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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PRESENTES DE NATAL 2015

Não, não, não e não! O Casmurros não acabou. É que eu fui ali ler um livro bem longo e o trabalho, mais as coisas da vida foram me chamar. Por isso que eu fiquei ausente esse tempo todo. Enquanto estive fora tantas coisas aconteceram no mundo da ficção que eu levaria uma vida inteira para repassar tudo. Seria um trabalho hercúleo e o resultado um tanto inútil. Afinal, vivemos um tempo frenético, lancinante, hiperconectado e com altas doses de informação. Em questão de segundos a gente sabe que a Dona Maria acabou de levar um tombo lá nos confins da China. Sendo assim, só me resta lançar mão daquela máxima: "notícia velha não faz comida boa".

Por isso, vamos em frente!

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Voltei e já que estou retornando em dezembro, não pude fugir daquela tradição de todos os anos e organizei uma seleção de presentes para o natal. Para animar as comemorações e agitar um pouco a poeria deste blog. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2015. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Com essas dicas você não vai fazer feio - pode ter certeza.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação, saldão etc.

Boas compras!

S, de J. J. Abrams e Doug Dorst com tradução de Alexandre Martins e Alexandre Raposo (Intrinseca; R$ 99,90). Um livro do passado é o ponto de encontro de dois leitores do presente que se comunicam por anotações, cartas, recortes de jornal, fotografias, cartões postais, mapas e bússolas. O leitor celebra o livro como objeto físico ao mesmo tempo em que tem o desafio de decifrar o mistério escondido em suas estórias cruzadas.

Contos completos, de Liev Tolstói com tradução de Rubens Figueiredo (Cosac Naify; R$ 139,90). O autor de romances clássicos e monumentais demonstra com sutileza a arte do conto em edição completa, caprichada e definitiva.

As rãs, de Mo Yan com tradução de Amilton Reis (Companhia das Letras; R$ 52,90). A beleza deste romance está concentrada não só na maneira como o autor trata o tema principal da estória - a política do filho único na China -, mas também na sua escrita alucinante, irônica, cheio de humor negro e personagens femininas marcantes.

Viva a música, de Andrés Caicedo com tradução de Luis Reyes Gil (Rádio Londres; R$ 29,90). Espécie de romance de formação em que a jovem Maria del Cármem Huerta abandona a vida pequeno burguesa para dar uma volta no mundo crú, urbano e selvagem de Cali regado a doses industriais de drogas e música.

Luxúria, de Fernando Bonassi (Record; R$ 40,00). Quase uma pequena alegoria do que acontece no momento político-econômico do país: crença na satisfação através do consumo; onda conversadora; crise hídrica e outras tantas coisas mais. É o retorno de Bonassi a literatura de ficção.

O negociante de inícios de romances, de Matéi Visniec com tradução de Tanty Ungureanu (É Realizações; R$ 59,90). Imagine um mundo repleto de softwares que são capazes de escrever livros e você é um aspirante a escritor desanimado da vida. Um belo dia você encontra um sujeito que ditou a frase de abertura dos principais romances de Camus, Kafka, Mann e outros mais. É claro que você vai negociar com ele.

A amiga genial, de Elena Ferrante com tradução de Maurício Santana Dias (Biblioteca Azul; R$ 44,90). Outro romance de formação. A misteriosa escritora italiana que não faz aparição pública conta a estória de uma longa amizade entre duas garotas na cidade de Nápoles, na década de 1950.

Talco de vidro, de Marcello Quintanilha (Veneta; R$ 59,90). Nessa história em quadrinhos uma dentista entra numa crise existencial pesadíssima movida pela inveja. Aos poucos, sua vida estável ganha contornos de terror psicológico em preto e branco.

O dia do gafanhoto e outros textos, de Nathaniel West com tradução de Alcebíades Diniz (Carambaia; R$ 87,90). Uma novela que retrata em contornos bem definidos o bastidor amargo de Hollywood em meio a crise de 1929. De bônus, a edição inclui contos, ensaios e um poema inédito do autor.

A resistência, de Julián Fuks (Companhia das Letras; R$ 34,90). Em 1976, a vida de uma família argentina é atingida em cheio pelo duro do regime político daquele país. As consequências são inúmeras e o filho mais novo será o responsável por revelar os fatos.

O adolescente, de Fiódor Dostoiévski com tradução de Paulo Bezerra (Editora 34; R$ 84,00). Um jovem de 20 anos, filho bastardo, tem o sonho de se tornar milionário para superar a sua origem humilde e arma um plano. Nem tudo vai bem quando ele tenta colocar o projeto em ação. Mais um romance de formação.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R. 

