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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

JULGANDO LIVROS PELA CAPA (4): PORTUGAL X BRASIL

Se você acompanha esse blog desde o começa deve saber que todos os anos faço uma brincadeira comparando as capas dos mesmos livros em edições portuguesas e brasileiras. Virou tradição. Por isso, vamos aos costumes.

Lembrando que não sou especialista no assunto e estou comentando descompromissadamente. Cada país tem a sua próprio cultura visual e cada consumidor tem uma preferência na hora de escolher um livro pela capa. As observações servem como um exercício especulativo sobre o trabalho do capista (ou da editora) na hora de dar uma "cara" para o livro.

A caixa de comentários está aberta para quem quiser participar - por favor, fiquem à vontade. As capas das edições brasileiras estão do lado esquerdo.


Vida querida, de Alice Munro
Começamos com uma ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura (não tem quem não se espante ao perceber, ainda hoje, que a Academia Sueca resolveu premiar uma escritora de... contos) que merece todas as pompas e honrarias. Uma pena que os portugueses não deram o tratamento necessário. Tá certo que essas folhas vermelhas 'simbolizam' a experiência acumulada ao longo dos anos da vida, mas o resultado ficou muito simplistas e acho que passaria despercebido pelas vitrines. Em contrapartida, as moças praticando saltos ornamentais da capa brasileira apontam para o risco, audácia e ousadia. Fora a cor deliciosa para os olhos. Ponto pra gente!


O sermão sobre a queda de Roma, de Jérôme Ferrari
Eu entendo a boa intenção dos portugueses ao colocar essa foto da família em escadinha - tem um pouco a ver com o enredo do livro e com a ideia de declínio. Já a capa brasileira, por mais que tenha optado por dar um corte fechado no dorso da estátua, sintetiza tudo o que precisa dizer de maneira clara e objetiva. Desculpem, mas esse ponto é nosso outra vez.


Diário da queda, de Michel Laub
Muito bem, a capa brasileira é muito bonita e forte (sem mencionar esse tom cinza que é o tom que o narrador imprime em seu relato). No entanto, não há como não se render aos encantos desse boneco segurando com força na barra para não cair. Ponto para os portugueses.


A arte do jogo, de Chad Harbach
Os portugueses optaram por essa mistura de cores que conduzem o nosso olhar para a bola de beisebol. Ficou divertido e deu movimento. Já a capa brasileira preferiu não arriscar e optou por seguir o mesmo visual da edição norte-americana. Pela ousadia, acho que os portugueses merecem levar esse ponto.


É assim que você a perde, de Junot Díaz
Eis uma escolha bem difícil, pois a fotografia da capa portuguesa emoldurada pelo branco tem apelos poéticos que hipnotizam. A edição brasileira também não deixa por menos usando essa letra orgânica, de cor vermelha (tipo sangue) e com ares muito atuais (lembram grafites, lambe-lambes etc). Acho que deu empate técnico.


Mudanças, de Mo Yan
Outro Prêmio Nobel de Literatura. Seria injusto dizer que a capa da edição portuguesa não tem o seu valor. Ela é minimalista na medida certa - não comete exageros e nem peca pelo excesso. Só que a capa da edição brasileira parece mais requintada (tal qual um Prêmio Nobel merece) e a editora cuidou com muito capricho do visual do livro como um todo. Ponto pra gente.


Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera
O nadador sem nome e portador de uma doença rara que o faz esquecer da fisionomia das pessoa ganhou um rosto (ainda que escondido em penumbra) na edição portuguesa. Inclusive, ele tem até um biotipo bem jovem e europeu - na minha leitura imaginava alguém com rosto e corpo mais velho, não sei dizer ao certo o motivo. Não deixa de ser uma foto bonita que deve funcionar muito bem para os leitores de lá. Aqui, a capa teve três cores diferentes, a letra orgânica, um "desenho" que lembra uma mancha e riscos que lembram os pêlos de uma barba (ensopada de sangue, claro!). Alguém disse 'empate'?


A infância de jesus, de J.M. Coetzee
A capa da edição portuguesa não diz muita coisa porque preferiu destacar o nome do autor e usar apenas duas pequenas ilustrações (silhuetas) das personagens principais do enredo. Será que uma imagem moderna de Jesus poderia causar polêmica? Nesse aspecto, a edição brasileira foi mais audaciosa e colocou esse menino ostentando um estiloso óculos escuro e uma capa (de super-herói?). Ponto pra gente!

