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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

TEMPORADA DE PRÊMIOS


Nessa segunda-feira chuvosa (o verão está chegando mas o tempo na cidade de SP está nublado, chuvoso e meio frio) aconteceu a entrega do Prêmio SP de Literatura 2013 para um autor veterano e dois autores estreantes - com mais de 40 e menos de 40 anos. Entre os concorrentes tinha um monte de gente interessante e aposto que você já tinha os seus favoritos.


Pois bem, acabam de anunciar que o ganhador na categoria veterano foi Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera. Na categoria estreante, os vencedores foram Desnorteio, de Paula Fábrio e Antiterapias, de Jacques Fux.


Com isso, Daniel Galera fecha com chave de ouro a trajetória do romance nesse ano: mesa na FLIP, presença em Frankfurt, participação na Copa de Literatura Brasileira e vários países interessados em publicar e traduzir seu livro. Agora só falta ganhar o Prêmio Portugal Telecom.


Outra coisa bacana desse prêmio é lançar luz sobre autores estreantes. Tenho certeza que mais gente vai procurar os livros da Paula Fábrio e do Jacques Fux.



***


Vou aproveitar o anuncio do Prêmio SP de Literatura para repassar outros prêmios literários que já foram entregues ou ainda serão entregues e não comentei antes por falta de tempo. Vem comigo que no caminho eu explico.


NOBEL
Você pode até achar que o Nobel de Literatura tem gosto de peru de natal, mas a verdade é que desde 1901 o mundo inteiro aguarda com muita ansiedade pelo momento em que os membros da academia sueca abrem uma porta e anunciam o nome do vencedor. Nesse ano, o Nobel foi para as mãos da escritora canadense Alice Munro, de 82 anos. É a primeira vez que um autor dedicado somente ao conto - gênero de forma curta - é agraciado. A escritora já tem três livros publicados no Brasil pela Cia das Letras: O amor de uma boa mulher, Felicidade demais e Fugitiva. Até o final do ano devem chegar as livrarias Vida querida, pela Cia das Letras e uma reedição de Ódio, amizade, namoro, amor e casamento, pelo selo Biblioteca Azul - da Globo Livros. No ano que vem, a Globo Livros promete publicar Selected stories, Fugitiva e The View of Castle Rock.


No ano passado, Munro disse que iria encerrar a carreira para se dedicar a família, mas numa recente entrevista ao The Wall Street Journal ela admitiu que continua tendo ideias para novas histórias - deixando aberta a possibilidade de voltar a publicar.


MAN BOOKER PRIZE
O famoso prêmio inglês foi para as mãos da neozelandesa Eleanor Catton com o livro The Luminaries. Com apenas 28 anos e 50 mil livras mais rica, ela se tornou a autora mais jovem a receber o prêmio e a autora do livro premiado mais longo de todos os tempos - a edição inglesa tem 832 páginas. Dizem que o prêmio já era esperado, pois nos bastidores todo mundo garante que Eleanor era a favorita desde o anúncio da primeira lista de selecionados.


Se você ficou interessado pelo livro deve saber que The luminaries já tem editora no Brasil e sairá em 2014 pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros.


GONCOURT
Enquanto os prêmios literários ao redor do mundo costumam pagar altas somas para os vencedores, o Prix Goncourt para apenas €10. O valor é simbólico e o autor ganhador compensa o valor magro do prêmio com o número expressivo de vendas após o anúncio - sem contar com o interesse de editoras do mundo inteiro em comprar os direitos de publicação do livro. Na edição desse ano quase houve um empate entre um veterano e um estreante. Foram 6 votos contra 4. Quem levou a melhor foi Pierre Lemaître, o veterano, com o romance Au Revoir Là-haut (ele é inédito no Brasil, mas bem conhecido na França e teve um livro publicado em inglês). Curiosamente, tanto o livro do veterano quanto o do estreante (Arden, de Fréderic Verger) falam sobre guerra.


