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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PRESENTES DE NATAL - 2012


Não posso fugir a tradição de todos os anos. Por isso, organizei uma seleção de presentes para o natal. No "guia de compras" entraram apenas livros de ficção em prosa lançados ao longo do ano de 2012. A intenção é ajudar na hora das compras de última hora para o amigo secreto e tudo o mais. Pode ter certeza que com essas dicas você não vai fazer feio.

O serviço inclui imagem de capa do livro, título, autor, tradutor, preço e link para o site das editoras. O preço pode variar dependendo da livraria em que você compra em função de ofertas promocionais, programas de fidelidade, descontos, compra pela internet, importação etc.




1Q84, de Haruki Murakami, traduzido por Lica Hashimoto (Alfaguara Brasil; R$ 49,90). A saga surrealista de Aomame e Tengo num mundo repleto de referências a cultura pop. 

Mar azul, de Paloma Vidal (Editora Rocco; R$29,50). A fratura entre a leitura e a escrita e a impossibilidade de contar uma história que alguém nos conta.

A comédia humana - v. 1, de Honoré de Balzac, traduzido por Vidal de Oliveira (Biblioteca azul; R$ 74,90). Toda a obra de Balzac reunida em 17 volumes distribuída entre romances, novelas e contos. Um verdadeiro painel da vida moderna. 

Oblómov, de Ivan Goncharov, traduzido por Rubens Figueiredo (Cosac Naify; R$ 119,90). Não existe um mal contemporâneo maior do que a preguiça. 

Dom Quixote - 2 volumes, de Miguel de Cervantes, traduzido por Ernani Ssó (Penguin Companhia; R$ 79,00). Um clássico que nasceu a partir de uma paródia das famosas novelas de cavalaria.

A confissão da leoa, de Mia Couto (Companhia das Letras; R$ 39,50). Uma história de amor em meio a riqueza dos mitos e lendas de um lugar que está nos confins da África

Composition n.º 1, de Marc Saporta (Visual Editions; $29,20 - importado R$ 115,70). Um livro dos anos 60 em que vale aquela máxima "a ordem das páginas não altera o produto".

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera (Companhia das Letras; R$ 39,50). Um segredo do passado põe em marcha o destino de um homem rumo a natureza selvagem.

Foras da lei..., vários autores, traduzido por Heloisa Jahn (Cosac Naify; R$ 49,90). O estranhamento das coisas do mundo visto e ilustrado pelo olhar de renomados escritores.

Pagando por sexo, de Chester Brown, traduzido por Marcelo Brandão Cipolla (WMF Martins Fontes; R$ 47,00). Se não pagar é amor. Se pagar é sexo. Por algumas páginas, deixem de lado suas fantasias e tomem um banho de realidade.

Building stories, de Chris Ware (Jonathan Cape; $30 - importado R$ 144,70). Histórias da vida inteira reinventadas num livro em diversos formatos.

*Imagem das capinhas: divulgação / montagem: Rafael R.
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A LITERATURA E O VIDEOGAME

De uns tempos para cá, uma da obsessão dos "nerds" do Vale do Silício é criar um game que tenha tanta complexidade narrativa quanto Moby Dick, de Herman Melville. Quem confirma o fato é o jornalista Harold Goldberg. O caderno Link (do Estadão) publicou um artigo interessantíssimo assinado por ele comentando as ideias por trás de seu livro All Your Base Are Belong to Us: How Fifty Years of Videogames Conquered Pop Culture (importado - ainda sem previsão de lançamento em português).

No tal artigo, Goldberg menciona a ascensão dos desenvolvedores de jogos nas últimas décadas a verdadeiros "mestres do ritmo, do clima e dos diálogos de uma narrativa". A ponto de fazerem os jogares sentirem um nó na garganta, por exemplo. A certa altura ele diz "a história de um jogo pode ser tão envolvente quanto a trama de um best-seller da literatura".