Obs.: as edições australiana e alemã tem a mesma capa


A chave de casa, de Tatiana Salem Levy
Não sei se o costume de deixar a chave de casa embaixo do tapete é universal. Acredito que sim - é um gesto comum de personagens em livros e filmes do mundo ocidental. A capa brasileira aposta nisso. É uma boa sacada e ficou bem visualmente. A capa portuguesa tem um apelo poético com esse azul melancólico e esse vento que balança o coqueiro a contra-luz. Acho que vale um empate.


Os transparentes, de Ondjaki
A capa brasileira só seria mais transparente se fosse feita totalmente em acrílico (sei lá como chama aquele papel). Lembra aquela brincadeira de raspar a tinta da superfície para ver o que está escrito por baixo. Achei tudo muito acertado. No entanto, a capa portuguesa é mais quente (graças ao vermelho que toma o fundo inteiro) e a ilustração que parece um prédio visto sem as paredes é incrível. Ponto para os portugueses.


O testamento de Maria, de Colm Toibin
Parece que a fim de evitar polêmicas (a personagem do livro também faz referência ao catolicismo) a editora optou apenas pelo título em fundo branco. Perdeu a oportunidade de recorrer ao vasto e rico repertório de representações de Maria nas artes plásticas. A edição brasileira seguiu por esse caminho e ganhou muito mais pontos com a imensa cruz branca que ocupa tudo de ponta a ponta. Ponto pra gente!


Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos
A capa portuguesa tem qualquer coisa meio "tex-mex", não? Parece inspirada nos cartazes do velho oeste norte-americano. A capa brasileira é muito mais interessante porque parece mais tipicamente mexicana (para não dizer, mais autêntica). Ponto pra gente.

*Imagens: divulgação e reprodução.
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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

BRASIL, PAÍS RICO É PAÍS COM ESCRITORES



Um assunto que está dominando as rodas de conversa nessa manhã é a notícia sobre a futura versão online do New York Times em português. O grupo que comanda o jornal está de olho no "bom" momento econômico do país e na ascensão da nova classe média - segundo uma pesquisa do Ibope NetRatings, o Brasil é o 5º país mais conectado do mundo com 83,4 milhões de usuários na internet (nosso tempo médio de navegação e gastos com compras online só aumentam); tudo isso nos torna um atraente mercado consumidor. A expansão internacional da marca não é novidade já que o jornal também vai ganhar uma versão online em chinês.

Parece que um terço do conteúdo será produzido aqui mesmo - com jornalistas brasileiros -, o restante será traduzido do inglês. Puxando a sardinha para a nossa brasa, resta saber se o suplemento 'Sunday Book Review' vai ganhar tradução na íntegra ou separadamente. Afinal, não seria de todo mau ler as resenhas críticas em português.

***

Na semana passada, João Pombeiro, diretor da revista literária LER, esteve no Real Gabinete Português de Leitura no Rio de Janeiro para comemorar os 25 anos da revista. Aproveitando a ocasião, João anunciou que a LER vai ganhar uma versão digital a partir de novembro. Facilitando bastante a vida dos leitores brasileiros na hora comprar exemplares.

A edição desse mês tem Rubem Fonseca na capa com perfil assinado por pelos jornalistas brasileiros Tiago Petrik, Malu Porto e João Gabriel Lima.

***

O inverso também é verdade. Durante a Feira de Frankfurt, a Fundação Biblioteca Nacional junto com outros patrocinadores lançou o primeiro número da revista Machado de Assis - Literatura Brasileira em tradução. É uma revista voltada para a divulgação da literatura brasileira no exterior. Trechos de livros e contos dos autores selecionados para a edição foram traduzidos para o inglês e espanhol. Entre eles estão Alberto Mussa, Andréa del Fuego, Bernardo Carvalho, Cristovão Tezza, João Paulo Cuenca, Joca Reiners Terron, Luiz Ruffato, Paloma Vidal, Rubens Figueiredo e André de Leones. A revista é digital e conta com um blog que divulga notícias em inglês do nosso mercado literário.

Aliás, acompanhei pelos jornais as notícias da Feira. Pelo visto, editoras do mundo inteiro ficaram bastante entusiasmadas com a nossa literatura. Parece que nesse ano as rodadas de negociações foram bastante lucrativas para as editoras brasileiras. Segundo informações do Estadão, foram negociados algo em torno de "US$ 195 mil, entre venda de livro impressos e de direitos autorais de obras brasileiras".

