhante. Tentei encontrar algum vídeo da apresentação, mas parece que o festival não teve transmissão de vídeos na internet. Acabei reencontrando um vídeo antigo de Coetzee em conversa com Peter Sacks. Ele até sorri!

O poder das capas
Antonio Candido, em depoimento pessoal sobre Graciliano Ramos, disse que ficou impressionado quando viu a capa da primeira edição de Caetés - achou diferente. Emendou falando sobre a importância das novas capas dos livros naquela época, difundindo o modernismo com suas estéticas cubista, surrealista etc. Um célebre capista do período foi Santa Rosa. Pelas mãos dele passaram livros de Jorge Amado, José Lins do Rego, Lucio Cardoso, Mario de Andrade, Graciliano Ramos e muitos outros.

***

Falando em capa tenho mais duas coisas para comentar. A primeira é um post da semana passada sobre a tradição dos poloneses no campo do designe gráfico. Descobri um link com capas bem legais de edições polonesas das décadas de 70 e 80. A segunda é uma lista daquelas que só o Flavorwire consegue fazer com 20 capas de clássicos da literatura reinventadas e infelizmente nunca publicadas. A mais bonita na minha opinião é Franny & Zooey, de J.D. Salinger por Nan Lawson (acima).

Polêmicas
Para fechar as notas duas polêmicas: a propaganda da Caixa Econômica com Machado de Assis e o Prêmio Jabuti desclassificando obras de sua lista de concorrentes ao prêmio.

*Imagem: J.M. Coetzee reproduzido do Página 12; capas de livro reprodução/divulgação.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

RESTRIÇÕES LITERÁRIAS


O ator James Franco de filmes como "Homem-Aranha", "Milk" e "Howl" publicou um livro de contos, Palo Alto. O livro reúne histórias sobre a angústia e o vazio existencial de um grupo de adolescentes que vivem em Los Angeles, nos Estados Unidos. Franco disse em diversas entrevistas que sua intenção era abordar grandes dilemas que estão ligados a essa fase da vida. Apesar da temática, Palo Alto não é direcionado ao público juvenil.

A estréia do ator no universo da ficção foi recebida com entusiasmo por uma parte da crítica. O New York Times, o Washington Post e o Book Bench da revista New Yorker gostaram bastante do livro. O célebre escritor Michael Cunningham gravou um vídeo conversando com o ator e tecendo diversos elogios. Porém, a outra parte da crítica não gostou do livro antes mesmo de lê-lo porque, segundo dizem, James Franco é um ator celebridade de Hollywood e não um escritor.

Paralelo a carreira de ator, ele frequentou os famosos cursos de escrita criativa de onde saíram renomados autores americanos. No começo Franco escrevia contos em particular, como hobby. À medida que foi mostrando esses contos e teve retorno das pessoas, sentiu segurança para publicar o livro.

A situação de James Franco lembra o caso recente de Chico Buarque com os prêmios Jabuti e Portugal Telecom. O grande compositor da música popular brasileira é também autor de quatro romances: Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado. Três deles já faturaram prêmios importantes de literatura. Isso sem mencionar o fato desses livros serem sucesso de público.

Chico disse que acha natural a desconfiança da crítica como apontou Raquel Cozer num texto para o Caderno 2. Reproduzo abaixo a fala dele:

“É difícil dissociar o narrador da pessoa pública. As pessoas pensam que o livro faz sucesso porque o autor tem um programa de TV ou é compositor. Mas não acho chato isso, não. Se eu visse um outro compositor ou apresentador que escrevesse um livro, talvez eu desconfiasse de que não fosse bom. Isso é muito natural” (...).

Percebo que a mesma restrição também persegue Tony Bellotto, guitarrista da banda Titãs. Ele é autor de seis livros, divididos em contos e romances policiais. Não sei extamente em que medida a crítica torce o nariz para seus livros, pois Bellotto não teve a mesma exposição que Chico Buarque em termos de premiação literária - pelo menos não que eu me lembre.

Não quero dizer que essas três personalidades escrevem romances de alta densidade literária e que eles estão à frente de pessoas que se dedicam integralmente a prosa de ficção. Mas por que o ator, o compositor e o guitarrista não podem também ser escritores?

*imagem: montagem sobre fotos reproduzidas do Google.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O LEITOR ESCOLHE QUEM LEVA O PRÊMIO


Nem só de prêmios internacionais com votos de um seleto grupo de críticos especializados vive a literatura. No Brasil, temos dois prêmios em vista em que qualquer leitor poderá ajudar na escolha do vencedor.

