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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ESCREVA UM LIVRO EM SEMANAS...


... e arque com as consequências!

A edição deste mês da hiperconectada revista WIRED foi toda pensada em torno do tema "#RIOT" (ou 'motim', em bom português). Aparte toda a mobilização da revista em demonstrar que as redes sociais alimentam as "revoltas" sociais, há uma pequena página perdida dedicada a literatura. Não fala diretamente da relação entre a literatura e as rebeliões, mas dispara uma lista com cinco livros que foram escritos em pouquíssimo tempo e que causaram certo reboliço quando foram lançados. A lista recebe o simpático nome de "Speedy Scribes: The Price 5 Writers Paid for Flash Fiction" (algo como "Escribas velozes: o preço que 5 escritores pagaram pela ficção relâmpago") - em inglês, disponível para acesso.

Encabeçando a lista está Laranja mecânica, de Anthony Burgess. O livro consumiu apenas três semanas de trabalho e quando foi lançado deu uma tremenda dor de cabeça ao autor porque ele queria repudiar essa história, de acordo com a revista. Imagino que a adaptação para o cinema deve ter contribuído bastante para isso. Depois vem On the road - pé na estrada, de Jack Kerouac. Diz a lenda mais famosa que o livro foi escrito em 20 dias ininterruptos num único rolo de papel de 120 metros. A história não é falsa, mas já disseram Kerouac teria consumido todo o tipo de droga para se manter acordado quando na verdade ele bebeu apenas café. A lista segue com O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson (escrito em menos de uma semana depois de um pesadelo) e Sangue na neve, de Georges Simenon (escrito em quase duas semanas). O último livro é Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Segundo conta a revista, Bradbury morava numa casinha com duas crianças barulhentas. Para resolver o problema ele alugou uma máquina de escrever na biblioteca da Universidade da Califórnia por 10 centavos a hora. Resultado: ele escreveu o livro em nove dias.

Depois de ler essas histórias a gente não pode mais acreditar naqueles escritores que dizem que escrever é lento, trabalhoso, difícil e até dolorido. Brincadeira! O trabalho pode ser rápido, mas as consequências podem ser complicadas.

*Imagem: reprodução das capas dos livros que aparecem na Wired em versão nacional.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

6 ROMANCES DE TRANSFORMAÇÃO

Histórias de metamorfose existem desde os tempos mais antigos e estão presentes, de alguma maneira, nos livros sobre vampiros, zumbis, lobisomens e mutantes que fazem tanto sucesso. Indo mais além descobrimos que todo mundo algum dia já sonhou com a possibilidade de transformar-se em outros e ter poderes sobrenaturais. Porém, a metamorfose pode tornar uma pessoa melhor do que ela é; ou pode transformá-la em algo ainda pior, num caminho de degradação sem retorno. Seis romances sobre metamorfose...

Contos de fadas
de Perrault, Grimm, Andersen e outros
Zahar

Os contos de fadas são a matriz de muitas histórias de transformação e fazem parte do nosso imaginário coletivo. Nesse universo rainhas viram bruxas, feras viram príncipes e moças pobres viram princesas. Quando tudo parece perdido a transformação é capaz de salvar a todos e conduzir todas as coisas para um final feliz. O charme dessa edição são os texto integrais, as belas ilustrações das histórias, a biografia dos autores e o texto de apresentação escrito por Ana Maria Machado.

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O médico e o monstro
Robert Louis Stevenson
L&PM

Outro romance clássico que tem a metamorfose como tema principal. Escrito em 1886, o livro conta uma história de mistério e terror mostrando o lado bom e o lado mau de um mesmo homem. O doutor Henry Jekyll adquire uma estranha personalidade depois de servir como cobaia num de seus experimentos. Assim um violento rapaz conhecido como Mr. Hide aparece na cidade de Londres. O segredo do doutor Jekyll fica ameaçado quando assassinatos começam a acontecer.

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A metamorfose
Franz Kafka
Companhia das Letras

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. Assim começa uma das novelas de transformação mais famosas da literatura mundial. Kafka promove nos leitores um estranhamento constante: somos capazes de reconhecer todos os elementos que fazem parte do universo de Gregor Samsa, mas as situações parecem sempre absurdas e fora de lugar. A metamorfose do caixeiro-viajante não o salva, mas serve para demonstrar o lado cruel da condição humana.

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O visconde partido ao meio
Italo Calvino
Companhia das Letras

As transformações parecem habitar muitos livros escritos por Italo Calvino. Nessa novela o recurso serve como alegoria para demonstrar os tormentos do homem moderno dividido entre o bem e o mal. O visconde Medardo di Terralba é dividido em duas metades depois de ser atingido por uma bala de canhão. Cada uma das metades conseguem viver independente sendo que uma pratica o bem e a outra o mal. O incidente causa enorme confusão no vilarejo onde mora o visconde.

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O curioso caso de Benjamin Button e outras histórias da Era do Jazz
F. Scott Fitzgerald
José Olympio

A história do menino que nasce velho e morre bebê ganhou notoriedade depois de ser adaptada para o cinema. O conto de Fitzgerald faz uma brincadeira com o tempo que corre ao contrário para Benjamin Button. É no amor que está o maior drama: a garota se apaixona pelo velho rapaz e somente por um instante os dois terão a mesma idade e poderão olhar um ao outro como iguais.

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O reino deste mundo
Alejo Carpentier
Martins Editora

A história da independência haitiana serve como pano de fundo para esse romance escrito pelo cubano Alejo Carpentier. O guerreiro Mackandal é a personagem lendária que usa a metamorfose para tentar conduzir seu povo a independência. A dominação dos senhores brancos sofre todo tipo de ataque graças ao poder de Mackandal de transformar-se em insetos, aves, peixes e outros animais. Alguns atribuem a esse livro o nascimento do realismo mágico.

*imagens: divulgação.

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