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segunda-feira, 9 de junho de 2014

COPA DO MUNDO DE LITERATURA

Demorou um pouco, mas um pessoal da Universidade de Rochester - nos Estados Unidos - saiu na frente e organizou a Copa do Mundo de Literatura. Será um torneio bem aos moldes do famoso Tournament of Books com uma pequena diferença: a competição incluí livros de autores cujos países estão participando da Copa do Mundo. Portanto, teremos 32 autores (cada país participa com um livro) e 24 juízes para dar conta das avaliações. O esquema também lembra a nossa Copa de Literatura Brasileira (se você acompanha este blog já deve saber como funciona tudo).

Os livros que estão na competição foram anunciados hoje. Os organizadores privilegiaram obras que foram publicadas originalmente depois dos anos 2000 e foram traduzidas para o inglês. O Brasil será representado por Budapeste, de Chico Buarque.

Ao contrário da Copa de Futebol, a Copa de Literatura não terá a fase classificatória de grupos. Na primeira rodada, os países se enfrentam com um único adversário de seu grupo e o vencedor segue para a rodada seguinte e assim segue até a final.

Abaixo está a lista de competidores, combates e datas dos jogos. Os livros traduzidos no Brasil ganharam título em português; mantive o título em inglês para aqueles que ainda não foram traduzidos; se não estou enganado, o livro de Mario Benedetti é uma seleção de contos de vários livros do autor feita pelo editor norte-americano, por isso mantive o original embora alguns contos já tenha sido traduzidos para o português.

Muitos livros já saíram por aqui e caso você queira acompanhar a partida terá tempo de ler e avaliar.



Primeira rodada

Brasil x Camarões 12/6 – Jeffrey Zuckerman
Budapeste, de Chico Buarque (Brasil)
Dark Heart of the Night, de Leonora Miano (Camerões)

Russia x Argélia 13/6 – Chris Schaefer
Day of the Oprichnik, de Vladimir Sorokin – (Russia)
The Sexual Life of an Islamist in Paris, de Leila Marouane (Argélia)

Itália x Inglaterra 13/6 – Trevor Berrett
The Days of Abandonment, de Elena Ferrante (Itália)
NW, de Zadie Smith (Inglaterra)

Espanha x Austrália 16/6 – Mauro Javier Cardenas
Seu rosto amanhã (volume 1) - febre e lança, de Javier Marias (Espanha)
Barley Patch, de Gerald Murnane (Austrália)

Colombia x Japão 17/6 – George Carroll
Memórias de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marquez (Colombia)
1Q84 - os 3 volumes, de Haruki Murakami (Japão)

Suíça x Honduras 18/6 – Hannah Chute
My Mother’s Lover, de Urs Widmer (Suíça)
Senselessness, de Horacio Castellanos Moya (Honduras)

Argentina x Nigéria 19/6 – Lance Edmonds
Um acontecimento na vida do pintor viajante, de César Aira (Argentina)
Graceland, de Chris Abani (Nigéria)

México x Croácia 20/6 – Katrine Ogaard
Rostos na multidão, de Valeria Luiselli (México)
Baba Yaga Laid an Egg, de Dubravka Ugrešić (Croácia)

Portugal x Estados Unidos 20/6 – Will Evans
Jerusalém, de Gonçalo Tavares (Portugal)
The Pale King, de David Foster Wallace (Estados Unidos)

França x Equador 23/6 – P.T. Smith
O mapa e o território, de Michel Houellebecq (França)
The Potbellied Virgin, de Alicia Yánez Cossío (Equador)

Chile x Holanda 24/6 – Shaun Randol
Noturno do Chile, de Roberto Bolaño (Chile)
O jantar, de Hermann Koch (Holanda)

Grécia x Costa do Marfim 25/6 – Laura Radosh
Why I Killed My Best Friend, de Amanda Michalopoulou (Grécia)
Alá e as crianças - soldados, de Ahmadou Kourouma (Costa do Marfim)

Bósnia e Herzegovina x Irã 26/6 – Hal Hlavinka
Como o soldado conserta o gramofone, de Saša Stanišić (Bósnia e Herzegovina)
The Colonel, de Mahmoud Dowlatabadi (Irã)

Bélgica x Coréia do Sul 26/6 – Scott Esposito
The Misfortunates, de Dimitri Verhulst (Bélgica)
Your Republic Is Calling You, de Young-ha Kim (Coréia do Sul)

Uruguai x Costa Rica 27/6 – Kaija Straumanis
The Rest Is Jungle, de Mario Benedetti (Uruguai)
The Cadence of the Moon, de Oscar Núñez Oliva (Costa Rica)

Alemanha x Gana 27/6 – James Crossley
Austerlitz, de WG Sebald (Alemanha)
Search Sweet Country, de Kojo Laing (Gana)

Promete ser um belo campeonato e começa na quinta-feira.

Façam suas apostas e comentários.

*Imagem: tabela da Copa do Mundo de Literatura/Divulgação.
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

LEITOR QUE NEM EU, QUE NEM QUEM?


