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segunda-feira, 25 de abril de 2011

BURROUGHS POR DENTRO


Começa na próxima quinta-feira em São Paulo o Festival In-Edit Brasil 2011. Será a terceira edição do festival dedicado inteiramente ao documentário musical nacional e internacional. Para quem gosta não apenas de música, mas também de literatura a dica é assistir ao documentário William S. Burroughs: a man within, de Yony Leyser. Será uma chance única, pois dificilmente o documentário entra em circuito comercial - como é o caso do filme Uivo, com James Franco no papel de Allen Ginsberg.

O diretor Yony Leyser nasceu em Chicago e tem apenas 26 anos. A sua paixão por Burroughs começou no colégio quando uma edição de Almoço nu caiu nas suas mãos. A experiência foi tão chocante que acabou despertando a curiosidade dele pelo punk rock, os artistas surrealistas, a literatura e a geração beat como um todo. Anos mais tarde, já formado em cinema, Leyser foi investigar a vida de Burroughs e conseguiu tanta coisa que resolveu montar o documentário. Tem bastante material inédito e exclusivo.

Embora seja focado na influência de Burroughs sobre a música, o documentário também fala sobre os livros, os namorados, a arte, as drogas, as armas e o acidente que matou a mulher de Burroughs no México. Tem ainda a participação de David Cronenberg, Gus Van Sant, Iggy Pop, Laurie Anderson, Patti Smith, Ira Silverberg, Sonic Youth e outros.

Não há como negar a influência da geração beat na cultura ocidental depois da Segunda Guerra. Eles estão no movimento hippie, na contracultura, na onda ecologista, na arte de Andy Warhol, na música punk e na literatura. Almoço nu é um dos livros mais importantes do século XX. Há muitos jovens autores que beberam e continuam bebendo nessa fonte.

Uma pena que os romances de Burroughs circulem meio marginalmente por aqui. Cidades da noite escarlate saiu pela editora Siciliano e está fora de catálogo. Também esgotadas e fora de catálogo estão as edições de Almoço nu e Junky que saíram pela Ediouro. Disponíveis em livrarias estão apenas O gato por dentro, Cartas do Yage - ambos pela L&PM - e o romance escrito em parceria com Jack Kerouac E os hipopótamos foram cozidos em seus tanques - publicado pela Companhia das Letras. Também existem algumas edições em português de Portugal. Em sebos, essas edições chegam a custar bem caro.

William S. Burroughs: a man within será exibido em 01/05, domingo, 19h, no Cinesesc e 02/05, segunda-feira, 21h, no Cine Livraria Cultura 2. Depois de São Paulo, o festival segue para o Rio de Janeiro.

Abaixo o trailer do documentário:



*imagem: Burroughs e Patti Smith, por Allen Ginsberg/divulgação.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

COM LICENÇA POÉTICA, UM UIVO PARA ALLEN GINSBERG


Por que não falar sobre Uivo, de Allen Ginsberg? Afinal, comentei essa semana Lolita e Madame Bovary, outros livros também escandalosos e polêmicos. Portanto, quero pedir um minuto de licença a prosa de ficção. Se bem que Uivo é um poema que tem ares narrativos. Mas quero falar desse poema por algumas razões.

Primeiro, Uivo é um dos meus poemas favoritos e fez a minha cabeça durante muito tempo quando eu era adolescente. Não que eu tivesse a pretensão de fazer poemas. Me fascinava, como me fascina até hoje, a força das imagens que Allen Ginsberg escolheu para compor o painel da América que não aparecia no cinema e no jornal daquele tempo. Sem falar na sintaxe recriada e naqueles longos versos, tão longos que quase nem cabem nas páginas do livro. Para mim Uivo representava uma espécie de síntese da liberdade na poesia. Assim como Walt Whitman tinha feito muitos anos antes em Folhas na relva. Reza a lenda Uivo é uma tentativa de Allen Ginsberg de achar a sua propria voz e se libertar da influência que William Blake exerceu sobre ele. Entre tantas coisas, é um poema sobre liberdade mesmo.

Segundo, nas próximas semanas vai estrear nos Estados Unidos um filme sobre esse poema. O filme vai se chamar "Howl" e será estrelado por James Franco no papel de Allen Ginsberg. O enredo é baseado na vida do poeta beatnick durante o período em que ele estava escrevendo esse poema e buscando por liberdade artística e pessoal. Depois da publicação, Ginsberg acabou enfrentando os tribunais de São Francisco, nos Estados Unidos, pois Uivo foi considerado uma obra obscena e tudo o mais. A direção do filme ficou a cargo de Rob Epstein e Jeffrey Friedman - com direito a produção executiva de Gus Van Sant. James Franco ficou bem parecido com Ginsberg. O trailer de "Howl" já está circulando na internet.

Terceiro, Eric Drooker, cartunista, ilustrador e integrante da equipe técnica do filme vai publicar "Howl: a graphic novel". Trata-se da transposição do poema em uma grafic novel. Drooker conheceu e foi amigo pessoal de Allen Ginsberg. Os dois chegaram a trabalhar juntos num livro chamado "Illuminated poems". Além disso, Drooker é um conhecido ilustrador de capas da revista New Yorker.

Quarto, motivado pelo lançamento do filme uma série de publicações estão tomando conta das livrarias americanas. Uma delas é particularmente interessante: Jack Kerouac and Allen Ginsberg: the letters. Tem até um texto de Edmund White para a New York Review of Books sobre uma exposição de fotos de Allen Ginsberg.

Por último, aqui no Brasil, Cláudio Willer, que traduziu diversas obras beatnicks para o português, está ministrando um curso sobre a geração Beat.
*imagens: divulgação.

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domingo, 4 de julho de 2010

A CORRESPONDÊNCIA DE JACK KEROUAC E ALLEN GINSBERG

Nós não escrevemos mais cartas para ninguém. Mas houve um tempo, não muito distante, em que as pessoas faziam isso. O que muitas delas não sabiam é que essas cartas poderiam virar verdadeiros tesouros. E se as pessoas em questão fossem Allen Ginsberg e Jack Kerouac? Pois bem, está chegando às livrarias dos Estados Unidos um livro com a correspondência desses dois mentores da geração beat: Jack Kerouac and Allen Ginsberg: The Letters. Bill Morgan, um dos editores do livro, concedeu uma entrevista para a revista Granta. Ele diz coisas bem interessantes sobre a personalidade de cada um dos escritores. Por exemplo, Kerouac ainda jovem treinava como um louco para ser escritor. Já Ginsberg salvava todas as suas cartas esperando que algum dia se tornasse famoso.

O livro deve ter histórias deliciosas a respeito dos dois. Acaba sendo também o retrato de uma geração que modificou a literatura americana do pós-guerra. Acho que muito se fala sobre os beatnicks mas pouca gente leu os livros realmente. Talvez a publicação dessa correspondência, por ter uma caráter pessoal, constribua para desmitificar essas duas figuras.

Leia um trecho das cartas de Jack Kerouac e Allen Ginsberg que está disponível no site da revista Granta.

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