AINDA NA FRANÇA: MÉDICIS, RENAUDOT E ZORBA
Outros dois prêmios literários importantes da França também divulgaram seus vencedores - ambos apareceram nas listas de selecionados do Goncourt (será que os prêmios tem sempre os mesmos finalistas?). O Prix Renaudot foi para Yann Moix com Naissance (o livro tem 1152 páginas e dizem que segue um estilo Laurence Sterne graças a ironia perversa, hilária e grotesca) e o Prix Médicis foi para Marie Darieussecq com Il faut beaucoup aimer les hommes - pelo que apurei é um livro sobre uma história de amor que lida com a impossibilidade de contar uma história de amor no mundo de hoje.


Já o Prix du Zorba (o nome vem do bar onde acontece a premiação) foi criado no ano passado e pretende ser uma espécie de "anti-Goncourt". O júri conta com escritores, jornalistas e djs e quer premiar o livro mais excitante do ano. O ganhador foi Une vie pornographique, de Mathieu Lindon. Levou para casa €500 (bem mais do que o Goncourt). O livro trata de uma personagem víciada em heroína que tenta se recuperar.


JOSÉ SARAMAGO
Dessa vez o prêmio foi para as mãos do angolano Ondjaki com o livro Os transparentes - acabou de sair pela Companhia das Letras. Entre os membros do júri estava a académica Nelida Piñon.


CUNHAMBEBE
O Prêmio Cunhambebe, dedicado aos melhores livros de ficção estrangeira publicada no Brasil e organizado pelo agente literário Stéphane Chao, divulgou seus finalistas: A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides; O dia em que a poesia derrotou um ditador, de Antonio Skármeta; O mapa e o território, de Michel Houellebecq; Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos; Os enamoramentos, de Javier Marias; HHhH, de Laurent Binet; Fora do tempo, de David Grossman; Rostos na multidão, de Valeria Luiselli; Sunset Park, de Paul Auster; A primeira pessoa, de Ali Smith e Serena, de Ian McEwan. O vencedor será anunciado em 9 de dezembro.


BAD SEX IN FICTION
Nenhum tema tem sido tão relevante para a literatura contemporânea quanto o sexo. Basta um passeio pelas livrarias da sua cidade para ver estantes inteiras dedicadas ao gênero "pornografia (com direito a doses homeopáticas de sadomasoquismo) para mulheres". No entanto, o Bad Sex in Fiction não dá a mínima para E.L. James, Sasha Grey, Sylvia Day e compania. Os organizadores querem premiar e desencorajar as piores cenas sexuais publicadas em livros de ficção sem foco específico em pornografia ou literatura expressamente erótica.


Os finalistas são: My Education, de Susan Choi; The Last Banquet, de Jonathan Grimwood; House of Earth, de Woody Guthrie; Motherland, de William Nicholson; The Victoria System, de Eric Reinhardt; The World Was All Before Them, de Matthew Reynolds; The City of Devi, de Manil Suri e Secrecy, de Rupert Thomson.


Os escritores são praticamente desconhecidos no Brasil. Talvez dois ou três tenham um livro publicado por aqui e dificilmente chegaram até as nossas estantes em português. Tudo vai depender da repercussão do prêmio e da trajetória de sucesso do livro. O vencedor será conhecido em 3 de dezembro.


NATIONAL BOOK AWARD
Nenhum veterano foi páreo para The Good Lord Bird, de James McBride - o vencedor do National Book Award. Nem a beleza de Jhumpa Lahiri, nem o humor negro de George Saunders, nem mesmo a estranheza de Thomas Pynchon. Nada! McBride tem uma obra prolifica voltada para o cinema, a música e a literatura. O livro conta a história de um escravo que vive no estado norte-americano do Kansas, em 1857, e tem ideias abolicionistas. Os jurados acharam o livro engraçado e original.


McBride já teve livros publicados no Brasil pela editora Bertrand Brasil.


TELECOM DE LITERATURA
O prêmio anunciou seus finalistas e promoveu um encontro durante a Balada Literária, mas ainda não disse quando vai ser a cerimônia de entrega.