Lorin Stein, o aclamado editor da Paris Review, mantém uma seção no blog da revista em que responde perguntas vindas dos leitores da própria revista. Se não estou enganado essa seção é semanal. Toda a sorte de perguntas relacionadas ao universo da literatura aparecem nesse espaço e são respondidas com bastante entusiasmo pelo editor. Os leitores chegam até a pedir conselhos e escrevem em busco de algum conforto que os atormenta.

Na semana passada, um leitor mais desinibido perguntou ao Sr. Stein qual grande livro ele deveria ter lido e nunca leu. Curiosamente, o editor respondeu dizendo que nunca leu, por exemplo, clássicos da literatura como Jane Eyre (Charlotte Bronte), Viagem ao fim da noite (Louis-Ferdinand Céline), A consciência de Zeno (Italo Svevo), O amante de Lady Chatterley (D. H. Lawrence), Meridiano de sangue (Cormac McCarthy), O arco-íris da gradidade (Thomas Pynchon), A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy (Laurence Sterne) e outras coisas mais.

(Quem quiser ver a resposta completa pode clicar aqui).

É irresistível não olhar com uma pequena desconfiança para o episódio - será que tanto a pergunta quanto a resposta não seriam ficcionais? No entanto, a revista Paris Review goza de imenso prestígio e credibilidade, de modo que arriscar essa reputação seria um golpe baixo.

Seja como for, senti um enorme alívio por nunca ter lido uma série de livros que deveria ter lido e ainda não li. Tenho uma fila de leitura que só aumenta a cada dia. Por exemplo, ainda não li 2666 e nem Os detetives selvagens (Roberto Bolaño, ambos). Também não li O Mestre e margarida (Mikhail Bulgakov), Menino de engenho (José Lins do Rego) e nenhum livro do Chico Buarque exceto Estorvo. Liberdade, o novo clássico de Jonathan Franzen, está intocado na minha estante - estou esperando passar um pouco o tempo. E tantas outras coisas mais que nem lembro. Fiquei com vontade de que todo mundo confessasse pelo menos um grande livro que nunca leu - ia ser bem divertido.

Conclusão ululante, meus caros amigos: se nem Lorin Stein leu tudo, que dirá a gente.

*Imagem: reprodução.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

JULGANDO LIVROS PELA CAPA: PORTUGAL X BRASIL

O site The Millions faz uma brincadeira interessante comparando a capa de livros em edições americanas e inglesas. Pegando a ideia emprestada, entrei na brincadeira escolhendo alguns autores brasileiros e portugueses para comparar o designer de capa de cada um. Imagino que as duas questões que sempre atormentam o trabalho de quem faz a capa são: resumir o enredo do livro numa única imagem e conquistar a atenção do leitor para aquele produto. Por isso, a brincadeira tem um resultado curioso quando percebemos que o que nos fisga nas livrarias é bem diferente daquilo que fisga nossos "patrícios d'além mar".

Como não sou especialista no assunto, estou comentando de maneira bem prosaica - no melhor estilo inexperiente sem compromisso. Alguns livros ainda estão na minha fila de leitura, portanto não posso comentar sobre a relação do conteúdo com a capa.

As capas das edições brasileiras estão do lado direito. Os comentários estão abertos quem quiser pode participar.



Leite derramado, Chico Buarque.
Sei que a edição brasileira saiu com duas capas diferentes: uma branca com título em preto e outra laranja com o título em branco. As duas versões ficaram limpas e sóbrias, embora a laranja chame mais atenção e seja a mais conhecida. Já a edição portuguesa escolheu uma imagem que diz muito a respeito do enredo do livro.


Estive em Lisboa e lembrei de você, Luiz Ruffato.
Enquanto a edição portuguesa optou por uma foto da cidade, nossa edição optou pelo galo português que é muito mais simbólico. Soa carinhosa a pequena adaptação no título para "...lembrei-me de ti".

A arte de produzir efeito sem causa, Lourenço Mutarelli.
As duas editoras optaram pela mesma imagem na capa. A diferença está apenas no formato: em Portugal é quadrado e mais longo, enquanto no Brasil as bordas são arredondadas e o livro um pouco menor. Comentário a parte: o projeto gráfico do pessoal do Máquina Estúdio (no Brasil) é realmente espetacular.


Caim, José Saramago.
Enquanto a edição brasileira optou por uma imagem abstrata, a portuguesa preferiu uma figura bíblica. E esse furo na testa da figura tem uma força simbólica muito forte.


Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, António Lobo Antunes.
Aqui tem uma questão de identidade visual. Praticamente todos os livros da Alfaguara no Brasil tem essa espécie de moldura. O cavalo do título aparece na singela figura de um cavalinho de pau na mão de uma menina. Já a edição portuguesa optou pela força desse cavalo furioso, trotando.


O remorso de baltazar serapião, Valter Hugo Mãe.
Ficou bonita a imagem dessa cabeça com um mapa antigo. Lembra mesmo uma posição de remorso. A edição brasileira também ganhou uma identidade bem nacional com esse desenho que lembra uma serigrafia. E diz muito sobre a história, imagino.


Mãos de cavalo, Daniel Galera.
Resolvi mencionar essas duas capas não para falar de beleza. Mas achei bem curioso que a capa portuguesa seja mais literal na imagem.


