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sexta-feira, 23 de março de 2012

REVISTA ARTE E LETRA: ESTÓRIAS P

Nessa semana está chegando às livrarias a edição "P" da Arte & Letra: Estórias - revista mensal de Curitiba que publica traduções e ficção inédita de autores renomados. Matemática não é o meu forte, por isso me corrijam se eu estiver errado: pelas minhas contas a revista tem apenas dois anos e melhora a cada nova edição. Melhor ainda é saber que os editores não privilegiam textos muito populares e arriscam publicando textos que merecem uma nova atenção - não chega a ser a ficção "lado b" dos escritores, mas bem que poderia ser. Aproveitando que as obras de James Joyce e Virgínia Woolf entraram em domínio público, a edição tem os contos Uma pequena nuvem, de Joyce (tradução de Adriano Scandolara) e Craftmanship, de Woolf (tradução de Gustavo Delaqua). Curiosamente, tanto um quanto o outro nasceram em 1882 e estariam completando 130 anos nesse ano. Outro destaque é Tarde da noite, da escritora espanhola Rosa Monteiro (tradução de Iara Tizzot) e A múmia egípcia, do russo Mikhail Bulgákov (tradução de Gabriela Soares).

Tem também Edward McPherson, Evgueni Zamiatin, Giovanna Rivero, Hanif Kureishi, Hjalmar Soderberg, Louis Pergaud, Luana Azzolin, Muriel Spark e Paulo Venturelli.

Arte e Letra: Estórias P
Preço: R$ 20,50

*Imagem: divulgação.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

LEITOR QUE NEM EU, QUE NEM QUEM?


Lorin Stein, o aclamado editor da Paris Review, mantém uma seção no blog da revista em que responde perguntas vindas dos leitores da própria revista. Se não estou enganado essa seção é semanal. Toda a sorte de perguntas relacionadas ao universo da literatura aparecem nesse espaço e são respondidas com bastante entusiasmo pelo editor. Os leitores chegam até a pedir conselhos e escrevem em busco de algum conforto que os atormenta.

Na semana passada, um leitor mais desinibido perguntou ao Sr. Stein qual grande livro ele deveria ter lido e nunca leu. Curiosamente, o editor respondeu dizendo que nunca leu, por exemplo, clássicos da literatura como Jane Eyre (Charlotte Bronte), Viagem ao fim da noite (Louis-Ferdinand Céline), A consciência de Zeno (Italo Svevo), O amante de Lady Chatterley (D. H. Lawrence), Meridiano de sangue (Cormac McCarthy), O arco-íris da gradidade (Thomas Pynchon), A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy (Laurence Sterne) e outras coisas mais.

(Quem quiser ver a resposta completa pode clicar aqui).

É irresistível não olhar com uma pequena desconfiança para o episódio - será que tanto a pergunta quanto a resposta não seriam ficcionais? No entanto, a revista Paris Review goza de imenso prestígio e credibilidade, de modo que arriscar essa reputação seria um golpe baixo.

Seja como for, senti um enorme alívio por nunca ter lido uma série de livros que deveria ter lido e ainda não li. Tenho uma fila de leitura que só aumenta a cada dia. Por exemplo, ainda não li 2666 e nem Os detetives selvagens (Roberto Bolaño, ambos). Também não li O Mestre e margarida (Mikhail Bulgakov), Menino de engenho (José Lins do Rego) e nenhum livro do Chico Buarque exceto Estorvo. Liberdade, o novo clássico de Jonathan Franzen, está intocado na minha estante - estou esperando passar um pouco o tempo. E tantas outras coisas mais que nem lembro. Fiquei com vontade de que todo mundo confessasse pelo menos um grande livro que nunca leu - ia ser bem divertido.

Conclusão ululante, meus caros amigos: se nem Lorin Stein leu tudo, que dirá a gente.

*Imagem: reprodução.

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domingo, 9 de janeiro de 2011

NOTAS #14


Mosqueteiros ilustrados
A editora Zahar lançou no final do ano passado uma edição caprichada do livro Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas. A tradução, apresentação e notas explicativas foram feitas pelos escritores André Telles e Rodrigo Lacerda - eles também são os responsáveis pela tradução premiada de O conde de Monte Cristo, outro livro de Dumas. O livro inclui ainda mais de 100 ilustrações originais. De fato, trata-se da edição definitiva do romance.

Domínio público
Alguns escritores famosos estão entrando em domínio público em 2011. Entre eles, Walter Benjamin, o pensador mais importante do século passado, e os escritores Mikhail Bulgakov e F. Scott Fitzgerald. Vale lembrar que não são todos os textos que serão enquadrados nessa categoria. Tem de ficar atento ao ano de publicação da obra.

Os melhores de 2010 – parte 1
Parece que já faz tanto tempo, mas na verdade não faz. Por isso, muita gente ainda está falando sobre os melhores livros de 2010. Vamos perdoar, afinal foi o fim de uma década e estamos na era da velocidade - tem notícia que passa e a gente nem consegue degustar. A revista portuguesa LER, por exemplo, convocou seus leitores para uma votação. Entre os escolhidos tem: Uma viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares; O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa; Submundo, de Don DeLillo e Livro, de José Luís Peixoto.