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Será que esqueci de algum prêmio? Se alguém souber de alguma coisa, deixem um comentário.


*Foto: divulgação.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PRÊMIO SP DE LITERATURA - 2012

Capa dos livros premiados
Em setembro, enquanto eu estava fora, a organização do Prêmio SP de Literatura divulgou os vencedores nas categorias autor e autor estreante: o primeiro foi para o livro Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós e o segundo foi para Os hungareses, de Suzana Montoro. Por incrível que parece, o júri premiou autores e livros com "jeitões" muito parecidos.

Bartolomeu Campos de Queirós publicou mais de quarenta livros e dedicou-se quase exclusivamente à literatura infanto-juvenil. Apesar da obra extensa, Vermelho amargo foi seu primeiro romance voltado ao público adulto (infelizmente, ele faleceu em 16 de janeiro desse ano). Guardadas as devidas proporções, algo semelhante aconteceu com Suzana Montoro já que ela publicou dois livros infanto-juvenis, antes de lançar o romance Os hungareses. Se não me engano, Suzana também tem um livro de contos chamado Exilados que saiu pela WS Editor, em 2003, e está fora de catálogo.

Os enredos também se parecem porque abordam a trajetória de duas famílias e as dificuldades que cada uma delas enfrenta a sua maneira. No romance de Bartolomeu, o narrador fica concentrado nas mazelas surgidas no núcleo familiar após a insuperável perda da mãe. Já o romance de Suzana Montoro conta a saga de uma família húngara para sobreviver à guerra e recomeçar a vida num país completamente diferente (detalhe: ela não é e não tem descendência hungara, mas entrevistou muitos imigrantes daquele país e visitou as cidades em que eles viveram).

Dá para ler os dois livros rapidinho: Vermelho amargo tem 72 páginas e Os hungareses tem 192 páginas. Você vai levar no máximo dois dias para ler cada um deles no trajeto de ida e volta do trabalho usando metrô, por exemplo.

***

Em tempo, desculpem a longa ausência. Resolvi esticar as férias por mais duas semanas e  esqueci de deixar um recado. Seja como for, quero avisar que estou recuperando a forma antiga.

*Imagem: divulgação.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

ACONTECE QUE EU SOU BAIANO!

Largo do Pelourinho
Alô, você!

Quero avisar vocês que o motivo da minha ausência é muito justo: estou em férias e acabei de voltar de viagem. Não quis nem saber de literatura nesses dias. A única coisa que eu lia eram os jornais. No mais estive pelas praias de Salvador e ruas do Pelourinho. Tudo aconteceu tão às pressas que nem tive tempo de deixar um recado avisando minha ausência. Desculpem!

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Exceto no aeroporto de Salvador e na própria Fundação, não vi nenhuma menção ao centenário de Jorge Amado. As festividades devem ter se limitado ao mês de agosto, eu imagino.

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Enquanto estive ausente aconteceram muitas coisas, entre elas o lançamento de Os enamoramentos, de Javier Marias (a edição da Cia das Letras acompanha um mimo: O coronel Chabert, de Balzac - uma referência que está no romance de Marias) e o anúncio dos ganhadores do Prêmio SP de Literatura. Javier Marias dispensa muitas apresentações, vou tentar correr com minhas leituras para voltar ao assunto. Embora não tenha lido o romance, recomendo vivamente as entrevistas que ele concedeu a Folha de SP e ao Estadão. Alguém que diz algo como "vive-se muito bem sem ser contemporâneo" merece muito respeito.

Se você ainda não sabe o Prêmio SP de Literatura foi para Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós na categoria "Autor" e Os hungareses, de Suzana Montoro na categoria "Autor estreante". Achei que a categoria "Autor" ficaria com Michel Laub, Paulo Scott, Luiz Ruffato ou Tatiana Salem Levy por conta da repercussão crítica que seus respectivos romances tiveram.

Não li nenhum nem outro dos ganhadores. O que sei li nos jornais.

