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sexta-feira, 17 de maio de 2013

NOTAS #43



A invasão dos hermanos
Nessa semana a editora Rocco lança os primeiros títulos da coleção "Otra Língua" dedicada somente a autores hispano-americanos que embora sejam celebrados pela crítica e tenham uma obra robusta ainda permanecem pouco conhecidos no Brasil - com algumas exceções. A organização ficou nas mãos de Joca Reiners Terron que chamou uma turma bacana para cuidar das traduções e apresentações dos autores. Os dois primeiros livros são Asco, de Horacio Castellanos Moya - com tradução de Antônio Xerxenesky e apresentação de Adriana Lunardi - e Deixa Comigo, de Mario Levrero - com tradução e apresentação do próprio Joca; como bônus, o livro tem uma autoentrevista de Levrero). Logo mais deve sair Como me tornei freira, de César Aira - com tradução de Angélica Freitas e apresentação de Sérgio Sant'Anna - e Os Lemmings e outros, de Fabián Casas - com tradução de Joca Wolff e apresentação de Carlito Azevedo.

A coleção deve ter ainda livros de Roberto Arlt, Guadalupe Nettel - com tradução de Ronaldo Bressane e apresentação de Juan Pablo Villalobos - e outros.

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Não custa lembrar que César Aira é um dos autores confirmados para a próxima Bienal do Livro do RJ que acontece em agosto.

Enquanto esperamos
Estava nos planos da editora Intrínseca lançar a tradução do romance The Art of Fielding, de Chad Harbach no primeiro semestre de 2012. O cronograma mudou e acabou ficando para esse ano. Sei de gente que está muito ansiosa pelo lançamento - afinal, o livro foi muito comentado por jornais, revistas e blogs graças a um forte esquema de marketing montado pela editora do autor, o que garantiu uma boa temporada de vendas nos Estados Unidos e o tornou um símbolo de recuperação da crise econômica que estava instalada no mercado editorial daquele país (quem conta essa história é Paulo Roberto Pires num artigo fantástico para o caderno Ilustríssima, da Folha de SP).

A boa notícia é que The Art of Fielding ganhou uma tradução portuguesa e espanhola - para quem não quer esperar muito ou já não recorreu ao original, em inglês. Em Portugal, saiu em 2012 pela editora Civilização com o simpático título de A arte de viver à defesa. A edição espanhola está mais fresquinha, acaba de sair pela editora Salamandra e recebeu o título de El arte de la defensa - tal qual a tradução portuguesa.

No Brasil, a tradução foi feita por Alexandre Barbosa de Souza e o título deverá ser A arte do jogo.

Eu tuíto, tu tuítas
Depois de John Wray, Jennifer Egan e John Wray chegou a vez do diretor de cinema Steven Soderbergh experimentar o twitter para escrever uma... novela. Chama-se Glue, parece que é uma história de suspense. Não tem nenhum rigor formal, mistura textos com imagens e até o momento tem dezoito capítulos. Detalhe, a conta tem 11.239 seguidores. O último filme de Soderbergh, Terapia de risco, entra em cartaz no Brasil nessa sexta.

A chegada dos forasteiros
Apesar de ter nascido no Canadá, o escritor Patrick deWitt mudou para os Estados Unidos e depois de algumas andanças foi morar no estado do Oregon. Parece que suas andanças em terras do Velho Oeste lhe renderam uma bela história para o aclamado romance Os irmãos Sister que acaba de ser lançado no Brasil pela editora Planeta com tradução de Marcelo Barbão. O livro foi bastante premiado pela crítica literária canadense, entrou em diversas listas de melhores do ano, chegou a finalista do Man Booker Prize, em 2011, e por muito pouco não ganhou o Tournament of Books do ano passado - na final, perdeu para Cidade aberta, de Teju Cole. A história está ambientada na Califórnia na época da corrida pelo ouro e tem os irmãos Charlie e Eli Sisters como protagonistas. Eles foram contratados para matar um homem chamado Hermann K. Warm, só que no percurso as coisas se complicam um pouco e tudo começa a dar errado. 

Para matar a curiosidade tem um trecho do romance aqui.

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Outro livro que fez sucesso no Tournament of Books em 2011 e acaba de sair pela editora Leya é A peculiar tristeza guardada num bolo de limão, de Aimee Bender. Perdeu o torneio no zombie round (espécie segunda rodada da semi-final) para A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan - livro que foi o grande campeão daquele ano. Não pense que ela é uma autora estreante, sua bagagem já conta com cinco livro publicados e mais de dez anos de experiência - sem mencionar os textos para revistas como Granta, GQ, Harper's, Paris Review, McSweeney's etc. O enredo de A peculiar tristeza... é muito bom: fala sobre uma menina que "sente o sabor das emoções das pessoas que preparam sua comida".

