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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

NOTAS #40


Saudades?
Quem estava com saudades dos prêmios literários não precisa mais se preocupar. A organização do Man Booker International Prize anunciou os dez finalistas que vão concorrer ao prêmio no valor de £60.000 libras. Os cinco membros do júri (que conta com Elif Batuman e Yiyun Li) terão de escolher entre U R Ananthamurthy (India), Aharon Appelfeld (Israel), Lydia Davis (Estados Unidos), Intizar Husain (Paquistão), Yan Lianke (China),  Marie N'Diaye (França), Josip Novakovich (Canadá), Marilynne Robinson (Estados Unidos), Vladimir Sorokin (Rússia) e Peter Stamm (Suíça). O vencedor será anunciado em 22 de maio num jantar no Victoria and Albert Museum, em Londres.

Em Portugal
Falando em Lydia Davis (que está concorrendo ao Man Booker International) acaba de sair em Portugal pela editora Relógio D'água o livro Contos Completos. São 198 pequenas histórias (quase mínimas) que tratam do amor, da solidão, do humor e da estranheza da vida. A Companhia das Letras tinha em seus planos publicar uma tradução de Varieties of Disturbance. A revista Piauí publicou a tradução de alguns contos para a gente ler enquanto espera.

Nobel no Brasil
Segundo o caderno Ilustrada, da Folha de SP, a escritora Herta Müller, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, virá ao Brasil não para participar da FLIP, mas do Fronteiras do Pensamento 2013. A data oficial do evento ainda não foi divulgada. Enquanto ela não vem, dois romances chegam às livrarias Fera d'alma (saí pela Globo Livros) e O homem é um grande faisão no mundo (saí pela Companhia das Letras).


Ginsberg repaginado
O ator Daniel Radcliffe quer mesmo se afastar da imagem deixada pela personagem Harry Potter. No filme Kill Your Darlings, dirigido por John Krokidas, ele encarna o papel de ninguém menos que Allen Ginsberg - o poeta beatnik. A história se passa na época em que Ginsberg estava na faculdade e conheceu seus colegas Jack Kerouac, William Burroughs e Lucien Carr (o jovem atraente que acaba envolvido numa bizarra história de amor obsessivo e morte). Críticos que assistiram a exibição do filme no Festival Sundance ficaram impressionados. Será que alguém ainda vai se lembrar de James Franco?

*Imagens: divulgação Relógio d'água/Sundance Film Festival

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domingo, 12 de setembro de 2010

A GRAPHIC NOVEL DE WILLIAM BURROUGHS

Ah Pook is here, uma graphic novel escrita pelo beatnick William Burroughs e ilustrada por Malcolm McNeil será publicada em 2011. O anúncio foi feito pela editora americana Fantagraphics Books - editora que já publicou Robert Crumb, Charles Schulz, Joe Sacco e Daniel Clowes.

Segundo a editora, as primeiras tirinhas foram criadas por Burroughs e McNeil nos anos 70 e publicadas numa revista chamada Cyclops com o título de The Unspeakable Mr. Hart - algo como, 'O indescritível Sr. Hart'. Mais tarde, os dois decidiram ampliar a ideia e criar o que eles chamaram de um "romance de palavra e imagem" (o termo graphic novel ainda não tinha sido criado). O livro não foi aceito por nenhum editor da época e tanto Burroughs quanto McNeil decidiram abandonar o projeto.

Ainda segundo a Fantagraphics, Ah Pook is here fala sobre
"(...) um magnata chamado John Stanley Hart, dono de um jornal bilionário obcecado em descobrir alguma maneira de alcançar a imortalidade. Com base em fórmulas contidas em livros maias que foram redescobertos, ele tenta criar um máquina de controle midiático usando as imagens de medo e morte. Ao aumentar o controle, porém, ele desvaloriza o tempo e invoca um inimigo implacável: Ah Pook, o deus da morte Maia. Jovens heróis mutantes usando a mesma fórmula Maia de viagens através do tempo trazem pragas biológicas do passado remoto para destruir Hart e sua realidade temporal judaico-cristã" (tradução minha).
Pelas primeiras imagens que a editora liberou, dá para perceber que a graphic novel tem todos aqueles elementos perturbadores que povoam a obra de Burroughs. Quase 40 anos depois parece mesmo um trabalho visionário criado pelos dois parceiros. O mais interessante também é que o anúncio foi feita na mesma semana em que o Uivo, de Allen Ginsberg está ganhando uma versão em filme e em graphic novel.