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Falando em prêmios acaba de sair a lista de finalistas do Prêmio Jabuti. Como disse a Raquel Cozer, um dos problemas do tradicional prêmio é ser inchado demais (são 29 categorias com 10 indicados para cada uma delas). Haja fôlego! Se você não quiser clicar no link para fuçar os indicados, coloco abaixo um resumo das categorias mais importante para a ficção em prosa:


Tradução
Odisseia - Trajano Vieira
Madame Bovary - Mário Laranjeira
Guerra e paz - Rubens Figueiredo
Heine Hein? Poeta dos contrários - André Vallias
Duplo Canto e Outros Poemas - Bruno Palma
Os sonâmbulos - Marcelo Backes
Poesia completa de Yu Xuanji - Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao
O duplo - Paulo Bezerra
Poemas - Regina Przybycien
Ilusões Perdidas - Rosa Freire d'Aguiar

Romance
Mano, a noite está velha - Wilson Bueno
Infâmia - Ana Maria Machado
Procura do romance - Julián Fuks
O passeador - Luciana Hidalgo
Habitante irreal - Paulo Scott
Nihonjin - Oscar Nakasato
Naqueles morros, depois da chuva - Edival Lourenço
Tapete de silêncio - Menalton Braff
O estranho no corredor - Chico Lopes
Herança de Maria - Domingos Pellegrini

Contos e Crônicas
O livro de Praga - Sérgio Sant'Anna
Vento sul - Vilma Arêas
O anão e a ninfeta - Dalton Trevisan
O destino das metáforas - Sidney Rocha
Nós passaremos em branco - Luís Henrique Pellanda
Axilas e outras histórias Indecorosas - Rubem Fonseca
Enquanto água - Altair Martins
Onde terminam os dias - Francisco de Morais Mendes
Contos de mentira - Luisa Geisler
Passaporte para a China - Lygia Fagundes Telles

P.S.: na realidade não sou baiano, nasci em SP.

*Imagem: foto do Pelourinho por mim mesmo.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MURAKAMI FAVORITO AO PRÊMIO NOBEL

Se tem uma coisa que deixa a gente animado nessa época do ano é especular sobre o provável ganhador do prêmio Nobel de Literatura. O anúncio chega a ser tão esperado quanto aquele peru de Natal da sua tia ou aquele show de final-de-ano do Roberto Carlos. Adivinhar o nome do ganhador é tão difícil quanto acertar os números da Mega-sena - a Academia Sueca gosta muito de surpreender. No ano passado, muita gente dava como certa a vitória de Adonis, poeta e ensaísta sírio. No fim, o prêmio ficou em casa, pois quem acabou levando foi Tomas Tranströmer, poeta sueco.

Para esquentar os motores, a famosa casa de apostas Ladbrokes já está aceitando palpites. O lugar é um termômetro certeiro. Por enquanto, quem está na frente é o escritor japonês Haruki Murakami, seguido pelo chinês Mo Yan (inédito por aqui), pelo holandês Cees Nooteboom, pelo albanês Ismail Kadare e pelo sírio Adonis.

Figuram na lista, um tanto desacreditados, nomes como Philip Roth, Cormac McCarthy (eterna promessa), Chinua Achebe, Thomas Pynchon, Umberto Eco, Don DeLillo e Joyce Carol Oates. Lá atrás ainda aparecem o português Antonio Lobo Antunes e o brasileiro Ferreira Gullar - empatado com Jonathan Franzen, Per Petterson, Jonathan Littell, Paul Auster.

O anúncio será feito em outubro.

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Enquanto o Nobel não chega, ficamos de olho no Prêmio SP de Literatura cujo os ganhadores serão anunciados em setembro. Como no ano passado, a organização do prêmio vai promover encontros com os finalistas: três na capital e quatro no interior do Estado. O primeiro bate-papo em SP (capital) acontece nesse domingo (26/08) na Biblioteca de São Paulo com Edmar Monteiro Filho, Eliane Brum e Suzana Montoro. O próximo será em 01/09 com Domingos Pellegrini, Paulo Scott e Silvio Lancellotti. O último será em 09/09 com Chico Lopes, Luiz Ruffato e Tatiana Salem Levy. Em todos os encontros a mediação será de Adriana Couto.