Achado
Especialistas encontraram um conto do escritor Yasunari Kawabata que estava perdido nos arquivos do jornal da cidade de Fukuoka, no Japão. O conto se chama Utsukushiki! - Magnífico! em tradução literal - e foi publicado em 1927 quando o jovem Kawabata estava prestes a lançar A dançarina de Izu, livro que o tornou conhecido no mundo todo. Ele foi o primeiro escritor japonês a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

*Imagem: divulgação.

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

QUERELAS DO BRASIL OU DA LITERATURA BRASILEIRA


Será Clarice Lispector capaz de romper com o nosso complexo de vira-latas?

Fiquei pensando nisso depois de ler um artigo no jornal Los Angeles Times sobre o relançamento de quatro livros dela nos Estados Unidos em nova tradução e novo projeto gráfico -
Perto do coração selvagem (tradução: Alison Entrekin), Água viva (tradução: Stefan Tobler), A paixão segundo G.H. (tradução: Idra Novey) e Um sopro de vida (tradução: Johnny Lorenz). Os livros estão saindo pela editora New Directions com coordenação e supervisão de Benjamin Moser que além de ser o autor da biografia Clarice, também traduziu para o inglês A hora da estrela, lançado ano passado pela mesma New Directions.

O artigo do L.A. Times, além de muito elogioso, apresenta Clarice Lispector aos leitores norte-americanos, conta um pouco do enredo de cada livro, fala das novas traduções e termina dizendo que a escritora deveria ser colocada nas prateleiras entre Franz Kafka, James Joyce e Virginia Woolf - três grandes escritores do século XX.

Aqui eu volto para o ponto inicial, pois como todo mundo sabe o brasileiro tem uma tendência a tratar sua própria literatura com certo descaso. Parece que a gente lê, crítica e comenta com muito entusiasmo os autores estrangeiros porque achamos que a literatura do lado de lá sempre é mais verdinha. Dizemos que os argentinos tem a melhor literatura da América Latina, ficamos com inveja dos chilenos e seus feitos, veneramos os norte-americanos e admiramos a literatura europeia (dividindo nossa atenção de forma equivalente entre ingleses, franceses, espanhóis e alemães). Os argentinos conquistaram a América do Norte e a Europa com Borges, Cortázar, César Aira e companhia. Os chilenos estão dando um baile com Bolaño e Alejandro Zambra. Os norte-americanos tem os seus milagrosos cursos de escrita criativa. Os europeus tem a tradição. E o Brasil?

A coisa muda bastante de figura quando um gringo vem e nos diz que temos grandes autores. Dessa maneira somos capazes de reconhecer o nosso talento e beleza. Aceitamos aquele escritor que estava bem ali, debaixo do nosso nariz. Só que mesmo quando isso acontece nosso complexo vira-latas anda a espreita e pensamos: a gente de fato dá alguma bola para a literatura nacional? Será que esse autor consegue retirar nossa literatura da periferia para colocá-la no centro?

Fique claro que estou me referindo apenas a ficção contemporânea - mas com uma cabeça na Clarice Lispector.

O problema (sabiamente batizado por Nelson Rodrigues de complexo vira-latas) não é novo. Pelo contrário: é mais ancestral do que a gente pode imaginar. Remete as formações da nossa literatura onde a questão da identidade sempre foi um conflito. Como se reconhecer em algo que a gente não consegue definir exatamente? Para ser nacional precisa ter índios, mulatas, carnaval, futebol e pobreza? Como romper essa barreira? Na impossibilidade de vencer o desafio proposto ouvimos aos montes que a literatura brasileira comparada a estrangeira é ruim. Sobretudo da crítica acadêmica: Antonio Candido afirmando que, “comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime”; e porque não lembrar também do caso Alcir Pécora na série "Desentendimento", do Instituto Moreira Salles - resumindo a conversa Pécora acha que a literatura perdeu importância. Daí não me espanta os jovens críticos da internet (e da acadêmia) e o pessoal dos cadernos culturais dedicarem laudas e mais laudas à literatura estrangeira.

(Aqui eu faço um parênteses para lembrar não só de Nelson Rodrigues, mas também de Tom Jobim e Caetano Veloso reclamando do mesmo problema em relação a nossa cultura. Caetano, certa vez, disse que os cadernos culturais do país dedicavam páginas inteiras a bandas que não tinham tanta importância em seus países de origem e não dedicavam uma linha crítica aos brasileiros. A transposição cabe para a literatura).

Estou juntando numa mesma panela vários ingredientes diferentes, promovendo digressões, borrando matizes, generalizando. Mas não deixo de pensar que a enorme repercussão de Clarice Lispector nos Estados Unidos deve esbarrar na Inglaterra e possivelmente no resto da Europa. Assim, venceríamos nossa vergonha em relação a literatura estrangeira e imbuídos de algum orgulho poderíamos dizer: "somos bonitos pra caramba". Aliando isso ao nosso belo momento econômico, a força da nossa jovem literatura (que está fervilhando de bons escritores - acreditem!) e aos nossos tímidos avanços no campo da leitura teremos uma combinação perfeita para mudar nosso descaso com nossa própria literatura.