Não restam dúvidas quanto a capacidade dos games de criarem universos tão imersivos quanto os romances. Sobretudo se pensarmos em jogos tão populares quanto LA Noire ou a série God of War. Mas será mesmo que grandes obras da literatura podem render grandes jogos? Por enquanto a resposta é não. Como tudo na vida, a literatura e os jogos de videogame são "narrativas" com uma linguagem própria e específica. A experiência de ler algumas palavras nas páginas de um romance é bem diferente de acionar o avatar de um jogo a fim de vencer um obstáculo. Da mesma forma que as ações dos avatares não fazem muito sentido quando transportadas para os livros. Sendo assim, melhor encararmos um jogo como um jogo e um romance como um romance - ainda que entre os dois universos tenham retirado suas inspirações uns dos outros.

Foi partindo dessas ideias que pensei no tema videogame para a terceira edição do fanzine. É saudável que a literatura deixe de lado aquele ambiente sacro em que muitos gostam de trancafiá-la para se aproximar de um tema pop - para não dizer, um tema do cotidiano das pessoas. Ao longo do ano vários "joguinhos" inspirados no universo literatura foram aparecendo. Talvez o mais famoso tenha sido a adaptação de O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald para a versão 8 bits em estética Nintendo. Ambos estão presentes no fanzine por meio de um trecho da nova tradução feita por Vanessa Bárbara (saiu pela Penguin-Companhia); e de uma entrevista com os dois desenvolvedores do jogo. Vale dizer que não foi a primeira vez que o romance de Fitzgerald foi adaptado para os games, a Big Fish Games também fez uma tentativa meio frustrada.

Outros destaques do fanzine são: o artigo de escrito especialmente por G. Christopher Williams relacionando o universo do Cormac McCarthy com os videogames; e o texto de Antônio Xerxenesky imaginando dez romances como se fossem videogames. Não podia faltar também uma recomendação de três livros que viraram jogos - os jogadores podem opinar se a adaptação foi boa ou ruim.

A cereja do bolo está nas ilustrações em estilo 8 bits feitas para a edição com exclusividade pelo designer Grafilu. Para fazer o download do fanzine Casmurros #3 basta clicar nesse link.

*Imagem: reprodução da tela inicial do jogo The great Gatbsy.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

MADAME BOVARY C'EST MOI


Segunda-feira foi aniversário do escritor Gustave Flaubert. A data não teve nenhuma comemoração especial, mas se estivesse vivo ele estaria completando 190 anos. Nunca tive notícia de uma pessoa que tenha vivido tanto. De acordo com a Wikipédia a pessoa mais velha do mundo foi uma francesa chamada Jeanne Calment que morreu com 122 anos e 164 dias de vida (alguém confirma a informação?). Infelizmente, Flaubert não teve a mesma sorte que ela, embora também fosse francês. Ele morreu subitamente em maio de 1880, aos 59 anos.

Usar o epíteto “o maior escritor de todos os tempos” é chover no molhado. Seus feitos como criador de um estilo novo e moderno já foram cantados em verso e prosa. Por isso, tentei encontrar alguma história curiosa e diferente. Algo como o papagaio empalhado que ele pegou emprestado do Museu de História Natural de Rouen para escrever a novela Um coração simples (publicado em Três contos com tradução de Samuel Titan Jr. e Milton Hatoum). A história é tão fantástica e engraçada quanto verdadeira. Virou até um belo romance nas mãos de Julian Barnes. Roberto Pompeu de Toledo também confirmou a versão num ensaio para o primeiro número da Revista Piauí.

Inútil dizer que não encontrei nenhum “causo” inédito – pura ingenuidade da minha parte. No entanto, para não dizer que fiquei a ver navios, me deparei com uma nova edição do clássico Madame Bovary – costumes da província que acabou de sair pelo selo Penguin-Companhia. A tradução ficou a cargo de Mário Laranjeira. Uma bela maneira de comemorar os 190 anos de Flaubert já que a edição conta com apresentação de Charles Baudelaire, introdução de Geoffrey Wall e prefácio de Lydia Davis.

E aqui vale um comentário: além de ser uma escritora reconhecida, Lydia Davis também é tradutora do francês. No ano passado ela publicou uma nova tradução de Madame Bovary para o inglês que foi um sucesso na crítica anglófona. A história mais curiosa sobre o burburinho em torno dessa tradução surgiu quando a Playboy norte-americana publicou um trecho do livro em primeira mão. Emma Bovary emplacou uma chamada na capa da revista como o romance mais escandaloso da literatura.