Uma pena que não existe um equivalente a Ladbrokes para o Prêmio SP de Literatura. Alguém está a fim de compartilhar/especular os ganhadores?

***ATUALIZAÇÃO: informalmente diga pra mim, nos comentários, qual o seu palpite para os ganhadores do Prêmio SP de Literatura - na categoria veterano e estreante. Não precisa ficar com medo, ninguém está vendo o seu voto (é tudo confidencial).

Se você não sabe, os finalistas estão aqui.

* Imagem: reprodução da Wikipédia.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

GANHADORES PRÊMIO SP DE LITERATURA

Método prático da guerrilha, de Marcelo Ferroni foi o ganhador do Prêmio SP de Literatura na categoria Livro do ano - autor estreante. A disputa não deve ter sido fácil, pois ele concorria com outros autores de enorme talento. Mas o prêmio é merecido já que o Marcelo quebra a ficção (o gênero romance) e brinca com seus pedacinhos. O livro tem um jogo entre o real e o fictício que começa desde a capa (o nome também causa uma certa confusão).

Para quem quiser saber mais sobre Método prático da guerrilha, separei três entrevistas com o autor: uma feita por Isabel Coutinho para o jornal Público (de Portugal); outra feita por Márcio Vassallo para a Agência Riff; e a última feita Rogério Pereira para o jornal Rascunho.

Quem quiser, pode ler um trecho do livro aqui.

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Passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo ficou com o prêmio da categoria Melhor livro do ano. Rubens é bastante conhecido pelas traduções de Paul Auster, Raymond Carver, Liev Tolstói, Philip Roth e tanto outros (só gente grande!), mas já publicou outros sete livros antes desse.

A jornalista Mona Dorf entrevistou Rubens Figueiredo logo depois do prêmio. Também tem entrevista dele para o caderno Prosa & Verso falando sobre o livro, o prêmio e outras coisas mais.

Quem quiser, pode ler um trecho do livro aqui.

*imagem: reprodução blog da Companhia das Letras.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

ENCONTRO COM OS ESCRITORES DO PRÊMIO SP DE LITERATURA

A Secretária de Cultura de SP está promovendo encontros com os finalistas do Prêmio SP de Literatura. Os encontros acontecem sempre aos sábados na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Os vencedores serão anunciados em 1 de agosto. Só achei ruim o horário: das 11h30 às 13h30 - ou seja, tem de acordar bem cedo para acompanhar a conversa.

O primeiro encontro foi em 2/7 com o tema "contos e romances" e participação dos escritores Menalton Braff, Hélio Polvora, Rubens Figueiredo, Adriana Lisboa e Evandro Affonso Ferreira - mediação de Cadão Volpato.

Segue agenda dos próximos encontros:

Sábado - 16/7 - Origens e Raízes
Com Joca Reiners Terron, Miguel Sanches Neto, Carola Saavedra e Nelson de Oliveira - mediação de Mona Dorf.

Sábado - 23/7 - O Fantástico dentro da Literatura
Com Sérgio Mudado, Andréa Del Fuego, Reni Adriano e Gabriela Guimarães Gazzinelli - mediação de Marcelino Freire.

Sábado - 30/7 - A História no Enredo
Com Marcelo Ferroni, Ronaldo Wrobel, Marco Lucchesi e Luis Alberto Brandão - mediação de Flávio Moura.

A lista de todos os finalistas de "Melhor Livro do Ano" e "Melhor Livro do Ano - Autor Estreante" com sinopse dos romances está disponível aqui. O jornal Rascunho também está fazendo uma enquete informal perguntando "Qual romance merece vencer o Prêmio São Paulo de Literatura?". Até o momento, Poeira: demônios e maldições, de Nelson de Oliveira está ganhando disparado com 38 votos. Você pode votar aqui.