Agora você imagine no ano que vem, quando seremos o país convidado de honra da Feira?

*Imagem: © Frankfurter Buchmesse / divulgação
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

APOSTAS PARA 2011 - NACIONAIS E ESTRANGEIRAS


Mal começou o ano e todo mundo já quer saber quais lançamentos vão agitar o mercado editorial em 2011. Não sei como funciona esse negócio de anunciar com tanta antecedência as apostas para o ano que está começando, mas tradicionalmente nossas editoras não costumam comentar muito o assunto. Fuçando os jornais e alguns blogs foi possível descobrir bastante coisa - pode ser que a coisa esteja mudando.

Além dos títulos que estou listando abaixo, sei que muitos dos escritores da lista "20 escritores brasileiros com menos de 40" estão preparando novos romances. Não sei dizer se serão publicados em 2011.

Se alguém descobrir ou lembrar de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, me mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.

EDITORA RECORD
La carte et le territoire (O mapa e o território), de Michel Houellebecq
Parrot and Olivier in America, de Peter Carey
Nosso fiel traidor, de John Le Carré
Felicidade é fácil, de Edney Silvestre
Em silêncio, de Tatiana Salem Levy
Seria uma sombria noite secreta, de Raimundo Carrero
O cemitério de Praga, de Umberto Eco

EDITORA NOVA FRONTEIRA
The long song, de Andrea Levy
Bárnabo das montanhas, de Dino Buzzati
Tinkers, de Paul Harding

AGIR
O novo romance (ainda sem nome) de Rubem Fonseca

EDITORA ROCCO
Everything ravaged, everything burned, de Wells Tower
Minuto de silêncio, de Siegfrid Lenz

COSAC NAIFY
Guerra e paz, de Liev Tolstói
Dublinesca, de Enrique Vila-Matas**

COMPANHIA DAS LETRAS
Nemesis, de Philip Roth
Freedom, de Jonatham Franzen
Blanco nocturno, de Ricardo Piglia
Contra o dia, de Thomas Pynchon
O terceiro Reich, de Roberto Bolaño
A ninfa inconstante, de Cabrera Infante
O novo romance (ainda sem nome) de Sérgio Sant'Anna, pela coleção Amores Expressos
Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais
Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, de José Saramago
Tanto faz, de Reinaldo Moraes (reedição)
Asterios Polyp, de David Mazzucchelli (graphic novel)**
The thousand autumns of Jacob de Zoet, de David Mitchell**
Autobiografia de Julian Assange (fundador da Wikileaks)**
Sunset Park, de Paul Auster**
O balanço da respiração, de Herta Müller**
Últimos dias, de Liev Tolstói**
Mecanismos internos, de J. M. Coetzee (um livro de ensaios)**
Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald**

ALFAGUARA
O sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa
Sôbolos rios que vão, de António Lobo Antunes**

ESTAÇÃO LIBERDADE
O mestre do go, de Yasunari Kawabata**
O castelo de Yodo, de Yasushi Inoue**
Naná, de Emile Zola**

PETROBRAS CULTURAL
Guia de ruas sem saída, de Joca Reiners Terron - com desenhos de André Ducci

No mundo anglófono existem cronogramas em jornais, sites e blogs anunciando lançamentos previstos até o mês de dezembro. Listo abaixo alguns dos lançamentos mais esperados do ano nos Estados Unidos e Inglaterra - destaque para o livro inacabado de David Foster Wallace que já está sendo considerado por lá o lançamento do ano:

The empty family, de Colm Tóibín
While mortals sleep, de Kurt Vonnegut
You think that’s bad, de Jim Shepard
The tiger’s wife, de Tea Obreht
The pale king, de David Foster Wallace
The great night, de Chris Adrian
Between parentheses: essays, articles and speeches 1998-2003, de Roberto Bolaño
Say her name, de Francisco Goldman
Mondo and other stories, de J.M.G. Le Clezio
The tao of travel, de Paul Theroux
1Q84, de Haruki Murakami (terceiro volume)
The forgotten waltz, de Anne Enright
The new republic, de Lionel Shriver
Hot pink, de Adam Levin
The terrible privacy of Maxwell Sim, de Jonathan Coe

*imagem: capa do livro The pale king, de David Foster Wallace.
** Update - Atualização


