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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

E O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA VAI PARA...



É muito difícil passar despercebido diante da notícia mais bombástica do momento: o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Entra ano, saí ano, outubro chega e a gente corre para a internet tentado encontrar o nome do felizardo que vai levar para casa 8 milhões de coroas suecas - sem mencionar o prestígio de ter ser nome ao lado de pessoas muito importantes na literatura ocidental, o interesse das editoras pelos seus livros, o aumento do seu público leitor etc.

Pois bem, o ganhador desse ano é o francês Patrick Modiano. Como os membros da Academia Sueca disseram, Modiano é bastante conhecido na França (ganhou o Prêmio Goncourt, em 1978), mas pouco conhecido mundo afora. Só pode ser essa a razão pela qual ninguém apontou seu nome na lista de apostas da Casa Ladbrokes - a Raquel Cozer conta como funciona o burburinho na Ladbrokes e o processo de seleção da Academia Sueca numa reportagem da Ilustrada. Nem preciso dizer que as maiores apostas eram naqueles autores de sempre: Haruki Murakami, Ngugi Wa Thiong'o, Adonis, Svetlana Aleksijevitj, Philip Roth e até… Bob Dylan (sim, ele sempre aparece). Quem pensou que ia ficar rico, só perdeu dinheiro.

Seja como for, Patrick Modiano já teve livros publicados no Brasil pela Rocco até 2003. Fiz uma pesquisa de campo (pela internet - cof, cof, cof) e parece que todos estão fora de catálogo. Você consegue encontrar num sebo com facilidade. No entanto, a Cosac Naify publicou nesse ano (não faz muito tempo) o livro infanto-juvenil Filomena Firmeza com ilustrações do Sempé. Uma feliz coincidência! Agora com o anúncio do Nobel, me parece provável que essa editora tenha maior interesse em lançar nova edições dos romances adultos do autor. Vamos aguardar.

Se você não aguentar de ansiedade de ler um romance dele, especialistas recomendam que você comece por Uma rua de Roma - tem nos sebos em pequenas quantidades.

Enquanto os livros não chegam, a gente pode continuar no clima de adivinhação/especulação e arriscar nomes que podem sair consagrados nessa temporada de prêmios que tomam o final do ano de assalto. Vem por aí: Man Booker, Prêmio SP de Literatura, Telecom etc. Conta para mim os seus palpites?

*Imagem: divulgação nobelprize.org

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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O NOBEL PODE SER DELE?


Quando outubro vem se aproximando é sempre assim: começam as especulações sobre quem será o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Para manter o suspense e a surpresa, os organizadores do prêmio divulgam uma agenda com todas as datas para anúncio dos vencedores tomando o cuidado de deixar a categoria literatura em aberto. Até o tal anúncio não tem lista de indicados, lista longa, lista curta, nada. Acho que nem mesmo os adivinhadores do futuro conseguem matar essa charada. O grande termômetro do prêmio continua sendo a casa de apostas Ladbrokes.

Segundo o ranking deles, os mais cotados ao prêmio são:

1. Adonis
2. Thomas Tranströmer
3. Péter Nádas
4. Thomas Pynchon e Assia Djebar (empatados)
5. Ko Un
6. Les Murray e Haruki Murakami (empatados)
7. Mircea Cartarescu
8. K. Satchidanandan
9. Philip Roth, Cormac McCarthy, John Banville, Colm Toibin, Joyce Carol Oates, Don DeLillo e Antonio Lobo Antunes (todos empatados).

O nome de Adonis, poeta e ensaísta sírio, já foi cogitado anteriormente para o prêmio, mas ele nunca chegou lá. De olho nos número da Ladbrokes parece que esse ano o Nobel é dele e ninguém tasca. Sobretudo depois dos eventos da Primavera Árabe e das manifestações pró-democracia na Síria - Adonis tem uma poesia de forte cunho social e seus discursos costumam ser sempre carregados no tom político. Só um azarão poderia melar os planos de Adonis (nunca se sabe).

É bom lembrar que a Ladbrokes nem sempre acerta. Não me esqueço que no ano passado, segundo a casa de apostas, Tom McCarthy era tido como o nome certo para ganhar o Man Booker Prize. Na última hora ganhou o escritor Howard Jacobs.

De língua portuguesa, apenas o escritor Lobo Antunes é citado e sem muitas chances - ele está num distante décimo lugar empatado com muitos outros. Ano passado ganhou o escritor Mario Vargas Llosa. O que diminuem as chances da academia sueca olhar novamente para os escritores latino-americanos, segundo muita gente acredita.

Agora é sentar e esperar ou quem sabe fazer uma "fézinha".

*Imagem: Wikipédia.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TUDO SOBRE MARIO VARGAS LLOSA

O ganhador do prêmio Nobel de Literatura foi o escritor peruano Mario Vargas Llosa. A Academia Sueca surpreendeu mais uma vez pois ninguém esperava que um escritor latino-americano pudesse ganhar o prêmio. A casa de apostas Ladbrokes também errou feio, os nomes mais cotados eram Ngugi wa Thiong'o, Cormac McCarthy e Haruki Marukami - nenhum ganhou. Se não me engano, o nome de Vargas Llosa nem aparecia na lista de apostadores. Ninguém esperava, nem mesmo o próprio escritor. Mais tarde, ele confessou em entrevista coletiva que não acreditou quando recebeu a notícia. Achou que se tratava de um trote por telefone.