Até domingo, dia 31 de outubro, está aberta a votação do 'júri popular' para dezesseis categorias do Prêmio Jabuti 2010. O público pode escolher apenas um dos 3 vencedores de cada categoria que foram anunciados em 1 de outubro desse ano. Os mais votados receberão em novembro uma placa de premiação. O chamado 'Voto popular' é uma das novidades que a organização do prêmio preparou. Para votar, é só fazer um pequeno cadastro no site do prêmio e clicar nas suas escolhas.

Na categoria 'Contos e Crônicas' os três concorrentes são: Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), de José Rezende Jr.; A máquina de revelar destinos não cumpridos, de Vário do Andaraí; e Paulicéia dilacerada, de Mário Chamie. Já na categoria 'Romance' os concorrentes são: Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre; Leite derramado, de Chico Buarque; e Os espiões, de Luis Fernando Veríssimo.

Também tem início essa semana a votação de 'júri popular' para a categoria Literatura do 4° Prêmio QUEM, organizado pela revista QUEM Acontece. A seleção dos sete finalistas dessa categoria foi feita pelos críticos Rinaldo Gama, Heloísa Buarque de Hollanda e Sérgio Rodrigues - eles podiam indicar obras tanto em prosa como em poesia, publicadas ao longo de 2010.

Dentre os finalistas estão: Andréa del Fuego, que lançou Os malaquias; Dalton Trevisan, que lançou Desgracida; João Paulo Cuenca, que lançou O único final feliz para uma história de amor é um acidente; Ronaldo Correia de Brito, que lançou Retratos imorais; e o escritor português José Saramago - In memorian.

Façam suas apostas!

*Imagem: reprodução.
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domingo, 1 de agosto de 2010

20 ESCRITORES BRASILEIROS COM MENOS DE 40 ANOS


Em Junho a revista New Yorker publicou uma edição especial em que seus editores selecionaram 20 escritores com menos de 40 anos. O objetivo dessa seleção era apresentar um grupo promissor de jovens escritores da literatura americana atual - a mesma seleção foi feita pela New Yorker em 1999. A escolha gerou muita polêmica e diversas pessoas escreveram textos para criticar, comentar, combater, ironizar e completar a lista.

Nem todos os nomes eram inéditos, alguns escritores já eram bastante conhecidos pelos leitores da revista. De qualquer forma, ter o seu nome nessa lista é garantia de sucesso: todos os escolhidos ganharam repercussão internacional e certamente terão suas obras publicadas com maior facilidade e serão chamados para ministrar cursos de escrita criativa nos Estados Unidos.

No Brasil nenhuma revista ou jornal chegou a fazer uma seleção parecida. Talvez pela nossa falta de tradição nessas listas ou mesmo pela dificuldade que o processo impõe. Também não temos uma publicação 'não acadêmica' voltada diretamente para a divulgação de novos escritores. Os jornais e revistas fazem isso de maneira esparsa.

Informalmente resolvi propor uma lista com os nossos 20 escritores com menos de 40 anos. Como disse na época em que fiquei sabendo da lista da New Yorker, acho que essas listas servem para que os leitores tenham alguma referência quando sairem em busca de algum novo escritor. A lista também demonstra que temos um grupo muito bom de jovens escritores. Confesso que encontrei muito mais nomes além dos 20 que me propus a encontrar. A lista não é definitiva e pode ser que carregue algumas injustiças, deixando de fora algum novo escritor que mereça atenção. Mas espero que listas complementares apareçam.

Infelizmente, o meu processo de seleção não contou com a ajuda direta de críticos, nem com votações ou indicações de leitores, editores, etc. De modo simples, o que fiz foi consultar os nomes de escritores indicados para alguns prêmios de literatura desde o ano 2003. Serviram como base de pesquisa o Prêmio Jabuti, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), o Prêmio SESC de Literatura, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura, o Prêmio SP de Literatura e a FLIP. Além de serem prêmios de renome, esses escritores foram selecionados por um júri de alta qualidade. Por isso, o simples fato de concorrem a um desses prêmios já indica que são escritores que produzem ou produziram trabalhos relevantes.

A lista:

André Laurentino (1972, Olinda) - Seu primeiro romance, A paixão de Amâncio Amaro, foi publicado em 2005. O livro retrata a paixão e os sonhos do pernambucano Amâncio Amaro sobre a sua musa, Luzinete.

Carola Saavedra (1973, Santiago/Chile) - Veio para o Brasil aos 3 anos de idade. Seu primeiro livro foi Do lado de fora publicado em 2005. Teve repercussão recentemente com a publicação de Flores Azuis e Paisagem com dromedário, de 2008 e 2010 respectivamente. Esse ano irá participar da Flip.

Michel Laub (1973, Porto Alegre) - Autor de quatro romances. O primeiro Música anterior é de 2001. Depois vieram Longe da água em 2004 e O segundo tempo em 2006. O mais recente é O gato diz adeus de 2009 em que quatro diferentes personagens falam sobre seus relacionamentos.