*imagem: reprodução.
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domingo, 1 de agosto de 2010

20 ESCRITORES BRASILEIROS COM MENOS DE 40 ANOS


Em Junho a revista New Yorker publicou uma edição especial em que seus editores selecionaram 20 escritores com menos de 40 anos. O objetivo dessa seleção era apresentar um grupo promissor de jovens escritores da literatura americana atual - a mesma seleção foi feita pela New Yorker em 1999. A escolha gerou muita polêmica e diversas pessoas escreveram textos para criticar, comentar, combater, ironizar e completar a lista.

Nem todos os nomes eram inéditos, alguns escritores já eram bastante conhecidos pelos leitores da revista. De qualquer forma, ter o seu nome nessa lista é garantia de sucesso: todos os escolhidos ganharam repercussão internacional e certamente terão suas obras publicadas com maior facilidade e serão chamados para ministrar cursos de escrita criativa nos Estados Unidos.

No Brasil nenhuma revista ou jornal chegou a fazer uma seleção parecida. Talvez pela nossa falta de tradição nessas listas ou mesmo pela dificuldade que o processo impõe. Também não temos uma publicação 'não acadêmica' voltada diretamente para a divulgação de novos escritores. Os jornais e revistas fazem isso de maneira esparsa.

Informalmente resolvi propor uma lista com os nossos 20 escritores com menos de 40 anos. Como disse na época em que fiquei sabendo da lista da New Yorker, acho que essas listas servem para que os leitores tenham alguma referência quando sairem em busca de algum novo escritor. A lista também demonstra que temos um grupo muito bom de jovens escritores. Confesso que encontrei muito mais nomes além dos 20 que me propus a encontrar. A lista não é definitiva e pode ser que carregue algumas injustiças, deixando de fora algum novo escritor que mereça atenção. Mas espero que listas complementares apareçam.

Infelizmente, o meu processo de seleção não contou com a ajuda direta de críticos, nem com votações ou indicações de leitores, editores, etc. De modo simples, o que fiz foi consultar os nomes de escritores indicados para alguns prêmios de literatura desde o ano 2003. Serviram como base de pesquisa o Prêmio Jabuti, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), o Prêmio SESC de Literatura, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura, o Prêmio SP de Literatura e a FLIP. Além de serem prêmios de renome, esses escritores foram selecionados por um júri de alta qualidade. Por isso, o simples fato de concorrem a um desses prêmios já indica que são escritores que produzem ou produziram trabalhos relevantes.

A lista:

André Laurentino (1972, Olinda) - Seu primeiro romance, A paixão de Amâncio Amaro, foi publicado em 2005. O livro retrata a paixão e os sonhos do pernambucano Amâncio Amaro sobre a sua musa, Luzinete.

Carola Saavedra (1973, Santiago/Chile) - Veio para o Brasil aos 3 anos de idade. Seu primeiro livro foi Do lado de fora publicado em 2005. Teve repercussão recentemente com a publicação de Flores Azuis e Paisagem com dromedário, de 2008 e 2010 respectivamente. Esse ano irá participar da Flip.

Michel Laub (1973, Porto Alegre) - Autor de quatro romances. O primeiro Música anterior é de 2001. Depois vieram Longe da água em 2004 e O segundo tempo em 2006. O mais recente é O gato diz adeus de 2009 em que quatro diferentes personagens falam sobre seus relacionamentos.

Verônica Stigger (1973, Porto Alegre) - Autora de contos e crônicas. Seu primeiro livro, O trágico e outras comédias, foi publicado em 2004. Esse ano publicou Os anões e vem recebendo inúmeros elogios da crítica especializada. Também escreveu Gran Cabaret Demenzial.

Carlos de Brito e Mello (1974, Belo Horizonte) - Escreveu alguns contos que foram reunidos num livro chamado O cadáver ri dos seus despojos. No ano passado publicou A passagem tensa dos corpos e está concorrendo ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Andréa Del Fuego (1975, São Paulo) - Publicou seu primeiro livro de contos, Minto enquanto posso em 2004. Seguidos por Engano seu em 2007 e o infanto-juvenil Sociedade da caveira de cristal em 2008. Acabou de publicar Os malaquias.