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sábado, 18 de dezembro de 2010

PRESENTES DE NATAL PARA FILHOS


CABEÇA

Dom Quixote I e II
Miguel de Cervantes Saavedra com tradução de Sérgio Molina
Editora 34 - R$ 39,00 cada volume com venda exclusiva na Livraria Fnac

O protagonista da obra é Dom Quixote, um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão por muita leitura de romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis preferidos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro, que tem uma visão mais realista. A ação gira em torno das três incursões da dupla por terras de La Mancha, de Aragão e de Catalunha. Nessas incursões, ele se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. (sinopse retirada da Wikipédia).

Vício Inerente
Thomas Pynchon com tradução de Caetano Waldrigues Galindo
Companhia das Letras - R$ 57,50 em média

O centro de tudo é o detetive particular Doc Sportello, espécie de Sam Spade depois de uma maratona de LSD e maconha, que é contratado por uma ex-namorada para investigar o sumiço de um poderoso barão do mercado imobiliário. Esse desaparecimento é parte de uma conspiração maior, que envolve surfistas, traficantes, contrabandistas, policiais corruptos e a temível entidade conhecida como Presa Dourada.

Jeff em Veneza, morte em Varanasi
Geoff Dyer com tradução de José Rubens Siqueira
Intrínseca - R$ 39,90 em média

Jeff Dyer compôs duas novelas que abordam o desejo em todas as suas manifestações: o desejo de sensações, de fuga, e de se tornar outra pessoa, seja por meio do amor ou da arte, seja através da intoxicação ou da transformação espiritual. Na primeira narrativa o cético e cínico jornalista inglês, Jeff Atman, vai a Veneza cobrir a Bienal de Arte. Ele não esperava conhecer uma irresistível galerista americana que transforma completamente seus dias na cidade, e o faz protagonista de um romance incandescente que provoca mudanças e revelações radicais.

Afluentes do rio silencioso
John Wray com tradução de Vanessa Bárbara
Companhia das Letras - R$ 48,50 em média

Acometido de um delírio, ele foge da clínica psiquiátrica onde está internado e empreende uma jornada pelo sistema de metrô de Nova York. Sozinho entre os túneis subterrâneos, pelos quais tem fixação - o que justifica em parte o apelido Lowboy, "garoto de baixo", que também pode significar "garoto para baixo", uma referência à sua condição mental -, William se move como um minotauro pelo labirinto povoado de mendigos, imigrantes e trens fantasmas da Nova York invisível para quem olha a partir da superfície. Sem que ele possa imaginar, sua mãe superprotetora contrata um policial especializado em casos de resolução difícil e ambos saem em seu encalço.

INDIE

Areia nos dentes
Antônio Xerxenesky
Rocco - R$ 24,00 em média

Como pontos de partida, dois eixos narrativos básicos. Em Mavrak, um vilarejo perdido na fronteira entre o México e os Estados Unidos, duas famílias alimentam uma rivalidade ancestral, num passado não muito remoto — começo do século 20, talvez. Num apartamento da capital mexicana, um aposentado experimenta as angústias típicas de um escritor, ao tentar, nos dias atuais, narrar a história de seus antepassados.

Como desaparecer completamente
André de Leones
Rocco - R$ 25,00 em média

Um fora, uma dor de cotovelo, uma transa com um desconhecido: cenas corriqueiras do repertório afetivo que, narradas ao estilo de Leones, abrem caminho para os perigosos meandros do autoenfrentamento. Absortos na tarefa de viver o luto e a conquista amorosos, os personagens deste romance vão desbravando histórias cada vez mais subterrâneas, enquanto disparam pistas de suas complexas personalidades. Passo a passo, página a página, a comunicação entre eles vive diferentes e sutis metamorfoses, rituais inomináveis que permeiam a convivência a dois.

Ladrão de cadáveres
Patrícia Melo
Rocco - R$ 29,00 em média

O livro conta à aventura diabólica de um ex-gerente de telemarketing, despedido depois do suicídio de sua funcionária, que ele agredira dias antes num momento de descontrole. Abatido e sem rumo, ele troca São Paulo por Corumbá em busca de uma rotina menos estressante. Durante um passeio solitário à beira do rio Paraguai, testemunha a queda de um monomotor, pilotado pelo jovem herdeiro de uma das maiores fortunas da região. O que começa como boa ação transforma-se então numa sucessão de equívocos e jogadas do destino que vão envolvê-lo cada vez mais no violento universo do tráfico de drogas e numa sinistra teia de crime e morte.