Os beats vão estar na moda novamente, logo mais.

*imagens: reprodução da Fantagraphics.com

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

COM LICENÇA POÉTICA, UM UIVO PARA ALLEN GINSBERG


Por que não falar sobre Uivo, de Allen Ginsberg? Afinal, comentei essa semana Lolita e Madame Bovary, outros livros também escandalosos e polêmicos. Portanto, quero pedir um minuto de licença a prosa de ficção. Se bem que Uivo é um poema que tem ares narrativos. Mas quero falar desse poema por algumas razões.

Primeiro, Uivo é um dos meus poemas favoritos e fez a minha cabeça durante muito tempo quando eu era adolescente. Não que eu tivesse a pretensão de fazer poemas. Me fascinava, como me fascina até hoje, a força das imagens que Allen Ginsberg escolheu para compor o painel da América que não aparecia no cinema e no jornal daquele tempo. Sem falar na sintaxe recriada e naqueles longos versos, tão longos que quase nem cabem nas páginas do livro. Para mim Uivo representava uma espécie de síntese da liberdade na poesia. Assim como Walt Whitman tinha feito muitos anos antes em Folhas na relva. Reza a lenda Uivo é uma tentativa de Allen Ginsberg de achar a sua propria voz e se libertar da influência que William Blake exerceu sobre ele. Entre tantas coisas, é um poema sobre liberdade mesmo.

Segundo, nas próximas semanas vai estrear nos Estados Unidos um filme sobre esse poema. O filme vai se chamar "Howl" e será estrelado por James Franco no papel de Allen Ginsberg. O enredo é baseado na vida do poeta beatnick durante o período em que ele estava escrevendo esse poema e buscando por liberdade artística e pessoal. Depois da publicação, Ginsberg acabou enfrentando os tribunais de São Francisco, nos Estados Unidos, pois Uivo foi considerado uma obra obscena e tudo o mais. A direção do filme ficou a cargo de Rob Epstein e Jeffrey Friedman - com direito a produção executiva de Gus Van Sant. James Franco ficou bem parecido com Ginsberg. O trailer de "Howl" já está circulando na internet.

Terceiro, Eric Drooker, cartunista, ilustrador e integrante da equipe técnica do filme vai publicar "Howl: a graphic novel". Trata-se da transposição do poema em uma grafic novel. Drooker conheceu e foi amigo pessoal de Allen Ginsberg. Os dois chegaram a trabalhar juntos num livro chamado "Illuminated poems". Além disso, Drooker é um conhecido ilustrador de capas da revista New Yorker.

Quarto, motivado pelo lançamento do filme uma série de publicações estão tomando conta das livrarias americanas. Uma delas é particularmente interessante: Jack Kerouac and Allen Ginsberg: the letters. Tem até um texto de Edmund White para a New York Review of Books sobre uma exposição de fotos de Allen Ginsberg.

Por último, aqui no Brasil, Cláudio Willer, que traduziu diversas obras beatnicks para o português, está ministrando um curso sobre a geração Beat.
*imagens: divulgação.

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domingo, 4 de julho de 2010

A CORRESPONDÊNCIA DE JACK KEROUAC E ALLEN GINSBERG

Nós não escrevemos mais cartas para ninguém. Mas houve um tempo, não muito distante, em que as pessoas faziam isso. O que muitas delas não sabiam é que essas cartas poderiam virar verdadeiros tesouros. E se as pessoas em questão fossem Allen Ginsberg e Jack Kerouac? Pois bem, está chegando às livrarias dos Estados Unidos um livro com a correspondência desses dois mentores da geração beat: Jack Kerouac and Allen Ginsberg: The Letters. Bill Morgan, um dos editores do livro, concedeu uma entrevista para a revista Granta. Ele diz coisas bem interessantes sobre a personalidade de cada um dos escritores. Por exemplo, Kerouac ainda jovem treinava como um louco para ser escritor. Já Ginsberg salvava todas as suas cartas esperando que algum dia se tornasse famoso.

O livro deve ter histórias deliciosas a respeito dos dois. Acaba sendo também o retrato de uma geração que modificou a literatura americana do pós-guerra. Acho que muito se fala sobre os beatnicks mas pouca gente leu os livros realmente. Talvez a publicação dessa correspondência, por ter uma caráter pessoal, constribua para desmitificar essas duas figuras.

Leia um trecho das cartas de Jack Kerouac e Allen Ginsberg que está disponível no site da revista Granta.

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