Para esclarecer: é verdade que Clarice Lispector faz um tremendo sucesso aqui no Brasil e goza de um grande número de leitores devotos. Quando publicou seu primeiro livro ganhou atenção merecida da crítica. Também não é a primeira vez que a sua obra está sendo traduzida para o mundo inteiro. Além disso, outros países (outra culturas) já alimentam interesse por ela faz tempo - acho que sobretudo na França. Jovens escritores da Argentina também tem admiração e chegam a citá-la como influência. A edição do ano passado do FILBA teve mesas temáticas dedicadas a sua obra.

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Em tempo, críticas e notícias a respeito do relançamento das obras de Clarice Lispector nos Estados Unidos saíram nas páginas gringas da Vogue, da Publisher's Weekly, da Quarterly Conversation e nos blogs The Millions e da editora Tin House. Benjamin Moser também foi convidado para um podcast muito bacana chamado That Other Word. Contos dela também apareceram recentemente na Paris Review e no projeto Recommended Reading (do pessoal da Electric Literature).

As edições da New Directions estão ganhando textos de apresentação de Caetano Veloso, Jonathan Franzen, Pedro Almodovar, Colm Toíbín e Orhan Pamuk.

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Não posso deixar de citar o caso de Woody Allen que numa entrevista do ano passado afirmou que tinha adorado Memórias Póstumas de Brás Cubas. Será que isso tornou Machado de Assis mais popular?

Também quero lembrar dois textos do qual peguei emprestado algumas ideias: "Notícia da atual literatura brasileira: instinto de internacionalidade", de Sérgio Rodrigues (uma resenha sobre romance de João Paulo Cuenca com brilhante descrição de toda a trajetória da literatura brasileira desde a sua formação e os problemas de identidade nacional até uma luz do fim do túnel, uma saída para o impasse com o "instinto de internacionalidade" - recomendo vivamente, inclusive é possível reconhecer certos trechos que retirei dali); e "A irrelevância da literatura brasileira", de Joca Reiners Terron (com ideias e explicações da maior importância - inclusive no fato de César Aira achar nossa literatura a melhor do continente e comentar seu entusiasmo com Sérgio Sant'Anna cuja obra ele mesmo está traduzindo e divulgando. Será que vamos ler mais Sérgio Sant'Anna?).

*Imagem: reprodução do Google.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

MANUEL DA COSTA PINTO, JOCA REINERS TERRON, CÉSAR AIRA E OS BLOGS


Tem final de semana que a gente não quer sair de casa - não sei no restante do Brasil, mas em São Paulo fez frio, teve chuva e garoa (nada mais paulistano do que isso!). Por essas e outras nosso querido Manuel da Costa Pinto deve ter criado na revista sãopaulo (aquela que acompanha a Folha de SP no domingo) uma coluna chamada "Fique em casa". No último número ele recomendou o livro Os possessos, de Elif Batuman, a doutora em literatura que arrancou elogios de um monte de gente importante. Manuel, num texto bem legal, elogiou as qualidades da moça e falou sobre muitas coisas: um mergulhou no riacho onde Tchékhov tomava banhou, "desejo mimético", teoria girardinana etc. Só que em determinado momento ele diz o seguinte:

À primeira vista, nada parece menos "aventuresco" do que o cotidiano de um campus universitário, que poderia render, na melhor das hipóteses, uma boa tese e, na pior, um blog ou uma página no Facebook.

A frase tem um tom de provocação ao dizer que os blogs não passam de um lugar onde se manifesta a mais pura "banalidade confessional". Evidentemente a internet está infestada de coisas desse tipo - não sou eu quem diz isso, mas o mundo inteiro - no entanto, os blogs também são lugares onde aparece a teoria despretensiosamente erudita (não vou citar nenhum, mas eles existem; aliás, o Manuel poderia recomendar algum para esses dias em que a gente fica em casa e quer perder um tempinho na internet). No mais, os blogs também cumprem uma função importante de transmissão de informações para quem está procurando.

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Não fosse pelos blogs a gente jamais saberia como foi o encontro de Joca Reiners Terron com César Aira na Festa da Literatura de Porto Alegre - FESTIPOA. Coisa da maior importância considerando que Aira é um dos escritores mais importantes da literatura argentina e passa em longe das traduções para o português. Deve ter dois ou três livros lançados no Brasil, mesmo tendo participado de um evento do porte da FLIP, em 2007 - por aqui saíram Pequeno manual de procedimentos, As noites de Flores e Um acontecimento na vida do pintor-viajante.