De fato, quando foi publicado o romance foi um escândalo – levou Flaubert aos tribunais por imoralidade. Porém, Emma é muito casta quando colocada ao lado do conteúdo que a Playboy publica.

Para quem ficou curioso, a Playboy publicou um trecho do capítulo IX, da segunda parte. Quando Rodolphe leva Emma para um passeio. Vou tentar encontrar o trecho na tradução do Mário Laranjeira e depois volto.

*Imagem: reprodução do filme homônimo de Claude Chabrol com Isabelle Huppert no papel de Emma Bovary.

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

BLOOMSDAY: JAMES JOYCE TECNOLÓGICO


Será que ainda dá tempo de comemorar o Bloomsday? Sei que me atrasei para as comemorações, mas me sinto na obrigação de não deixar passar a data em branco. Afinal, acho curioso o fato de Ulisses - um dos livros mais importantes da literatura moderna - ser um romance bastante celebrado, mas pouco lido.

Verdade seja dita: Ulisses é um osso duro de roer. Além das suas mais de 900 páginas, James Joyce resolveu "brincar" com a literatura, a crítica e os leitores. Meteu lá no seu romance os neologismos, mexeu na sintaxe, colocou as citações nos devidos lugares, criou diversas intertextualidades, mandou as categorias literárias darem um passeio (tempo e espaço se diluem, por exemplo), usou e abusou do fluxo de consciência - dizem até que ele esgotou todas as possibilidades de monólogo interior que qualquer sujeito poderia imaginar. No entanto, decifrar esse criptograma também é realmente prazeroso.

Ulisses não é um romance que você lê e depois abandona. Ele exige tempo, paciência, dedicação e releituras (porque não?). E o Bloomsday não é comemorado à toa. É uma chance de voltar pelo menos uma vez no ano ao romance que detonou as convenções formais do romance. Talvez seja mais fácil encarar o desafio deixando de lado a obsessão de entender totalmente o livro logo na primeira leitura. Até porque, no caso de Ulisses, vale aquela máxima "cada nova leitura sempre será uma primeira leitura".

Não se deixe abater! Tudo o que você precisa saber sobre o enredo do romance é: "nele, intercalam-se as trajetórias de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, pelas ruas de Dublin ao longo de um único dia, 16 de junho de 1904. Sua estrutura e referências remetem à Odisséia, épico de Homero sobre as peripécias de Ulisses (Odisseu, para os gregos) em sua jornada de volta a Ítaca" (retirado do release da Alfaguara). No mais tenha em mente que Ulisses é um conjunto de experiências vividas pelo homem moderno. Embora isso pareça querer dizer nada, quer dizer muito.

Findo comentário, sigo para uma miscelânea de coisas que encontrei na internet sobre Ulisses, de James Joyce. Feliz Bloomsday atrasado!

***

Traduções para o português
A primeira tradução de Ulisses no Brasil chegou pelas mãos de Antônio Houaiss em 1966 - boatos dão conta de que ele levou quase dez anos traduzindo. Quase quarenta anos depois, Bernardina da Silva Pinheiro fez uma nova versão - foram sete anos de trabalho. No próximo ano a Companhia das Letras, através do selo Penguin-Companhia, promete uma nova tradução assinada por Caetano Galindo.

O blog do IMS fez quatro perguntas a Caetano Galindo sobre a missão de traduzir um romance de James Joyce.

Segundo a Wikipédia, a primeira tradução do livro em Portugal foi lançada em 1983 por meio de uma adaptação da tradução feita por Houaiss. Porém, João Palma-Ferreira publicou uma tradução portuguesa em 1989.

Usando o twitter
Ontem, durante o #Bloomsday, um grupo de fãs (com participação de gente do mundo inteiro) criou um perfil no twitter para tentar adaptar a obra para a "econômica" rede social. A organização do chamado "twitaço" começou no blog 11ysses.wordpress.com. Eles passaram 24 horas publicando os trechos no perfil @11ysses e agora pedem uma avaliação dos leitores. Os comentários devem ser feitos no próprio twitter.