Verônica Stigger (1973, Porto Alegre) - Autora de contos e crônicas. Seu primeiro livro, O trágico e outras comédias, foi publicado em 2004. Esse ano publicou Os anões e vem recebendo inúmeros elogios da crítica especializada. Também escreveu Gran Cabaret Demenzial.

Carlos de Brito e Mello (1974, Belo Horizonte) - Escreveu alguns contos que foram reunidos num livro chamado O cadáver ri dos seus despojos. No ano passado publicou A passagem tensa dos corpos e está concorrendo ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Andréa Del Fuego (1975, São Paulo) - Publicou seu primeiro livro de contos, Minto enquanto posso em 2004. Seguidos por Engano seu em 2007 e o infanto-juvenil Sociedade da caveira de cristal em 2008. Acabou de publicar Os malaquias.

Ricardo Lisias (1975, São Paulo) - Um dos autores da lista que mais publicou livros. O primeiro, Cobertor de estrelas, foi em 1999. Depois publicou Dos nervos (2004), Duas praças (2005) e Anna O. e outras novelas (2007). O livro dos mandarins publicado no ano passado lhe rendeu indicação ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Altair Martins (1975, Porto Alegre) - A parede no escuro publicado em 2008 foi o romance que lhe deu maior visibilidade no meio literário. Antes disso tinha publicado Como se moesse ferro e Dentro do olho dentro, ambos em 2002.

Cecília Giannetti (1976, Rio de Janeiro) - A única escritora carioca da lista. Publicou apenas um romance em 2007 chamado Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi. Antes disso tinha publicado contos em revistas e coletâneas.

Eduardo Baszczyn (1976, São Paulo) - Por enquanto publicou apenas um romance, Desamores, em 2007. Cheio de referências a filmes e músicas, o romance fala das diversas facetas do amor. Recebeu diversos elogias da crítica.

Antonio Prata (1977, São Paulo) - Outro autor que já tem diversos livros publicados. O primeiro foi Douglas e outras histórias em 2001, com contos e crônicas. Depois vieram o infanto-juvenil Estive pensando (2003) e Pernas da tia Coralina (2003), seguido de O inferno atrás da pia (2004). Ano passado lançou outro infanto-juvenil, Adulterado. É um dos autores mais elogiados pela crítica.

Estevão Azevedo (1978, Natal) - Publicou apenas um romance, Nunca o nome do menino, de 2008. A história é sobre uma mulher que se descobre personagem de ficção. O romance lhe rendeu uma indicação ao Prêmio SP de Literatura de 2009.

Daniel Galera (1979, São Paulo) - Apesar de ter nascido na cidade de São Paulo, vive em Porto Alegre. Seu primeiro livro foi Dentes guardados em 2002. Depois vieram Mãos de cavalo (2006), Até o dia em que o cão morreu (2007) e Cordilheira (2008). Recentemente publicou em parceria com Rafael Coutinho a grafic novel Cachalote.

Tiago Novaes (1979, Avaré) - Subitamente: agora foi seu primeiro livro de contos publicado em 2004. Em 2007 publicou o romance de ficção policial chamado Estado vegetativo.

Tatiana Salem Levy (1979, Lisboa/Portugal) - Veio para o Brasil com 9 meses de idade. Além de escritora, é tradutora de inúmeros livros conhecidos. Seu único romance publicado é A chave de casa (2007).

André de Leones (1980, Goiânia) - Publicou dois romances e um livro de contos. O primeiro foi em 2006, Hoje está um dia morto - que lhe rendeu a indicação ao Prêmio Sesc de Literatura. Em 2008 publicou os contos, Paz na terra entre os monstros. Recentemente publicou Como desaparecer completamente.

Carol Bensimon (1982, Porto Alegre) - Seu primeiro livro foi de contos, Pó de parede, publicado em 2008. No ano passado publicou Sinuca embaixo d'água que lhe rendeu a indicação ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Lívia Sganzerla Jappe (1982, Porto Alegre) - Publicou apenas um romance até o momento. Cisão foi lançado no ano passado. O livro que trata do amor de maneira em parte filosófica em parte ficcional. Também é uma das indicadas ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Maurício de Almeida (1982, Campinas) - Autor de apenas um livro de contos, Beijando dentes, de 2008. A linguagem inventiva é uma das marcas mais apontadas pelos críticos nos contos que escreve.

Vanessa Bárbara (1982, São Paulo) - Além de escritora é tradutora. Escreveu um livro-reportagem em 2008 que foi bastante elogiado, O livro amarelo do terminal. Sua estréia no universo da ficção aconteceu em 2008 com o livro de contos O verão de chibo - escrito a quatro mãos com Emílio Fraia.

*imagem: reprodução do Google.

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