O encontro deveria ter a participação de Sérgio Sant'Anna, mas ele não pode participar por questões de saúde. Joca e Aira falaram sobre literatura brasileira (o argentino gosta de Guimarães Rosa, João Gilberto Noll e Sérgio Sant'Anna), índios (espécie de obsessão do autor em suas novelas), processo de criação e a morte da novela (como gênero literário).

Tá tudo bem explicadinho no blog Coordenação do livro e literatura (inclusive copiei a foto de lá).

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Sobre as poucas traduções de César Aira para o português Joca me disse (pelo twitter) que "é difícil escolher o que publicar numa obra tão vasta e irregular" como a dele - Aira tem mais de quarenta novelas publicadas. Para sanar um pouco da nossa falta, a editora Rocco deverá publicar Como me hice monja e La costurera y el viento.

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Para quem ficou interessado, na segunda edição do fanzine "Casmurros" tem uma entrevista com César Aira.

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Quero ler o livro da Elif Batuman quando pintar um tempo. Depois, mimetizando autor e obra, conto como foi.

*Imagem: reprodução do blog Coordenação do livro e literatura.

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FILBA 2011

Em setembro Buenos Aires vai pegar fogo com o FILBA - Festival internacional de literatura en Buenos Aires - um festival literário bem aos moldes da nossa FLIP. Será sua terceira edição. Além dos argentinos, que constituem a maior parte dos convidados, há escritores da Espanha, México, Chile, África do Sul, Japão, Holanda, Dinamarca, Noruega, Canadá, Itália, País de Gales e Brasil.

Dentro da programação nossos hermanos dedicaram um bloco inteiro ao nosso país com participação de Vilma Arêas, Adriana Lisboa, Santiago Nazarian, Joâo Gilberto Noll, Joca Reiners Terron, Luiz Ruffato e Moreno Veloso (ele não é exatamente escritor, mas vai participar de um painel sobre a cultura brasileira contemporânea e de uma performance com poemas cantados). Uma singela homenagem a nossa literatura no momento em que todo mundo fala bastante sobre projeção internacional.

No total serão cinco mesas literárias com nossos escritores (não inclui nessa conta o painel sobre cultura brasileira conteporânea e a performance do Moreno Veloso): uma entitulada "Palabras cruzadas: lecturas - leituras" com Joâo Gilberto Noll, Vilma Arêas e Adriana Astutti; uma homenagem a Machado de Assis e Guimarães Rosa com Vilma Arêas, Santiago Nazarian, Adriana Lisboa e Florencia Garramuño; uma mesa dedicada a Joâo Gilberto Noll; outra chamada "Literaturas lusoparlantes: ¿Islas lingüísticas?" com Luiz Ruffato, Joca Reiners Terron e Adriana Lisboa e por último uma homenagem a Clarice Lispector com Vilma Arêas, Luiz Ruffato e Florencia Abbate.

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Penso aqui com meus botões que as estrelas veteranas serão Cees Nooteboom e J.M. Coetzee. Eles já estiveram na FLIP - o primeiro em 2007 e o outro no ano seguinte. O último livro publicado por Nooteboom foi uma coletânea de contos chamada ’s Nachts komen de vossen (em holandês). Não consegui descobrir se esse livro ganhou tradução para outras línguas. J.M. Coetzee vem de uma temporada de sucesso estrondoso com a publicação de Verão, livro que conclui a trilogia Cenas da vida na província.

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Bem que a gente poderia aproveitar a presença do J.M. Coetzee na América do Sul e convidá-lo para uma passagem pelo Brasil, né? Seria mais ou menos a mesma coisa que acontece com os shows internacionais: vem pra Argentina e em seguida pra cá. Poderíamos quem sabe fazer uma parceria com nossos hermanos, o que vem pra cá vai pra lá e vice-versa.

*imagem: filba.org.ar
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

POR QUE ESCRITORES NÃO DEVEM BLOGAR?

Vi no GalleyCat uma notícia curiosa e pensei em abrir algumas ideias a respeito. A notícia dizia que há duas semanas atrás a blogueira e escritora americana Livia Blackburne escreveu um longo post dizendo que escritores não deveriam se dedicar aos blogs porque "blogar é uma perda de tempo". Simplificando o post, os três principais para que os escritores abandonassem seus blogs eram:

1. Blogar é melhor para os escritores de não-ficção porque eles compartilham os seus conhecimentos com um público específico, estar ligado com o público pode ajudar as vendas.

2. "Tempo gasto no blog é tempo gasto longe de outra coisa: escrevendo outro livro, contatando um clube do livro, trabalhando meio período e investindo esse dinheiro em publicidade ou com um agente”.

3. Escritores de romances blogam muitas vezes se concentram na arte de escrever ao invés de se concentram em seus próprios leitores, criando "uma conferência escrita interminável". Enquanto isso ajuda a "encontrar novos amigos, desenvolvimento profissional e aprendizagem do seu ofício", não significa necessariamente aumentar as vendas de livros.
Logo depois ela escreveu um outro post dizendo que embora blogar seja perda de tempo, John Locke (aquele que vendeu 1 milhão de livros no Kindle em cinco meses) achou um caminho certo para aumentar suas vendas.