Quadrinhos
Robert Berry e Josh Levitas, da Throwaway Horse LLC, fizeram uma adaptação do romance para os quadrinhos - Ulysses “Seen”. É possível ler no computador, no celular e também no iPad. Ainda tem um guia de leitura para ajudar. (As duas imagens lá em cima forma retiradas do site)

Nas ondas do rádio
A rádio WBAI de Nova York transmitiu pela internet por sete horas consecutivas uma leitura de Ulisses com direito a participação de atores de Nova York, Los Angeles, Londres e Dublin. Não encontrei o arquivo no site da rádio. Mais informações aqui.

Podcast
O escritor Frank Delaney criou na internet um podcast na internet chamado Re:Joyce. A cada semana, ele desconstrói uma frase do livro durante cinco minutos. Só o primeiro capítulo levou um ano para ser destrinchado. Imagine quanto tempo mais ele levará até terminar o livro inteiro? Os episódios estão disponíveis aqui.


Códigos de barra
Está pensando que esses quadrados aqui em cima não servem para nada? Engano seu! O pessoal da Books2Barcodes converteu Ulisses para o formato código de barras 2D. Você pega o seu celular (devidamente equipado com um aplicativo de digitalização de código de barras) coloca diante desses códigos e voilà. É no mínimo um jeito diferente de ler Ulisses.

Desenho
Para finalizar, Ricardo Humberto fez uma ilustração bem bacana de James Joyce para o jornal Rascunho. O resultado pode ser conferido aqui.

*Imagem: reprodução - créditos no post.
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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

POR QUE UM NOVO GULLIVER?

A Penguin-Companhia está lançando uma nova tradução feita por Paulo Henriques Britto para Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift. Trata-se de um livro publicado em 1726 cuja história foi tão incorporada por nosso inconsciente coletivo ao longo do tempo que já até esquecemos como de ler a história em sua fonte original. Portanto, não seria estranho fazer a pergunta: por que uma nova tradução para um clássico dessa natureza?

Antes de tudo esse livro tem uma enorme importância histórica para a literatura. Ele foi escrito mais ou menos entre 1713-1725 e foi publicado em 1726. Nesse momento a Inglaterra passava por profundas transformações sociais: a Revolução Industrial estava em pleno curso, as ideias iluministas estavam ganhando força e o gênero romance estava em plena ascensão. A publicação de Viagens de Gulliver aparece num momento em que os livros de viagens eram os tipos de romances mais populares. A intenção de Jonathan Swift era satirizar esses livros. Além disso, Swift queria ironizar o governo dos países europeus e causar uma reflexão acerca da corrupção dos homens quando vivem em sociedade.

Para nós, leitores brasileiros adultos, essa nova tradução nos salva de uma falta. Todo mundo sabe das dificuldades de encontrar uma edição de Gulliver com texto integral, longe das adaptações infanto-juvenis - o mesmo problema ataca os livros de Mark Twain e outros escritores antigos. Entendo que esse livro tenha um apelo de aventura e fantasia, mas a leitura do texto integral permite perceber claramente visão de mundo pessimista que Jonathan Swift estava imprimindo em seu herói.

Novas traduções de textos clássicos também são boas oportunidades de termos versões mais apuradas para uma história. Como o livro foi escrito há mais de duzentos anos, o tradutor pode refletir melhor sobre as palavras, os vocábulos, as imagens, etc. É a chance de um tradutor tentar se aproximar daquela tradução tão perfeita a ponto de não precisar de mais retoques.

Vale lembra que a tradução ficou a cargo de Paulo Henriques Britto - "poeta, contista, ensaísta, professor e um dos principais tradutores brasileiros da língua inglesa". Ele já verteu para o português mais de cem livros (pense em Elizabeth Bishop, Philip Roth, William Faulkner, etc.), tendo inclusive traduções premiadas. Também existem traduções do português para o inglês assinadas por ele.