De qualquer forma, a escolha da Academia foi certeira. Vargas Llosa é um escritor conhecido mundialmente, mesmo por aqueles que nunca leram os seus livros. Nós compartilhamos um pouco da felicidade do país premiado já que ganhou um latino-americano. Nos reconhecemos nele. Tem aquele ar de "estamos em casa".

A internet foi mais uma vez o melhor meio para acompanhar a cobertura dessa premiação. Depois do anúncio - transmitido ao vivo pelo site da organização do Prêmio Nobel - todos os blogs, revistas, jornais e outros sites já estavam replicando a informação e escrevendo comentários. O nome de Vargas Llosa chegou a ser o primeiro da lista dos trending topics do twitter mundial.

Se vocês esteve desconectado, não leu os jornais, não ligou a TV e quer saber mais sobre o escritor peruano, recorra à internet. Para facilitar compilei alguns links que são interessantes:

Muitas informações podem ser encontradas na Folha de SP e no Estadão. Os dois jornais prepararam um especial bem completo tanto na versão impressa quanto no site. Do Estadão eu recomendo dois links importantes: a entrevista que Vargas Llosa concedeu ao Sabático - antes de ser anunciado como ganhador do Nobel - e um infográfico com a trajetória de vida dele. O New York Times cobriu a entrevista coletiva que ele concedeu, depois do pronunciamento da Academia Sueca. Outros jornais também deram a mesma notícia. Há também uma entrevista para a Paris Review e um texto do escritor William Boyd sobre Vargas Llosa no Guardian.

Aliás, o mesmo Guardian fez uma lista com os romances essenciais de Vargas Llosa:

A cidade e os cachorros (1963), Tia Julia e o escrevinhador (1977), A guerra do fim do mundo (1981), A festa do bode (2000) e Travessuras da menina má (2006). Todos foram publicados no Brasil pela editora Alfaguara - exceto A festa do bode que está fora de catálogo.

Claro, tem muito mais coisas espalhadas pelo Google.

*imagem: reprodução do Guardian.


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terça-feira, 5 de outubro de 2010

COMPETIÇÃO PELO PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA

Na próxima quinta-feira será anunciado o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Muita gente considera esse o prêmio mais importante de todos, sobretudo pela enorme tradição e prestígio que ele carrega. Além do reconhecimento e da quantia em dinheiro, o ganhador terá projeção mundial de sua obra - caso ainda não seja conhecido.

A especulação e a expectativa em torno do nome desse anúncio é grande. A cada semana as opiniões mudam na Ladbrokes, uma famosa casa de apostas em Londres. O primeiro nome da lista nesse momento é do escritor queniano Ngugi wa Thiong'o, seguido pelo americano Cormac McCarthy e pelo japonês Haruki Marukami. Na semana passada, o poeta sueco Tomas Tranströmer era o nome mais cotado, mas curiosamente perdeu força. Outros nomes como Alice Munro e Philip Roth também constam nas apostas, mas com menores chances. Uma coisa é fato: o prêmio costuma ser sempre uma surpresa.

Em meio ao burburinho, o jornal Los Angeles Times publicou um artigo muito bom que é também uma provocação: "Literature as a competitive sport" (em tradução livre: "A literatura como uma competição esportiva"). Entre muitas coisas interessantes, o autor do artigo, David L. Ulin, defende que os prêmios literários criam "uma espécie de cortina de fumaça, que nos distrai da real discussão sobre a literatura em favor de um quadro competitivo". Em outras palavras, o prêmio acaba se tornando um fetiche que atesta o valor de um determinado escritor-campeão ou da sociedade que ele representa. Como quem diz, tal escritor merece porque é americano, ou latino-americano, ou europeu, ou africano, etc.

Ulin chama atenção para algo que ninguém percebe: essa busca por prêmios é resultado de um processo totalmente subjetivo, bem diferente dos esportes. Para os membros da Academia Sueca deve ser tão difícil escolher um livro, quando é para nós. Simplesmente porque "admiramos livros diferentes em momentos diferentes da vida, por diferentes razões". Daí a ideia de promover uma discussão sobre a literatura ser mais importante do que um prêmio em si.

É evidente que os prêmios literários representam um significativo aumento na venda de livros do autor premiado. E como explica Ulin, os leitores enxergam nisso uma espécie de porto seguro para o qual podem recorrer quando estão perdidos em meio ao fluxo voraz de informação da nossa sociedade.

Acho os argumentos interessantes porque fazem eco em certas ideias que circulam em nosso país. Há muita gente querendo que algum dia um escritor brasileiro ganhe o prêmio Nobel de Literatura, como se isso servisse para atestar a qualidade do que nós escrevemos. Tal perseguição faz a gente esquecer de discutir outras coisas mais importantes como melhorar a educação para termos mais leitores, mais escritores, mais pensadores, mais críticos, etc.

Isso não é um privilégio do nosso país, está em toda parte do mundo e o artigo do Los Angeles Times é a maior prova. Também não estou ignorando o peso do Prêmio Nobel ou dizendo que nossa literatura não mereça nenhum prêmio literário, mas essa busca não deve ser um fim almejado custe o que custar, como nas competições esportivas.

*imagem: reprodução.
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