A morte de Bunny Munro
Nick Cave com tradução de Fabiano Moraes
Record - R$ 49,90 em média

A morte de Bunny Munro narra, em uma combinação primorosa de sentimento e humor negro, a trajetória do anti-herói do título, um homem obcecado por sexo às voltas com uma paternidade complexa e o tortuoso caminho para a redenção. Versão moderna (e totalmente canalha) de um caixeiro-viajante, Bunny Munro vende produtos de beleza e míseras gotas de esperança a donas de casa solitárias na zona costeira do Sul da Inglaterra. Desnorteado pelo repentino suicídio da mulher e tentando manter um pé na realidade, ele faz a única coisa que consegue pensar dentro de sua zona de conforto: pegar a estrada, mas dessa vez levando o filho de nove anos a tiracolo.

CULT

O estranho caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde
Robert Louis Stevenson com tradução de Lucia Helena Seixas Brito
Arte e Letra - R$ 39,00 em média

Em Londres, dois personagens distintos - o respeitável Dr. Henry Jekyll e o misterioso Edward Hyde - têm seus destinos unidos por uma peculiar amizade. Cabe a Gabriel Utterson, advogado e amigo de Jekyll, desvendar o motivo pelo qual o bondoso doutor se associou à violenta figura de Hyde. Um clássico do mistério publicado pela primeira vez no Brasil seguindo o título original: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, ao invés de O Médico e o Monstro como é conhecido por aqui. Mesmo sendo um clássico, a leitura do texto original surpreende e quebra alguns mitos construídos pela fama alcançada ao longo dos anos. O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hyde é um daqueles livros que poucos leram, mas muitos acreditam conhecer a história.

Juliet, nua e crua
Nick Hornby com tradução de Paulo Reis
Rocco - R$ 34,00 em média

Administrador de um website sobre Crowe, grande parte do tempo e energia de Duncan são devotados ao ex-popstar, o que já começa a desagradar sua mulher, Annie. Durante uma viagem de férias aos Estados Unidos, Duncan e Annie visitam os lugares marcantes da vida e carreira de Tucker, e a moça começa a questionar seu amor por Duncan. Na volta à Inglaterra, o casal tem acesso a uma nova versão do álbum de maior sucesso de Crowe, Juliet. As opiniões conflitantes (ele adora, ela odeia) e o fato de Duncan dormir com outra mulher provocam o fim do combalido relacionamento de 15 anos. E a situação começa a fugir de controle quando o próprio recluso, Tucker Crowe, entra em contato com Annie para elogiar a sua resenha publicada no site de Duncan e começam uma troca clandestina de e-mails.

Guerra mundial Z
Max Brooks com tradução de Rita Vinagre
Rocco - R$ 49,90 em média

O narrador de Brooks é um integrante da comissão da ONU encarregado de elaborar o relatório sobre o assustador conflito que quase aniquilou o planeta. Da identificação do paciente zero, contaminado nas ruínas de Dachang, na China, até Mary Jô Miller, a arquiteta de elite que pode pagar para se proteger, passando pelo depoimento de um soldado da infantaria que lutou no conflito, nada escapa à verve do autor.

Orgulho e preconceito e zumbis
Jane Austen e Seth Grahame-Smith com tradução de Luiz Antonio Aguiar
Intrínseca - R$ 29,90 em média

Agora, porém, no tranquilo vilarejo de Meryton, nossa heroína, a guerreira Elizabeth Bennet, treinada nos rigores das artes marciais, está determinada a eliminar a ameaça zumbi. Até que sua atenção seja desviada pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy. Ela conseguirá superar os preconceitos sociais dos grandes aristocratas ingleses, tão ciosos e orgulhosos de seus privilégios? Grahame-Smith transfigura as famosas passagens do texto de Jane Austen em uma deliciosa comédia de costumes. Além dos embates civilizados e repletos de cortesia entre o casal de protagonistas, inclui batalhas violentas, em confrontos cheios de sangue e ossos quebrados. Conjugando amor, emoção e lutas de espada com canibalismo e milhares de cadáveres em decomposição.