Para completar, essa nova tradução vem acompanhada de diversos atrativos: prefácio de George Orwell, introdução e notas de Robert DeMaria Jr. (que organizou a edição) e diversas imagens preciosas e mapas de lugares citados no romance.

Todo esse capricho confirma a fama que a Penguin tem de renovar os clássicos - agora em parceria com a Companhia das Letras e em português.

*imagem: divulgação.
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

HENRY JAMES: O MESTRE DO ROMANCE


Nos últimos anos a escritora Jane Austen teve uma misteriosa ascensão literária. Da noite para o dia seus romances começaram a ser reeditados aos milhares. Depois surgiram os mashups, os quadrinhos, os filmes, os vídeos no youtube e os artigos nos jornais. Porém, ela não está sozinha nesse resgate. Parece que o destino reserva os mesmos louros ao escritor Henry James.

Desde 2002, uma série de livros está sendo escrita tendo o escritor como objeto de estudo ou como personagem principal de suas tramas. Alguns de seus principais livros também estão ganhando novas reedições. O fenômeno é difícil de explicar. Seja qual for a verdadeira razão, ninguém pode negar a qualidade da obra de Henry James e o seu legado teórico para as futuras gerações.

Do homem teórico, por exemplo, posso dizer que ele foi o responsável por uma das principais formulações a respeito do foco narrativo no romance. Segundo dizem, a experiência de James com o teatro lhe deu gabarito para desenvolver romances em que a cena e o diálogo são os responsáveis pelo desenvolvimento da ação. Também é nesse momento que ele formula sua teoria sobre o narrador. Vou explicar de modo prosaico: para ele a figura do narrador no romance deveria se disfarçar numa personagem em terceira pessoa. Tal personagem deveria organizar a história, refletir e mostrar ao leitor tudo o que está se passando. Por isso a aversão dele aos romances em primeira pessoa ou com narradores que fazem muitas interferências na história.

As reflexões de Henry James estão reunidas numa série de prefácios que ele escreveu para alguns de seus romances e foram publicadas no livro A arte do romance - saiu pela editora Globo Livros com organização de Marcelo Pen.

Os grandes destaques da obra de Henry James são seus três últimos romances: As asas da pomba, de 1902; Os embaixadores, de 1903; e A taça de ouro, de 1904. Nesses livros, ele conseguiu apurar sua técnica narrativa, trabalhar muito bem a composição das frases e a escolha de cada palavra e explorar os drama humanos de maneira magistral.

No Brasil, A taça de ouro foi publicado pela editora Record. O mesmo livro ganhou no ano passado uma edição de bolso pela Best Bolso, um selo da editora Record. As asas da pomba saiu pela Ediouro em 1998, mas a edição está esgotada e pode ser encontrada apenas em sebos. Já Os embaixadores, livro que era inédito por aqui, vai ganhar este mês uma edição caprichada pela Cosac Naify. A tradução ficou a cargo de Marcelo Pen. A edição ainda terá textos de Modesto Carone e Ian Watt, além de prefácio escrito pelo próprio Henry James.

Outros livros de Henry James que já foram publicados no Brasil desde 2001: Os espólios de Poynton; A fera na selva; Pelos olhos de Maisie; Um peregrino apaixonado e outras histórias; Retrato de uma senhora e A volta do parafuso.

*imagem: reprodução Guardian.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

NOTAS #3


As vedetes de Frankfurt
A Feira do Livro de Frankfurt que começou na terça-feira já tem seus romances mais concorridos para negociações - a maioria está nas mãos da agência de Andrew Wylie. Um deles é "State of England: Lionel Asbo, Lotto Lout", o novo romance do britânico Martin Amis. Segundo dizem esse romance tem como protagonista um anti-herói muito feroz. Outros títulos de destaque são: "A Strangeness in My Mind", de Orhan Pamuk que conta a história de um vendedor de rua em Istambul; "Object", de David Bowie; e "Classmates of Anne Frank".

*

Muitos editores estrangeiros estão acompanhando com bastante interesse a participação do Brasil na Feira. Porém, segundo apurou a Folha de SP, o maior problema encontrado por estrangeiros é a falta de informações objetivas sobre o funcionamento do mercado editorial brasileiro.