É certo que o post e as ideias giram muito em torno do mercado editorial americano. No entanto, se pensarmos no mercado editorial brasileiro acho que a Livia Blackburne vai ter razão. A internet realmente facilitou a divulgação e circulação de novos escritores, mas isso não significa que ela mudou a maneira como fazemos e pensamos o universo literário.

Um caso brasileiro
No final dos anos 90 e começo dos anos 2000 alguns dos nossos escritores ficaram conhecidos por meio da internet. O blog foi uma ferramenta fundamental para mostrar o trabalho de gente que estava escrevendo, mas que ainda não tinha alcançado reconhecimento mais amplo. Só que essa "geração" de escritores conseguiu publicar livros impressos e deixou da internet um pouco de lado. De modo que é raro ver novos escritores publicando ficção em blogs. Quase não se vê.

Não que o blog (e a internet) tenha perdido importância para a literatura. Pelo contrário, os blogs junto com as redes sociais ocupam o lugar da divulgação, do debate de ideias, das resenhas, das informações sobre um escritor, da reunião de leitores, das agendas de feiras, festas etc. Pode ser que antes da Livia Blackburne a gente já tivesse percebido que como escritores era mais importante se dedicar ao trabalho do que ao blog.

Pegando um caso mais brasileiro, Daniel Galera e Joca Reiners Terron falaram sobre o blog como ferramenta para escritores na reportagem Internet não anula estratégias de marketing, do jornal Gazeta do Povo. O pensamento dos dois sintetiza bastante coisa. Na reportagem Galera resume o caso da seguinte forma:
“A internet se firmou como um grande catalisador das relações entre
autores, leitores e críticos, e não como um novo meio para publicação de
literatura. A discussão literária da internet ainda se dá em torno de livros
impressos”.
E o Joca disse o seguinte:
Terron, que concorda que a rede serve mais para reunir os interessados em literatura, acredita que as grandes editoras ainda detêm o “selinho ISO 9000 de qualidade literária”.
Expandindo um pouco mais a fala dos dois, é possível dizer que de fato o grande número de discussões que rolam na internet gira em torno dos livros impressos e a internet por si só não parece capaz de legitimar alguém como escritor. O livro impresso é a verdadeira confirmação de que aquela pessoa exerce aquele ofício. Pensando dessa forma fica difícil imaginar a existência de um tipo de literatura que seja da internet. Por isso faz mais sentido usar a internet como meio de divulgação do trabalho do que formatação do trabalho em si.

Outro exemplo bacana foi a antologia ENTER, organizada pela Heloísa Buarque de Hollanda e pensada para o mundo virtual. A antologia não pretendia mostrar escritores que eram apenas da internet, mas mostrar a internet como potencia de visibilidade e acessibilidade da literatura. Tanto que a maioria dos 37 escritores que participaram tinham um pé fincado no mundo impresso. E gosto de falar desse caso porque existe um comentário da Heloísa que deixa bem claro a relação entre internet e produção de ficção:
"Não existe uma literatura de internet, mas, sim, práticas literárias na rede, que são diversificadas. E a antologia mostra que o que expandiu foi a palavra. Não foi a literatura do ponto de vista tradicional e canônico. Essa que preza a qualidade e a autoridade continua, e também hospedada na internet”.
Depois dessas longas explicações gostaria de abrir uma discussão em torno dessas ideias. Será mesmo que para um novo escritor blogar é perda de tempo? Será que existem escritores na internet? Será que existem escritores ou grupos de escritores que fazem da internet o seu laboratório de criação?

*imagem: reprodução Diary of the book-lover.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

BRASILEIRO QUE NEM EU - QUE NEM QUEM?

Amanhã, a TV Cultura exibe o primeiro episódio da série Amores Expressos. O programa tem 16 documentários com duração de 22 minutos cada e será exibido semanalmente sempre às quintas-feiras, às 23h15, com reprise no Sábado, às 21h45. A estréia terá o escritor Antonio Prata na cidade de Xangai, na China.

Para quem não conhece, o projeto Amores Expressos foi criado pelo produtor Rodrigo Teixeira - com curadoria do escritor João Paulo Cuenca. Escritores brasileiros de diversas gerações viajaram para várias cidades do mundo. Cada um deles tinha de escrever uma história de amor inspirada na cidade em que estava.

Os diretores Tadeu Jungle e Estela Renner foram companheiros na empreitada e produziram 16 documentários captando as impressões e o processo de criação de cada escritor - esses, por sua vez, tinham câmeras digitais e máquinas fotográficas para registrar tudo o que acontecia e ainda mantinham um blog com textos e comentários.