No Buraco
Tony Bellotto
Companhia das Letras - R$ 43,00 em média

Teo Zanquis está na praia, em Ipanema, falando consigo mesmo. E a história que ele conta é a sua própria, a de um guitarrista de uma banda de rock de um único sucesso nos anos 80, cujos discos só podem ser encontrados em sebos musicais do centro de São Paulo. A vida profissional e artística de Zanquis atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento.
*imagens: divulgação.

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GUIA DE PRESENTES PARA O NATAL: LIVROS


Na época do Natal todo mundo segue em busca de encontrar aquele presente bacana. Pensando nisso, organizei algumas dicas de presentes para pais, avós, filhos, namorados, amigos e demais conhecidos. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2010. Já posso antecipar que muita coisa ficou de fora, infelizmente! A intenção é ajudar na hora das comprar, da correria, do amigo secreto e tudo o mais.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e resenha reproduzida dos sites das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra por conta de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, etc.

Vou publicar o "guia" em partes, pois ele tem no total 80 itens variados.

*imagem: reprodução Google.

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

DE OLHO EM FRANKFURT EM 2013


Uma série de ações envolvendo a literatura brasileira está tomando corpo. Estamos de olho na nossa participação na Feira do Livro de Frankfurt. Seremos o país convidado de honra em 2013. Aprendemos esse ano com a Argentina, devemos aprender com a Islândia no ano que vem e com o país convidado de 2012 - que não foi anunciado ainda.

Se você é escritor, preste atenção nessas duas notícias:

-> Do Painel das Letras - Folha de SP:

Tradução terá R$ 400 mil
O Ministério da Cultura anunciou a liberação de R$ 400 mil em bolsas com o objetivo de ampliar o Programa de Apoio à Tradução de Autores Brasileiros. A ideia é aproveitar a Feira de Livros de Frankfurt (...) para oferecer ao mercado internacional um panorama mais amplo e variado dos diferentes estilos de literatura produzidos no país. Os clássicos e best-sellers, desta vez, não serão a tônica do programa. As inscrições estarão abertas até o próximo dia 23. Em 2013, o Brasil será o convidado de honra da feira alemã.
-> Da Coluna de Babel no Sabático - Estadão:

Editores querem preparar Frankfurt 2013 na Flip
Editores brasileiros pretendem consultar a organização da Flip para, já na próxima edição, acrescentar um dia na programação oficial – com o intuito de aprimorar a preparação do Brasil na organização do pavilhão e da programação como homenageado na Feira de Frankfurt de 2013. Pode não ser proposta simples, já que a festa de Paraty é evento literário, e não de mercado, mas, se for aceita, serão promovidos encontros de editores alemães com colegas brasileiros para a apresentação de escritores nacionais cujas obras poderiam ser traduzidas. “Não adianta fechar alguns acordos sem criar relação duradoura”, disse, no evento alemão, a agente literária Lúcia Riff, que conversou com editores da Zahar e da Cosac Naify, entre outros. Também está nos planos auxiliar o Ministério da Cultura e entidades editoriais a definir quais escritores visitarão a Alemanha até 2013. A intenção é evitar mal-entendidos como o deste ano, quando, num grupo de 60 autores argentinos pré-selecionados, ficaram de fora nomes de peso como Beatriz Sarlo.
*imagem: Peter Hirth / Frankfurt Book Fair

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terça-feira, 3 de agosto de 2010

8ª FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY - FLIP


Muito bem, críticas, elogios e polêmicas à parte, hoje começa mais uma edição da FLIP. A programação completa já está na ponta da língua de todo mundo. As tendas já estão montadas. As livrarias também. Os autores já chegaram ou estão chegando aos poucos. O tempo está nublado e faz aquele friozinho típico da época. Pelo que li, a cidade ainda vive pacata. Os turistas, visitantes, estudantes, jornalistas e flipeiros devem começar a chegar amanhã.

Não conseguiu ingresso, não tem dinheiro ou não está a fim de ir? Não tem problema. Acompanhe todos os jornais, revistas, blogs e twitters que a está altura do campeonato já estão pegando fogo. Se você quiser ter sua própria opinião sobre alguma mesa, o site da FLIP te dá uma ajuda e faz transmissão ao vivo. Não vai faltar cobertura de informações.