O único final feliz para uma história de amor é um acidente, João Paulo Cuenca.
A edição brasileira é bastante elaborada e cheia de informações visuais que lembrar elementos da cultura visual japonesa. Pelo menos é o que me parece. Os portugueses optaram pelo minimalismo das cores da bandeira japonesa e pelo desenho da boneca, personagem do romance. Bem curioso também.

*imagens: divulgação, reprodução.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

RESTRIÇÕES LITERÁRIAS


O ator James Franco de filmes como "Homem-Aranha", "Milk" e "Howl" publicou um livro de contos, Palo Alto. O livro reúne histórias sobre a angústia e o vazio existencial de um grupo de adolescentes que vivem em Los Angeles, nos Estados Unidos. Franco disse em diversas entrevistas que sua intenção era abordar grandes dilemas que estão ligados a essa fase da vida. Apesar da temática, Palo Alto não é direcionado ao público juvenil.

A estréia do ator no universo da ficção foi recebida com entusiasmo por uma parte da crítica. O New York Times, o Washington Post e o Book Bench da revista New Yorker gostaram bastante do livro. O célebre escritor Michael Cunningham gravou um vídeo conversando com o ator e tecendo diversos elogios. Porém, a outra parte da crítica não gostou do livro antes mesmo de lê-lo porque, segundo dizem, James Franco é um ator celebridade de Hollywood e não um escritor.

Paralelo a carreira de ator, ele frequentou os famosos cursos de escrita criativa de onde saíram renomados autores americanos. No começo Franco escrevia contos em particular, como hobby. À medida que foi mostrando esses contos e teve retorno das pessoas, sentiu segurança para publicar o livro.

A situação de James Franco lembra o caso recente de Chico Buarque com os prêmios Jabuti e Portugal Telecom. O grande compositor da música popular brasileira é também autor de quatro romances: Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado. Três deles já faturaram prêmios importantes de literatura. Isso sem mencionar o fato desses livros serem sucesso de público.

Chico disse que acha natural a desconfiança da crítica como apontou Raquel Cozer num texto para o Caderno 2. Reproduzo abaixo a fala dele:

“É difícil dissociar o narrador da pessoa pública. As pessoas pensam que o livro faz sucesso porque o autor tem um programa de TV ou é compositor. Mas não acho chato isso, não. Se eu visse um outro compositor ou apresentador que escrevesse um livro, talvez eu desconfiasse de que não fosse bom. Isso é muito natural” (...).

Percebo que a mesma restrição também persegue Tony Bellotto, guitarrista da banda Titãs. Ele é autor de seis livros, divididos em contos e romances policiais. Não sei extamente em que medida a crítica torce o nariz para seus livros, pois Bellotto não teve a mesma exposição que Chico Buarque em termos de premiação literária - pelo menos não que eu me lembre.

Não quero dizer que essas três personalidades escrevem romances de alta densidade literária e que eles estão à frente de pessoas que se dedicam integralmente a prosa de ficção. Mas por que o ator, o compositor e o guitarrista não podem também ser escritores?

*imagem: montagem sobre fotos reproduzidas do Google.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

O LEITOR ESCOLHE QUEM LEVA O PRÊMIO


Nem só de prêmios internacionais com votos de um seleto grupo de críticos especializados vive a literatura. No Brasil, temos dois prêmios em vista em que qualquer leitor poderá ajudar na escolha do vencedor.

Até domingo, dia 31 de outubro, está aberta a votação do 'júri popular' para dezesseis categorias do Prêmio Jabuti 2010. O público pode escolher apenas um dos 3 vencedores de cada categoria que foram anunciados em 1 de outubro desse ano. Os mais votados receberão em novembro uma placa de premiação. O chamado 'Voto popular' é uma das novidades que a organização do prêmio preparou. Para votar, é só fazer um pequeno cadastro no site do prêmio e clicar nas suas escolhas.

Na categoria 'Contos e Crônicas' os três concorrentes são: Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), de José Rezende Jr.; A máquina de revelar destinos não cumpridos, de Vário do Andaraí; e Paulicéia dilacerada, de Mário Chamie. Já na categoria 'Romance' os concorrentes são: Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre; Leite derramado, de Chico Buarque; e Os espiões, de Luis Fernando Veríssimo.

Também tem início essa semana a votação de 'júri popular' para a categoria Literatura do 4° Prêmio QUEM, organizado pela revista QUEM Acontece. A seleção dos sete finalistas dessa categoria foi feita pelos críticos Rinaldo Gama, Heloísa Buarque de Hollanda e Sérgio Rodrigues - eles podiam indicar obras tanto em prosa como em poesia, publicadas ao longo de 2010.

Dentre os finalistas estão: Andréa del Fuego, que lançou Os malaquias; Dalton Trevisan, que lançou Desgracida; João Paulo Cuenca, que lançou O único final feliz para uma história de amor é um acidente; Ronaldo Correia de Brito, que lançou Retratos imorais; e o escritor português José Saramago - In memorian.

Façam suas apostas!

*Imagem: reprodução.
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