Gabon continua na ativa
O escritor Gabriel García Máquez está lançando um novo livro essa semana, "Yo no vengo a decir un discurso". O livro reúne 22 discursos escritos por ele. Segundo boatos que circularam no ano passado, o escritor colombiano e ganhador do prêmio Nobel de 1982 iria parar de escrever. Na época Márquez desmentiu os boatos dizendo que esse é o seu maior ofício. Seu último livro do gênero foi "Memória de minhas putas tristes", de 2004.

A bruxa está solta
A temporada de Jonathan Franzen na Inglaterra não está sendo das melhores. Franzen constatou que a edição inglesa de "Freedom" não é a versão final escrita por ele. Os editores publicaram uma versão anterior e tiveram de fazer um "recall" para que os leitores trocassem o livro pela versão correta. Para piorar a situação, Franzen teve os seus óculos foram roubados numa festa e os ladrões ainda estavam exigindo $ 100.000 como resgate. A polícia conseguiu prender os ladrões e os óculos foram entregues ao dono. Vamos torcer para que Franzen consiga voltar inteiro para os Estados Unidos.

Ao mestre com carinho
Curiosamente o escritor Henry James, um dos maiores nomes da literatura inglesa, está servindo como fonte de inspiração para novos autores. Desde 2002 cerca de dez livros já foram publicados tendo o escritor como personagem principal. Dois exemplos dessa série de livros são: "O mestre", de Colm Tóibín publicado no Brasil pela Companhia das Letras e "Author, Author", de David Lodge ainda sem tradução para o português.

Clube de leitura
A editora Companhia das Letras está organizando uma nova rodada de seu clube de leitura Penguin-Companhia das Letras. Os próximos livros que serão discutidos são "Por que ler os clássicos", de Italo Calvino e "Pelos olhos de Maisie", de Henry James. As vagas para o clube de leitura são limitadas. Mais informações e inscrições pode ser obtidas através do e-mail: clubedeleitura@penguincompanhia.com.br

Memórias
Um vídeo curioso com animais andando em reverso mostra uma menina chamada "Mary O'Connor" segurando uma galinha. Na realidade a menino do vídeo é a escritora norte-americana Flannery O'Connor com apenas 5 anos de idade. O vídeo pode ser visto em... http://tinyurl.com/37kloqc

*imagem: Peter Hirth / Frankfurt Book Fair.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010

A PARCERIA ENTRE A PENGUIN E A CIA DAS LETRAS


A notícia mais importante do dia e quem sabe do ano é a chegada da editora Penguin ao Brasil através de uma parceria com a editora Companhia das Letras. Acho que a editora não é muito conhecida por aqui, mas trata-se de um dos maiores grupos editoriais do mundo: a sede fica na Inglaterra e tem filiais nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, Índia, África do Sul e China.

Eu já falei muitos vezes aqui no Casmurros sobre os livros que a Penguin está lançando em função dos seus 75 anos. Acho que os leitores inveterados conhecem e sabem o valor que a marca Penguin tem. Por isso, a parceria é motivo de comemoração. Certamente teremos o relançamento de livros importantes, totalmente renovados e em edições bem cuidadas.

Fundada em 1935 por Allan Lane, a Penguin tinha a missão de colocar livros de qualidade no mercado com preços atrativos e venda em locais diversificados. De lá pra cá, a editora tornou-se uma marca forte justamente por apostar em edições caprichadas de clássicos da literatura antiga e contemporânea: boa tradução, prefácios assinados por gente de renome, notas explicativas e capas que tornam o livro como um verdadeiro objeto de desejo.

O catálogo da Penguin também conta com livros de outras áreas do conhecimento, como filosofia, ciência, etc. No entanto, a Penguin Companhia vai publicar em português livros do selo Penguin Classics, incluindo também títulos de autores brasileiros.

Os quatro primeiros livros serão: O Príncipe, de Maquiavel; Pelos Olhos de Maisie, de Henry James; Joaquim Nabuco Essencial e O Brasil Holandês, ambos organizados por Evaldo Cabral de Mello.

* imagem: reprodução do blog da Cia das Letras.
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