Recomendo vivamente que todo mundo acompanhe: mesa 2 -Lionel Shriver e Patrícia Melo (duas escritoras que precisam ser lidas); as mesas 5 e 6 - com Robert Darnton, Peter Burke e John Makinson (sobre o tão falado futuro dos livros, para ouvir e pensar); mesa 9 - A. B. Yehoshua e Azar Nafisi (de como a literatura reflete as nossas questões políticas e sociais); mesa 10 - Salman Rushdie (para quem viu e não viu); mesa 12 - Colum McCann e William Kennedy (as cidades e suas histórias); mesa 14 - Robert Crumb e Gilbert Shelton (os mitos dos quadrinhos); mesa 17 - Wendy Guerra e Carola Saavedra (duas jovens escritoras). Quem puder acompanhar tudo, melhor.

Vou estar na FLIP também, mas depois falo mais sobre isso.

*imagem: reprodução do Flickr da FLIP.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

A FLIP 2010 ESTÁ CHEGANDO


Falta apenas uma semana para o começo da FLIP. Portanto, não se espante se os jornais e revistas só falarem de literatura nesses próximos dias. Será um dos assuntos do momento. Tamanha atenção não é à toa. Em sua 8ª edição, a FLIP já é uma festa literária de sucesso. É a maior do ramo no nosso país, sobretudo porque atrai um público bastante diversificado: desde profissionais do mercado editorial, até os curiosos novos leitores. Todos estão por lá.

No ano passado, cerca de vinte mil pessoas lotaram as ruas da cidadezinha de Paraty para dedicar sua atenção aos livros, a leitura e a literatura. A expectativa é que esse número aumente ainda mais a cada edição. Num país como o Brasil isso é um acontecimento raro. Infelizmente todos nós sabemos das dificuldades que o mercado editorial enfrenta. Sejamos otimistas, pois uma mudança está em curso e a FLIP certamente é uma das maiores responsáveis por isso.

Ao longo desses anos a FLIP ajudou a divulgar escritores renomados, além de criar e lançar novos escritores. Mais ainda, a FLIP ajudou a movimentar o setor, criou uma "cena literária". As editoras, as revitas, os jornais, os sites especializados e os blogs também seguiram a corrente e deram mais força. Afinal, é assim que as coisas funcionam.

Em meio a esse clima, quero fazer uma pequena retrospectiva das grandes personalidades que já estiveram na FLIP nas edições passadas. No meu recorte estou considerando apenas os escritores de literatura estrangeira que dificilmente poderiamos ver por aqui. Não quero diminuir a grandeza dos nossos escritores, muito pelo contrário. Muito menos quero menosprezar a presença de outras personalidades que já se apresentaram na festa. Trata-se de um recorte bem particular, mas que deve servir como justificativa para tudo o que eu disse acima.

Já estiveram na FLIP, só para citar alguns nomes: Ian McEwan, Paul Auster, David Grossman, Orhan Pamuk, Salman Rushdie, Ali Smith, Jonathan Safran Foer, Jeffrey Eugenides, Nicole Krauss, Toni Morrison, JM Coetzee, Jim Dodge, Nadine Gordimer, Will Self, Chimamanda Ngozi Adichie, David Sedaris, Ingo Schulze, Nathan Englander, Neil Gaiman, Richard Price, António Lobo Antunes, Atiq Rahimi, Simon Schama, Enrique Vila-Matas, Edmund White, Ondjaki, Alan Pauls, Amós Oz, Nathan Englander, Richard Dawkins e tantos outros.

*imagem: divulgação

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

A LITERATURA NA SALA DE AULA COM AJUDA DA INTERNET



Eu já falei sobre dos problemas que enxergo nessa moda de usar vídeos na internet para divulgar livros. Mas como dizer alguma coisa quando esses vídeos servem para os professores estimularem seus alunos a lerem mais? É exatamente isso que o pessoal do LivroClip está fazendo: usando "a internet para levar os livros à sala de aula, na forma de animações, dicas de uso e fórum de debates". No site é possível encontrar uma animação sobre um determinado livro e ainda ler um pouco da biografia do autor e trechos do livro selecionado. As animações resumem bem o enredo das obras sem revelar muita coisa. E de fato causa em quem assiste uma imensa vontade de ler. Veja por exemplo o vídeo sobre A metamorfose, de Franz Kafka. A linguagem é bem simples, mas a comunicação é imediata. E quem sabe assim não acabam com aquele ideia que os alunos tem de que a literatura é chata?

Acima o vídeo de Dom Casmurro, de Machado de Assis - retirado do site LivroClip.
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