A experiência aconteceu em 2007, resultando primeiro numa coleção de livros e agora nessa série de documentários para TV. Desde 2008, os livros estão sendo lançados pela Companhia das Letras. Já saíram: Cordilheira, de Daniel Galera (Buenos Aires), Estive em Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato (Lisboa), O filho da mãe, de Bernardo Carvalho (São Petesburgo), O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de João Paulo Cuenca (Tóquio) e Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron (Cairo).

Na próxima semana ocorre o lançamento do romance Nunca vai embora, de Chico Mattoso (Havana). No mês que vem a editora publica O livro de Praga, de Sergio Sant’Anna (Praga).

O deslocamento de território propõe uma questão interessante: será que o escritor brasileiro consegue produzir literatura brasileira no estrangeiro - ou num lugar que lhe é estrangeiro? É fato que a gente consome literatura estrangeira diretamente na fonte, sem filtros. Só que fazemos isso olhando do lado de cá. A mudança para outros lugares pode afetar esse processo? Estamos construindo obras mais universais e menos locais? Só quando a série estiver completa teremos um plano geral.

Até agora a experiência tem rendido bons frutos e diversos elogios da crítica. O filho da mãe, por exemplo, foi finalista de prêmios importantes de literatura e está na semifinal da Copa de Literatura. Do fundo do poço... ganhou o Prêmio Machado de Assis no ano passado. O único final feliz... foi muito bem comentado. Esqueci mais algum?

Da série, li apenas O filho da mãe e O único final feliz... ambos assimilam muito bem o nacional e o estrangeiro. O Brasil é um país nem tão distante. As histórias de amor parecem tão sufocantes quanto a própria experiência de ser estrangeiro. E no final parece que sempre existe um acidente para tornar a história feliz.

*Atualização*: esqueci de dizer que Cordilheira, de Daniel Galera também ganhou o Prêmio Machado de Assis e foi finalista do Prêmio Jabuti. Valeu, Diana!


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terça-feira, 12 de abril de 2011

DEPOIS DE AMANHÃ ANDE COM AS MÁS COMPANHIAS


Amanhã acontece na Livraria da Vila (em Pinheiros) um bate-papo entre Reinaldo Moraes e Marçal Aquino, com mediação do Joca Reiners Terron. Os três se reúnem para o lançamento do selo Má Companhia, da Companhia das Letras.

O selo promete publicar só escritores malditos. Parece que a ideia nasceu num jantar em que estavam Luiz Schwarcz, Marçal Aquino e o próprio Joca Reiners Terron. Daí o Joca Terron sugeriu criar uma série de livros batizada Má Companhia lembrando que a Companhia das Letras tinha publicado uma outra série com o nome de Boa Companhia.

A ideia vingou. Tanto faz & Abacaxi, de Reinaldo Moraes e O invasor, de Marçal Aquino são os dois livros que inauguram o selo. Sonetos luxuriosos, de Pietro Aretino e Não há nada lá, do Joca Terron também deverão fazer parte do catálogo.

Ainda para comemorar o lançamento, o Joca escreveu no blog da Companhia das Letras um Amaldicionário da Literatura Brasileira que será publicado em três partes. Por enquanto só tem a primeira parte. Vamos aguardar por mais verbetes. E dá-lhe Joca!

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Atualização: o Joca Terron publicou a segunda parte do Amaldicionário da Literatura Brasileira.

*imagem: reprodução.
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sábado, 26 de março de 2011

SOCIEDADES SECRETAS

O blog da Cosac Naify nos deu um pequeno presente ao promover o lançamento da novela História abreviada da literatura portátil, de Enrique Vila-Matas - publicado originalmente em 1985. Explico melhor: a editora convidou autores para escreverem relatos sobre "sociedades secretas que conheceram e/ou fizeram parte". As histórias foram publicadas no blog da editora em três partes - para acompanhar Top Secret, Top Secret II e Top Secret III.

O livro de Vila-Matas conta a história de um grupo de intelectuais do começo do século XX que funda uma sociedade secreta a fim de promover "o amor à escrita como diversão, a insolência, o espírito inovador e a autoria de obras que pudessem caber facilmente numa maleta". O grupo se autodenomina sociedade portátil ou sociedade shandy. Segundo o narrador do romance, o nome da sociedade teria várias explicações e significados possíveis - o que lembrar as explicações de Tristan Tzara para o nome do movimento Dadaísta. Aliás, Tzara é uma das personagens da novela junto com Marcel Duchamp, García Lorca, Walter Benjamin e tantos outros escritores, pintores e artistas. Detalhe: todos eles existiram realmente e nas mãos de Vila-Matas acabam virando personagens de ficção.