***

O El País, por meio do caderno Babelia, também divulgou sua lista. Exceto Blanco nocturno, de Ricardo Piglia os demais livros também apareceram na lista da revista LER e a de muitos outros jornais. Fiquei impressionado com Verão, de J. M. Coetzee que está em todas as listas que vi circulando pela internet. A lista do El País está disponível em http://tinyurl.com/y9vhzbj

Os melhores de 2010 - parte 2
Outro que divulgou sua lista de 2010 para literatura estrangeira traduzida no Brasil foi João Paulo Cuenca no programa Estúdio i, da Globo news. Cuenca gostou de 2666, de Roberto Bolaño; A verdadeira vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov; Doutor Pasavento, de Henrique Vila-Matas; A morte de Bunny Mumro, de Nick Cave; e Uma mulher, de Peter Esterházy. Um vídeo do programa está disponível em http://tinyurl.com/28evzca

A literatura vai ao cinema
O jornal LA Times organizou uma lista com filmes que estão ligados ou foram inspirados pelo universo da literatura. Até agora foram 29 filmes - os critérios de seleção estão no link abaixo. A lista serve para aqueles dias chuvosos das férias em que você já cansou de ler livros. Tem Uma janela para o amor, baseado num romance de E.M. Forster; O céu que nos protege, baseado num romance de Paul Bowles; Short cuts - cenas da vida, adaptação de alguns contos de Raymond Carver; Razão e sensibilidade, baseado em livro de Jane Austen - a escritora do momento; Trainspotting - sem limites, baseado num livro homônimo de Irving Welsh. A lista completa está disponível em http://tinyurl.com/2c3pxqr

Paixão pela literatura
O ator James Franco está realmente envolvido com literatura. No ano passado ele publicou um livro de contos que recebeu diversos elogios e ainda estrelou um filme em que vive a história do poeta beatnick Allen Ginsberg - o filme deve estrear em breve no Brasil. Nessa semana o ator anunciou que ainda esse ano vai dirigir uma versão para o cinema do romance Enquanto agonizo, de William Faulkner e para o ano que vem pretende dirigir o romance Meridiano de sangue, de Cormac McCarthy.

Relançamento
A editora Companhia das Letras promete publicar em 2011 uma nova edição do livro Os escritores - as históricas entrevistas da Paris Review. O livro foi publicado pela primeira vez em 1988/1989 em dois volume e conta com as melhores entrevistas de escritores concedidas à revista de literatura mais importante do mundo. Tem E. M. Forster, Louis-Ferdinand Céline, Jorge Luis Borges, William Faulkner, Saul Bellow, John Cheever, Gore Vidal, Milan Kundera, William Burroughs, Vladimir Nabokov, Ernest Hemingway, Anthony Burgess, Jack Kerouac, Gabriel García Márquez, Philip Roth, entre outros.

***

Desde o ano passado, a Paris Review conta com um novo editor, Lorin Stein, que está dando novos ares à revista e modificando um pouco seu perfil. O site da revista, por exemplo, ganhou um blog, um tumblr e um twitter. Além disso, algumas entrevistas do arquivo tiveram seu acesso liberado para os leitores.
*imagem: reprodução do site da editora Zahar.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TRÊS ROMANCES ENTRE MOSCOU E SÃO PETERSBURGO

Para comemorar o centenário da morte de Liev Tolstói escolhi três romances que se passam nas duas mais importantes cidades da Rússia: Moscou e São Petersburgo. Cada escritor a sua maneira soube reconstruir cidade dentro do universo da ficção abarcando aspectos sociais e políticos. Uns preferiam Moscou e outros preferiam São Petersburgo. Tolstói funcionou como uma espécie de síntese, dando voz as duas cidades.

O mestre e a margarida
Mikhail Bulgákov
Alfaguara Brasil

Nos anos 30, Moscou recebe a visita do diabo e de toda a sua comitiva repleta de figuras fantásticas. A visita inesperada irá mudar para sempre a vida da cidade. Assim começa essa pequena obra-prima que revela de maneira alegórica e irônica a vida na Rússia durante o regime comunista de Stalin. O livro foi escrito ao longo de dez anos e ficou escondido durante muito tempo até finalmente ser publicado e se tornar um dos livros mais importantes da literatura russa contemporânea.

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Memórias do subsolo
Fiódor Dostoiévski
Editora 34

Dostoiévski criou uma narrativa singular ao dar voz a um homem que vive à margem da sociedade. O homem do subsolo não mira apenas um interlocutor com sua fala ininterrupta, seu desejo é que todas as pessoas estejam alerta para a demolição de todas as coisas. Essa novela guarda um trecho primoroso: o momento em que o homem do subsolo deseja esbarrar com um oficial que lhe despreza - explicado nos mínimos detalhes por Marshall Berman. O subterrâneo de São Petersburgo vibra nessas páginas.

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Anna Kariênina
Liev Tolstói
Cosac Naify

É difícil resumir em algumas um romance que consumiu cinco anos de elaboração. De maneira geral, a história central desse livro gira em torno de Anna Kariênina, uma jovem aristocrata que apesar de ter uma vida estável se sente infeliz. Ela vislumbra a possibilidade de mudar essa situação quando se apaixona por um oficial, o conde Vrónski. O objetivo de Tolstói era escrever uma crítica sobre a sociedade aristocrata na Rússia do século XIX, por isso uma galeria de personagens ganha vida ao longo do romance. Moscou e São Petersburgo aparecem como cidades opostas, símbolo do antigo e do novo.

*imagens: reprodução.

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