Ricardo Lisias (1975, São Paulo) - Um dos autores da lista que mais publicou livros. O primeiro, Cobertor de estrelas, foi em 1999. Depois publicou Dos nervos (2004), Duas praças (2005) e Anna O. e outras novelas (2007). O livro dos mandarins publicado no ano passado lhe rendeu indicação ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Altair Martins (1975, Porto Alegre) - A parede no escuro publicado em 2008 foi o romance que lhe deu maior visibilidade no meio literário. Antes disso tinha publicado Como se moesse ferro e Dentro do olho dentro, ambos em 2002.

Cecília Giannetti (1976, Rio de Janeiro) - A única escritora carioca da lista. Publicou apenas um romance em 2007 chamado Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi. Antes disso tinha publicado contos em revistas e coletâneas.

Eduardo Baszczyn (1976, São Paulo) - Por enquanto publicou apenas um romance, Desamores, em 2007. Cheio de referências a filmes e músicas, o romance fala das diversas facetas do amor. Recebeu diversos elogias da crítica.

Antonio Prata (1977, São Paulo) - Outro autor que já tem diversos livros publicados. O primeiro foi Douglas e outras histórias em 2001, com contos e crônicas. Depois vieram o infanto-juvenil Estive pensando (2003) e Pernas da tia Coralina (2003), seguido de O inferno atrás da pia (2004). Ano passado lançou outro infanto-juvenil, Adulterado. É um dos autores mais elogiados pela crítica.

Estevão Azevedo (1978, Natal) - Publicou apenas um romance, Nunca o nome do menino, de 2008. A história é sobre uma mulher que se descobre personagem de ficção. O romance lhe rendeu uma indicação ao Prêmio SP de Literatura de 2009.

Daniel Galera (1979, São Paulo) - Apesar de ter nascido na cidade de São Paulo, vive em Porto Alegre. Seu primeiro livro foi Dentes guardados em 2002. Depois vieram Mãos de cavalo (2006), Até o dia em que o cão morreu (2007) e Cordilheira (2008). Recentemente publicou em parceria com Rafael Coutinho a grafic novel Cachalote.

Tiago Novaes (1979, Avaré) - Subitamente: agora foi seu primeiro livro de contos publicado em 2004. Em 2007 publicou o romance de ficção policial chamado Estado vegetativo.

Tatiana Salem Levy (1979, Lisboa/Portugal) - Veio para o Brasil com 9 meses de idade. Além de escritora, é tradutora de inúmeros livros conhecidos. Seu único romance publicado é A chave de casa (2007).

André de Leones (1980, Goiânia) - Publicou dois romances e um livro de contos. O primeiro foi em 2006, Hoje está um dia morto - que lhe rendeu a indicação ao Prêmio Sesc de Literatura. Em 2008 publicou os contos, Paz na terra entre os monstros. Recentemente publicou Como desaparecer completamente.

Carol Bensimon (1982, Porto Alegre) - Seu primeiro livro foi de contos, Pó de parede, publicado em 2008. No ano passado publicou Sinuca embaixo d'água que lhe rendeu a indicação ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Lívia Sganzerla Jappe (1982, Porto Alegre) - Publicou apenas um romance até o momento. Cisão foi lançado no ano passado. O livro que trata do amor de maneira em parte filosófica em parte ficcional. Também é uma das indicadas ao Prêmio SP de Literatura 2010.

Maurício de Almeida (1982, Campinas) - Autor de apenas um livro de contos, Beijando dentes, de 2008. A linguagem inventiva é uma das marcas mais apontadas pelos críticos nos contos que escreve.

Vanessa Bárbara (1982, São Paulo) - Além de escritora é tradutora. Escreveu um livro-reportagem em 2008 que foi bastante elogiado, O livro amarelo do terminal. Sua estréia no universo da ficção aconteceu em 2008 com o livro de contos O verão de chibo - escrito a quatro mãos com Emílio Fraia.

*imagem: reprodução do Google.

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