Seguindo o mesmo padrão de misturar a realidade com a ficção, Daniel Galera, Antonio Xerxenesky, Vanessa Barbara, Sérgio Rodrigues, Júlio Pimentel Pinto, Chico Mattoso e Joca Reiners Terron criaram história curiosas, engraçadas e até certo ponto, verídicas. Dessa vez, as personagens são Thomas Bernhard, Georges Bataille e uma galeria de escritores estrangeiros e nacionais se reunindo em torno da comida ou debatendo a literatura portátil.

Em tempo, Enrique Vila-Matas vai participar do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural em maio desse ano.
*imagens: divulgação.

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sexta-feira, 11 de março de 2011

NOTAS #20


Sci-Fi Hi-Fi
A ficção científica pode ter nascido no século XIX, mas suas raízes remontam a Grécia antiga - acredite se quiser. Mas será possível contar toda essa história usando apenas uma página? O autor desse infográfico conseguiu - infelizmente não consegui encontrar o nome do autor (alguém sabe?). Tem de tudo um pouco: Franz Kafka, William Burroughs, gregos e indianos. E tem os clássicos também, claro! A imagem em tamanho bem grande está disponível em http://tinyurl.com/4m8pbex

Escritores em vídeo
O blog A piece of monologue reuniu, através do Youtube, o documentário Waiting for Beckett: a portrait of Samuel Beckett. É o primeiro documentário americano sobre o escritor com direção de John Reilly e Melissa Shaw-Smith. O material raro foi produzido para a TV em 1994 e inclui depoimento do próprio Samuel Beckett e várias pessoas próximas a ele. Os vídeos estão reunidos em http://tinyurl.com/6d48lbl

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Outro vídeo curioso vindo do Youtube tem o escritor Henry Miller falando sobre seu banheiro. Todo decorado com fotos, ilustrações, quadros e obras de arte, o escritor confessa que seu banheiro deixa todo mundo perdido - mas olhando o vídeo fica difícil imaginar algo tranquilo naquele lugar. É uma verdadeira viagem ao redor do mundo dentro de um único cômodo da casa. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/4be3em8

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Novamente um vídeo postado pelo blog A piece of monologue. Trata-se de um vídeo curtinho em que Philip Roth fala sobre a velhice http://tinyurl.com/488l6n6

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Para terminar, um outro vídeo em que o escritor David Foster Wallace fala sobre literatura comercial e leitura nos Estados Unidos. Divertida a analogia que ele faz entre a literatura mais cabeça e a música clássica. O vídeo está disponível em http://tinyurl.com/6h2n8xk

Utopia Antiutopia
Quando os escritores criam histórias sobre o futuro, dificilmente eles pensam em algo positivo. As previsões são sempre catastróficas. Pensando nisso, o Huffington Post organizou uma lista com 12 romances antiutopicos. Evidentemente Admirável mundo novo, de Aldous huxley; 1984, de George Orwell e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury não poderiam ficar de fora. Tem também Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago; A estrada, de Cormac McCarthy e Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/6af46n4

Furo!
O escritor Joca Reiners Terron consegue cada furo de notícia que deixa a gente de cabelo em pé. Um dos últimos foi mostrar em primeira mão a capa de Tanto faz & Abacaxi, de Reinaldo de Moraes. Os dois livros saem juntos em reedição pelo novo selo Má Companhia, da Companhia das Letras. Joca, diz pra gente quem assina a capa.

*imagem: reprodução

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

APOSTAS PARA 2011 - NACIONAIS E ESTRANGEIRAS


Mal começou o ano e todo mundo já quer saber quais lançamentos vão agitar o mercado editorial em 2011. Não sei como funciona esse negócio de anunciar com tanta antecedência as apostas para o ano que está começando, mas tradicionalmente nossas editoras não costumam comentar muito o assunto. Fuçando os jornais e alguns blogs foi possível descobrir bastante coisa - pode ser que a coisa esteja mudando.

Além dos títulos que estou listando abaixo, sei que muitos dos escritores da lista "20 escritores brasileiros com menos de 40" estão preparando novos romances. Não sei dizer se serão publicados em 2011.

Se alguém descobrir ou lembrar de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, me mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.

EDITORA RECORD
La carte et le territoire (O mapa e o território), de Michel Houellebecq
Parrot and Olivier in America, de Peter Carey
Nosso fiel traidor, de John Le Carré
Felicidade é fácil, de Edney Silvestre
Em silêncio, de Tatiana Salem Levy
Seria uma sombria noite secreta, de Raimundo Carrero
O cemitério de Praga, de Umberto Eco

EDITORA NOVA FRONTEIRA
The long song, de Andrea Levy
Bárnabo das montanhas, de Dino Buzzati
Tinkers, de Paul Harding

AGIR
O novo romance (ainda sem nome) de Rubem Fonseca

EDITORA ROCCO
Everything ravaged, everything burned, de Wells Tower
Minuto de silêncio, de Siegfrid Lenz