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

UMA LONGA TEMPORADA DE PRÊMIOS


"Ao vencedor, as batatas". Quincas Borba, de Machado de Assis.
Todos devem estar malucos, afinal prêmios literários estão rendendo mais discussões do que religião, política e futebol juntos! A polêmica mais recente está acontecendo em torno do Prêmio Jabuti e a nota baixa do misterioso jurado "C" (na verdade, a identidade secreta dele foi revelada nessa semana numa reportagem da Folha de SP) que tirou Ana Maria Machado da competição. Como uma coisa puxa a outra, todo mundo relembrou o episódio do ano passado envolvendo Chico Buarque e Edney Silvestre. Pelo jeito a reformulação das regras não surtiu o efeito esperado e complicou ainda mais a premiação. Nem preciso dizer que o caso está estragando o prestígio e a reputação de um prêmio tradicional das letras nacionais. 

Teve até comentário de José Serra, candidato a Prefeitura de SP. Ao saber que o livro A privataria tucana estava na final do prêmio Jabuti – categoria Reportagem - disse: “Era só o que faltava. Depois da aparente fraude de um dos jurados, tudo é possível”.

O pessoal "do contra" está gritando pelas ruas o seguinte bordão: "esse é o país que vai receber a Copa".

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Felizmente, as discussões não estão restritas aos prêmios nacionais. Desde que ganhou o Nobel de Literatura, não tem um dia em que o chinês Mo Yan não abra os jornais e não veja seu nome relacionado a comentários ora elogiosos, ora maldosos. 

Do lado maldoso, teve gente dizendo que a Academia Sueca favoreceu Mo Yan porque um dos jurados do prêmio é tradutor dos seus livros. Liao Yiwu, escritor chinês, acusou o ganhador do Nobel de trabalhar a serviço do regime chinês. O artista Ai Weiwei (que aderiu ao estilo "Gangnam Style") lamentou muito a escolha e as editoras chinesas que estavam na Feira de Frankfurt praticamente ignoraram o laureado. Para piorar a situação Mo Yan virou alvo de uma disputa internacional entre agentes literários o que deve atrasar a tradução de seus romances pelo mundo afora - incluindo o Brasil. Por enquanto podermos recorrer a tradução de Peito grande, ancas largas que saiu pela editora Ulisseia e teve reimpressão.

Do lado elogioso, rolou uma notícia dizendo que a China vive uma verdadeira "Mo-mania" e a tiragem do seu livro Our Jing Ke esgotou instantes após o lançamento. Furor semelhante ao que ocorreu no Japão com Murakami no lançamento de 1Q84.

O pessoal "da teoria da conspiração" está gritando pelas ruas que Mo Yan está sendo vítima da maldição rogada pelos murakamistas japoneses que ficaram desapontados com a vitória do concorrente chinês. Aliás, dizem que a obra Murakami não despertou paixões na China.

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Se palpite ganhasse prêmio, os apostadores da Ladbrokes estariam milionários. Quem colocou dinheiro em Haruki Murakami e Will Self ficou no prejuízo - atitude muito perdoável, afinal acerta em cheio o nome do escritor premiado é como ganhar na MegaSena. Mo Yan ficou com o Nobel e Hilary Mantel com o Booker Prize. Ninguém acreditava que a organização do Booker fosse premiar uma autora já premiada num curto espaço de tempo (Wolf Hall foi publicado em 2009) - acho que nem a própria Mantel acreditava nisso. Antes dela, só Peter Carey e J.M. Coetzee. Por fim, a falsa ideia não se cumpriu e o Booker acabou nas mãos dela.

No discurso de agradecimento, Mantel mandou avisar que está escrevendo mais um livro para compor uma trilogia sobre a história de Thomas Cromwell - o primeiro foi Wolf Hall, seguido por Bring Up The Bodies (será publicado pela editora Record, em abril) e o último será o nome de The Mirror And The Light.

O pessoal da "especulação" está gritando pelas ruas que não importa quando publique o livro, o terceiro Booker Prize é dela.

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Outro mistério que parece distante de qualquer solução é a recusa de Javier Marías ao Prêmio Nacional de Narrativas, concedido pelo governo da Espanha. Pelo que dizem, ele não quis o prêmio no valor de 20 mil porque não quer ligações com instituições do governo espanhol. O que será que aconteceu? Marías ganhou o prêmio pelo romance Os enamoramentos.

O pessoal do "deixa disso" anda dizendo que o gesto é uma resposta política ao delicado momento que a Espanha enfrente diante da crise econômica que assola a Europa.

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E você está enganado se pensa que a polêmica do Jabuti está perto do fim. A lista oficial com o nome dos jurados e os grandes vencedores do prêmio livro do ano serão anunciados numa cerimônia, em 28 de novembro. Caso não apareça nenhuma outra polêmica.

Novembro encerra essa longa temporada de prêmios. Teremos o anúncio do ganhador do Prêmio Cunhambebe de literatura estrangeira e dos ganhadores do Prêmio Portugal Telecom - aliás, achei bacana a iniciativa dos organizadores de criar book trailers para os livros finalistas; se não vale para alavancar as vendas, vale como divulgação do livro e na pior das hipóteses como boa descontração. Aqui tem os book trailers da categoria romance.

*Imagem: reprodução de uma ilustração de D.G.Davis.
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