COSAC NAIFY
Guerra e paz, de Liev Tolstói
Dublinesca, de Enrique Vila-Matas**

COMPANHIA DAS LETRAS
Nemesis, de Philip Roth
Freedom, de Jonatham Franzen
Blanco nocturno, de Ricardo Piglia
Contra o dia, de Thomas Pynchon
O terceiro Reich, de Roberto Bolaño
A ninfa inconstante, de Cabrera Infante
O novo romance (ainda sem nome) de Sérgio Sant'Anna, pela coleção Amores Expressos
Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais
Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, de José Saramago
Tanto faz, de Reinaldo Moraes (reedição)
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (graphic novel)**
The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell**
Autobiografia de Julian Assange (fundador da Wikileaks)**
Sunset Park, de Paul Auster**
O balanço da respiração, de Herta Müller**
Últimos dias, de Liev Tolstói**
Mecanismos internos, de J. M. Coetzee (um livro de ensaios)**
Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald**

ALFAGUARA
O sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa
Sôbolos rios que vão, de António Lobo Antunes**

ESTAÇÃO LIBERDADE
O mestre do go, de Yasunari Kawabata**
O castelo de Yodo, de Yasushi Inoue**
Naná, de Emile Zola**

PETROBRAS CULTURAL
Guia de ruas sem saída, de Joca Reiners Terron - com desenhos de André Ducci

No mundo anglófono existem cronogramas em jornais, sites e blogs anunciando lançamentos previstos até o mês de dezembro. Listo abaixo alguns dos lançamentos mais esperados do ano nos Estados Unidos e Inglaterra - destaque para o livro inacabado de David Foster Wallace que já está sendo considerado por lá o lançamento do ano:

The empty family, de Colm Tóibín
While mortals sleep, de Kurt Vonnegut
You think that’s bad, de Jim Shepard
The tiger’s wife, de Tea Obreht
The pale king, de David Foster Wallace
The great night, de Chris Adrian
Between parentheses: essays, articles and speeches 1998-2003, de Roberto Bolaño
Say her name, de Francisco Goldman
Mondo and other stories, de J.M.G. Le Clezio
The tao of travel, de Paul Theroux
1Q84, de Haruki Murakami (terceiro volume)
The forgotten waltz, de Anne Enright
The new republic, de Lionel Shriver
Hot pink, de Adam Levin
The terrible privacy of Maxwell Sim, de Jonathan Coe

*imagem: capa do livro The pale king, de David Foster Wallace.
** Update - Atualização


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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MAIS PRÊMIOS LITERÁRIOS

Ontem foram anunciados os ganhadores do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional. No total são oito prêmios divididos em oito categorias e cada um deles recebe o nome de um escrito brasileiro.

O grande vencedor do Prêmio Machado de Assis - categoria romance foi Do fundo do poço se vê a lua, de Joca Reiners Terron. Outros dois romances premiados foram Ribamar, de José Castello e Lugar, de Reni Adriano.

Do fundo do poço se vê a lua faz parte da coleção "Amores Expressos" e foi publicado esse ano. O romance conta a história de Wilson e William - irmãos gêmeos fisicamente idênticos, mas de personalidades completamente oposta. Wilson tenta desesperadamente se diferenciar da figura do irmão ao desejar transformar-se numa mulher tão inspiradora como a rainha Cleopátra. A trama se desenvolve depois do sumiço de Wilson e de um cartão-postal vindo da cidade do Cairo. Para escrever o romance Joca viajou para o Egito e ficou durante um mês na cidade do Cairo, fazendo viagens para Alexandria e Luxor.

O primeiro lugar do Prêmio Clarice Lispector - categoria conto foi para As certezas e as palavras, de Carlos Henrique Schroeder. O segundo e terceiro lugar ficaram com O macaco ornamental, de Luis Henrique Pellanda e Retratos imorais, de Ronaldo Correia de Brito.

O prêmio Paulo Rónai - categoria tradução ficou Rubens Figueiredo para a tradução do livro Ressureição, de Liev Tolstói. Outros dois ganhadores foram Luís Carlos Cabral com a tradução de Três tristes tigres, de Guillermo Cabrero Infante e Cláudio Giordano com a tradução de Cárcere de amor, de Diego de San Pedro.

*imagem: divulgação.
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domingo, 17 de outubro de 2010

SEXO, LITERATURA E PLAYBOY

Se a Playboy americana tem Madame Bovary, a Playboy brasileira tem muito mais. Joca Reiners Terron compartilhou com a gente nada menos do que 25 trepadas literárias que ele selecionou para a revista. A seleção inclui James Joyce, Julio Cortázar, Hilda Hilst, Raduan Nassar, Vladimir Nabokov, Dalton Trevisan e muitos outros. Claro que tem Marquês de Sade, D.H. Lawrence e George Bataille. Emma Bovary certamente ficaria com as faces coradas.

*imagem: pintura de Eugène Delacroix / reprodução.

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